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segunda-feira, 13 de julho de 2020

Pode um Cristão ser “Esquerdista”?

1º - Se for presbiteriano (membro da Igreja Presbiteriana do Brasil) não pode, pois o Concílio Maior desta denominação já condenou diversas vezes, em diversas ocasiões, Veja as notas 1[i], 2[ii], 3[iii] e 4[iv] abaixo.

2º - Pode um cristão ser a ateu ou propagar o ateísmo? Não, não pode. Um cristão cumpre os quatro primeiros mandamentos com prazer pois sabe que esta é a vontade de Deus. Então, ele tem como seu Deus o verdadeiro Deus, não degrada sua pessoa em imagens, não degrada seu nome usando-o irrefletidamente, e reserva um dia a cada sete para cultuá-lo de modo especial.

3º - Pode um cristão ser contra a família? De modo algum, pois ela é uma das poucas coisas que foram estabelecidas por Deus antes da queda.

4º - Pode um cristão pautar-se pela ideologia de gênero? Deus nos criou machos e fêmeas. Qualquer alteração disso é fruto do pecado: a própria ideologia de gênero acaba concordando com isso ao afirmar que é a cultura que molda os papéis que os machos e as fêmeas exercem na sociedade. Porém, não admitem que a cultura esteja imersa e seja a principal expressão do pecado. Admitir que algo seja pecado seria – para o esquerdista – o mesmo que admitir que Deus existe e demanda submissão do homem.

5º - Como alguém que ora o Pai Nosso (seja feita a tua vontade...) pode desejar a implantação de um sistema que nega até mesmo a existência de Deus e persegue os cristãos em todo o mundo?

6º - Como alguém pode desejar os valores de um sistema que matou milhões e tornou-se o maior genocida de todos os tempos?

NOTE BEM: Não há um só mandamento que o sistema esquerdista não quebre. Aliás, ele foi elaborado para isso. O objetivo maior da esquerda é destruir os valores e conquistas da civilização “judaico-cristã.

Os militantes da esquerda se comportam como missionários abnegados, dispostos a sofrer qualquer coisa para verem a esquerda triunfar.

Para eles, conseguir isso é o que interessa e vale tudo para esse fim, mesmo que esforços sejam ilegais, imorais ou prejudiciais ao povo em que querem implantar tal governo.

Estamos vivendo, hoje, em nosso país, um exemplo disso: a esquerda torce pelo sucesso do corona vírus.


NOTAS

[i] A – O Supremo Concílio de 1954 foi claro: “há incompatibilidade entre o comunismo, ateu e materialista e a doutrina bíblica e os símbolos de fé da IPB”.

[ii] B – A Comissão Executiva do Supremo Concílio de 1956, enfatizou: “7) Em referência à atitude cristã quanto ao comunismo, persistimos em pregar a realidade do poder transformador do evangelho de Cristo, crendo que o comunismo é uma filosofia de vida contrária ao espírito e à doutrina evangélica.”

[iii] C – Em 1966, respondendo sobre o que fazer com um “obreiro” comunista o Supremo Concílio em resolve: “1) Reafirmar ser indispensável a qualquer pessoa que deseja filiar-se à IPB, em especial aos seus oficiais e ministros, a aceitação da Palavra de Deus como única regra de fé e prática, e seus símbolos de fé. Quando qualquer prova se possa fazer contra membro ou membros da IPB de que já não mais aceitam a Palavra de Deus e seus símbolos de fé, por adotarem uma filosofia em choque com os princípios cristãos, no todo ou em parte, a mesma prova deve ser apresentada ao Concílio competente para os devidos fins; 2) Reafirmar a resolução da Assembleia Geral de 1936 que declara: ‘Compete ao cristão obedecer as autoridades legitimamente constituídas e realizar os deveres do cidadão, nunca devendo adotar qualquer ideologia que atente contra os princípios evangélicos da liberdade civil e de consciência e de ordem e paz sociais’”.

[iv] D – Finalmente, em 1990, uma Carta Pastoral, esse Concílio maior recomenda “Que se evite todo e qualquer apoio a candidatos reconhecidamente descompromissados com os ideais de democracia, justiça e paz propugnados pela nossa Igreja, que visam apenas o interesse pessoal, pactuam com os injustos e corruptos, aceitam subornos, negam justiça aos pobres (Is 5.18, 22-23), decretam leis injustas (Is 10.1) e se afastam da Palavra de Deus como ‘regra de fé e prática’”.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Lula quer ser pastor


Lula quer ser pastor

Li, hoje pela manhã, que Lula quer ser pastor. Certamente é apenas uma bravata. Mas, como exercício mental, vamos admitir que seja um desejo sincero.

Ele procura uma das Igrejas Presbiterianas (IPB) e convence o pastor de que é um crente sincero, regenerado, salvo pelo Senhor e obediente ao seu chamado e à sua Palavra. Convence-o também a levar sua pretensão ao Conselho da Igreja, onde, se admitido, será sabatinado pelos presbíteros da Igreja. Eles tentarão desvendar seu real motivo e sua convicção de ter sido chamado por Deus para o sagrado ministério, ou seja, ser pastor.

Admitamos que ele convença ao Pastor e ao Conselho de que é uma pessoa convertida pelo Senhor Jesus e vocacionada a buscar almas perdidas, então será declarado “Aspirante ao Sagrado Ministério” e terá de ficar 3 anos sob observação do Conselho e da Igreja. Deverá comparecer, quando chamado, às suas reuniões, contar o que tem feito, responder satisfatoriamente a tudo o que for perguntado: inclusive assuntos íntimos.

Deverá ler os livros prescritos pelo pastor e resumi-los. Deverá relatar periodicamente (às vezes por escrito) seus sucessos e falhas. Não pode ser rebelde, pelo contrário, submisso, pacificador e diligente.

Precisa ter bom testemunho de todos da Igreja, possuir afinidade com as Escrituras Sagradas, responder com mansidão a todos e ser exemplo de virtudes aos jovens e aos novos membros da igreja.

Tem de acertar sua vida: Devolver o que eventualmente tenha roubado. Pedir perdão a quem tenha mentido ou trapaceado. Recompor sua vida familiar. Cumprir as penas que ainda pesarem sobre si. Em outras palavras: mudar radicalmente de vida.

Depois de 3 anos, sem nenhuma queixa que o desabone, o Pastor e o Conselho o enviarão ao Presbitério (que é o Concílio composto por presbíteros e pastores de uma determinada região). Lá, em uma comissão reservada será avaliado e, se for aprovado, será examinado novamente, agora pelo plenário. Será inquirido a respeito de tudo: vida financeira, familiar (às vezes sexual), pecados contra os quais luta, como, vícios, gênio forte, autodomínio, pensamentos impuros, etc.

