Ao retomar a glória que tinha junto do Pai antes que houvesse mundo, o Senhor assumiu a tarefa de interceder por nós e, como fazia antes - e fez durante os dias de sua carne - retomou também a tarefa de construtor: está preparando-nos lugar.
Porém, não nos deixou órfãos. Pelo contrário, nos enviou seu Espírito que "é sobre todos, age por meio de todos e está em todos", e, portanto, está onipresentemente conosco.
Sua natureza humana, glorificada, está à destra do Pai. Seu Espírito está conosco. E porque seu Espírito está conosco temos o conforto (cum+fortius = com força) de sua presença, lembrando-nos de tudo o que disse, fazendo-nos ver claramente sua vontade, querê-la e realizá-la.
Ele não está ocioso nos céus e tampouco nos deixou ociosos na terra: seu Espírito capacita-nos a trabalhar em prol de seu reino, dando-nos conhecimento, discernimento e disposição necessária para tanto. E o ato inicial desta tarefa aconteceu 10 dias após sua volta aos céus, no dia de Pentecostes.
Naqueles dias precisávamos ser convencidos de que a tarefa que ele nos dera, destinava-se mesmo a todas as nações e que tínhamos condições de realizá-la. A falta dos meios não seria obstáculo, pois ele mesmo supriria. Tudo isso ocorreu de uma só vez.
Todos eram judeus e sabiam que as manifestações do SENHOR sempre eram sinalizadas, sendo o fogo um dos principais sinais que ele usava. Foi assim no Sinai, quando o Tabernáculo foi consagrado, quando o primeiro Sumo-sacerdote (Arão) foi ungido, quando o Templo de Salomão foi dedicado, etc. Nada mais natural, portanto, que ele usasse o mesmo sinal. E usou: sobre cada um apareceu o que Lucas descreveu com as palavras: "línguas como de fogo".
Para deixar claro que a ordem que dera referia-se a todas as nações, o ato seguinte foi capacitá-los – sem quaisquer meios ordinários – a falar idiomas de outros povos. Se desde Babel eles eram um empecilho, agora não eram mais.
Para deixar claro que as condições para cumprir a missão seriam supridas o fogo atestava simbolicamente que o mesmo poder conferido aos agentes da Antiga Aliança estava sendo conferido à cada um deles. Eram, por assim dizer, novos tabernáculos em que o Senhor residiria e novos sacerdotes que conduziriam muitos ao Senhor.
O Pentecostes atesta a vitória e exaltação de Cristo, sua presença conosco, e marca o início da nova formação do povo de Deus, que não está mais adstrito a uma nação, tampouco a um lugar, muito menos a um idioma.
E sua promessa continua: “eis que estou convosco, todos os dias, até a consumação do século”.
sábado, 26 de maio de 2007
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Ascensão
Quando o Senhor encarnou-se, assumindo a natureza humana, esvaziou-se de alguns dos atributos que tinha como Deus. Era Deus conosco. Maria, esclarecida do que estava acontecendo pelo anjo Gabriel, soube que desde aquele primeiro momento estava carregando em seu ventre o Filho de Deus.
Os dias, biologicamente determinados, se completaram e Maria entregou à luz um menino. Novamente, os anjos – agora um verdadeiro exército deles – se encarregaram de esclarecer o que estava acontecendo a uns pastores que daquelas redondezas.
Durante trinta anos o Deus-conosco "aprendeu pela obediência" o que era ser descendente de Adão. Como criança foi submisso a seus pais terrenos. Como adolescente foi estudioso das coisas do Pai celeste a ponto de impressionar os terrenos. Como adulto foi construtor, como sempre foi seu Pai celeste e como aprendeu de seu pai terreno.
Trinta e três anos depois o Deus-conosco esvaziou-se ainda mais: morreu. Em vez de um útero aquecido, foi recebido por um túmulo frio. Ambos virgens. Em vez de 9 meses, três dias. Em vez de crescimento físico, espera incorruptível.
Os dias, profeticamente determinados, se completaram, e no primeiro dia da semana, saiu à luz: ressuscitou. Recebeu de volta a vida biológica da qual se esvaziara. E, como aconteceu ao nascer, anjos testemunharam sua ressurreição, esclarecendo a Madalena e a outros discípulos o que estava acontecendo.
Durante quarenta dias, aquele que aprendeu sobre o "reino dos homens" ensinou aos seus a respeito do "Reino dos céus". Então recebeu de volta tudo aquilo de que se esvaziara ao encarnar-se. E, novamente os anjos se encarregaram de explicar o que estava acontecendo enquanto ele ascendia aos céus.
A maldição imposta a Adão e a seus descendentes foi revogada através do novo Adão com novo tipo de descendência: a fé.
Os descendentes do velho Adão nasceram espiritualmente mortos fora do Paraíso de onde ele fora expulso. Os descendentes do novo Adão são aqueles que, espiritualmente ressuscitados, anseiam pela volta, e tem certeza dela, pois afinal o primeiro deles já está lá.
Os dias, biologicamente determinados, se completaram e Maria entregou à luz um menino. Novamente, os anjos – agora um verdadeiro exército deles – se encarregaram de esclarecer o que estava acontecendo a uns pastores que daquelas redondezas.
Durante trinta anos o Deus-conosco "aprendeu pela obediência" o que era ser descendente de Adão. Como criança foi submisso a seus pais terrenos. Como adolescente foi estudioso das coisas do Pai celeste a ponto de impressionar os terrenos. Como adulto foi construtor, como sempre foi seu Pai celeste e como aprendeu de seu pai terreno.
Trinta e três anos depois o Deus-conosco esvaziou-se ainda mais: morreu. Em vez de um útero aquecido, foi recebido por um túmulo frio. Ambos virgens. Em vez de 9 meses, três dias. Em vez de crescimento físico, espera incorruptível.
Os dias, profeticamente determinados, se completaram, e no primeiro dia da semana, saiu à luz: ressuscitou. Recebeu de volta a vida biológica da qual se esvaziara. E, como aconteceu ao nascer, anjos testemunharam sua ressurreição, esclarecendo a Madalena e a outros discípulos o que estava acontecendo.
Durante quarenta dias, aquele que aprendeu sobre o "reino dos homens" ensinou aos seus a respeito do "Reino dos céus". Então recebeu de volta tudo aquilo de que se esvaziara ao encarnar-se. E, novamente os anjos se encarregaram de explicar o que estava acontecendo enquanto ele ascendia aos céus.
A maldição imposta a Adão e a seus descendentes foi revogada através do novo Adão com novo tipo de descendência: a fé.
Os descendentes do velho Adão nasceram espiritualmente mortos fora do Paraíso de onde ele fora expulso. Os descendentes do novo Adão são aqueles que, espiritualmente ressuscitados, anseiam pela volta, e tem certeza dela, pois afinal o primeiro deles já está lá.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Adorar um homem?
O Senhor escolheu 12 homens, a quem chamou Apóstolos e lhes deu autoridade, sobre muitas coisas. Até sobre reter ou perdoar pecados. Porém, eles nunca se deixaram adorar. Ao contrário, não há uma só narrativa em que alguém tenha tentado fazer isto e eles não o impedissem.
Temos e devemos ter alegria e prazer naqueles que alcançaram maior entendimento e virtude na vida de busca pela semelhança com Cristo. Porém, adorá-los é demais. Servir-se deles, como intercessores junto ao Pai, é o mesmo que vilipendiar quem “é o único mediador entre Deus e os homens”: Jesus Cristo.
Então, baseado em qual argumento, em que silogismo, ou debaixo de qual autoridade - ou qualquer coisa semelhante - um filho de Adão, morto em "delitos e pecados", carecente da graça de Deus e da intermediação de Jesus Cristo, arroga-se a autoridade de declarar que outro filho de Adão, sujeito às mesmas fraquezas e necessidades, deve ser adorado?
A Igreja Católica Romana merece nosso aplauso pela luta aberta que trava contra a prática do aborto, em favor de uma moral sexual mais sadia.
Não podemos concordar com ela que o único papel do sexo seja a procriação, e que, portanto, todos os meios anticoncepcionais devam ser evitados. Devemos evitar, sim, os meios “anti-natais” (que visem o nascimento de um ser, mesmo que ainda seja um pequeno aglomerado de células. Porém, os meios naturais que impeçam a fecundação não são imorais, ou criminosos em si, e, usados com fim legítimo, não devem ser tolhidos.
Entretanto, como é que se luta a favor de uma conscientização clara desses problemas e ao mesmo tempo se incentiva a ingestão de pílulas cujo conteúdo é apenas papel e tinta?
Admira-me a luta em favor do bem. Espanta-me a manutenção da credulidade naquilo que não recebe qualquer apoio das Sagradas Escrituras.
Quando comemoramos 100 anos do presbiterianismo, debaixo de acusações de sermos maus brasileiros, pois não acatávamos as disposições da “igreja mãe”, contou-se muito um hino, que, dirigido ao povo brasileiro instava-se a um arrazoado. Por oportuno, transcrevo abaixo a parte da qual me lembro dele através do canto de minha mãe.
Pobre gente piedosa e sincera
Que não abre seus olhos à luz
Que confunde a massa do trigo
Com o celeste e divino Jesus.
(coro)
Oh! Não confundas a pátria terrestre
Com os fulgores da pátria da fé.
No Brasil quem com fé repele o erro
Brasileiro sincero é que é (bis).
Pobre gente que julga nas mãos
O seu Deus conduzir num andor
Não sabendo que mãos de mortais
Não manejam o céu do Senhor.
Temos e devemos ter alegria e prazer naqueles que alcançaram maior entendimento e virtude na vida de busca pela semelhança com Cristo. Porém, adorá-los é demais. Servir-se deles, como intercessores junto ao Pai, é o mesmo que vilipendiar quem “é o único mediador entre Deus e os homens”: Jesus Cristo.
Então, baseado em qual argumento, em que silogismo, ou debaixo de qual autoridade - ou qualquer coisa semelhante - um filho de Adão, morto em "delitos e pecados", carecente da graça de Deus e da intermediação de Jesus Cristo, arroga-se a autoridade de declarar que outro filho de Adão, sujeito às mesmas fraquezas e necessidades, deve ser adorado?
A Igreja Católica Romana merece nosso aplauso pela luta aberta que trava contra a prática do aborto, em favor de uma moral sexual mais sadia.
Não podemos concordar com ela que o único papel do sexo seja a procriação, e que, portanto, todos os meios anticoncepcionais devam ser evitados. Devemos evitar, sim, os meios “anti-natais” (que visem o nascimento de um ser, mesmo que ainda seja um pequeno aglomerado de células. Porém, os meios naturais que impeçam a fecundação não são imorais, ou criminosos em si, e, usados com fim legítimo, não devem ser tolhidos.
Entretanto, como é que se luta a favor de uma conscientização clara desses problemas e ao mesmo tempo se incentiva a ingestão de pílulas cujo conteúdo é apenas papel e tinta?
Admira-me a luta em favor do bem. Espanta-me a manutenção da credulidade naquilo que não recebe qualquer apoio das Sagradas Escrituras.
Quando comemoramos 100 anos do presbiterianismo, debaixo de acusações de sermos maus brasileiros, pois não acatávamos as disposições da “igreja mãe”, contou-se muito um hino, que, dirigido ao povo brasileiro instava-se a um arrazoado. Por oportuno, transcrevo abaixo a parte da qual me lembro dele através do canto de minha mãe.
Pobre gente piedosa e sincera
Que não abre seus olhos à luz
Que confunde a massa do trigo
Com o celeste e divino Jesus.
(coro)
Oh! Não confundas a pátria terrestre
Com os fulgores da pátria da fé.
No Brasil quem com fé repele o erro
Brasileiro sincero é que é (bis).
Pobre gente que julga nas mãos
O seu Deus conduzir num andor
Não sabendo que mãos de mortais
Não manejam o céu do Senhor.
domingo, 6 de maio de 2007
Quando o Senhor nos espera na praia
Ontem, a lua já estava alta e não se refletia mais nas águas do Rio doce, mas ainda insistia em vencer a claridade das lâmpadas da rua, me lembrou dos dias narrados na Escritura em que o Senhor, depois de ressuscitado, manifestou-se diversas vezes a seus discípulos.
Sempre tive a impressão que ele só fez isso aos domingos: Às mulheres, que foram ao sepulcro com a intenção de embalsamar seu corpo, manifestou-se logo após ressuscitar. Aos dois que viajavam para Emaús, manifestou-se ainda no mesmo dia. E, João nos informa que era o mesmo dia quando ele apareceu aos demais em uma casa com as portas trancadas. Entretanto Tomé teve de esperar uma semana para vê-lo.
João, dá-nos impressão de ter passado um bom tempo até aquela manhã em que eles foram recebidos na praia pelo Senhor. Isso justificaria melhor a desolação de Pedro: “vou pescar”.
Não creio que Pedro, pescador de profissão, naquela noite estivesse interessado nos peixes, ou no lucro que a venda deles lhe daria, mas em aliviar a angústia de ter negado seu Senhor, ter sido lembrado por ele logo que ressuscitou e já tê-lo visto pelo menos duas vezes sem a liberdade de falar-lhe como falava antes.
A lua cheia de ontem me lembrou que talvez aquela noite tivesse sido assim, pois “noite de lua é boa pra pesca”.
Todos foram com Pedro. Até os que não eram pescadores de profissão: também estavam desolados e uma pescaria sempre faz bem. Mas “naquela noite nada apanharam”.
A lua cheia de ontem também me mostrou outros desolados. Não estavam em um barco no Rio Doce. Vagavam pelas ruas vindo de simulacros de igrejas que prometem todo sucesso material, amoroso e espiritual.
Tal qual aqueles pescadores, passavam a noite (ou parte dela) tentando conseguir algo. Algo que nem eles mesmos sabem o que é, mas que estão certos de reconhecer tão logo tenham.
“Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia”. Porém, nenhum peixe no barco e nenhum peixe nas redes.
Apesar de terem ido pescar apenas pela pescaria, seria bom ter pegado algo: o bom da pescaria não é a recompensa da luta com o peixe depois da espera?
Abençoados: encontram Jesus. Não bastasse, receberam dele a informação certa que os conduziu ao sucesso natural de uma pescaria, que mesmo quando é feita “para espairecer”, causa alegria se coroada de êxito.
Pedro entendeu muito bem o respeito que devia ao Senhor e vestiu-se.
Não bastasse, ao chegarem a praia foram recebidos com o calor de um braseiro, peixes sobre as brasas e pão.
O convite de quem sabe o que é passar uma noite em claro, “vinde, comei”, é completado quando o próprio Senhor lhes serviu pão e peixe.
E Pedro?
Afoito, não desfizera de seus irmãos garantindo que, mesmo se eles negassem ao Senhor, jamais o faria? “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros?”
Afoito, não levara o Senhor à parte para repreendê-lo sobre aquela história de ser morto? “Simão, filho de João, tu me amas?”
Medroso, diante de servos, não havia negado seu Senhor três vezes? “Simão, filho de João, tu me amas?”
De nada adiantou chorar amargamente. De nada adiantou, estressado, ir pescar. De nada adiantou vestir-se diante do Senhor (somos transparentes ao seu olhar). “Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo”.
Não sei se era noite de lua. Talvez fosse. Sei que era época de frio. E naquela noite diversos tipos de frio açoitaram aquele homens. O mais simples deles foi debelado com o braseiro. O outro foi debelado pelo amor e gentileza do Senhor. O pior deles, o que rasgava o coração de Pedro, somente sua Palavra o fez.
Querido irmão: não vague atrás da Palavra do Senhor por esses lugares escusos. Ela não está lá. Tire-a de sua estante. Devore-a com sofreguidão. Encha seu coração com ela. Ela iluminará seus caminhos com claridade maior que a da lua cheia e o aquecerá melhor do que um braseiro.
