sábado, 19 de agosto de 2006
As estações de Deus
A falta de chuvas grossas nos afluentes deixa a água do Rio Doce esverdeada sem o barro usual, e as chuvas esparças substituídas por chuviscos e pelo sereno da noite provocam um mormaço que aumenta a sensação de calor.
O Criador e Mantenedor de todas as coisas está tornando o ambiênte propício à germinação das sementes. Tanto das que cairam nas proximidades e adensarão o mato, quanto as que serão levadas pelos ventos, pelos pássaros ou animais, e nascerão distantes, provavelmente em lugares abertos, fechando as clareiras.
O mesmo ocorre com as que foram semeadas pelo agricultor e regadas na hora certa. Nascerão nas pantações, leivas e canteiros, não devido a sabedoria humana, mas porque, o que num instante multiplica os pães é fiel e multiplica também as sementes lançadas ao solo. Sem essa bendita providência pouco adiantaria, adubar, plantar ou regar.
Seja na solidão dos matos ou na roça bem cuidada é o Criador e Mantenedor de tudo que aquece a terra e a transforma em útero fecundo onde as sementes germinam.
Você já notou quantas vezes nosso Mestre comparou esse processo que chamamos de “natural” a verdades espirituais?
A mais impressionante – para mim – é a Parábola do Semeador. Um dos evangelistas diz que o Mestre foi explícito: “a semente é a palavra”.
Quais semeadores cegos, que desconhecem o terreno em que estão jogando a semente, mas sabem que há boa terra, semeamos. Umas cairão, nos caminhos, outras cairão nas pedras, outras nos espinheiros. Mas, haverá sempre aquelas que cairão em boa terra. Essas frutificarão abundantemente.
As vezes esta virada de clima representa bem o que acontece na vida de algumas pessoas. Deus as faz experimentarem a sequidão, o abafamento e o calor das dificuldades para que as “sementes espirituais” germinem.
São terra boa. Mas a semente precisa morrer antes de nascer, e morre exatamente nesse processo. Não foi sem razão que o Apóstolo Pedro anunciou tempos de refrigério em seu sermão após o Pentecostes.
Será que o Criador, Mantenedor e Salvador, não está tornando sua vida mais propícia a germinar a Palavra nela semeada até frutificar?
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Sobre Paternidade
Geralmente dizemos que este dia serve para homenagear os pais que ainda estão conosco e aqueles de quem temos lembranças. Porém, algumas vezes exortamos mais do que os homenageamos. Mas, entre a homenagem e a exortação há muito o que pensar sobre o assunto a que este dia nos remete.
O que significa ser pai?
Nem todos os que geraram filhos merecem esse título, e, muitos que não são pais biológicos, servem de modelo paterno.
Tenho mostrado, em estudos bíblicos, sermões e sempre que posso, como a paternidade é uma figura rica de significados e verdadeira chave para se entender certas doutrinas que, pela ignorância, muitos difamam.
O que, portanto, da paternidade humana, nos remete a um melhor entendimento de quem é Deus? Em outras palavras: por que razão Deus serviu-se do que conhecemos como paternidade para falar de si mesmo?
Em primeiro lugar, sem dúvida, a procedência. Ou seja: a criatura procede do criador como o filho procede do pai. Aliás, era nesse sentido – criador – e apenas nesse sentido, que os judeus, nos dias de Jesus, criam que Deus era Pai. Deve ter sido uma grande surpresa a todos, Jesus ensinando-os a orar a Deus com a mesma palavra que uma criança dirige-se a seu pai: abba.
Desde nossas primeiras aulas da classe de catecúmenos aprendemos que Deus é nosso pai, mas não do mesmo modo que ele é Pai de Cristo, o Verbo Eterno. Cristo é eternamente gerado por Deus, a humanidade foi criada por Deus e os eleitos receberam o poder de serem chamados filhos de Deus por adoção. Só aqui temos três formas distintas de paternidade.
Não há muita dificuldade em entender como somos filhos por adoção, pois afinal estávamos longe de Deus e ele nos buscou. Também, não há muita dificuldade em entender como a criatura, nascida após seu primeiro pai haver rebelado-se contra Deus, está hoje longe dele e sem qualquer interesse de buscá-lo. Porém, é extremamente complicado entender como Cristo é eternamente gerado pelo Pai.
Há diversas formas de explicar, porém eu ainda prefiro, pela simplicidade, pensar que Cristo procede do Pai como a palavra procede de quem fala. Afinal, ele não é chamado de o Verbo de Deus? As Escrituras não dizem que sem ele nada do que foi feito se fez, e a primeira coisa não foi feita pela palavra?
De fato: nosso Senhor é a Palavra de Deus. Palavra que não volta para ele vazia, mas faz tudo o que lhe apraz. Entretanto só entendemos melhor esta Palavra - em tudo diferente da nossa, mas origem e eficácia de qualquer comunicação - se mantivermos firmes a idéia de que Deus e sua Palavra relacionam-se de tal modo que apenas o que sabemos da paternidade pode nos dar um vislumbre desse maravilhoso mistério.
Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! (Romanos 11.33)
Responsabilidade inaudita! Nós, “que somos maus”, servirmos de exemplo para a atuação do Pai Celeste junto aos seus filhos. Nós, pecadores, sermos exemplos através dos quais se possa ver um pouco dos mistérios de Deus.
Nos alegremos por tão grande privilégio que o Pai Celeste nos confere. Porém, temamos ante tão grande missão.
Feliz dia dos pais!
sexta-feira, 4 de agosto de 2006
Sanguessugas e lobos
Muitos brasileiros evangélicos ficaram mais estupefatos ainda, para não dizer indignados, quando souberam que boa parte desses espertos formavam a chamada "bancada evangélica".
Não era pra ser assim.
Tais pessoas receberam a confiança de seus eleitores exatamente afirmando que, acima de tudo, eram honestos. Nas últimas eleições, como sempre é feito, todos enfatizaram a própria honestidade, como se isso fosse o pré-requisito básico para serem eleitos e não a obrigação de todo cidadão. Enganaram seus patrícios.
No caso dos evangélicos envolvidos nisso, a falta é ainda mais grave. Além de já terem cometido a falta comum aos demais, o discurso deles, que levou muitos a lhes confiar o voto, é mais repugnante.
Primeiro, mesmo não sendo explícita, a proposta deles, ao levantarem a bandeira de evangélicos, é a de limpar, moralizar, as vezes até mesmo “santificar” o que chamam de “a política”.
Em segundo lugar, muitas vezes o Nome de Deus é vilipendiado mesmo antes da eleição ao apresentarem-se como os “escolhidos de Deus”.
Até algum tempo atrás só o primeiro grupo fazia parte do folclore político. Porém, para vergonha nossa cumpre-se no segundo grupo a palavra do Apóstolo: O nome de Deus é blasfemado por causa deles. Viraram motivo de piada (modo como o brasileiro sublima sua indignação). Agora já fazem parte do folclore político brasileiro: o “evangélico” que diz merecer o voto por ter escutado a ordem de Deus para sanear a política, mas, que na verdade, ouvem a voz do próprio bolso para ajuntar malas de dinheiro ou para superfaturar ambulâncias.
Piores do que os falsificadores de remédios, do que os adulteradores de sangue. Esses só conseguem roubar ou os bens materiais e matar o corpo. Porém essa súcia de malfeitores roubam e matam a boa fé de crentes simples e facilmente manipuláveis: dóceis quais ovelhas de um rebanho.
Além de sanguessugas, cabe muito bem neles o título de lobos.
segunda-feira, 24 de julho de 2006
Qual é a sua turma?*
Primeiro: o tipo Suzane: Apesar de rica, viajada, culta, carro importado, boas escolas, boa igreja, pode ter sua vida descrita, numa palavra: Eu.
Logo após o funeral já quis saber se podia usar a herança. Herança dos pais que ela havia matado.
Esse tipo de adolescente desenvolve-se mais rapidamente quando seus pais sempre dizem sim. Ou por se sentirem obrigados a compensar a ausência, ou por amarem mais a seus filhos do que a Deus, que manda discipliná-los. Porém, isso não é desculpa para que todo adolescente fique assim. O adolescente que ama a Deus, sabe que deve obediência a seus pais e que antes de atender a seu próprio Eu, tem de atender a Deus e aos Pais.
Você tá na turma da Suzane?
Segundo: o tipo Cravinhos: Pobres, desejosos de riqueza, pouco estudo, poucas perspectivas de ascensão social, percebem na moça rica um modo de ficar ricos também. O preço? Matar os pais dela.
Era a fome com a vontade de comer. Ela não gostava de ser contrariada, e os pais eram uma barreira. Eles bem que poderiam remover a barreira.
Não se sabe exatamente de quem foi a idéia. Talvez de todos. Era muito atraente: ela ficava livre do estorvo dos pais e eles entravam em uma grana boa. Um deles logo comprou uma tremenda moto!
São os adolescentes criados sem objetivo de vida. Sem a disciplina do Senhor. Querem se dar bem sem o trabalho correspondente.
Você está na turma deles? Espera uma chance sem criar os meios dela aparecer? Está disposto a fazer o errado para pegar uma grana fácil?
Terceiro: o tipo Liana e Felipe (esses, até na idade, adolescentes mesmos): Nem pobres, nem ricos. Estudantes de boas escolas. Filhos de pais cuidadosos e presentes. Mas, loucos por uma aventurazinha. Aventura não permitida pelos pais. Saída? A mentira.
