sábado, 19 de outubro de 2013

Carnes gordas e afins

“Disse- lhes mais:
ide, comei carnes gordas,
tomai bebidas doces
e enviai porções aos que não têm nada preparado para si;
porque este dia é consagrado ao nosso Senhor;
portanto, não vos entristeçais,
porque a alegria do SENHOR é a vossa força”
Neemias 8.10

O que mudou? Dia a dia cresce no número de pessoas para quem a ordem dos auxiliares de Neemias, transcrita acima, não faz qualquer sentido, ou melhor, sequer pode ser cumprida.

Leite desnatado e sem lactose, café sem cafeína, açúcar sem sacarose, sal sem sódio, óleo sem colesterol, farinhas sem glúten...

O que sobra do leite quando se tira dele sua nata e aquilo que lhe diferencia e dá nome (a lactose): Água branca? E o que sobra do café ao se retirar a substância que responsável por que atraía a atenção de um pastor que percebeu suas cabras mais espertas depois que comiam aquelas frutinhas? Água preta? O mesmo poderia ser dito dos demais alimentos dessa lista (e de outros que não me ocorrem agora). Será que a humanidade está condenada a perder a essência daquilo de que se alimenta?

O pecado distanciou o homem de tudo, não apenas de Deus, e causou-lhe a perda da interação perfeita com o habitat. A terra começou a produzir cardos e abrolhos e ele, à custa de suor e sofrimento, passou a cultivá-la para obter seu sustento. Por seu pecado acabou perdendo a capacidade de relacionar-se com a essência daquilo que foi criado por Deus, sobre o que recebera domínio. Começou então a relacionar-se cada vez mais com os aspectos resultantes da queda.

Este relacionamento superficial e perverso não se limitou apenas a coisas físicas, mas até em áreas imponderáveis, como religião ou a moral, ele pode ser visto: Religião sem Deus, amizade sem fidelidade, sexo sem o pacto do casamento, etc.

O desespero do homem é tão grande, que até mesmo aquilo que foi legado por Deus como um alerta ao seu erro, a culpa, ele conseguiu perverter e vemos de forma muito clara o pecado sem culpa.

Não era pra ser assim! Nem mesmo naquilo que não foi criado pelo homem. Volte aos alimentos e veja como ele mostram a ação divina:

1. No texto que encabeça este artigo, comer carnes gordas e beber bebidas doces são receitas contra a tristeza e estão ligadas diretamente às bênçãos de Deus. Ao contrário do que somos instados a fazer hoje: tirar as gorduras da carne e a pele do frango.

2. A Terra Prometida foi descrita por Deus como “terra que mana leite e mel”, pois suas ricas pastagens favoreciam em muito a produção de leite e a exuberância de sua vegetação florida propiciava uma produção abundante de mel. Era como se a terra mesmo, de tão fértil, produzisse com fartura, manasse, leite e mel.

3. Moisés exortou o povo a lembrar-se do modo como Deus os guardou durante o êxodo com a seguinte descrição: “... o SENHOR o guiou, e não havia com ele deus estranho.Ele o fez cavalgar sobre os altos da terra, comer as messes do campo, chupar mel da rocha e azeite da dura pederneira, coalhada de vacas e leite de ovelhas, com a gordura dos cordeiros, dos carneiros que pastam em Basã e dos bodes, com o mais escolhido trigo; e bebeste o sangue das uvas, o mosto” (Dt 32.12-14). Ou seja: Eles foram abençoados por Deus com: cereais (naqueles dias os mais comuns eram a cevada e o trigo), mel, azeite, coalhada, leite, gordura, trigo, uvas e o mosto delas, ou seja, seu vinho.

4. Falando sobre os acontecimentos futuros, o profeta Isaías diz: “O SENHOR dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete de coisas gordurosas, uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com tutanos e vinhos velhos bem clarificados” (Is 25.6). Observe o que será servido pelo SENHOR: Carnes gordurosas com tutano e vinho velho e vinho purificado (refinado, filtrado, clarificado, etc.).

Há mais textos que falam das bênçãos de Deus representadas na fartura de alimentos que, por motivos de saúde, o homem de hoje evita. Bênçãos de Deus que infelizmente não podemos receber.

Talvez, em poucos lugares isso fique tão claro quanto na Ceia do Senhor. Muitas igrejas perdem a alusão à maturidade que deve caracterizar os discípulos do Senhor, usando suco de uva no lugar do vinho. Fazem isso para não despertar o alcoolismo latente de quem está lutando contra o vício que, tanto em sua componente hereditária quanto em sua componente comportamental (o abuso), é fruto do pecado que, nos distanciando de Deus, nos torna cada vez mais fracos e sem domínio próprio, portanto, mais suscetíveis de ser dominados pelo que deveríamos dominar.

O que fazer? Esperar em Deus, pois somos impotentes para corrigir essa situação. Lembre-se da profecia de Isaías: Ele dará o banquete!

Façamos como nossos irmãos do passado e oremos para que a volta de seu Filho ocorra logo, pois com ela todas as coisas serão restauradas ao estado de antes do pecado. Maranata.

Um comentário:

Danilo Costa disse...

Mais um texto excelente do senhor, pastor Folton!
Parabéns e muito obrigado por este post tão edificador!
Que o Senhor Deus continue abençoando a vida do senhor.