domingo, 21 de novembro de 2010

Figuras da proteção divina

As Sagradas Escrituras usam formas humanas para falar de Deus. Em um só lugar o profeta Isaías fala de suas mãos e ouvidos: “Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir” (Is 59.1).

As Sagradas Escrituras também usam sentimentos humanos com o mesmo objetivo: “A zelos me provocaram com aquilo que não é Deus; com seus ídolos me provocaram à ira; portanto, eu os provocarei a zelos com aquele que não é povo; com louca nação os despertarei à ira” (Dt 32.21). Neste texto Deus, através de Moisés, diz sentir zelo - ciúmes - e ira.

E assim, muitos outros textos em que, tanto formas, quanto sentimentos humanos são atribuídos a Deus permeiam as páginas da Bíblia.

E não poderia ser diferente. Afinal como poderíamos entender o que Deus é sem comparar com o que somos? Certamente ele não possui mãos, mas que figura evocaria mais o Senhor abençoando seu povo do que a figura de um pai colocando as mãos sobre seu filho? Como entenderíamos o que ele sente ao ver seu povo em plena idolatria se não compararmos ao que sente um marido ao flagrar sua mulher em pleno adultério?

Além desses textos diretos há outros também, que, embora indiretos, revelam, de forma preciosa e profunda, relacionamentos mais intensos e de difícil descrição.

Você já leu com calma o Salmo 131? Aquele em que Davi diz que fez calar e sossegar sua alma como uma criança desmamada (literalmente, que acabou de mamar) se aquieta nos braços de sua mãe? A figura que está em destaque é a da criança aquietada nos braços maternos depois de ter sido saciada por seu leite. E essa é a lição que o salmista quis nos transmitir: nossa alma deve se aquietar nos braços de Deus.

Entretanto você já reparou que tal figura só se sustenta se admitirmos que Deus é representado pela mãe que agasalha o bebê que recém-alimentou?

De fato. Em muitos lugares, sob muitas formas, o Senhor mostra que alimenta seu povo. E, de fato, o alimentou. No deserto, na multiplicação dos pães, depois de uma noite de pesca infrutífera e especialmente quando tomou o pão e o cálice e o partiu e mandou que isso fosse feito até sua volta.

Não há para o cristão maior consolo do que este: o Senhor o alimenta e o sustenta. Isso deve ser a base de nossa tranqüilidade, do sossego de nossa alma. E, qual crianças saciadas pelo Senhor, devemos descansar em seus braços.

Certamente você há de concordar comigo que esta é uma das maiores necessidade que temos em nossos dias atribulados.

Um comentário:

Glalter G. J. Rocha disse...

Concordo que essas imagens são preciosas e necessárias para a construção de uma teologia do cuidado paternal. Parabéns pelo texto.

pastorglalter.wordpress.com