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sábado, 13 de setembro de 2014

Ezequiel, Isaías e Apocalipse

Não é de hoje que alguns estudiosos apontam semelhanças entre o Apocalipse de João e o Livro do Profeta Ezequiel (Para uma lista completa veja o artigo de David Chilton, “Apocalipse, Ezequiel e o Lecionário”, que pode ser achado em www.monergismo.com). Essas semelhanças podem ser diretas (quando as palavras são praticamente as mesmas) ou indiretas (quando o texto de João suscita apenas uma lembrança do texto de Ezequiel). A seguir, listo alguns exemplos, que eu mesmo escolhi, de semelhanças diretas.
1 - O livro selado por dentro e por fora, doce aos lábios (e, para João,  amargo ao estômago), descrito nos capítulos 5 e 10 de Apocalipse, pode ser visto em Ez 2.8 – 3.3.
2 - O trono de Deus, descrito em Ap 4, é muito parecido com o que é  descrito no capítulo 1 de Ezequiel.
3 - O povo de Deus é marcado na fronte, tanto em Ap 7.2-8 quanto em Ez 9.1-8.
4 - Em ambos (Ap 11.1-2 e Ez 40 – 43) o Templo é medido.
5 - Em ambos um banquete terrível (das carnes dos comandantes e dos príncipes da terra) é oferecido às aves do céu (e aos animais do campo, em Ezequiel): Ez 39.17-20 e Ap 19.5-21.
6 - Nos dois há uma “primeira ressurreição”. No apocalipse, são aqueles sobre os quais a segunda morte não tem poder (Ap 20.4-6) e, em Ezequiel, o vale de ossos secos do capítulo 37.
7 - Com exceção das listas genealógicas de Gênesis e de Crônicas, Gogue e Magogue só são citados em Ezequiel e no Apocalipse. E em ambos como inimigos do povo de Deus (Ap 20.7-9 e Ez 38 e 39).
8 - Em ambos há uma descrição muito semelhante do que João denomina de “Nova Jerusalém” (Ap 21 e Ez 40 – 48).
9 - João descreve (Ap 22.1-5)  o Rio da Vida de modo muito parecido com o rio descrito por Ezequiel (Ez 47).
Há muito mais! Entretanto, o que pretendo destacar, além da possibilidade de João ter usado o livro de Ezequiel, é que ambos tenham descrito as mesmas realidades. Ou seja: Ambos descrevem a mesma realidade.
Antes dos dois, Isaías também já havia descrito o trono de Deus, mas ainda não vi quem dissesse que Ezequiel usou o Livro de Isaías. Observe que, em cada uma dessas descrições, os detalhes dos arredores do trono são minuciosos, mas as descrições daquele que ocupa o trono é pouquíssima (ou inexistente) e muito cuidadosa.
Em Ezequiel (1.1-14) as figuras são: Vento tempestuoso, grande nuvem com fogo a revolver-se, com o redor resplandecente e algo brilhante como metal em seu interior. Quatro seres viventes, que saem da nuvem, tendo a aparência geral de homem, luzindo como o bronze polido, parecidos com “carvão em brasa à semelhança de tochas”, com os pés parecidos a pés de bezerro e as pernas retas. Cada um possuía quatro asas e quatro rostos (homem, leão, boi e águia), de modo que não se viravam, mas estavam sempre andando para frente. Ziguezagueavam como relâmpagos.
A “aparência da glória do SENHOR” é descrita (1.26-28) assim: Em uma espécie de trono de safira “uma figura semelhante a um homem” como metal brilhante, como fogo resplandecente ao seu redor, como o arco-íris.
A reação de Ezequiel: “caí com rosto em terra e ouvia voz de quem falava”. 
Em Isaías as figuras são: trono rodeado de serafins (ardentes) que possuíam seis asas e voavam ao redor gritando uns para os outros: “santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”.
O Senhor é descrito apenas por sua roupa e por sua presença (enchendo o templo de fumaça e fazendo tremer os alicerces).
A reação de Isaías foi: “Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!”.
No Apocalipse além dos elementos comuns aos relatos de Ezequiel e de Isaías há também elementos novos:
1 - Diferentemente de Ezequiel, João não revela do que o trono é feito (e transmite uma leve impressão de que foi montado ali para aquela ocasião). Semelhantemente a Ezequiel, João descreve um arco-íris ao redor do trono, porém com o aspecto de esmeralda.
2 - Além de Ezequiel e Isaías, João fala de vinte e quatro anciãos, assentados em vinte e quatro tronos, vestidos de branco portando coroas de ouro. Fala também de sete tochas de fogo, “que são os sete Espíritos de Deus” e, lembrando Ex 24.10, de um “como que mar de vidro, semelhante ao cristal”.
3 - Semelhantemente a Ezequiel, João descreve quatro seres viventes. Cada ser vivente tem um rosto só (de leão, de novilho, de homem e de “águia em voo”). A tarefa deles é semelhante a dos serafins descritos por Isaías: “... não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir”. E, como os serafins, possuem seis asas (diferentemente dos querubins Ezequiel, que possuem quatro asas). João acrescenta nesses seres viventes a existência de olhos, “ao redor e por dentro”.
O que se assenta no trono, diferentemente da descrição de Ezequiel, tem um aspecto mais mineral (jaspe e sardônio – pedras avermelhadas) do que metálico.
Na disposição do texto há outras semelhanças entre Apocalipse e Isaías: Antes da visão do trono do Senhor, nos capítulos 1 a 5, através de muitas repreensões e exortações e “ais”, Isaías descreve a pecaminosidade de Judá. No Apocalipse os capítulos 2 e 3 mostram o estado de 7 Igrejas, com advertências e elogios a seus “anjos”.
No capítulo 6 de Isaías e no capítulo 4 de Apocalipse temos as fantásticas descrições do trono de Deus, seguidas de imprecações e castigos sobre Judá (em Isaías) e sobre o mundo (em Apocalipse).
O clímax do texto de Isaías está no perdão de seus pecados com a brasa trazida pelo querubim, no texto de João está na abertura do livro selado por dentro e por fora. Ou seja: Isaías vê o trono de Deus e se vê perdoado. João vê o trono de Deus e o Cordeiro abrindo o livro cujos selos correspondem a tragédias castigando os pecados da humanidade.

Três visões do mesmo evento, cada uma de pontos de vista diferentes. As duas primeiras (uma no templo e outra no exílio, na Babilônia) por profetas que tinham o mesmo ponto de vista dos que esperavam o Messias. A última no exílio em Patmos, por um apóstolo do Senhor. As três destacam a glória de Deus e a fragilidade pecaminosa do homem.

sábado, 19 de outubro de 2013

Carnes gordas e afins

“Disse- lhes mais:
ide, comei carnes gordas,
tomai bebidas doces
e enviai porções aos que não têm nada preparado para si;
porque este dia é consagrado ao nosso Senhor;
portanto, não vos entristeçais,
porque a alegria do SENHOR é a vossa força”
Neemias 8.10

O que mudou? Dia a dia cresce no número de pessoas para quem a ordem dos auxiliares de Neemias, transcrita acima, não faz qualquer sentido, ou melhor, sequer pode ser cumprida.

Leite desnatado e sem lactose, café sem cafeína, açúcar sem sacarose, sal sem sódio, óleo sem colesterol, farinhas sem glúten...

O que sobra do leite quando se tira dele sua nata e aquilo que lhe diferencia e dá nome (a lactose): Água branca? E o que sobra do café ao se retirar a substância que responsável por que atraía a atenção de um pastor que percebeu suas cabras mais espertas depois que comiam aquelas frutinhas? Água preta? O mesmo poderia ser dito dos demais alimentos dessa lista (e de outros que não me ocorrem agora). Será que a humanidade está condenada a perder a essência daquilo de que se alimenta?

O pecado distanciou o homem de tudo, não apenas de Deus, e causou-lhe a perda da interação perfeita com o habitat. A terra começou a produzir cardos e abrolhos e ele, à custa de suor e sofrimento, passou a cultivá-la para obter seu sustento. Por seu pecado acabou perdendo a capacidade de relacionar-se com a essência daquilo que foi criado por Deus, sobre o que recebera domínio. Começou então a relacionar-se cada vez mais com os aspectos resultantes da queda.

Este relacionamento superficial e perverso não se limitou apenas a coisas físicas, mas até em áreas imponderáveis, como religião ou a moral, ele pode ser visto: Religião sem Deus, amizade sem fidelidade, sexo sem o pacto do casamento, etc.

O desespero do homem é tão grande, que até mesmo aquilo que foi legado por Deus como um alerta ao seu erro, a culpa, ele conseguiu perverter e vemos de forma muito clara o pecado sem culpa.

Não era pra ser assim! Nem mesmo naquilo que não foi criado pelo homem. Volte aos alimentos e veja como ele mostram a ação divina:

1. No texto que encabeça este artigo, comer carnes gordas e beber bebidas doces são receitas contra a tristeza e estão ligadas diretamente às bênçãos de Deus. Ao contrário do que somos instados a fazer hoje: tirar as gorduras da carne e a pele do frango.

2. A Terra Prometida foi descrita por Deus como “terra que mana leite e mel”, pois suas ricas pastagens favoreciam em muito a produção de leite e a exuberância de sua vegetação florida propiciava uma produção abundante de mel. Era como se a terra mesmo, de tão fértil, produzisse com fartura, manasse, leite e mel.

