segunda-feira, 13 de julho de 2009

Pai e filhos

Ainda criança, lendo a parábola do filho pródigo, minha atenção se voltava sempre para o pai: Por que ele não tentou dissuadir seu filho? Por que sequer lamenta sua grosseria em pedir sua parte da herança enquanto ele estava vivo?

Nunca foi assim com meus pais, e creio que não é assim com nenhum pai. Todos tentam dissuadir seus filhos de eventuais erros. Mas, por que o pai esboçado pelo Senhor Jesus nesta parábola - que simbolicamente representa o Pai Celeste - é diferente? Será que ele não liga pro que acontece a seus filhos?

* - *

A ênfase que damos ao filho mais moço - ao ponto de emprestarmos seu nome à parábola - desdiz o propósito principal do Senhor Jesus que era ensinar aos filhos mais velhos a receberem com alegria seus irmãos que retornam ao lar.

Entretanto, estude-a com calma e tenho certeza de que você concordará comigo de que o personagem em torno do qual tudo acontece é o Pai.

Agora, observe bem: Jesus esboça dois tipos de filhos e só um pai. Os dois filhos ilustram dois tipos de pecadores e o pai é único, pois é figura de Deus que é um só.

Há pecadores ousados e irreverentes, como o filho mais moço, a ponto de exigir de Deus aquilo que não lhes é de direito. Há pecadores que continuam morando na casa do pai, como o filho mais velho, e, sem coragem de enfrentá-lo, colecionam ressentimentos daquilo que chamam de direitos usurpados.

Há pecadores arrependidos que, caindo em si, voltam para a casa do pai. Há pecadores empedernidos e orgulhosos que não admitem que a casa do pai seja maculada pela presença do outro, mesmo que o outro seja seu irmão.

Há pecadores que reconhecem o erro e seu próprio estado, ainda que para isso tenham sido obrigados a comer comida de porcos. Há pecadores que, sempre desfrutaram da mesa do pai, mas não reconhecem que o ressentimento velado que possuem contra ele, é mais ofensivo do que considerá-lo morto. Entretanto, jamais admitem estar errados.

Há muitos tipos de pecadores, mas um só tipo de Pai.

Por sua própria natureza o Pai está disposto a perdoar o filho que volta. Por sua própria natureza o Pai está disposto a restaurar a filiação abalada pela maior ofensa daquele que o reconhece como pai. Por sua natureza o Pai é que é pródigo. Pródigo em amor. Pródigo em perdão. Pródigo em aceitação.

A única exigência inerente a natureza do Pai é continuar pai. Por isso ele não dissuade o filho que deseja virar-lhe as costas. O filho precisa ter consciência de que, até para virar as costas a seu pai, precisa do que ele dá: força, liberdade, ousadia, e meio de subsistir longe de sua casa.

Há muitos tipos de pecadores, mas há um só Pai. Imaginar que qualquer coisa escolhida como pai transforma-se no verdadeiro Pai é tão insensato quanto imaginar que a comida dos porcos é a mesma coisa que o pão da casa do Pai.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Esboço da vida de Calvino

Há quinhentos anos, precisamente em 10 de julho de 1509, João Calvino nascia na cidadezinha francesa de Noyon.

Seu pai esforçou-se para bem formá-lo esperando vê-lo padre e aos 14 anos foi admitido na Universidade. No Collège de la Marche em Paris fez o curso inicial de latim e no Collège de Montaigu as demais matérias. Formou-se aos 17 anos. Entretanto seu pai determinou-lhe buscar a carreira jurídica e ele foi estudar direito em Orleans, onde doutorou-se aos 21 anos. Nessa época foi alcançado pela graça de Deus.

No prefácio de seu Comentário dos Salmos, ele mesmo resume esse período assim: "Quando eu era ainda menino, meu pai destinou-me ao estudo de Teologia. Mas posteriormente, considerou que a profissão jurídica geralmente promovia seus seguidores à riqueza, ... visto que eu era tão obstinadamente devotado às superstições do papado, Deus,para desembaraçar-me facilmente de tão profundo abismo de lama, por meio de súbita conversão, subjugou e pôs na minha mente ... a disposição para aprender".

Logo começou a organizar seus pensamentos no que seria sua obra maior: Institutas da Religião Cristã, a partir do capítulo que conhecemos hoje: Da vida futura.

Aos 26 anos, passando por Genebra, recebeu a visita de Farel, líder do movimento de Reforma da Igreja de lá, que, após amaldiçoar sua idéia de procurar um lugar tranqüilo em que pudesse dedicar-se aos estudos, o convenceu a ficar em Genebra. Ele mesmo se lembra do acontecido: "Fiquei tão aterrorizado com essa imprecação que desisti da viagem que havia empreendido. Senti como se Deus tivesse lançado sobre mim sua mão poderosa para levar-me preso".

Em Genebra, logo sofreu oposição das autoridades da cidade, que concordavam com a doutrina reformada, mas não a praticavam. Tempos depois refere-se a essa época, em uma carta, dizendo que não passava um dia sem ansiar pela morte, tamanha era a aflição que lhe provocavam.

Negou-se a servir a Santa Ceia a esses chamados libertinos e, com uma manobra política o expulsaram de lá como persona non grata.

Foi viver em Estrasburgo, pastoreando os protestantes refugiados das muitas perseguições de então, onde, apesar de ter uma congregação numerosa, deu continuidade às Institutas e casou-se com Idelete com quem teve um filho prematuro que morreu ainda bebê.

Quase quatro anos depois, a situação em Genebra, tornara-se insustentável e seus inimigos enviaram uma missão pedindo que voltasse. Estavam autorizados a pagar o que ele pedisse, mas ele exigiu apenas que as autoridades submetessem suas vidas e a vida do que estava sob o poder deles à orientação da Palavra de Deus. Foi recebido com boas vindas pelas autoridades de Genebra na cidade vizinha de Versoix.

Entretanto, o ministério de 25 anos em Genebra, apesar de produtivo foi cheio de percalços: sofreu a morte de sua esposa; foi obrigado a restringir a celebração da Santa Ceia a 4 vezes por ano; tomou parte no processo que Levou Servetus à fogueira; e, traído por Villegaignon, viu a expedição ao Brasil ser desfeita e maioria de seus integrantes mortos.

Era de compleição doentia e seus biógrafos falam de mais de 30 enfermidades gástricas e reumáticas. Muitas simultâneas. Como a Igreja era de pedra e não possuía aquecimento, nas épocas de frio ele vestia com diversas roupas e cobria-se com sua beca de formatura. Não demorou muito para que seus muitos alunos, alguns já doutorados pela Sorbonne, passassem a homenageá-lo usando o mesmo tipo de manto.

Seus sermões, quase diários, anotados por seus ouvintes mais cultos, deram origem a Bíblia de Genebra e mais de 800 deles podem ser encontrados na íntegra nos 59 volumes do Corpus Reformatorum.

As anotações do secretário da Igreja e os livros que ele mesmo escreveu geraram os 45 volumes comentando quase todos os livros da Bíblia com exceção de Cantares e Apocalipse, que ele dizia serem profundos demais.

Morreu em 27 de maio de 1564. Seu túmulo pode ser visto no cemitério de Plain Palais ao lado da Cidade Velha em Genebra.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mais uma conseqüência do Pentecostes

A igreja, na verdade,
tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria,
edificando-se e caminhando no temor do Senhor,
e, no conforto do Espírito Santo,
crescia em número.
At 9.31

Como podemos entender esta declaração? Como a Igreja podia ter paz se enfrentava tantos problemas? Veja quantos problemas (Lucas até alterna problemas internos e externos).

  • Pouco tempo depois de Pentecostes, Pedro e João haviam sido presos e só foram soltos após ameaçados pelo mesmo Sinédrio que havia condenado o Senhor Jesus.
  • Não demorou muito tempo para que Ananias e sua esposa Safira expusessem o maior problema que afligia e sempre afligirá todas as igrejas: mentir ao Espírito Santo!
  • Logo em seguida todos os apóstolos foram presos e açoitados por anunciarem o nome de Jesus.
  • Com o crescimento numérico apareceram os necessitados. Isso os levou à escolha dos primeiros diáconos.
  • Um desses diáconos que foi apedrejado, com o consentimento do fariseu Saulo, foi o estopim para uma grande perseguição que espalhou a Igreja de Jerusalém pelas cidades da Judéia e de Samaria. Enquanto isso Saulo literalmente “assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” (At 8.3).
  • Como acontece hoje com os mercadores da fé, Simão, o mago, tentou comprar o poder de conceder o Espírito Santo mediante a imposição de mãos.

Como uma igreja, sujeita a todas essas circunstâncias - e provavelmente outras que não foram relatadas por Lucas - em cerca de 5 ou 6 anos, podia ter paz?

O próprio versículo nos dá a resposta: o conforto do Espírito Santo.