Sempre tive a impressão que ele só fez isso aos domingos: Às mulheres, que foram ao sepulcro com a intenção de embalsamar seu corpo, manifestou-se logo após ressuscitar. Aos dois que viajavam para Emaús, manifestou-se ainda no mesmo dia. E, João nos informa que era o mesmo dia quando ele apareceu aos demais em uma casa com as portas trancadas. Entretanto Tomé teve de esperar uma semana para vê-lo.
João, dá-nos impressão de ter passado um bom tempo até aquela manhã em que eles foram recebidos na praia pelo Senhor. Isso justificaria melhor a desolação de Pedro: “vou pescar”.
Não creio que Pedro, pescador de profissão, naquela noite estivesse interessado nos peixes, ou no lucro que a venda deles lhe daria, mas em aliviar a angústia de ter negado seu Senhor, ter sido lembrado por ele logo que ressuscitou e já tê-lo visto pelo menos duas vezes sem a liberdade de falar-lhe como falava antes.
A lua cheia de ontem me lembrou que talvez aquela noite tivesse sido assim, pois “noite de lua é boa pra pesca”.
Todos foram com Pedro. Até os que não eram pescadores de profissão: também estavam desolados e uma pescaria sempre faz bem. Mas “naquela noite nada apanharam”.
A lua cheia de ontem também me mostrou outros desolados. Não estavam em um barco no Rio Doce. Vagavam pelas ruas vindo de simulacros de igrejas que prometem todo sucesso material, amoroso e espiritual.
Tal qual aqueles pescadores, passavam a noite (ou parte dela) tentando conseguir algo. Algo que nem eles mesmos sabem o que é, mas que estão certos de reconhecer tão logo tenham.
“Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia”. Porém, nenhum peixe no barco e nenhum peixe nas redes.
Apesar de terem ido pescar apenas pela pescaria, seria bom ter pegado algo: o bom da pescaria não é a recompensa da luta com o peixe depois da espera?
Abençoados: encontram Jesus. Não bastasse, receberam dele a informação certa que os conduziu ao sucesso natural de uma pescaria, que mesmo quando é feita “para espairecer”, causa alegria se coroada de êxito.
Pedro entendeu muito bem o respeito que devia ao Senhor e vestiu-se.
Não bastasse, ao chegarem a praia foram recebidos com o calor de um braseiro, peixes sobre as brasas e pão.
O convite de quem sabe o que é passar uma noite em claro, “vinde, comei”, é completado quando o próprio Senhor lhes serviu pão e peixe.
E Pedro?
Afoito, não desfizera de seus irmãos garantindo que, mesmo se eles negassem ao Senhor, jamais o faria? “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros?”
Afoito, não levara o Senhor à parte para repreendê-lo sobre aquela história de ser morto? “Simão, filho de João, tu me amas?”
Medroso, diante de servos, não havia negado seu Senhor três vezes? “Simão, filho de João, tu me amas?”
De nada adiantou chorar amargamente. De nada adiantou, estressado, ir pescar. De nada adiantou vestir-se diante do Senhor (somos transparentes ao seu olhar). “Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo”.
Não sei se era noite de lua. Talvez fosse. Sei que era época de frio. E naquela noite diversos tipos de frio açoitaram aquele homens. O mais simples deles foi debelado com o braseiro. O outro foi debelado pelo amor e gentileza do Senhor. O pior deles, o que rasgava o coração de Pedro, somente sua Palavra o fez.
Querido irmão: não vague atrás da Palavra do Senhor por esses lugares escusos. Ela não está lá. Tire-a de sua estante. Devore-a com sofreguidão. Encha seu coração com ela. Ela iluminará seus caminhos com claridade maior que a da lua cheia e o aquecerá melhor do que um braseiro.
domingo, 29 de abril de 2007
A Palavra: no princípio e no fim
A Palavra dAquele que sempre existiu, sempre existiu também. Por proceder dEle, a metáfora que eles mesmos usam para darem-se a entender é a paternidade e a filiação. O Falante é o Pai. A Palavra é o Filho. E, apesar de a Palavra proceder do Falante, como um filho procede de um pai, o Falante nunca esteve só sem sua Palavra e sua Palavra sempre o acompanhou e sempre foi sua expressão. Todas as características do Falante sempre estiveram, estão e sempre estarão também em sua Palavra.
A Palavra nunca voltou para o Falante vazia. Pelo contrário, sempre fez o que lhe aprouve. Quando Ele quis que houvesse luz, bastou dizer “haja luz” e o dizer já era a Palavra e a Palavra do nada fez luz.
Impossível dissociar a Palavra do Falante. Impossível imaginar a Palavra sem o Falante. Mas, apesar de possuir tal companhia, em tudo semelhante a Si e sempre diante de Si, o Falante – só Ele sabe por que – resolveu Falar “sucessão e mudança”. A Palavra, incontinenti, criou o que chamamos de tempo. E, dentro de uma sucessão de tardes e manhãs – coisas próprias do tempo – conforme o Falante Falava, muitas mudanças ocorreram: As águas de cima – o firmamento – foram separadas das águas de baixo, que também foram separadas da parte seca: a terra.
Bastou o Falante falar “vida” e a Palavra povoou o firmamento, as águas e a terra de seres vivos adequados a esses ambientes. E, para reger a vida sujeita a “sucessão e mudança”, o Falante disse: “nossa imagem e semelhança”. Imediatamente a Palavra, do barro, fez o homem.
Tudo o que era feito trazia a marca da Palavra e conseqüentemente a marca do Falante, e os expressava como as palavras expressam aquilo a que se referem. Eram palavras menores. O homem, entretanto, expressava mais e melhor, pois sendo imagem e semelhança dEles não apenas vivia, mas compartilhava com a Palavra e com o Falante do mesmo Espírito que os unia e inseparavelmente estava com Eles desde sempre. Era uma palavra temporal maior. Como se fosse um eco da Palavra eterna, tinha em comum a mesma missão: criar, manter e reger, na “sucessão e mudança” aquilo que o Falante havia proferido.
Livre para dizer, sob as limitações do tempo, o que a Palavra eterna disse sem a limitação dele, preferiu dizer o oposto. Preferiu ter outro significado. Preferiu a efemeridade e contingência do ressoar do sino e do retinir do bronze.
Presumiu-se inalterável, apesar de alertada do contrário, e o que conseguiu foi esvaziar-se a si, e aos que regia, de seus significados originais. E, como passaram a desdizer a mensagem da Palavra eterna, o Falante também as desdisse.
Daquilo que tinham em comum com o Falante, guardaram muito pouco e, mesmo esse pouco, foi danificado: perderam a capacidade de expressar o Falante. Os trapos em que se tornaram passaram a ser expressão de sua própria rebeldia e de sua própria desgraça. Deixaram de ser ecos da Palavra eterna e encheram o mundo de ruídos sem qualquer significado que não a própria rebeldia.
Frustrariam os desígnios do Falante?
Se a Palavra eterna nunca voltou-Lhe vazia, acaso esses ruídos insignificantes continuariam a desafiar o Falante proclamando nas trevas – em que passaram a existir – sua própria rebelião em vez das virtudes dAquele que Fala desde sua maravilhosa luz? Não! Nunca! Jamais!
O Falante novamente falou. Falou ao ponto de abalar tudo o que já fizera e sua Palavra esvaziou-se de Si mesma e assumiu a natureza das palavras rebeldes. Não deixou de ser Palavra eterna, mas por poucas tardes e manhãs – coisas próprias do tempo a que agora estava sujeito – adquiriu o que restara de significativo das palavras efêmeras e rebeldes, e recebeu a desdita do Falante.
Ao retomar seu significado eterno, eternizou o que adquiriu e restaurou o significado daquelas que quis.
Tornou-se uma palavra temporal, para dar-lhes significado eterno. E deu-lhes. Tornou-se uma palavra temporal para mostrar o significado mau, soberbo e arrogante da rebeldia contra o Falante. E mostrou nas que não quis atribuir significado eterno.
Hoje as palavras que a Palavra eterna livrou da insignificância voltaram a significar aquilo para o que foram criadas. Não conseguem ainda ser como antes, pois, apesar de seu significado ter sido restaurado, sua forma ainda está danificada e nelas o ruído e a ambigüidade ainda se destacam.
Entretanto, dia-a-dia, ajudadas pela Palavra eterna, abandonando os significados errados, soberbos e arrogantes, de si mesmas ou do mundo, bendizem o Falante.
E, nas tardes e manhãs de um dia futuro – no tempo ou fora dele – bendirão melhor do que bendiziam quando foram criadas, pois, na companhia da Palavra eterna, louvarão o Falante no meio da congregação.
A Palavra nunca voltou para o Falante vazia. Pelo contrário, sempre fez o que lhe aprouve. Quando Ele quis que houvesse luz, bastou dizer “haja luz” e o dizer já era a Palavra e a Palavra do nada fez luz.
Impossível dissociar a Palavra do Falante. Impossível imaginar a Palavra sem o Falante. Mas, apesar de possuir tal companhia, em tudo semelhante a Si e sempre diante de Si, o Falante – só Ele sabe por que – resolveu Falar “sucessão e mudança”. A Palavra, incontinenti, criou o que chamamos de tempo. E, dentro de uma sucessão de tardes e manhãs – coisas próprias do tempo – conforme o Falante Falava, muitas mudanças ocorreram: As águas de cima – o firmamento – foram separadas das águas de baixo, que também foram separadas da parte seca: a terra.
Bastou o Falante falar “vida” e a Palavra povoou o firmamento, as águas e a terra de seres vivos adequados a esses ambientes. E, para reger a vida sujeita a “sucessão e mudança”, o Falante disse: “nossa imagem e semelhança”. Imediatamente a Palavra, do barro, fez o homem.
Tudo o que era feito trazia a marca da Palavra e conseqüentemente a marca do Falante, e os expressava como as palavras expressam aquilo a que se referem. Eram palavras menores. O homem, entretanto, expressava mais e melhor, pois sendo imagem e semelhança dEles não apenas vivia, mas compartilhava com a Palavra e com o Falante do mesmo Espírito que os unia e inseparavelmente estava com Eles desde sempre. Era uma palavra temporal maior. Como se fosse um eco da Palavra eterna, tinha em comum a mesma missão: criar, manter e reger, na “sucessão e mudança” aquilo que o Falante havia proferido.
Livre para dizer, sob as limitações do tempo, o que a Palavra eterna disse sem a limitação dele, preferiu dizer o oposto. Preferiu ter outro significado. Preferiu a efemeridade e contingência do ressoar do sino e do retinir do bronze.
Presumiu-se inalterável, apesar de alertada do contrário, e o que conseguiu foi esvaziar-se a si, e aos que regia, de seus significados originais. E, como passaram a desdizer a mensagem da Palavra eterna, o Falante também as desdisse.
Daquilo que tinham em comum com o Falante, guardaram muito pouco e, mesmo esse pouco, foi danificado: perderam a capacidade de expressar o Falante. Os trapos em que se tornaram passaram a ser expressão de sua própria rebeldia e de sua própria desgraça. Deixaram de ser ecos da Palavra eterna e encheram o mundo de ruídos sem qualquer significado que não a própria rebeldia.
Frustrariam os desígnios do Falante?
Se a Palavra eterna nunca voltou-Lhe vazia, acaso esses ruídos insignificantes continuariam a desafiar o Falante proclamando nas trevas – em que passaram a existir – sua própria rebelião em vez das virtudes dAquele que Fala desde sua maravilhosa luz? Não! Nunca! Jamais!
O Falante novamente falou. Falou ao ponto de abalar tudo o que já fizera e sua Palavra esvaziou-se de Si mesma e assumiu a natureza das palavras rebeldes. Não deixou de ser Palavra eterna, mas por poucas tardes e manhãs – coisas próprias do tempo a que agora estava sujeito – adquiriu o que restara de significativo das palavras efêmeras e rebeldes, e recebeu a desdita do Falante.
Ao retomar seu significado eterno, eternizou o que adquiriu e restaurou o significado daquelas que quis.
Tornou-se uma palavra temporal, para dar-lhes significado eterno. E deu-lhes. Tornou-se uma palavra temporal para mostrar o significado mau, soberbo e arrogante da rebeldia contra o Falante. E mostrou nas que não quis atribuir significado eterno.
Hoje as palavras que a Palavra eterna livrou da insignificância voltaram a significar aquilo para o que foram criadas. Não conseguem ainda ser como antes, pois, apesar de seu significado ter sido restaurado, sua forma ainda está danificada e nelas o ruído e a ambigüidade ainda se destacam.
Entretanto, dia-a-dia, ajudadas pela Palavra eterna, abandonando os significados errados, soberbos e arrogantes, de si mesmas ou do mundo, bendizem o Falante.
E, nas tardes e manhãs de um dia futuro – no tempo ou fora dele – bendirão melhor do que bendiziam quando foram criadas, pois, na companhia da Palavra eterna, louvarão o Falante no meio da congregação.
sábado, 21 de abril de 2007
Minha cruz
A cruz do Senhor era de madeira. O mesmo material com que ele trabalhava, e que estava acostumado a cortar em pedaços de tamanho adequado ao que pretendia fazer. Porém ele a recebeu inteira, no tamanho suficiente para suportar o peso de seu corpo.
Pregos fixaram o Senhor a cruz. Provavelmente ele também os tenha usado na fixação de um umbral ou das vigas mestras de um telhado. Naquela época os pregos eram caros e, feitos sob encomenda, demoravam a ficar prontos.
Hoje, enquanto leio este texto, penso na cruz que sou obrigado a tomar como discípulo do Senhor. Ela não é de madeira. Na maioria das vezes nem sei do que ela é feita, mas a reconheço prontamente. Nunca tive e nunca terei domínio tal sobre sua matéria de modo que eu possa cortá-la e com ela fazer algo que tenha outra serventia. Seu material parece ter sido feito exclusivamente para mim, e só serve para, pendurando-me, manter-me exposto ao escárnio de quem passa e me vê.
Hoje, sou fixado a essa cruz, por um único tipo de prego: a vontade Deus. Se ela não prevalecesse sobre a minha, há muito eu já teria descido da cruz.
O Senhor de todas as coisas foi mantido por pregos em uma cruz de madeira, mas ele estava livre de qualquer coação humana. Ficou nela porque quis: de boa-vontade, por mim.
Seu servo inútil, que sou, que sequer faço o que deveria fazer, quero distância de cruzes e pregos. Entretanto o Senhor, com terno amor, me mantém em uma – infinitamente menos dolorosa do que a que ele suportou voluntariamente – visando meu bem.
O Senhor suportou sua cruz até o fim. Quando pregado orou a favor de quem o pregava. Quando convidado ou desafiado a sair dela sequer dava ouvidos.
Seu servo inútil, que sou, à simples visão de minha cruz, debato-me, estrebucho, e às vezes pergunto: por que eu? Quando zombado envergonho-me. Quando convidado a sair dela alegro-me. Mas a cruz é meu refúgio. Lá não posso fazer meu próprio querer, não posso conformar-me à este século, e na cruz estou livre dos assaltos do inimigo.
Não fui crucificado para ser salvo, mas por que já estou salvo. Não fui crucificado como castigo, mas para minha proteção, pois não há local mais seguro.
Lá ficarei até que, mortificado, renda a Deus meu próprio eu e morra para tudo aquilo que hoje ainda me afeta e me subjuga. Então serei ressuscitado em glória, como meu Senhor o foi.
Estou em boa companhia: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”. Gl 2.20.
Pregos fixaram o Senhor a cruz. Provavelmente ele também os tenha usado na fixação de um umbral ou das vigas mestras de um telhado. Naquela época os pregos eram caros e, feitos sob encomenda, demoravam a ficar prontos.
Hoje, enquanto leio este texto, penso na cruz que sou obrigado a tomar como discípulo do Senhor. Ela não é de madeira. Na maioria das vezes nem sei do que ela é feita, mas a reconheço prontamente. Nunca tive e nunca terei domínio tal sobre sua matéria de modo que eu possa cortá-la e com ela fazer algo que tenha outra serventia. Seu material parece ter sido feito exclusivamente para mim, e só serve para, pendurando-me, manter-me exposto ao escárnio de quem passa e me vê.
