sábado, 10 de janeiro de 2009

Inversões: Davi e Golias, armas e arados


Há alguns anos atrás, durante a primeira intifada, vi esta foto. Trata-se de um jovem palestino, na Faixa de Gaza, enfrentando um tanque de Israel com uma funda. Lembrei-me logo de Davi e hoje esta foto é encontrável na Internet sob o nome de “Davi Palestino”.


Que diferença! Golias hoje está com fundas e Israel com as armas pesadas. O Israel bíblico lutava com simplicidade: Davi enfrentou Golias e Débora conduziu o exército, a pé, contra os poderosos caros de ferro de Sisera. Lutavam confiados em Deus. O Israel de hoje é um dos principais fabricantes de armas. Chega a exportar.


Talvez, como eu, você esteja admirado com o desequilíbrio desta guerra, que não sai de nossa frente, em que o Davi usa as armas de Golias.


Acho que a simpatia que nós cristãos sentimos naturalmente pelo povo que outrora foi detentor da Antiga Aliança, e do qual veio nosso Senhor, esteja sendo abalada pelas atrocidades que vemos.


***


O comandante da invasão da Europa, que pôs fim a Segunda Guerra mundial, General Dwight Eisenhower, ao fim de seu mandato como presidente dos EUA, em 1961, sabia muito bem do que falava quando afirmou: “Nas esferas de governo, devemos nos proteger contra uma influência indesejada, procurada ou não, por parte do complexo militar-industrial”.


Na realidade a Segunda Guerra Mundial causou uma transformação tão grande nas indústrias que até hoje não foi avaliada totalmente. Por exemplo: Uma fábrica de canoas foi transformada em fábrica de barcos de guerra e de 15 funcionários, em menos de um ano, passou a mais de 3 mil. E assim muitas fábricas de ferramentas e implementos agrícolas deixaram de ser fabricados. Na linguagem do Profeta Joel (3.1) “As relhas de arado estavam sendo transformadas em espadas”.


A necessidade de matéria prima era tão grande que os carros americanos foram dispensados de portar a placa dianteira e toda indústria dos EUA e da Inglaterra foi orientada para o esforço de guerra. O mesmo já acontecia com a indústria Alemã e Japonesa e nos países aliados de um lado ou de outro, como Itália, Rússia, Austrália, Canadá, etc.


Após a guerra, muitas indústrias voltaram a seus produtos originais. Porém estava construído o que o General chamou de Complexo Industrial Militar, que fabricam não apenas armas, mas de fardas a satélites.


Fabrica produtos peculiares. Por exemplo, mísseis com tecnologia tão sofisticada, que, de tão cara ainda não é comercializada, com a única missão de “explodir-se” causando o maior número possível de mortes e a óbvia necessidade de ser reposto.


Esse “complexo” depende da existência de guerras. As palavras de Eisenhower exortam a que o governo não se deixe influenciar por ele. O que é praticamente impossível.


***


Isso não é novidade para quem medita na palavra de Deus: Desde o pecado o homem é assim: onde ele puder ser beneficiado, mesmo que seja em detrimento de seu próximo, ele procurará tal benefício a qualquer preço.


Manter esse Complexo funcionando, garantindo empregos, novas tecnologias e supremacia militar, certamente não é o único motivo das guerras, porém há quem diga que é um dos principais. Transforma Davis em Golias e drena recursos, forças e a atenção dos problemas reais.


O que conforta nossos corações, nos quais o Reino de Deus já está presente, é que um dia, quando o Reino de Deus se espalhar pelo mundo, como as águas cobrem o mar, a profecia de Joel será substituída pela a de Miquéias: “Ele [Jesus] julgará entre muitos povos e corrigirá nações poderosas e longínquas; estes converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Miquéias 4.3).


Será o fim do Complexo Industrial Militar que passará a fabricar ferramentas agrícolas.


Vem, Senhor Jesus!

6 comentários:

André Eler disse...

Rev. Folton, duas coisas foram bastante reconfortantes hoje na escola dominical. Primeiro, o momento de intercessão conduzido pela Cibele, em que pedimos pelos palestinos, pela paz, pelos irmãos em Cristo - em vez de cantarmos um hino de guerra e orarmos pela vitória de Israel e vociferar contra "os homens que se levantam contra o povo de Deus", como é comum entre os evangélicos.

Depois, ler esta devocional no boletim. Infelizmente, muitos ainda comemoram o desqeuilíbrio de forças, para que "aqueles terroristas morram", afinal "eles que provocaram". Eu, que me assusto, não vejo a hora em que haveremos todos de largar os mísseis e tanques e fuzis, de fabricação caseira, ou israelense, ou americana, ou russa.

Vem, Senhor Jesus.
E tem misericórida daqueles que padecem hoje.

folton nogueira disse...

