domingo, 3 de novembro de 2013

O papel dos porcos na vida de oração

Enquanto olhava os porcos comendo aquelas vagens sem sabor ele se lembrava de quando podia comer os pratos mais saborosos, acompanhado das melhores companhias que o dinheiro podia atrair ou comprar.

A fome sentida era tão intensa que as alfarrobas pareciam apetitosas, afinal os porcos a comiam com uma voracidade impressionante. Mas não lhe permitam comer delas. O patrão pagava muito por uma porção delas.


 
Provavelmente a algazarra do chiqueiro tenha trazido à sua lembrança a algazarra dos servos de seu pai, no galpão, onde comiam.

- Que qu’eu to fazendo aqui? Na casa de meu pai até os servos tem pão com fartura e eu aqui não posso sequer comer a comida dos porcos? Vou-me embora! Vou pedir perdão a meu pai e me vender como escravo. Pelo menos a fome eu mato.

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Geralmente ouço como desculpa à pouca oração: “Se Deus sabe de todas as coisas para que orar”? Adianta muito pouco dizer que oramos porque Deus nos manda orar e pronto, pois embora isso seja verdade, essa resposta nos priva de uma grande lição sobre Deus e sobre nós mesmos.

Você já parou para pensar por que razão o pai deixou seu filho sair de casa? Está lembrado? Não há sequer uma tentativa de dissuadi-lo. O filho pede sua parte na herança e, sem discutir, o pai reparte seus bens. O filho transforma tudo em dinheiro e vai para uma terra distante e o pai permaneceu calado.

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Pelo caminho de volta o filho vem ensaiando o que falaria com o pai. Precisava prometer algo que pudesse cumprir, pois o que ele havia feito era o mesmo que considerá-lo morto.

A distância era tão grande que ele teve tempo de preparar mais do que uma desculpa. Ele preparou uma súplica: Pequei. Não sou digno. Aceita-me como um escravo.


Se o pai não o tivesse deixado na situação de desejar comer a comida dos porcos, ele jamais faria essa oração. E esta é a lição para nós: a oração mostra que ele aprendeu a se conhecer. Nela ele confessa que havia afrontado o pai, que havia se tornado indigno de ser seu filho e que valia menos do que um escravo.

Essa oração demonstra também que ele aprendeu a conhecer o pai, pois apesar de tê-lo afrontado ele sabia que seu pai era misericordioso. Misericordioso até com os escravos.

- * -

O maior beneficiado com nossas orações não é Deus. Ele não precisa nem gosta de bajulação. E, ao contrário do que esses doidos de plantão afirmam, ele não está carente e sequer precisa de elogios.

Nós mesmos somos os maiores beneficiados com nossas próprias orações. Uma oração sincera é produto de um coração aberto. Uma oração verdadeira só é dita por quem conhece seu próprio estado e ao mesmo tempo confia na misericórdia de Deus: o Pai.

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Resta-nos pensar: “será que Deus terá de permitir que eu, na minha insensatez, chegue à situação de desejar a comida dos chiqueiros para então aprender a orar”?

Que não seja esse nosso destino.

 
Publicado originalmente em 22/9/2007

2 comentários:

matheus liasch disse...

muito bom pastor, as vezes eu me pergunto, "pq orar se Deus já sabe oq vai acontecer?" Mas como vc escreveu, Deus não precisa de bajulação, e os maiores beneficiados com a oração somos nós.
Abraço fique com Deus.

folton nogueira disse...

Mateus, eu estava tentando responder teu outro comentário (com um não sei a razão) quando chegou este novo. Acho que você observou bem que, sendo soberano, Deus está além de tudo isso. Porém, espero que ele continue te abençoando e dando sabedoria.

abraços
Fôlton