3. Moisés exortou o povo a lembrar-se do modo como Deus os guardou durante o êxodo com a seguinte descrição: “... o SENHOR o guiou, e não havia com ele deus estranho.Ele o fez cavalgar sobre os altos da terra, comer as messes do campo, chupar mel da rocha e azeite da dura pederneira, coalhada de vacas e leite de ovelhas, com a gordura dos cordeiros, dos carneiros que pastam em Basã e dos bodes, com o mais escolhido trigo; e bebeste o sangue das uvas, o mosto” (Dt 32.12-14). Ou seja: Eles foram abençoados por Deus com: cereais (naqueles dias os mais comuns eram a cevada e o trigo), mel, azeite, coalhada, leite, gordura, trigo, uvas e o mosto delas, ou seja, seu vinho.

4. Falando sobre os acontecimentos futuros, o profeta Isaías diz: “O SENHOR dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete de coisas gordurosas, uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com tutanos e vinhos velhos bem clarificados” (Is 25.6). Observe o que será servido pelo SENHOR: Carnes gordurosas com tutano e vinho velho e vinho purificado (refinado, filtrado, clarificado, etc.).

Há mais textos que falam das bênçãos de Deus representadas na fartura de alimentos que, por motivos de saúde, o homem de hoje evita. Bênçãos de Deus que infelizmente não podemos receber.

Talvez, em poucos lugares isso fique tão claro quanto na Ceia do Senhor. Muitas igrejas perdem a alusão à maturidade que deve caracterizar os discípulos do Senhor, usando suco de uva no lugar do vinho. Fazem isso para não despertar o alcoolismo latente de quem está lutando contra o vício que, tanto em sua componente hereditária quanto em sua componente comportamental (o abuso), é fruto do pecado que, nos distanciando de Deus, nos torna cada vez mais fracos e sem domínio próprio, portanto, mais suscetíveis de ser dominados pelo que deveríamos dominar.

O que fazer? Esperar em Deus, pois somos impotentes para corrigir essa situação. Lembre-se da profecia de Isaías: Ele dará o banquete!

Façamos como nossos irmãos do passado e oremos para que a volta de seu Filho ocorra logo, pois com ela todas as coisas serão restauradas ao estado de antes do pecado. Maranata.

domingo, 6 de outubro de 2013

Perdoar

Todos nós sabemos o que é perdoar. Também sabemos quão difícil é perdoar verdadeiramente e sabemos que perdoar é muito mais do que simplesmente dizer: eu te perdoo. Porém, mais difícil ainda é ter certeza de que perdoou de fato.

Há alguns anos aconselho pessoas que não conseguem ter certeza de que perdoaram de fato. Essa dúvida geralmente se expressa por frases do tipo: Eu perdoei! De coração eu perdoei! Mas, quando nos encontramos a primeira coisa de que me lembro é do erro que eu perdoei. Então, como posso ter perdoado se não esqueci?

Primeiro, é preciso deixar bem claro que perdão não tem nada a ver com memória. O perdão exige apenas três atitudes: 1) Não levar em conta o erro que se perdoou ao tratar com a pessoa que foi perdoada, 2) não basear uma ajuda futura a quem perdoou no fato ocorrido, e 3) não divulgar o erro perdoado com o intento de difamar a quem se perdoou.

Para ficar mais claro: Eu posso até me lembrar de que Fulano, com quem convivo, fez algo errado comigo. Mas, se o perdoei de fato - e sou obrigado a fazer isso “não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete” - não deve ser tal lembrança, ainda que muito incômoda, que me atrapalhe a convivência diária com ele.

Posso até me lembrar de que Beltrano não me pagou uma dívida. Mas se eu disse, obedecendo ao Senhor, que o perdoava, não posso - tendo condições de atendê-lo - negar um empréstimo que ele venha a me pedir.

Posso até me lembrar de que Sicrano não cumpriu o que me prometeu. Mas, se na presença do Senhor eu o perdoei por isso, não posso espalhar pra todo mundo que ele não cumpre o que promete.

Nesse último caso, há uma observação: Se alguém está em vias de fazer um acordo com o Sicrano e esse alguém vier me pedir referências sobre ele, mesmo tendo perdoado, não posso me omitir. Ou seja: perdoar não exige que eu minta.

Romanticamente nos obrigamos a confirmar com sentimentos aquilo que afirmamos ter feito. Isso é uma grande dificuldade para quem vive pela fé. Não temos de sentir por quem perdoamos a mesma coisa que sentíamos antes. Se sentirmos, tanto melhor. Mas somos obrigados a manter as três atitudes do perdão.

Fomos perdoados de uma ofensa infinitamente maior do que qualquer coisa que pudermos imaginar. Não podemos prestar culto a Deus, orar como ele quer que oremos, ou participar da mesa de seu Filho se não perdoarmos nosso irmão. O verdadeiro crente é obrigado a perdoar de fato e não a enganar-se com sentimentos forçados.

Tampouco Deus exige que esqueçamos o que sofremos para chegar àquela atitude de perdão. Enquanto a graça de Deus não apagar o ocorrido de nossa memória (o que geralmente ele faz usando o tempo) todas as vezes que nos lembrarmos do mal, nos lembremos também das atitudes de perdão e coloquemos tudo aos pés da cruz. Um dia esqueceremos. Se não esquecermos, no dia eterno ele “enxugará de nossos olhos toda lágrima”.

Publicada originalmente em 8/8/2010

sábado, 2 de março de 2013

A Bíblia TEM Razão!

Um dos maiores desserviços prestados ao cristianismo nos últimos tempos foi a publicação do livro “E a Bíblia Tinha Razão”. Apesar de muitos terem este livro quase que como uma Bíblia paralela, que explica o que a outra quer dizer, na realidade ele a desdiz, pois “explica” todos os milagres com eventos naturais.

Seu autor inaugurou uma linha moderna de publicações e “filmes científicos” com o mesmo objetivo: dia desses vi um que explicava as pragas do Egito como uma sequência de acidentes ecológicos em que o primeiro provocou o segundo, o segundo provocou o terceiro... até o último. Ou seja: Tudo! Menos Deus.

Quando me refiro a uma linha moderna faço de propósito, pois sempre houve quem tentasse explicar as intervenções divinas por outros meios. A Bíblia registra alguns. A oração de Jesus é apenas um exemplo: “Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou” (João 12.28-29).

A ciência deve muito a Johannes Kepler. Foi ele quem descobriu a as leis que regem o movimento dos planetas. Talvez por isso não se conteve em retroceder seus cálculos e datar a aparição da estrela de Belém, em 7 a.C. Saturno e Júpiter estavam em posições, que, para alguém que os olhasse da terra se mostrariam como uma grande estrela, ou pelo menos um estrela mais brilhante do que as demais.

O texto bíblico fala de uma estrela sim, porém era uma estrela de brilho tão discreto que Herodes precisou perguntar quando ela foi vista: “7 Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera. [...] 16 Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos” (Mateus 2.7e16).

Também sempre foram feitas tentativas de se explicar os milagres de Jesus através de processos naturais. Quem nunca ouviu falar de que a multiplicação dos pães foi na realidade um ato de generosidade daquele garoto que contagiou a todos a abrirem suas matulas e compartilharem com os demais? O que a cura de cegos e paralíticos eram apenas o efeito de sugestão? Ou que a própria ressurreição do Senhor foi a volta de um desmaio curado pelo descanso silencioso e pela humidade do túmulo.

Curiosamente, após a queda deste meteorito alguns irmãos me perguntaram se isso poderia ser entendido como cumprimento de profecias que dizem “as estrelas cairão do céus”. Provavelmente sim, pois até hoje, desde os tempos mais remotos – provavelmente desde os próprios tempos bíblicos – chamamos este fenômeno em língua corrente de Estrela Cadente (que cai).

Porém, não foi isso que mais me chamou atenção. Fiquei impressionado com a narrativa unânime de um clarão mais ofuscante do que o sol! Eu sempre tentei saber como um fenômeno assim, muitas vezes mencionado na Bíblia, aconteceria por processos naturais.

Uma vez arisquei olhar para um arco de soldagem elétrica e vi que era mais clara do que o sol, porem era um processo artificial. Mas eu ainda não havia encontrado na natureza nada semelhante. Ouvia falar que era possível ocorrer, mas não havia testemunhado. Pois bem: eis aí um até corriqueira (que acontece centenas de vezes todos os dias). Só que agora foi flagrada pelas câmeras.

Entretanto, não cometamos o mesmo erro, pois a luz do que a Bíblia fala, na transfiguração do Senhor, na conversão de Saulo e em outros lugares, o clarão provém diretamente daquele que criou não só os luminares mas a própria luz em si. Aquela verdadeira luz da qual a que vemos, mesmo a do meteorito, é apenas uma sombra, que apesar de fascinar, e até assustar, é efêmera e jamais se compara à que serve de morada para o Altíssimo “... o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!” (1Tm 6.15).

sábado, 1 de dezembro de 2012

Um cego que guia outro

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Quando os discípulos do Senhor Jesus vieram alertar-lhe de que os fariseus haviam se escandalizado com suas palavras, ele disse: “Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco” (Mt 15.14).

Pieter Bruegel, o velho, (1526 – 1569), nascido em Brogel, na Bélgica, pintou, em 1568 o quadro acima, a fim de tornar visível esta parábola. Uma versão pode ser vista com detalhes em www.artbible.info/art/large/556.html

Em 1568 os principais reformadores protestantes já estavam mortos e haviam deixado muita coisa escrita sobre esta parábola. Calvino já havia desenvolvido seus princípios éticos sobre o escândalo dado e o escândalo tomado. E embora Bruegel habitasse a parte católica dos Países Baixos, sua formação nos leva a crer que ele conhecia pelo menos um pouco do pensamento protestante.