Conta muito (as vezes é decisivo) a disposição favorável de sua esposa em segui-lo e, ser uma “ajudadora idônea” (missão dada por Deus a todas as mulheres, antes do pecado).

O presbitério, após apreciar o relatório do Pastor e do Conselho, sobre os 3 anos probatórios na Igreja, poderá determinar mais um período de confirmação (geralmente em outra igreja, com outro pastor e outro conselho) acompanhado por um Tutor Eclesiástico.

E ... finalmente, ele terá de ser aprovado.

Ao Tutor, ele deve reportar-se periodicamente. É dele que deve obter permissão para fazer qualquer coisa que não esteja prevista na determinação do presbitério e é, mediante relatório favorável desse Tutor, que ele será enviado ao Seminário.
Vamos admitir, também, que o Diretor do Seminário aceite sua matrícula, lá ele terá pela frente um currículo tão pesado em horas/aulas como o do curso de direito. Mas, com algumas dificuldades adicionais:

1) Ele terá de ser aprovado na gramática de duas línguas mortas: Hebraico e Grego bíblicos. Após aprovado nelas, aprender a fazer a exegese de textos bíblicos em cada uma delas. Além disso, aprender qual é a hermenêutica mais adequada para entender tais textos diante de contextos imediatos e remotos, bem como a aplicação de seus ensinos em nossos dias.

2) Paralelamente, ele terá de aprender toda história bíblica desde Adão. Dominar os livros históricos da própria Bíblia, os escritos dos Pais Apostólicos, da Igreja de Roma, dos Reformadores, dos hereges que surgiram depois, da Teologia da Libertação e seus desdobramentos na Igreja de Roma e de tudo o que aconteceu com os “liberais” protestantes, que, paralelamente à Teologia da Libertação, forjaram o que é conhecido hoje como Teologia da Missão Integral.

3) Conhecer profundamente a Teologia e a forma de governo da Igreja Presbiteriana, da Igreja de Roma, das Igrejas Protestantes tradicionais e das Igrejas Pentecostais e seus muitos ramos (até daqueles que dão vergonha aos presbiterianos de serem chamados de evangélicos também).
Agrava-se: Ele tem de conhecer essas e outras heresias e repudiá-las de coração, sem reservas mentais, tendo a confiança de seus professores.

Ah! Antes que eu esqueça: todos os exames devem ser feitos sem cola e todos os trabalhos sem plágios.

Durante seu curso ele deve prestar relatórios periódicos a seu Tutor, encontrá-lo amiúde, desfrutar de sua confiança e comparecer a todas as reuniões do Presbitério, nas quais seu relatório anual ao Tutor, deve ser aprovado.

Depois de formado ele será apresentado pelo Tutor ao Presbitério visando sua ordenação ao Sagrado Ministério. O Presbitério o examinará mais uma vez e tentará descobrir faltas que não descobriu antes. Satisfeito, o presbitério o licenciará por um ano, no máximo, dois, para trabalhar em uma igreja. Se nesse período de licenciatura não tiver desempenho satisfatório, especialmente no que concerne a uma vida piedosa, sua licenciatura será cassada. Se, entretanto, demonstrar piedade e interesse genuíno no rebanho, e houver uma Igreja que possa sustentá-lo, ele será solenemente ordenado.

Se alguém argumentar que ele tem “lábia” para enrolar qualquer pastor, Conselho ou Presbitério, responderei que ele terá de ser muito paciente: gastará 3 anos na igreja local; mais 1 (ou 2) no Presbitério (que até pode considerar os 3 da igreja local, mas acho difícil que levem em conta, considerando seu passado); 4 ou 5 no Seminário e 1 (ou 2) na licenciatura. Por baixo (o que geralmente acontece a quem nasce na Igreja) 8 anos, para depois ganhar por volta de 4 mil reais (média do que ganha um pastor presbiteriano).

Sua vida mais íntima será vasculhada e suas intenções, até onde for possível, serão pesadas e conhecidas de todos os membros do presbitério...

Não. Não acho que ele se sujeitará a tanto.

Não duvido que Deus possa converter Lula. Ele converteu tantos (converteu Paulo que se chamava de o principal dos pecadores). Mas, quando Lula diz que quer ser pastor, talvez ele queira apenas o título para fazer o que tantos “inimigos da cruz de Cristo” fazem e tornar os convertidos “duas vezes mais filhos do inferno” (como o Senhor disse dos “pastores” judeus de sua época).

Para finalizar, sinceramente, eu gostaria de vê-lo no caminho da Cruz e longe dessa cosmovisão diabólica, que atualmente professa.

sábado, 6 de setembro de 2014

Leis anticristãs

Desde seus primeiros dias o cristianismo tem sido difamado. A Bíblia registra que as primeiras perseguições foram iniciadas por boatos ou por difamações. Por exemplo: Os judeus em Tessalônica “movidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, ajuntando a turba alvoroçaram a cidade”. Ou ainda, em Éfeso, o ourives Demétrio promoveu uma manifestação anticristã levando seus colegas ocuparem a praça, gritando repetidamente, por cerca de duas horas: “grande é Diana dos efésios”.

Justo Gozales registra, em A Era dos Mártires, que: “O que se dizia acerca dos cristãos pode ser classificado em duas categorias; os rumores populares e as críticas por parte da classe culta [...] como se chamavam mutuamente de irmãos, foram se tecendo rumores cada vez mais exagerados, e muitos chegaram a crer que os cristãos se reuniam para celebrar uma orgia em que se davam uniões incestuosas”.

Além de difamado o cristianismo chegou a ser perseguido – exatamente como o Senhor Jesus havia predito – até ser reconhecido como religião oficial. Mas, deixar de ser perseguido, não significa que não tivesse inimigos ou difamadores. Sempre houve difamadores. Sempre houve quem lutasse contra o cristianismo e/ou contra os ideais cristãos. E infelizmente, as convicções de liberdade trazidas pela Reforma Protestante facilitaram, em muito, a vida dos difamadores e garantiu-lhes o direito de continuarem difamando.

A lista de difamadores famosos é grande, mas um se destaca até hoje: Friedrich Nietzshe. Nascido em 1844 numa família de protestantes era neto e filho de pastores luteranos e foi educado com vistas ao seminário, mas optou inicialmente pela filologia e depois à filosofia. Morreu louco no pior estágio da sífilis.