Quando Jesus prometeu o Espírito Santo aos seus discípulos ele o chamou de Consolador (em grego: Paracletos). Agora Lucas se serve da mesma palavra para descrever o que em português lemos “conforto”. Ou seja: A igreja tinha paz, ao ponto de crescer em número, mediante a “paraclesis” do Espírito Santo.

Nossa tradução por “conforto” não é ruim. Talvez a dificuldade de se entender esteja na mudança de significado que esta palavra sofreu.

Hoje, para muito de nós, o significado de conforto está entre aconchego e comodidade. Dizemos que cadeiras, casas e outras coisas, ou situações, são confortáveis, quando elas nos proporcionam sensação de bem-estar. Entretanto o primeiro significado desta palavra deriva do latin “cum+fortius” (com força).

Eles tinham paz mediante a força que o Espírito Santo lhes concedia, ao ponto de, com tantos, e tão grandes problemas, não comprometerem o viver na presença de Deus.

O mesmo Espírito, que os capacitou a falar nos idiomas das nações para as quais iriam, os capacitou também a viver em paz, apesar dos problemas pelos quais passavam.

Mas não esqueça: Essa paz não era desperdiçada. Eles a aproveitavam para edificarem-se caminhando no temor do Senhor e nessa “paraclesis” do Espírito Santo.

Não há melhor descrição dessa paz do que a que, anos depois seria feita por quem antes lutava contra ela: “... a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus (Fp 4.7).

terça-feira, 23 de junho de 2009

Outras conseqüências do Pentecostes

Ao formar o povo da Antiga Aliança Deus seguiu determinada ordem: 1) os libertou do cativeiro egípcio pelo sangue do cordeiro aspergido nos umbrais das casas, 2) em meio a fogo e vento outorgou-lhes, em tábuas de pedra, suas leis, transformando-os em um povo com identidade nacional, 3) conduziu-os pelo deserto até a terra prometida a seus pais, e 4) os assentou nela com ordens expressas de não fazerem contato com nenhum povo vizinho.

Ao formar o povo da Nova Aliança Deus seguiu ordem semelhante: 1) os libertou do cativeiro espiritual mediante o verdadeiro sangue derramado na cruz, 2) em meio a fogo e vento escreveu sua lei no coração de cada um, transformando-os num povo independente de barreiras nacionais 3) e até hoje os conduz por caminhos mais perigosos do que os do deserto, com ordens de contatarem as nações divulgando estes acontecimentos, antes de entrarem na verdadeira terra tipificada pela anterior.

Observe que o esquema é o mesmo, mas cada evento é mais profundo, pois na Antiga Aliança se trabalhava com as sombras do que de fato aconteceria na Nova.

- * -

A Igreja não foi libertada de um cativeiro comum, mas do “império das trevas”, da “potestade de Satanás”, das “forças espirituais do mal”.

Os acontecimentos do Sinai, selados com sangue de cordeiros, repetiram-se no dia de pentecostes (curiosamente, ainda hoje, os judeus, neste dia comemoram a entrega da Lei por Moisés). O vento e o fogo no cenáculo não foram tão terríveis quanto no Sinai, mas estavam lá também. E lá ao contrário do Sinai, eles apontavam para o mundo. O isolacionismo determinado no Sinai, que tinha por objetivo preservar a semente da qual nasceria o Redentor, foi completamente abolido. Isso fica claro quando o novo povo de Deus recebe a capacidade de falarem pelo menos 14 idiomas.

Há muito nas comparações entre o período no deserto e o período em que vivemos. O Apóstolo Paulo, destaca seis semelhanças do que acontece conosco com o que aconteceu no deserto: 1) todos foram batizados, 2) “todos comeram de um só pão” e todos “beberam da mesma fonte espiritual”. Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, pois, como acontece hoje, eles foram: 3) idólatras, 4) imorais, 5) murmuradores e 6) lhe desrespeitaram.

No deserto, pessoas que há quatrocentos anos eram escravos, cujo maior conhecimento tecnológico era fazer tijolos de terra arenosa, foram ordenados a erigir um Tabernáculo, onde o SENHOR seria cultuado, que demandava trabalhos em tecidos, perfumes, pedras preciosas, marcenaria, fundição de metais, desenhos, e outros trabalhos de artífices especializados. O que fazer?

Nesse contexto foi que o Santo Espírito capacitou a Bezalel e a Oliabe a fazerem tudo isso e a ensinar seus auxiliares. Observe a descrição no Livro do Êxodo em seus capítulos 31 a 38.

Na Nova Aliança, não precisam mais de um Tabernáculo, pois Deus fez morada no coração de seu povo, mas possuem necessidades materiais: saúde, socorro financeiro, capacidade de anunciar a Boa Nova a estrangeiros, etc. Quantas eram as necessidades não resolvidas normalmente, tantos eram os dons concedidos pelo Espírito Santo. Semelhantemente ao que fez a Bezalel.

E como aconteceu quando Jesus multiplicou os pães, não houve sementeira nem colheita; muito menos preparo. O Senhor “queimou etapas” e com pães já prontos, fez o que faz todos os dias, quando semeamos a terra: multiplicou o grão em espiga.

À uma multidão de peregrinos, sem recursos para permanecer mais tempo em Jerusalém, ele levantou homens como Barnabé que vendiam tudo o que possuíam e depositavam o valor aos pés dos Apóstolos. Ou credenciou o novo anúncio das grandezas de Deus mediante milagres, inclusive de curas.

E, quando a barreira era a língua, quem trazia as boas notícias era capacitado a falar das grandezas de Deus no idioma de quem deveria ouvi-las.

O Espírito Santo sempre acompanhará seu povo e suprirá suas necessidades. Entretanto não lhe imaginemos ingênuo ao ponto de levar alguém a falar coisas sem sentido a pessoas que usam o mesmo idioma que nós.

“Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos” (1Co 14.20).

sábado, 13 de junho de 2009

Marcas da verdadeira Igreja

Não há dúvidas de que o dia de Pentecostes marcou uma nova era para o Povo de Deus. Alguns chegam a dizer que foi o nascimento da Igreja. Prefiro ver como um novo arranjo; reflexo da nova Aliança, em que as leis de Deus passaram das tábuas ao coração de seu povo, pois Estêvão em seu discurso, falando do êxodo, menciona a Ekklesia (Igreja) peregrinando no deserto (At 7.38).

Esse arranjo gerou novos valores e novas práticas no meio do povo. Algumas dessas práticas lembram o que aconteceu quando a primeira aliança foi firmada com Moisés por mediador. Por exemplo: O despreendimento dos bens materiais lembra muito o acontecido por ocasião da construção do Tabernáculo, em que Moisés mandou que parassem de trazer ofertas, pois já tinham o suficiente.

O som como de um vento impetuoso e o fogo em forma de labaredas (línguas) lembra-nos também os eventos terríveis que ocorreram no Monte Sinai.

Porém, mais importante do que as aparentes semelhanças são as diferenças. Primeiro: não houve sangue, pois o último e verdadeiro sangue - do qual todos os demais eram sombras - já havia sido derramado na cruz. Segundo: houve um sinal claro de que com esse novo arranjo o Povo de Deus deveria atingir as nações (ao contrário do Sinai em que eles deveriam abster-se de qualquer contato com os povos vizinhos): os idiomas.

A fala imediata proporcionada pelo Espírito Santo os capacitou cumprir o que Marcos registrou: “E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam” (Mc 16.20).

De todas essas práticas, algumas perduraram, e perduram até hoje, como marcas distintivas da Igreja. Não os sinais miraculosos iniciais, pois, credenciadores dos eventos que estavam acontecendo, cessaram tanto no Sinai quanto no Cenáculo.

Nem o despreendimento de bens materiais, pois tanto no deserto tal prática cessou ao ponto de terem de receber o Maná das próprias mãos divinas, como também a Igreja Primitiva, de tão despatrimonializada, precisou receber ajuda.

Só por intermédio do Apóstolo Paulo a Igreja de Jerusalém recebeu, pelo menos, duas grandes ofertas levantadas entre as igrejas gentias.

Além das alegorias, como a que o Apóstolo Paulo faz entre o peregrinar no deserto e a vida da Igreja (não deixe de ler 1Co 10), permaneceram três marcas que não se encontram - juntas - em nenhum outro lugar além da Igreja de Cristo: 1) A doutrina dos Apóstolos, 2) a administração correta dos sacramentos e 3) a disciplina.

As duas primeiras estão em At 2.42, onde a doutrina dos apóstolos está explícita. A administração correta dos sacramentos está implícita em “comunhão” (koinonia: paz com os irmãos), “partir do pão” e “orações” (paz com Deus).

A terceira marca, a disciplina, fica explícita em At 5. O caso de Ananias e Safira.

Esta doutrina (as marcas distintivas da Igreja) é de vital importância tanto para as diretrizes de um ecumenismo sadio e bíblico, quanto para qualquer um de nós que chegue a um lugar estranho e procure uma Igreja para cultuar a Deus.