André;

Eu até entendo a aflição do povo judeu e, como ensina o Apóstolo Paulo, oro por eles. Mas, as vezes, fico perplexo e triste, lembrando que em Jesus não há judeu ou árabe ou brasileiro.

Aguardo ansioso o dia em que as armas serão transformadas em podadeiras.

ab
Fôlton

Anderson Gonzaga disse...

André e Rev. Folton,

A guerra muitas vezes se faz necessária. Não é, nunca justa; nem haverá, de fato, vencedores.

Entretanto, como um pai esmaga a cabeça de uma serpente para proteger a vida do filho, a guerra pode ser instrumento de defesa.
Tornou-se um lugar-comum antipatizar com Israel por causa da desproporcionalidade da resposta ao terrorismo. A cobertura totalmente parcial que a imprensa fez da guerra impulsionou essa reação. Vide a divulgação mentirosa do ataque à escola da ONU, o que depois se descobriu falso sem que houvesse proporcional retratação.

Não defendo Israel incondicionalmente. Mas vale lembrar que esse país é a única democracia no Oriente Médio, tem uma vida política plural onde os palestinos e árabes residentes podem votar e ser votados, fazendo parte do parlamento.
Um dia desses eu vi uma matéria muito bonita sobre Dubai, aquela ilha de fantasias encravada no Oriente. A certa altura o repórter disse com muita naturalidade que não podem entrar pessoas portadoras de passaporte judeu naquele país turístico. Assim como nos outros países árabes.
O Irã anuncia que almeja ver Israel varrido do mapa, coisa que o Hammas defende abertamente também.
Agora a Tzipi Livni diz que para haver paz, Israel deverá ceder praticamente a metade de seu território aos palestinos.

Será o começo do fim do Estado de Israel.

Portanto, ao orarmos pedindo a misericórdia de Deus sobre os palestinos, seria muito digno lembrarmos também do povo israelense (judeus e árabes) e suas famílias

Para reflexão, ofereço o seguinte texto:

http://christianviewer.blogspot.com/2009/02/removendo-o-tumor-maligno-do-terrorismo.html

Um abraço.

Oliveira disse...

Caro Reverendo

Me permita um comentário de cunho "pós-milenista".

Esta passagem que citas, para mim em especial, é claramente pós-milenista, ou pelo menos eu entendo assim: "O que conforta nossos corações, nos quais o Reino de Deus já está presente, é que um dia, quando o Reino de Deus se espalhar pelo mundo, como as águas cobrem o mar, a profecia de Joel será substituída pela a de Miquéias: “Ele [Jesus] julgará entre muitos povos e corrigirá nações poderosas e longínquas; estes converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Miquéias 4.3)."

A idéia é exatamente esta, que o Reino se espalhe pelo mundo todo, inclusive o islâmico, e inclusive o Israel materialista e incrédulo de hoje, assim pela pregação do Evangelho, e milhões de pessoas sendo vivificadas pelo Espírito Santo, gradativamente trarão paz para o mundo através do testemunho vido do Reino de Deus em seus corações, e se cumprirá o texto de Salmos 22.27 que diz "Todos os limites da terra se lembrarão, se se converterão ao Senhor; e todas as famílias das nações adorarão perante a tua face.".

O Reino já veio ("... arrependei-vos é chegado o Reino dos Céus..."), está dentro de nós, e este "nós" está se tornando cada vez mais numeroso, começou com 12, depois 70, depois 400, depois milhares nos Atos dos Apóstolos e hoje milhões, e chegará um dia que serão tantos quanto as areias da praia.

Nem por força nem por violência, mas o "zelo do Senhor fará isto".

Caso não sejas pós-milenista, me perdoe, mas o texto que citas é arrebatador, cheio de esperança, cheio de espectativa pelo crescimento do Reino, que tal grão de mostarda, uma dia fará sombra a todos os povos da terra, tal como pedra de Daniel não cortada por mão humana, irá crescer até tomar conta de todos os confins da terra.

Quanto mais eleitos, e serão cada vez mais, menos gastaremos em guerra, e mais nos concentraremos em empreender negócios que gerem paz, alimentos, cultura, e tecnologia.

Um grande abraço (espero não tê-lo escandalizado).

folton nogueira disse...

Oliveira, Meu irmão;

Grande prazer em ouví-lo. Estou emergindo de uma dengue severa e até hoje, meio debilitado para uma resposta adequada (minha filha publicou teus comentários)Espero, logo estar forte o suficiente para "teclarmos algumas idéias. No mais ore por mim.
ab
Fôlton

Oliveira disse...

Hoje a noite mesmo, orarei pelo senhor.
Que Deus lhe dê forças.
O Reino precisa do senhor.

Abraços e melhoras.