A dela: vou dormir na casa de amigas e estudar para uma prova na segunda-feira. A dele: vou viajar com a turma antes que a gente se separe de vez. Na verdade, foram se curtir, em um lugar muito bonito e isolado. Tão isolado que ninguém viu ou ouviu serem mortos.
E então? Você tá na turma deles? Esconde suas malandragens debaixo do tapete da mentira?
Não preciso nem citar a Bíblia para mostar o quanto esses tipos de comportamento são condenados por Deus. Mas é bom lembrar: uma mentirinha, precisa de outras cada vez maiores para ser encoberta. Um errinho precisa ser consertado logo, ou cresce. Uma vida de mentiras e erros nunca acaba bem.
e preste atenção no que a sua mãe diz.
Os ensinamentos deles vão aperfeiçoar o seu caráter,
assim como uma boa roupa melhora sua aparência física.
Provérbios 1.8e9 (tradução livre)
Andar e parar
Correndo, aproveitamos, quais semeadores cegos, jogar a semente, nos caminhos, nas pedras, nos espinhos e as vezes em terra boa.
Parados, precisamos refletir sobre a situação em que nos encontramos.
Talvez a primeira pergunta que ele quer que façamos seja: Por que fui obrigado a parar? Há muitos motivos pelos quais o Senhor nos manda parar.
As vezes precisamos apenas descansar um pouco. As vezes, qual Marta, precisamos entender o quanto é importante desfrutar de sua companhia. É claro que devemos cuidar de sua obra. Mas devemos fazê-lo sob sua orientação. Sob a luz de seu rosto.
As vezes devemos aprender um pouco mais. Como dizemos: amolar as ferramentas.
Porém, na maioria das vezes, ele nos para a fim de quebrantar nosso eu. Ensinar-nos que somos nada. Mostrar o quanto dependemos dele e o quanto precisamos deixar o orgulho.
Ambos: correr e parar, são fundamentais na vida do discípulo do Senhor.
Os oficiais da Igreja (Parte 3)
Por “formatada” deve ser entendido que ela é governada conforme moldes muito peculiares que atendem ao que os Aspóstolos do Senhor aprenderam dele.
A importância destes moldes poder ser avaliada: em sua primeira viagem missionária, depois de passar por diversas cidades o Apóstolo Paulo foi apedrejado na última, e, dado como morto, foi jogado da cidade. Socorrido pelos irmãos, já no dia seguinte ele começou o caminho de volta passando pelas mesmas cidades em que fora perseguido preocupado em eleger presbíteros em cada Igreja. À luz disso poderiamos menosprezar as funções dos oficiais da Igreja? Nos atreveríamos a substituir este tipo de governo?
Por “cosmovisão histórica” dos profetas deve ser entendido que o Senhor da história a dirige linearmente em direção a um ponto. E que tudo o que aconteceu no passado visou preparar seu povo para a plenitude dos tempos em que a revelação seria dada pelo seu próprio Filho em pessoa, no qual além de habitr corporalmente a plenitude da divindade é a expressção exata de seu ser.
Portanto a verdadeira obrigação dos oficiais da Igreja não é com o rebanho, mas com o Senhor do Rebanho.
Devem atender as ovelhas na medida e conforme sua santa vontade, sem buscarem outro norte a não ser sua Palavra, sem se importarem com qualquer outra coisa que não o atinjir a “estatura de Cristo”.
Ser oficial da Igreja, portanto, é uma honra que o Senhor concede, mas ao mesmo tempo é a maior prova de obediência que o Senhor exige de seus filhos.
terça-feira, 11 de julho de 2006
Os oficiais da Igreja (Parte 2)
1. São úteis para a Igreja: Deus visa o bem de seu rebanho como um todo. Devem ser capazes de levar o rebanho à águas tranqüilas e à pastos verdes. Devem ser capazes de afugentar os lobos vorazes e não fugir deles como fazem os mercenários. Como nos ensinou nosso Senhor e Mestre:
“O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas (Jo 10.11-13).
É claro que o Senhor estava falando de si mesmo, mas este é o modelo para aqueles que tem sob seus cuidados o rebanho de Deus.
Porém, são úteis também na repreensão aos erros que se propagam no rebanho. Às vezes devem “curar” uma doença que já contaminou grande parte do rebanho.
2. São úteis para as ovelhas individualmente: Espera-se dos oficiais que pastoreiam o rebanho do Senhor, que saibam cuidar também de cada ovelha. Afinal o que quer dizer com “apto para ensinar”? Ou por que é que exige-se que ele governe bem sua própria casa? Que traga seus filhos sob controle?
Como acontece à coletividade, a repreensão e a disciplina dos pastores deve chegar a cada ovelha em particular: corrigir as que ainda podem ser corrigidas e isolar as que podem transmitir infecções ao restante do rebanho.
Entretanto, a utilidade dos oficiais esbarra na:
1. A frouxidão do exercício das obrigações. Apesar de advertidos da maldição de Deus sobre os que fazem sua obra relaxadamente, tem sido cada vez mais difícil ver um que ame a Deus mais do que às ovelhas. E por amá-las tanto tolera seus erros, contemporiza suas desobediências e algumas vezes até elogia a ovelha que, de caso pensado, rebela-se contra a vontade do dono do rebanho.
Deve ser diferente: “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas".
Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério. (2 Ti 4.2-5).
2. A “dura cerviz” do rebanho: Como parece ser fácil, muitos querem ser oficiais. “Excelente obra almejam”! Porém é necessário que preencham uma série de qualidades (veja todas em 1Tm 3).
Como organização sui generis a Igreja parece as vezes com uma associação, outras vezes com uma empresa ou com um clube. Entretanto ela não pode ser dirigida assim. Seu único propósito é adorar a Deus. Sua única força reside no poder do Espírito. Seu único manual de operações é a Bíblia.
Você está disposto a fazer a vontade de Deus? Permita que seus irmãos reconheçam em você alguém chamado e apto para pastorear o rebanho do Senhor. E pastoreie-o!
domingo, 2 de julho de 2006
Os oficiais da Igreja (Parte 1)
“Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.” Estas foram as palavras do Senhor Jesus a seus Apóstolos: a vinda do Espírito Santo estava condicionada à sua volta aos céus.
“Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”. Segundo nosso Senhor e Mestre essa é sua missão direta em relação ao mundo.
“Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido ... Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.” Sua função primária, em relação à Igreja, é dar continuidade a obra do Senhor.
O Senhor, por sua morte, remiu todos os que o Pai lhe deu (aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida: a que chamamos de “Igreja invisível”). Porém era necessário que ele voltasse aos céus.
Para que seus remidos pudessem se estimular mutuamente, enquanto aguardam sua volta, (formando o que chamamos de “Igreja visível”) ele não os deixa órfãos, mas envia-lhes o Consolador com a missão de uni-los em um grupo totalmente diferente de todos os agrupamentos próprios do homem: a Igreja.
A Igreja (visível) caracteriza-se por reunir aqueles por quem o Senhor morreu e também outros: desde simpatizantes até “inimigos da cruz de Cristo”. Apesar de remidos, todos ainda são pecadores e, portanto, mais propensos a impor suas próprias vontades, do que a fazer a vontade daquele que formou e mantém a Igreja.
Para corrigir este comportamento “ele mesmo concedeu ... outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé ... para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”.
Esses pastores e mestres a que o texto se refere (se refere também a outras dádivas de Deus) são os oficiais ordenados.
Os pastores - todos os oficiais de um modo geral - têm a tarefa de levar o rebanho a águas tranqüilas e a pastos verdes: zelam pelo bem estar geral do rebanho.
Os diáconos pelo “servir as mesas”: atender às necessidades do rebanho.
Os presbíteros pela disciplina, administração e representação conciliar da Igreja.
Os mestres são os presbíteros que “se afadigam na palavra e no ensino” para que a Palavra de Deus tenha preeminência.
Detalharei melhor esses ofícios nos próximos boletins. Porém, como introdução, posso dizer que a missão deles, apesar de ser de difícil realização, é de fácil compreensão. Paradoxalmente, aí reside um dos grandes problemas que a Igreja enfrenta hoje: compreender o que significa, para Deus, pastorear seu rebanho.
Finalizando: eles nunca podem se esquecer que são presentes de Deus para o rebanho. Deus é quem dita o que eles devem fazer.
sábado, 24 de junho de 2006
O Pentecostes hoje (Parte 3)
Pois bem: antes é necessário um pouco de perspectiva histórica.
A origem do movimento pentecostal, como conhecemos hoje, é incerta. Há quem o filie ao Rev. Edward Irving, pastor Presbiteriano Escocês, outros aos Shakers, cujo culto era caracterizado por cânticos, danças e tremores (shake em Inglês) e eram uma dissidência dos Quakers, que, ao contrário, tinham suas reuniões caracterizadas pela meditação e silêncio. Outros, sem qualquer respaldo histórico, confundem com as Assembléias de Deus.
Ou seja: Historicamente o movimento pentecostal de hoje nada tem a ver com o pentecostes bíblico (tanto é que sequer comemoram esse evento que tem dia e hora marcados na Bíblia).
O pentecostalismo de hoje dá tanta ênfase aos dons espirituais (especialmente aqueles que destacam quem os pratica), que assemelha-se à pratica que levou o Apóstolo Paulo a repreender severamente a Igreja de Corinto.
Enquanto os dons trazidos pelo Pentecostes bíblico visavam facilitar a propagação do Evangelho entre as nações, especialmente quebrando a barreira dos idiomas, os dons exercidos pelo pentecostalismo atual promovem a divisão.