Hoje, sou fixado a essa cruz, por um único tipo de prego: a vontade Deus. Se ela não prevalecesse sobre a minha, há muito eu já teria descido da cruz.
O Senhor de todas as coisas foi mantido por pregos em uma cruz de madeira, mas ele estava livre de qualquer coação humana. Ficou nela porque quis: de boa-vontade, por mim.
Seu servo inútil, que sou, que sequer faço o que deveria fazer, quero distância de cruzes e pregos. Entretanto o Senhor, com terno amor, me mantém em uma – infinitamente menos dolorosa do que a que ele suportou voluntariamente – visando meu bem.
O Senhor suportou sua cruz até o fim. Quando pregado orou a favor de quem o pregava. Quando convidado ou desafiado a sair dela sequer dava ouvidos.
Seu servo inútil, que sou, à simples visão de minha cruz, debato-me, estrebucho, e às vezes pergunto: por que eu? Quando zombado envergonho-me. Quando convidado a sair dela alegro-me. Mas a cruz é meu refúgio. Lá não posso fazer meu próprio querer, não posso conformar-me à este século, e na cruz estou livre dos assaltos do inimigo.
Não fui crucificado para ser salvo, mas por que já estou salvo. Não fui crucificado como castigo, mas para minha proteção, pois não há local mais seguro.
Lá ficarei até que, mortificado, renda a Deus meu próprio eu e morra para tudo aquilo que hoje ainda me afeta e me subjuga. Então serei ressuscitado em glória, como meu Senhor o foi.
Estou em boa companhia: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”. Gl 2.20.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
ENSAIO - Educadores Cristãos
Educar é sempre um processo em que o educador se "engaja" com o bem do aluno. A forma como este engajamento acontece varia de educador para educador e de aluno para aluno. A Educação Cristã não é muito diferente. Porém, seu objetivo maior não é fazer com que cada aluno se "potencialize" ao máximo com vistas a seus próprios interesses, mas levá-lo a adequar-se cada vez mais à vontade revelada de Deus. Ou seja: a Educação Cristã não existe sem a Palavra de Deus, pois dela depende e para ela existe. Ela é seu ponto de partida e sua meta.
Fico satisfeito em dividir os Educadores Cristãos em apenas dois grupos, conforme a abordagem que eles fazem da Palavra de Deus. A variação que existe em cada um desses grupos acontece apenas na intensidade com que o Educador Cristão enfatiza seu modo de ensino
O primeiro grupo constitui-se daqueles para quem o mais importante é provar que a Bíblia é a Palavra de Deus. De certa forma eles não estão errados, mas, ao partirem da dúvida, geram em seus alunos um fruto amargo do qual eles jamais se livrarão sem o auxílio da graça divina.
Geralmente, após a leitura do texto bíblico ou do tema teológico ter sido proposto, a abordagem começa com o questionamento. Invariavelmente as perguntas visam a que o aluno tenha certeza de que aquilo de que se está tratando é relevante para sua fé e para a fé daqueles que um dia aprenderão dele. Ou seja: certificar-se de que ele não está perdendo tempo. Destaca-se:
- O que mais dá suporte ao ensino deste texto?
- Que implicações práticas esse texto tem para nossos dias?
- Como esse texto pode ser explicado à luz das novas descobertas científicas? (Note a ordem)
- Você está disposto a morrer por essa verdade?
- Esse ensino é mais precioso do que o papel que o contém? (geralmente aqui é apropriado degradar o volume bíblico, rasgando-o, jogando-o no chão, sentando-se em cima dele, ou coisas semelhantes que separem bem o continente do conteúdo, o significante do significado).
Os educandos ficam fascinados com a erudição do professor que achou suporte para todas as afirmações do texto, mostrou sua utilidade em nossos dias, discorreu sobre as novidades das ciências e da graça comum, comprometeu-se com a verdade e aprenderam que aquela verdade é tão transcendental que ela pode ser veiculada de qualquer forma, através de qualquer mídia, mesmo que seja a mais abjeta.
O segundo grupo tem abordagem oposta. Não está tão preocupado em provar que aquele texto é a Palavra de Deus, pois sabem que as ovelhas de Deus identificam sua voz. Entretanto não descuida de verificar a autenticidade histórica e formal do texto. Afinal, o modo mais eficiente de lutar contra as verdades cristãs não é negá-las, mas torcê-las.
Geralmente após o texto bíblico ter sido lido, ou o tema teológico ter sido proposto, faz-se um "recenseamento" dele. Como ele foi recebido, como nossos antepassados, especialmente os mais próximos dele, o entenderam, e, principalmente, como ele se encaixa, no ensino daquele escritor (se ele escreveu outras coisas) e no "ensino geral" das Escrituras (o que tecnicamente é chamado de 'analogia da fé').
Não degrada o veículo através do qual o texto chegou até nós, entretanto não lho adora. Simplesmente o respeita como o receptáculo e veículo daquela verdade.
Todas as questões levantadas por um representante do primeiro grupo estão contidas e automaticamente respondidas no apreço que se tem àquele texto ou ensino.
Geralmente estes professores não são tão cativantes, pois, acostumados em uma "sociedade da informação fantástica", seus alunos não vêem muita graça no processo que acabaram de testemunhar. Entretanto, como a chuva que nutre a planta, a Palavra do Senhor os faz crescer.
Qual dos sistemas é o correto? Depende do objetivo. Se o educador tem quer formar discípulos de si mesmos não há dúvida que o primeiro é mais eficaz. Mas, se quiser formar pessoas que levem os próprios pensamentos cativos para obedecer a Cristo, discípulos do Autor da Palavra, sábios, no sentido bíblico, terá de optar pelo segundo, pois "o temor do Senhor é o princípio da sabedoria".
Em meus 16 anos como professor de seminário já recebi alunos que iniciaram seus estudos conforme o primeiro método. A poucos consegui transmitir o apreço e respeito devido à Palavra de Deus. O hábito da crítica e a barreira da desconfiança sempre foram obstáculos fortíssimos. Hoje a perspectiva fornecida pelos anos longe do Seminário me convenceu que o melhor é começar do zero. Se for possível.
Fico satisfeito em dividir os Educadores Cristãos em apenas dois grupos, conforme a abordagem que eles fazem da Palavra de Deus. A variação que existe em cada um desses grupos acontece apenas na intensidade com que o Educador Cristão enfatiza seu modo de ensino
O primeiro grupo constitui-se daqueles para quem o mais importante é provar que a Bíblia é a Palavra de Deus. De certa forma eles não estão errados, mas, ao partirem da dúvida, geram em seus alunos um fruto amargo do qual eles jamais se livrarão sem o auxílio da graça divina.
Geralmente, após a leitura do texto bíblico ou do tema teológico ter sido proposto, a abordagem começa com o questionamento. Invariavelmente as perguntas visam a que o aluno tenha certeza de que aquilo de que se está tratando é relevante para sua fé e para a fé daqueles que um dia aprenderão dele. Ou seja: certificar-se de que ele não está perdendo tempo. Destaca-se:
- O que mais dá suporte ao ensino deste texto?
- Que implicações práticas esse texto tem para nossos dias?
- Como esse texto pode ser explicado à luz das novas descobertas científicas? (Note a ordem)
- Você está disposto a morrer por essa verdade?
- Esse ensino é mais precioso do que o papel que o contém? (geralmente aqui é apropriado degradar o volume bíblico, rasgando-o, jogando-o no chão, sentando-se em cima dele, ou coisas semelhantes que separem bem o continente do conteúdo, o significante do significado).
Os educandos ficam fascinados com a erudição do professor que achou suporte para todas as afirmações do texto, mostrou sua utilidade em nossos dias, discorreu sobre as novidades das ciências e da graça comum, comprometeu-se com a verdade e aprenderam que aquela verdade é tão transcendental que ela pode ser veiculada de qualquer forma, através de qualquer mídia, mesmo que seja a mais abjeta.
O segundo grupo tem abordagem oposta. Não está tão preocupado em provar que aquele texto é a Palavra de Deus, pois sabem que as ovelhas de Deus identificam sua voz. Entretanto não descuida de verificar a autenticidade histórica e formal do texto. Afinal, o modo mais eficiente de lutar contra as verdades cristãs não é negá-las, mas torcê-las.
Geralmente após o texto bíblico ter sido lido, ou o tema teológico ter sido proposto, faz-se um "recenseamento" dele. Como ele foi recebido, como nossos antepassados, especialmente os mais próximos dele, o entenderam, e, principalmente, como ele se encaixa, no ensino daquele escritor (se ele escreveu outras coisas) e no "ensino geral" das Escrituras (o que tecnicamente é chamado de 'analogia da fé').
Não degrada o veículo através do qual o texto chegou até nós, entretanto não lho adora. Simplesmente o respeita como o receptáculo e veículo daquela verdade.
Todas as questões levantadas por um representante do primeiro grupo estão contidas e automaticamente respondidas no apreço que se tem àquele texto ou ensino.
Geralmente estes professores não são tão cativantes, pois, acostumados em uma "sociedade da informação fantástica", seus alunos não vêem muita graça no processo que acabaram de testemunhar. Entretanto, como a chuva que nutre a planta, a Palavra do Senhor os faz crescer.
Qual dos sistemas é o correto? Depende do objetivo. Se o educador tem quer formar discípulos de si mesmos não há dúvida que o primeiro é mais eficaz. Mas, se quiser formar pessoas que levem os próprios pensamentos cativos para obedecer a Cristo, discípulos do Autor da Palavra, sábios, no sentido bíblico, terá de optar pelo segundo, pois "o temor do Senhor é o princípio da sabedoria".
Em meus 16 anos como professor de seminário já recebi alunos que iniciaram seus estudos conforme o primeiro método. A poucos consegui transmitir o apreço e respeito devido à Palavra de Deus. O hábito da crítica e a barreira da desconfiança sempre foram obstáculos fortíssimos. Hoje a perspectiva fornecida pelos anos longe do Seminário me convenceu que o melhor é começar do zero. Se for possível.
sábado, 14 de abril de 2007
Os Inimigos da Cruz de Cristo
Será que alguém pode odiar a cruz de Cristo? Talvez ser-lhe indiferente. Mas, odiar? Infelizmente há quem a odeie, sim! Pior: nas Igrejas e muitas vezes são líderes delas.
Quando o Apóstolo Paulo escreveu à Igreja da cidade de Filipos disse claramente: “Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” Fp 3.18.
Àquela época, parece que o Apóstolo tinha em mente seus patrícios que insistiam em exigir que os novos cristãos passassem pelo judaísmo, pois ele diz “o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia”, aludindo às leis alimentícias e à circuncisão.
Ainda hoje podemos ver os “que ... exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças” (1Tm 4.3). Entretanto, hoje eles apresentam uma face mais moderna.
Aos coríntios, que muito valorizavam o saber, Paulo expôs o Evangelho não com “sabedoria de palavra”, mas com “a palavra da cruz” para não anular sua mensagem.
Aos gálatas, que estavam sendo assediados por esses judaizantes, deixa claro que a intenção deles, impondo obrigações, era desviar a atenção do “escândalo da cruz”, e ostentarem-se na carne e não serem discriminados. Mas, ele, Paulo, não se gloriava em nada além da cruz, pois nela o mundo havia sido crucificado para ele e ele para o mundo.
Aos efésios, preocupados em como entender as promessas igualmente feitas aos judeus e gentios, Paulo garante que a cruz nivelou tudo. A tal ponto de que nela judeus e gentios foram reconciliados “em um só corpo com Deus”.
Aos colossenses ensinou que tudo o que devíamos a Deus, e nos prejudicava, desde a mais simples ordenança, que nunca conseguimos cumprir, Jesus encravou, pregou, (do mesmo modo como ele foi pregado) na cruz, expondo ao desprezo, triunfando sobre os rudimentos que nos mantinham debaixo de jugo.
Você entendeu? Se alguém ensinar, como é ensinado hoje, que é necessário, reencarnar-se, purgar pecados, deixar de comer isso ou aquilo, pagar tanto, ou guardar qualquer tipo de obrigação, para que ser salvo, tal pessoa é inimiga da cruz de Cristo, pois está fazendo sombra sobre ela: a maior de todas as coisas. Também está dizendo que ela não é suficiente. Zomba da sabedoria de Deus e faz pouco caso do sofrimento de Jesus.
É claro que obedecemos as ordens que o Senhor nos deu: evitamos pecar, observamos os períodos que ele mesmo estabeleceu para nos fortalecermos comunitariamente junto dele, arcamos com as despesas decorrentes disso, etc. Porém o fazemos porque já estamos salvos.
Fomos pendurados com ele naquela cruz. Somos amigos dela. Preferimos estar nela a desfrutar os maiores e melhores prazeres que o mundo nos ofereça fora dela.
Se o Senhor, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não levando em conta o quanto isso era escandaloso para os judeus e “idiota” para os gentios, acaso podemos recusá-la? Somos melhores do que ele? Temos vergonha de sua cruz? Somos inimigos dela?
Finalmente, tenho visto que para fugir desta vergonha os “neo-evangélicos” escondem-se atrás da “celebração da ressurreição de Cristo”. Tudo a pretexto de festejar e parecer mais agradável ao mundo, copiando suas músicas, seus shows, suas modas, até os chavões com que se apresentam e apresentam seus sucessos. Trocam o púlpito, onde a cruz é anunciada pelo palco onde é escondida nos bastidores ou estilizada nos cenários.
Dia desses recebi um convite cuja frase final resumia seu conteúdo: “Jesus fez tudo. Agora só nos resta celebrar”.
Deixem-me dizer claramente: nem a ressurreição aconteceria sem a cruz. Jesus tinha de morrer numa cruz. Se o inimigo tivesse conseguido matá-lo quando tentou (Herodes, os da sinagoga de Cafarnaum, ou através de qualquer outro modo que não a cruz), sua morte teria sido vã.
Ele tinha de morrer condenado por um tribunal religioso, o Sinédrio (pois assim estava sendo condenado por Deus no aspecto formal da religião), por um tribunal civil, pois assim estava sendo condenado por nós, e finalmente deveria receber a maldição divina que recebia todo aquele que ficava “pendurado no madeiro”.
Certamente, só seremos amigos da cruz de Cristo, quando dissermos e vivermos “CRUX SOLA NOSTRA TEOLOGIA”.
Quando o Apóstolo Paulo escreveu à Igreja da cidade de Filipos disse claramente: “Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” Fp 3.18.
Àquela época, parece que o Apóstolo tinha em mente seus patrícios que insistiam em exigir que os novos cristãos passassem pelo judaísmo, pois ele diz “o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia”, aludindo às leis alimentícias e à circuncisão.
Ainda hoje podemos ver os “que ... exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças” (1Tm 4.3). Entretanto, hoje eles apresentam uma face mais moderna.
Aos coríntios, que muito valorizavam o saber, Paulo expôs o Evangelho não com “sabedoria de palavra”, mas com “a palavra da cruz” para não anular sua mensagem.
Aos gálatas, que estavam sendo assediados por esses judaizantes, deixa claro que a intenção deles, impondo obrigações, era desviar a atenção do “escândalo da cruz”, e ostentarem-se na carne e não serem discriminados. Mas, ele, Paulo, não se gloriava em nada além da cruz, pois nela o mundo havia sido crucificado para ele e ele para o mundo.
Aos efésios, preocupados em como entender as promessas igualmente feitas aos judeus e gentios, Paulo garante que a cruz nivelou tudo. A tal ponto de que nela judeus e gentios foram reconciliados “em um só corpo com Deus”.
Aos colossenses ensinou que tudo o que devíamos a Deus, e nos prejudicava, desde a mais simples ordenança, que nunca conseguimos cumprir, Jesus encravou, pregou, (do mesmo modo como ele foi pregado) na cruz, expondo ao desprezo, triunfando sobre os rudimentos que nos mantinham debaixo de jugo.