Os muitos livros que escreveu estão cheios de ataques ao cristianismo. No livro O Anticristo (título que atribuía a si mesmo) diz que o cristianismo é uma “crença enferma, baixa e vulgar [...] responsável pelo retrocesso cultural e moral dos homens”. Chegou mesmo a publicar uma “lei contra o cristianismo”, da qual transcrevo um trecho:
Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o sacerdote: ele ensina a antinatureza. Contra o sacerdote não há razões: há cadeia. 
Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas. 
Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida. 
Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.
Porém, ele não foi o primeiro a “fazer leis” contra os cristãos. Mesmo porque seus escritos, no máximo, provocaram reações ou convenceram a alguns a se voltarem contra o cristianismo. A Igreja, durante seus primeiros anos de existência, sofreu do império Romano 10 períodos de perseguição e não foram poucas as leis que surgiram contra ela. Por exemplo, na segunda perseguição, quando Domiciano era o cesar, o Senado fez a seguinte lei: “Que nenhum cristão, uma vez trazido ao tribunal, fique isento de castigo, sem que renuncie a sua religião”.

Não é de se admirar que os governos que veem o cristianismo como inimigo o persigam, porém, me assusta ver que cristãos fazem o mesmo. Observe: Diversas leis que foram feitas pelo legislativo brasileiro trazem, no mínimo, intranquilidade aos cristãos: O Estatuto da Criança e do Adolescente priva os cristãos de transmitirem a seus filhos valores básicos de disciplina e do trabalho e atrapalha muito às igrejas que desejam manter um orfanato dentro dos princípios morais cristãos.

A dita Lei da Palmada nivela os pais que sabem disciplinar seus filhos conforme a disciplina e sabedoria de Deus a pais espancadores que procuram, antes de tudo, descontar nos menores seus problemas. As diversas leis de proteção aos homossexuais acabam acobertando vidas pecaminosas e tentam obrigar as igrejas a adotarem a agenda de grupos cuja intenção declarada é a extinção da (como eles mesmo dizem) moral “judaico-cristã”.

E, como estas, outras leis, que, se não lutam abertamente contra o cristianismo, prejudicam muito a ação dos cristãos.


O que os cristãos podem fazer? Pelo menos divulgar quem são essas pessoas que lutam disfarçadamente. Repare: o cristianismo sempre terá muitos inimigos, mas os piores não são os declarados, e sim os que se passam por irmãos.

sábado, 23 de agosto de 2014

A propósito do Templo de Salomão

A primeira menção bíblica a um lugar de adoração está em Gênesis (8.20-21) e relata como Noé levantou um altar sobre o qual ofereceu holocausto. É certo que as ofertas de Caim e Abel já pressupõem um lugar determinado e esse lugar seria lato sensu um altar, mas a primeira menção formal a um altar é esta de Noé.

Na terra que lhe fora prometida, mesmo sem tomar posse dela, Abraão sempre levantava um altar no lugar em que Deus lhe aparecia, mas, o último foi levantado em lugar determinado por Deus, três dias de distância de onde morava: o Monte Moriá. Neste altar Isaque, seu filho, seria a vítima.

Os descendentes de Abraão também seguiram o costume e os altares levantados por eles eram verdadeiros marcos (com significado religioso).

Todos esses altares não passavam de montões de pedras, ajuntadas do próprio local, sobre as quais um animal (na maioria das vezes um cordeiro) era morto e queimado. Somente na época de Moisés, após instrução divina, o altar recebeu outros complementos e significados: era o Tabernáculo. Sua construção foi determinada por Deus que o detalhou e capacitou a seus construtores.

Os altares não desapareceram, nem ficaram restritos ao Tabernáculo. Josué e alguns Juízes levantaram altares também. Até mesmo Davi fez um no mesmo lugar em que, séculos antes, Abraão tinha oferecido seu filho. E, nesse mesmo lugar, anos mais tarde Salomão edificará o Templo.

As demais nações sempre tiveram altares. Na verdade, não se conhece um só povo, que não os tenha, pelo menos, uma vaga noção de um deus que recebe ofertas. Tais ofertas, sangrentos ou não, são oferecidas em lugares simples ou em complexos impressionantes, que podemos perfeitamente chamar de altares: zigurates, pirâmides egípcias, astecas, maias ou sudanesas, etc.

Mas, voltando ao Tabernáculo é necessário destacar que ele era um complexo cercado por uma estrutura de postes e panos esticados com cerca de 50m de comprimento e 25 de largura, a qual só era adentrada pelos sacerdotes e pelos respectivos ofertantes com suas vítimas.

Dentro dela ficava um braseiro de bronze (o altar propriamente dito, também chamado de altar de bronze) sobre o qual as vítimas, depois de carneadas, eram queimadas. Havia também uma bacia de bronze na qual os sacerdotes deveriam se purificar e uma tenda de peles com  quase 15m de comprimento por 5 de largura (a única parte coberta). Essa tenda era dividida em seu terço por uma cortina espessa. O terço maior era chamado de Lugar Santo e o menor de Santíssimo (ou Santo dos Santos).

No Lugar Santo ficava o candelabro de ouro (menorah), uma mesa folheada a ouro, sobre a qual se colocava pães, e um altar menor também folheado a ouro, onde se queimava incenso. Neste lugar os sacerdotes entravam, conforme a exigência da cerimônia, para apresentar a Deus o sangue de determinadas vítimas.

No Santo dos Santos, abrigo da Arca da Aliança, apenas o sumo sacerdote podia entrar. E apenas em um dia do ano!

Na verdade o Tabernáculo era uma estrutura portátil que deveria acompanhar o povo em sua peregrinação. Entretanto, depois de entrarem na Terra Prometida, permaneceu em Siló durante os quatro séculos dos Juízes e depois em Nobe e em Gibeom até sua substituição pelo Templo.

Davi, morando numa “casa de cedro” lembrou-se, com algum remorso, de que a Arca da Aliança ainda estava em uma tenda (o Tabernáculo), e decidiu preparar-lhe um lugar adequado. Deus o proibiu deixando claro que nenhuma casa seria adequada à sua presença, porém, permitiu que Salomão, seu filho, a edificasse.

E, apesar de Salomão ter dirigido a obra, lemos no Livro das Crônicas que até a planta das diversas construções que compunham o Templo foi dada por Davi. De fato, o lugar, os recursos, os materiais, os oficiantes, bem como as músicas e os instrumentos musicais foram todos preparados por Davi.