Ao se perguntar: esta é uma igreja de Cristo, ou se degenerou em “sinagoga de Satanás” (Ap 2.9), ou finge ser igreja de Cristo? A resposta está na observação judiciosa desses três pontos:

1º - Essa igreja permanece na doutrina dos apóstolos (tem as Escrituras, de fato, como a única regra de fé e prática), ou também é dirigida por outras fontes de doutrina?

2º - Essa igreja administra fielmente os sacramentos, ou faz deles meios de fomentar a superstição ou engano?

3º - Essa Igreja preocupa-se em viver de acordo com a ética das Escrituras ou a ética do mundo impera em seu meio?

A manutenção dessas marcas depende de nós. Entretanto só podemos fazê-lo mediante a força que o Espírito Santo nos concede.

sábado, 6 de junho de 2009

Presbíteros e diáconos

As primeiras capacitações concedidas à Igreja a partir do Pentecostes foram anunciar as grandezas de Deus em outros idiomas e a intrepidez para fazê-lo.

Não custa repetir, apesar de ser óbvio, que eles necessitariam falar outros idiomas, quando saíssem mundo afora, cumprindo a Grande Comissão recebida do Senhor Jesus. Isso foi suprido.

Também, não custa repetir o quando era difícil para alguém nascido na Galiléia, sequer pensar em ir a outros países, e, pior, anunciar uma mensagem completamente descontextualizada.

Talvez isso explique a razão de muitos se aferrarem ao ambiente judaico ao ponto de terem por necessário primeiro tornar-se judeu para depois tornar-se cristão. Eram os judaizantes, que tantos problemas causaram à Igreja a ponto de obrigarem-na a deixar de lado, por algum tempo, sua missão natural e reunir-se em Concílio.

Entre esses dois momentos - o Dia de Pentecostes, e o Concílio de Jerusalém - vemos, no relato de Lucas, que surgiram os oficiais que até hoje são objeto dos cuidados da Igreja de Cristo.

A princípio havia apenas apóstolos. Parece que contavam com alguns auxiliares. Por exemplo: o sepultamento de Ananias e de Safira foi feito por quem Lucas chama de apenas de “moços”. Entretanto, quando houve necessidade de uma assistência mais consistente, promoveram a escolha de 7 homens: os diáconos.

A primeira menção do termo presbítero - tecnicamente falando, pois essa palavra pode também ser traduzida por ancião - acontece em Atos 11.30 quando a igreja de Antioquia resolve “enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia; o que eles, com efeito, fizeram, enviando-o aos presbíteros por intermédio de Barnabé e de Saulo”.

Em sua primeira viagem missionária, Paulo, não obstante tenha deixado igrejas em diversas cidades, foi maltratado em quase todas, e na última foi apedrejado e arrastado para fora da cidade, dado como morto. Entretanto recuperou-se. E, apesar de estar próximo de onde começara sua viagem, voltou passando pelas cidades hostis e em cada uma promoveu a eleição de presbíteros.

No Concílio de Jerusalém as igrejas dos diversos lugares foram representadas por presbíteros, os quais foram recebidos pelos presbíteros da igreja de Jerusalém e ambos participaram dos debates e da decisão do concílio em pé de igualdade com os Apóstolos.

Os presbíteros de Éfeso receberam a ordem de pastorearem o rebanho de Deus, e a instrução de que Deus os colocou por bispos.

Timóteo é instruído sobre os presbíteros que se “afadigam na palavra e no ensino”.

Tito é enviado por Paulo às igrejas de Creta com o objetivo de por as coisas em ordem e em cada cidade constituir presbíteros.

Tiago encarrega os presbíteros de visitarem os doentes. Orarem por eles e os medicarem.

Pedro e João, reconhecidamente apóstolos, identificavam-se em cartas como presbíteros.

No dia de Pentecostes o Espírito Santo já encontrou os apóstolos escolhidos pelo Senhor Jesus e os capacitou a desempenharem suas respectivas missões. Mas, à medida que a Igreja se estruturava, espalhando-se mundo afora, sem contar com a presença dos apóstolos todo o tempo em todos os lugares, o mesmo Espírito suscitou homens que a pastoreasse: diáconos e presbíteros.

Os diáconos sempre aparecem mais relacionados com as necessidades materiais e com suas respectivas igrejas. À exceção de Estêvão e Felipe.

Os presbíteros recebem o encargo de visitação de enfermos, de afadigar-se na palavra e no ensino, e de supervisionarem (episcopado). Portanto, contextos mais abrangentes.

Sobre ambos pesa a responsabilidade enorme dada pelo Senhor da Igreja: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (1Pe 5.1-3).

Sobre ambos pesa, muitas vezes, o desânimo que vem com a desconfiança e a rebeldia natural de corações pecaminosos que se esquecem das ordens do Senhor da Igreja: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (Hb 13.7).

sábado, 30 de maio de 2009

Cenáculos benditos

“Façamos-lhe, pois, em cima, um pequeno quarto, obra de pedreiro, e ponhamos-lhe nele uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro; quando ele vier à nossa casa, retirar-se-á para ali” (2Re 4.10). E assim aquela família rica de Suném fez para o profeta Eliseu o que nos tempos de Jesus chamou-se cenáculo.

A palavra cenáculo vem do latim (cænaculu deriva-se de cœna ceia) e refere-se ao lugar em que a família ceava. Infelizmente traz aos falantes de português a ilusão de cenário: nada mais distante. A palavra grega significa simplesmente quarto alto.

Embora nas casas ricas houvesse uma espécie de mezanino designado pelo mesmo nome, o mais comum era o cenáculo externo, com acesso por uma escada na lateral da casa, em que, nos dias quentes, se usava até como local de dormir.

Em um cenáculo Jesus instituiu a Santa Ceia quando celebrou a páscoa com seus discípulos. Em outro, em Jope - muitos anos mais tarde - Pedro ressuscitou Dorcas. De outro, em Trôade, durante o sermão de Paulo, que prolongou-se até meia noite, Êutico caiu de uma janela. E, foi para um cenáculo que os discípulos voltaram logo após o Senhor ter subido aos céus. Mas veja bem o texto: “Então, voltaram para Jerusalém, ... Quando ali entraram, subiram para o cenáculo...” (At 1.12-13). Não era qualquer um. Era “o cenáculo”.

Gosto de pensar que era o mesmo em que Jesus serviu a Santa Ceia. Imagino que ele fosse parcialmente aberto, pois creio que também foi lá que o Espírito Santo foi derramado.

De Atos 2.1 ficamos sabendo que “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar”. O contexto imediato que explica a expressão “mesmo lugar” é a reunião em que Matias foi escolhido, que - tudo indica - aconteceu no mesmo cenáculo e revela o hábito recém-criado de reunirem-se lá.

Em Atos 2.6 lemos “Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua”. Ora, se tudo aconteceu em um cenáculo semi aberto, fica fácil de se entender como a multidão de peregrinos judeus, que veio a Jerusalém celebrar a festa de pentecostes, teve conhecimento do que estava ocorrendo.

Às 9 horas da manhã, foram imediatamente habilitados a falar o idioma de um dos grupos lingüísticos ali representados.

Saíram às ruas. E, à medida em que “as grandezas de Deus” eram anunciadas na língua da pessoa a quem falavam, iam se dirigindo ao único lugar de Jerusalém que comportava uma multidão da qual três mil foram batizados: o pátio do templo.

Bendita casa que abrigou o Senhor Jesus durante a páscoa da qual ele disse ter “desejado ansiosamente comer” com seus discípulos antes de seu sofrimento.

Bendita casa que recebeu de volta os onze e os demais discípulos, em suas primeiras reuniões, serviu de local para a escolha de Matias e finalmente foi o lugar preferido pelo Espírito Santo, em detrimento da pompa, riqueza e do cerimonial que acontecia no templo, para derramar-se sobre os seus.

Bendita casa em que o Evangelho começou a ser proclamado até chegar a nós, que vivemos nos confins do mundo.

Benditas sejam também as nossas casas onde o Espírito Santo manifesta seu poder produzindo seu divino fruto em cada um de seus moradores, os verdadeiros “santo-dos-santos” onde habita o Senhor.

Benditos cenáculos, onde qualquer pessoa - de qualquer cultura, língua ou nação - nascido “não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus mediante o lavar regenerador de seu Espírito” - o qual “de pedras suscita filhos a Abraão” - repetem a última ceia do Senhor esperando pela primeira a ser celebrada nas casas que ele disse que iria preparar.

sábado, 23 de maio de 2009

“Não vos deixarei órfãos”

Alguns dicionários restringem o sentido da palavra “órfão” a menores de idade ou a incapazes. Àqueles que, pela falta dos pais, carecem de algum amparo ou de quem responda por eles.

Perdi meus pais após 30 anos de idade, e se não houve o que fazer em termos legais, houve a que providenciar por mim mesmo, a fim de mitigar a falta de ambos.

Lembro-me das noites em que eu orava em favor de ambos. Depois que meu pai morreu gastei certo tempo para me acostumar em agradecer pela vida dele e pedir em favor de minha mãe. Anos depois precisei me acostumar de novo: passei a agradecer pela vida dos dois.

