sábado, 12 de abril de 2008

Quando as âncoras não são mais necessárias

Wierum monument.JPG

...a fim de lançar mão da esperança proposta;
a qual temos por âncora da alma,
segura e firme e que penetra além do véu,
onde Jesus, como precursor, entrou por nós...
Hebreus 6.18-20

Das cinco vezes em que a palavra "âncora" aparece nas Sagradas Escrituras, apenas neste texto é usada como metáfora.

Há muito tempo os navegadores aprenderam que uma pedra presa por uma corda e lançada ao fundo d'água, mantém o barco parado. E, apesar de todo desenvolvimento tecnológico que deu a âncora a forma que conhecemos hoje, ainda se pesca apoitado.

A âncora (ou poita) é a única coisa que mantém o barco parado a despeito do movimento da água.
Será que há uma metáfora mais bela do que esta para o que chamamos de fé? Duvido. Porém a Bíblia a usa como metáfora da esperança.

Curiosamente, em nossos dias, essas benditas âncoras estão sendo deixadas de lado. Com a ênfase no individualismo - traço definidor de nosso dias - muitos não querem mais um porto onde podem ficar seguros. Ao contrário, preferem viver como barquinhos à deriva: ao sabor da emoção do momento.

As âncoras estão perdendo a utilidade.

Na foto acima, um artista usou cinco âncoras para homenagear "os que se perderam no mar". Esse monumento fica em uma pequena cidade pesqueira holandesa, e faz todo sentido para os moradores de lá. Aliás, dentro da Igreja Reformada de lá, dependurada no teto, há uma miniatura de um barco de pesca. E, certamente não foi composto lá, mas a primeira coisa que me veio a mente foi o hino em que cantamos: "guarda o marinheiro no violento mar".

Que fotos teriam sentido semelhante hoje? De pessoas drogadas em uma sarjeta? De multidões atrás de um enganador? De massas humanas em delírios bacantes ou em "transe gospel"?
Barquinhos sem âncoras. Sem âncoras por preferirem o vagar das ondas, “levados ao redor por todo vento de doutrina”.

Sem âncoras por não verem porto onde atracar, ou vendo-o, mesmo assim, preferem a incerteza das vagas, ou o sabor do sobe e desce à segurança do porto.

Sem âncoras porque as transformaram em enfeite, em monumento à própria perda no mar do desespero e da solidão.

Isso não é opção para quem tem Jesus, pois nossa âncora atravessa o véu das realidades transitórias, e firma-se na certeza de que onde ele está estaremos também.

(Fotografia gentilmente cedida por Marcel Pelt)

2 comentários:

Alexandre Ribeiro Lessa disse...

Rev. Folton,

O livro de Judas em seu único capitulo apresenta a sorte dos errantes que o senhor descreve:

12 Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas;
13 Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas.

E apresenta também as nossas responsabiliddes bem a nossa, sorte:

20 Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo,
21 Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.

O que podemos fazer por eles também é ensinado por Judas:

22 E apiedai-vos de alguns, usando de discernimento;
23 E salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo, odiando até a túnica manchada da carne.
24 Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória,
25 Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém.

Ótimo post, reverendo.

Boa semana.

Christopher Marques! disse...

Boa tarde!

De fato, a âncora da esperança é a nossa segurança. Quando todos os suportes da nossa vida são tirados, e vemos que sobrou somente Deus, então entenderemos e perceberemos que Ele é suficiente. Bom post. Parabéns.
Depois faça uma vista ao meu modesto blog: www.cristomarques.blogspot.com