O Livro dos Reis registra: “Edificava-se a casa com pedras já preparadas nas pedreiras, de maneira que nem martelo, nem machado, nem instrumento algum de ferro se ouviu na casa quando a edificavam” (1Re 6.7).  

Salomão mandou aterrar a depressão entre os montes Moriá e Sião para criar uma grande esplanada no meio da qual edificou o Templo com dimensões iguais ao dobro das dimensões do Tabernáculo. A única parte coberta (onde ficavam o Santo e o Santo dos Santos) possuía 30m de comprimento por 10 de largura e era rodeado por depósitos para o que fosse necessário às cerimônias e ao cotidiano dos sacerdotes.

Durante quase 400 anos (de 973 a 586 a.C.) o Templo de Salomão centralizou a vida de Israel, especialmente a de Judá, até sua destruição pelos babilônios, quando levaram cativos grande parte dos judeus.

Os babilônios foram dominados pelos persas que autorizaram a volta dos judeus. E, nos dias de Neemias e Esdras, o Templo foi reedificado. Não era tão impressionante quanto o outro (Ag 2.1-4) e foi levantado com grandes dificuldades, mas era muito semelhante ao de Salomão. Em decreto, Ciro, rei dos persas, determinou as dimensões da obra (30 metros de largura e de altura), a devolução dos utensílios que Nabucodonozor havia tirado de lá, o pagamento dos construtores e dos oficiais do culto, bem como das vítimas e víveres necessários aos sacrifícios. Tudo isso com seu dinheiro. Ou seja: o culto estava sendo mantido por estrangeiros. 

Quando Salomão inaugurou o primeiro Templo, orou repetidamente: “se o teu povo, que se chama pelo teu nome...” Agora as orações do Templo deviam incluir Ciro e seus filhos!

Quando Salomão inaugurou o primeiro Templo, o equipou com utensílios maiores e mais caros do que os utensílios do Tabernáculo (mesas, candelabros, etc.), mas a Arca da Aliança era a mesma que Moisés fizera no deserto. Agora no segundo Templo, a maioria das peças foi devolvida, menos a Arca da Aliança. O Santo dos Santos ficou vazio.

Quando Salomão inaugurou o primeiro Templo, repetiu-se o que aconteceu nos dias do Tabernáculo: fogo dos céus consumiu tudo o que estava sobre o altar. Agora no segundo Templo não há registro algum dessa manifestação da aceitação divina.

No ano 168 a.C., 384 anos depois da consagração deste Templo, Antíoco, descendente de um dos generais com quem Alexandre estabeleceu seu império, o profanou: construiu um altar a Zeus em seu interior e sacrificou um porca sobre ele. Três anos depois o rededicaram e até hoje esta data é comemorada com o nome de Hanukah (a festa das luzes).

O Evangelho de João (2.20) registra os judeus afirmando a Jesus que foi gasto 46 anos para edificar o Templo. Os sinóticos são unânimes no registro de que, poucos dias antes da crucificação de Jesus, seus discípulos chamaram sua atenção para as pedras do Templo. Herodes resolvera embelezá-lo.

Aumentou o tamanho dos átrios, ampliou a esplanada (que chegou a ser 4 vezes maior do que a da Acrópolis de Atenas) e a circundou por alpendres. Elevou frontispício do lugar santo para 50 metros de altura e construiu a Torre Antônia no canto noroeste da esplanada com ótimas acomodações e com um quartel que possibilitava aos soldados saírem direto no átrio dos gentios. Era o que chamamos de Templo de Herodes.

Foi destruído pelo general romano Tito no ano 70 em uma luta tão angustiosa que a Igreja a comparou ao “fim dos tempos”.

Resumindo: Primeiro, o Tabernáculo (com 25m de largura por 50m de comprimento), feito de madeira e peles, que acompanhou Israel por cerca de 530 anos e foi montado em diversos lugares. Depois, o Templo de Salomão com o dobro das medidas (50 por 100m), feito dos melhores materiais da época, e edificado no lugar mais significativo para a história do Povo de Deus, ficou de pé cerca de 380 anos. Em terceiro lugar, após o exílio, o Templo de Zorobabel (com 30 por 60m), totalmente custeado pelo rei da Pérsia, e reformado 490 anos depois por Herodes. Finalmente o Templo de Herodes, que fez mais do que uma reforma (com cerca de 50 por 60m, mas com quase 300m por 600m de esplanada), que durou apenas 96 anos, grande parte deles em obras.

Observe que, com o passar do tempo, o tamanho aumenta, o significado para o povo também aumenta, mas o Santo dos Santos vazio aponta para o esvaziamento do significado real.

O Templo de Herodes ainda estava de pé e no dia de pentecostes e celebrava-se lá uma das mais elaboradas e caras cerimônias de então. Nesse mesmo instante, em um simples terraço, a “presença de Deus”, que havia se manifestado no Tabernáculo e no Templo de Salomão, se manifestou sobre cada um dos discípulos de Jesus. Um Templo novo estava sendo inaugurado pelo próprio Deus. Não de peles de animais, como o Tabernáculo, nem de pedras, como o Templo de Salomão, mas de pessoas consagradas pelo Senhor.

Desde então este é o verdadeiro Templo. Nele o Espírito do Senhor faz morada: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16).

No mesmo texto em que os judeus falam do tempo da reforma Jesus deixa clara a identificação do templo com seu corpo. De fato, essa relação é a chave do significado do templo: ele era um tipo de Jesus. E, assim como no passado o tabernáculo, e seus sucessores, eram tipologicamente o corpo do Senhor, hoje, todos nós, somos membros desse corpo.

O Templo feito por Herodes já havia sido honrado por Jesus, que se referiu a ele como “a casa de meu Pai”, e o purificou. O Cordeiro de Deus não foi morto em seu altar, como as vítimas que o simbolizavam, mas, julgado e condenado em suas instalações, foi imolado no mais ignominioso altar que se possa conceber: a cruz.

Assim que Jesus expirou, o véu do santuário (a cortina que separava o Santo Lugar do Santíssimo) foi rasgado. O templo estava sendo definitivamente preterido e, para que a Igreja – acostumada a reunir-se no alpendre de Salomão – o esquecesse de vez, Deus o destruiu completamente a ponto de não ficar pedra sobre pedra.