Em termos materiais a morte deles não afetou minha vida. Mas em termos afetivos e espirituais sou completamente incapaz de descrever o que aconteceu.

No próximo domingo, dia de pentecostes, relembraremos o cumprimento da promessa de Jesus: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (Jo 14.18).

A palavra grega nesta promessa - que, aliás, deu origem à nossa é “orphanos” - pode ser usada para referir-se a qualquer um que perdeu seus pais, mas seu uso bíblico é muito restrito, pois, além daqui, ocorre apenas na carta de Tiago, quando ele fala da verdadeira religião. E o sentido nos dois textos pressupõe incapacidade, ou necessidade.

Se Jesus promete não deixá-los órfãos, obviamente ele está se colocando na posição de pai, e colocando-os na posição de quem não podem passar sem um.

O Senhor, nos dias de sua carne, desempenhou o papel do Pai ao ponto de dizer a Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras” (Jo 14.9-10).

Ao reassumir a glória que teve com o Pai desde a fundação do mundo, para que os seus não ficassem órfãos ele os enviou seu Espírito.

Se a segunda implicação era a de que os seus não suportariam a orfandade, segue-se um desdobramento: o Espírito Santo supriria o papel de Pai que ele havia desempenhado. Portanto o remédio para a orfandade do Senhor Jesus era - e ainda é - a presença do Espírito Santo.

Mediante o Espírito Santo os seus não foram apenas capacitados a desempenhar a missão que dele receberam, mas tornaram a desfrutar de sua presença e de sua paternidade.

Capacitados e protegidos, aqueles por quem morreu, desfrutam mediante o Espírito Santo, das mesmas bênçãos que os discípulos e os apóstolos desfrutaram tempos atrás.

Essa é mais uma das grandes bênçãos que o Espírito Santo nos traz. Bênção que quase não é lembrada em nossos dias confusos.

domingo, 17 de maio de 2009

Subiu aos céus

Nunca meus lábios cessarão, ó Cristo,

De bendizer-te, de cantar-te glória;

Pois guardo na alma teu amor imenso:

Grata memória!

Agradecido, pelo amor sem par que meu Senhor revelou na cruz, preparei-me antecipadamente para relembrar sua última semana, pois a importância desta semana na História de Redenção é realçada pela atenção que todos os evangelistas lhe deram.

Reverentemente e grato acompanhei dia-a-dia essa semana esforçando-me para entender o que aconteceu em cada dia e como tais acontecimentos me afetam hoje.

Fui alertado pela figueira infrutífera, que, apesar de folhuda, amaldiçoada pelo Senhor secou-se. E este alerta agravou-se quando vi sua ira contra os que vilipendiavam o templo.

Ouvi, triste e assustado, todos os ais e imprecações que o Senhor verberou contra os líderes religiosos hipócritas que se preocupavam com os mosquitos e engoliam camelos.

Mantenho vivas as advertências que o Senhor fez sobre o futuro e, embora saiba que a maioria já se cumpriu aguardo com sofreguidão o cumprimento de parte delas.

Aprendi o quanto é fácil desperceber o que está acontecendo, e discutir com companheiros do mesmo serviço, com discípulos do mesmo Mestre, quem de nós é o maior, e entendi o gesto do Senhor, que enrolado em um toalha lavava-lhas os pés prestando-lhes o serviço de um escravo.

Chorei - como sempre faço ao repetir o ato do Senhor - lendo como ele repartiu seu corpo e seu sangue a pessoas tão indignas quanto eu.

Condoí-me de Pedro; e alertei-me mais sobre a facilidade que cada um de nós tem de negar o Senhor, diante da menor ameaça.

Alegrei-me com Madalena ao saber que o Senhor não ficou na tumba, mas ressurgiu vitorioso.

Exultei ao escutar o Senhor dizer a Tomé que mais bem-aventurado são aqueles que não o viram e creram.

- * -

Hoje, me preparo para, na próxima quinta-feira, avivar na mente o que aconteceu 1978 anos atrás, em Betânia, quando o Senhor foi elevado aos céus diante dos olhos de seus discípulos, que receberam a promessa de dois anjos que ele haveria de vir do mesmo modo como o viram subindo ao céu.

Era o encerramento de seu ministério terrestre, em que esvaziado dos atributos que o impediam de ser um de nós, tomou sobre si as nossas dores e sarou-nos por suas chagas.

Não sabemos a que hora do dia aconteceu. Mas sabemos que ele retornou para o mesmo lugar de onde veio. Saiu de tudo aquilo que criara e retomou a glória que tivera com o Pai antes de haver mundo.

Sendo um de nós, no corpo adquirido de Maria – do qual nunca se separará – sentou-se à destra do Pai, e reina “até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés” e “o último inimigo a ser destruído é a morte”.

De lá, juntamente com o Pai, enviou o Espírito Santo à Igreja, e por meio dele, está presente com dois ou três que estiverem reunidos em seu nome cantando louvores ao Pai, e capacitando-os a viver, não mediante as obras da carne, mas frutificando conforme foram designados.

Concedeu presentes à Igreja que resgatou com seu sangue: ofícios e respectivos oficiais. Estes, guiados pelo Espírito Santo, apascentam seu rebanho - a Igreja - conforme sua vontade, mediante os dons que dele receberam.

Se a Redenção foi concluída na Cruz, como atesta seu brado: “está consumado”, seu ministério terrestre, que foi iniciado com os anjos anunciando a pastores de ovelhas seu nascimento, terminou quando eles anunciaram a pastores de almas que, como ele subiu, um dia voltará.

Que ele volte logo. Maranatha!

domingo, 10 de maio de 2009

Mostarda: semente e planta

Jesus usou muitas parábolas para descrever os diversos aspectos do Reino de Deus. Em três delas (Mc 4.30, Lc 13.18e20) ele fez uma pergunta do tipo: “A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos?”.

Nosso Mestre procurava as figuras que melhor atendessem a capacidade de seus ouvintes e algumas devem ser “atualizadas” para nossa realidade se quisermos entendê-las bem.

Há alguns dias me perguntaram como as “aves dos céus” podem aninhar-se nos ramos de um pé de mostarda, se ela é apenas uma plantinha de dois palmos de altura?

Ora, a própria descrição do Senhor nos mostra que ele falava de um tipo de planta que chegava a ser “a maior de todas as hortaliças”. Uma pesquisa rápida mostra que nossa mostarda é da família Brassica e a que ele se referia deve ser da família Sinapis, a qual cresce até 2 metros ou mais, pois há textos que falam de plantas mais altas.

Entretanto, o mais importante, para quem estuda o Reino de Deus, é notar os pontos que o Mestre destacou: o contraste entre o pequeno tamanho da semente e o grande tamanho da planta, e a presença das “aves dos céus”.

Do contraste, a lição do Senhor é óbvia: O Reino de Deus tem um início pequeno, mas se torna grande. Da presença das aves, aprendemos sobre sua utilidade.

Sobre os tamanhos, convém lembrar que ambos - tanto o pequeno quanto o grande - são temas recorrentes ao longo das Escrituras. Acaso não nos lembramos do profeta Zacarias (4.10) ordenando-nos a não desprezar os “pequenos começos”? Ou porventura esquecemos que o profeta Isaías fala do dia em que toda a terra se encherá do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar?

Assim é o Reino de Deus. Seu início, de tão pequeno, é desprezível. Afinal seu início é a palavra. Entretanto ele se transforma em algo tão grande que é capaz de mudar o cerne do ser humano: seu coração. Muda totalmente: converte. Converte um coração rebelde em um coração dócil ao seu Criador e Redentor.

Sobre as “aves do céu”, que se aninham (literalmente: fazem tenda) nos ramos da “planta Reino de Deus”, a interpretação mais usada é a de que os outros encontram naquele em que o Reino de Deus, de semente tornou-se planta, um lugar de repouso. Porém, levando em conta o sentido das demais vezes em que Jesus falou delas, sou propenso a entender que elas encontram repouso à custa da planta. Ou seja: elas prejudicam a planta. Explico:

A expressão “Aves dos Céus” aparece nos evangelhos apenas em quatro contextos: 1) Quando o Senhor diz não possuir onde “reclinar a cabeça”, mas as aves dos céus têm ninhos, 2) na Parábola do Semeador, quando Jesus diz que as aves dos céus comem as sementes caídas no caminho, 3) na Parábola sobre a qual estou falando, e 4) quando Jesus desafia seus discípulos a terem fé em Deus que sustenta até as aves dos céus que não semeiam, não colhem e nem ajuntam em celeiros.

Ou seja, elas não aparecem em contextos favoráveis à planta. Elas se valem da planta, no mínimo, para pouso. Há textos que falam delas se alimentando das sementes de mostarda.

A experiência comprova. Alguém em cujo coração o Reino de Deus foi plantado mínima semente, e desabrochou planta frondosa, muitas vezes é explorado - humanamente falando - e enganado, ao ponto de nosso Mestre nos advertir que “porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz”, ou que nos enviou como cordeiro para o meio de lobos.

