sábado, 28 de março de 2009

O Mestre era a própria Palavra

Já vimos que a prioridade do Senhor Jesus era ensinar. Ele fazia outras coisas, porque era necessário fazê-las, mas sua missão básica era ensinar e pregar o evangelho. Na realidade seu ensino era a própria pregação do evangelho.

Parece que ele preferia ensinar pessoalmente, mas também ensinava às multidões. Via as multidões como “ovelhas sem pastor” (Essa frase foi repetida diversas vezes no Antigo Testamento quando morria um rei de Israel).

Ele cercava-se de cuidados. Uma vez ordenou a seus discípulos que tivessem sempre pronto um barquinho, pois as multidões, chegando cada vez mais perto, o “empurravam” em direção a água. Outra vez entrou num barco e, de dentro dele, afastado da margem, ensinou aos que estavam à beira da água.

Outra vez – pelo menos duas – ele colocou-se em terreno mais alto do que as multidões. Foi de um lugar assim que ele proferiu o que conhecemos hoje como Sermão da Monte.

Nunca deixou de discutir, nem de ensinar nos alpendres do templo. Aliás, já aos 12 anos seus pais o encontraram lá discutindo com os doutores da lei.

Nunca deixou de atender aos que o procuravam a sós. Atendeu ao velho Nicodemos que o procurou coberto pelo manto da noite e atendeu ao jovem rico que parecia buscar um elogio. Porém, foi sempre implacável com o erro: expôs a Nicodemos sua ignorância apesar de reconhecê-lo “mestre em Israel” e foi duro com o jovem rico, que ausentou-se triste. Encontrou a Deus. Falou com ele. Recebeu orientação e afastou-se triste. Como dizemos: Saiu pior do que chegou.

Enquanto não transigia com o erro não deixava de atender carinhosamente aos sofridos. Perdoou a mulher flagrada em adultério, mas ordenou-lhe a não pecar mais e desafiou aos hipócritas que não trouxeram também o homem a jogar nela a primeira pedra.

Não creio que tenha havido um lugar especial, mas, sem dúvida, houve um método especial: as parábolas. Com elas ele se fazia entendido daqueles a quem o Espírito Santo adrede preparara o coração. E com elas se fazia incompreensível aos que não lhe foram dados pelo Pai. Aos primeiros não lançou fora e não deixou que fossem arrebatados de suas mãos. Aos outros, suas parábolas, cegavam os olhos, tapavam os ouvidos e endureciam o coração.

O Senhor ensinava!

Como devem ter sido doces suas repreensões e claras suas explicações. Os dois de Emaús se referiram a tais momentos como momentos em que “lhes ardia o coração”, e Pedro lhes chamou de “palavras de vida eterna”. Até quem não as entendia, aos quais seu sentido era vedado, concordava que ele ensinava como quem tem autoridade; diferentemente do que faziam os escribas.

O Senhor ainda ensina! Suas palavras registradas, ainda hoje afetam o coração dos que foram preparados pelo seu Espírito. Ainda provocam transformações e ainda iluminam mentes.

O Senhor ensinava e ensina: apascentava (lembre-se de que o sentido primário do verbo pascir – de onde vem ‘apascentar’ – é alimentar). Ele alimentou com as palavras que não voltam vazias para o Pai. Aliás ele mesmo era a palavra da qual todas as outras se derivam e ganham significados.

É a palavra que mudou vidas e muda até hoje. É a palavra que jamais deixou de fazer o que é da vontade do Pai. Quando necessitou criar a luz, disse “haja luz”. E, se hoje é necessário vivificar mortos, nada lhe é impossível. Qual Lázaro, ao ouvir sua voz, todos nós saímos de nossos túmulos em que, mortos em nossos delitos e pecados, nos putrefazíamos.

O Mestre ensinava porque era o próprio ensino. Era, e é, a Palavra.

2 comentários:

Jorge Melhado disse...

Prezado Reverendo Fôlton, ótimo texto. Como é importante mostrar a todos que a importância do ensino é algo bíblico sim. Apenas uma dúvida: quando o senhor diz "E com elas se fazia incompreensível aos que lhe foram dados pelo Pai", está realmente querendo dizer que Jesus se fazia incompreensível àqueles que o Pai 'lhe dera' ou estaria querendo dizer que Jesus se fazia incompreensível àqueles que 'não' lhe haviam sido dados pelo Pai? (Por favor, não me entenda mal por outra pergunta, apenas quero ter certeza do entendimento que tive ao ler seu edificante texto). Em Cristo, Jorge.

folton nogueira disse...

Jorge;

Muito obrigado. Você achou um erro que passou por três pessoas. Já corrigi. Ficou assim: "E com elas se fazia incompreensível aos que não lhe foram dados pelo Pai. Aos primeiros não lançou fora e não deixou que fossem arrebatados de suas mãos. Aos outros, suas parábolas, cegavam os olhos, tapavam os ouvidos e endureciam o coração."

ab
Fõlton