Seu quadro é revelador e nos mostra um pouco do que falei na semana passada. Os estudiosos classificam Bruegel como um renascentista. Alguém que estava deixando a confusa Idade Média e aderindo a organização da Idade Moderna.

Confusões próprias da Idade Média: Jesus disse esta parábola mais de uma vez. Uma contra os fariseus: Mateus (15.14). Outra faz parte de uma coleção de diversas parábolas: Lucas (6.39). De qualquer forma, isso deveria ser entendido em um ambiente judaico. Entretanto, Bruegel o pinta em seu meio social: Observe as roupas dos cegos: são roupas de sua época. Repare nas casas ao fundo e especialmente na Igreja que se destaca, e observe que a fila se afasta dela. O quadro diz: Os cegos guiam outros cegos para longe da Igreja em direção ao barranco.

Poderia se argumentar que ele está aplicando a mensagem bíblica a seus dias. De fato, parece que esta é sua intenção. Porém, este tipo de interpretação do texto, é a alegoria tão prezada pela hermenêutica da Idade Média.

Traços do pensamento moderno: Há uma espécie de respeito exegético no quadro: Apesar de Jesus ter usado a palavra “ambos”, transmitindo a ideia de dois cegos, Bruegel pinta seis, mas mantém a organização deles em duplas. Exegeticamente também, ele pinta o barranco ameaçador próximo de todos.

O quadro foi extremamente organizado. Certamente foi esboçado previamente. Os cegos estão pintados na mesma ordem que se lê. E seus rostos apresentam uma feição mais carregada, à medida que se aproximam da direita do quadro onde está o primeiro que já caiu. Na realidade vai do cego aparvalhado ao aterrorizado pelo tombo. Das apalpadelas à queda. Do menor ao maior perigo.

O estilo das roupas, para mim, indica a posição social e provavelmente a riqueza de cada cego, sendo que eles estão misturados. O de maior posição social (melhores trajes), terceiro da esquerda para a direita, está sento conduzido por um mendigo (andrajoso e sujo), que por sua vez é levado por um com cara de esperto, que está tropeçando no que carregava um instrumento musical e que parecia ser o líder da trupe.

Olhando em detalhes, da esquerda para direita, parece que o grau de cegueira aumenta, pois o cego mais a esquerda tem apenas os olhos fechados, enquanto o cego que tropeça no que caiu (do qual sequer vemos os olhos) está com as órbitas vazias, desprovidas de olhos.

A ausência de adornos na Igreja, apesar de a parte sul dos Países Baixos, a Bélgica de hoje, ter permanecido católica, para mim indica que ele se referia a uma igreja protestante.

Eu desconheço algum quadro ou gravura da Idade Média que tente ilustrar esta parábola. Porém, não creio que pudesse ir além do óbvio: dois cegos um guiando o outro, sem qualquer outra preocupação.

Já uma simples pesquisa de imagens na internet sob o título “blind leads another blind” retorna uma quantidade enorme de tirinhas, charges, pastiches, grafites, fotos de peças de teatro, montagens cênicas e “performances”, desde engraçadas até grosseiras e chulas. E embora algumas pretendam ser originais, todas carregam o ônus de refletir as palavras do Senhor, que a grande maioria despreza.

Porém, todas estas que aparecem na pesquisa, refletem muito mais um pensamento ainda moderno, que critica, mesmo acintosamente, pois o homem pós-moderno não tem a menor intenção de perder tempo com isso. “Pensar? Gastar tempo com crítica? Cada um faz o que quer”. O homem pós-moderno quer sentir. Tanto faz se ele é guiado por um cego ou por uma máquina, desde que alguém assuma a tarefa de decidir por ele, e ele tenha em quem por a culpa se algo der errado.

sábado, 27 de outubro de 2012

Maior rigor

Nosso Senhor Jesus, decepcionado com a reação de Corazim e de Betsaida, garantiu que, no dia do juízo, elas serão julgadas com maior rigor do que Tiro e Sidom. Os judeus de então devem ter entendido melhor do que nós hoje a gravidade desta ameaça, pois não estamos tão familiarizados com as malfeitorias delas.

O mesmo foi dito de Cafarnaum e Sodoma. Porém, a história de Sodoma nós conhecemos. Tornou-se proverbial.

Mas, voltando a Tiro e Sidom, para conhecer-lhes as maldades, é necessário estudar razoavelmente bem o período que vai do profeta Malaquias até os dias de Jesus. Quanto a Corazim, Betsaida e Cafarmaum, o próprio Jesus nos dá o traço comum pelo qual elas sofreriam maior rigor: a incredulidade: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza” (Mt 11.21). E “Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje” (Mt 11.23).

Estes textos levantam questões difíceis, como: por que não se fez em Sodoma, em Tiro e em Sidom os mesmos milagres que foram feitos em Corazim, Betsaida e Cafarnaum, se era sabido que elas haveriam de se arrepender? Por que foram preteridas? Mas este é um assunto para outra ocasião, pois o que me atrai mais nesta afirmação do Senhor é a razão pela qual ele haverá de aplicar maior rigor em seu julgamento.

Creio que é necessário destacar dois pontos:

Primeiro: A posição de Cafarnaum parece ser pior, já que o Senhor Jesus além de fazer nela muitos milagres manteve lá uma casa (provavelmente alugada, ou emprestada) onde podia ser achado. Veja Mc 2.1: “Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa”.

Segundo: Os milagres tinham a única função de confirmar a mensagem anunciada. Observe que o mesmo critério de maior rigor é prometido às casas e às cidades que rejeitassem a mensagem do Evangelho transmitida pelos discípulos de Jesus: “Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade” (Mt 10.14-15).

Um dia desses, depois de uma das palestras do Encontro da Fé Reformada em Vitória (ES), em uma agradável conversava com meu hospedeiro, que passou da meia noite, discutíamos exatamente esse ponto. Nosso Senhor está se referindo especificamente a rejeição de sua Revelação e no caso agravada pelos sinais que a comprovavam.

Quão digna de maior rigor é nossa geração – pensamos – já que a Revelação divina está sendo acintosamente rejeitada diante de comprovações mais pungentes do que milagres?

Dou apenas um exemplo: Até 1950 o texto hebraico mais velho que tínhamos era composto de manuscritos feitos na idade média (entre 900 e 1000 d.C.). Em 1946 um adolescente, que procurava suas cabras extraviadas, achou uma caverna com dez vasos de barro que continham rolos dos livros do Antigo Testamento. Foi a primeira das diversas cavernas em que partes maiores ou menores de todos os livros do AT, com exceção de Ester, foram encontrados. Hoje você pode vê-los até na internet e atestar a fidelidade do conteúdo do texto que sempre usamos.

Hoje a Bíblia está por todos os lugares. Conversando com meu amigo listamos rapidamente as versões à nossa disposição em tablets, smartphones, celulares e edições gráficas diferentes. Legíveis, audíveis (algumas nas línguas originais) e até encenadas. Ninguém pode alegar que não tem condições de adquirir uma Bíblia já que ela é distribuída gratuitamente em hospitais, escolas, hotéis, cadeias... (Dia desses um membro de minha igreja me procurou para me alertar de que se alguém dissesse que o viu saindo de um motel com outro homem, eu não me assustasse pois eles tinham começado a distribuição nos quartos de motéis também).

Sodoma, Gomorra, Tiro e Sidom receberam a Revelação que todos recebem: a Revelação Geral, que é própria da criação, e por essa razão são indesculpáveis perante Deus.

Sodoma teve contato com Ló e o rei de Tiro fez aliança e comerciou com Salomão, mas não consta dos registros bíblicos que tenham recebido ensinamentos como nossa geração recebe e continua recebendo. Por isso nossa geração, à exemplo das cidades que nosso Senhor imprecou, sem dúvida, receberá maior juízo.

Mas e o texto que se refere a casas? Quantas Bíblias há na sua? Elas orientam a vida de sua família ou apenas estão lá? Elas orientam suas decisões ou enfeitam sua estante? Com que rigor você acha que será julgado diante do Senhor?