Você entendeu? Se alguém ensinar, como é ensinado hoje, que é necessário, reencarnar-se, purgar pecados, deixar de comer isso ou aquilo, pagar tanto, ou guardar qualquer tipo de obrigação, para que ser salvo, tal pessoa é inimiga da cruz de Cristo, pois está fazendo sombra sobre ela: a maior de todas as coisas. Também está dizendo que ela não é suficiente. Zomba da sabedoria de Deus e faz pouco caso do sofrimento de Jesus.
É claro que obedecemos as ordens que o Senhor nos deu: evitamos pecar, observamos os períodos que ele mesmo estabeleceu para nos fortalecermos comunitariamente junto dele, arcamos com as despesas decorrentes disso, etc. Porém o fazemos porque já estamos salvos.
Fomos pendurados com ele naquela cruz. Somos amigos dela. Preferimos estar nela a desfrutar os maiores e melhores prazeres que o mundo nos ofereça fora dela.
Se o Senhor, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não levando em conta o quanto isso era escandaloso para os judeus e “idiota” para os gentios, acaso podemos recusá-la? Somos melhores do que ele? Temos vergonha de sua cruz? Somos inimigos dela?
Finalmente, tenho visto que para fugir desta vergonha os “neo-evangélicos” escondem-se atrás da “celebração da ressurreição de Cristo”. Tudo a pretexto de festejar e parecer mais agradável ao mundo, copiando suas músicas, seus shows, suas modas, até os chavões com que se apresentam e apresentam seus sucessos. Trocam o púlpito, onde a cruz é anunciada pelo palco onde é escondida nos bastidores ou estilizada nos cenários.
Dia desses recebi um convite cuja frase final resumia seu conteúdo: “Jesus fez tudo. Agora só nos resta celebrar”.
Deixem-me dizer claramente: nem a ressurreição aconteceria sem a cruz. Jesus tinha de morrer numa cruz. Se o inimigo tivesse conseguido matá-lo quando tentou (Herodes, os da sinagoga de Cafarnaum, ou através de qualquer outro modo que não a cruz), sua morte teria sido vã.
Ele tinha de morrer condenado por um tribunal religioso, o Sinédrio (pois assim estava sendo condenado por Deus no aspecto formal da religião), por um tribunal civil, pois assim estava sendo condenado por nós, e finalmente deveria receber a maldição divina que recebia todo aquele que ficava “pendurado no madeiro”.
Certamente, só seremos amigos da cruz de Cristo, quando dissermos e vivermos “CRUX SOLA NOSTRA TEOLOGIA”.
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Os mais miseráveis de todos os homens
Quando o Apóstolo Paulo escreveu à Igreja de Corinto, ao falar sobre a ressurreição, coisa em que eles não criam, foi duro e disse: Se nossa esperança em Cristo limita-se apenas às coisas desta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. (tradução minha).
A Igreja de Corinto dizia-se cristã, como muitas hoje se dizem também. Possuía qualidades inegáveis, como algumas hoje também possuem. Tinha seus defeitos - como é próprio de qualquer ajuntamento humano - e, talvez, defeitos até mais graves do que os que são tolerados na Igrejas mais “modernas” de hoje: a presença de um incestuoso na comunidade.
Depois de exortações sobre cada um dos problemas, sua atenção volta-se para uma crença que, era uma verdadeira contradição de termos. Uma estupidez, e, pela única vez, nesta carta ele os chama de “insensatos”.
A palavra que ele usa é um pouco mais pesada do que nossas traduções deixam entender, pois também pode ser traduzida por “tolos ou ignorantes”. Seu sentido básico é “falta de capacidade de entender algo”. Não sei se poderíamos chegar ao vulgar “idiotas” ou “burros”, mas está muito perto disso.
Enquanto alguns dizem que Paulo perdeu a cabeça, ou a paciência, eu prefiro ver a mesma ira, expressa pelo Senhor Jesus quando expulsa os vendedores do templo a chicotadas.
Não era concebível que alguém que se identificava-se como “cristão” esperasse do Senhor apenas o que concerne a esta vida.
O raciocínio é tão simples que ignorá-lo prova a tal “falta de capacidade de entender algo”. Siga os passos do raciocínio:
1º Passo: Ser cristão, é o mesmo que dizer que Cristo ressuscitou, pois se ele morreu e continuou morto, o que foi que ele fez demais? O mundo não está cheio de mestres e mártires?
2º Passo: Se, como cristãos, diziam que Cristo ressuscitou, por que não acreditavam que ressuscitariam também? Afinal, ele ressuscitou pra que?
3º Passo: Se o destino do cristão é ressuscitar para estar junto de Cristo, por que a esperança deles estava limitada apenas às coisas desta vida?
Percebeu?
É uma contradição de termos dizer-se cristão e não esperar pela ressurreição.
O caso a seguir é verídico e exemplifica bem:
- Por que você veio à Igreja?
- Porque eu estava falindo e fiz um acordo com Jesus e hoje minha loja está crescendo como nunca.
- E a senhora?
- Eu estava doente e fui curada.
E assim seguiram-se muitas perguntas semelhantes no programa de rádio transmitido ao vivo.
Porém, uma senhora respondeu:
- vim para agradecer a Deus pela salvação em Cristo.
- Salvou de que? Perguntou o repórter.
- Salvou da morte eterna.
- Mas, não tem mais nada?
- Não.
- Não foi curada, o casamento não foi consertado? Insistiu.
- Não! Nunca fiquei doente e sou solteira.
- Então veio pedir um emprego?
- Também não. Meu pai me deixou uma herança boa e eu ajudo uma creche do meu bairro.
O repórter desconversou e procurou outra pessoa. Aquela não tinha nada fantástico para falar. Ela fora apenas salva. Ela tinha apenas a vida eterna.
Entendeu o que é limitar a esperança em Cristo apenas a essa vida?
Se ele quiser que sejamos sadios, prósperos ou que vivamos tranqüilos, ele certamente fará isto. Porém se não quiser já temos o mais importante: ressuscitaremos e estaremos para sempre com ele.
Não somos os mais miseráveis de todos os homens. Não temos de viver cada dia como se fosse o último dia de vida. Nossa vida não acabará nunca.
A Igreja de Corinto dizia-se cristã, como muitas hoje se dizem também. Possuía qualidades inegáveis, como algumas hoje também possuem. Tinha seus defeitos - como é próprio de qualquer ajuntamento humano - e, talvez, defeitos até mais graves do que os que são tolerados na Igrejas mais “modernas” de hoje: a presença de um incestuoso na comunidade.
Depois de exortações sobre cada um dos problemas, sua atenção volta-se para uma crença que, era uma verdadeira contradição de termos. Uma estupidez, e, pela única vez, nesta carta ele os chama de “insensatos”.
A palavra que ele usa é um pouco mais pesada do que nossas traduções deixam entender, pois também pode ser traduzida por “tolos ou ignorantes”. Seu sentido básico é “falta de capacidade de entender algo”. Não sei se poderíamos chegar ao vulgar “idiotas” ou “burros”, mas está muito perto disso.
Enquanto alguns dizem que Paulo perdeu a cabeça, ou a paciência, eu prefiro ver a mesma ira, expressa pelo Senhor Jesus quando expulsa os vendedores do templo a chicotadas.
Não era concebível que alguém que se identificava-se como “cristão” esperasse do Senhor apenas o que concerne a esta vida.
O raciocínio é tão simples que ignorá-lo prova a tal “falta de capacidade de entender algo”. Siga os passos do raciocínio:
1º Passo: Ser cristão, é o mesmo que dizer que Cristo ressuscitou, pois se ele morreu e continuou morto, o que foi que ele fez demais? O mundo não está cheio de mestres e mártires?
2º Passo: Se, como cristãos, diziam que Cristo ressuscitou, por que não acreditavam que ressuscitariam também? Afinal, ele ressuscitou pra que?
3º Passo: Se o destino do cristão é ressuscitar para estar junto de Cristo, por que a esperança deles estava limitada apenas às coisas desta vida?
Percebeu?
É uma contradição de termos dizer-se cristão e não esperar pela ressurreição.
O caso a seguir é verídico e exemplifica bem:
- Por que você veio à Igreja?
- Porque eu estava falindo e fiz um acordo com Jesus e hoje minha loja está crescendo como nunca.
- E a senhora?
- Eu estava doente e fui curada.
E assim seguiram-se muitas perguntas semelhantes no programa de rádio transmitido ao vivo.
Porém, uma senhora respondeu:
- vim para agradecer a Deus pela salvação em Cristo.
- Salvou de que? Perguntou o repórter.
- Salvou da morte eterna.
- Mas, não tem mais nada?
- Não.
- Não foi curada, o casamento não foi consertado? Insistiu.
- Não! Nunca fiquei doente e sou solteira.
- Então veio pedir um emprego?
- Também não. Meu pai me deixou uma herança boa e eu ajudo uma creche do meu bairro.
O repórter desconversou e procurou outra pessoa. Aquela não tinha nada fantástico para falar. Ela fora apenas salva. Ela tinha apenas a vida eterna.
Entendeu o que é limitar a esperança em Cristo apenas a essa vida?
Se ele quiser que sejamos sadios, prósperos ou que vivamos tranqüilos, ele certamente fará isto. Porém se não quiser já temos o mais importante: ressuscitaremos e estaremos para sempre com ele.
Não somos os mais miseráveis de todos os homens. Não temos de viver cada dia como se fosse o último dia de vida. Nossa vida não acabará nunca.
domingo, 1 de abril de 2007
As invasões de Jerusalém
Há 100 anos antes a Assíria tinha levado cativas as 11 tribos de Israel que formavam o Reino do Norte. Agora os Babilônios, que dominaram a Assíria, sitiavam Jerusalém. O cerco era total e já durava 1 ano e meio. Não fosse um aqueduto escavado na rocha já tinham capitulado.
A persistência venceu: fizeram uma brecha no muro e invadiram Jerusalém. Jeremias narrou que 7 príncipes da Babilônia entraram e sentaram-se à porta do meio.
Os homens de guerra e o Rei Zedequias fugiram à noite, mas foram alcançados. O Rei viu seus nobres serem mortos, em seguida seus filhos, e, para ficar como última imagem, furaram seus olhos e foi levado em algemas para a Babilônia.
Essa não foi a única vez que Jerusalém foi invadida. Mas, apresenta-nos um contraste notável com o que comemoramos hoje.
Diferentemente do cerco militar dos Babilônios, Jesus cercou Jerusalém de bondade. Curou, ensinou e pregou em todos os seus arredores e dentro dela. Testemunhou-lhes a vontade do Pai.
Revelou-lhes a verdadeira dimensão da lei. Criticou suas autoridades e limpou, por duas vezes, o templo em que havia de ser condenado, como condenados eram os cordeiros do sacrifício e concitou-lhes ao arrependimento.
Diferentemente dos Babilônios, não cobiçou suas riquezas, mas os encheu de oportunidades. Na verdade tornou a todos mais ricos e mais responsáveis por tesouros que sequer se deram conta de estar recebendo e muito menos entendiam a preciosidade deles: Ensinos profundos através de parábolas simples, discursos didáticos ou virulentos e milagres tão surpreendentes que um dos evangelistas registrou “hoje vimos paradoxos”.
Mas não entrou em Jerusalém pela força, muito menos em montaria de guerra. Não botou suas autoridades para fugir. Não matou seus nobres, nem cegou seu rei.
Que força poderia deter aquele que vem cumprir profecias que lhe diziam respeito? O que se pode esperar de alguém que elege um jumentinho para cavalgar até o lugar onde terríveis cavalos de guerra pisaram? Quem fugiria daquele cuja presença abalou e abalaria mais uma vez o céu e a terra? Quem seria tido por nobre diante daquele que, por possuir tudo, podia abrir mão do que quisesse desde o berço até a sepultura? Quem via nitidamente estas coisas? Já estavam cegos.
Cegos também estavam os que imaginavam que aquele homem montado em um jumentinho iria levá-los à vitória contra os invasores romanos.
A cegueira deles, entretanto foi alterada. Na sexta-feira, os que gritaram Hosana gritaram crucifica-o. Viram o próprio engano. Porém mais enganados ficaram. Mais cegos se tornaram. Sequer guardaram a imagem dos filhos sendo mortos. Gritaram: “caia seu sangue sobre nós e sobre nossos filhos”. Caiu.
Hoje, distanciados pelo tempo, vemos com clareza, mas não nos enganemos. A cegueira continua por perto.
Jesus não é nosso “chapa” e sim nosso Senhor. Chega a nós manso, mas exige nada menos que nosso coração. E aos seus pés há de se dobrar tudo o que existe.
É melhor fazermos isso hoje, para não sermos obrigados a fazer mais tarde.
Hoje, ouvindo sua voz, não endureçamos nosso coração.
A persistência venceu: fizeram uma brecha no muro e invadiram Jerusalém. Jeremias narrou que 7 príncipes da Babilônia entraram e sentaram-se à porta do meio.
Os homens de guerra e o Rei Zedequias fugiram à noite, mas foram alcançados. O Rei viu seus nobres serem mortos, em seguida seus filhos, e, para ficar como última imagem, furaram seus olhos e foi levado em algemas para a Babilônia.
Essa não foi a única vez que Jerusalém foi invadida. Mas, apresenta-nos um contraste notável com o que comemoramos hoje.
Diferentemente do cerco militar dos Babilônios, Jesus cercou Jerusalém de bondade. Curou, ensinou e pregou em todos os seus arredores e dentro dela. Testemunhou-lhes a vontade do Pai.
Revelou-lhes a verdadeira dimensão da lei. Criticou suas autoridades e limpou, por duas vezes, o templo em que havia de ser condenado, como condenados eram os cordeiros do sacrifício e concitou-lhes ao arrependimento.
Diferentemente dos Babilônios, não cobiçou suas riquezas, mas os encheu de oportunidades. Na verdade tornou a todos mais ricos e mais responsáveis por tesouros que sequer se deram conta de estar recebendo e muito menos entendiam a preciosidade deles: Ensinos profundos através de parábolas simples, discursos didáticos ou virulentos e milagres tão surpreendentes que um dos evangelistas registrou “hoje vimos paradoxos”.
Mas não entrou em Jerusalém pela força, muito menos em montaria de guerra. Não botou suas autoridades para fugir. Não matou seus nobres, nem cegou seu rei.
Que força poderia deter aquele que vem cumprir profecias que lhe diziam respeito? O que se pode esperar de alguém que elege um jumentinho para cavalgar até o lugar onde terríveis cavalos de guerra pisaram? Quem fugiria daquele cuja presença abalou e abalaria mais uma vez o céu e a terra? Quem seria tido por nobre diante daquele que, por possuir tudo, podia abrir mão do que quisesse desde o berço até a sepultura? Quem via nitidamente estas coisas? Já estavam cegos.
Cegos também estavam os que imaginavam que aquele homem montado em um jumentinho iria levá-los à vitória contra os invasores romanos.
A cegueira deles, entretanto foi alterada. Na sexta-feira, os que gritaram Hosana gritaram crucifica-o. Viram o próprio engano. Porém mais enganados ficaram. Mais cegos se tornaram. Sequer guardaram a imagem dos filhos sendo mortos. Gritaram: “caia seu sangue sobre nós e sobre nossos filhos”. Caiu.
Hoje, distanciados pelo tempo, vemos com clareza, mas não nos enganemos. A cegueira continua por perto.
Jesus não é nosso “chapa” e sim nosso Senhor. Chega a nós manso, mas exige nada menos que nosso coração. E aos seus pés há de se dobrar tudo o que existe.
É melhor fazermos isso hoje, para não sermos obrigados a fazer mais tarde.
Hoje, ouvindo sua voz, não endureçamos nosso coração.
segunda-feira, 26 de março de 2007
Veredas da justiça
O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.
Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma.
Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.
Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.
Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.
Excelentíssimos Senhores e Senhoras;
Conquanto nossa República seja leiga, tanto pela definição de seus diplomas legais, quanto pela sua total separação da Igreja, ou de quaisquer correntes religiosas, seus integrantes não o são. E, no administrar da “coisa-pública” fazem bem em buscar a fonte de todo o sistema de valores, que, não apenas moldou, como também expressa-se hoje no exercício da cidadania brasileira. Tal sistema tem origens remotas, mas bem definidas. Espero mostrar um pequeno vislumbre de tais origens.
