segunda-feira, 9 de março de 2009

Evangelizar

Já vimos que o Mestre mandou seus discípulos prepararem as cidades nas quais ele iria passar. Preparar como? Divulgando publicitariamente? Fazendo palanques? Não! Curando os doentes e libertando os endemoninhados.

O Senhor os comissionou para fazerem isso antecipadamente para que, quando ele chegasse naquela cidade, pudesse gastar seu tempo ensinando.

Que diferença do que se faz hoje: as cidades são preparadas para que o "grande servo de Deus" possa mostrar seus dons de cura e seu poder de expulsar demônios (não sem antes obrigá-los a confessar seus nomes, castas, e depravações preferidas). Nosso Senhor preferia ensinar.

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Mas, até mesmo no ato de ensinar, havia diferença. Ele jamais se preocupou em ensinar como ter sucesso profissional ou social. Sua preocupação era ensinar como amar a Deus e como amar o próximo. Hoje a maior preocupação é ensinar como obter os favores de Deus e principalmente como superar as dificuldades.

“Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas ... vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias” era a pregação de João Batista, e foi assim que os discípulos prepararam as cidades antes dele as visitar. Mas hoje se enche os muros de cartazes e a mídia eletrônica de mensagens do tipo: “grande show da fé: Milagres, curas, libertações e muita música com o Conjunto Fulano e adoração com o Grupo de Coreografia Sicrano.

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Mas, como anunciar o Evangelho sem outros atrativos? Só o “Evangelho seco”? Ou como me aconselhava Seu Pedro: - Pastor; tem de ter um chamarisco!

Creio que é exatamente aí que está a diferença entre o anúncio correto e anúncio errado do Evangelho. Mas, antes de falar sobre isso quero deixar bem claro que Deus usa até o anúncio errado, como ele usou a jumenta de Balaão. Entretanto, cabe a nós usar o modo correto.

Seu Pedro, me exortando a usar um chamarisco, tinha em mente uma pescaria em que, durante certo tempo, se alimenta os peixes em determinado lugar (e hora), para depois vir com o anzol. Observe que isso pressupõe “segundas intenções” e é muito semelhante à preparação antecipada a que me referi.

Anunciar o Evangelho pressupõe entregar boas novas, boas notícias; comunicar algo pelo qual o ouvinte espera. Por essa razão Jesus mandou adiante de si quem resolvesse os problemas materiais (doenças) e os espirituais (demônios), para que, quando ele chegasse, pudesse anunciar claramente o Evangelho, as boas novas, as boas notícias. Ou seja: a dívida de vocês, para com Deus, está paga. Eu paguei. (Obviamente, hoje temos de dizer: a dívida de vocês, para com Deus, está paga. Jesus pagou).

Quando eu falava isso, Seu Pedro me respondia: - Mas Pastor, ninguém sabe que deve a Deus, não!

Quase concordo com Seu Pedro. Porém alguns sabem que devem a Deus: os que ele mesmo chamou. Esses tem certa de que são devedores, porque são aquela terra preparada na qual, caindo a semente, nasce, cresce e “frutifica a trinta, a sessenta e a cem por um”.

Percebeu? Quando o Evangelho é anunciado do modo errado - com chamariscos - há resultados numericamente maiores, mas junto com os preparados por Deus virão também os que estão interessados no chamarisco. Quando o Evangelho é anunciado corretamente, somente aqueles a quem Deus preparou o recebem. Por esta razão o Senhor Jesus pregava usando parábolas.

4 comentários:

Oliveira disse...

Jóia pura!

Hoje "temos" que ter os chamariscos...

Jesus falava por parábolas, pelo que lembro para que eles não entendessem mesmo, e não fossem salvos, mas os seus escolhidos ele dizia "Para vocês eu explico, mas para eles... eu falo por parábolas.".

Fazia tempo que eu não o visitava virtualmente... muitos cuidados e ocupações profissionais.

Mas agora que a casa está em ordem, e as turbulências se acalmaram, retornar aqui e ler suas idéias (que na verdade não são suas....) é um bálsamo (como s escreve isto?)

Josimar disse...

Muito bom!
Como nossa amada Igreja está precisando aprender e viver isso.
Forte Abraço.
Deus o abençoe.

Jorge Melhado disse...

Caro Reverendo, mais uma vez me sinto repleto de alegria do Espírito ao ser agraciado por suas palavras que trazem luz sobre o entendimento da Palavra. Gostaria de pedir autorização para reproduzir esse texto num pequeno informativo que tenho na Escola Bíblica Dominical da igreja em que sirvo. É possível?

folton nogueira disse...

Jorge;

Use-o para a glória de Deus e ficarei alegre.
ab
Fôlton