sábado, 8 de outubro de 2011

Engenharia Social


Engenharia é a arte de fazer máquinas, estruturas ou processos. O engenheiro aplica conhecimentos científicos e cria engenhos, trazendo melhor qualidade de vida. A engenharia civil se dedica à construções. A elétrica à geração de eletricidade. A mecânica à fabricação de máquinas e equipamentos. A genética à alteração de genes. Etc.
Porém, há algum tempo se tem falado muito em Engenharia Social. Eu não encontrei um curso sequer com esse nome. Mas há uma definição interessante na Wikipédia: Em Segurança da informação, chama-se Engenharia Social as práticas utilizadas para obter acesso a informações importantes ou sigilosas em organizações ou sistemas por meio da enganação ou exploração da confiança das pessoas.
Em outras palavras: Engenharia Social é a arte de explorar a ingenuidade do próximo. É o golpe (do vigário?) digital.
Exemplo 1: Todos os dias eu recebo, no endereço de nossa Igreja, vários e-mails oferecendo coisas relacionadas às necessidades de uma Igreja qualquer (de móveis até cálices para Santa Ceia). Mas chegam também e-mails anunciando o “Novo Louvor (sic) de Fransciskelvin em 2 Cds pelo preço de um” ou o “Curso de Profecias e Louvor Profético”. Não preciso dizer que sequer abro tais e-mails e qual botão aperto. Junto com eles, insistentemente aparecem e-mails intitulados “Atualize seus dados Junto ao Banco Fulano” (sendo que nem eu, nem a Igreja, somos correntistas desse banco), ou o que é pior: “Pastor, veja o que suas ovelhas aprontaram! Clique nas fotos”.
Anúncio de produtos, seja CDs ou sal grosso (já anunciaram) é o mesmo que aqueles papeizinhos que entulham nossa caixa de correio e nos obrigam a levá-los pro lixo. Já o pedido de atualização de dados, se eu fosse correntista do banco citado, e resolvesse responder, certamente estaria sendo vítima da tal Engenharia Social. O mesmo aconteceria se eu clicasse nas fotos. Os dois casos colocariam meu computador em risco e com ele todos os demais que compartilham a mesma rede.
Exemplo 2: Você está em um pretenso culto evangélico e ouve “Deus está me revelando que alguém aqui está com dor na coluna (ou dor na cabeça, etc.)”. É o mesmo princípio pois estatisticamente em um grupo de 100 pessoas algumas sentirão tais problemas.
Resumindo. O “engenheiro social” é o enganador. É quem se amolda à situação para tirar o maior proveito possível dela (geralmente financeiro). Sobre eles já fomos advertidos em muitos lugares. Veja:
O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo, disse que chegaria o tempo em que tais pessoas seriam até buscadas: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (2Tm 4.1-5).
E Judas nos alertou sobre a desfaçatez deles: “Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade, banqueteando-se juntos sem qualquer recato, pastores que a si mesmos se apascentam; nuvens sem água impelidas pelos ventos; árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas; ondas bravias do mar, que espumam as suas próprias sujidades; estrelas errantes, para as quais tem sido guardada a negridão das trevas, para sempre” (Jd 12e13).
A única coisa que nos podemos fazer é ter cautela.

sábado, 13 de agosto de 2011

Plenitude dos tempos (2 de 2)

Em seu início a Igreja esperava a volta de Jesus para o dia seguinte. Eu creio que foi por essa razão que muitos ficaram em Jerusalém. Devem ter pensado: quarenta dias entre a ressureição e a ascensão e dez dias entre a ascensão e o derramamento do Espírito Santo... Ele deve voltar logo!

Não esqueçamos também que o sermão de Pedro identifica o Dia de Pentecostes como o início dos Últimos Dias (inclusive contendo sinais das catástrofes cósmicas que o Senhor profetizara para o Último Dia). A consequência foi colocarem o que tinham à disposição dos apóstolos e aguardarem a volta do Senhor.

Esse processo se repetiu na Igreja de Tessalônica. Paulo, que também esperava a volta do Senhor Jesus para seus dias, os deixou tão eufóricos, que precisou escrever uma segunda carta dando sinais mais precisos de que a volta do Senhor será necessariamente precedida por uma apostasia e pelo “homem da iniquidade”.

Curiosamente, em sua segunda carta o apóstolo Pedro alerta-nos contra escarnecedores que nos questionarão sobre a realidade da volta do Senhor argumentando que está demorando e tudo continua igual.

Hoje, muito mais tempo depois, encontramos quem desacredite totalmente da sua volta e quem busque explicar sua demora.

Ao longo da história da Igreja apareceram diversas explicações para a volta do Senhor, sendo que a maioria delas tenta justificar sua demora.

Há os que dizem que nós é que vamos nos encontrar com ele quando morremos e que sua volta é apenas um modo de falar. Outros já marcaram sua volta com precisão de data e hora, e, frustrados (como vimos recentemente) admitiram o erro, ou escolheram expedientes escusos como dizer que ele voltou, mas viu que não estávamos preparados e resolveu dá-nos uma segunda chance, ou foi para outro lugar, fazer outra coisa.

Há quem pense hoje que ele virá. Entretanto, se achegará às proximidades do planeta, arrebatará sua igreja fiel e reinará com ela por mil anos em algum lugar. Depois dos mil anos, e de uma guerra avassaladora na terra, ele finalmente descerá com os que arrebatou e salvará os que se converteram e sobreviveram à guerra.

Na verdade, o Senhor Jesus deixou bem claro que sua volta era iminente: “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.27).

Ele chegou a usar figuras desconcertantes para enfatizar essa iminência: “Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá” (Mt 24.43-44).

Porém, tenho visto muitas pessoas imaginando que o texto de Mateus 24.14 (E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.) permite pensar que ainda teremos muito tempo. Já vi até quem falasse isso com um sorriso maroto. Porém não é esse o quadro mais amplo. Veja: “E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam” (Mc 16.20).

Aos olhos de Deus a “grande comissão” já foi cumprida. O mundo inteiro já foi evangelizado pelos apóstolos de Jesus. Cabe-nos somente mantê-la cumprida. Ou seja: Jesus pode voltar agora. Nada o detém!

Vem Senhor Jesus!

sábado, 19 de março de 2011

Profecias de Fim de Mundo

Sempre ouvi falar de terremotos e maremotos, mas não sei precisar a data em que ouvi a palavra tsunami.

Lembro-me de que depois de ouvi-la, pensando em seu significado (literalmente onda de porto) como sinônimo de onda de grandes proporções, imaginei que era um modismo. Afinal já conhecia maremoto. Então me explicaram que maremoto é consequência de um abalo sísmico e um tsunami pode ser causado até pela queda de um meteorito. No final de 2004 vi, através da televisão, o estrago que um tsunami pode fazer.

Lembro-me também de que quando eu era adolescente, impressionado com um livro sobre profecias, passei a pesquisar muitas estatísticas de terremotos. Eu desejava saber se o numero deles estava aumentando. Hoje vejo que o resultado, qualquer que seja, é inútil, por duas razões.

Primeira: sempre houve terremotos e tudo indica que sempre haverá. A sensação que temos de um número crescente deles decorre da maior cobertura da imprensa. Hoje temos canais de rádio e TV dedicados exclusivamente a notícias e tão ávidos por preencher pautas que divulgam até os pequenos tremores ocorridos em áreas desertas.

Ainda nessa primeira razão há que se considerar o aumento populacional. Nosso planeta possui atualmente uma população, pelo menos 6 mil vezes maior do que possuía à época em que nosso Senhor andava pelas estradas da Judéia. Portanto, um terremoto hoje é potencialmente mais letal.

A segunda razão decorre do fato de que nenhuma profecia fala do aumento da atividade sísmica, somos nós quem subentendemos isso. O discurso profético do Senhor, consistentemente anotado nos Evangelhos sinóticos fala simplesmente “haverá terremotos” ou “haverá grandes terremotos”. Não fala em aumento do número deles.

A ideia de aumento nos vem do contexto geral de tribulação a que nosso Senhor se referiu. E eu não duvido de que haja tribulação ou Grande Tribulação. Vou mais longe: não duvido de que já estejamos vivendo, há muito tempo, a Grande Tribulação. Entretanto, não consigo ver a tragédia japonesa como cumprimento de uma profecia específica.

Consigo sim ver sinais de alerta de que, a mais organizada, técnica, rica e poderosa sociedade humana representa nada diante de uma simples onda.

Consigo ver outros sinais. Por exemplo: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados” (Lc 21.25-26). Neste pequeno texto nosso Senhor destaca o efeito sobre os homens: angústia, perplexidade, terror e expectativa. E isso aumenta em nossos dias.

A tragédia japonesa, para mim, é um alerta a que consideremos nossa fragilidade. Um alerta eloquente que atingiu todos os ouvidos.

Parece Jesus dizendo: “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ainda o mesmo rio

Um rio que nasce nas montanhas, desce-as em cascatas e corredeiras, encorpa-se e muda de ambiente em grandes cachoeiras e depois deságua no oceano, de onde procede cada gota que o forma, serviu-me na semana passada de metáfora da História da Redenção.

Não usei uma figura desconhecida. A paisagem bíblica está cheia de rios. O Rio da Vida é citado no Gênesis e reaparece no Apocalipse, o salmista canta as corredeiras de um rio que alegram a cidade de Deus e a profecia de Ezequiel consuma-se num rio que nasce no templo do Senhor.

Fisicamente o Rio Jordão domina desde Josué até João Batista e não há como esquecer os rios estrangeiros: Nilo, Tigre, Eufrates e o pequeno Jaboque.

Porém há uma falha na metáfora. Enquanto o rio desce ao sabor do terreno e corre para onde a inclinação lhe favorece mais, a História de Redenção é traçada por Deus.

Aliás, até de um ponto de vista humano a história não é fortuita. Não ocorre ao acaso, nem está na mão dos homens, mas seus agentes a cumprem.

Ouvi alguém dizer que estamos vendo a história ser feita nos recentes acontecimentos do Egito. Concordo. Entretanto, o que está acontecendo lá é o desdobramento de um acontecimento menor: a reação de um vendedor de verduras na Tunísia à extorsão repetida de policiais corruptos. Tal reação se alastrou pelo norte da África como uma onda coordenada por uma mão invisível. E nós sabemos muito bem que mão é essa.

Se a história, como um rio, fluísse ao bel prazer da inclinação do terreno, tudo estaria como sempre esteve.

As águas do Rio “História da Redenção” originadas em nascentes de promessas e pactos, são engrossadas por muitos afluentes, mas especialmente pelos profetas, dos quais disse o SENHOR: “Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito até hoje, enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias; começando de madrugada, eu os enviei” (Jr 7.25).