Este texto bíblico, reminiscências de Davi, o segundo rei de Israel, mistura suas lembranças de como, quando adolescente, cuidava do rebanho de seu pai, com o que via Deus fazendo dia-a-dia em sua vida e com seu dever como rei para com seu povo: seu rebanho.
Este texto bíblico, reminiscências de Davi, o segundo rei de Israel, mistura suas lembranças de como, quando adolescente, cuidava do rebanho de seu pai, com o que via Deus fazendo dia-a-dia em sua vida e com seu dever como rei para com seu povo: seu rebanho.
Não é difícil entender a necessidade que uma ovelha tinha de ser conduzida por seu pastor à águas calmas ou a pastos verdes. Porém quando ele declara “refrigera-me a alma” não há dúvidas que ele não está mais referindo-se ao ovino, mas a si próprio e à seus súditos. Entretanto, o que nos interessa, em um momento como este, é a declaração “Guia-me pelas veredas da justiça”.
O conceito de justiça daquele tempo não era, em quase nenhum de seus muitos aspectos, idêntico ao de hoje.
Os julgamentos eram realizados pelos anciãos da comunidade às entradas das mesmas, e apenas os casos mais graves eram remetidos a um foro principal composto de 70 anciãos que representavam as 12 famílias originais.
A Justiça era essencialmente retributiva: a um dente correspondia outro, bem como a um olho ou a uma vida. Não possuíam cárceres e o cerceamento do direito de ir e vir, como penalidade, foi introduzido séculos depois destas palavras pelo império romano. Também, não possuíam carrascos: a própria comunidade exigia o cumprimento da pena e se fosse a morte era a própria comunidade que a aplicava pelo apedrejamento distribuindo a todos o dever de extirpar o mal e a responsabilidade pela aplicação do castigo. Obviamente, as chances de um erro capital eram proporcionais às condições sócio-culturais. E a reversão de tal erro era nula. Daí a justiça ser tão importante como a água, a comida e o refrigério da alma.
Por experiência própria este rei sabia o quanto a justiça é fugidia. E dentre as muitas palavras de que dispunha para apresentá-la, ele escolhe “veredas”.
Mais do que uma picada na selva fechada, menos do que um caminho, as veredas costumam desaparecer nos lajões de pedra, nos alagadiços e no areal dos desertos.
Não é assim?
Nós pais, que conhecemos a índole, e, muitas vezes, as intenções de nossos filhos, não ficamos em dúvida quando precisamos fazer juízo sobre seus atos? Nós, pastores do Rebanho do Senhor, também não ficamos em dúvida sobre determinadas atitudes das ovelhas que Deus colocou sob nosso cajado?
E os Senhores, excelentíssimos magistrados? Porventura nunca ficaram em dúvida sobre a correspondência entre os registros e fato real? Tais dúvidas decorrem da justiça andar por veredas. Ela relega as auto-estradas. Relega os caminhos planos e impõe-se como desafio aos mais hábeis em achá-la.
Qualquer pessoa pode desempenhar o nobre ofício que lhes pesa às costas? Não é necessário o treino extenuante dos estudos, a busca incessante das experiências alheias registradas na jurisprudência? Não é imprescindível a própria experiência?
Achar a “vereda da justiça” não é tarefa que se designe a qualquer um, por mais bem intencionado que seja. Achar a “vereda da justiça” torna-se menos árduo para aquele que é guiado por Deus, pois o principal interessado nela tem como uma de suas tarefas “guiar pelas veredas da justiça”.
Embora esta Procuradoria não seja uma sala de julgamentos, ela é assentada sobre os fundamentos da justiça. Fundamentos que transcendem a história e cultura de nossa República. Fundamentos que estão além da mais antiga legislação da mais antiga civilização. Fundamentos que retratam um dos atributos do “Juiz de toda terra”. Aquele mesmo que se preocupa em mostrar as “veredas da justiça” e conduzir por elas.
Embora esta Procuradoria não seja uma sala de julgamentos, ela é assentada sobre os fundamentos da justiça. Fundamentos que transcendem a história e cultura de nossa República. Fundamentos que estão além da mais antiga legislação da mais antiga civilização. Fundamentos que retratam um dos atributos do “Juiz de toda terra”. Aquele mesmo que se preocupa em mostrar as “veredas da justiça” e conduzir por elas.
Como cidadão brasileiro, desejo de todo coração e como ministro do Santo Evangelho, peço ao Juiz da Instância Eterna, que esta seja a função primeira e fim último desta casa.
(Sermão pregado em 26/3/2007, por ocasião da Solenidade de Inauguração da Sede da Procuradoria da República no Município de Governador Valadares)
quinta-feira, 15 de março de 2007
Conspiração e a Cruz do Senhor
Dando continuidade ao que já vimos no Boletim passado vejamos mais este aspecto.
Outro pecado cuja conseqüência direta foi a cruz de nosso Senhor foi “o conspirar”. Por falta de uma palavra melhor usarei essa com o seguinte sentido: ajuntamento para fazer o mal usando as prerrogativas do ofício que cada um exerce.
A ressurreição de Lázaro foi “a gota d’água” para os líderes religiosos judaicos, pois, mesmo após tão grande sinal, eles, reunidos, deixaram claro qual era, na verdade a maior preocupação que tinham: “Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera Jesus, creram nele. Outros, porém, foram ter com os fariseus e lhes contaram dos feitos que Jesus realizara. Então, os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram: Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? Se o deixarmos assim, todos crerão nele; depois, virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação”. (João 11:45-48).
A conspiração chegou ao mais alto nível. Saiu da “roda dos descontentes” e chegou ao Sinédrio.
O Sinédrio era a corte suprema dos judeus. Era o remanescente daqueles 70 homens que foram nomeados por Moisés, ainda no deserto, para ajudá-lo a julgar casos menores. Porém, nos dias de Jesus, eles tinham a última palavra nos casos mais difíceis. Eram a corte suprema de Israel.
Reuniam-se nas dependências do templo e estavam sujeitos a ritos processuais bem claros. Por exemplo: Não podiam fazer julgamentos noturnos. Não podiam sentenciar no mesmo dia do julgamento (só depois de uma noite de “consulta ao travesseiro”). Não podiam condenar alguém com base em sua própria confissão, mas apenas em vista do depoimento de, pelo menos, duas testemunhas.
Todos esses preceitos, e mais alguns, que não vêm ao caso, extraídos do Velho Testamento, foram desprezados no julgamento de Jesus.
Ele foi preso pela guarda do templo na quinta-feira à noite e, imediatamente após ser torturado, teve início seu julgamento. E ainda na mesma noite foi dada a sentença, que teve por base a sua própria confissão de “ser o Filho de Deus”, extraída sob conjuro pelo Deus Vivo feito pelo Sumo Sacerdote: a maior autoridade à qual um judeu estava sujeito.
Outro dispositivo processual interessante determinava que a condenação à morte mediante o voto de metade mais dois juízes. Parece que o silêncio indicou unanimidade da corte embora fizessem parte dela José de Arimatéia e Nicodemos.
Na realidade não houve um julgamento. A conspiração, e os interesses escusos, contribuíram para esse simulacro. Tanto é que para manter as aparências reuniram-se bem cedo de manhã para formalizar o que já havia sido decidido à noite, e o entregaram a Pilatos já julgado e apenado.
Quando Pilatos constatou que, à luz da justiça comum, havia uma disparidade muito grande entre a falta e a pena, trataram de acusá-lo de outro crime, que aos olhos romanos era mais grave: rebelar-se contra César.
A conspiração permeia todas as instituições humanas em maior ou em menor grau, pois ela é o sintoma de um coração mais propenso à maldade do que ao reto juízo. Ela está presente até mesmo na vida familiar e mostra, sem nuances, como o coração do homem está distorcido.
Via de regra a conspiração tem início com a murmuração, tão condenada nas Escrituras e tão detestada por Deus.
Tanto a murmuração, quanto a conspiração crescem no anonimato e são excelentes ambientes para o cultivo da mentira e da covardia.
Fujamos dela lembrando as palavra do Mestre: “que a tua palavra sim signifique sim, e a tua palavra não signifique não”
Outro pecado cuja conseqüência direta foi a cruz de nosso Senhor foi “o conspirar”. Por falta de uma palavra melhor usarei essa com o seguinte sentido: ajuntamento para fazer o mal usando as prerrogativas do ofício que cada um exerce.
A ressurreição de Lázaro foi “a gota d’água” para os líderes religiosos judaicos, pois, mesmo após tão grande sinal, eles, reunidos, deixaram claro qual era, na verdade a maior preocupação que tinham: “Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera Jesus, creram nele. Outros, porém, foram ter com os fariseus e lhes contaram dos feitos que Jesus realizara. Então, os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram: Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? Se o deixarmos assim, todos crerão nele; depois, virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação”. (João 11:45-48).
A conspiração chegou ao mais alto nível. Saiu da “roda dos descontentes” e chegou ao Sinédrio.
O Sinédrio era a corte suprema dos judeus. Era o remanescente daqueles 70 homens que foram nomeados por Moisés, ainda no deserto, para ajudá-lo a julgar casos menores. Porém, nos dias de Jesus, eles tinham a última palavra nos casos mais difíceis. Eram a corte suprema de Israel.
Reuniam-se nas dependências do templo e estavam sujeitos a ritos processuais bem claros. Por exemplo: Não podiam fazer julgamentos noturnos. Não podiam sentenciar no mesmo dia do julgamento (só depois de uma noite de “consulta ao travesseiro”). Não podiam condenar alguém com base em sua própria confissão, mas apenas em vista do depoimento de, pelo menos, duas testemunhas.
Todos esses preceitos, e mais alguns, que não vêm ao caso, extraídos do Velho Testamento, foram desprezados no julgamento de Jesus.
Ele foi preso pela guarda do templo na quinta-feira à noite e, imediatamente após ser torturado, teve início seu julgamento. E ainda na mesma noite foi dada a sentença, que teve por base a sua própria confissão de “ser o Filho de Deus”, extraída sob conjuro pelo Deus Vivo feito pelo Sumo Sacerdote: a maior autoridade à qual um judeu estava sujeito.
Outro dispositivo processual interessante determinava que a condenação à morte mediante o voto de metade mais dois juízes. Parece que o silêncio indicou unanimidade da corte embora fizessem parte dela José de Arimatéia e Nicodemos.
Na realidade não houve um julgamento. A conspiração, e os interesses escusos, contribuíram para esse simulacro. Tanto é que para manter as aparências reuniram-se bem cedo de manhã para formalizar o que já havia sido decidido à noite, e o entregaram a Pilatos já julgado e apenado.
Quando Pilatos constatou que, à luz da justiça comum, havia uma disparidade muito grande entre a falta e a pena, trataram de acusá-lo de outro crime, que aos olhos romanos era mais grave: rebelar-se contra César.
A conspiração permeia todas as instituições humanas em maior ou em menor grau, pois ela é o sintoma de um coração mais propenso à maldade do que ao reto juízo. Ela está presente até mesmo na vida familiar e mostra, sem nuances, como o coração do homem está distorcido.
Via de regra a conspiração tem início com a murmuração, tão condenada nas Escrituras e tão detestada por Deus.
Tanto a murmuração, quanto a conspiração crescem no anonimato e são excelentes ambientes para o cultivo da mentira e da covardia.
Fujamos dela lembrando as palavra do Mestre: “que a tua palavra sim signifique sim, e a tua palavra não signifique não”
sábado, 10 de março de 2007
A inveja e cruz do Senhor
... por inveja, o tinham entregado.
Segundo as Escrituras a morte de Jesus teve diversas causas: “Jesus, o Nazareno, ... entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2.22-23).
Primeiramente ele foi morto pela vontade de Deus. Porém, de forma misteriosa, houve a concorrência humana. E tal aconteceu sob diversos aspectos. Os principais foram: inveja, conspiração e traição.
É muito difícil dissociá-los, mas, analisando os autores principais de cada um desses pecados, podemos vê-los com um pouco mais de nitidez.
O terceiro ano do ministério terreno do Senhor foi muito penoso. Os estudiosos geralmente o chamam de “o ano da oposição”. O povo já não estava tão feliz com ele. Seus milagres, cada vez mais, exigiam uma postura do beneficiário e sua repetidas recusas de liderar um levante contra os romanos, desiludiram a muitos.
Há diversos invejosos que contribuíram para a morte do Senhor. Por exemplo, Judas.
Quando Maria ungiu os pés do Senhor na casa de Lázaro, Judas reclamou do desperdício de um perfume tão caro que poderia ser melhor empregado no auxílio aos pobres. João nos informa: “Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava”. Jesus o repreendeu e Marcos diz que logo após ele “foi ter com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus.”
Porém a inveja é vista mais claramente nos principais sacerdotes e nos anciãos e atestado por Pilatos. Veja:
“E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu ... Ora, por ocasião da festa, costumava o governador soltar ao povo um dos presos, conforme eles quisessem. Naquela ocasião, tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás. Estando, pois, o povo reunido, perguntou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo? Porque sabia que, por inveja, o tinham entregado.”(Mt 27.12,15-18).
A inveja, desde a antiguidade, foi classificada por muitos sábios como o “vício burro”, pois dele nada se tira: “Nem mesmo o prazer pecaminoso” diziam. Nosso Senhor e Mestre nos ensinou que a inveja procede do coração e contamina o homem. Do mesmo modo que um judeu de então tornava-se religiosamente impuro se comesse com as mãos por lavar, hoje “estaremos religiosamente impuros” se, em lugar do Espírito Santo, a inveja for a “força motriz” de nossos corações.
Característica notável dos homens dos últimos dias, a inveja é uma das expressões da ira de Deus que está sendo derramada sobre a humanidade idólatra. Veja o primeiro capítulo da Carta de Paulo aos Romanos.
A ação da inveja é tão impressionante que leva o invejoso até mesmo a proclamar o Evangelho. Não o relatou Paulo aos Filipenses? E Tiago, o irmão do Senhor, sentenciou: “onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3:16).
A inveja contamina e corrompe, sem qualquer comparação, as relações humanas. Por inveja, difama-se, rouba-se e mata-se. Inclusive o Filho de Deus.
Como pastor, eu já vi a inveja destruir amizades, famílias e até dividir Igrejas. Conheço Igrejas cujo início se deu sobre sentimentos invejosos.
Considerando o quão nefasto é este pecado, e vendo que foi, e será o responsável direto pelas piores atrocidades do homem, é nosso dever nos empenhar cada vez mais para que ele não mova nem domine nossos atos.
Que Deus nos ajude.
Segundo as Escrituras a morte de Jesus teve diversas causas: “Jesus, o Nazareno, ... entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2.22-23).
Primeiramente ele foi morto pela vontade de Deus. Porém, de forma misteriosa, houve a concorrência humana. E tal aconteceu sob diversos aspectos. Os principais foram: inveja, conspiração e traição.
É muito difícil dissociá-los, mas, analisando os autores principais de cada um desses pecados, podemos vê-los com um pouco mais de nitidez.
O terceiro ano do ministério terreno do Senhor foi muito penoso. Os estudiosos geralmente o chamam de “o ano da oposição”. O povo já não estava tão feliz com ele. Seus milagres, cada vez mais, exigiam uma postura do beneficiário e sua repetidas recusas de liderar um levante contra os romanos, desiludiram a muitos.
Há diversos invejosos que contribuíram para a morte do Senhor. Por exemplo, Judas.
Quando Maria ungiu os pés do Senhor na casa de Lázaro, Judas reclamou do desperdício de um perfume tão caro que poderia ser melhor empregado no auxílio aos pobres. João nos informa: “Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava”. Jesus o repreendeu e Marcos diz que logo após ele “foi ter com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus.”
