sábado, 2 de agosto de 2014

Descrições de Jesus

Quem era Jesus? Essa foi a pergunta que aqueles que estavam engajados na “busca pelo Jesus histórico” (sobre a qual escrevi na semana passada), tentavam responder. Porém, não se esqueça de que eles partiam da pressuposição de que um homem comum, desses que povoam a história, não poderia ser como os Evangelhos descrevem a Jesus.

Mas, o que é que eles escrevem de tão notável? Certamente, o ponto máximo é que ele ressuscitou. Mas, há uma série de outras afirmações que achavam difíceis de aceitar. Por exemplo: a de que ele tenha perdoado pecados ou a de que ele tenha dito ser o próprio Deus.

De fato, o Novo Testamento nos apresenta Jesus direta ou indiretamente através de figuras que falam de seu caráter ou de sua obra. Logo no princípio de seu ministério João Batista o apresentou como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” o que tinha um significado especial para sua audiência que era constituída de judeus.

Durante seu ministério, já apareceram opiniões diferentes: a Herodes opinaram que Jesus era João Batista ressuscitado. Seus discípulos informaram que também havia os que criam que ele era Elias ou algum dos profetas. E ele mesmo, correndo o risco de ser apedrejado, foi claro ao apresentar-se como EU SOU (Jo 8.58-59), nome que o Antigo Testamento reservava à Deus.

Porém, não deixa de ser notável as apresentação indiretas. Especialmente as que estão contidas nas parábolas.

Ele se apresentou como agricultor na parábola do Joio e na parábola dos trabalhadores na vinha. Na primeira ele proíbe que seus servos arranquem o joio para não correr o risco de arrancar o trigo junto e na segunda ele contrata diaristas para trabalhar em sua vinha. Apresentou-se também como criador de gado na parábola do servo que volta da lavoura (Lc 17.7-10) e, em um contexto em que seu povo é comparado à ovelhas, ele se apresentou como o Bom Pastor (Jo 1.1-18). Apresentou-se também como médico que veio apenas para os doentes (Mt 9.12-13).

Comparou-se a um noivo que chega tarde da noite para celebrar suas núpcias (Mt 25.1-13), como um nobre que viaja e confia a seus servos a administração de seu bens (Lc 19.12-27), como um rico fazendeiro que recebe acusações contra seu administrador (Lc 16.1-13), como um credor que perdoa seus devedores e exige que eles se perdoem também (Lc 7.40-50) e como um rei que chama seus servos a prestar-lhe contas (Mt 18.25-35).

Declarou ser a pedra que foi rejeitada pelos construtores (aludida pelos profetas). Declarou ser a porta e o caminho. E declarou-se também ser a verdade, a luz, a vida e o grão de trigo semeado que morto dá muito fruto. E nele os evangelistas reconheceram a comparação dos profetas: a ovelha muda.

Indo além podemos ver também o que seus apóstolos disseram. Paulo o apresentará como o novo Adão e João como advogado junto ao Pai (1Jo 2.1).

Os Evangelhos nunca o descrevem (o imaginamos moreno porque a grande maioria dos judeus de sua época era morena e deduzimos que ele gostava de frutas, peixes e vinho pela quantidade de vezes que elas aparecem no relato), mas o Apocalipse o descreve detalhadamente três vezes.

Nessas impressionantes visões de João, ele é introduzido a uma grande multidão como o Leão, mas apresenta-se como o Cordeiro (Ap 4).

Logo de início ele é descrito como um sacerdote. Está no meio das igrejas, usa vestes sacerdotais e possui cabelos brancos como se espera de um presbítero (ancião). Entretanto, a idade não o alquebra e sua firmeza aparece na postura (pisa como se tivesse pés de bronze), na voz (potente como o estrondo de muitas águas) e na sua aparência geral (como o sol na sua força). Seu olhar perscrutador é descrito como chama de fogo e ele identifica-se como “o alfa e o ômega” ou “o primeiro e o último”. E a intimidade que João tinha com ele no tempo dos Evangelhos é substituída pelo terror que prostra o apóstolo amado ao chão.

A seguir ele é fantasticamente descrito como um cordeiro com sete chifres e sete olhos, que acabara de ser morto.

Quase no fim do Apocalipse ele é mostrado como um guerreiro cavalgando um cavalo branco, vestindo um manto ensanguentado em que está escrito Rei dos reis e Senhor dos senhores. Ele é seguido pelos exércitos celestiais que também estão em cavalos brancos, mas vestindo mantos brancos e puros. Seu olhar ainda é descrito como chama de fogo, e em sua cabeça é adornada por diversas coroas. Sua palavra é poderosa como uma espada afiada e ele é identificado como o Verbo de Deus.

Todas as tentativas de descrevê-lo acabam misturando sua pessoa e seus ofícios. Mas, acima de tudo, as tentativas de descrevê-lo esbaram na impossibilidade de descrever o inefável: o Verbo de Deus.

O Verbo de Deus certamente não voltará para ele vazio, mas fará o que lhe apraz.

2 comentários:

Danilo Costa disse...

Uma mensagem extremamente abençoada, informativa e útil em todo tempo. Que o Senhor continue o abençoando grandemente, pastor. Paz!

Milton Jr. disse...

Caríssimo Fôlton, que texto extraordinário!!!
Que o SEnhor Deus continue capacitando a sua vida.
Grande abraço.