Entretanto a pergunta que prometi responder é se “o pentecostalismo de hoje é bíblico ou não”.
Vamos a ela.
A reposta é mais complicada do que um “sim” ou um “não”, já que ele possui algumas características bíblicas, e, não é um sistema único, mas composto de várias correntes.
Uma das características bíblicas é o desejo sincero de uma vida pessoal mais santa e mais simples. Porém, há uma série de práticas claramente condenadas pelas Escrituras. Por exemplo:
1. Cl 2.18 “Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade ... baseando-se em visões ...”
2. 1Co 14.27e28 “No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus.”
E assim, a lista de práticas acintosamente contrárias a ensinamentos da Bíblia seria grande. Porém, talvez, os maiores problemas não estejam naquilo que pode ser facilmente diagnosticado e corrigido, mas na “cosmovisão” característica, que, por falta de espaço, mostrarei pouquíssimos pontos.
1. As revelações, visões e experiências pessoais são uma fonte de ensino e autoridade mais acatada do que a Bíblia. Veja: isso assemelha-se ao catolicismo romano para quem a Bíblia é uma das regras de Doutrina e Prática.
2. Tudo o que aconteceu na História da Redenção, pode e deve se repetir hoje. Veja: Deus não muda, mas nós mudamos. Quando não tínhamos a escrita e, portanto um registro confiável dos feitos e ordens divinas, ele permitiu que vivêssemos por muitos anos. Quando não éramos capazes de influenciar povos idólatras sem imitar-lhes, ele nos isolou do resto da humanidade.
Entretanto ao vir a plenitude dos tempos ele nos capacitou, especial e instantaneamente, a influenciar o mundo anunciando suas grandezas em idiomas que nunca havíamos ouvido. E, ao nos espalhar pelo mundo inteiro, assimilando os vários idiomas e culturas, protegidos contra a idolatria, tais capacidades deixaram de ser especiais e passaram a ser produzidas pela graça comum.
Essa progressão histórica do povo de Deus não faz parte das considerações do pentecostalismo atual.
3. Julgar-se o centro de tudo e de todos. Já ouvi uma senhora agradecer a Deus por tê-la preservado de cometer adultério com uma inundação. Uma das piores de São Paulo sofreu e que matou a muitos, mas para ela foi Deus quem mandou para evitar que ela se encontrasse com o amante.
4. Tornar Deus servo a quem tudo deve ser determinado, de quem tudo deve ser exigido e quem cede posse do que se deseja.
5. Passar a confiar em si próprio: na qualidade de sua própria oração, no poder de sua própria palavra, nos méritos de seu jejum, na sua fidelidade ao dízimo, na força de seu ajoelhar, rolar no chão, levantar as mãos, saltar, etc.
6. Desprezar o próprio Espírito Santo fez através do que os antigos disseram ou fizeram, em nome de uma ligação pessoal atual e “mágica” com Deus.
7. Trocar a racionalidade – característica que separa o homem do restante da criação – pela emotividade, ou sensorialidade.
A luz de tudo isso, que resposta eu poderia dar? Bíblico? Tão bíblico quanto a Igreja de Corinto, onde as mazelas eram toleradas e a Igreja dividia-se cada vez mais devido a um grupo que chamava-se “os espirituais”. O Apóstolo Paulo testifica que eram salvos, mas não poupa-lhes repreensões que são alertas para nós hoje. Bíblico apenas por está registrado na Bíblia.
Não os imitemos.
O Pentecostes hoje (Parte 2)
Afinal, o que significou, para a Igreja, o dia de Pentecostes senão seu nascimento na forma em que a conhecemos hoje? Entretanto, o que significa, hoje, o movimento dos últimos séculos que se autodenominou “pentecostal”, senão uma fonte de divisões e brigas dentro da Igreja?
Você conhece alguma Igreja Presbiteriana que não tenha sofrido divisões devido a este movimento? Eu desconheço alguma que tenha passado incólume.
Aproveitarei estes próximos domingos para tentar analisar como ele se manifesta e influencia as Igrejas Presbiterianas.
Sem obedecer uma ordem de importância, cito, primeiro, uma má aplicação de nosso sistema de governo, como um dos meios que facilitam sua entrada em nossas Igrejas.
Nossos oficiais são eleitos por suas respectivas igrejas para apascentar o Rebanho de Deus em virtude de características muito bem definidas na Bíblia (hospitaleiro, cordato, apto para ensinar, etc.), para uma missão igualmente bem definida: "... com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina..." (Ef 4.11a14).
Ninguém deve ser eleito oficial de uma igreja, por quaisquer outras qualidades que não as que Deus mesmo determina em sua Palavra, e ninguém deve aceitar tal missão se não for para fazer o que igualmente ele determina.
Entretanto, por serem eleitos, muitos sentem-se "devedores" a seus eleitores; e, ao mesmo tempo, os eleitores sentem-se no direito de cobrar-lhes o que crêem ser o melhor para a Igreja.
Por vivermos em uma democracia, trazemos para a Igreja conceitos políticos do quotidiano. Exemplifico:
Há alguns anos atrás, em uma reunião do Conselho de uma Igreja em que fui pastor, boa parte dos membros tomaram partido de alguém que defendia práticas claramente condenada na Bíblia. Durante os debates na reunião um dos presbíteros argumentou que, se esse irmão tinha tantos adeptos na Igreja, ele tinha o direito de ter representação no Conselho.
Observe que este pensamento atribui ao Conselho um papel equivalente ao do Congresso Nacional, onde devem estar representadas todas as idéias, sem quaisquer distinção. Porém a Igreja não é assim: a Igreja é confessional.
Ela não representa a vontade de seus membros e sim a vontade de Deus como está registrada nas Escrituras Sagradas, conforme a interpretação dos Símbolos de Fé.
A Constituição de nosso País é explícita ao declarar que “todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos... (Art. 1º - § único)”. Na Igreja todo poder provêm de Deus e em Seu Nome é exercido, mediante obediência a sua vontade revelada na Bíblia.
Mesmo que 100% do rebanho venha a ter um determinado pensamento é dever do Conselho permanecer fiel à Palavra de Deus.
Mas, dirão alguns: o movimento pentecostal não é contrário à Palavra de Deus.
Este já é outro assunto. Se Deus permitir o analisarei na próxima semana.
segunda-feira, 5 de junho de 2006
O Pentecostes hoje (Parte 1)
Embora a Bíblia só fale dela como a festa que marca o fim da colheita do trigo, os judeus a comemoram também como o dia em que Moisés recebeu as tábuas da lei – pois vêem uma coincidência de datas desde a saída do Egito, que foi na Páscoa, até a chegada ao Monte Sinai – e lembram-se também de Rute, a moabita que afirmou sua fé no judaísmo diante de Noemi (teu povo é o meu povo, teu Deus é o meu Deus) e casou-se com Boaz nesta data, vindo a ser a avó de Davi.
Para eles é uma data propícia ao estudo da Torah (o nosso Pentatêuco) e passam a noite lendo-o. Lêem também o Livro de Rute e, lembrando seu gesto, consideram a melhor data do ano para que os adolescentes façam seu Bar-Mitzvah (o equivalente a nossa Profissão de Fé).
Há relatos de que o povo de Israel, nos dias do templo, costumava sair de suas aldeias levando os primeiros frutos de seus campos, encontravam-se na maior cidade da região, e subiam em direção à Jerusalém, onde eram recebidos com cânticos pelos Levitas.
A cerimônia da Festa, realizada nas dependências do Templo, incluía, na hora do sacrifício, o oferecimento a Deus de dois pães com a farinha do trigo da nova colheita, que, diferentemente dos demais, eram fermentados (Lv 23.15-17).
Jerusalém ficava cheia. Como era uma festa celebrada após a colheita, muitos a preferiam como uma das três festas a que eram obrigados celebrar em Jerusalém. Havia abundância trazida pelos Judeus de todas as partes do mundo por onde foram espalhados desde o cativeiro babilônico, pois vinham a Jerusalém com o ‘segundo dízimo’: onde devia ser gasto (Dt 14.22-29).
Na primeira celebração desta festa após a morte de Jesus o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja. Não podia haver melhor data: todos os que se interessavam, e conheciam a Torah, estavam lá, vindo das mais diversas partes do mundo, e testificaram ouvir as “grandezas de Deus” na língua da terra de onde vinham.
De repente a moabita Rute e os pães fermentados faziam sentido: era achegada dos gentios. Era o Povo de Deus, adquirindo nova face: transformando-se. Já não estavam limitados a uma nação. Das pedras Deus suscitara filhos a Abraão. Ainda eram judeus, entretanto agora o que caracterizava a todos era o “ouvir a Deus”, como Moisés quando estava no Sinai.
A esta primeira “audição” seguiu-se outra, em Samaria, onde os judeus misturados com gentios também ouviram falar as “grandezas de Deus”. Depois na casa de Cornélio, o centurião Romano, “temente a Deus” (que tinha tudo para ser judeu mas não podia), e, finalmente, os “pagãos” de fato, começando pelo Procônsul Sergio Paulo e os 16 de Éfeso.
Todos ouviram as grandezas de Deus. Todos ouvem hoje. Se Babel, por um tempo impediu, já não impede. O que começou de modo especial, hoje é mantido pela graça comum: através do trabalho de muitos tradutores as “grandezas de Deus” se tornam acessíveis a um número cada vez maior de falantes de outras línguas.
