sábado, 8 de setembro de 2007

Simplicidade

Caim estava abatido. O texto bíblico diz que suas feições estavam deformadas: caídas. Afinal ele tinha se esforçado: Havia preparado o terreno. Plantara. Cuidara. Colhera. Separara e levara as primícias de seu suor. Mas sua oferta fora rejeitada! Por quê?

Por que a de seu irmão foi aceita. Ele pouco fez. Sequer teve o trabalho de carregá-la!

*

Naamã estava furioso. Havia retirado seus exércitos de Israel devido a um acordo vantajoso para a Síria e agora voltava humilde, guiado pela informação de uma menina escrava, esperando ser curado de sua lepra. Trouxera consigo uma carta de seu rei endereçada ao rei de Israel, 350 quilos de prata, 700 quilos de ouro, 10 roupas de festa e Eliseu sequer o recebeu. Enviou um mensageiro dizendo que se banhasse no Jordão.

*

Esses dois exemplos bíblicos, de muitos que poderiam ser dados, ilustram bem um sentimento comum a todos os homens: só valorizamos o que nos custa.

Pouco nos adianta hoje o ajuntamento de 2 ou 3 – ao qual o Senhor garantiu estar presente – pois nossa atenção estará sempre no ajuntamento de 3 mil.

Não nos interessa mais a oração feita no silêncio. Ela será melhor e “mais poderosa” se for feita aos berros, de preferência amplificada por enormes caixas de som.

Não nos interessa mais a oração simples. Ela terá de ser repetida, se possível muitas vezes – como elos de uma corrente – formando uma versão evangélica da novena romana. Melhor se for feita em uma língua que ninguém entenda – nem mesmo quem a falar – e melhor ainda se for muito comprida.

Não nos interessa mais as ordens claras do Senhor: “quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” Mt 6.6-7.

Não nos interessa mais a prescrição de sua Palavra: “Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras. Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias” Ec 5.1-3.

Correntes, línguas, repetições, gritaria ... o que mais? Rolar no chão? Já é feito há muito tempo!

*

Em sua fúria Naamã ameaçou voltar leproso para casa. Seus oficiais então lhe perguntaram: se fosse algo mais difícil o senhor não faria?

Acho que é isso. Agora só nos interessamos pelo o que é difícil.

Agora o que nos interessa são reuniões muito programadas. As vigílias e os jejuns. Os votos embaraçadores. A espoliação dos bens e estelionato disfarçado de piedade.

O abandonar-se nos braços do Pai, como criança nos braços de sua mãe, a confiança, apenas e tão somente, em quem ouve as orações agora consideramos pouca coisa.

É como se precisássemos dar uma ajudinha a Deus, e atrair sua presença às nossas reuniões ou despertar seu interesse em ouvir nossas orações.

Já vi orações serem comparadas a flechas, que quanto mais se estica o arco mais ela sobe, e, portanto quanto maior for o fervor com que a oração for feita maior será sua eficácia diante de Deus.

“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” Mt 6.7.

Que Deus tenha misericórdia de nós!

2 comentários:

Oliveira disse...

Reverendo

Muito bom...
Excelente mesmo...

Faz o coração refletir e refletir...

Sem dúvida, que Deus tenha piedade de nós.

Corajoso até em alguns pontos onde eu não me atrevo.

Anônimo disse...

Rev.
Encontrei seu blog hoje, fiquei feliz, mas estou precisando entrar em contato com o sr. já mandei um e-mail e nao tive resposta.
Sou o Eudes da sexta igreja, do tempo de sua mocidade, fui envangelizado pelo Abel, primo da Zilá. Por favor, entre em contato pelo e-mail
nimrode@terra.com.br.
obrigado,
Eudes