Quando o Senhor Jesus quis identificar os súditos de seu Reino chamou-os de sal e luz: "vós sois o sal da terra", "vós sois a luz do mundo".
A respeito da luz lembrou-nos que colocamos as lâmpadas em locais destacados e não debaixo dos móveis, e que é impossível esconder uma cidade edificada sobre um monte. Já a respeito do sal seu destaque foi o sabor.
Certamente todos já ouvimos muitas considerações sobre essas duas metáforas: O sal preserva, realça o sabor, e alguns chegam até a dizer que "dá sede de se beber da água da vida". Sobre luz, já ouvimos que além de dissipar a escuridão, ela dissipa medos e facilita a compreensão.
Porém a melhor compreensão das palavras de nosso Senhor e Mestre ocorre quando juntamos a duas metáforas que, por serem tão diferentes, só possuem um ponto em comum: falam de coisas que influenciam sem serem influenciadas. Nem o sal toma o sabor daquilo que salga, nem a luz é afetada pela escuridão. O Mestre está dizendo que os súditos de seu Reino influenciam aquilo com que têm contato sem serem influenciados.
Pois bem: partindo dessa premissa, a quantidade dos que hoje se declaram súditos do Reino, mas na realidade são influenciados pelo que deveriam influenciar, é enorme.
Recentemente a imprensa divulgou um caso que tenho por exemplar: um parlamentar evangélico, está sendo acusado de usar um carro emprestado por mais de um ano para transportar os integrantes de uma banda musical gospel chamada "Tempero do mundo". O tal empréstimo está sob investigação como parte do "escândalo das sanguessugas", em que outros carros (ambulâncias) eram superfaturadas.
Não deixa de ser uma grande ironia: o nome da banda não é sal, é tempero!
Verdadeira paixão dos portugueses, as especiarias usadas como tempero, não apenas por amor à boa mesa, mas principalmente para tornar saborosos os alimentos já em estado de deterioração - em uma época em que não se dispunha de refrigeração artificial - impulsionaram as navegações do século 16, e, até hoje, habitam profusamente nossos pratos.
Salvo melhor juízo, a banda gospel além de colocar em evidência a bondade e o "interesse evangelístico" do parlamentar, julgando pelo nome, parece que visava também tornar o mundo mais temperado e saboroso, como cheiro verde, coentro, açafrão, ketchup, mostarda (...) deixam mais saborosos (?) o que se come.
Quem deveria sentir o mundo mais saboroso? Dificilmente seria Deus, uma vez que ele mesmo declara que "o mundo jaz no maligno". Provavelmente seja alguém que, alimentando-se do mundo, pensa agradar a Deus, ou, ainda, alguém que precise da aprovação do mundo, como um cozinheiro que tempera bem seus pratos precisa da aprovação de seus fregueses.
Resumindo: Quem é que está influenciando quem? A qual reino o "temperador" está servindo?
Irmãos, é fundamental entendermos isso para não sermos levados "como meninos, pela astúcia daqueles que induzem ao erro". O mundo não se tempera: influencia-se. Se não pudermos influenciá-lo, ele fará isso conosco e perderemos nosso sabor. Então se cumprirá: "se o sal perder o sabor, para nada mais presta, senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens".
Deus nos livre de tal sina.
*Agradeço a idéia do Anamim e os dados da Ana na confecção deste artigo.
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Um comentário:
Muito bom.
"... alguém que precise da aprovação do mundo, como um cozinheiro que tempera bem seus pratos precisa da aprovação de seus fregueses."
Esta outra também gostei muito:
"...Quem é que está influenciando quem?... ...O mundo não se tempera: influencia-se..."
Acho que é uma tentação constante.
O tempo todo somos tentados a querer agradar em lugar de influenciar, e quase inconcientemente me pego tentando agradar.
É de se pensar...
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