sábado, 7 de fevereiro de 2009

Aniversariantes: Darwin e Calvino.

Certos acontecimentos, se não fossem tristes seriam até engraçados. Por exemplo, o destaque que a mídia está dando aos 200 anos do nascimento de Darwin: Artigos apaixonados, reportagens biográficas elogiosas e, como não poderia faltar, críticas, azedas, aos que “ainda acreditam que foi Deus quem criou o homem”.

Um dos programas que vi afirmava que a genialidade de Darwin foi tirar o homem do centro do debate e substituí-lo pelas forças da natureza. Na hora me lembrei que já ouvira isso.

A primeira vez que a ouvi falava sobre Copérnico e Galileu: Com a publicação dos livros Da revolução de esferas celestes e Mensageiro das estrelas, eles tiraram o planeta terra do centro do sistema solar e conseqüentemente o homem da posição privilegiada que tinha. A terra passou a ser vista como apenas mais um planeta e as cogitações sobre a existência de vida em outros planetas ganharam força.

A segunda vez que a escutei foi a respeito de Freud. Semelhantemente dizia que ele havia tirado o homem do centro das considerações mostrando que ele era apenas um animal como outro qualquer, motivado basicamente por sua sexualidade.

Quem sabe essa frase tenha sido dita outras vezes. Porém, é bom lembrar que o livro de Copérnico foi publicado em 1543, o livro de Galileu em 1610, os escritos de Freud vieram à luz em 1890. Ou seja: antes de todos eles, em 1536, na primeira edição das Institutas da Religião Cristã, Calvino já era bem explícito: o homem é apenas uma criatura de Deus e portanto não pode dirigir seu destino como se fosse Deus.

Calvino também tirou o homem do “centro”. Entretanto não o substituiu pelas “forças da natureza” e sim por seu Criador.

Para Calvino isso não era novidade, pois ele se lembrava do Apóstolo Paulo que dizia “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?” (Rm 9.20e21). Ele se lembrava também da pergunta do salmista: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres e o filho do homem, que o visites?” (Sl 8.3e4).

Porém, apesar de apontar Deus como o centro de todas as coisas, até da vontade e do destino dos homens, ele não rebaixou seu semelhante a simples animal dominado por instintos de sobrevivência e procriação. Poucos, além dele, falaram tanto a respeito da Imagem de Deus, como o diferencial entre o homem e as demais formas de vida. Só o homem a possui. Só o homem foi criado à imagem de Deus, apesar de compartilhar princípios biológicos com outros animais também criados por Deus.

Curiosamente, neste ano em que os 200 anos do nascimento de Darwin é lembrado, comemoramos também 500 anos do nascimento de Calvino.

E, de fato, o homem não é o centro de tudo. Mas a quem você vê no centro? Forças cegas da natureza? Acasos? Ou Deus?

Quando você estiver assistindo a um desses programas, ou lendo sobre esse assunto, preste atenção na quantidade de vezes em que as palavras “provavelmente”, “talvez”, ou outras semelhantes, aparecem. Sabe por quê? A razão é simples: o evolucionismo ainda é uma teoria: Teoria da Evolução. Ainda não foi provada. Mas já é tida como verdade absoluta da qual não se pode duvidar.

Então, no fundo, no fundo, estão retornando o velho homem para o centro - se é que o tiraram de lá - pois suas teorias são tidas como verdades absolutas das quais não se pode duvidar ou sequer questionar.

3 comentários:

Rev. Ageu Magalhães disse...

Caro Rev. Fôlton, parabéns pelo artigo. A associação em virtude das datas foi preciosa. Deu saudade de ouvir seus estudos e pregações. Um forte abraço, Ageu.

Jônatas Abdias disse...

rev. Foltôn, belo artigo. Muito bem feita a associação entre as situações. Quem se lembrará de Calvino se mal podemos ouvir os nossos próprios pensamentos envoltos pelo barulho ensurdecedor da festa no apto vizinho, que comemora o aniversário do HomoDarwinus?
O Prédio inteiro está em festa, uns por bons motivos, outros... nem tanto. Esperemos que o prédio não caia, tetos não rumem ao chão, paredes não cedam....

Milton Jr. disse...

Rev. Folton,
Que post precioso! Deus ilumine sua mente para continuar escrevendo de forma tão simples, clara e profunda.
grande abraço,
Milton Jr.