Sempre houve profecias. E como todas as profecias procedem de Deus não existe coisa mais garantida ou certa do que uma profecia. A primeira foi dita pelo próprio Deus ao garantir que o descendente de Eva haveria de ferir a cabeça da serpente ainda que ela ferisse seu calcanhar: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15).

Deus continuou falando “muitas vezes e de muitos modos aos pais pelos profetas” e sua palavra continuou inquebrável e certa. Tão certa que falando dela o Senhor Jesus garantiu que ela era mais estável do que o céu e do que a terra. Estes poderiam passar. Ela não.

Curiosamente, não é isso que vemos em nossos dias.

Vi dois amigos se encontrando. Um cumprimentava o outro pelo sucesso obtido e o outro respondeu: “Continue profetizando. Profetize mais. Que aconteça dez por cento das profecias e estará bom”.

Veja: Profecia estava sendo tomada pelos dois como desejo de sucesso. E para os verdadeiros cristãos profecia é a certeza de algo que vai acontecer por que Deus determinou que acontecesse.

Deus mostrava ao profeta o Rio “História da Redenção” então ele podia dizer com certeza: haverá cativeiro, pois ele está vendo a “cachoeira” à frente dele. Ele podia dizer haverá tempo de paz, pois Deus o permitia ver o “traçado remansoso e caudaloso” do rio que se estendia pela planície adiante.

Profetizar, não é desejar. Profetizar não é brincar. Profetizar não é ter bons sentimentos. Jeremias sofria com o que tinha de dizer, pois Deus reservou a ele revelações amargas a dar a seus amigos e conhecidos.

Acima de tudo lembre-se de que os profetas pertenceram a um tempo próprio da História da Redenção. Não os espere encontrar hoje. Aliás, desconfie de quem se apresenta assim.

O “cuidado profético” ainda está presente no meio do Povo de Deus – afinal o rio ainda tem a mesma água que veio das nascentes – mas, como já nos aproximamos da foz e os afluentes já ficaram pra trás, a época de Elias, Isaías, Daniel, até mesmo a de João Batista, já passou.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Diversas fases de um mesmo rio

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Há quantos anos o Rio Caparaó corre por esse vale? Não tenho ideia. Certamente muitos.

Suas nascentes vão se ajuntando e quando ele passa no lugar fotografado acima, e forma esta bela corredeira, já caiu em belas cachoeiras. Mais abaixo, na cidade, encorpado e remansoso, recebe águas de ruas e até esgotos e continua correndo em direção ao Rio Itabapoana e finalmente ao mar.

Há certa analogia com a História da Redenção, que embora tenha apenas uma nascente – nosso Senhor Jesus Cristo – corre em direção à sua consumação, passando por cachoeiras, corredeiras, remansos, recebendo as sujeiras das muitas religiões e cosmovisões humanas, persiste em direção ao seu próprio autor.

Como o rio tem seus lugares bem definidos a História da Redenção também. Cachoeiras são próprias de ambientes de montanhas, de grandes variações de altitude e de quedas bruscas. Corredeiras, por sua vez, são encontradas em declives acentuados e rochosos. Já as planícies, com pouco declive, são propícias a apresentar as águas calmas.

Assim foi e continua sendo a História da Salvação. Sua nascente, na promessa feita a Adão, foi seguida de mais turbulências do que as nascentes do Rio Caparaó.

Verdadeiras quedas vertiginosas até hoje impressionam a quem lê sobre a vida dos antediluvianos, dos Patriarcas ou da peregrinação no deserto.

A partir da posse da Terra Prometida, tanto no tempo dos juízes quanto no tempo dos reis, a semelhança com corredeiras é muito grande. É nesse tempo que aparecem os profetas. Especialmente no tempo dos reis. Como se os profetas fosse a “consciência dos reis” já que estes levavam o Povo de Deus a fazer o que os povos vizinhos faziam.

De repente uma grande cachoeira – qual rio que muda de ambiente topográfico: o Povo de Deus foi levado para um cativeiro do qual só voltam 70 anos mais tarde, sem o vigor de outrora. Anos mais tarde instala-se um período remansoso de 400 amos, que passará a história com o nome de “o silêncio profético” no qual mais do que cativos serão verdadeiros joguetes de diversas nações.

De repente, outra grande cachoeira – outro ambiente totalmente novo – nasce o maior profeta: o precursor. Seis meses depois nasce o Messias. A Redenção Chegou.

Começou a nova fase do rio. A última fase. A fase em que vivemos.

Como não esperamos nascentes próximas da foz de um rio, por que razão ainda há quem pense na repetição de eventos próprios do nascedouro da História da Redenção às vésperas de sua consumação?

sábado, 5 de junho de 2010

Água, sangue e vinho.

Para redimir o povo de Deus do Egito, Moisés credenciou sua demanda com dez sinais: pragas sobre faraó e sobre seu povo. A primeira delas foi converter água em sangue.

Para redimir o povo de Deus de todos os seus pecados, Jesus fez muitos sinais: bênçãos sobre crentes e incrédulos. A primeira dessas bênçãos foi converter água em vinho.

Primeiro elemento criado por Deus, sobre o qual seu Espírito já pairava antes mesmo que ele chamasse a luz à existência, a água está presente física ou simbolicamente ao longo de toda história da redenção.

Através da água o povo antigo passou a pé enxuto para a liberdade e sobre ela o Senhor Jesus andou em busca dos seus.

A água brotada de uma rocha no deserto dessedentou os que vagavam a procura de uma pátria. E a água vertida da Verdadeira Rocha na cruz atestou a seus algozes que o Senhor havia morrido e a seu povo a completa redenção.

*

Após as 10 pragas, no deserto, o povo de Deus pactuou com sangue uma Aliança na qual a lei escrita os ensinava como cultuar a Deus e como viver para seu agrado. Foram ordenados a manterem-se isolados dos demais povos. Esse isolamento contribuiu para a preservação dos escritos da lei até a plenitude dos tempos.

Após os muitos sinais, em um cenáculo, o povo de Deus, representado pelos apóstolos do Senhor, celebrou nova Aliança com vinho. Aliança que foi ratificada pelo Mediador com sangue. O verdadeiro sangue do qual todos os demais foram apenas sombras e que continua a ser visto no vinho quando rememoramos a mesma aliança.

O isolamento foi então transformado em ordem de ir pelo mundo. E a capacidade de se expressarem nos idiomas dos povos aos quais falassem veio daquele que pairava sobre as águas.

A preservação dos escritos passou a ser garantida pelo isolamento de corações consagrados, e a divulgação de como adorar a Deus e viver para o seu agrado foi confirmada pela água do batismo e derramou-se como rios de águas vivas pelo verdadeiro deserto: o mundo.

*

O sangue, no qual o Criador disse residir a vida, permeia toda história da redenção a tal ponto que é difícil selecionar os eventos mais significativos em que ele está presente.

Mas destaca-se o sangue que, aspergido sobre os umbrais, protegeu o povo de Deus da última praga trazida por Moisés. Noite terrível que tipificava a escuridão mais pavorosa em que o verdadeiro Cordeiro ensangüentaria não simples umbrais, mas uma cruz hedionda ao abrigo da qual estão protegidos os primogênitos e todos os nascidos da água e do Espírito.

E, entre a água convertida em sangue por Moisés, e o sangue separado da água, vertido na cruz, o Senhor Jesus nos oferece o vinho como símbolo de uma Aliança superior em que pragas e sacrifícios - mesmo o da cruz - são realidades passadas.

Virá o dia em que o segundo e o terceiro anjo derramarão sobre o mar e sobre as fontes suas taças transformando-os novamente em sangue. Entretanto, o vinho que recebemos à Mesa do Senhor testifica-nos hoje o dia eterno em que, livre desses horrores, beberemos juntos com o Senhor um vinho novo no reino do Pai.

sábado, 24 de abril de 2010

Palavras irresponsáveis e falsidade

Há um ou dois anos, ouvindo uma palestra sobre a vida no lar, tive meu primeiro contato com um novo sentido em que a palavra “profecia” está sendo usado. A palestrante disse: "Na minha casa acontece esse tipo de problema também. E eu resolvo com oração. Mas tem dias em que parece que tudo dá errado. Então, nesses dias, eu “rodo a baiana” e profetizo: Em nome de Jesus, sai prá lá espírito de confusão"!

Poucos dias atrás recebi um pequeno filme de uma “cantora gospel” de renome, em que ela dizia já ter ido a Barretos levando o Apóstolo Fulano, e, segurando na ferradura, profetizou que Jesus é o dono daquela arena.

Quando ouvi a primeira declaração, perguntei a amigos e eles me disseram que era apenas um modo de falar. Entretanto, depois dessa outra concluí que este modo de falar está enraizado em uma visão de mundo completamente diferente do que as Escrituras nos mostram.

O que as duas frases possuem em comum é a palavra profecia. Na primeira frase o que é chamado de profecia é uma espécie de esconjuração. A frase equivale a “sai daqui coisa ruim”. A única diferença é que quem a proferiu usou o nome do Senhor Jesus para tornar essa esconjuração mais aceitável aos ouvidos evangélicos. Tanto é que cometeu um lapsus linguæ: “rodo a baiana”.

Na segunda frase a tal “cantora gospel” assumiu um papel, muito semelhante aos profetas da velha aliança, inclusive o “pegar na ferradura”, pois muitos deles intensificaram suas palavras proféticas com exemplos, gestos e objetos.