Essa é a natureza primária do Pentecostes: criar um povo apto a ouvir as grandezas de Deus.
sábado, 27 de maio de 2006
A Bíblia: desde a infância
Estava, e ainda estou, bem certo de que seu valor transcende o do papel, porém como respeito ao que ela nos traz - a revelação divina - meu apreço estendia-se e estende-se às mídias em que esta revelação está registrada.
De vez em quando olho a Bíblia que usei quando adolescente. É bom ver marcado em suas páginas os textos que me traziam força para as lutas daquela época. É bom relembrar como eu os entendia e como os aplicava em minha vida. É bom entender os problemas ou vitórias, ou descobertas, que fizeram com que aqueles textos se destacassem a mim. Foram muitos.
Absolutamente, não quero me colocar como exemplo, porém, mostrar como a vida de uma criança, adolescente, jovem e agora adulto pode ser vivida na presença de Deus sem os perigos do misticismo, sem as bobagens da superstição e sem a hipocrisia da falsa piedade.
O misticismo não conduz a Deus. Quando muito conduz à própria pessoa que engana-se a si própria. A superstição leva à coisas como deixar a Bíblia aberta em direção a porta, no Salmo 90, para evitar a entrada de ladrões. A falsa piedade leva a uma vida voltada para impressionar os outros. Esses três usos, são os modos mais eficiente do inimigo de nossas almas nos levar a fazer o que ele quer, servindo-se da Palavra de Deus.
Hoje vejo a Bíblia, não com ingenuidade que meus pais, querendo ou não, passaram a mim, e, pela qual, serei eternamente grato. Tampouco como aquele fantástico espelho dos meus problemas de adolescente e jovem. Todas essas formas de vê-la, é certo, continuam, porém como pequena semente de uma árvore tão grande que já perdi a noção de seu tamanho.
Dela me vem instrução para o dia-a-dia, porém vem discernimento para o rumo que os "tempos" estão tomando. Com ela os noticiários são mais relevantes e claros. Com ela o lazer adquire gosto especial de dádiva divina. Com ela as artes são mais artes: a música é mais do que som, as cores têm vozes e os desenhos ganham expressão.
Porém, acima de tudo, as dúvidas - vento insistente que não refresca - são dissipadas mais facilmente. Afinal, tenho a Bíblia como a única Palavra registrada de Deus, e, por ele mesmo, autenticada.
Por que é que você acha que dentre tantas coisas que ele podia nos deixar preferiu deixar-nos um livro?
sábado, 20 de maio de 2006
Sobre a violência
Eis a história de Noé. Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus. Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência.
Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra.
Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. (Gn 6.9-13)
A causa primária da ira de Deus sobre os contemporâneos de Noé foi a violência deles. Todos foram eliminados, menos Noé, sua esposa, seus filhos e suas noras.
Não foi uma tsunami que atingiu um país, ou um continente. Foi o extermínio da humanidade. O Criador estava repovoando seu planeta a partir de uma família que lhe era temente.
Deus destruiu as antigas raças antediluvianas, mais violentas do que o homem moderno, e alterou a biologia, reduzindo drasticamente a expectativa de vida humana.
Porém o que chama minha atenção, além da antiguidade do problema, é o fato de que raras vezes relacionamos a violência com nossa inata disposição pecaminosa, que no texto é chamado de “todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra”.
Preferimos culpar as estruturas sociais: Costumamos debitar na conta do stress cotidiano, ou na conta dos desvios comportamentais impingidos por uma sociedade estruturalmente má, a violência cometida por pessoas cultas e abastadas, ou pelo menos pertencentes à chamada classe média.
A violência cometida por desprovidos de saber e de bens, diferentemente, debitamos na conta da falta de investimentos sociais.
Há quem sustente essas conclusões com textos semelhantes aos seguintes:
“O cetro dos ímpios não permanecerá sobre a sorte dos justos, para que o justo não estenda a mão à iniqüidade” (Sl 125.3).
Ou:
“... não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus” (Pv 30.7-9).
Estes textos parecem garantir que, até mesmo o justo, quando oprimido, acaba rebelando-se, e ao empobrecido é natural o furto.
Porém, não está claro que os escritores estão, hipoteticamente, prevendo situações extremas?
Podemos, sobre essas afirmações argumentativas, firmar doutrinas que vão contra a totalidade do ensino ético da lei de Deus?
Dizer que os atos de violência, de que fomos testemunhas nos últimos dias - e todos os demais - resultam apenas da pobreza é o mesmo que zombar dos que nasceram, e continuam pobres, e não se valeram, nem se valem, da violência.
A violência é inerente ao ser humano descendente de Adão, e, portanto, pecaminoso. Ela já aparece em nossa mais tenra infância. A “disfarçamos” pela educação recebida de nossos pais e da sociedade em que nos inserimos.
Entretanto, se a sociedade fica cada vez mais violenta, glorifica cada vez mais a violência e a impunidade, ou se o legítimo representante do Criador - o estado: ministro de Deus - não a reprime, em breve teremos gerações mais violentas do que suas anteriores.
Devemos compreender que a violência é domada apenas pelo Espírito Santo do Senhor que, habitando em nossos coração frutifica “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”.
Porém, se, de modo análogo ao que acontece na sociedade, os legítimos representantes do Senhor diante de seu Rebanho preferem um “outro evangelho”, buscam um “outro deus”, e atribuem ao Espírito “outros frutos” - que muitas vezes estão carregados de violência - teremos logo a derrocada da Igreja diante do século: o sal sem sabor a que referiu-se nosso Senhor e Mestre.
Portanto queridos irmãos, “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito (Gl 5.25)”.
sábado, 13 de maio de 2006
Mães e filhos
Os primeiros consolarão suas saudades vendo outras mães alegres com seus filhos, e os outros terão consolo na graça perdoadora do Senhor.
Porém, neste dia, haverá outros dois tipos de filhos que, com suas mães presentes, passarão por experiências bem diferentes.
São aqueles que durante o ano inteiro viveram como se não tivessem mãe, e a homenageiam hoje. Pode ser até que a tenham visitado, ou a usem como babá, ou, pior, morem com elas, e delas recebam comida, cuidados e orações. Porém, pouco fazem além de cumprimentá-las diária e rotineiramente. Não procuram saber da saúde dela (- pra que? Já fazem muito pagando o convênio médico!). Não pedem conselhos ou a bênçãos dela sobre seus planos e decisões. Quando muito as comunicam o que já decidiram fazer, ou estão fazendo.
Sempre com a cabeça cheia de projetos ou ocupações, nunca pensam nos joelhos calejados de orar por eles, mas estão dispostos a reclamar da camisa sem o botão ou da "lengalenga" sobre as más companhias ou sobre a falta de vida com Deus.
De modo geral esses filhos são impelidos pela consciência a dar presentes mais caros, que lhes acalme o sentimento de culpa. Presentes que, na maioria das vezes tem pouca ou nenhuma atratividade para a mãe que preferiria partilhar do dia-a-dia deles, receber carinhos, obediência e consideração.
Graças a Deus haverá também filhos que verão o dia de hoje pouco diferente dos demais dias. Perceberão que muito do que é feito reflete apenas a mentalidade consumista de nossa cultura.
Esses filhos também presentearão suas mães, mas com alegria e com a consciência tranqüila. Ela por sua vez apreciará mais o presente, pois será expressão de um filho temente a Deus que o adora honrando seus pais (como nos ensina o quinto mandamento), não a expressão de um filho que quer apenas compensar o que deixou de fazer durante o ano.
domingo, 7 de maio de 2006
Sobre sofrimentos
não pode ser comparado, de modo nenhum,
com a glória que nos será revelada no futuro.
Rm 8.18 (NTLH)
Como pastor tenho de ver mais sofrimentos do que a maioria das pessoas. Porém, não vejo apenas o sofrimento do corpo, vejo também o sofrimento da alma. Sem querer ser pretensioso, já que outros profissionais - médicos, enfermeiros, etc. - também vêem o sofrimentos da alma, digo que vejo um sofrimento que geralmente passa desapercebido. O sofrimento que, paradoxalmente, machuca e abençoa, deixando marcas indeléveis.
Há sofrimentos que nós mesmos buscamos, e, muitas vezes, nos administramos. Geralmente eles vem como o efeito colateral de uma busca desmedida pelo prazer. É a ressaca após a bebedeira. É a dor e a vergonha após a orgia. São tão terríveis quanto suas causas, e estas, por serem terríveis o Apóstolo diz que sequer devem ser nomeadas dentro da Igreja.
Porém, não é o que acontecerá a quem, por exemplo, participar dessas festas dionisíacas características de nossa cultura e ansiada por aqueles que não descobriram o que é a verdadeira alegria?
Há também sofrimentos que nos são impingidos por quem está ao nosso lado. Vão desde um carro com escapamento aberto, um esgoto despejado em um manancial, até um ladrão ou assassino que nos furta bens ou vidas queridas.
Mas, como deixar de falar nos sofrimentos que recebemos diretamente das mãos de Deus? Não falou deles o patriarca Jó? Não nos mostrou sua utilidade o Apóstolo Paulo? Não os experimentou nosso Senhor?
Quando o filho começa a andar os pais não o soltam, e muitas vezes eles não caem? Quando erram acaso ficam sem disciplina? A disciplina produz algum efeito se não trouxer algum tipo de sofrimento?
Deus age assim também. As vezes nos deixa andar pelo vale da sombra da morte para que nos demos conta de ele está conosco: ao nosso lado.
A perda de um amado, a dor sofrida por quem enfrenta uma doença, pode ser uma bênção de Deus. Uma oportunidade de colocar a vida em ordem antes de encontrá-lo.