Continuar sacrificando, mesmo que simbolicamente como faz a Igreja Católica é desprezar o sacrifício de Jesus. Levantar outro templo, seja em Jerusalém, seja em São Paulo é zombar daquilo que foi finalizado pelas benditas palavras “está consumado”.

sábado, 5 de abril de 2014

Anchieta

Depois de um processo que durou 400 anos (o mais demorado da história) Anchieta foi canonizado na marra. Se o processo continuasse dificilmente Anchieta seria canonizado, pois além de não possuir um segundo milagre feito depois de ser declarado beato, o auxílio que ele prestou no enforcamento de um membro da Igreja de Calvino  depunha gravemente contra a pretensão de ser santo.

Desde meus tempos de seminário, meus professores me alertavam: não se preocupe com a canonização de fulano ou beltrano, mas mostre o quanto é ímpio o próprio ato de canonizar alguém. Entretanto, o caso de Anchieta é terrível, pois além do erro que existe em declarar que alguém deva ser adorado, o personagem em questão é mais do que um pecador comum. É um assassino. Um assassino de protestantes, pela única razão de serem protestantes.

Nascido em 1534, em Tenerife, uma das Ilhas Canárias, estudou filosofia em Portugal. Veio para o Brasil em 1553 e depois de muitos trabalhos, inclusive a edificação da casa ao redor da qual se formaria a Vila de São Paulo, induziu Mem de Sá, governador-geral, a condenar Jacques Le Balleur à morte, tendo ajudado em seu enforcamento.

Naqueles dias o rei da França, fiel súdito do Papa, estava inconformado com a divisão dos novos descobrimentos entre Espanha e Portugal (o Tratado de Tordesilhas), e recebeu com alegria a proposta de seu Almirante, Villegaignon, de fundar nessas novas terras, mediante a força: a “França Antártica”.

Como não tinha recursos autorizou outro almirante, Colligny, que tinha bom trânsito junto à Igreja de Genebra, a levantar os fundos necessários. A Igreja, refúgio de muitos franceses perseguidos, viu uma boa oportunidade para estabelecer alguns deles em um local livre de perseguições. Então, para a primeira viagem, o próprio Calvino selecionou diversos pastores e artesãos.

Ao chegarem aqui, Villegaignon mostrou sua verdadeira face: passou a persegui-los e matou alguns. Porém, outros escaparam. Le Balleur ficou entre os índios e anos mais tarde foi reconhecido e preso em São Vicente. Levado a Bahia, enfrentou o tribunal da inquisição e foi condenado a morte “no mesmo local em que começou a vomitar suas heresias”.

Não se sabe ao certo como Anchieta ajudou no enforcamento. Há quem diga que, diante a recusa do carrasco em prosseguir o enforcamento, ele tenha esganado Le Balleur com as próprias mãos. Outros dizem que ele recebeu a confissão de Le Balleur, abjurando o protestantismo e, preocupado com a demora de sua morte após dependurado pelo pescoço, o teria misericordiosamente puxado pelos ombros com o fim de abreviar seus sofrimentos. Se não há certeza de como, a demora em canoniza-lo e a forma como ele foi canonizado atestam sua participação.

A campanha para sua beatificação teve início no século 17 e só em 1980 o Papa João Paulo II o declarou beato e nesta quinta-feira passada (3 de abril de 2014) o Papa Francisco o decretou santo. Foi dispensada a comprovação de milagre, como exige a própria lei da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).

Nós, protestantes vemos muitos problemas em declarar alguém santo:

1º - Acreditamos em milagres. Acreditamos que Deus pode fazê-los, e os faz, quando quer. Mas confessamos que a capacidade de fazê-los espontaneamente foi restrita a alguns profetas e aos apóstolos.

2º - Rejeitamos completamente a ideia de adorar alguém além de Deus. Aliás Deus proíbe isso terminantemente. Porém, a ICAR torna alguém beato ou santo exatamente com o objetivo de ser adorado. Veja o que diz seu direito canônico:

Cânone 1186 — Para fomentar a santificação do povo de Deus, a Igreja recomen­da à veneração peculiar e filial dos fiéis a Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, que Jesus Cristo constituiu Mãe de todos os homens, e promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, com cujo exemplo os fiéis se edifi­cam e de cuja intercessão se valem.

Cânone 1187 — Só é lícito venerar com culto público os servos de Deus, que foram incluídos pela autoridade da Igreja no álbum dos Santos ou Beatos.

Em última análise, ao canonizar Anchieta, o Papa está dizendo: Adorem o carrasco Anchieta.

Não deixe de ver:
 

