sábado, 4 de março de 2006

Águas de fevereiro

Dizem que as águas de março fecham o verão. Pode até ser. Se for, começaram em fevereiro.

Águas e ventos castigaram nossa ilha e nossa cidade. Folhas, galhos e árvores arrancadas pela raiz ainda podem ser vistas em nossas ruas.

Águas e ventos castigaram nossos acampamentos. O dos adultos, menos dependente de eletricidade, teve de se despedir da comida guardada na geladeira e o dos jovens, além disso, despediu-se do uso dos instrumentos elétricos.

Águas e ventos já mostraram sua fúria nos dias de nosso Senhor e impeliram seus discípulos a acordá-lo pedindo socorro. Não seria diferente em nossos dias. Muitos oraram com fervor, depois de assustados com os trovões terem se jogado debaixo das mesas.

Acabada a tempestade, a bonança, trouxe o silêncio dos grilos e dos passarinhos e, também, o frescor das folhas, o aroma da terra e a espera. Espera por um bem que nós inventamos e sem o qual dificilmente sobreviveríamos: a eletricidade.

Se, por um lado, a falta de eletricidade estimulou a conversa - normalmente silenciada pelas novelas - e a observação de um céu negro profundo em que as estrelas pareciam mais brilhantes, por outro deixou sem água quem dependia de bomba.

Aqui, não achamos lampiões que iluminassem o templo no domingo. Conseguimos comprar algumas velas, e durante o culto foi possível ver que os bancos sem adoradores e velas, estavam escuros e cheios de ausências.

Cantamos, lemos, oramos e ouvimos a Palavra do Senhor à luz de velas, que, como nós só ilumina bem o que está próximo. Recordamos também, que a luz precisa estar desimpedida para alumiar o objeto e precisa estar no alto para ser vista.

Benditas águas de fevereiro. Muitos estragos, muitas lições.

Lições que vieram sobre bons e maus, sobre justos e injustos. Lições comuns a todos que deixando de lado a raiva por Deus ter suspendido seus planos e mostrado que um pouco de sua chuva acaba com a “torre” dos mortais, perceberam seu poder destilado gota a gota, sopro a sopro.

7 comentários:

Anônimo disse...

gostei muito da mensagem de hoje, uma pessoa me disse : Com que carinho ele faz o boletim!!
Estou grata a Deus por sua vida

ana K disse...

Pastor!!!!! Que mensagem maravilhosamente pertinente! Visualizo cada momento descrito e tão sabiamente lecionado. Deus seja sempre louvado por tão preciosa vida que é a do senhor!!! Saudações extensivas à querida família. Em Cristo.

Charles L. Grimm disse...

Pastor Fôlton,

Estas águas de fevereiro foram uma lição para nós, sem dúvidas. Uma das coisas que mais me lembrei foi de que graças a Deus, fomos salvos da ira vindoura.

Abraços e saudades da comunhão que tive com vocês.

folton nogueira disse...

AnnaK; Bondade grande a tua. Mais preciosa tua amizade. Saber que você e teu amado oram por mim (como dizem por aí), não tem preço. Obrigado. Toda glória seja dada a nosso Senhor.
ab
Fôlton

folton nogueira disse...

Charles;
Dias preciosos em que tua companhia foi definitiva. Dias alegres em que nossa comunhão foi marcante.
Abraços fraternos e amigos
Fôlton

folton nogueira disse...

Anônima (que pelas boas palavras deve ser muito querida);
Obrigado. Ore por mim.
Ab
Fôlton

Oliveira disse...

Muito, muito, muito bom!
Tens uma alma poética.

Certamente Deus se agradou do "cheiro suave" que este texto provoca em quem o lê.