Bendita dor que nos mostra que estamos vivos e traz em si a certeza de que é passageira, pois para onde vamos ela não irá.
sábado, 29 de abril de 2006
Desabafo de um "neo-evangélico"
Não seria o caso do Senhor, chamar aqueles guardas romanos assustados, passar-lhes uma reprimenda e mandá-los chamar, o comandante, a Pilatos, a Herodes, os Príncipes e os membros do Sinédrio que o condenaram?
Em vez de aparecer em uma sala com os onze e chamar a Tomé, Jesus devia ter aparecido logo no palácio de Cezar, em Roma, e reivindicar-lhe obediência.
Não estava tudo dominado? Ele mesmo não declarou que todo poder lhe fora dado no céus e na terra?
Afinal que espécie de exemplo ele passou para nós? Nós não somos o exército vitorioso a bater nas portas do inferno? Não saltaremos muralhas? Alguma coisa nos resistirá? Ele não é o nosso comandante? Por que essa discrição toda e apresentar-se ressuscitado apenas para seus seguidores?
Por falar em nós ... Por que ele não deixou para fazer tudo isso hoje? Seu objetivo não era tornar-se conhecido do mundo? Hoje poderíamos promover uma cobertura mundial, ao vivo, por rádio e televisão, de sua ressurreição. Os jornais e as revistas detalhariam o evento. Uma junta médica poderia comprovar o que aconteceu. Poderíamos fazer listas e comunidades na Internet e divulgar a muito mais gente.
Hoje, muito mais gente está se perdendo. Parece até que ele não quer salvar a humanidade! Ressuscita, aparece a algumas mulheres, a alguns medrosos, põe uma carga tremenda nas costas de Paulo, que ainda tem de lutar para ser reconhecido como Apóstolo (pois eles haviam escolhido Matias), e hoje a gente tem de ficar cada dia bolando novas estratégias para reverter esse erro inicial. Será que ele não entendia que um marketing bem sucedido depende do primeiro ato?
Afinal seu objetivo não é dominar o mundo pelas idéias pelas quais morreu?
Já não dá pra agüentar esses conservadores que dizem que ele morreu como sacrifício ao Pai para pagar os pecados apenas daqueles que o Pai lhe deu. Que bobagem: os pais é que se sacrificam pelos filhos. Ele morreu para nós. Para que todos os que quiserem fiquem sob seu comando e formem um grande exército.
Nós, os que já somos seus, devemos nos empenhar para tornar suas idéias mais atrativas ao mundo e conseguir mais seguidores pra ele. Mas assim ta difícil.
sábado, 22 de abril de 2006
As experiências diárias e a Palavra de Deus
Simplificando: Aprendemos da Palavra de Deus algo, entretanto sempre conhecemos alguém que é uma exceção àquilo.
Seria numeroso citar a quantidade de lugares em que somos alertados a esse respeito. Há testos terríveis nos alertando que mesmo que a nossa experiência seja com um “anjo de luz”, ainda assim a Palavra de Deus deve ter primazia. Ou seja: A Bíblia não foi revogada porque uma experiência contrária ao que ela ensina deu certo.
Primeiramente, devemos nos lembrar, que todas as experiências pelas quais passamos, e pelas quais ainda vamos passar, acontecem nessa vida. Na outra vida, na presença de Deus, o que vale é sua Palavra. Os “is” (i) e os “tis” (~) dela são mais estáveis do que o céu e a terra. Estes passam, aquela jamais.
Em segundo lugar devemos nos lembra que nossa vida atual é, em grande parte regida pelos sentidos. Os filósofos já a chamaram de vida sensorial, já que é impossível vivê-la apenas pela razão pura.
Observe: Se alguém perder o sentido da audição, ainda é pode viver com boa qualidade de vida. Mas o que diríamos se esta mesma pessoa perdesse também o sentido da visão? Sem estímulos sonoros e visuais, o coração continuaria batendo, os pulmões continuariam respirando, o sistema digestivo continuaria funcionando. Ou seja: biologicamente ela poderia viver com autonomia. Porém, como seriam suas decisões mais simples? Como seria seu viver em sociedade? E não se esqueça que ela ainda possuiria três outros sentidos.
A maioria de nossas experiências, acontecem através da visão e da audição. Porém, ambas podem ser afetadas. O que são as alucinações? Ou as impressões?
Há experiências de uma vida, que contrárias a Palavra do Senhor, foram abençoadas por ele, tão somente pela sua graça. Ou seja: O ato foi errado, mas, sem ter obrigação nenhuma para com os que o cometeram - já que o fizeram contra o pacto estabelecido por Deus - ele abençoou.
Porém, há experiências efêmeras, de origem completa e totalmente duvidosa - que podem ter origem em nossa imaginação, em um abalo psicológico, ou até no inimigo de nossas almas, que muitas vezes, trazidas ao convívio do Povo de Deus, são impostas como norma para ensino e até para interpretação das Escrituras.
A respeito disso somos advertidos pelo Senhor:
“Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.
Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus”.
Colossenses 2.16a19
sábado, 15 de abril de 2006
A ressureição de Jesus
Não sabemos muito sobre essa “nova vida”. Porém podemos depreender alguma coisa de diversas informações que encontramos na Bíblia.
Sabemos que uma das conseqüências do pecado de Adão, foi atrair a maldição de Deus sobre a terra que ele deveria cultivar: “maldita é a terra por tua causa”. Sabemos também que houve uma espécie de “alteração biológica”. A Eva, Deus sentenciou: “com dores tu terás filhos”. Pois bem: tudo isso foi revertido com a ressurreição de Cristo - sendo que grande parte ainda aguarda sua volta para se tornar efetivo.
Obviamente houve muitas outras mudanças que atingiram a o ecossistema do primeiro casal. Porém, para o tema deste artigo estas duas serão suficientes.
Jesus - chamado de primeiro desta nova criação - após sua ressurreição apresentou certas características que não se encaixam em nossa biologia atual, nem na que ele ele possuía antes.
Por exemplo: Maria Madalena, e os dois de Emaús, não o reconheceram de pronto. Foi necessário ele “dar-se a conhecer”. Ele desapareceu diante dos dois de Emaús e apareceu em uma sala fechada onde os onze estavam escondidos.
Porém não pensemos que ele perdeu seu corpo. Ele mandou Tomé ver os buracos dos cravos e colocar o dedo na ferida da lança. Comeu, mais de uma vez, com eles. E fez questão de declarar que possuía carne e ossos.
Porém, podemos obter mais informações: Quando, para mostrar que nós ressuscitaremos também, o Apóstolo Paulo, exorta a problemática Igreja de Corinto a não duvidar da ressurreição, pois isso faz parte integrante da fé salvadora. Leia com atenção:
Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E em que corpo vêm?
Insensato! O que semeias não nasce, se primeiro não morrer; e, quando semeias, não semeias o corpo que há de ser, mas o simples grão, como de trigo ou de qualquer outra semente. Mas Deus lhe dá corpo como lhe aprouve dar e a cada uma das sementes, o seu corpo apropriado.
... Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual.
O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais.
E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial.
Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. (1Coríntios 15.35-50)
Percebeu? É uma nova criação.
sábado, 8 de abril de 2006
Gestos impensados
Alguns dirão que a desobediência de Adão foi mais impensada. Eu discordo. Adão viu o que sua esposa fizera. Sabia da proibição do Senhor. Mesmo assim desobedeceu. Seu pecado foi "de caso pensado".
Outros dirão da morte de Jesus. Porém como podemos chamar de impensado um gesto praticado nas seguintes condições: “E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos” ? (Mt 27.25).
Alguns dirão que Jesus foi recebido por peregrinos que estavam em Jerusalém e foi crucificado pelos habitantes dela. Porém, esse argumento não se sustenta uma vez que, na Páscoa, Jerusalém recebia mais peregrinos do que possuía de habitantes. É possível que a quantidade de peregrinos chegasse a 10 vezes o número de residentes na cidade e Lucas diz: "Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou. Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente, este homem era justo. E todas as multidões reunidas para este espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se a lamentar, batendo nos peitos. (Lc 23.46e47).
Jesus foi recebido com ramos, com vestes estendidas a fim de que a montaria onde ele estava sequer pisasse o chão. Porém o que se destaca é a frase “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” (Mt 21.9).
Você não percebe? Imagine a cena. Jesus aproxima-se de Jerusalém montado em um jumentinho - outra passagem que o descreva montando, só no Apocalipse, e não um jumentinho - seus discípulos, andando a seu lado completavam o quadro: ele vinha em missão de paz.
Você está lembrado que um dos evangelistas disse que ao ver Jerusalém ele chorou lamentando o destino que a esperava? Não chorou pela dor que o esperava. Chorou por Jerusalém que em breve seria sitiada de exércitos.
Ele, como ovelha muda, oferecia-se a seus tosquiadores. Os que viram, imaginando que aquilo era o início de um motim contra os romanos, repetiram o refrão do Salmo 118: “Oh! Salva-nos, SENHOR, nós te pedimos! Oh! SENHOR, concede-nos prosperidade! Bendito o que vem em nome do SENHOR”.
Meus irmãos, eu vejo com freqüência esse mesmo comportamento: O Senhor muitas vezes é tratado por seu povo impensadamente.
Se ele é o Senhor, por que às vezes é tratado como servo que tem de atender as vontades?
Se ele é o Senhor, por que às vezes é tratado com desrespeito, com comportamentos levianos, com gestos impensados?