sábado, 15 de março de 2014

Deus e as leis

Vimos (em 9/3) que Deus delega uma enorme autoridade ao Estado. Vimos também que a diferença principal entre os diversos tipos de Estado e o que foi estabelecido por Josué na Terra Prometida, era a origem da Legislação. Naqueles, feita pelos soberanos, ou por representantes do povo, neste, outorgada por Deus.
A própria existência do Estado está sujeita as leis de Deus. Por exemplo: no governo familiar é dever dos filhos sujeitar-se a seus pais (Ef 6.1), mas reciprocamente é obrigação dos pais zelar pelos filhos (Ef 6.4). No governo civil os cidadãos devem ao Estado: sujeição, obediência e prontidão (Tt 3.1 e Rm 13.5); manutenção (Rm 13.6-7); honra (1Pe 2.17) e orações (1Tm 2.1-3), mas o Estado é obrigado a: castigar o malfeitor (Rm 13.4); primar pela verdade e pela honestidade (Lc 3.14); reger-se pela sabedoria (Pv 8.15-16); defender os oprimidos (Sl 82.2-4), moderar seus gastos militares, suas mordomias, respeitar as leis de Deus e a não oprimir seus cidadãos (Dt 17.15-20). 
Embora a origem da legislação fosse a marca distintiva do Estado fundado por Josué, Deus permite que haja legisladores, mas exige que as leis feitas por eles estejam de acordo com sua vontade: “Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão, para negarem justiça aos pobres, para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo, a fim de despojarem as viúvas e roubarem os órfãos!” (Is 10.1-2). Em outras palavras: todas as leis devem expressar em última instância a vontade de Deus.
Inevitavelmente, algumas, pela própria natureza, acabam exprimindo. Por exemplo: as leis que visam a proteger a vida sempre derivam do “Não matarás”. Porém, outras afrontam este mandamento: Por que a vida de uma criança no ventre de sua mãe pode ser descartada e a vida de um perigoso e cruel assassino, tem de ser poupada?
A cada dia, mais leis afrontam a vontade expressa de Deus e quase todas nascem em uma nova fonte de legislação: Organizações internacionais. O Estado, outrora tão cioso de sua soberania, capitula diante de pressões internacionais, e cede a grupos de pressão, via de regra para proteger minorias, que, na maioria das vezes, possuem em comum uma prática reiterada, ou até mesmo um estilo de vida, que afronta os princípios básicos da vontade divina.
A maioria dessas leis busca um humanismo total em detrimento da vontade de Deus, e baseia-se no seguinte conceito: o homem é seu próprio senhor e não precisa obedecer a ninguém senão a sua própria vontade.
Essas leis geralmente nascem em uma convenção internacional, para a qual os representantes brasileiros são nomeados e lá, sobre conceitos que já foram criados, com a ajuda de modificações até mesmo no significado das palavras, assume-se um compromisso que, ratificado por nosso Congresso, acaba gerando a base dessas leis. Assim nasceu a atual distinção que é feita entre sexo e gênero. O testemunho de muitos representantes que foi após a defesa veemente de Bella Abzug, notória feminista americana, que o termo “gênero” foi mantido nos documentos da assembleia em substituição a “sexo”.
O uso da palavra gênero, com esta acepção, teve seu início nos anos 60 e é notável que sua disseminação tenha se dado após uma verdadeira tragédia. 
Em 1965 David Reimer, irmão gêmeo de Brian, teve seu pênis amputado durante uma postectomia. O psicólogo John Money sugeriu à família que o criasse como menina, argumentando que, “sexo é a condição com que se nasce e gênero é o papel social dos sexos biológicos”. Embora criado como menina e acompanhado psicologicamente para que seu “gênero feminino” refletisse essa condição sexual criada artificialmente mediante cirurgias, ele logo começou a comportar-se como menino e a rebelar-se contra o papel de menina. Na adolescência repudiou totalmente a feminilidade e quando jovem reverteu cirurgicamente a operação e casou-se. Inconformado com o drama de David, Brian se matou. Dois anos depois, sem esposa, e sem encontrar-se, nem como homem, nem como mulher, matou-se também.
Apesar de tão dramático começo, essa distinção (de gênero) pegou, e, hoje nos está sendo imposta. Já apareceram organizações em que, onde se escolhia apenas Homem ou Mulher, hoje se escolhe até cinquenta gêneros diferentes.
Porém, para que tais mudanças aconteçam, é necessária uma verdadeira ação de engenharia social. Nela o concreto, o aço ou os componentes eletrônicos, com os quais as engenharias comuns trabalham, são substituídos por pessoas e os meios de comunicação de massa (especialmente a televisão) são usados como recursos fundamentais na nova arrumação pretendida pelos novos engenheiros.
Em um documento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Working Paper #651 – BR-N1020), intitulado “Television and Divorce – Evidence from Brazilian Novelas” escrito por Alberto Chong e Eliana La Ferrara, lê-se o seguinte resumo: “Este trabalho estuda a relação entre a televisão e o divórcio no Brasil, explorando a variação no tempo de disponibilidade do sinal da Rede Globo – rede que tinha um virtual monopólio sobre telenovelas no país – nos municípios. Usando os dados de três censos (1970, 1980 e 1991) e controlando, nas áreas demarcadas, as características que variam no tempo, o trabalho mostra que a parcela de mulheres separadas ou divorciadas aumenta significativamente após o sinal da Globo se tornar disponível. [...]” (Tradução minha).
A ideia é mostrar que esse é o caminho para influenciar as mulheres de outros países.
De qualquer modo, onde a legislação for contrária aos objetivos das organizações internacionais, muda-se a legislação. Em 24 de fevereiro passado foi noticiada a nova legislação antihomossexual de Uganda. Todos os noticiários a respeito dela, que vi ou li sempre foram concluídos com um relato de sanções contrárias que serão impostas por outros países ou pelas organizações internacionais com o fim declarado de pressionar Uganda para revogar a lei (embora mais da metade dos países africanos tenham leis semelhantes).
O que podemos fazer? Primeiramente devemos orar. Em segundo lugar resistir como os franceses estão fazendo à tentativa de imposição da ideologia de gênero na educação das crinças. E, por fim, eleger apenas pessoas comprometidas, de fato, com uma vida submissa a vontade de Deus.
 
 

sábado, 8 de março de 2014

Deus e o Estado

Chamamos de Estado o conjunto de instituições que governa um povo. Modernamente ele é analisado como possuindo três componentes: A que estabelece, em nome do povo, as obrigações a que o povo se sujeitará (legislativo); a que executa e impõe a execução dessas obrigações (executivo) e a que julga se alguém se desviou de cumpri-las (judiciário).

Nos Estados antigos essas três componentes eram resumidas na vontade de quem detinha o poder, seja pela força ou por herança. Um bom exemplo é o Egito em que José como mão direita do faraó, estocou alimentos e no tempo de escassez, em troca deles, recolheu todo dinheiro que circulava (Gn 47.14-15). Findo o dinheiro, adquiriu, ainda em troca de alimentos, todos os rebanhos e propriedades bem como os inadimplentes como escravos (Gn 47.16-21). Finalmente, estabeleceu nova ordem onde o povo passou a ser arrendatário da terra a uma taxa de 20% de tudo o que fosse produzido (Gn 47.23-26).

Não havia limites para o poder do governante e consequentemente para o tamanho do Estado.

A legislação é pedra de toque: Enquanto a legislação nos Estados antigos era a expressão da vontade do soberano, nos Estados modernos (onde, via de regra, os legisladores são eleitos) ela representa a vontade do povo que os elegeu. E a origem da legislação era a diferença básica entre o Estado implantado por Josué na Terra prometida: Deus era o único legislador.

Inicialmente esse Estado era o mínimo dos mínimos. Não havia um governo central e cada tribo era governada pelos seus próprios príncipes. Quando afrouxavam a observância à lei divina, Deus levantava um inimigo para oprimi-los e quando se arrependiam, Deus lhes suscitava um Juiz que os conduzia em vitória sobre aquele inimigo. Isso se repetiu quatorze vezes em um período de quatrocentos anos.

À luz da Bíblia o embrião de todo governo é a justiça. Fazer justiça é a missão prioritária de qualquer governante, depois defender a nação de ameaças externas e defender os oprimidos. Tudo isso de conformidade com a lei de Deus, que  dispunha até sobre a guerra (veja o capítulo 20 de Deuteronômio).

Naquele Estado implantado por Josué resolveram então centralizar o governo e transformarem-se em uma monarquia imitando seus vizinhos. Deus os alertou sobre qual seriam os direitos do rei (recrutar soldados e servas, desapropriar bens e cobrar impostos) e os advertiu a não o buscarem reclamando (1Sm 8.11-19), mas preferiram fazer conforme o próprio coração. Em outras palavras: aumentaram o poder do Estado (cuja natureza é sempre usurpar o domínio de Deus): “Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele” (1Sm 8.7).