Porém, o consolo que temos é sua ordem de sermos misericordiosos como nosso Pai que “faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”.

Aquilo, que em nós teve um início pequeno, cresceu. Hoje, mesmo com prejuízo próprio coloca-se à disposição de seu Senhor, pois é súdito do Reino de Deus.

sábado, 2 de maio de 2009

Profecias que se cumprem

Em 1347, os venezianos disputavam com os genoveses a cidade de Kapha, que ficava na atual Ucrânia, e era comercialmente estratégica. Contrataram então um povo mongol para cercar a cidade, que, bem fortificada, oferecia grande resistência.

Os mongóis, dispersos por um território de vastas estepes conviviam, sem maiores danos, com uma febre que provocava o aparecimento de bolhas negras na pele. Entretanto agrupados em condições precárias, como acontece em uma guerra, foram os primeiros a experimentar um alto índice de mortandade entre seus soldados. Era a Peste Negra ou Peste Bubônica.

Talvez por estratégia de guerra, ou por vingança, atiraram cadáveres por cima das fortificações da cidade, e a contaminam.

Alguns fugitivos levaram a doença para a Anatólia (atual Turquia) e outros, em um barco, já chegaram mortos à Sicília, onde os que os enterraram foram o primeiros europeus contaminados. Dois anos depois a peste já havia chegado a grande parte da Europa, inclusive à Ibéria e às Ilhas Britânicas. Quatro anos depois chegou aos países nórdicos.

Matou cerca de 50 milhões de pessoas (talvez 75), o que equivalia a 1/3 da população européia da época. Há relatos de cidades inteiras abandonadas com pilhas de mortos insepultos, de desespero, pânico, descrédito e até fanatismo.

Antes da Peste Negra houve muitas outras. Porém nenhuma foi tão bem documentada quanto ela. Depois dela, além de seus retornos a cada geração de europeus durante os 400 anos gastos para se entender seus mecanismos de contaminação e tratamento, o mundo sofreu muitas outras pandemias.

As mais notáveis foram: a gripe espanhola na última metade de 1500, com mais de 1 milhão de mortos na Espanha e muitos em outros países. A Peste Italiana em 1630. A Praga Londrina em 1665, que matou cerca de 100 mil pessoas (1/5 dos habitantes de Londres) e muitos na Europa. A Peste de Viena em 1879. A gripe aviária, que desde 1900, quando foi registrada pela primeira vez na Itália, se manifesta esporadicamente no mundo todo e, quatro anos atrás trouxe pânico aos países da Ásia. Agora, o mundo se preocupa com a gripe suína.

Em todas as manifestações anteriores, os animais - ratos ou aves - eram os transmissores. E a velocidade de propagação da doença dependia da velocidade de locomoção deles: dos ratos, via de regra, nos navios, e das aves em suas migrações. Agora as pessoas são os transmissores. E transmitem com a rapidez do avião, que a levam em menos de um dia de um continente a outro. De um lado da terra ao outro.

Não deixa de ser notável, que o Sermão Profético de Jesus, proferido dias antes de sua morte, conhecido como o pequeno Apocalipse, e registrado nos três evangelhos sinóticos, concordam na enumeração de quase todas as catástrofes a que o Senhor se referiu: Guerras, terremotos e fomes. Entretanto, Lucas, o médico, destaca a palavra “pestilência” (no grego: loimos).

Alguns argumentam que com o aumento da população mundial a conseqüência direta é o aumento das doenças, especialmente das infecciosas. Pode ser. Porém, esse aumento que se observa no número de pandemias, é muito semelhante ao aumento que se observa no número de terremotos que independe do tamanho da população mundial. Ou seja: estamos vendo mais uma profecia se cumprindo debaixo de nossos olhos.

Não sabemos se ceifará muitas vidas como a Peste Negra o fez, muito menos se, as medidas que todos os países estão tomando serão suficientes. Porém sabemos que como não foi a primeira, não será a última.

Você já reparou que todas as advertências de Jesus já se cumpriram? Nesse mesmo sermão ele foi bem claro: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” Lc 21.33.

Entretanto, não há motivo para desespero, pois quem nos adverte é o mesmo que nos ordena a ter esperança e até mesmo a exultar com a proximidade de sua volta: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados. Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc 21.25-28).

sábado, 25 de abril de 2009

Noites e manhãs

Quantas vezes o Senhor Jesus deixou seus discípulos passarem uma noite infrutífera para logo de manhã lhes socorrer? Diversas.

Não foi assim quando ele os compeliu a embarcar após a multiplicação dos pães? Durante a noite inteira remaram apenas 5 a 6 quilômetros, contra o vento e as ondas, mas pouco antes do amanhecer Jesus os alcançou e os levou a bom porto.

Não foi assim quando Pedro, de longe, o via sofrer nas mãos dos sacerdotes, levitas e anciãos? Apenas, após o canto do galo, de madrugada, sob açoites, foi que o Senhor o “visitou” com seu olhar, e o levou ao porto das lágrimas, em que deveria abandonar sua valentia inconseqüente.

Não foi de madrugada que ele apareceu às mulheres que o procuravam no túmulo, após uma noite mais longa do que a noite comum, e capaz de envolver diversas noites com uma escuridão que cobre o sol e a alma?

Agora, muitos dias após sua ressurreição, Jesus estava sendo esperado por seus Apóstolos na Galiléia. Antes de ser preso pelos levitas, ele lhes marcara encontro lá, e os relembrara através das mulheres. Verdadeira noite de espera.

Muito mais aterradora do que a noite que envolveu o sábado, esta se alongou por vários dias e envolveu as almas de todos. Especialmente a alma de Pedro.

“O que será que o Jesus fará comigo?” Deveria pensar Pedro. “Ele lá apareceu às mulheres, à Cleopas - que nem é um dos Doze - e ao outro na estrada de Emaús. Mandou que Madalena me avisasse. Mas só apareceu a mim junto de todos. E nas duas vezes que me apareceu não me falou nada. Já apareceu até à Tomé, e fez questão de lhe mostrar seus ferimentos. Mas, comigo, nem uma palavra”.

“Eu prometi morrer por ele e o neguei. Menti. Praguejei. Jurei! Garanti que não o conhecia. E ele sabia o que eu estava fazendo. Aliás, sabia antes que eu o fizesse”.

O Salmo deve ter ressoado aos ouvidos de Pedro: “Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda”.

A angústia era enorme. Muito maior do que a angústia que ele sentiu naquela noite em que, com os outros, remara contra o mar encapelado. Agora ele estava só, e não sabia o que esperar de seu Senhor que tanto advertira sobre vigiar e que tantas vezes o corrigira.

“Vou pescar”. Disse então.

Estas duas palavras revelavam seu íntimo. Era como se ele dissesse: “Não agüento mais. Desisto”. Parece que os demais estavam angustiados também, pois foram com ele.

Era início de primavera e os dias ainda estavam frios. As noites mais frias ainda. E uma noite em um barco era gelada. Mas o esforço para afastar aquela angústia fazia com que Pedro trabalhasse mais. A ponto de, suado, tirar suas roupas.

Por alguns instantes experimentou os velhos sentimentos de liberdade que tinha antes de conhecer a Jesus: voltara a fazer o que sempre fizera sem depender das ordens de ninguém. Despreocupara-se da vida. Talvez percebesse que a noite passava sem qualquer pescado, mas, pelo menos, passava. Era melhor do que ficar remoendo as lembranças.

Aquela noite, que envolvia os dias, condensava-se em uma noite de trabalho infrutífero tão óbvio quanto remar contra as ondas. Mas nem mesmo ele percebia.

A claridade já mostrava a praia e nela um vulto. No silêncio, ouviram a ordem de jogar as redes do lado direito do barco. De repente aquilo que não conseguiram durante toda uma noite afanosa ameaçava romper as redes.

Quem fora chamado a ser pescador de homens não poderia mais resolver sua vida pescando peixes.

Pedro se vestiu. Era o Senhor.

Certamente lhe veio a mente o que acontecera dois anos e meio antes, quando, no mesmo lago, após uma noite de pesca infrutífera, dois barcos quase afundaram com tantos peixes após o Senhor mandar que jogassem a rede. Naquela ocasião, “prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador”. Mas Jesus respondeu: “Não temas; doravante serás pescador de homens”.

O Senhor, que tinha todo direito de repreendê-los - especialmente a Pedro - os recebeu com pães e peixes, prontos para ser comidos, como acontecera nas duas multiplicações, e os serviu como fizera na ceia.

A vez de Pedro havia chegado.

Sua repreensão foi a mais dura. Como sua negação fora tríplice seu amor foi questionado três vezes e depois de cada questionamento sua missão, dada há dois anos e meio lhe era relembrada: “apascenta minhas ovelhas”. Era como se Jesus lhe dissesse: não se ocupe de nada mais além de fazer o que eu estou mandando.

