sábado, 11 de fevereiro de 2006

O Deus dos cristãos

Há algum tempo atrás surgiu um movimento que visava a convivência, e, se possível, o relacionamento ecumênico entre o cristianismo o judaísmo e islamismo. O argumento principal era que essas três religiões tinham alicerces comuns: eram monoteístas e adoravam o mesmo Deus: o Deus de Abraão.

Até sobre liturgia e prática de culto, onde as diferenças são mais nítidas, foi escrito muitas coisas, tentando mostrar que as diferenças, na realidade, eram apenas aparentes.

Entretanto, como se não bastassem os acontecimentos históricos – que, via de regra, são esquecidos – os mais recentes mostram que, nada há em comum a essas três religiões.


1. O deus dos judeus não é o Deus dos cristãos. Isso pode soar estranho, especialmente por compartilharmos o Antigo testamento, mas é verdade. Os judeus recusaram a “expressão exata do ser de Deus” e fixaram-se no modo como seus estudiosos entendiam a aliança feita com Abraão. Aquele que era, ainda é, e sempre será a expressão exata do Pai, foi bem claro: “quem vê a mim vê o Pai”, “ninguém vem ao Pai senão por mim”. Nele “habita corporalmente a plenitude da divindade”.

Ou seja: O verdadeiro Deus revelou-se em Cristo. Os judeus adoram aquilo que o representou antes da “plenitude dos tempos”. Não que Deus tenha mudado. Mudamos nós! E, capazes de receber sua revelação completa, ele parou de revelar-se como fez no passado dando-se a conhecer através do seu Verbo que a tudo criou e sustenta.

Recusá-lo é recusar a Deus. Rejeitá-lo, ou fazer pouco de seu sacrifício para assumir a nossa natureza afim de dar-se completamente a ser conhecido por nós, é calcar “aos pés o Filho de Deus e profanar o sangue da aliança”.


2. O deus dos Islamitas não é o Deus dos cristãos. Isso é muito mais fácil de provar.

a. Embora tenham como ancestral a Abraão, a palavra de Deus foi clara: “Em Isaque será chamada a tua descendência”.

b. Nos primeiros anos da Igreja Deus já a alertou sobre revelações de anjos, que foi como começou o islamismo: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”. Gálatas 1.8

c. A exemplo dos judeus, eles também não reconhecem ao Único a quem o Pai deu todo poder no céu e na terra.

d. Finalmente, nesse episódio bizarro das caricaturas, a imagem de quem eles estão defendendo? Alegam que é para não haver idolatria, porém, não é exatamente isso o que está acontecendo?

O verdadeiro Deus nunca escondeu os defeitos de seus mais devotos fiéis. Abraão – conhecido como amigo de Deus, e o pai nações árabes – teve seus pecados expostos. Por que a insistência, já de muito conhecida, em não falar dos erros de Maomé? Não é ao verdadeiro Deus que o Islã adora. É a Maomé!

Nossa Igreja está vendo nesses dias a pessoa e obra de Jesus: que é a expressão exata do ser de Deus e em quem habita corporalmente a plenitude da divindade.

Não deixemos de considerar o que está sendo feito a ele, de como seu nome tem sido vilipendiado em nossos dias e no passado. Verdadeiras monstruosidades foram cometidas em seu nome e ainda são hoje. Não nos envergonhemos de seu nome, mas fujamos de todo aquele que atrai vergonha sobre ele.

Porém nos lembremos sempre: somos Cristãos. Não anunciamos a Abraão, a Maomé, ou mesmo a Adonai dos Judeus. “Nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. 1Coríntios 1.23-24.

2 comentários:

Oliveira disse...

Caro Folton

Bem interessante.
Principalmente a idéia do tópico de que o deus dos judeus não é o Deus dos cristãos revelado em Cristo Jesus. Um visão nova para mim.

Sobre o texto abaixo...

"Deus já a alertou sobre revelações de anjos, que foi como começou o islamismo: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”"

... penso que o alerta de Deus não é sobre revelações de anjos, mas de revelações que preguem um evangelho que vá além do que já tinha sido pregado.

Da mesma forma não posso dizer que Deus está alertando sobre ou contra a pregação de Paulo "... ainda que nós...", mas da mesma forma o alerta é para com uma pregação de Paulo que vá além do que já tinha sido pregado pelo mesmo Paulo.

Evidentemente não precisa concordar comigo, é apenas uma impressão que tenho lendo o texto.

Um abraço

folton nogueira disse...

Vejo aqui uma figura literária: a hipérbole. Paulo está argumentando que mesmo que um ser espiritual apareça e revele outra coisa além daquilo que foi pregado, não deve ser tido em conta.

Lá não fala de anjos mas acho que você deveria reler Dt 13.
ab
Fôlton