sábado, 4 de agosto de 2007

Idolatria e culto


Eu tinha 9 ou 10 anos quando vi, pela primeira vez, esta figura. Fiquei chocado. As feições destes homens me impressionaram, mas especialmente a de Moisés, que, tomado pela ira, castigava o povo pela idolatria.

Neste desenho Gustave Doré tenta representar Ex 32.19 quando Moisés recebeu de Deus as primeiras tábuas de pedra com os 10 mandamentos, e encontrou o povo dançando ao redor do bezerro de ouro.

Eu não sabia como combinar este tipo de atitude irada, com o que me ensinavam sobre a conduta de alguém temente a Deus. Mas o texto era claro. Moisés estava irado ao ponto de quebrar o único exemplar de algo escrito diretamente por Deus e depois determinar a morte de cerca de 3 mil homens.

Quando eu perguntava a alguém as explicações eram semelhantes: “isso era próprio do Antigo Testamento, mas agora é diferente”.

No Seminário, com melhores ferramentas de interpretação, foi que percebi a falácia dessas explicações, pois há um evento semelhante no Novo Testamento: Cristo purificando o templo.
Tal qual Moisés, Jesus irou-se também. Veja o relato de João: Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio. Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me consumirá. (Jo 2.13-17 )

O que há de comum entre os dois casos é a idolatria associada ao culto. No Sinai, impacientes com a demora de Moisés fizeram um Deus segundo bem entendiam e de acordo com sua própria idéia do que Deus era. No templo aproveitavam-se do culto estabelecido por Deus para lucrar.

São duas das muitas faces que a idolatria tem. E são as mais visíveis hoje: os que inventam cultos à seu bel-prazer e os que se aproveitam da credulidade dos que pensam adorar a Deus.
Moisés não tolerou no Sinai, nem Cristo no templo. Nos dois casos a ira santa do Senhor puniu os idolatras, ele mesmo diz: “não tolero iniqüidade associada a ajuntamento solene”

Que tal nunca nos aconteça.

Um comentário:

Oliveira disse...

Oi

Li no livro "A Soberania Banida", também sobre o tema idolatria, a expressão que me chamou a atenção que foi "... a adoração da vontade...".

Me fez refletir bastante esta expressão onde temos a idolatria do livre-arbítrio "... o homem como sendo a medida de todas as coisas..." inclusive nas igrejas.

Um abraço