Na primeira ocasião em que, prostrado aos pés do Senhor, ele confessou-se indigno recebeu a missão de pescar homens. Agora confessando que o sabedor de todas as coisas - até daquilo que ainda não foi dito - sabia também o quanto era amado por ele, recebeu a missão de alimentar seu rebanho.

A noite chegou ao fim. A manhã, brilhante sobre o Mar da Galiléia era pálida diante da que brilhava no coração de Pedro.

Manhãs assim sempre brilham e sempre brilharão sobre aqueles a quem o Senhor chamou.

domingo, 19 de abril de 2009

Jesus apareceu ressurreto apenas a alguns

Depois que o Senhor Jesus ressuscitou apareceu a muitas pessoas mais ou menos na seguinte ordem: a Maria Madalena, a outras mulheres, a dois discípulos no caminho de Emaús, a Pedro, a dez apóstolos escondidos, aos dez e Tomé (no domingo seguinte), a sete discípulos que estavam pescando, a onze apóstolos, a mais de quinhentos discípulos, a Tiago (seu meio irmão), aos onze apóstolos por ocasião da ascensão e a Paulo (alguns anos depois).

O próprio Paulo resume assim: “... e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas e, depois, aos doze. Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem. Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo” (1Co 15.4-8).

A Tomé o Senhor precisou apresentar provas de que “era ele mesmo”, mas não o deixou sem uma repreensão. Diferentemente, Lucas, médico, vários anos mais tarde, ficou tão impressionado com os relatos da ressurreição do Senhor que escreveu: “... depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis” (At 1.3).

Mas, por que o Senhor Jesus não apareceu a todos?

Quanto escuto alguém dizer que o cristianismo baseia-se em lendas, contos, ou relatos desvirtuados, ou que a existência de Jesus não passa de uma ficção, eu me lembro disso: ele apareceu apenas a alguns!

Explico: se tudo isso fosse uma história inventada, o final esperado seria Jesus aparecendo a todos, indistintamente, punindo os que tinham obrigação de zelar por seus interesses e em vez disso o condenaram à morte. Não é assim que terminam as histórias em cujo gênero literário querem encaixar as Sagradas Escrituras?

Replicam, entretanto, que, como apenas alguns o viram depois da ressurreição, é de se suspeitar da narrativa. Mas, como suspeitar de homens que mantiveram tal testemunho “inacreditável” mesmo ameaçados de morte?

Voltemos à pergunta: Por que Jesus não apareceu a todos?

Lucas nos dá a melhor resposta: “A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.44-49).

Em síntese: Os novos filhos de Abraão não nascem “do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Nascem da fé. Que outro processo haveria de gerar estes novos descendente senão “a loucura da pregação”?

Crer, no que não se viu, disse Jesus a Tomé, é bem-aventurança. E, para garantir que apenas os que “crêem em seu nome” respondam a uma mensagem tão inusitada, o Senhor Jesus houve por bem divulgar sua ressurreição - sua vitória sobre a morte e nossa paz com Deus - através das testemunhas que ele selecionou.

Assim o Evangelho é pregado conforme sua natureza: “Escândalo para os judeus, loucura para os gentios” (1Co 1.23).

O anúncio do evangelho decorre desse fato: Jesus só apareceu àqueles a quem enviou! E, por conseqüência, essa é uma das marcas dos falsos apóstolos: anunciar a verdade calcados em mentiras dizendo terem visto o Senhor.

Daqueles a quem ele apareceu, chegou a nós o santo evangelho. A esses ouvimos. E, em nós, manifestou-se a verdadeira fé. Fé que não depende de nada além do poder de Deus. Fé que subsiste a despeito de tudo.

Bendito instrumento que gera os novos - os verdadeiros - filhos de Abraão.

domingo, 12 de abril de 2009

O valor do Senhor Jesus

Assim como Judas passou a história com sinônimo de traidor, 30 moedas de prata também passaram a história como preço da traição. Mas o que isso significa financeiramente? É muito dinheiro? Sabemos pouco. Porém há alguns indícios que podem nos dar uma idéia.

Parece que esse era o preço de um escravo no Antigo Testamento: “Se o boi chifrar um escravo ou uma escrava, dar-se-ão trinta siclos (Shekels) de prata ao senhor destes” (Ex 21.32). Naqueles dias o siclo era equivalente a umas 10 gramas. Hoje o grama de prata está cotado em cerca de 55 Reais (valorizado pela crise que vivemos). Portanto: 30 siclos de 10 gramas vezes 55 Reais: 16.500 Reais.

Mateus fala deste valor com desdém: “Então, se cumpriu o que foi dito por intermédio do profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi estimado aquele a quem alguns dos filhos de Israel avaliaram; e as deram pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor” (Mt 27.9-10).

Na época do Novo Testamento o siclo já não era usado e Judas recebeu “moedas de prata”. Cada uma era equivalente a uma Tetradracma (4 dracmas). Uma dracma (unidade monetária básica dos gregos) valia geralmente tanto quanto um denário. Portanto, trinta moedas de prata valiam o mesmo que 120 denários.

Grosso modo, poderíamos dizer que 1 denário seria o que pagamos hoje por dia a um faxineiro ou a um servente de pedreiro. Algo como 50 Reais. Portanto: 6.000 Reais.

Chegamos então a um valor que oscila entre 16 e 6 mil Reais. Sou mais propenso ao valor menor para os dias de Jesus, pois é natural que os metais preciosos baixem de preço em tanto tempo.

Curiosamente o seguro obrigatório (DPVAT) de hoje, indeniza um óbito com 10.300 Reais: valor médio entre os dois.

Não estou tentando dizer que uma quantia maior justifica a vida de alguém, muito menos a de nosso Senhor, apenas tentando mostrar a mesquinhez do ato de Judas. Especialmente porque Mateus e Marcos contam que na quarta-feira, à noite, em uma ceia na casa de Lázaro, uma mulher derramou sobre a cabeça do Senhor Jesus o equivalente a 300 denários de perfume.

Um denário (unidade monetária básica dos romanos, de onde vem nossa palavra dinheiro) era uma moeda romana também cunhada em prata, e não estaríamos muito errados se disséssemos que o perfume derramado sobre o Senhor custou o equivalente a 15.000 Reais.

O que o Apóstolo do Senhor lucrou com sua traição foi menos do que a mulher gastou apenas para perfumar o Senhor.

Tomando o relato de João, como paralelo, tenho a impressão de que quando Jesus saiu em defesa da mulher, que estava sendo criticada pelo desperdício, Judas sentiu-se “desautorizado publicamente” pelo Senhor.

João esclarece que Judas não estava pensando nos pobres, como declarou quando criticou o desperdício, mas que era ladrão. Faz sentido então ele sair daquele ambiente com raiva procurando vingar-se vendendo o Senhor que lhe criticara.

Que contrastes! Um Apóstolo e uma anônima. Uma traição vil e uma demonstração de amor abnegado. Um que lucra à custa do Senhor e a outra que derrama sobre ele o que tinha de mais precioso.

Não salta aos nossos olhos o quanto esta situação repete-se em nossos dias? Acaso não vemos tantos gananciosos traindo o Senhor e sua mensagem para os quais Jesus vale apenas o que podem lucrar com ele?

Graça a Deus! Ainda há alguns como aquela mulher - que onde o evangelho for pregado seu gesto será lembrado - que lhe entregam tudo o que possuem - até a própria vida - pois para eles o Senhor Jesus vale mais do tudo.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A estrada e o templo de Jerusalém

As diversas estradas que davam em Jerusalém se encontravam em determinado ponto depois do qual se avistava a cidade do outro lado do vale.

Desse lugar, ao vê-la, o Senhor lamentou seus erros e seu destino: Era a Jerusalém que apedrejava os profetas e que perseguiam os que Deus lhe enviara.

Por essa mesma estrada, trilhada diariamente por anônimos, no tempo dos reis, os exércitos de Israel, montados ou não, voltavam para casa depois da guerra. E por essa mesma estrada exércitos estrangeiros, invadiram Jerusalém e puseram contra ela tranqueiras e emboscadas.

Cheia de peregrinos, às vésperas de cada festa religiosa, essa estrada testemunhou a aflição com que a mãe do Senhor procurava entre seus parentes e outros peregrinos, seu filho de doze anos que permanecera no templo na primeira discussão que tivera com sábios de lá.

Bendita estrada em que a simples alegria de ser convidado à casa do Senhor transbordava em cânticos de louvor e a certeza de que nosso socorro vem do senhor que fez o céu a terra.

Agora ela testemunha uma multidão – segundo João, a mesma que testemunhara a ressurreição de Lázaro – recebendo Jesus, montado sobre um animal de carga.

Embora não usasse montarias esplêndidas, como os reis que retornavam triunfantes da batalha, o Senhor foi recebido com a mesma frase que eles eram recebidos: Bendito o que vem em nome do Senhor!