O dia de hoje deve nos lembrar deste enorme gesto impensado. Não tragamos ramos, não estendamos vestes, não cantemos Salmos, se não quisermos, de fato, fazer isso de todo nosso coração com toda humildade devida ao Senhor, apenas para sua glória, e para sua glória somente.
Não o cultuemos impensadamente.
Domingo de Ramos de 2006
sábado, 1 de abril de 2006
Falsificações
Pode haver crime mais hediondo? O doente na expectativa de livrar-se de seu mal, ingeria uma substância completamente inócua.
Se quem substituiu determinada substância terapêutica por farinha já merece castigo tão grande, qual o castigo que deve merecer aquele que a substitui por veneno?
Adulterar remédios que visam combater uma doença, que, no máximo, pode matar o corpo, é considerado uma suprema covardia, um crime inominável. Imaginem como deveríamos considerar quem adultera o único remédio para o que há de eterno no homem?
Meus irmãos, isto é um alerta a todos nós. O Evangelho é o único remédio para os males da alma. Entretanto estamos vendo, impassíveis, ele ser diluído, completamente adulterado ou substituído por venenos.
Eu não me preocupo tanto com aqueles que, sabendo dos males a que estão sujeitos, fazem uso de substâncias prejudiciais à saúde. É claro que fico condoído de alguém preso à nicotina, ao álcool e à coisas mais pesadas. Porém, ele sabendo das conseqüências, sabe que pode encontrar no Santo Evangelho a solução: Desde que ele o receba puro.
Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. (1Co 15.1-2).
Aqui reside minha principal obrigação diante de Deus como o pastor que se “afadiga na palavra e no ensino”.
Parece loucura ao homem moderno que Deus exija dele que pense de determinado modo. Mas uma das características do Evangelho é ser “loucura para as gentes”. E, curiosamente, Deus resolveu salvar seus eleitos através da “loucura da pregação”.
Modificar um “i” ou um “~” da lei conduz a um outro Evangelho. Inócuo como farinha ou venenoso como estricnina. Porém outro evangelho.
Vivemos nos tempos em que remédios são falsificados em farmácias e o Evangelho em Igrejas. São tempos perigosos.
sábado, 25 de março de 2006
Protese de fé?
Já nos tempos de Davi se usava muleta (que, pela palavra, transmite a impressão de uma simples vara).
Hoje vivemos em um mundo de próteses. Algumas são tão óbvias que “saltam aos olhos”: os óculos, que a rigor não substituem os olhos, mas não deixam de ajudar a visão. Outras mais discretas, muitas vezes ignoradas, como uma peruca ou uma dentadura. Outras invisíveis como um implante interno ou uma parte do corpo usualmente vestido.
Se flexibilizarmos um pouco mais a definição de prótese (como já fizemos para os óculos) começamos a pensar se podemos viver sem elas em nossos tempos modernos. Um automóvel não seria uma prótese que nos faz ir mais longe? Uma televisão não seria outra que nos faz ver longe (como seu próprio nome já diz)? Vivemos sem geladeiras? Limitamos nossa atuação à luz do dia ou já o encompridamos também por conta de outra prótese?
Órgãos transplantados não seriam espécies de próteses? Para mim um marca-passo cardíaco, uma máquina de diálise, e outros semelhantes são próteses.
Ainda não temos uma prótese do corpo humano completo, mas tudo caminha para essa direção. Já há mãos robóticas fortes e sensíveis ao mesmo tempo, tais como as nossas. Entretanto se, algum dia, chegarmos à condição de comprar braços, pernas, olhos, ou qualquer outra coisa, em lojas especializadas, certamente não poderemos comprar próteses de fé, caráter, ou de vida.
Já se procura artificialmente criar “fé sintética”, ou, se continuarmos tomando a palavra em seu sentido mais amplo, poderíamos até dizer “próteses de fé”.
Por ter grande semelhança com os sentimentos, que são facilmente manipuláveis, via de regra, algum “obreiro da iniqüidade”, tenta iludir os mais simples com esse tipo de engodo:
1. Provoca-se primeiro uma sensação de mal estar listando diversos problemas: familiares, conjugais, trabalhistas, de saúde e principalmente financeiros. Algo com que os incautos se identifiquem.
2. Depois, evocando-se algo ou alguém, que não seja muito específico, mas esteja na idéia de todos, e reforçando as sensações com muitos decibéis e com movimentos repetitivos, que provoquem hiperventilação, leva-se todos a uma euforia tal, que descrevem-na como experiência espiritual.
Por ela se leva multidões ao delírio ou à catarse. Por ela se fabrica fanáticos suicidas, ou convictos vitoriosos. E quando ela passa, a sensação de relaxamento é tão profunda que geralmente se diz ter visto ou sentido Deus.
Entretanto “a fé é a certeza de coisas que se aguardam, a convicção de fatos que ainda não podem ser vistos”
Mundo e tempo de próteses! Essa é sua fé? Se for não perca a oportunidade de pedir como o pai daquele menino que o Senhor curou: “ajuda-me na minha falta de fé”.
sábado, 18 de março de 2006
Os bebês e os Bebês da Igreja
Invertendo a situação, perguntaríamos a um pai, ou a uma mãe, qual foi a maior tristeza que o filho deu? Ou, qual foi a primeira vez que o filho os entristeceu? Provavelmente perguntas assim sejam as mais difíceis de responder.
Esperamos com ansiedade nosso filho. Nos privamos de muito em favor de sua saúde ainda no ventre da mãe. Procuramos o melhor modo de trazê-lo à luz e de recebê-lo em nossa casa, que, na verdade passa a ser regida pela conveniência dele. Como dizia a música: chegou “sua majestade o nenê”.
Há porventura algo que ele necessite em seus primeiros dias que não tentemos suprir? Ou algo em nossa rotina de vida que não seja modificada por sua simples presença?
Passam-se os dias e mesmo em meio a mordidas dolorosas a mãe não lhe nega o seio. Em meio ao sono entrecortado não lhe é negado o acompanhamento e o conforto de fraldas secas.
Não sei exatamente quando, mas ainda bebê, os pais mais atentos descobrem que ele já é capaz de pequenas malandragens: As manhas de exigir colo. O choro impositor de sua vontade. O egocentrismo com que demanda a exclusividade da mãe.
Agostinho viu um gêmeo empurrando seu irmão para fora do outro seio materno da mãe que igualmente alimentava os dois.
Talvez não tenhamos pensado nisso – afinal quem de nós não gosta de ver uma criança explorando e descobrindo o mundo ao seu redor – mas, não há época em que o pecado se mostre tão ligado à nossa natureza quanto em nossas infâncias.
Talvez nem saibamos, ou nem nos lembremos, qual foi a primeira vez que nosso filho nos entristeceu. Perdoamos automaticamente. Depois de certa idade, quando os imaginamos capazes de entender o que ensinamos de bom é que nos admiramos em vê-lo preferir o que é mal. Ao vermos alguma malfeitoria pensamos: Quem foi que ensinou isso a ele? Quem o ensinou a dissimular o erro? A mentir? A xingar? A odiar?
Parece que o pecado da ira é o primeiro. Ah, antes que eu esqueça: são pecadores sim. Lindos. Engraçadinhos. Fofinhos. Mas, tão pecadores quanto nós: seus pais. Tão pecadores quanto Adão. Nasceram pecadores. Nasceram carentes da misericórdia de Deus, da graça do Senhor Jesus, da bendita iluminação do Espírito Santo.
A falta com a verdade não demora a aparecer. Chegam a se assustar quando os flagramos fazendo algo errado. Daí para frente o pecado aparece tão claro quanto o é em nós. Aliás, já passamos por todas essas fases e nossos pais viram em nós o mesmo que vemos em nossos filhos.
Porém, o Apóstolo ao dizer de sua felicidade, não estava, necessariamente, falando de crianças. Falava da Igreja.
Sabem irmãos? Nós, pastores, temos sempre sob nossos cuidados, marmanjos e bebês na fé. Os pecados dos marmanjos são apenas mais grosseiros do que os dos recém-nascidos na fé. Porém há um agravante: Enquanto um bebê não tem escolha a não ser crescer – a menos que um problema de saúde o retenha – na Igreja, nós, pastores, lutamos para que muitos deixem de ser meninos.
O Senhor já sabia disso, “pois ele mesmo concedeu ... pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos ... para que não mais sejamos como meninos”.
sábado, 11 de março de 2006
"Nos dias de sua carne" 2
Nos dia de sua carne conviveu com todos os tipos de pessoas. Ainda menino viu o pouco que os mestres de Israel sabiam da Lei de seu Pai e mais tarde admirou-se que um deles não soubesse sequer o que era nascer de novo.
Nos dias de sua carne sentou-se à mesa com publicanos – aqueles que cobravam impostos de seus patrícios em favor dos romanos invasores do país - pecadores e pecadoras. Quando questionado respondeu com simplicidade que tinha vindo para doentes e não para os sadios.
Nos dias de sua carne teve poucos contatos com poderosos e ricos. Ainda bebê, recebeu presentes de uns que vieram de longe, mas seus pais tiveram de buscar segurança no exílio devido a outro que estava por perto.
Uma vez um deles tentou desacreditá-lo: convidou-o para comer em sua casa, mas negou-lhe as mais corriqueiras normas de hospitalidade.
Outros são mencionados como seus juizes. Condenaram-no. Apenas um levantou-se a seu favor: deu-lhe sepultura.
Nos dias de sua carne encontrou ingratos, mentirosos, ladrões, falsos amigos, prostitutas e hipócritas. Enfim: todo o catálogo de praticantes do que Deus proíbe e de não praticantes do que ele manda.