Os reis sucederam-se sobre Israel. Depois de Saul, Davi estabeleceu sua casa e seu filho Salomão agigantou o Estado o quanto pôde, mesmo tendo de desobedecer a Lei de Deus. A política centralizada e seu suporte militar renderam a Salomão muitos inimigos, até seu supervisor de trabalhos forçados, Jeroboão, teve de fugir para o Egito para escapar de sua ira (1Re 11.26-40). A economia, também centralizada, dependia totalmente de impostos altíssimos.

No reinado de Roboão, filho de Salomão, as demais tribos se revoltaram contra a de Judá exatamente pela exorbitância dos impostos que Roboão insistia em continuar cobrando e criaram o reino do norte no qual diversas famílias sucederam-se no poder. A tribo de Judá, seguida pela metade da tribo de Benjamim, continuou fiel à família de Davi. Dentre eles Uzias exemplifica bem este tema.

Uzias reinou cinquenta e dois anos sobre Judá, e, mediante a guerra e a dissuasão militar, solidificou as fronteiras, edificou torres de defesa sobre os muros de Jerusalém e ao longo do território com a missão de mantê-lo sob vigilância e garantir a segurança dos trabalhadores do campo. Era tido por “amigo da agricultura” e possuía um exército muito bem armado. Pelo relato do cronista (2Cr 26), parece que seus gastos militares trouxeram prosperidade. Ensoberbecido, quis aumentar o poder do Estado até sobre a religião, porém os verdadeiros sacerdotes (“homens da maior firmeza”) o resistiram e Deus o castigou.

O contraste entre o tamanho do Estado nos dias dos Juízes e nos dias de Salomão (ou de Uzias) é muito grande. É certo que as palavras “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto” (Jz 17.6 e 21.25) trazem a impressão de uma apologia ao Estado monárquico, mas, bem examinadas, revelam muito mais a insubordinação de um povo que não se submetia à lei divina. Se nos Estados modernos a democracia depende do comprometimento de seus cidadãos com as leis, na época dos Juízes o cumprimento das leis divinas era a essência da manutenção daquele Estado e o esquecimento delas foi a razão de seu fim. Eles não questionaram as leis de Deus, mas também não as obedeciam e, pior, pediram um rei que impusesse seu cumprimento. Ou seja: aumentaram o Estado para que os tutelasse. Em vez de cumpri-las por temor de Deus, estavam dispostos a cumpri-las pelo temor ao Estado.

Porém, essa não é a natureza do Estado (fazer cumprir as leis de Deus). Sua tendência natural é impor suas próprias leis, assumindo o lugar dele. Quanto maior é o Estado, maior será a independência de Deus. Num Estado que garanta a todos o básico, mais cedo ou mais tarde, Deus será esquecido e o exercício do amor ao próximo se tornará desnecessário. Não haverá por que orar pelo “pão nosso de cada dia”, pois o estado o fornecerá. Não haverá por que se preocupar com o bem estar dos menos afortunados, pois, se existirem, assisti-los será obrigação do Estado. Em outras palavras: As duas tábuas ficam desnecessárias.

A existência de governos (e consequentemente do Estado) sempre fez parte do plano divino e depois da queda eles se tornaram indispensáveis. Porém, todos os governos, sejam familiares, locais ou nacionais, devem refletir o governo divino, pois até mesmo os que nasceram (e/ou se mantêm) pela força derivam sua autoridade de Deus. É o que aprendemos do apóstolo Paulo através de sua carta endereçada à Igreja de Roma escrita nos terríveis dias de Nero: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação” (Rm 13.1-2).

domingo, 10 de novembro de 2013

Crimes sexuais

Em setembro passado o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) noticiou que a Lei Maria da Penha não teve impacto sobre o número de homicídios no Brasil. Nesta semana a “Central de Atendimento a Mulher” (CAM) divulgou que o número de estupros cresceu em mais de sessenta por cento.

A Lei Maria da Penha, em vigor desde 22 de agosto de 2006, é um endurecimento da legislação tentando compensar a lerdeza e omissão dos órgãos judiciais. Passou a tratar como estupro o que antes era qualificado apenas como atentado violento ao pudor (Por exemplo: exibir a genitália) e, talvez o mais importante: possibilitar a proteção da mulher tão logo ela faça a denúncia.

A CAM é um serviço de atendimento telefônico da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (órgão do Governo Federal), que “além de encaminhar os casos para os serviços especializados, a Central fornecerá orientações e alternativas para que a mulher se proteja do agressor”.

Não é preciso ser um estudioso para duvidar destes números. Os do IPEA pela sua missão declarada “articular, produzir e disseminar conhecimentos para aperfeiçoar as políticas públicas e contribuir para o planejamento do desenvolvimento brasileiro”. Observe: PRODUZIR, ARTICULAR e DISSEMINAR conhecimentos! Já os números da Central de Atendimento a Mulher expressam muito mais um crescimento na procura de seus serviços do que, de fato, um aumento de casos.

Por favor, não pense que vejo exagero nestes números. Apenas não creio que eles expressem a verdade. O problema da violência (não apenas contra a mulher) é muito pior e nossos governantes estão tratando apenas dos sintomas e muito superficialmente. Observe:

LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências (sic).

Reparou? Um dos objetivos é “erradicar a violência contra a mulher”. Porém... Erradicar perversidade com leis? O próprio Deus, que conhece totalmente o homem, não faz isto. Sua lei primeiramente mostra-nos que nosso coração perverso é muito pior do que imaginamos.

Moisés escreveu o livro de Gênesis logo após ter transmitido a Lei de Deus. No capítulo 34 relatou o estupro sofrido por Diná; no capítulo 35 nos informa o incesto de Rúben contra sua madrasta; no capítulo 38, descreve o pecado de Onã e como Tamar seduziu a Judá e no capítulo 39 a tentativa de abuso cometido pela mulher de Potifar contra José. 

Percebeu? Em seis capítulos a Bíblia relata 5 pecados sexuais diferentes, sendo que, em dois deles (Tamar e Potifar), a mulher é a parte ativa. A Bíblia nunca escondeu esse comportamento perverso daqueles que muitas vezes são mostrados como heróis. Certamente você conhece a história de Davi.