Porém a inveja é vista mais claramente nos principais sacerdotes e nos anciãos e atestado por Pilatos. Veja:
“E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu ... Ora, por ocasião da festa, costumava o governador soltar ao povo um dos presos, conforme eles quisessem. Naquela ocasião, tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás. Estando, pois, o povo reunido, perguntou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo? Porque sabia que, por inveja, o tinham entregado.”(Mt 27.12,15-18).
A inveja, desde a antiguidade, foi classificada por muitos sábios como o “vício burro”, pois dele nada se tira: “Nem mesmo o prazer pecaminoso” diziam. Nosso Senhor e Mestre nos ensinou que a inveja procede do coração e contamina o homem. Do mesmo modo que um judeu de então tornava-se religiosamente impuro se comesse com as mãos por lavar, hoje “estaremos religiosamente impuros” se, em lugar do Espírito Santo, a inveja for a “força motriz” de nossos corações.
Característica notável dos homens dos últimos dias, a inveja é uma das expressões da ira de Deus que está sendo derramada sobre a humanidade idólatra. Veja o primeiro capítulo da Carta de Paulo aos Romanos.
A ação da inveja é tão impressionante que leva o invejoso até mesmo a proclamar o Evangelho. Não o relatou Paulo aos Filipenses? E Tiago, o irmão do Senhor, sentenciou: “onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3:16).
A inveja contamina e corrompe, sem qualquer comparação, as relações humanas. Por inveja, difama-se, rouba-se e mata-se. Inclusive o Filho de Deus.
Como pastor, eu já vi a inveja destruir amizades, famílias e até dividir Igrejas. Conheço Igrejas cujo início se deu sobre sentimentos invejosos.
Considerando o quão nefasto é este pecado, e vendo que foi, e será o responsável direto pelas piores atrocidades do homem, é nosso dever nos empenhar cada vez mais para que ele não mova nem domine nossos atos.
Que Deus nos ajude.
sábado, 3 de março de 2007
"Comércio de nós"
Anunciaram ter achado um caixão com os ossos de Jesus.
Pronto! Não se falou de outra coisa durante dois dias: entrevistaram arqueólogos, estudiosos, religiosos ...
Basta aproximar-se o Natal ou a Páscoa que tudo se repete. Você se lembra em que época divulgaram o evangelho de Judas? Já reparou nos assuntos que a imprensa veicula nessas ocasiões?
É sempre a mesma coisa: estamos a menos de 40 dias da semana-santa, por que este ano seria diferente?
Este é outro aspecto das Escrituras Sagradas: “movidos por avareza, farão comércio de vós” (2Pe 2.3).
Comércio mesmo! Eu ficaria surpreso se não aproveitassem essas datas.
Não me surpreenderia se aparecesse algum “Diário de Caifás” contando os bastidores do julgamento de Jesus. Que editor não o publicaria?
Imagine o estardalhaço se aparecesse um texto de uma mulher, ou de uma criança, nascida na casa vizinha a de Jesus?
Alguns de nós, de tão acostumados, já nem percebem: Quantos livros foram escritos propondo uma revisão na história?
Quantas Bíblias foram editadas propondo uma nova abordagem dos acontecimentos? Já vi nas livrarias Bíblia de Promessas (como se a maior parte do texto canônico não fosse de advertências), da Criança, da Mulher, do Executivo ... Mas a “Bíblia do Mendigo” dificilmente será editada. Quem vai comprá-la?
Também não me surpreenderia com um DVD - agora mais acessível - da mesma cantata, que já foi gravada em vinil, em CD, em VHS, e dada como brinde a quem assinou uma revista de fofoca.
Nem me assustaria se os novos evangélicos, que foram destaque no último carnaval, apresentando algum show, ou coisa semelhante, com a promessa de que seu filho curtirá melhor a “mais fantástica história cristã”.
Essa é a natureza do comércio: adaptar-se a qualquer situação para tirar lucro dela.
O Natal foi e a Páscoa receberam já símbolos e praxes que apelam diretamente ao consumo: o Papai Noel, o Ovo e outros tantos. Precisam de novos a fim de que novos ramos comerciais participem, ou, no mínimo, chamar a atenção para a data. Isso é função da imprensa, que acaba comercializando também assuntos tão pertinentes quanto um ovo de coelho feito de chocolate é para a páscoa.
Chega!
Nunca respeitaram e não será agora que respeitarão o Senhor Jesus.
A última semana do Senhor, para nós, transcende a todas essas sandices. Ela representa de modo condensado toda extensão de seu ministério. Fala de desilusão, perseverança e vitória.
Desilusão dos coitados, arraigados neste mundo, interessados em milagres, ou em um pedaço de pão.
Desilusão de israelitas sinceros que aguardavam a restauração do Reino de Davi, sem sequer imaginar uma restauração espiritual.
Desilusão semelhante a que houve no monte da transfiguração, quando, de tão maravilhoso, se desejava ficar acampado ali, sem pensar nas trevas ameaçadoras lá de baixo.
Fala-nos também de perseverança em realizar a vontade de Deus apesar de amigos e de inimigos, de circunstâncias favoráveis ou da adversidades. Apesar de uma cruz.
Mas a semana termina em vitória. Não em uma cruz, e sim em um túmulo. Vazio.
E esta semana nos mostra tanto a justiça como o amor de Deus , pois justiça e amor levaram Jesus à cruz mas não o retiveram no túmulo, “Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Eu porei nele a minha confiança. E ainda: Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu”. (Hb 2.10-13)
Esqueçamos os “atrativos” que o comércio nos propõe e mantenhamos firmes nossa fé. Ela não pode ser comercializada: é impagável.
Pronto! Não se falou de outra coisa durante dois dias: entrevistaram arqueólogos, estudiosos, religiosos ...
Basta aproximar-se o Natal ou a Páscoa que tudo se repete. Você se lembra em que época divulgaram o evangelho de Judas? Já reparou nos assuntos que a imprensa veicula nessas ocasiões?
É sempre a mesma coisa: estamos a menos de 40 dias da semana-santa, por que este ano seria diferente?
Este é outro aspecto das Escrituras Sagradas: “movidos por avareza, farão comércio de vós” (2Pe 2.3).
Comércio mesmo! Eu ficaria surpreso se não aproveitassem essas datas.
Não me surpreenderia se aparecesse algum “Diário de Caifás” contando os bastidores do julgamento de Jesus. Que editor não o publicaria?
Imagine o estardalhaço se aparecesse um texto de uma mulher, ou de uma criança, nascida na casa vizinha a de Jesus?
Alguns de nós, de tão acostumados, já nem percebem: Quantos livros foram escritos propondo uma revisão na história?
Quantas Bíblias foram editadas propondo uma nova abordagem dos acontecimentos? Já vi nas livrarias Bíblia de Promessas (como se a maior parte do texto canônico não fosse de advertências), da Criança, da Mulher, do Executivo ... Mas a “Bíblia do Mendigo” dificilmente será editada. Quem vai comprá-la?
Também não me surpreenderia com um DVD - agora mais acessível - da mesma cantata, que já foi gravada em vinil, em CD, em VHS, e dada como brinde a quem assinou uma revista de fofoca.
Nem me assustaria se os novos evangélicos, que foram destaque no último carnaval, apresentando algum show, ou coisa semelhante, com a promessa de que seu filho curtirá melhor a “mais fantástica história cristã”.
Essa é a natureza do comércio: adaptar-se a qualquer situação para tirar lucro dela.
O Natal foi e a Páscoa receberam já símbolos e praxes que apelam diretamente ao consumo: o Papai Noel, o Ovo e outros tantos. Precisam de novos a fim de que novos ramos comerciais participem, ou, no mínimo, chamar a atenção para a data. Isso é função da imprensa, que acaba comercializando também assuntos tão pertinentes quanto um ovo de coelho feito de chocolate é para a páscoa.
Chega!
Nunca respeitaram e não será agora que respeitarão o Senhor Jesus.
A última semana do Senhor, para nós, transcende a todas essas sandices. Ela representa de modo condensado toda extensão de seu ministério. Fala de desilusão, perseverança e vitória.
Desilusão dos coitados, arraigados neste mundo, interessados em milagres, ou em um pedaço de pão.
Desilusão de israelitas sinceros que aguardavam a restauração do Reino de Davi, sem sequer imaginar uma restauração espiritual.
Desilusão semelhante a que houve no monte da transfiguração, quando, de tão maravilhoso, se desejava ficar acampado ali, sem pensar nas trevas ameaçadoras lá de baixo.
Fala-nos também de perseverança em realizar a vontade de Deus apesar de amigos e de inimigos, de circunstâncias favoráveis ou da adversidades. Apesar de uma cruz.
Mas a semana termina em vitória. Não em uma cruz, e sim em um túmulo. Vazio.
E esta semana nos mostra tanto a justiça como o amor de Deus , pois justiça e amor levaram Jesus à cruz mas não o retiveram no túmulo, “Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Eu porei nele a minha confiança. E ainda: Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu”. (Hb 2.10-13)
Esqueçamos os “atrativos” que o comércio nos propõe e mantenhamos firmes nossa fé. Ela não pode ser comercializada: é impagável.
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Duas Comissões
Voltamos do acampamento de carnaval com ânimo novo. Lá nos divertimos e descansamos, mas também pensamos sobre a Palavra de Deus e sobre nossas responsabilidades.
Seria difícil dizer o que falou mais ao meu coração, porém, de tão oportuna, vale a pena registrar, para os irmãos que não puderam ir, uma das palestras feita pelo Rev. Carlos del Pino, baseada no texto da grande comissão conforme foi registrado por Mateus.
Ele chamou nossa atenção para a posição em que o relato do suborno da guarda do túmulo de Jesus está colocado.
Abra sua Bíblia e veja: é o último capítulo. Nos 10 primeiros versículos Mateus conta como se deu a ressurreição de Jesus. Na última porção do capítulo Mateus narra o encontro de Jesus com os 11, e o que conhecemos como a “Grande Comissão”.
Porém, entre a ressurreição do Senhor e sua Comissão, os guardas, sem que ninguém os mande, vão avisar as autoridades judaicas que ele ressuscitara.
Esses dois anúncios da ressurreição do Senhor podem ser contrastados sob diversas formas:
1. O Anúncio da ressurreição do Senhor pelos guardas corresponde em um primeiro aspecto ao mesmo anúncio feito pelas mulheres, mas em um segundo aspecto corresponde também à mensagem central da Igreja de então: “...davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus”.
2. Ninguém ordenou que os guardas anunciassem a ressurreição do Senhor. A Igreja, porém, recebeu tal ordem, e depois da diligência inicial, foi preciso sofrer perseguição para sair mundo afora.
3. Era de se esperar que os guardas fossem anunciar a seus oficiais superiores, não às principais autoridades religiosas judaicas. Mas, isso seria uma confissão de dever não cumprido - cuja penalidade era a morte - e avisando aos mais interessados na derrota do Mestre, eles além de fazerem uma ameaça velada de tornar pública sua vitória sobre a morte, vislumbravam alguma recompensa para ficarem calados.
Duas formas de se anunciar a mesma verdade. Uma em obediência ao Senhor. Outra por “sórdida ganância”. Uma sofrendo pela verdade. Outra, esperando, firmemente a menor desculpa, para contar uma mentira.
Francamente, tenho visto com grande regularidade a “grande comissão do guardas”, mas peço a Deus, de todo coração que ele não nos deixe quietos. Pelo contrário, apesar de tantos falsos divulgadores do Evangelho, não deixemos de cumprir a verdadeira Grande Comissão do Senhor.
Seria difícil dizer o que falou mais ao meu coração, porém, de tão oportuna, vale a pena registrar, para os irmãos que não puderam ir, uma das palestras feita pelo Rev. Carlos del Pino, baseada no texto da grande comissão conforme foi registrado por Mateus.
Ele chamou nossa atenção para a posição em que o relato do suborno da guarda do túmulo de Jesus está colocado.
Abra sua Bíblia e veja: é o último capítulo. Nos 10 primeiros versículos Mateus conta como se deu a ressurreição de Jesus. Na última porção do capítulo Mateus narra o encontro de Jesus com os 11, e o que conhecemos como a “Grande Comissão”.
Porém, entre a ressurreição do Senhor e sua Comissão, os guardas, sem que ninguém os mande, vão avisar as autoridades judaicas que ele ressuscitara.
Esses dois anúncios da ressurreição do Senhor podem ser contrastados sob diversas formas:
1. O Anúncio da ressurreição do Senhor pelos guardas corresponde em um primeiro aspecto ao mesmo anúncio feito pelas mulheres, mas em um segundo aspecto corresponde também à mensagem central da Igreja de então: “...davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus”.
2. Ninguém ordenou que os guardas anunciassem a ressurreição do Senhor. A Igreja, porém, recebeu tal ordem, e depois da diligência inicial, foi preciso sofrer perseguição para sair mundo afora.
3. Era de se esperar que os guardas fossem anunciar a seus oficiais superiores, não às principais autoridades religiosas judaicas. Mas, isso seria uma confissão de dever não cumprido - cuja penalidade era a morte - e avisando aos mais interessados na derrota do Mestre, eles além de fazerem uma ameaça velada de tornar pública sua vitória sobre a morte, vislumbravam alguma recompensa para ficarem calados.
Duas formas de se anunciar a mesma verdade. Uma em obediência ao Senhor. Outra por “sórdida ganância”. Uma sofrendo pela verdade. Outra, esperando, firmemente a menor desculpa, para contar uma mentira.
Francamente, tenho visto com grande regularidade a “grande comissão do guardas”, mas peço a Deus, de todo coração que ele não nos deixe quietos. Pelo contrário, apesar de tantos falsos divulgadores do Evangelho, não deixemos de cumprir a verdadeira Grande Comissão do Senhor.
domingo, 18 de fevereiro de 2007
Inversão de valores
A morte do garoto João Hélio trouxe a tona medo, revolta, idéias sobre penalidades mais severas, mas não uma discussão sobre o papel do Estado como “Agente Vingador de Deus”.
Hoje o Estado é o que “O Legislador” determinou. Entretanto, “O Legislador” representa quem o elegeu e carrega em si seus valores ao ponto de vermos nas casas legislativas, em escala menor, tanto as mazelas como as qualidades de seus eleitores.
Temos de considerar também que “O legislador” não é um só, e sim a mistura de um número enorme de interesses, desde os mais nobres aos mais escusos, desde os mais sensatos aos mais casuísticos.
Portanto, o que ele produz reflete tanto o que ele é quanto o que seus eleitores são. E na luta para agradar “gregos e goianos”, nada mais normal do que buscar uma legislação mais neutra possível, mais isenta de valores religiosos que se consiga, pois nem todos os eleitores são religiosos e, além do mais, é melhor não ferir religião qualquer.
O problema é que todos os nossos conceitos, mesmo os que pareçam menos religiosos, são frutos de uma sociedade formada dentro de valores religiosos cristãos. E, um dos valores do cristianismo, por exemplo, é a “não vingança”.
Hoje dizemos que esta é uma das marcas de uma sociedade avançada, onde reina a justiça. Porém, é um valor cristão.
Mas infelizmente paramos aí - não vos vingueis - enquanto a instrução total é: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19).
Ou seja: Deus reivindica para si a administração da vingança. Mas, paradoxalmente, a delega ao Estado: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal”. (Rm 13.1-4).
Esse texto foi escrito quando Nero estava no poder, que conquistou através dos meios mais escusos que se possa imaginar. Porém ele “vinha de Deus”, “foi ordenado por Deus”, “era ministro de Deus” e não trazia a espada por enfeite.
Esta instrução do Novo Testamento é rejeitada porque Nero matou muitos cristãos, que fizeram o bem e não “tiveram louvor dele”. Mas isso não anula o princípio. Como governante mau ele prestou contas a Deus e seus próprios erros serão vingados por Deus em atendimento as orações dos mártires que clamam por vingança, mesmo acolhidos debaixo do trono divino (Veja Ap 6.10).
A aplicação da justiça, pura e simples – para um olho, um olho; para um dente, um dente; e para uma vida, uma vida – não é sinal de barbárie, mas de obediência a Deus. O Estado não pode eximir-se deste papel, pois é sua obrigação.
