sábado, 18 de março de 2006

Os bebês e os Bebês da Igreja

Para o Apóstolo João a maior alegria que tinha era “ouvir que seus filhos andavam na verdade”. Será que o mesmo ocorre a qualquer pai?

Invertendo a situação, perguntaríamos a um pai, ou a uma mãe, qual foi a maior tristeza que o filho deu? Ou, qual foi a primeira vez que o filho os entristeceu? Provavelmente perguntas assim sejam as mais difíceis de responder.

Esperamos com ansiedade nosso filho. Nos privamos de muito em favor de sua saúde ainda no ventre da mãe. Procuramos o melhor modo de trazê-lo à luz e de recebê-lo em nossa casa, que, na verdade passa a ser regida pela conveniência dele. Como dizia a música: chegou “sua majestade o nenê”.

Há porventura algo que ele necessite em seus primeiros dias que não tentemos suprir? Ou algo em nossa rotina de vida que não seja modificada por sua simples presença?

Passam-se os dias e mesmo em meio a mordidas dolorosas a mãe não lhe nega o seio. Em meio ao sono entrecortado não lhe é negado o acompanhamento e o conforto de fraldas secas.

Não sei exatamente quando, mas ainda bebê, os pais mais atentos descobrem que ele já é capaz de pequenas malandragens: As manhas de exigir colo. O choro impositor de sua vontade. O egocentrismo com que demanda a exclusividade da mãe.

Agostinho viu um gêmeo empurrando seu irmão para fora do outro seio materno da mãe que igualmente alimentava os dois.

Talvez não tenhamos pensado nisso – afinal quem de nós não gosta de ver uma criança explorando e descobrindo o mundo ao seu redor – mas, não há época em que o pecado se mostre tão ligado à nossa natureza quanto em nossas infâncias.

Talvez nem saibamos, ou nem nos lembremos, qual foi a primeira vez que nosso filho nos entristeceu. Perdoamos automaticamente. Depois de certa idade, quando os imaginamos capazes de entender o que ensinamos de bom é que nos admiramos em vê-lo preferir o que é mal. Ao vermos alguma malfeitoria pensamos: Quem foi que ensinou isso a ele? Quem o ensinou a dissimular o erro? A mentir? A xingar? A odiar?

Parece que o pecado da ira é o primeiro. Ah, antes que eu esqueça: são pecadores sim. Lindos. Engraçadinhos. Fofinhos. Mas, tão pecadores quanto nós: seus pais. Tão pecadores quanto Adão. Nasceram pecadores. Nasceram carentes da misericórdia de Deus, da graça do Senhor Jesus, da bendita iluminação do Espírito Santo.

A falta com a verdade não demora a aparecer. Chegam a se assustar quando os flagramos fazendo algo errado. Daí para frente o pecado aparece tão claro quanto o é em nós. Aliás, já passamos por todas essas fases e nossos pais viram em nós o mesmo que vemos em nossos filhos.

Porém, o Apóstolo ao dizer de sua felicidade, não estava, necessariamente, falando de crianças. Falava da Igreja.

Sabem irmãos? Nós, pastores, temos sempre sob nossos cuidados, marmanjos e bebês na fé. Os pecados dos marmanjos são apenas mais grosseiros do que os dos recém-nascidos na fé. Porém há um agravante: Enquanto um bebê não tem escolha a não ser crescer – a menos que um problema de saúde o retenha – na Igreja, nós, pastores, lutamos para que muitos deixem de ser meninos.

O Senhor já sabia disso, “pois ele mesmo concedeu ... pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos ... para que não mais sejamos como meninos”.

6 comentários:

Marcelo Hagah disse...

Pastor Folton,

Seu texto sobre filhos me leva a refletir sobremaneira. Pois, como irmão mais velho, "criei" o caçula (numa casa com 6) e eu só tinha 10 anos. Hoje tenho dois filhos, um de 12 anos e um de 10 meses. Este último o que tem de lindo tem de poderoso. Sou um batista, e a informação de que meu filho de 10 meses é pecador me estarrece. Sei que ele herdou a inclinação para o pecado mas, no Direito Tributário diríamos que ele teria "imunidade", no Direito Civil que ele é "absolutamente incapaz" e no Direito Penal, que ele é "inimputável". Seja como for, procuro dar o exemplo. O mais velho me viu orando de joelhos um dia desses e começou a imitação. Ele também tem o péssimo hábito de pegar as cuecas sujas e pendurá-las na grade do banheiro (para desespero de minha esposa). O mais velho é Daniel, o mais moço Calebe. Quanto aos bebês da igreja, sinto falta da energia que o meu bebê, lá de casa tem. Convertem-se e já não choram, não pedem colo, não querem crescer, não tentam se levantar, não põe na boca tudo o que encontram pela frente... não sorriem. São apáticos.