Em segundo lugar, a solução divina para a perversidade foi dá-nos seus valores mediante seu Espírito que passou a viver em nós depois de nossa união com seu Filho.
Cristo e sua Igreja são o modelo de vida para a família, especialmente para maridos e esposas. Se os corações não estiverem cheios desse modelo e dispostos a viverem assim, não haverá legislação que “erradique a violência” que é inerente ao homem pecador.

“Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações” (1Pedro 3.7).

Repare que, tanto a lei brasileira quanto a ordem bíblica têm por objetivo o homem. Aquela o criminaliza e o separa da mulher e esta o obriga a viver de forma diferente considerando a fragilidade, a dignidade, a igualdade de deveres perante Deus e o bem das orações do casal.

E novamente chegamos a importância das orações. O atendimento delas é condicionado a uma vida de respeito à família.

sábado, 21 de setembro de 2013

Rev. José Manoel da Conceição

Em 1863 o missionário Rev. Alexander Blackford, cunhado do Rev. Ashbel Green Simonton, ao mudar-se do Rio de Janeiro para São Paulo, ouviu falar de um “padre protestante”. Era o Pe. José Manoel da Conceição que morava perto de Rio Claro.

O Pe. José tinha então 41 anos. Havia nascido na capital, mas foi criado em Sorocaba pelo tio José Francisco, que era padre. Aos 18 anos foi estudar teologia e aos 20 foi ordenado sub-diácono começando o exercício de seu ofício nas proximidades de Sorocaba.

Seu contato com a Bíblia aconteceu no Seminário. Com os protestantes aconteceu através de uma família luterana com quem fez amizade nos primeiros anos de ministério (destacava o respeito que eles tinham para com o Dia do Senhor). Com as doutrinas protestantes aconteceu quando procurou aprender a língua alemã: seu professor usava como texto de leitura os sermões de Lutero.

Aos 23 anos foi ordenado presbítero e enviado pelo Bispo para uma das igreja de Limeira onde começou a pregar de tal modo que passou a ser chamado de “Padre Protestante”. Irritado, o bispo decidiu transferi-lo para Piracicaba, onde continuou sua pregação e de onde foi transferido para Monte-Mór, e depois para outras cidades.

Essas transferências, que deveriam lhe servir de alerta, propiciaram que sua mensagem evangélica fosse disseminada por diversas cidades de São Paulo e mais tarde influenciariam seu ministério itinerante, pois voltou a essas mesmas cidades pregando novamente e levando muitas pessoas ao Evangelho.

Por fim, aos 41 anos, o Bispo o nomeou para um cargo administrativo e ele mudou-se para as proximidades de Rio Claro onde possuía um sítio e onde deu-se o Encontro com o Rev. Blackford.

No ano seguinte, aos 42 anos, em visita ao Rev. Blackford em São Paulo, decidiu abraçar o protestantismo. Nesse mesmo ano voltando a São Paulo comunicou ao Bispo sua decisão e foi ao Rio de Janeiro onde conheceu o Rev. Simonton e fez sua Pública Profissão de Fé. Nesta ocasião pediu para ser rebatizado, pois entendia que fora batizado em uma fé completamente diferente (vale observar que este pedido fez com que os missionários passassem a rebatizar todos os crentes vindo do catolicismo e tornou-se uma prática da Igreja Presbiteriana do Brasil até os dias atuais). Após a cerimônia dirigiu-se à Igreja explicando as razões pelas quais deixou a igreja de Roma e recebeu a Fé Protestante.

Durante as viagens, que passou a fazer com os missionários, era frequentemente tranquilizado em suas crises de consciência pelo seu passado.

No ano seguinte o primeiro presbitério brasileiro foi organizado em São Paulo e recebeu o nome de Presbitério do Rio de Janeiro, em atenção à cidade da corte imperial. Era composto pelas Igrejas do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Brotas, e dos Pastores Rev. Blackford (Presidente), Rev. Simonton, e Rev. Francis Schneider. A Igreja de Brotas era a maior e fora fundada mormente graças aos esforços de Conceição.

Nesta primeira reunião o Presbitério, em 17 de dezembro (hoje dia do Pastor Presbiteriano) o ordenou pastor, após exame e sermão de prova, com grande repercussão no público católico.

Sua excomunhão pela Igreja de Roma não demorou e seu ministério evangélico itinerante por todas as cidades que conhecia e virtualmente todas as cidades do Estado de São Paulo, diversas do Rio de Janeiro e do Sul de Minas Gerais e algumas no Paraná, ganhou força. Poucas vezes de trem, algumas a cavalo e a maioria delas a pé, de casa em casa, de sítio em sítio, de fazenda em fazenda.

Onde era bem recebido, além de anunciar o evangelho, retribuía a hospedagem servindo de enfermeiro ou de simples varredor do quintal.

Quando sua sentença de excomunhão foi publicada nos jornais escreveu “A Sentença de Excomunhão e sua Resposta”, que acabou tornando-se um livreto muito divulgado.

Como suas viagens lhe prejudicavam a saúde, e a experiência dos missionários mostrava que não adiantava fixar-lhe um lugar, o incentivaram a ir aos EUA. Ficou lá por quase um ano. Pastoreou igrejas da comunidade portuguesa no Illinois, mas principalmente valeu-se de seus conhecimentos de vários idiomas para traduzir diversas publicações e chegou a revisar a tradução de um Novo Testamento para a Sociedade Bíblica Americana.

De volta ao Brasil em 1868 (já com 46 anos), após a reunião do Presbitério, voltou as suas viagens. Já não estava “afinado” com o rumo do trabalho dos missionários, que agora enfatizavam a estruturação da Igreja Brasileira. Ele continuava a evangelizar e mandar seu relatórios com o nome dos novos convertidos.

Solitário, era frequentemente acometido de angústias (o que hoje chamamos de depressão) agravadas pelas perseguições de romanistas, que chegaram a agredi-lo fisicamente e até mesmo a apedrejá-lo. Na cidade mineira de Campanha foi dado como morto após um apedrejamento.

Aos 51 anos (em 1873) o Presbitério o convocou ao Rio de Janeiro com o fim de cuidar de sua saúde e morar em uma casa que o Rev. Blackford alugara. Na viagem, a pé, em 24 de dezembro, faminto cansado e fustigado pelo calor da baixada fluminense, desmaiou e foi levado a um quartel do exército em cuja enfermaria foi bem tratado. Na madrugada do dia 25 o Senhor o chamou para uma casa melhor.

Bom ânimo

Hebreus 3.13 (NAA) Pelo contrário, animem uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama “hoje”, a fim de que nenhum de vocês ...