Chamou a atenção dos ingratos. Repreendeu os mentirosos. Condenou os ladrões. Tratou bem os falsos amigos. Exortou as prostitutas e verberou com ira contra os hipócritas. Orou por todos e a todos perdoou.
Nos dias de sua carne sofreu com a incredulidade. Sofreu com a zombaria. Com a difamação: ressentiu-se de ser chamado glutão e bebedor de vinho.
Sofreu também com o pouco caso com que tratavam seu Pai Celeste. Sofreu com a falta fé de quem o rodeava. E aprendeu.
Aprendeu a sofrer. Aprendeu a obedecer. Aprendeu também, na prática, o que era a natureza humana decaída: pouco diferente da natureza do próprio diabo.
Mesmo sofrendo, quando encontrava outro sofredor, tomava sobre si os sofrimentos dele: compadecia-se. Quando encontrava um desesperado dava-lhe esperanças. Não a esperança desvanecente de quem deseja, mas a esperança firme e ancorada nas promessas de que apenas aguarda.
“Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna” (Hb 5.7-9).
Agora, nos dias de sua glória, reina e conduz sua Igreja pelo vale da sombra da morte. Exaltado com um nome que está acima de qualquer outro, que à simples pronuncia dele, todos os joelhos se dobrarão.
Agora, nos dias de sua glória, intercede. Não por todos, mas por aqueles por quem morreu.
Apresenta ao Pai o verdadeiro culto, que eles são incapazes de prestar, e, às vezes, nem se preocupam fazê-lo: o sacrifício vivo e santo, o Sacrifício de Louvor que é fruto de lábios que confessam o seu Nome: aquilo que lhe é agradável: com reverência e santo temor.
Foram-se os dias de sua carne. Hoje vivemos dias, que, ligados à eternidade, onde ele está, refletem os dias de sua glória.
Hoje vivemos dias provisórios. Dias em que o mundo acumula para si a ira de Deus. Dias em que “quem é sujo suja-se mais”. Dias de expectação. Porém, dias de esperança, dias de ânsia pela glória que há de ser revelada.
Maranatha! Vem Senhor Jesus.
sábado, 4 de março de 2006
Águas de fevereiro
Águas e ventos castigaram nossa ilha e nossa cidade. Folhas, galhos e árvores arrancadas pela raiz ainda podem ser vistas em nossas ruas.
Águas e ventos castigaram nossos acampamentos. O dos adultos, menos dependente de eletricidade, teve de se despedir da comida guardada na geladeira e o dos jovens, além disso, despediu-se do uso dos instrumentos elétricos.
Águas e ventos já mostraram sua fúria nos dias de nosso Senhor e impeliram seus discípulos a acordá-lo pedindo socorro. Não seria diferente em nossos dias. Muitos oraram com fervor, depois de assustados com os trovões terem se jogado debaixo das mesas.
Acabada a tempestade, a bonança, trouxe o silêncio dos grilos e dos passarinhos e, também, o frescor das folhas, o aroma da terra e a espera. Espera por um bem que nós inventamos e sem o qual dificilmente sobreviveríamos: a eletricidade.
Se, por um lado, a falta de eletricidade estimulou a conversa - normalmente silenciada pelas novelas - e a observação de um céu negro profundo em que as estrelas pareciam mais brilhantes, por outro deixou sem água quem dependia de bomba.
Aqui, não achamos lampiões que iluminassem o templo no domingo. Conseguimos comprar algumas velas, e durante o culto foi possível ver que os bancos sem adoradores e velas, estavam escuros e cheios de ausências.
Cantamos, lemos, oramos e ouvimos a Palavra do Senhor à luz de velas, que, como nós só ilumina bem o que está próximo. Recordamos também, que a luz precisa estar desimpedida para alumiar o objeto e precisa estar no alto para ser vista.
Benditas águas de fevereiro. Muitos estragos, muitas lições.
Lições que vieram sobre bons e maus, sobre justos e injustos. Lições comuns a todos que deixando de lado a raiva por Deus ter suspendido seus planos e mostrado que um pouco de sua chuva acaba com a “torre” dos mortais, perceberam seu poder destilado gota a gota, sopro a sopro.
domingo, 26 de fevereiro de 2006
Nós e nosso Pai celeste
Porém o recebemos como se ele nos tivesse escolhido. O acolhemos como o maior bem que temos. Abrimos-lhe nossos braços e nosso coração, como se ele não procedesse de nós.
Se nós, que pouco entendemos, pouco sabemos e pouquíssimo podemos, geramos uma nova vida, trazemo-la à luz, estabelecemos uma parte importantíssima de sua personalidade (o nome), o alimentamos de nós mesmos (o leite materno), quanto mais o nosso Pai celeste?
Acaso deixamos de zelar pelo bem estar de nossos filhos? Não cuidamos da saúde deles? Não procuramos livrá-los de más companhias? Não escolhemos o ambiente mais saudável em que eles possam se desenvolver intelectualmente? Não nos empenhamos por livrá-los de más influências? Seríamos maus pais se não fizéssemos isso.
Porém, os exortamos a serem boas pessoas. Os repreendemos quando erram. Castigamos quando insistem no erro. Elogiamos quando acertam. Premiamos quando superam suas próprias expectativas. Seríamos maus pais se não fizéssemos isso também.
Se nós, que não sabemos onde nossa obrigação termina e onde a responsabilidade de nossos filhos começa, agimos assim - pois é o que deve ser feito - quanto mais nosso Pai celeste que a tudo entende, tudo sabe e tudo pode, fará à seus filhos?
Acaso não sabemos quando algo está acontecendo a nossos filhos só de ver o jeito deles? Pequenos, não sabíamos quando estavam doentes? Grandes, eles conseguem, de fato, esconder alguma coisa de nós? Não sabemos, ou, pelo menos, não desconfiamos de suas necessidades?
Mas, esperamos pacientemente que eles tomem a iniciativa de nos procurar. A vitória alcançada lhes será mais saborosa se puderem nos contar com detalhes. A derrota sofrida lhes será mais proveitosa se for acompanhada da humildade de nos confessar o erro e pedir ajuda.
Se nós, que conhecemos em parte, já experimentamos a sublime harmonia entre o que sabemos de nossos filhos e o que eles sabem de si e de nós, quanto mais nosso Pai celeste.
Acaso, dentro de nossos limites, não predestinamos nossos filhos desde o primeiro dia que sabemos de sua existência? Não decidimos o que comer, o que fazer, onde estudar, pensando no futuro deles? Não nos privamos para que nossos filhos tenham um futuro melhor do que nosso presente?
Entretanto, deixamos barato? Não. Absolutamente não! Se estiver fraco na escola, aulas de reforço. Se estiver com a saúde abalada, cuidados. Se for rebelde, castigo. Fazemos seu futuro como se tudo dependesse de nós. Exigimos deles como se tudo dependesse deles.
Se nós, a quem é vedado conhecer o futuro, precavidos, não esperamos os acontecimentos, pelo contrário, procuramos garantir que o futuro seja como planejamos, e, pelo bem de nossos filhos, não nos descuidamos do que eles andam fazendo, quanto mais nosso Pai celeste, para quem o futuro é tão certo como o dia de ontem.
Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Is 49.15
Você ainda acha que foi à toa que Deus usou a figura paterna para revelar-se a nós?
Você ainda acha superstição orar o Pai Nosso?
Você conhece melhor maneira de vislumbrar esses mistérios sem pensar em Deus como Pai?
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
E plantou um jardim
Meio jardim, meio pomar, onde as flores das laranjeiras, mangueiras, figueiras e de outras prenunciam frutos saborosos. Em flor ou carregadas de frutos, perfumam, atraem pássaros e alegram a vista.
Ele sabe que não é o primeiro jardineiro a trabalhar ali. Sabe também que o jardim já foi muito mais bonito. Naquela época não havia espinheiros nem ervas daninhas e o primeiro jardineiro só precisava cuidar das plantas. Agora é necessário também, limpar ao redor delas, adubá-las e arrancar os parasitas. A terra também já não é boa como antes.
Tempos atrás outros jardineiros, não conseguiam fazer o que ele faz hoje. Tiravam apenas a subsistência. Mesmo assim a produção mirrada não era suficiente nem para atender as necessidade, nem para alegrar a quem via o jardim.
Nesses dias, o dono do jardim mandou alguns para um lugar fértil. Terra boa. Tanto pasto e tantas flores que parecia até que a própria terra produzia leite e mel.
Apesar de uma preparação de 40 anos no deserto, imposta pelo dono, esperando que valorizassem mais o jardim, eles logo se apaixonaram pela criação de urtigas dos vizinhos. Sentiam saudades dos cactos e não demoraram a cultivar tiriricas e carrapichos.
Não adiantava. Por mais que fossem ensinados a gostar das plantas das quais o dono gostava, eles criam ter o direito, não apenas de ter suas próprias plantações de espinhos, mas de espalhá-las pelo jardim afora. Afinal eram mais fáceis de cuidar: praticamente cresciam sozinhos.
Para recuperar seu jardim, o dono mandou muitos mensageiros que foram odiados e mortos. Por fim, mandou seu filho com objetivo de mudar o pensamento e o gosto desses jardineiros, que, para uma terra tão boa e protegida, traziam o pior que nascia nos desertos e nos locais insalubres.
Porém, quem disse que os jardineiros gostaram da idéia? - Esse local é nosso. Diziam. Vamos plantar aqui o que nossos pais já plantavam e o que nós gostamos de plantar.
