sábado, 11 de junho de 2011

Pentecostes

Por que razão Jesus treinaria onze homens durante três anos, toleraria suas infantilidades e disputas pela proeminência no Reino dos Céus, perdoar-lhes-ia a fuga diante do perigo e até mesmo a negação do mais obsequioso?

Por que, depois de tudo isso ainda se preocuparia em convencê-los de que havia mesmo ressuscitado, como lhes havia dito?

Por que, lhes mandaria, como testemunhas dessa ressureição, pelo mundo afora, após capacitá-los, mediante seu Espírito a falar os idiomas dos respectivos povos para as quais se dirigissem?

Pra que todo esse dispêndio de tempo, sofrimento e lutas se a missão deles, afinal de contas, se resumirá em pronunciar garatujas sonoras?

Mas, dirão: “quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios” (1Co 14.2). Realmente. Isso acontecia todas as vezes quando, por exemplo, um chinês passava em Corinto (cidade portuária, cujo canal encurtava em muito as viagens de então) e um cristão, com o mesmo dom recebido no dia de Pentecostes o evangelizava de igual modo.

Objetarão: “O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja” (1Co 14.4). É óbvio, pois tal pessoa está perdendo uma excelente oportunidade de falar no idioma que a Igreja entenda. Por essa razão o mesmo Paulo escreveu: “Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua” (1Co 14.19).

Percebeu? O que fiz foi substituir a palavra língua (desvirtuada pelos pentecostais), pela palavra idioma. Faça isso como os demais textos. Aliás, perceba que a única igreja do Novo Testamento que apresentou problemas com o dom de línguas foi a de Igreja Corinto. Veja suas peculiaridades. Veja também como Paulo a trata: no mínimo os chama de meninos.

O Espírito Santo prepara homens que falam com poder e convicção, cujas palavras reverberam a própria Palavra de Deus. O inimigo é que enche o trigal de joio: enganadores, vendedores de promessas, mercadores do sagrado e exploradores de pessoas simples!

Há pouco mais de um século a vergonha da Igreja foi institucionalizada no movimento pentecostal. Os significados de algumas de palavras foram desvirtuados e a autoridade das Escrituras Sagradas foi solapada de tal forma que nem a Igreja Romana tinha ainda conseguido fazer.

No dia de hoje celebramos a concretização da promessa de Jesus e graças a ação do Espírito Santo ainda somos capazes de servir a Deus como ele quer.

E o dom de línguas?

Está em pleno uso pelos muitos tradutores e já não são mais apenas 14 nações que ouvem as grandezas de Deus. Só os Gideões Internacionais já distribuem a Bíblia em 93 línguas diferentes, mas há quem fale que ela já foi traduzida ao longo há história, em mais de 2000 línguas diferentes.

Louvado seja o Senhor. Já estamos fazendo coisas maiores do que ele mesmo fez, para sua glória e honra.

3 comentários:

Luis Filipe disse...

Graça e paz do SENHOR aos irmãos do blog...

Parabéns... Que bom que não fui o único a lembrar desta data tão importante para o povo de Deus!

Que o ESPÍRITO SANTO nos traga à memória sua obra constantemente!

Também escrevi um artigo a respeito... dá uma olhada:
http://escravosdecristo.blogspot.com/2011/06/este-e-o-dia-que-o-senhor-fez.html

Ricardo Mamedes disse...

Já escrevi um texto em meu blog seguindo a mesma linha deste aqui escrito.

De fato, por mais que tentemos compatibilizar a fé com as suas várias manifestações, é difícil aceitar os dogmas pentecostais, inclusive as tais "línguas estranhas". Admira-me que homens aparentemente sábios permaneçam nessa linha.

Ricardo.

Ashbel Simonton Vasconcelos disse...

Rev Folton, os versos 21 e 22 de 1Co14 deixam bem claro que as línguas estranhas eram linguas de "homens de outras línguas e lábios de outros povos", portanto trata-se mesmo de línguas humanas. O verso 21 mostra que apesar de ouvirem o evangelho na própria língua, de forma alta e clara, ainda assim não dariam ouvidos (para que a justiça de Deus sobre eles fique ainda mais firmada), e Paulo conclui então que aquele ato era um sinal para os incrédulos (que ouvem claramente a exposição do evangelho, mas não se arrependem de pecados). Mas note que os que hoje interpretam as línguas extáticas quase que invariavelmente trazem uma mensagem de Deus diretamente para a igreja, como se fossem eles os profetas do V.T.
É mesmo uma enganação completa.
ab
Simonton.