segunda-feira, 8 de agosto de 2005

A fé cristã e o ensino

As Sagradas Escrituras falam muito pouco sobre a infância de Jesus. Falam de sua circuncisão aos 8 dias de vida, sua ida para Egito aos 2 anos, sua volta de lá aos 4 ou 5 anos, quando seus pais decidiram morar em Nazaré. Depois só falam dele quando já tinha 12 anos.

Falam menos ainda sobre sua pessoa. Bem criança, falam que ele crescia em estatura e graça diante de Deus e dos homens. Porém, o destaque maior fica para sua capacidade de, pré-adolescente, já debater com os doutores da lei causando-lhes admiração.

Falam que ele era carpinteiro. Como tal deve ter construído muitas portas, vergas, esteios, coberturas, e, quem sabe, até móveis. Entretanto não foi por suas habilidades como construtor - apesar de, também, haver construído o universo - que hoje ele é lembrado.

Como carpinteiro, deve, também, ter recebido pedidos de desconto, parcelamento, atrasos de pagamento e até calotes - que foram nada se comparamos ao "calote" dado por Judas, por Pedro e pelos outros Apóstolos e por nós que lhe sobrecarregamos com nossos pecados. Embora isso seja muito destacado em sua biografia, se você examinar com calma verá que, também, não é disso que mais nos lembramos.

Ele fez muitos milagres. Não "milagres" que se expliquem pela sugestão, mas milagres reais: cegos, paralíticos e diversos deficientes de nascença voltaram a ver, a andar, às suas atividades normais. Até mortos voltaram a viver. Entretanto não há qualquer registro de alguém ter se dirigido a ele chamando-o de milagreiro.

Ele chamou a cada um dos 12 apóstolos. Chamou-os para longe de suas famílias. Chamou-os para andar, para dormir ao relento, para satisfazerem a fome com grão de trigo cru debulhado do pé. Ninguém recusou seu chamado. Entretanto ele não passou à história como líder carismático.

Ele fez muitos sermões. Sermões que hoje cada dia ganham mais relevo ao mostrarem nossas mazelas mais íntimas e ao mesmo tempo a situação do mundo. E, embora, ele não tenha passado a história como orador eloqüente, não há a menor dúvida que o título de Mestre é dele, e dele apenas. Há outros mestres. Alguns viveram antes dele e alguns, naqueles dias, já haviam descoberto coisas que só agora a humanidade compreendeu, mas nenhum ensinou o mais precioso: a vontade do pai.

Não conseguimos ler uma página inteira dos Evangelhos, sem encontrarmos alguém chamando-o: - Mestre ... Seus íntimos, identificaram-se como seus discípulos (alunos). João, que era seu primo, refere-se a si mesmo como o discípulo amado.

E, um dia, após haver lavado-lhes os pés – coisa que naqueles dias só se exigia de um servo – ele diz: “vocês me chamam de senhor e mestre. Fazem bem, por que eu o sou. Se eu, o Senhor e o Mestre ...”


Observou? Jesus não recusou esse título. Aliás, ao se despedir ele ordenou: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações ... ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”.

Os primeiros sabiam disso tão bem, que deles é dito que “perseveravam no ensino (doutrina) dos Apóstolos”, e não são poucas as vezes que encontramos o ensino como o ponto vital para a santidade da fé.

Todos os que, na história da Igreja, honraram ao Senhor, ficaram conhecidos primeiramente pelo que ensinaram. Porém, até isso, nossos dias perversos se encarregaram de inverter. Valorizamos os comunicadores de massa como nossos pais valorizaram os oradores eloqüentes. Valorizamos os bons administradores, e os que conseguem encher mais malas de dinheiro.

Pobres de nós: abandonamos os mananciais da Palavra de Deus, e cavamos cisternas rotas que não podem reter as águas. A cada dia, é necessário uma música nova. A cada show um número novo. A cada pronunciamento uma bobagem ou heresia nova. A cada pecado uma perversão nova.


Voltemos ao verdadeiro Mestre! Arrazoemos! Aprendamos dele! Acharemos descanso para nossas almas.

4 comentários:

Samuel Gomes disse...

Voce realmente acredita em algo escrito pelos "homens", que Jesus Cristo realmente era um religioso e não um politico?

Vc não vê que Jesus Cristo foi, se ele realmente existiu, o mais esperto de todos os politicos? Ele encontrou outro modo de controlar as pessoas, atraves da fé, e não da autoridade. As pessoas o idolatravam e respeitavam. E a jogada mais fantastica, foi a ressurreição. Assim, para o povo, ele nunca teria morrido, e estaria vagando no meio deles. O tal do livro escrito por ele, atraves de outras pessoas, foi usado para massacrar milhões de pessoas? Um deus que castigava as pessoas que não acreditasse nele e matava elas por suas crenças serem diferentes?

E vc vem me dizer em fé?

Olhe a sua volta... A civilização está do jeito que está, devido a religião. Quantas pessoas morrem devido a intolerância religiosa. A luta por locais "sagrados". O seu Deus é a razão de tanta pobreza e indiferença das pessoas.

Os homens, fracos, precisam acreditar em algo superior, para ter desculpas no seu dia-a-dia. Alguém morre, e foi o destino, foi por que o seu Deus quis, por exemplo.

Igualmente quando conseguem algo, atraves do seu esforço e trabalho, agradeçem a deus, e não a si mesmos.

A biblia foi criada para controlar as pessoas. Foi usada pra destruir outras culturas e civilizações, com a desculpa de estar mostrando as outras culturas, verdadeiro Deus. Culturas que estavem aqui, muito antes de Jesus Cristo, e foram considerados pagão, caçados, doutrinados ou mortos.

Bem, é oq eu vejo...

Samuel Gomes disse...

"A cada pronunciamento uma bobagem ou heresia nova." Heresia?

Em que mundo você vive?

glaucia disse...

Puxa, Samuel, me admira muito que vc (ao que deu a entender) uma pessoa tão inteligente, que não se deixa manipular e "forte", pois acreditar em Deus é para "pessoas fracas" esteja navegando em um blog religioso, onde claramente o ponto de vista expresso aqui vai de encontro às nossas crenças e não à sua (se é que vc tem uma).

bem, é o que eu vejo...

glaucia/sp

Anônimo disse...

É uma pena quendo vemos que uma pessoa, externamente esclarecida, não consegue perceber algo que está na ponta do nariz.

Quem sabe um dia Deus terá misericórdia da sua vida Samuel a ponto de te mostrar ou fazer entender, através de razão, que Ele é soberano e eficaz em tudo que faz.

Um abraço.
R.