Além de não ouvir o filho, resolveram se livrar dele. Afinal, não viam as coisas como o dono via. Não tinham o interesse que o dono tinha. Eram posseiros. Tinham raiva de quem tinha outros planos para aquela terra.
Zangado, o dono chamou os que eram marginalizados pelos posseiros. Mostrou-lhes seu filho. Determinou-lhes que fizessem o que ele faria.
Começaram em umas terrinhas desprezadas: às vezes massapé terrível, às vezes piçarra dura. Mas as plantas preferidas pelo dono vingaram. Cresceram. Floriram. Frutificaram.
É claro que, mesmo entre os que foram mandados pelo dono, havia quem, por costume ou por gosto, levasse sementes ruins, e o jardim que começou tão bem, está hoje cheio de ervas daninhas. Mas as boas plantas estão lá. Só é preciso cuidar delas.
Portanto, pacientemente o novo jardineiro se afadiga com prazer. Ele sabe que não está só. Muitos, como ele também conhecem o gosto do dono e sabem que o jardim não lhes pertence.
sábado, 11 de fevereiro de 2006
O Deus dos cristãos
Até sobre liturgia e prática de culto, onde as diferenças são mais nítidas, foi escrito muitas coisas, tentando mostrar que as diferenças, na realidade, eram apenas aparentes.
Entretanto, como se não bastassem os acontecimentos históricos – que, via de regra, são esquecidos – os mais recentes mostram que, nada há em comum a essas três religiões.
1. O deus dos judeus não é o Deus dos cristãos. Isso pode soar estranho, especialmente por compartilharmos o Antigo testamento, mas é verdade. Os judeus recusaram a “expressão exata do ser de Deus” e fixaram-se no modo como seus estudiosos entendiam a aliança feita com Abraão. Aquele que era, ainda é, e sempre será a expressão exata do Pai, foi bem claro: “quem vê a mim vê o Pai”, “ninguém vem ao Pai senão por mim”. Nele “habita corporalmente a plenitude da divindade”.
Ou seja: O verdadeiro Deus revelou-se em Cristo. Os judeus adoram aquilo que o representou antes da “plenitude dos tempos”. Não que Deus tenha mudado. Mudamos nós! E, capazes de receber sua revelação completa, ele parou de revelar-se como fez no passado dando-se a conhecer através do seu Verbo que a tudo criou e sustenta.
Recusá-lo é recusar a Deus. Rejeitá-lo, ou fazer pouco de seu sacrifício para assumir a nossa natureza afim de dar-se completamente a ser conhecido por nós, é calcar “aos pés o Filho de Deus e profanar o sangue da aliança”.
2. O deus dos Islamitas não é o Deus dos cristãos. Isso é muito mais fácil de provar.
a. Embora tenham como ancestral a Abraão, a palavra de Deus foi clara: “Em Isaque será chamada a tua descendência”.
b. Nos primeiros anos da Igreja Deus já a alertou sobre revelações de anjos, que foi como começou o islamismo: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”. Gálatas 1.8
c. A exemplo dos judeus, eles também não reconhecem ao Único a quem o Pai deu todo poder no céu e na terra.
d. Finalmente, nesse episódio bizarro das caricaturas, a imagem de quem eles estão defendendo? Alegam que é para não haver idolatria, porém, não é exatamente isso o que está acontecendo?
O verdadeiro Deus nunca escondeu os defeitos de seus mais devotos fiéis. Abraão – conhecido como amigo de Deus, e o pai nações árabes – teve seus pecados expostos. Por que a insistência, já de muito conhecida, em não falar dos erros de Maomé? Não é ao verdadeiro Deus que o Islã adora. É a Maomé!
Nossa Igreja está vendo nesses dias a pessoa e obra de Jesus: que é a expressão exata do ser de Deus e em quem habita corporalmente a plenitude da divindade.
Não deixemos de considerar o que está sendo feito a ele, de como seu nome tem sido vilipendiado em nossos dias e no passado. Verdadeiras monstruosidades foram cometidas em seu nome e ainda são hoje. Não nos envergonhemos de seu nome, mas fujamos de todo aquele que atrai vergonha sobre ele.
Porém nos lembremos sempre: somos Cristãos. Não anunciamos a Abraão, a Maomé, ou mesmo a Adonai dos Judeus. “Nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. 1Coríntios 1.23-24.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006
Novamente: as cercas-vivas
Pois bem: a minha voltou a crescer.
Hibiscos vermelhos, que impedem a visão intrometida e atraem muitos beija-flores, alegram nossas manhãs. Ainda não chegam a fazer sombra como eu gostaria - especialmente nesses últimos dias em que a inclemência do sol já é sentida bem cedo - mas já alegra a visão de quem olha pra fora.
Além de bondoso, Deus é gentil. Sua bondade estende-se além do alimento que recebemos dia-a-dia e manifesta-se no ar, na água e nas demais coisas que possibilitam nossa vida. Porém sua gentileza é tão grande, que ele enche de cores nossos olhos, de música nossos ouvidos, de aromas nossas narinas, de gostos nossas bocas e de texturas nossas mãos. Não contente em bondosamente nos alimentar ele o faz com a gentileza de acrescentar ao alimento o sabor, a cor e o cheiro. Além da comunicação mútua, ele nos habilita a expressar o belo e a ouvir o que é agradável. Além de ver o que está ao nosso redor, ele mostra-nos arte nessas coisas.
Saboreamos o que comemos, nos deliciamos com as vozes suaves dos amigos e dos pássaros e vemos o verde salpicado de todas as cores possíveis.
De vez em quando, esquecemos de desfrutar desses dons maravilhosos e, como crianças mal-educadas, nos privamos da variedade de sabores, trocamos a harmonia pelo barulho, as cores pela monotonia do cimento cinza e dos muros pichados.
O mais importante é que sua bondade e sua gentileza não têm fim. Elas se renovam. As cercas vivas, mesmo depois de cortadas, voltam a crescer. Além de se renovarem, muitas vezes somos agraciados com o que não esperávamos. No meu caso, além da cerca viva voltar a crescer, nasceu uma trepadeira que logo atingiu a grade da janela e continuou subindo. Tiramos a cortina de dentro, pois ela é uma cortina natural por fora do quarto. Enquanto a cerca viva não cresce o suficiente para fazer sombra, ela faz. Suas folhas de verde profundo coam os raios solares e deixam passar a brisa fresca que vem do rio.
Mas a graça do Senhor não para de crescer. Depois de algum tempo a trepadeira deu flores. É um maracujá. Logo teremos frutos. E as flores, por sua forma e cor, e pela época de floração, já nos lembram da semana santa.
Meus irmãos, não sou membro do partido verde, muito menos milito em qualquer organização ambientalista, gosto da criação do Senhor por muitas razoes, principalmente porque ela grita para mim o quanto ele é amoroso. Não corto cercas vivas: elas nos protegem de muitas coisas e nos lembram a bondade de nosso Deus. Bondade essa que é apenas um respingo da bondade maior estampada na cruz.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2006
"Nos dias de sua carne" 1
Essa experiência trouxe o que o escritor da Carta aos Hebreus chamou de “aprendizado”, “obediência” e de “aperfeiçoamento”. Veja:
“Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” Hb 5.8-9.
Não que ele não soubesse de todas as coisas ou que fosse desobediente ou que não fosse perfeito. Porém, como Deus, ele nunca precisou obedecer. Depois de haver adquirido nossa natureza, ele aprendeu, na prática, a obedecer e isso redundou em um aperfeiçoamento, pois foi o único descendente de Adão que obedeceu ao Pai perfeitamente.
Sua obediência foi ativa, ao fazer tudo o que a lei determinava. Para ele um “i” ou um “til” (~) – sinais que habitualmente desprezamos. Aliás, costumamos desprezar muito mais do que sinais – da lei, valiam muito mais do que o céu e terra. Estes podiam passar. Aqueles não.
Ele expôs a importante doutrina da “vida eterna” baseando-se em um tempo verbal, quando disse: “antes de Abraão eu sou”. Não falou “eu era” ou “eu fui”, mas “eu sou”. Conjugando o verbo “ser” no presente, ele afrontou os judeus que reservavam presente para Deus e fez uma alusão ao seu nome impronunciável.
Mas também sua obediência foi passiva, ao suportar tudo o que o Pai determinou colocar sobre ele. Sujeitou-se à vida humana caída que depende do tempo e do espaço. Sujeitou-se aos cuidados de sua mãe, aos ensinos de seu pai, ao convívio com a descendência caída de Adão. Sujeitou-se ao “trabalho que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir”.
Finalmente sujeitou-se aos maus-tratos daqueles que deveriam glorificá-lo, ao julgamento de quem devia obedecê-lo, ao escárnio de quem deveria temê-lo.
Em tudo foi obediente. Em tudo foi aperfeiçoado. Comportou-se como Adão deveria ter feito se não tivesse se rebelado contra o próprio Deus.
Como um de nós, representou-nos perfeitamente diante do Pai que imputou-nos sua justiça. Mas também revelou-nos nossa própria desgraça: Não somos pecadores porque vivemos pecando. Ao contrário: vivemos pecando porque nascemos em pecado. É como um defeito genético. Nascemos carecendo pecar como um anencéfalo carece de um cérebro, ou um diabético de insulina.
Somente Jesus podia ser nosso “segundo Adão” e ao nascermos dele somos novas criaturas. Ainda pecamos, porque apenas nosso espírito foi regenerado. Mas virá o dia em que além de nosso espírito nossa carne também estará pronta. A redenção estará completa. A criação estará restaurada.
Vem Senhor Jesus.
Bom ânimo
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