Mas Jesus não está vindo a Jerusalém para ressuscitar outros lázaros, ou para inaugurar uma nova ordem política, muito menos para revoltar a grande quantidade de peregrinos contra os invasores romanos. Seu primeiro ato foi investigar o local de culto. O local onde ele, a verdadeira vítima, seria oferecida no verdadeiro culto do qual todos os demais foram antítipos sombrios.

E, ao examinar este local consagrado a Deus, o amigo de publicanos e pecadores, tornou-se inimigo feroz dos que tiravam proveito daquele santo lugar e o transformaram em “covil de salteadores”.

Essa inimizade foi acirrada à medida que a semana passou e a conspiração que já havia começado há tempos atrás ganhou consistência. Materializou-se na cruz.

E irônico observar como ir à Casa de Deus, fazer a vontade de Deus, trouxe conseqüências terríveis. Porém, é mais assustador, quando observamos que isto se repete hoje, pois, como naqueles dias, a Casa de Deus é cada vez mais usada para propósitos particulares.

Disse o salmista: “Vi os infiéis e senti desgosto, porque não guardam a tua palavra” (Sl 119.158). Não é isso que sentimos, depois de trilhar a longa estrada que nos leva a Casa de Deus, e encontramos nela qualquer coisa menos a Palavra de Deus?

Sirva esta semana de ênfase para nossas meditações sobre o caminho que trilhamos até chegarmos, como Igreja, à Casa do Senhor. Sirva também, para nos questionar: Como Jesus se sentiria no local que consagramos a, em seu nome, louvarmos ao Pai?

sábado, 28 de março de 2009

Dias atípicos

Por vezes os dias passam rotineiramente lentos. Por vezes parecem tão velozes, entre sucessos e infortúnios, que assustam. Como as três últimas semanas.

Alegria foi a tônica do casamento da Maressa em Lajinha. Não poderia ser diferente: Igreja cheia. Aliás, cidade cheia: todos os hotéis lotados e muitos convidados de longe. Adornada pela simplicidade a cerimônia não poderia ser mais bela.

Cheguei de volta pouco depois do meio dia de Domingo e uma hora depois ouvi que o Lairton falecera. Descanso nos pastos verdes e águas tranqüilas do Bom Pastor, dor e saudade no meio dos queridos que com ele sofreram as angústias dos últimos dias.

Uma família já grande foi aumentada pela família da fé, que se despediu com hinos de louvor àquele que o chamou e chamará a cada um de nós no devido tempo.

Durante a semana, enquanto o Misael convalescia, uma verdadeira têmpera de emoções se sucedia: a alegria de um aniversário contrapunha-se a uma visita no hospital, o prazer de receber amigos não vistos há mais de 4 anos contrastava com a dor de ver outros em dificuldades.

Tudo isso sob um mormaço inclemente que inutilizava os ventiladores fazendo-os circular ar quente. A sexta-feira, que já amanheceu quente, trouxe outro tipo de calor: o susto do acidente com o Waguinho.

“Basta a cada dia seu próprio mal”, disse nosso Mestre e Senhor, trazendo a impressão de que para cada dia há um mal determinado. E parecia haver.

No sábado pela manhã chegou a notícia de que D. Margarida caíra. No hospital, à hora do almoço, falava-se de algo mais grave. Mais grave para nós, pois para ela era a voz do Bom Pastor, aos pés de quem ela intercedia por todos nós diariamente. No domingo ela finalmente repousou em seus santos braços.

Quando cheguei do hospital no sábado senti febre. Era sinal de uma dengue que me acompanhou por dez dias e, algumas vezes, me fez pensar em encontrar o Lairton e D. Margarida à mesa do Senhor.

Voltamos ao normal.

Normal? Não estava tudo normal antes da doença do Lairton? Não estava tudo normal antes da queda de D. Margarida?

Falta-nos uma expressão adequada: desde quando ouvir o chamado do Bom Pastor é anormal? Mas, você dirá: “tantos insucessos seguidos é algo anormal, ou, pelo menos, atípico como o título do artigo”.

Pode ser. Pelo nosso ponto de vista pode ser. Mas nunca pelo ponto de vista daquele que nos espera e continuará nos chamando.

A quem ele chamará agora? Alguns anseiam por ouvir sua voz e ficarem livres de suas dores. Outros tremem e acham que ainda não é a hora. E outros apavoram-se fascinados com o presente século. Ele, porém, continuará chamando. Sejam dias atípicos ou não.

Não é melhor estar preparado?

O Mestre era a própria Palavra

Já vimos que a prioridade do Senhor Jesus era ensinar. Ele fazia outras coisas, porque era necessário fazê-las, mas sua missão básica era ensinar e pregar o evangelho. Na realidade seu ensino era a própria pregação do evangelho.

Parece que ele preferia ensinar pessoalmente, mas também ensinava às multidões. Via as multidões como “ovelhas sem pastor” (Essa frase foi repetida diversas vezes no Antigo Testamento quando morria um rei de Israel).

Ele cercava-se de cuidados. Uma vez ordenou a seus discípulos que tivessem sempre pronto um barquinho, pois as multidões, chegando cada vez mais perto, o “empurravam” em direção a água. Outra vez entrou num barco e, de dentro dele, afastado da margem, ensinou aos que estavam à beira da água.

Outra vez – pelo menos duas – ele colocou-se em terreno mais alto do que as multidões. Foi de um lugar assim que ele proferiu o que conhecemos hoje como Sermão da Monte.

Nunca deixou de discutir, nem de ensinar nos alpendres do templo. Aliás, já aos 12 anos seus pais o encontraram lá discutindo com os doutores da lei.

Nunca deixou de atender aos que o procuravam a sós. Atendeu ao velho Nicodemos que o procurou coberto pelo manto da noite e atendeu ao jovem rico que parecia buscar um elogio. Porém, foi sempre implacável com o erro: expôs a Nicodemos sua ignorância apesar de reconhecê-lo “mestre em Israel” e foi duro com o jovem rico, que ausentou-se triste. Encontrou a Deus. Falou com ele. Recebeu orientação e afastou-se triste. Como dizemos: Saiu pior do que chegou.

Enquanto não transigia com o erro não deixava de atender carinhosamente aos sofridos. Perdoou a mulher flagrada em adultério, mas ordenou-lhe a não pecar mais e desafiou aos hipócritas que não trouxeram também o homem a jogar nela a primeira pedra.

Não creio que tenha havido um lugar especial, mas, sem dúvida, houve um método especial: as parábolas. Com elas ele se fazia entendido daqueles a quem o Espírito Santo adrede preparara o coração. E com elas se fazia incompreensível aos que não lhe foram dados pelo Pai. Aos primeiros não lançou fora e não deixou que fossem arrebatados de suas mãos. Aos outros, suas parábolas, cegavam os olhos, tapavam os ouvidos e endureciam o coração.

O Senhor ensinava!

Como devem ter sido doces suas repreensões e claras suas explicações. Os dois de Emaús se referiram a tais momentos como momentos em que “lhes ardia o coração”, e Pedro lhes chamou de “palavras de vida eterna”. Até quem não as entendia, aos quais seu sentido era vedado, concordava que ele ensinava como quem tem autoridade; diferentemente do que faziam os escribas.

O Senhor ainda ensina! Suas palavras registradas, ainda hoje afetam o coração dos que foram preparados pelo seu Espírito. Ainda provocam transformações e ainda iluminam mentes.

O Senhor ensinava e ensina: apascentava (lembre-se de que o sentido primário do verbo pascir – de onde vem ‘apascentar’ – é alimentar). Ele alimentou com as palavras que não voltam vazias para o Pai. Aliás ele mesmo era a palavra da qual todas as outras se derivam e ganham significados.

É a palavra que mudou vidas e muda até hoje. É a palavra que jamais deixou de fazer o que é da vontade do Pai. Quando necessitou criar a luz, disse “haja luz”. E, se hoje é necessário vivificar mortos, nada lhe é impossível. Qual Lázaro, ao ouvir sua voz, todos nós saímos de nossos túmulos em que, mortos em nossos delitos e pecados, nos putrefazíamos.

O Mestre ensinava porque era o próprio ensino. Era, e é, a Palavra.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Evangelizar

Já vimos que o Mestre mandou seus discípulos prepararem as cidades nas quais ele iria passar. Preparar como? Divulgando publicitariamente? Fazendo palanques? Não! Curando os doentes e libertando os endemoninhados.

O Senhor os comissionou para fazerem isso antecipadamente para que, quando ele chegasse naquela cidade, pudesse gastar seu tempo ensinando.

Que diferença do que se faz hoje: as cidades são preparadas para que o "grande servo de Deus" possa mostrar seus dons de cura e seu poder de expulsar demônios (não sem antes obrigá-los a confessar seus nomes, castas, e depravações preferidas). Nosso Senhor preferia ensinar.

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Mas, até mesmo no ato de ensinar, havia diferença. Ele jamais se preocupou em ensinar como ter sucesso profissional ou social. Sua preocupação era ensinar como amar a Deus e como amar o próximo. Hoje a maior preocupação é ensinar como obter os favores de Deus e principalmente como superar as dificuldades.

“Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas ... vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias” era a pregação de João Batista, e foi assim que os discípulos prepararam as cidades antes dele as visitar. Mas hoje se enche os muros de cartazes e a mídia eletrônica de mensagens do tipo: “grande show da fé: Milagres, curas, libertações e muita música com o Conjunto Fulano e adoração com o Grupo de Coreografia Sicrano.

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Mas, como anunciar o Evangelho sem outros atrativos? Só o “Evangelho seco”? Ou como me aconselhava Seu Pedro: - Pastor; tem de ter um chamarisco!

Creio que é exatamente aí que está a diferença entre o anúncio correto e anúncio errado do Evangelho. Mas, antes de falar sobre isso quero deixar bem claro que Deus usa até o anúncio errado, como ele usou a jumenta de Balaão. Entretanto, cabe a nós usar o modo correto.

Seu Pedro, me exortando a usar um chamarisco, tinha em mente uma pescaria em que, durante certo tempo, se alimenta os peixes em determinado lugar (e hora), para depois vir com o anzol. Observe que isso pressupõe “segundas intenções” e é muito semelhante à preparação antecipada a que me referi.

Anunciar o Evangelho pressupõe entregar boas novas, boas notícias; comunicar algo pelo qual o ouvinte espera. Por essa razão Jesus mandou adiante de si quem resolvesse os problemas materiais (doenças) e os espirituais (demônios), para que, quando ele chegasse, pudesse anunciar claramente o Evangelho, as boas novas, as boas notícias. Ou seja: a dívida de vocês, para com Deus, está paga. Eu paguei. (Obviamente, hoje temos de dizer: a dívida de vocês, para com Deus, está paga. Jesus pagou).

Quando eu falava isso, Seu Pedro me respondia: - Mas Pastor, ninguém sabe que deve a Deus, não!

Quase concordo com Seu Pedro. Porém alguns sabem que devem a Deus: os que ele mesmo chamou. Esses tem certa de que são devedores, porque são aquela terra preparada na qual, caindo a semente, nasce, cresce e “frutifica a trinta, a sessenta e a cem por um”.

Percebeu? Quando o Evangelho é anunciado do modo errado - com chamariscos - há resultados numericamente maiores, mas junto com os preparados por Deus virão também os que estão interessados no chamarisco. Quando o Evangelho é anunciado corretamente, somente aqueles a quem Deus preparou o recebem. Por esta razão o Senhor Jesus pregava usando parábolas.

domingo, 1 de março de 2009

Condoído e indignado

O Evangelista Marcos usou essa expressão para descrever o que nosso Senhor sentiu ao ver um grupo de líderes religiosos ansiosos para saber se ele curaria, no sábado, a mão aleijada de um homem.

Marcos destaca em seu Evangelho os atos de Jesus, e, logo no início, relata como a prisão de João Batista influenciou nosso Senhor a iniciar seu ministério na Galiléia. Veja:

“Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.14).

Chamada de Galiléia dos Gentios, por sua população miscigenada à força desde a invasão dos Assírios, a Galiléia era uma terra desprezada por todos. Para os judeus fazia parte do antigo e rebelde Reino do Norte e para os Romanos era onde regularmente cobravam impostos e esporadicamente sufocavam rebeliões.

Grande baixio ao norte das montanhas de Judá e às margens do lago de Tiberíades, que, de grande, era chamado de Mar da Galliléia. Vivia da agricultura e principalmente da pesca, que chegava a demandar pequenos grupos pesqueiros - como as famílias de Pedro e de João - devido a venda de uma espécie de molho de peixes, muito apreciado pelos romanos. Era lembrada tanto pelo fedor de suas cidades pesqueiras, quanto pelo atraso cultural de seus habitantes.

Lugar proverbial: Nicodemos ouviu de seus colegas “Examina e verás que da Galiléia não se levanta profeta”. E Natanael perguntou a seu irmão Felipe: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?”.

Nessa terra desprezada nosso Mestre começou seu ministério terreno. Ele já a conhecia bem. Afinal fora criado em uma de suas cidades: Nazaré. Aquela, da qual se dizia não produzir nada de bom.

Mal tomou a tarefa de João três empecilhos se levantaram. Necessidades materiais, espirituais e perseguição religiosa.

Não eram poucos aqueles a quem as enfermidades falavam mais alto do que o Evangelho; a esses ele curou. Também libertou aos que o inimigo possuía. Mas, tenho a impressão de que, o que mais aborrecia o Senhor era o comportamento vil daqueles que deveriam justamente cuidar de seus interesses.

Quando leio o Novo Testamento sempre tenho a impressão de que os judeus até toleravam certa pluralidade de pensamento - veja o nome das sinagogas que se juntaram contra Estêvão e a alusão a seitas judaicas no livro de Atos - desde que o sábado e a circuncisão fossem observados e as autoridades do templo acatadas. Entretanto, como o Senhor mesmo disse: Coavam mosquitos e engoliam camelos.

A estratégia do Senhor para enfrentar tais obstáculos foi simples: Além dos 12 que chamou para estarem juntos de si, comissionou 70, deu-lhes autoridade sobre doenças e demônios e determinou que fossem à frente preparando cada cidade em que ele ia passar.

Obviamente sua intenção era ter mais tempo para pregar o evangelho e ensinar. Porém, nem os 70, nem os 12, detiveram os líderes religiosos. A dureza de coração deles, e o “desconhecimento das Escrituras e do poder de Deus” não apenas os mantiveram “laborando em grande erro”, mas foram os instrumentos que Deus usou para levaram seu Filho ao último altar da Antiga Aliança: a cruz.

Condoído com a natureza humana e indignado com a incredulidade dos que, devendo conhecê-la, e levá-la aos pés do Redentor se aproveitavam dela para manter seus próprios privilégios: Obreiros da iniqüidade.

Não há muita diferença do que ocorre hoje. Entretanto, como naqueles dias, o evangelho não está amordaçado.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Prova da verdadeira fé

Em meu último artigo, escrevi: "ou Jesus era Deus ou era o pior homem que já existiu". Tal frase foi motivo de alguns comentários, que normalmente não levaria adiante, mas como eles revelam um pensamento bem atual achei melhor escrever algo.

Bastou uma busca rápida no catálogo de apenas uma livraria, e encontrei os seguintes livros:

·      Jesus, o maior líder que já existiu.

·      Jesus, o maior executivo que já existiu.

·      Jesus, o maior psicólogo que já existiu.

·      Jesus, o maior filósofo que já existiu.

·      Jesus, o maior especialista no território da emoção.

·      Jesus, o maior educador da história.

·      Jesus, o maior homem do mundo.

·      Jesus, o maior de todos.

Todos os títulos acima são de livros que atualmente estão à venda e acho que você conhece outros semelhantes. Entretanto, observe como, no intuito de elogiar ao Senhor, tais qualificações o degradam: Os grandes líderes, executivos, psicólogos, filósofos, especialistas (em qualquer área), educadores, etc. não reivindicam ser Deus.

Líderes cristãos, como Churchil, ou um não cristãos, como Gandhi, ou, até ateus, como Lenin, nunca fizeram isso, pois se o fizessem seriam tidos por doidos, ou, no mínimo seriam alvo de deboches.

Mesmo os que detiveram grande poder, como Gengis Kahn, Stalin, e outros, também não fizeram isso. E, caso fizessem, seriam acreditados? Certamente não.

Porém, se, além de dizerem-se Deus, passassem a se comportar como Deus, perdoando os erros cometidos contra terceiros, perdoando desobediências aos princípios estabelecidos no Antigo Testamento, não seriam ainda mais ignóbeis?

Mas, ainda que, por piedade ou por medo, alguém os considerasse apenas loucos e ficasse claro que estavam de posse plena de suas faculdades mentais, não os chamaríamos, mediante insistência em apresentarem-se como Deus, de impostores e mentirosos?

Percebeu? Os grandes homens não se auto-declaram Deus! Os que fazem isso classificamos de loucos ou mentirosos.

No caso de nosso Senhor Jesus Cristo, há um agravante: ele não apenas declarou-se Deus, e agiu como se fosse Deus, perdoando e recebendo adoração, mas provou ser Deus, fazendo milagres impossíveis de serem fraudados como restaurar a visão e saúde a cegos e aleijados de nascença, ou restaurando a vida a quem já apodrecia no túmulo. Finalmente, retornando a vida, apos ter sido morto.

Era dentro desse contexto que a Igreja, desde o princípio declarou que não há meio termo. Não adianta dizer que Jesus foi apenas um grande homem, grande mestre, ou o que o valha. Ou você o tem como Deus, ou você não tem parte com ele.

Esse é o teste da verdadeira fé: ou Jesus era Deus, ou era o pior homem que já andou sobre a terra.

Ainda sobre Carnaval

Nesta semana que passou a internet “viralizou” um vídeo de um carnavalesco comparando um desfile de uma escola de samba com um despacho de m...