As duas frases, além de banalizar um termo tão sublime como profecia, pecam por falsidade.

São profecias falsas sim. Na primeira frase a expressão “nesses dias” deixa claro que ela foi “profetizada” repetidas vezes. Neste caso específico, embora a palestrante seja academicamente qualificada para não fazê-lo, provavelmente estejamos diante de um mau uso do termo “profetizar”. Pois, por definição bíblica, a verdadeira profecia se cumpre. Se isso não acontecesse o profeta deveria ser morto. Veja Deuteronômio 18.19-22.

Na segunda declaração a cantora já profetizou que o dono daquela arena é Jesus. De fato: Jesus é o dono daquela arena, como é dono de todas as coisas. Ou seja, ela profetizou que acontecerá algo que já aconteceu.

Se alguém disser que ela se expressou mal, e quis dizer apenas que a arena está sob o domínio do usurpador, a torna culpada de pecado maior (como se pudesse haver pecado maior), pois afirmou ter profetizado juntamente com um apóstolo.

Os verdadeiros Apóstolos tinham autoridade delegada diretamente de Deus para fazer coisas materiais com conseqüências eternas. Lembre-se de: “O que ligares na terra será ligado no céu” (Mt 18.18). Também de: “...Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem” (1Tm 1.20).

Não se esqueça de que os apóstolos possuíam tal poder: “Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (At 3.6).

Um Apóstolo estava no primeiro grau de autoridade (1Co 12.28). O que um Apóstolo falava acontecia. Entretanto, que eu saiba, até hoje não houve qualquer modificação na festa de Barretos. Concluo então que além da falsa profetisa apareceu também um falso apóstolo.

Somos constantemente alertados pelas Escrituras contra os falsos apóstolos e profetas, mas parece que eles estão proliferando. Talvez até tenhamos culpa, pois banalizamos o significado das palavras. Especialmente o significado do que é um profeta ou um apóstolo. Usamos com irresponsabilidade essas palavras, seus significados e suas funções. As conseqüências disso não são boas: Um dos verdadeiros profetas, nos advertindo contra a irresponsabilidade, disse: “... semeiam ventos e colherão tempestades” (Os 8.7).

sábado, 2 de maio de 2009

Profecias que se cumprem

Em 1347, os venezianos disputavam com os genoveses a cidade de Kapha, que ficava na atual Ucrânia, e era comercialmente estratégica. Contrataram então um povo mongol para cercar a cidade, que, bem fortificada, oferecia grande resistência.

Os mongóis, dispersos por um território de vastas estepes conviviam, sem maiores danos, com uma febre que provocava o aparecimento de bolhas negras na pele. Entretanto agrupados em condições precárias, como acontece em uma guerra, foram os primeiros a experimentar um alto índice de mortandade entre seus soldados. Era a Peste Negra ou Peste Bubônica.

Talvez por estratégia de guerra, ou por vingança, atiraram cadáveres por cima das fortificações da cidade, e a contaminam.

Alguns fugitivos levaram a doença para a Anatólia (atual Turquia) e outros, em um barco, já chegaram mortos à Sicília, onde os que os enterraram foram o primeiros europeus contaminados. Dois anos depois a peste já havia chegado a grande parte da Europa, inclusive à Ibéria e às Ilhas Britânicas. Quatro anos depois chegou aos países nórdicos.

Matou cerca de 50 milhões de pessoas (talvez 75), o que equivalia a 1/3 da população européia da época. Há relatos de cidades inteiras abandonadas com pilhas de mortos insepultos, de desespero, pânico, descrédito e até fanatismo.

Antes da Peste Negra houve muitas outras. Porém nenhuma foi tão bem documentada quanto ela. Depois dela, além de seus retornos a cada geração de europeus durante os 400 anos gastos para se entender seus mecanismos de contaminação e tratamento, o mundo sofreu muitas outras pandemias.

As mais notáveis foram: a gripe espanhola na última metade de 1500, com mais de 1 milhão de mortos na Espanha e muitos em outros países. A Peste Italiana em 1630. A Praga Londrina em 1665, que matou cerca de 100 mil pessoas (1/5 dos habitantes de Londres) e muitos na Europa. A Peste de Viena em 1879. A gripe aviária, que desde 1900, quando foi registrada pela primeira vez na Itália, se manifesta esporadicamente no mundo todo e, quatro anos atrás trouxe pânico aos países da Ásia. Agora, o mundo se preocupa com a gripe suína.

Em todas as manifestações anteriores, os animais - ratos ou aves - eram os transmissores. E a velocidade de propagação da doença dependia da velocidade de locomoção deles: dos ratos, via de regra, nos navios, e das aves em suas migrações. Agora as pessoas são os transmissores. E transmitem com a rapidez do avião, que a levam em menos de um dia de um continente a outro. De um lado da terra ao outro.

Não deixa de ser notável, que o Sermão Profético de Jesus, proferido dias antes de sua morte, conhecido como o pequeno Apocalipse, e registrado nos três evangelhos sinóticos, concordam na enumeração de quase todas as catástrofes a que o Senhor se referiu: Guerras, terremotos e fomes. Entretanto, Lucas, o médico, destaca a palavra “pestilência” (no grego: loimos).

Alguns argumentam que com o aumento da população mundial a conseqüência direta é o aumento das doenças, especialmente das infecciosas. Pode ser. Porém, esse aumento que se observa no número de pandemias, é muito semelhante ao aumento que se observa no número de terremotos que independe do tamanho da população mundial. Ou seja: estamos vendo mais uma profecia se cumprindo debaixo de nossos olhos.

Não sabemos se ceifará muitas vidas como a Peste Negra o fez, muito menos se, as medidas que todos os países estão tomando serão suficientes. Porém sabemos que como não foi a primeira, não será a última.

Você já reparou que todas as advertências de Jesus já se cumpriram? Nesse mesmo sermão ele foi bem claro: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” Lc 21.33.

Entretanto, não há motivo para desespero, pois quem nos adverte é o mesmo que nos ordena a ter esperança e até mesmo a exultar com a proximidade de sua volta: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados. Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc 21.25-28).

domingo, 21 de setembro de 2008

A máquina do “fim-do-mundo”

Ligaram a máquina do “fim-do-mundo”! Advertiu-me um amigo impressionado com as notícias sobre o enorme acelerador de partículas europeu. Lá mesmo houve advertências, processos judiciais para impedir o funcionamento. E, na índia, enquanto muitos aguardavam o fim do mundo uma adolescente se matou de tanto medo.

Sei muito pouco sobre uma máquina dessas, mas sei que não é a primeira. É, de longe, a maior, mas outras já foram ligadas antes, e muito do que sabemos sobre o átomo e suas partículas aprendemos com elas.

Assuntos velhos: antes mesmo do nascimento de Jesus já se falava tanto sobre fim do mundo quanto sobre átomo. Sobre o primeiro, quem nunca leu as profecias de Daniel? E, sobre o segundo, acaso não lembramos das aulas de ciências sobre o filósofo grego que intuiu a existência de partículas constitutivas da matéria pelo simples raciocínio de se cortar alguma coisa continuamente em sua metade? Dizia ele: - Chegaremos a uma partícula que não poderá ser mais cortada. A palavra grega ‘átomo’ significa literalmente ‘não cortável’.

Meus professores nunca entraram em acordo se isso foi pensado por Leucipo ou Demócrito. Mas como o primeiro foi professor do segundo, para mim, essa questão não é tão importante.

Mas, voltando ao meu amigo alarmado. Ouvi todas as suas considerações - achei melhor não contar outras que eu conhecia, com medo de que ele ficasse mais alarmado ainda – e fiquei pensando duas coisas quase que paradoxais: como seria bom se fosse mesmo o “fim-do-mundo”! Afinal, não esperamos, oramos e nos empenhamos para que esse dia chegue logo?

Mas não é. Esse dia não será provocado pelo homem. Será uma intervenção divina. Não é uma “maquininha dessas” que fará o trabalho de Deus. Por mais importante que ela seja, é apenas uma “máquina de ver”. Explico:

Se você gosta de história tanto quanto eu, já deve ter percebido que a invenção das lentes foi um marco divisor no progresso da ciência. Com o microscópio um mundo invisível tornou-se examinável e com o telescópio o que era distante veio ser considerado em uma mesa de estudos.

À medida que os microscópios foram ficando mais potentes se percebeu que aquilo que parecia uma coisa só, como a pele, na verdade era constituída de várias celinhas (do latim: “celullas”), que no microscópio mostravam-se constituídas de partes menores, que por sua vez, eram constituídas de outras partes ainda menores.

Estava claro que quanto mais potente fosse o microscópio menores seriam as partículas que poderiam ser vistas. Mas quando se veria o átomo? Que potência deveria ter o microscópio que o mostrasse? Um cientista chamado Dalton no início do século XVII pensou: Não vamos esperar vê-lo pois já há informações sobre o que ele é. E postulou dentre muitas coisas que tudo é constituído por átomos e os átomos são as menores partículas.

Resumindo cem anos de história, Niels Bohr completou o modelo que conhecemos até hoje: O átomo possui um núcleo composto de prótons (positivos) e nêutrons (neutros). Ao redor deste núcleo orbitam os elétrons (negativos). E, quando um elétron migra de um átomo a outro, há produção de eletricidade e alteração das qualidades de ambos os átomos.

