sábado, 16 de agosto de 2008

149 anos de lutas

Na semana passada comemoramos 149 anos da implantação da Igreja Presbiteriana em nosso País. Na realidade comemoramos o dia da chegada do primeiro missionário, pois ainda a estamos implantando. Não posso dizer que foram 149 anos apenas de lutas, mas foram principalmente de lutas.

Encontramos receptividade e desafios.

Aliás, quando se anuncia o Santo Evangelho as respostas invariavelmente são as mesmas recebidas pelo Apóstolo Paulo no areópago em Atenas: Objeção, procrastinação e aceitação.

“Quando ouviram falar de ressurreição de mortos, uns escarneceram, e outros disseram: A respeito disso te ouviremos noutra ocasião. ... porém, alguns homens que se agregaram a ele e creram” (At 17.32-34).

Invertendo a ordem: encontramos receptividade entre os que já haviam conhecido as Escrituras pela mão dos colportores, que haviam visitado o Brasil anos antes, disseminando a Bíblia.

Encontramos receptividade também entre os que tinham luta comum contra o status quo, como os maçons e os republicanos, pois viam o protestantismo como uma posição política e cultural de vanguarda comum aos países mais desenvolvidos de então.

Algumas vezes tal receptividade resultou em conversões sinceras, outras vezes em apoio indispensável, mas sem comprometimento religioso, e outras em apenas cobeligerância contra um obstáculo comum.

A procrastinação teve também aspectos positivos, pois creio que ela é o fator principal da índole tolerante do brasileiro, que, se não foi extremamente receptivo, também não foi violentamente refratário como aconteceu em Espanha, Portugal e França e em outros países onde muito sangue foi derramado.

A objeção, assumiu os mais diversos aspectos. Sofremos perseguições e algum derramamento de sangue. Precisamos construir cemitérios, pois nossos mortos “não deveriam contaminar a terra santa onde descansava o corpo dos fiéis” apesar dela ser pública e não de uma denominação em particular. Tivemos de estabelecer escolas, pois nossos filhos eram proibidos de freqüentar a escola, ainda que fosse pública. Mas não há como comparar ao que nossos irmãos sofreram nos países citados.

A esse tipo de objeção - velada, política e algumas vezes violenta - correndo o risco de ser mal interpretado, atribuo à superstição (que acaba sendo o desenvolvimento dos mesmos fatores que geraram a procrastinação). e que infelizmente está sendo aumentada pelos “neo-evangélicos”. É principalmente neste ponto é que nossa luta de 149 anos continua.

Costuma-se dizer que o brasileiro é 1/3 indígena, 1/3 europeu e 1/3 africano. Portanto, 1/3 animista, 1/3 racionalista e 1/3 politeísta.

Não concordo. Pois o “europeu” que veio para cá havia ficado 400 anos debaixo da influência moura (mulçumanos que invadiram a península Ibéria através da África). Ou seja: o cristianismo que chegou aqui, com os portugueses, tinha muito pouco de Roma. Era mais místico, mais independente do Papa e mais submisso ao rei. Acima e tudo era “sebastianista”. Explico:

Portugal teve um rei (D. Sebastião), que foi morto com seu exército, enfileirados para o combate, mas esperando um sinal do céu para atacar o exército inimigo que estava na frente. Como o sinal não veio os inimigos atacaram com sucesso. No imaginário português, esse rei foi então guardado por Deus, mas voltará para “livrar Portugal”.

Essa crença era tão difundida, que Euclides da Cunha relata uma matança de crianças nas vizinhanças de Canudos, na esperança que o sangue delas trouxesse D. Sebastião de volta.

Ou seja: o cristianismo que chegou aqui com os portugueses era “messiânico”.

São esses os fatores que os neo-evangélicos e o movimento carismático se baseiam e mais atinge o brasileiro: O animismo, o messianismo e o politeísmo.

O animismo pode ser visto nas pajelanças travestidas de rodas de “cura divina”. O messianismo, nas promessas sempre renovadas - mas nunca cumpridas - de vitória sobre todas as vicissitudes. E o politeísmo no número enorme de santos especialistas e nas pessoas com “oração de poder”.

Nossa luta continua. Os mesmos desafios de 149 anos atrás ainda estão presentes.

2 comentários:

Anônimo disse...

A Paz do Senhor, irmão Folton!

O irmão disse a respeito da recepitividade da Igreja Presbiteriana no Brasil o seguinte: "Encontramos receptividade também entre os que tinham luta comum contra o status quo, como os maçons e os republicanos, pois viam o protestantismo como uma posição política e cultural de vanguarda comum aos países mais desenvolvidos de então."
Queria saber como a Igreja Presbiteriana vê a maçonaria, pois muitas igrejas evangélicas passam uma imagem ruim da MAÇONARIA.

Desde já agradeço!
Cleiton

folton nogueira disse...

Cleiton
As últimas decisões do Supremo Concílio (SC) e de sua Comissão Executiva são contrárias à maçonaria. Entretanto alguns maçons crêem que elas são inconstitucionais e recorrerão ao próximo SC.

Ab
Fôlton