domingo, 2 de agosto de 2009

Encontros com Jesus

Você já notou quantos encontros com Jesus foram registrados nos Evangelhos? Já parou para pensar em cada um deles? Se o fez, deve ter percebido como foram diferentes entre si.

Deixando de lado, Simeão, Ana, os magos e os doutores que o encontraram ainda infante, o primeiro registro dos Evangelhos é o encontro com João Batista, que o identifica como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Entretanto, o que mais me atrai é pensar naqueles em que, diferentemente de João, as pessoas com quem ele se encontrou não tinham idéia de quem ele realmente era, nem de sua verdadeira missão.

O que falar daquele leproso que o adorando confessou “Senhor, se quiseres, podes purificar-me” e foi curado ao simples toque de sua bendita mão?

Além da doença que lhe afligia não há qualquer informação sobre ele. Mas o gesto do Senhor em tocar num leproso era inusitado. Nenhum Judeu faria isso, pois ficaria impuro para as cerimônias religiosas. Nosso Senhor o fez. Fez por ele e fez por nós. Fez-se impuro pelos seus, que, impuros, não podiam ter acesso ao Pai.

O quase encontro com o centurião de Cafarnaum, que, ao saber que ele viria a sua casa curar seu servo, mandou-lhe dizer não ser digno de receber sua visita; bastava que ordenasse e o servo ficaria bom.

Neste caso as informações não são sobre o Senhor e sim sobre o centurião. O centurião era um soldado romano, portanto um dos líderes da força de ocupação que subjugava Israel, mas era compassivo ao ponto de preocupar-se com seu servo. Era humilde ao ponto de reconhecer sua indignidade. E possuía a maior fé que qualquer um de Israel: isso foi atestado pelo Senhor.

Agora compare o encontro que ele teve com um príncipe, com o encontro que teve com uma adúltera: Nicodemos e a anônima do capítulo oito do Evangelho de João.

Nicodemos evita a pecha popular cobrindo-se com o manto da noite. A mulher é arrastada a sua presença diante de todos flagrada em adultério (mas o homem com quem foi flagrada não é trazido).

Nicodemos inicia a conversa, tentando ocultar sua real dúvida com elogios ao Senhor. A mulher só fala uma frase respondendo a pergunta do Senhor.

Jesus vai direto ao ponto que afligia Nicodemos afirmando que ele precisava “nascer de novo”, e compadecido da mulher demonstra que nenhum dos presentes estava isento de pecado.

Hoje provavelmente trataríamos Nicodemos com a deferência devida a um mestre, e advertiríamos a mulher da necessidade de nascer de novo. Afinal, não dizemos que fulano é bom pai, bom marido, tem excelente reputação, “só falta ser crente”? Não cumulamos de condenação pessoas flagrantemente depravadas?

O Senhor também condenava o pecado. Condenava veementemente. Entretanto, como conhecia o coração, sabia quem era “mais pecador” e a dose de repreensão que cada um poderia suportar. O profeta Isaías declarou que uma de suas características era não desprezar as pequenas qualidades dizendo que ele “não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega” (Is 42.3).

Nicodemos era um mestre em Israel. Tinha a obrigação de conhecer a necessidade de uma regeneração: um novo nascimento. A pobre mulher, humilhada, vilipendiada, por experiência própria - atestada pelo comportamento do Senhor - já sabia que precisava disso, por isso o Senhor apenas ordena “... vai e não peques mais” (Jo 8.11).

2 comentários:

Anônimo disse...

Pr. Folton,

Obrigado pelos seus textos preciosos. Este sobre o encontros, especialmente Nicodemos e a pecadora, foi muito instrutivo.

Que Deus continue usando-o para escrever estes textos curtos e profundos.

Em Cristo,

Clóvis

Anônimo disse...

Folton,

Que texto bom!

Alegria ser seu amigo, meu velho!

Abraço,

Samuel Vitalino

Bom ânimo

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