sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Reformemos a Igreja


Quando Martinho Lutero divulgou suas 95 teses o ”ambiente” já estava preparado para recebê-las. Havia uma grande revolta contra as condições impostas pelos governantes, cujo poder derivava de acordos políticos-familiares-religiosos, e já havia um sentimento de nacionalidade.

As famílias mais poderosas e com melhores alianças políticas, unidas ao poder papal, que possuía cerca de um terço das terras européias, determinavam o que queriam. A religião “legitimava” as decisões tomadas. Sob certos aspectos há grande semelhança com o que ocorre hoje em nosso país.

A descoberta chave de Lutero foi a Bíblia. Ele estava sujeito às decisões mais arbitrárias. Alguns queriam-no como professor desde que ensinasse o que lhes era útil. A Igreja o tinha como doutor de verdades ensinadas pela própria Igreja, e, se ele as questionasse recebia como resposta que foi uma “comunicação de Deus diretamente ao Papa” que estabeleceu tal dogma.

A Bíblia o libertou.

Logo ele descobriu que somente as Sagradas Escrituras são a única coisa que deve prevalecer sobre a consciência do Cristão.

E nesse aspecto a semelhança com o que ocorre no meio evangélico brasileiro é maior. Se naqueles dias havia a autoridade papal que falava em nome de Deus, hoje há revelações. Se naqueles dias havia quem se valesse da ignorância de analfabetos para esconder deles as verdades bíblicas, hoje há inescrupulosos que falseiam o sentido das Escrituras e não apenas escondem as mesmas verdades, mas deturpam a autoridade delas.

Naqueles dias havia grupos que sinceramente queriam melhorar o estado da Igreja. Entretanto, não precisavam apenas de uma “injeção de ânimo”, ou como chamamos hoje de avivamento, precisavam de uma Reforma.

E a reforma veio.

Em lugar de palavras de homens, a Bíblia tomou o centro e a preeminência. Em lugar de devaneios místicos a Bíblia passou a ser estudada. Em lugar da emoção gerada pelas grandes solenidades, a pregação sistemática da Palavra de Deus.

Precisamos hoje de outra reforma. Não sou o primeiro a declarar isso. Muitos já o fizeram antes de mim. A Bíblia está cada vez mais escondida. Cada vez mais se escuta “testemunhos”, conselhos baseados no que “aconteceu comigo”. Convites simpáticos, shows impressionantes, e coisas do gênero.

É preciso trazer a Bíblia para o centro.

Que ela afaste os “simpatizantes” e atraia os eleitos, pois ela é a porta que fecha o Reino de Deus aos impenitentes e abre aos que reconhecem a voz do Bom Pastor e vivem por ela.

2 comentários:

Anônimo disse...

Que interessante!!! Já notou que 1 semana após a sua postagem, o fantástico exibiu a primeira reportagem da série que aborda ritos religiosos, êxtases de fé, coisa do tipo??? mais interessante ainda: notou que a continuação da reportagem (que vai ao ar no próximo domingo) fala desses ritos comparando-os aos do candomblé e religiões africanas?? São as "pedras que clamam" aos "néscios".
Afinal, com qual parecemos mais, com a igreja (da época, não a vertente carismática apresentada na reportagem) da qual saímos, por não concordar com ALGUMAS coisas ou com "religiões" com ritos de pajelança e adoração IRRACIONAL, puramente EMOCIONAL??
Parabéns pelo artigo!!!
Grande beijo e abraço pra todos.
glau

glaucia disse...

Ontem eu falava sobre isso com uma amiga católica (não-carismática) e comentando sobre esses "êxtases de adoração" ela me disse: como pessoas despreparadas seguram um rebanho que não recebe alimento certo e as mantém dependentes da doutrina vazia?? utilizando-se de tais "recursos", que cada vez mais seguram pessoas de boa fé, mas de fraca fé, pois nunca chegarão a receber "alimento sólido".
Que Deus nos ajude a lembrar que "o caminho é estreito e por ele poucos passam" e assim, no mínimo, desconfiar de quem nos pega pela emoção.