Hoje, como cidadãos modernos, não falamos mais em vingança, mesmo que Deus tenha estabelecido um vingador. E, refletindo nossa vontade “O legislador” isentou o Estado dessa obrigação: a quem Deus determinou a missão de vingador transformamos em educador.
Resultado: 1) o crime fica impune, 3) a ressocialização não ocorre, e 3) a família, que recebeu a missão de educar, as vezes, age como vingador.
Tenho consciência de que esse assunto é muito mais complexo. Porém, do mesmo modo que Deus proíbe que nos vinguemos, e nos obriga a preparar nossos filhos para viver em sociedade, proíbe ao Estado deixar impune o criminoso.
Essa morte tão bárbara nos alerta a educar melhor nossos filhos e ao Estado a não abrir mão de sua obrigação.
Hoje o Estado é o que “O Legislador” determinou. Entretanto, “O Legislador” representa quem o elegeu e carrega em si seus valores ao ponto de vermos nas casas legislativas, em escala menor, tanto as mazelas como as qualidades de seus eleitores.
Temos de considerar também que “O legislador” não é um só, e sim a mistura de um número enorme de interesses, desde os mais nobres aos mais escusos, desde os mais sensatos aos mais casuísticos.
Portanto, o que ele produz reflete tanto o que ele é quanto o que seus eleitores são. E na luta para agradar “gregos e goianos”, nada mais normal do que buscar uma legislação mais neutra possível, mais isenta de valores religiosos que se consiga, pois nem todos os eleitores são religiosos e, além do mais, é melhor não ferir religião qualquer.
O problema é que todos os nossos conceitos, mesmo os que pareçam menos religiosos, são frutos de uma sociedade formada dentro de valores religiosos cristãos. E, um dos valores do cristianismo, por exemplo, é a “não vingança”.
Hoje dizemos que esta é uma das marcas de uma sociedade avançada, onde reina a justiça. Porém, é um valor cristão.
Mas infelizmente paramos aí - não vos vingueis - enquanto a instrução total é: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19).
Ou seja: Deus reivindica para si a administração da vingança. Mas, paradoxalmente, a delega ao Estado: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal”. (Rm 13.1-4).
Esse texto foi escrito quando Nero estava no poder, que conquistou através dos meios mais escusos que se possa imaginar. Porém ele “vinha de Deus”, “foi ordenado por Deus”, “era ministro de Deus” e não trazia a espada por enfeite.
Esta instrução do Novo Testamento é rejeitada porque Nero matou muitos cristãos, que fizeram o bem e não “tiveram louvor dele”. Mas isso não anula o princípio. Como governante mau ele prestou contas a Deus e seus próprios erros serão vingados por Deus em atendimento as orações dos mártires que clamam por vingança, mesmo acolhidos debaixo do trono divino (Veja Ap 6.10).
A aplicação da justiça, pura e simples – para um olho, um olho; para um dente, um dente; e para uma vida, uma vida – não é sinal de barbárie, mas de obediência a Deus. O Estado não pode eximir-se deste papel, pois é sua obrigação.
Hoje, como cidadãos modernos, não falamos mais em vingança, mesmo que Deus tenha estabelecido um vingador. E, refletindo nossa vontade “O legislador” isentou o Estado dessa obrigação: a quem Deus determinou a missão de vingador transformamos em educador.
Resultado: 1) o crime fica impune, 3) a ressocialização não ocorre, e 3) a família, que recebeu a missão de educar, as vezes, age como vingador.
Tenho consciência de que esse assunto é muito mais complexo. Porém, do mesmo modo que Deus proíbe que nos vinguemos, e nos obriga a preparar nossos filhos para viver em sociedade, proíbe ao Estado deixar impune o criminoso.
Essa morte tão bárbara nos alerta a educar melhor nossos filhos e ao Estado a não abrir mão de sua obrigação.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
A que compararei o Reino de Deus?
No segundo ano de seu ministério o Senhor, ensinando através de parábolas, pergunta: “A que compararei o Reino dos Céus? A que é semelhante?”
Não é uma pergunta retórica – daquelas que se faz quando se quer ouvir uma determinada resposta – e sim a dificuldade de expor realidades espirituais para quem nasceu e continua em pecado, em rebelião contra Deus.
Como haveriam de entender se os olhos estavam cegos, os ouvidos surdos e o coração endurecido? Era preciso recobrar-lhes a vista, restaurar-lhes a audição e falar-lhes ao coração. E a voz que disse “haja luz” e houve luz, passa a apresentar o que ele mesmo chamou de “mistérios do Reino”: seu Espírito Santo levará a mensagem dos ouvidos ao coração de cada ovelha de seu Rebanho: aquelas que ouvem sua voz e o seguem.
Um dos mistérios do Reino é ter aparência fraca como a semente ou como o fermento. A semente de mostarda. A menor de todas. Porém, forte bastante para brotar sozinha, sem que o semeador saiba como. Forte também para se tornar a maior de todas as hortaliças e suportar aves em seus galhos. Explicando, ele diz que a semente é a Palavra de Deus.
O fermento sempre em pitadas, no entanto leveda a tudo com que entra em contato.
Outro mistério é ser altamente desejável para os que o conhecem. Como um tesouro escondido no campo, ou como uma pérola de grande preço.
Outro mistério ainda é ser como uma rede de pesca, que a tudo pega, porém, assim como a semente, jogada nos quatro tipos de campo, só vingou em dois e só frutificou em um, assim também apenas alguns peixes são selecionados.
Aproximando-se da morte e sendo cada vez mais questionado, as parábolas, através das quais o Senhor falava do Reino dos Céus, ganham cores mais fortes. Passam a falar de perdão e recompensas no Reino.
Em uma o Reino dos Céus é comparado a um rei que resolveu ajustar as contas com seus servos. Como não podiam pagar perdoou-lhes as dívidas. Mas em seguida toma vingança do que lhe devia mais e que se recusava a perdoar uma pequena dívida de um conservo.
Noutra, compara o Reino dos Céus a um “dono de casa” que sai de madrugada, na metade da manhã, ao meio dia, na metade da tarde e ao entardecer, e contrata trabalhadores para sua vinha. Aos contratados de madrugada prometeu um denário, aos demais prometeu o que for justo. Entretanto, para o desapontamento dos primeiros que esperavam mais, ele pagou a todos igualmente.
E, por fim, as cores fortes assumem ares dramáticos quando ele passa a falar de castigo. Compara o Reino dos Céus a um rei que celebrou as bodas de seu filho, que, indignado com o pouco caso que os convidados fizeram de seu convite e do tratamento dado a seus servos que levaram o convite, enviou suas tropas, exterminou a todos e queimou-lhes a cidade.
Mas o desfecho, a última parábola, registrada por Mateus, sobre esse assunto, compara o Reino dos Céus a dez virgens, que saem para encontrarem-se com o noivo. Cinco delas, prudentemente, levam suprimento de reserva para suas lâmpadas e à meia-noite encontram-se com o noivo, enquanto as outras cinco, néscias, procuravam azeite para suas lâmpadas que se apagavam.
De tão rico o Reino dos Céus, só pode ser descrito, em seus muitos aspectos àqueles que esperam por ele. Que anseiam por ele. E mesmo para esses, o Reino é mostrado por figuras. Figuras que vão de sua formação, como a semeadura, até sua consumação: o castigo dos que desdenharam dele e o encontro dos súditos prudentes com o rei.
Semelhante a muitas coisas que conhecemos, mas diferente de outras tantas. Principalmente daquilo que gostaríamos que ele fosse. Pois, afinal, o Reino dos Céus não é uma democracia, onde os governantes são tão bons quanto seus governados e refletem suas peculiaridades e mazelas.
O Reino dos Céus, que já está presente no coração de seus súditos, ainda não se manifestou visivelmente a todos. Questão de tempo. Logo ele se manifestará.
Nos preparemos para recebê-lo.
Não é uma pergunta retórica – daquelas que se faz quando se quer ouvir uma determinada resposta – e sim a dificuldade de expor realidades espirituais para quem nasceu e continua em pecado, em rebelião contra Deus.
Como haveriam de entender se os olhos estavam cegos, os ouvidos surdos e o coração endurecido? Era preciso recobrar-lhes a vista, restaurar-lhes a audição e falar-lhes ao coração. E a voz que disse “haja luz” e houve luz, passa a apresentar o que ele mesmo chamou de “mistérios do Reino”: seu Espírito Santo levará a mensagem dos ouvidos ao coração de cada ovelha de seu Rebanho: aquelas que ouvem sua voz e o seguem.
Um dos mistérios do Reino é ter aparência fraca como a semente ou como o fermento. A semente de mostarda. A menor de todas. Porém, forte bastante para brotar sozinha, sem que o semeador saiba como. Forte também para se tornar a maior de todas as hortaliças e suportar aves em seus galhos. Explicando, ele diz que a semente é a Palavra de Deus.
O fermento sempre em pitadas, no entanto leveda a tudo com que entra em contato.
Outro mistério é ser altamente desejável para os que o conhecem. Como um tesouro escondido no campo, ou como uma pérola de grande preço.
Outro mistério ainda é ser como uma rede de pesca, que a tudo pega, porém, assim como a semente, jogada nos quatro tipos de campo, só vingou em dois e só frutificou em um, assim também apenas alguns peixes são selecionados.
Aproximando-se da morte e sendo cada vez mais questionado, as parábolas, através das quais o Senhor falava do Reino dos Céus, ganham cores mais fortes. Passam a falar de perdão e recompensas no Reino.
Em uma o Reino dos Céus é comparado a um rei que resolveu ajustar as contas com seus servos. Como não podiam pagar perdoou-lhes as dívidas. Mas em seguida toma vingança do que lhe devia mais e que se recusava a perdoar uma pequena dívida de um conservo.
Noutra, compara o Reino dos Céus a um “dono de casa” que sai de madrugada, na metade da manhã, ao meio dia, na metade da tarde e ao entardecer, e contrata trabalhadores para sua vinha. Aos contratados de madrugada prometeu um denário, aos demais prometeu o que for justo. Entretanto, para o desapontamento dos primeiros que esperavam mais, ele pagou a todos igualmente.
E, por fim, as cores fortes assumem ares dramáticos quando ele passa a falar de castigo. Compara o Reino dos Céus a um rei que celebrou as bodas de seu filho, que, indignado com o pouco caso que os convidados fizeram de seu convite e do tratamento dado a seus servos que levaram o convite, enviou suas tropas, exterminou a todos e queimou-lhes a cidade.
Mas o desfecho, a última parábola, registrada por Mateus, sobre esse assunto, compara o Reino dos Céus a dez virgens, que saem para encontrarem-se com o noivo. Cinco delas, prudentemente, levam suprimento de reserva para suas lâmpadas e à meia-noite encontram-se com o noivo, enquanto as outras cinco, néscias, procuravam azeite para suas lâmpadas que se apagavam.
De tão rico o Reino dos Céus, só pode ser descrito, em seus muitos aspectos àqueles que esperam por ele. Que anseiam por ele. E mesmo para esses, o Reino é mostrado por figuras. Figuras que vão de sua formação, como a semeadura, até sua consumação: o castigo dos que desdenharam dele e o encontro dos súditos prudentes com o rei.
Semelhante a muitas coisas que conhecemos, mas diferente de outras tantas. Principalmente daquilo que gostaríamos que ele fosse. Pois, afinal, o Reino dos Céus não é uma democracia, onde os governantes são tão bons quanto seus governados e refletem suas peculiaridades e mazelas.
O Reino dos Céus, que já está presente no coração de seus súditos, ainda não se manifestou visivelmente a todos. Questão de tempo. Logo ele se manifestará.
Nos preparemos para recebê-lo.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Obras de justiça
No boletim de domingo passado, comparando os dois sermões de nosso Senhor, precisei usar a expressão, “obras de justiça” para esclarecer as palavras do Senhor a respeito de oração, jejum e esmolas.
Os judeus conheciam justiça como conhecemos hoje. Ou seja: agir de modo igual quando diante de opções iguais e agir de modo diferente quando diante de opções diferentes. Conheciam também os diversos “níveis” em que isso ocorria.
O nível formal, equivalente ao que hoje chamaríamos de justiça comum, se dava mediante reunião dos mais velhos à porta da cidade: o local mais público, onde todos eram obrigados a passar.
Você se lembra do marido da mulher virtuosa do Livro dos Provérbios? Ele se assentava com os anciãos à porta. Isso quer dizer que ele era um dos juizes da comunidade em que vivia.
Julgavam as questões triviais e as flagrantes. Quando o caso era mais difícil enviava-se ao Sinédrio – órgão originado naqueles 70 homens que ajudavam Moisés e que condenou o Senhor à morte – que funcionava no dia-a-dia com 21 membros, mas em caso de pena capital demandava quorum sobre os setenta.
Já o nível informal era muito semelhante ao que conhecemos e exercemos hoje: pais julgando queixas de filhos, chefes de subalternos, etc.
Porém havia um aspecto, mais antigo, que também era chamado de justiça, para o qual não temos paralelo hoje. Foi a ele que o Senhor se referiu.
Para o judeu daqueles dias, o que hoje chamaríamos de exercer cidadania era o mesmo que “justiçar” a sociedade. Justiçar no sentido de torná-la mais justa, de corrigir suas injustiças. Um pouco menos abrangente do que o conceito cristão de justificação, mas já relacionado.
Essa idéia fica mais clara quando vemos o caso de Abraão: “Acaso destruirás o justo com o ímpio”? Ele pergunta ao SENHOR. Após longa barganha o SENHOR lhe declara que pouparia Sodoma e Gomorra se lá houvesse 10 justos. Parece que só havia o “justo Ló” (como é chamado por Pedro) e a destruição foi total.
Dentro do conceito judeu, portanto, as obras de 10 justos, aos olhos de Deus, valiam mais, eram mais importantes, suplantavam, do que os pecados de cidades como essas.
Muito provavelmente tenha sido nessa experiência que se estabeleceu o "Minnian", quorum necessário a qualquer reunião religiosa judaica, que foi reduzido por nosso Senhor quando declarou que estaria presente onde houvesse 2 ou 3 reunidos em seu nome.
Mas, voltando ao assunto; para o judeu, portanto, orar, jejuar e dar esmolas era algo que aumentava o “grau de justiça” de uma comunidade diante de Deus. Eram obras de justiça.
Ora, a advertência de nosso Senhor ganha outro relevo quando notamos que todos os que faziam questão de “exercer justiça” diante dos homens, na verdade estavam louvando-se a si próprios ao deixarem subentendido que Deus ainda tolerava aquele lugar devido as obras de justiça que eles praticavam. Daí a ordem para fazê-las em secreto.
Entretanto, as palavras do Senhor não são apenas para judeus. Seu sermão exprime a vontade do Pai para todos. Porém ele próprio é quem atribuirá justiça, redimindo a criação com o sacrifício de si mesmo.
Isto serve-nos de consolo, pois jamais, por mais puras que sejam nossas devoções, ou “atos de justiça” jamais justificaríamos, diante de Deus, sequer a nós mesmos, quanto mais a comunidade em que vivemos. Porém, torna-se interessante saber que, ao fazermos o que hoje chamamos de hora devocional como louvor secreto ao nosso Pai Celeste, estamos imitando o Senhor como filhos amados.
Os judeus conheciam justiça como conhecemos hoje. Ou seja: agir de modo igual quando diante de opções iguais e agir de modo diferente quando diante de opções diferentes. Conheciam também os diversos “níveis” em que isso ocorria.
O nível formal, equivalente ao que hoje chamaríamos de justiça comum, se dava mediante reunião dos mais velhos à porta da cidade: o local mais público, onde todos eram obrigados a passar.
Você se lembra do marido da mulher virtuosa do Livro dos Provérbios? Ele se assentava com os anciãos à porta. Isso quer dizer que ele era um dos juizes da comunidade em que vivia.