Marcelo Hagah
João Pessoa-PB
(missionário batista no interior da Paraíba)

folton nogueira disse...

Meu irmão Marcelo;

Todos os bebês são pecadores (mesmo que ainda nada tenham praticado) por terem nascido em pecado. Você se lembra do Sl 51? Eu nasci em pecado e em pecado me concebeu minha mãe.

Não somos pecadores porque pecamos. Pecamos porque já nascemos pecadores.

Os bebês, aos olhos de Deus, não são imunes, ininputáveis tão pouco incapazes. Se o fossem, Cristo não teria morrido por eles também e sequer havia esperança de salvação para qualquer deles.

Quanto aos bebês da Igreja, eu vejo em alguns a apatia da subnutrição severa (já que é quase normal recusarem os "pastos verdes e as águas tranqüilas"), porém vejo também a birra, a teimosia e a desobediência (sem falar na rebeldia), que caracterizam os pequenos.

ab
Fôlton

Marcelo Hagah disse...

"Não somos pecadores porque pecamos. Pecamos porque já nascemos pecadores."

É certo isto que você escreveu. Mas quanto a criancinhas é diferente. Eles não têm consciência do pecado, não têm maldade, ou melhor dizendo, sua maldade ainda não atingiu a maturidade suficiente para que ele possa ser responsável por ela. Cristo não morreu por bebês, mas por pecadores - e somente os escolhidos antes da fundação do mundo, não todos os pecadores. As crianças, disse Jesus "deixa vir a mim os pequeninos porque dos tais é o reino dos céus".

Não quero polemizar com você,mas penso que cremos na mesma coisa, e essas letras dificultam nossa comunicação. Parabéns pelo blog.
Um abraço,

O Senhor te abençoe,

Marcelo Hagah
João Pessoa-PB

folton nogueira disse...

Marcelo;

Demorei a responder porque não sabia como fazê-lo ... e ainda não sei.

Oro para que você entenda que Cristo morreu por teus filhos também e que se arrependa de ter escrito que "Cristo não morreu por bebês".

Morreu sim! Por isso eles são salvos.

em oração
Fôlton

Oliveira disse...

Caro Reverendo

Um texto preocupante.

Penso que se a criança é eleita e tem seu nome escrito no livro da vida, então será salva.

O contrário do acima, pois mais linda e fofa que a criança seja, é pecadora, digna de condenação (branda penso eu), e merecedora do inferno. Peguei pesado?

O texto "dos pequeninos" é uma analogia que o Senhor faz com os nascido de novo, e não uma fala dizendo que todas as crianças serão salvas. Estou errado?

Sobre crianças serem supostamente inocentes:
1. E as crianças que morreram afogadas no dilúvio?
2. E as crianças de Jericó que foram mortas?
3. Não havia crianças em Sodoma e Gomorra? Mesmo havendo não havia um justo sequer exceto Ló. Então é possível ser criança e inocente aos olhos humanistas, mas culpada diante de Deus.

Sobre ter filhos, dúvidas:

Os filhos de Davi (homem segundo o coração de Deus), desandaram em vários casos. Não eram homens justos e tementes a Deus.

Os filhos de Samuel nem o povo conseguia suportar. Não eram homens justos.

Os filhos de Eli, sem comentários.

Os filhos de Arão, os dois que foram fulminados...

Os filhos de Jó, me parecem também não serem justos aqueles por quem ele acordava de madrugada e que foram mortos depois.

Enfim não há garantia de que filhos de homens justos serão eleitos. Estou certo?

Quem garante que Cristo morreu pelos meus filhos? Oro por eles, crio no caminho que deve andar, mas quem garante? "Crê no Senhor e será salvo tu e a tua casa..." é um texto que se aplica a todos? Não se aplicaria só ao carcereiro especificamente?

Se desejar e tiver tempo, por favor me responda.

Sei que é difícil, mas também sei que Deus é justo.

Um abraço

folton nogueira disse...

Oliveira;

1. VOCÊ DISSE: Penso que se a criança é eleita e tem seu nome escrito no livro da vida, então será salva. CONCORDO.

2 VOCÊ DISSE: O contrário do acima, pois mais linda e fofa que a criança seja, é pecadora, digna de condenação (branda penso eu), e merecedora do inferno. PERGUNTO: Como uma condenação pode ser branda e ao mesmo tempo infernal?

3. Não creio que haja crianças inocentes. A Bíblia é clara: já que fomos concebidos em pecado somos pecadores desde o instante que passamos a existir.

4. Sobre o restante do comentário não sei responder pois não tenho acesso ao "livro da vida". Mas creio na promessa de Deus de que ele seria meu Deus e Deus de meus filhos. Por essa razão os batizei o mais cedo que pude, e os ensinei a respeitar a Palavra de Deus, a orar e toda por a confiança em Deus pela mediação de Jesus Cristo.

ab
Fôlton