sábado, 23 de janeiro de 2010

A âncora da alma

Os arrecifes formavam com a praia uma grande enseada de águas calmas. Neles as ondas se quebravam e dentro da enseada pequenas ondas eram formadas pelo vento forte que soprava do nordeste.

Uns nadavam, outros se contentavam em olhar o fundo através da água transparente, e outros, alugando pequenos barquinhos de uma vela, navegavam de cá pra lá, até que, cansados de ir e vir, ou de abaixarem-se para não levar uma pancada da retranca quando o vento enfunava a vela para o outro lado, paravam.

Mas, como manter parado um barco tão leve, em um local onde a corrente marinha era bem sentida e os ventos impulsionavam tão bem a vela maior do que o próprio barco? Jogavam a âncora!

Quando vi, pela primeira vez, me admirei com o tamanhozinho da âncora. Mas foi suficiente: o barquinho ficou parado e alinhou-se ao vento e por mais que este soprasse, ou que a corrente marinha ou a própria maré vazante tentasse levá-lo em direção aos arrecifes, ele permanecia parado.

Minha atenção variava entre o barquinho ancorado e outro, que insistia em ir e vir perpendicularmente ao nordeste. O primeiro permanecia parado e o segundo vagava entre as ordens de seu capitão inexperiente e os caprichos dos elementos.

Parando ao lado e igualmente jogando ao mar uma âncora pequena, perfilou-se ao primeiro pela força do vento e da água.

Também era interessante vê-los parados: agitavam-se sincronizados e juntos respondiam às lufadas. Mas, unânimes, permaneciam ancorados.

Na figura dos dois barquinhos ancorados eu li “... forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre...” (Hb 6.18-20) e entendi um pouco mais sobre a esperança. O texto a compara com âncora que segura o barco.

Que figura maravilhosa! O barco está sujeito aos elementos, mas permanece firme porque a âncora, penetrando a água apóia-se em terra firme. E porque ela está em terra firme o barco permanece no lugar, mesmo sofrendo as sacudidelas do vento ou a força das correntes e da maré.

Certamente os ventos que empurram nossas vidas são muito mais fortes do que aquele suave e fresco vento nordeste que tanto prazer trazia em dia de calor.

Certamente as forças submersas que nos empurram para frente ou para trás, para um lado ou para outro, são mais temíveis do que as correntes marinhas e a maré.

Mas, não deixamos de ser como aquele barquinho que sofre todas essas influências. Aliás, influências maiores e mais danosas. E como o barquinho, temos de nos manter sobre a água, sem que a água entre em nossas vidas.

Se não estivermos bem ancorados, o vento nos sopra, a maré e as correntes nos empurram e corremos o risco de encalhar na praia ou pior: sermos jogados contra os arrecifes.

Mas temos uma grande vantagem sobre o barquinho. Enquanto ele é mantido por uma âncora que pode ser movida (afinal não é tão grande), nossa esperança - âncora de nossa alma - é firmada pelo eterno e inamovível Jesus.

Vivemos sujeitos a ventos e ondas. Corremos o risco de soçobrar, encalhar, ou sermos atirados contra arrecifes. Entretanto nossa esperança, qual âncora, já está com Jesus. Percebeu? Nossa esperança - uma parte de nós - já está com o Senhor.

Bendita âncora!

2 comentários:

Maurício Barbosa disse...

Rev. Folton,
Bendito seja nosso Senhor que apesar de nossa relutância em termos o timão em nossas mãos, por isso enfrentamos turbulências desnecessárias em nossas vidas, Ele sempre nos conduz a um porto seguro

Maurício

folton nogueira disse...

Obrigado Maurício. Mantenha-me nas tuas orações.
ab
Fôlton