Julgavam as questões triviais e as flagrantes. Quando o caso era mais difícil enviava-se ao Sinédrio – órgão originado naqueles 70 homens que ajudavam Moisés e que condenou o Senhor à morte – que funcionava no dia-a-dia com 21 membros, mas em caso de pena capital demandava quorum sobre os setenta.
Já o nível informal era muito semelhante ao que conhecemos e exercemos hoje: pais julgando queixas de filhos, chefes de subalternos, etc.
Porém havia um aspecto, mais antigo, que também era chamado de justiça, para o qual não temos paralelo hoje. Foi a ele que o Senhor se referiu.
Para o judeu daqueles dias, o que hoje chamaríamos de exercer cidadania era o mesmo que “justiçar” a sociedade. Justiçar no sentido de torná-la mais justa, de corrigir suas injustiças. Um pouco menos abrangente do que o conceito cristão de justificação, mas já relacionado.
Essa idéia fica mais clara quando vemos o caso de Abraão: “Acaso destruirás o justo com o ímpio”? Ele pergunta ao SENHOR. Após longa barganha o SENHOR lhe declara que pouparia Sodoma e Gomorra se lá houvesse 10 justos. Parece que só havia o “justo Ló” (como é chamado por Pedro) e a destruição foi total.
Dentro do conceito judeu, portanto, as obras de 10 justos, aos olhos de Deus, valiam mais, eram mais importantes, suplantavam, do que os pecados de cidades como essas.
Muito provavelmente tenha sido nessa experiência que se estabeleceu o "Minnian", quorum necessário a qualquer reunião religiosa judaica, que foi reduzido por nosso Senhor quando declarou que estaria presente onde houvesse 2 ou 3 reunidos em seu nome.
Mas, voltando ao assunto; para o judeu, portanto, orar, jejuar e dar esmolas era algo que aumentava o “grau de justiça” de uma comunidade diante de Deus. Eram obras de justiça.
Ora, a advertência de nosso Senhor ganha outro relevo quando notamos que todos os que faziam questão de “exercer justiça” diante dos homens, na verdade estavam louvando-se a si próprios ao deixarem subentendido que Deus ainda tolerava aquele lugar devido as obras de justiça que eles praticavam. Daí a ordem para fazê-las em secreto.
Entretanto, as palavras do Senhor não são apenas para judeus. Seu sermão exprime a vontade do Pai para todos. Porém ele próprio é quem atribuirá justiça, redimindo a criação com o sacrifício de si mesmo.
Isto serve-nos de consolo, pois jamais, por mais puras que sejam nossas devoções, ou “atos de justiça” jamais justificaríamos, diante de Deus, sequer a nós mesmos, quanto mais a comunidade em que vivemos. Porém, torna-se interessante saber que, ao fazermos o que hoje chamamos de hora devocional como louvor secreto ao nosso Pai Celeste, estamos imitando o Senhor como filhos amados.
domingo, 28 de janeiro de 2007
Do monte ao templo
Durante seu ministério nosso Senhor encontrou-se com os mais variados tipos de pessoas, e o evangelista João disse que “não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.”
Um dia, cercado de gente, subiu para uma posição mais alta da encosta do monte em que estavam, e ali mesmo, ao ar livre, mostrou quem são os súditos de seu reino.
Primeiramente os caracterizou como bem-aventurados por serem humildes de espírito, por chorarem, serem mansos, sentirem fome e sede de justiça, serem misericordiosos, serem limpos de coração, pacificadores e perseguidos por seus “atos de justiça”. Não obstante, como o sal e a luz, influenciam sem serem influenciados.
Em segundo lugar, mostrou a que lei estão sujeitos: à que é mais estável e duradoura do que os céus e a terra e está escrita nos corações: Eles sequer pensam em matar ou adulterar ou dizer sim quando querem dizer não. E, como imitadores de Deus, fazem o bem a seus perseguidores.
Em terceiro lugar, descreveu seus “atos de justiça”: Jamais dão esmolas, oram ou jejuam para que os outros vejam. Fazem-no em segredo, e este segredo também louva a Deus.
Em quarto lugar, relacionou o que eles não fazem: não juntam tesouros sobre a terra, não andam ansiosos pela própria vida, não julgam temerariamente, nem desperdiçam os dons de Deus com quem desdenha deles.
Em quinto lugar, sucintamente, disse o que eles fazem: gastam-se em oração, preferem o caminho estreito de Deus e acautelam-se dos falsos profetas.
E, finalmente, constroem suas vidas sobre estes ensinos.
Tempos depois, no templo, próximo da morte, rodeado por muitos inimigos, ele substituiu as “bem-aventuranças” por “ais”.
Dirigindo-se aos escribas e fariseus, do mesmo modo que caracterizou seus súditos pela fronte (a fé, ou doutrina em que crêem) e pela mão direita (a ética, ou prática do dia-a-dia), passa a caracterizá-los como súditos de outro reino: o reino das trevas. Ai deles, pois:
Trocaram a bem-aventurança diante de Deus pela admiração diante dos homens. Dizem o que os outros devem fazer, mas, eles mesmos, não fazem. E, se porventura fizerem, fazem com o objetivo de “serem vistos pelos homens”, pois amam os lugares de destaque, e serem exaltados.
Tomaram nas mãos – como se pudessem – o reino de Deus. Não entram nem deixam entrar.
Exploram os carentes usando o engano das orações compridas e pomposas.
Fazem missões em países distante, mas ensinam o erro que leva duas vezes mais rápido ao inferno.
Garantem que respeitam a Deus. Entretanto desrespeitam o que é consagrado a ele.
São dizimistas fidelíssimos, mas negligenciam a justiça, a misericórdia e a fé. Coam mosquitos e engolem camelos.
Preocupam-se mais com a aparência de santidade do que com uma vida realmente santa.
Não perdem uma oportunidade de homenagear ou bajular, mesmo que isso mostre seus erros.
No monte, os que nada são aos olhos do mundo. Mas, como são cidadãos do reino de Deus, não fazem sua própria vontade. Constroem suas casas sobre a pedra.
No templo, os que recebem a admiração do povo pois sabem como enganá-los com a belas casas construídas na facilidade da areia, conforme a própria vontade.
Se não conseguem fugir do olhar penetrante de Deus como escaparão “da condenação do inferno”?
Ai deles!
Um dia, cercado de gente, subiu para uma posição mais alta da encosta do monte em que estavam, e ali mesmo, ao ar livre, mostrou quem são os súditos de seu reino.
Primeiramente os caracterizou como bem-aventurados por serem humildes de espírito, por chorarem, serem mansos, sentirem fome e sede de justiça, serem misericordiosos, serem limpos de coração, pacificadores e perseguidos por seus “atos de justiça”. Não obstante, como o sal e a luz, influenciam sem serem influenciados.
Em segundo lugar, mostrou a que lei estão sujeitos: à que é mais estável e duradoura do que os céus e a terra e está escrita nos corações: Eles sequer pensam em matar ou adulterar ou dizer sim quando querem dizer não. E, como imitadores de Deus, fazem o bem a seus perseguidores.
Em terceiro lugar, descreveu seus “atos de justiça”: Jamais dão esmolas, oram ou jejuam para que os outros vejam. Fazem-no em segredo, e este segredo também louva a Deus.
Em quarto lugar, relacionou o que eles não fazem: não juntam tesouros sobre a terra, não andam ansiosos pela própria vida, não julgam temerariamente, nem desperdiçam os dons de Deus com quem desdenha deles.
Em quinto lugar, sucintamente, disse o que eles fazem: gastam-se em oração, preferem o caminho estreito de Deus e acautelam-se dos falsos profetas.
E, finalmente, constroem suas vidas sobre estes ensinos.
Tempos depois, no templo, próximo da morte, rodeado por muitos inimigos, ele substituiu as “bem-aventuranças” por “ais”.
Dirigindo-se aos escribas e fariseus, do mesmo modo que caracterizou seus súditos pela fronte (a fé, ou doutrina em que crêem) e pela mão direita (a ética, ou prática do dia-a-dia), passa a caracterizá-los como súditos de outro reino: o reino das trevas. Ai deles, pois:
Trocaram a bem-aventurança diante de Deus pela admiração diante dos homens. Dizem o que os outros devem fazer, mas, eles mesmos, não fazem. E, se porventura fizerem, fazem com o objetivo de “serem vistos pelos homens”, pois amam os lugares de destaque, e serem exaltados.
Tomaram nas mãos – como se pudessem – o reino de Deus. Não entram nem deixam entrar.
Exploram os carentes usando o engano das orações compridas e pomposas.
Fazem missões em países distante, mas ensinam o erro que leva duas vezes mais rápido ao inferno.
Garantem que respeitam a Deus. Entretanto desrespeitam o que é consagrado a ele.
São dizimistas fidelíssimos, mas negligenciam a justiça, a misericórdia e a fé. Coam mosquitos e engolem camelos.
Preocupam-se mais com a aparência de santidade do que com uma vida realmente santa.
Não perdem uma oportunidade de homenagear ou bajular, mesmo que isso mostre seus erros.
No monte, os que nada são aos olhos do mundo. Mas, como são cidadãos do reino de Deus, não fazem sua própria vontade. Constroem suas casas sobre a pedra.
No templo, os que recebem a admiração do povo pois sabem como enganá-los com a belas casas construídas na facilidade da areia, conforme a própria vontade.
Se não conseguem fugir do olhar penetrante de Deus como escaparão “da condenação do inferno”?
Ai deles!
domingo, 21 de janeiro de 2007
Continuaremos calados?
Recebi, juntamente com diversos pastores, um texto escrito pelo Pastor Batista Isaltino Gomes em que ele se mostra espantado com o "silêncio sepulcral" dos evangélicos brasileiros, frente à prisão do apóstolo e da bispa.
Ele tem razão. Estamos errados em ficar calados.
Tempos depois de fundada pelo Apóstolo Paulo, a Igreja de Éfeso recebeu do próprio Senhor, através da pena do Apóstolo João, uma carta com a reclamação: “esqueceste o teu primeiro amor” e uma ordem: "levanta-te de onde caíste, arrepende-te e volta a prática das primeiras obras". A mesma carta, continha também alguns elogios, e, dentre eles, um se destaca: “puseste a prova os que a si mesmo se declaram apóstolos e não são, e os achastes mentirosos”.
Será que nós, evangélicos brasileiros, estamos em pior situação do que a Igreja de Éfeso? Será que a um elogio como este fazemos jus?
Por que razão ficamos calados diante dos absurdos soltos em nosso meio? Vendem fronhas ungidas que garantem sonhos proféticos, o direito de se trocar de anjo da guarda, kits de beleza da rainha Ester. O que mais? Há fim nessa lista?
Não foram práticas como essas que geraram 7 malas cheias de dinheiro (afinal, em que deu isso?)? Não foram esses absurdos que levaram às práticas pelas quais, agora, o outro ministro de Deus, seu vingador, o magistrado civil, ameaça com prisão? Mas, principalmente, não foi por coisas semelhantes que nossos irmãos do Século 16 resolveram protestar?
Diriam em contrário: “Mas hoje ainda se vê em tais lugares vestígios do Evangelho de Cristo”. Também se via na igreja do século 16, não obstante nossos pais não se conformaram nem ficaram calados.
Diriam ainda: “Eu tenho amigos lá e lá estão meus filhos”. Mais uma razão para falar, pois nossos mais queridos estão sendo enganados com nossa conivência silenciosa.
Ousemos discordar. Não sejamos coniventes com o erro. Mais importante do que o evangélicos serem um grupo politicamente coeso é serem um grupo que faz a vontade daquele que o remiu com seu sangue. Toda a proteção que eventualmente a política der ao povo evangélico será nada se nos encontrarmos desprotegidos diante daquele que não tolera iniqüidade associada a ajuntamento solene.
Voltemos a simplicidade dos Evangelhos. Abandonemos essas praticas sincréticas que são verdadeiros ‘caldos de cultura’ onde prolifera toda espécie de superstição, e nos lembremos de como o Senhor nos advertiu sobre falsos profetas e falsos mestres: Eles se disfarçariam de ovelhas ao ponto de lhe jogarem na face terem feito, milagres, profecias e expulsado demônios em seu santo nome.
Fizeram. Fizeram tudo isto e muito mais: com palavras fictícias fizeram comércio do rebanho dele.
O cristianismo, desde suas origens, está umbilicalmente ligado à palavra escrita. Na antiga aliança era obrigação de cada família ter em casa um descendente de Levi a fim de ensinar-lhes a lei de Deus. Uma em doze tribos não tinha herança. Vivia entre seus irmãos para cumprir este mister. Era como se cada família possuísse um professor particular.
A ignorância é uma das maiores inimigas do povo de Deus. Alicerçado nela, inventando visões, e coisas semelhantes, é que os falsos mestres, profetas e apóstolos dominam o rebanho. Dominando, vendem-no. Vendendo-o, devoram-no.
Ele tem razão. Estamos errados em ficar calados.
Tempos depois de fundada pelo Apóstolo Paulo, a Igreja de Éfeso recebeu do próprio Senhor, através da pena do Apóstolo João, uma carta com a reclamação: “esqueceste o teu primeiro amor” e uma ordem: "levanta-te de onde caíste, arrepende-te e volta a prática das primeiras obras". A mesma carta, continha também alguns elogios, e, dentre eles, um se destaca: “puseste a prova os que a si mesmo se declaram apóstolos e não são, e os achastes mentirosos”.
Será que nós, evangélicos brasileiros, estamos em pior situação do que a Igreja de Éfeso? Será que a um elogio como este fazemos jus?
Por que razão ficamos calados diante dos absurdos soltos em nosso meio? Vendem fronhas ungidas que garantem sonhos proféticos, o direito de se trocar de anjo da guarda, kits de beleza da rainha Ester. O que mais? Há fim nessa lista?
Não foram práticas como essas que geraram 7 malas cheias de dinheiro (afinal, em que deu isso?)? Não foram esses absurdos que levaram às práticas pelas quais, agora, o outro ministro de Deus, seu vingador, o magistrado civil, ameaça com prisão? Mas, principalmente, não foi por coisas semelhantes que nossos irmãos do Século 16 resolveram protestar?
Diriam em contrário: “Mas hoje ainda se vê em tais lugares vestígios do Evangelho de Cristo”. Também se via na igreja do século 16, não obstante nossos pais não se conformaram nem ficaram calados.
Diriam ainda: “Eu tenho amigos lá e lá estão meus filhos”. Mais uma razão para falar, pois nossos mais queridos estão sendo enganados com nossa conivência silenciosa.
Ousemos discordar. Não sejamos coniventes com o erro. Mais importante do que o evangélicos serem um grupo politicamente coeso é serem um grupo que faz a vontade daquele que o remiu com seu sangue. Toda a proteção que eventualmente a política der ao povo evangélico será nada se nos encontrarmos desprotegidos diante daquele que não tolera iniqüidade associada a ajuntamento solene.
Voltemos a simplicidade dos Evangelhos. Abandonemos essas praticas sincréticas que são verdadeiros ‘caldos de cultura’ onde prolifera toda espécie de superstição, e nos lembremos de como o Senhor nos advertiu sobre falsos profetas e falsos mestres: Eles se disfarçariam de ovelhas ao ponto de lhe jogarem na face terem feito, milagres, profecias e expulsado demônios em seu santo nome.
Fizeram. Fizeram tudo isto e muito mais: com palavras fictícias fizeram comércio do rebanho dele.
O cristianismo, desde suas origens, está umbilicalmente ligado à palavra escrita. Na antiga aliança era obrigação de cada família ter em casa um descendente de Levi a fim de ensinar-lhes a lei de Deus. Uma em doze tribos não tinha herança. Vivia entre seus irmãos para cumprir este mister. Era como se cada família possuísse um professor particular.
A ignorância é uma das maiores inimigas do povo de Deus. Alicerçado nela, inventando visões, e coisas semelhantes, é que os falsos mestres, profetas e apóstolos dominam o rebanho. Dominando, vendem-no. Vendendo-o, devoram-no.
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