Com música de Francisco Manuel da Silva (1795–1865) e letra de Joaquim Osório Duque-Estrada (1870–1927), o Hino Nacional Brasileiro se destaca em muitas coisas, desde suas orações invertidas aos termos rebuscados. Porém, há algo mais impressionante: Quase no final aparecem os seguintes versos: “Mas, se ergues da justiça a clava forte / Verás que um filho teu não foge à luta / Nem teme, quem te adora, a própria morte!”
Quem ergue a clava forte da justiça? Pelo contexto é a pátria amada. Porém, parece que a clava forte da justiça não foi erguida pela pátria, mas pelo estado, que no atual governo quer ser maior e mais poderoso do que a pátria.
Entretanto, eu gostaria de chamar sua atenção para o fato de que o poeta já no final de 1800, antevia a possibilidade de a justiça ameaçar os brasileiros com a “clava forte”.
Clava é o nome genérico para diversas armas empunhadas em uma luta. Desde o pequeno cassetete até a maça (enorme peça de madeira) que hoje chamaríamos de porrete.
Provavelmente um “pentecostal” diria que o poeta estava profetizando que um dia a justiça de nosso país (ou um representante dela) se levantaria contra os cidadãos com a fúria e o poder próprios de quem tem uma clava nas mãos. Não creio nisso. Mas já vivi o suficiente para saber que alguém embevecido pelo poder, mais cedo ou mais tarde, acaba abusando dele. Parece que é isso que estamos vendo.
O próprio Hino apresenta a solução: “Verás que um filho teu não foge à luta”.
Para nós, cristãos, a palavra de Deus transmitida pelo profeta Jeremias é mais importante: “Pisar debaixo dos pés
a todos os presos da terra, perverter o direito do homem perante o Altíssimo, subverter ao homem no seu pleito, não o veria o Senhor? Quem é aquele que diz, e assim acontece,quando o Senhor o não mande?” (Lm 3.34-37).
Ou seja, como Jó foi entregue por Deus a Satanás, nossa nação foi entregue à clava forte de um estado iníquo.
O que fazer, então? Orar!
Nenhum comentário:
Postar um comentário