Do século XVII para hoje houve muitas outras descobertas. Descobrimos diversas partículas menores do que o átomo que o constituíam. Chegamos a “cortá-lo” - lembre-se que, por definição, ele era “não cortável”.

Mas o modelo de Bohr já era suficiente para se pensar (pois até hoje não vimos o átomo): Os elétrons são como os planetas que sempre vimos orbitando o sol. Mas não bastaria arranjar um microscópio mais poderoso? Não. Essas partículas são menores que a substância (onda ou partícula) da luz, que deveria iluminá-las para que as pudéssemos ver. Por isso o acelerador as emite em alta velocidade e observa o resultado do choque de uma contra outra. Mais ou menos como as partículas que os tubos de nossos aparelhos de TV emitem partículas para se chocarem contra a tela em uma ordem tal que produza imagens.

As Escrituras Sagradas ensinam que, ao examinar as coisas criadas, o homem aprende tanto sobre Deus que se torna indesculpável perante ele. Agora, repare bem: isso é dito sobre o homem comum fazendo uma observação comum. Imagine o quanto Deus tem por indesculpável aquele que examina suas obras com requintes científicos e aparelhagem sofisticada?

E, se, conforme nos ensina o Salmo 8, quando o olho os Céus compreendo que sou nada perante Deus, o que deveríamos então entender, quando “contemplamos” maravilhas como essas?

Essa maquineta não deve nos assustar. Ela está cumprindo suas maiores funções: fazendo com que os filhos de Deus exultem pelas obras do Criador e tornando os céticos mais indesculpáveis ainda.

sábado, 12 de abril de 2008

Quando as âncoras não são mais necessárias

Wierum monument.JPG

...a fim de lançar mão da esperança proposta;
a qual temos por âncora da alma,
segura e firme e que penetra além do véu,
onde Jesus, como precursor, entrou por nós...
Hebreus 6.18-20

Das cinco vezes em que a palavra "âncora" aparece nas Sagradas Escrituras, apenas neste texto é usada como metáfora.

Há muito tempo os navegadores aprenderam que uma pedra presa por uma corda e lançada ao fundo d'água, mantém o barco parado. E, apesar de todo desenvolvimento tecnológico que deu a âncora a forma que conhecemos hoje, ainda se pesca apoitado.

A âncora (ou poita) é a única coisa que mantém o barco parado a despeito do movimento da água.
Será que há uma metáfora mais bela do que esta para o que chamamos de fé? Duvido. Porém a Bíblia a usa como metáfora da esperança.

Curiosamente, em nossos dias, essas benditas âncoras estão sendo deixadas de lado. Com a ênfase no individualismo - traço definidor de nosso dias - muitos não querem mais um porto onde podem ficar seguros. Ao contrário, preferem viver como barquinhos à deriva: ao sabor da emoção do momento.

As âncoras estão perdendo a utilidade.

Na foto acima, um artista usou cinco âncoras para homenagear "os que se perderam no mar". Esse monumento fica em uma pequena cidade pesqueira holandesa, e faz todo sentido para os moradores de lá. Aliás, dentro da Igreja Reformada de lá, dependurada no teto, há uma miniatura de um barco de pesca. E, certamente não foi composto lá, mas a primeira coisa que me veio a mente foi o hino em que cantamos: "guarda o marinheiro no violento mar".

Que fotos teriam sentido semelhante hoje? De pessoas drogadas em uma sarjeta? De multidões atrás de um enganador? De massas humanas em delírios bacantes ou em "transe gospel"?
Barquinhos sem âncoras. Sem âncoras por preferirem o vagar das ondas, “levados ao redor por todo vento de doutrina”.

Sem âncoras por não verem porto onde atracar, ou vendo-o, mesmo assim, preferem a incerteza das vagas, ou o sabor do sobe e desce à segurança do porto.

Sem âncoras porque as transformaram em enfeite, em monumento à própria perda no mar do desespero e da solidão.

Isso não é opção para quem tem Jesus, pois nossa âncora atravessa o véu das realidades transitórias, e firma-se na certeza de que onde ele está estaremos também.

(Fotografia gentilmente cedida por Marcel Pelt)

sábado, 6 de outubro de 2007

Mães que jogam seus filhos no lixo

Em um período de mais ou menos um ano fomos estarrecidos pela notícia de duas mães que jogaram seus filhos na água. Uma em uma lagoa e outra em um verdadeiro esgoto.

Eventualmente poderíamos compará-las a Joquebede que, às águas confiou seu pequeno Moisés. Mas teríamos dificuldade em manter a comparação, pois esta além de colocá-lo em um pequeno cesto que flutuava, confiou na vigilância atenta de sua filha Miriam visando a salvação do pequeno. Mas aquelas além de colocá-los em sacos de lixo esperavam ficar livres de um incômodo.

Talvez, como a aversão que Amnon sentiu por Tamar (maior do que o desejo que o levou a forçá-la), a aversão que elas sentiram pelo fruto de seus ventres passou a ser maior do que o desejo que as levara a concebê-lo.

Doença, dizem alguns. Talvez. Porém podemos dizer com certeza? Quantas doentes sentiram vontade de matar o filho que deram à luz e não o fizeram?

Há alguns anos uma jovem mãe insistiu que eu orasse com ela: “Estou endemoninhada pastor”. Insistia mais. “Não tenho paciência com minha filha, e, de vez enquanto, me pego pensando em como matar meu bebê”. E concluiu: “Tem de ser demônio”.

De nada adiantaram minhas tentativas de explicar o que era depressão pós-parto e quais seus efeitos. Ela insistia em dizer-se endemoninhada. Chegou a contar a todos da Igreja os terríveis sentimentos que escondia desde o primeiro parto, só para avisá-los que eu tinha recusado “exorcizá-la”.

A loucura dessas duas, que jogaram seus filhos no lixo, não é característica exclusiva de nossos dias. Sabemos disso pela própria Bíblia. Você está lembrado do que aconteceu quando a Síria cercou a Samaria? Releia:

Algum tempo depois, Ben-Hadade, rei da Síria, mobilizou todo o seu exército e cercou Samaria. O cerco durou tanto e causou tamanha fome que uma cabeça de jumento chegou a valer oitenta peças de prata, e uma caneca de esterco de pomba, cinco peças de prata.

Um dia, quando o rei de Israel inspecionava os muros da cidade, uma mulher gritou para ele: “Socorro, majestade!” O rei respondeu: “Se o SENHOR não a socorrer, como poderei ajudá-la?

Acaso há trigo na eira ou vinho no tanque de prensar uvas?” Contudo ele perguntou: “Qual é o problema?”

Ela respondeu: “Esta mulher me disse: ‘Vamos comer o seu filho hoje, e amanhã comeremos o meu’. Então cozinhamos o meu filho e o comemos. No dia seguinte eu disse a ela que era a vez de comermos o seu filho, mas ela o havia escondido”. Quando o rei ouviu as palavras da mulher, rasgou as próprias vestes. 2Re 6.24-30

Entretanto, esse tipo de coisa é tão desnatural que o SENHOR através do profeta Isaías pergunta: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Pode uma mulher não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? Mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria jamais” Is 49.15.

Deus não se esquece de nós!

Mas repare bem: Se nos indignamos com o que aconteceu não é o caso de nos indignarmos também contra quem faz a mesma coisa a filhos mais novos? Qual é a diferença entre matá-los depois que saem do útero e de matá-los dentro dele? Não estão igualmente vivos? Não terão por destino as águas poluídas de algum esgoto?

Pensando um pouco mais: Quem comete maior pecado? Quem, abortando, priva seu filho do “nascimento”? Quem provoca um parto e depois joga seu filho nas águas sujas de um esgoto?

Ou, ainda, quem, depois de um parto abençoado por Deus, e acompanhado com alegria pela família, expõe seu filho a um ambiente cuja poluição não é para se comparar à poluição das águas do mais pútrido esgoto, já que infecta não apenas o corpo mas o espírito da criança?

Por colostro essas crianças tiveram as águas imundas dos esgotos. Quantas por “colostro espiritual” recebem as influências mais infames do pecado?

“... se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá” (Sl 27.10). O SENHOR não se esquece de nós!

Afinal, além de nos ter feito, nos chamou à luz com dores superiores às de uma mãe. Nosso nascimento custou-lhe a separação de seu amado Filho. Nossa vida custou-lhe amaldiçoar aquele a quem eternamente gerou.

Mesmo que vivamos em uma época em que se torne comum as mães jogarem seus filhos no lixo, o SENHOR jamais nos abandonará.

sábado, 3 de março de 2007

"Comércio de nós"

Anunciaram ter achado um caixão com os ossos de Jesus.

Pronto! Não se falou de outra coisa durante dois dias: entrevistaram arqueólogos, estudiosos, religiosos ...

Basta aproximar-se o Natal ou a Páscoa que tudo se repete. Você se lembra em que época divulgaram o evangelho de Judas? Já reparou nos assuntos que a imprensa veicula nessas ocasiões?

É sempre a mesma coisa: estamos a menos de 40 dias da semana-santa, por que este ano seria diferente?

Este é outro aspecto das Escrituras Sagradas: “movidos por avareza, farão comércio de vós” (2Pe 2.3).

Comércio mesmo! Eu ficaria surpreso se não aproveitassem essas datas.

Não me surpreenderia se aparecesse algum “Diário de Caifás” contando os bastidores do julgamento de Jesus. Que editor não o publicaria?

Imagine o estardalhaço se aparecesse um texto de uma mulher, ou de uma criança, nascida na casa vizinha a de Jesus?

Alguns de nós, de tão acostumados, já nem percebem: Quantos livros foram escritos propondo uma revisão na história?

Quantas Bíblias foram editadas propondo uma nova abordagem dos acontecimentos? Já vi nas livrarias Bíblia de Promessas (como se a maior parte do texto canônico não fosse de advertências), da Criança, da Mulher, do Executivo ... Mas a “Bíblia do Mendigo” dificilmente será editada. Quem vai comprá-la?

Também não me surpreenderia com um DVD - agora mais acessível - da mesma cantata, que já foi gravada em vinil, em CD, em VHS, e dada como brinde a quem assinou uma revista de fofoca.

Nem me assustaria se os novos evangélicos, que foram destaque no último carnaval, apresentando algum show, ou coisa semelhante, com a promessa de que seu filho curtirá melhor a “mais fantástica história cristã”.

Essa é a natureza do comércio: adaptar-se a qualquer situação para tirar lucro dela.

O Natal foi e a Páscoa receberam já símbolos e praxes que apelam diretamente ao consumo: o Papai Noel, o Ovo e outros tantos. Precisam de novos a fim de que novos ramos comerciais participem, ou, no mínimo, chamar a atenção para a data. Isso é função da imprensa, que acaba comercializando também assuntos tão pertinentes quanto um ovo de coelho feito de chocolate é para a páscoa.

Chega!

Nunca respeitaram e não será agora que respeitarão o Senhor Jesus.

A última semana do Senhor, para nós, transcende a todas essas sandices. Ela representa de modo condensado toda extensão de seu ministério. Fala de desilusão, perseverança e vitória.

Desilusão dos coitados, arraigados neste mundo, interessados em milagres, ou em um pedaço de pão.

Desilusão de israelitas sinceros que aguardavam a restauração do Reino de Davi, sem sequer imaginar uma restauração espiritual.

Desilusão semelhante a que houve no monte da transfiguração, quando, de tão maravilhoso, se desejava ficar acampado ali, sem pensar nas trevas ameaçadoras lá de baixo.

Fala-nos também de perseverança em realizar a vontade de Deus apesar de amigos e de inimigos, de circunstâncias favoráveis ou da adversidades. Apesar de uma cruz.

Mas a semana termina em vitória. Não em uma cruz, e sim em um túmulo. Vazio.

E esta semana nos mostra tanto a justiça como o amor de Deus , pois justiça e amor levaram Jesus à cruz mas não o retiveram no túmulo, “Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Eu porei nele a minha confiança. E ainda: Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu”. (Hb 2.10-13)

Esqueçamos os “atrativos” que o comércio nos propõe e mantenhamos firmes nossa fé. Ela não pode ser comercializada: é impagável.

domingo, 21 de janeiro de 2007

Continuaremos calados?

Recebi, juntamente com diversos pastores, um texto escrito pelo Pastor Batista Isaltino Gomes em que ele se mostra espantado com o "silêncio sepulcral" dos evangélicos brasileiros, frente à prisão do apóstolo e da bispa.

Ele tem razão. Estamos errados em ficar calados.

Tempos depois de fundada pelo Apóstolo Paulo, a Igreja de Éfeso recebeu do próprio Senhor, através da pena do Apóstolo João, uma carta com a reclamação: “esqueceste o teu primeiro amor” e uma ordem: "levanta-te de onde caíste, arrepende-te e volta a prática das primeiras obras". A mesma carta, continha também alguns elogios, e, dentre eles, um se destaca: “puseste a prova os que a si mesmo se declaram apóstolos e não são, e os achastes mentirosos”.
Será que nós, evangélicos brasileiros, estamos em pior situação do que a Igreja de Éfeso? Será que a um elogio como este fazemos jus?

Por que razão ficamos calados diante dos absurdos soltos em nosso meio? Vendem fronhas ungidas que garantem sonhos proféticos, o direito de se trocar de anjo da guarda, kits de beleza da rainha Ester. O que mais? Há fim nessa lista?

Não foram práticas como essas que geraram 7 malas cheias de dinheiro (afinal, em que deu isso?)? Não foram esses absurdos que levaram às práticas pelas quais, agora, o outro ministro de Deus, seu vingador, o magistrado civil, ameaça com prisão? Mas, principalmente, não foi por coisas semelhantes que nossos irmãos do Século 16 resolveram protestar?

Diriam em contrário: “Mas hoje ainda se vê em tais lugares vestígios do Evangelho de Cristo”. Também se via na igreja do século 16, não obstante nossos pais não se conformaram nem ficaram calados.

Diriam ainda: “Eu tenho amigos lá e lá estão meus filhos”. Mais uma razão para falar, pois nossos mais queridos estão sendo enganados com nossa conivência silenciosa.

Ousemos discordar. Não sejamos coniventes com o erro. Mais importante do que o evangélicos serem um grupo politicamente coeso é serem um grupo que faz a vontade daquele que o remiu com seu sangue. Toda a proteção que eventualmente a política der ao povo evangélico será nada se nos encontrarmos desprotegidos diante daquele que não tolera iniqüidade associada a ajuntamento solene.

Voltemos a simplicidade dos Evangelhos. Abandonemos essas praticas sincréticas que são verdadeiros ‘caldos de cultura’ onde prolifera toda espécie de superstição, e nos lembremos de como o Senhor nos advertiu sobre falsos profetas e falsos mestres: Eles se disfarçariam de ovelhas ao ponto de lhe jogarem na face terem feito, milagres, profecias e expulsado demônios em seu santo nome.

Fizeram. Fizeram tudo isto e muito mais: com palavras fictícias fizeram comércio do rebanho dele.

O cristianismo, desde suas origens, está umbilicalmente ligado à palavra escrita. Na antiga aliança era obrigação de cada família ter em casa um descendente de Levi a fim de ensinar-lhes a lei de Deus. Uma em doze tribos não tinha herança. Vivia entre seus irmãos para cumprir este mister. Era como se cada família possuísse um professor particular.

A ignorância é uma das maiores inimigas do povo de Deus. Alicerçado nela, inventando visões, e coisas semelhantes, é que os falsos mestres, profetas e apóstolos dominam o rebanho. Dominando, vendem-no. Vendendo-o, devoram-no.

sábado, 21 de outubro de 2006

Que dias!

No ar: Um avião pequeno, em condições ainda não muito claras, chocou-se com um grande e o derrubou causando a morte de muitos.

No mar: Um barco pequeno, em condições ainda não muito claras, chocou-se com um grande e foi afundado resultando na morte da maioria de seus passageiros.

Na terra: A Coréia do Norte, em condições ainda não muito claras, explodiu uma bomba atômica com resultados pequenos mas causando grande sobressalto no mundo.

Em nosso país: Milhões de eleitores, em condições ainda não muito claras, tendem a eleger Presidente da República, o candidato do partido mais acusado de corrupção.

Em nossa cidade: Com quase 750 endereços de Igrejas Evangélicas, 26 Presbiterianas, registra, em condições ainda não muito claras, a médias iguais ou inferiores a dos índices sociais da média do país.

Como explicar? Não sei, mas creio que o choque dos aviões e dos barcos provavelmente será atribuído a falha humana, a bomba coreana, aos últimos esforços de um regime falido que insiste em sobreviver mesmo chantageando o mundo. Já as nossas eleições não tenho a menor idéia de como explicar, como, também, não sei explicar o paradoxo de nossa cidade.

Estamos no mês em que nos lembramos da Reforma Protestante do Século 16. E, a história tem mostrado que onde a Reforma Protestante desenvolveu-se, o analfabetismo, a violência, e outros malefícios, diminuíram, ao passo que a saúde, a educação, a higiene e outros benefícios cresceram.

Desde que cheguei aqui tenho pensado muito nisso. Às vezes penso que é um reflexo da situação caótica de nosso país ou da herança cultural e religiosa que recebemos, ou do “tipo de evangelho” que está sendo pregado. Sinceramente ainda não tenho certeza. Porém continuo estudando e aprendendo.

Por exemplo: Eu sempre achei que as cigarras só cantavam com o sol a pino. Estava errado. Nos dias mais quentes da semana passada, ao entardecer, algumas disputavam quem cantava mais alto. Depois das atividades da noite, acabei dormindo no sofá e acordei às 2 da manhã com uma cigarra quase se espocando de tanto cantar.

Alguém me disse que é a fêmea chamando o macho. Outro me garantiu que é o inverso. Fêmea ou macho, tanto faz, pois, enganada pelo clarão amarelo de uma lâmpada de vapor de sódio, não conseguirá seu objetivo, já que, fora dali, reina a escuridão da noite.

Será que, como as cigarras, a luz amarela está nos enganando? Sou testemunha do enorme esforço dispendido pelas “Igrejas sérias” em levar o Santo Evangelho. Sou testemunha da boa vontade de muitos irmãos que sacrificam-se em prol do trabalho que lhes é proposto. Também sou testemunha da presença da Bíblia em quase tudo o que se vê: Nomes de lojas, de pessoas, de ruas, de bairros, de igrejas... Porém, não tenho visto a Bíblia ser pregada conforme a Fé Reformada. Talvez seja essa a explicação.

Vamos voltar aos Princípios norteadores da Reforma Protestante. Ainda há tempo. Se não para evitar desastres, mas, pelo menos, para criarmos uma sociedade mais sadia, para nossos filhos.

Bom ânimo

Hebreus 3.13 (NAA) Pelo contrário, animem uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama “hoje”, a fim de que nenhum de vocês ...