sexta-feira, 11 de maio de 2007

Adorar um homem?

O Senhor escolheu 12 homens, a quem chamou Apóstolos e lhes deu autoridade, sobre muitas coisas. Até sobre reter ou perdoar pecados. Porém, eles nunca se deixaram adorar. Ao contrário, não há uma só narrativa em que alguém tenha tentado fazer isto e eles não o impedissem.

Temos e devemos ter alegria e prazer naqueles que alcançaram maior entendimento e virtude na vida de busca pela semelhança com Cristo. Porém, adorá-los é demais. Servir-se deles, como intercessores junto ao Pai, é o mesmo que vilipendiar quem “é o único mediador entre Deus e os homens”: Jesus Cristo.

Então, baseado em qual argumento, em que silogismo, ou debaixo de qual autoridade - ou qualquer coisa semelhante - um filho de Adão, morto em "delitos e pecados", carecente da graça de Deus e da intermediação de Jesus Cristo, arroga-se a autoridade de declarar que outro filho de Adão, sujeito às mesmas fraquezas e necessidades, deve ser adorado?

A Igreja Católica Romana merece nosso aplauso pela luta aberta que trava contra a prática do aborto, em favor de uma moral sexual mais sadia.

Não podemos concordar com ela que o único papel do sexo seja a procriação, e que, portanto, todos os meios anticoncepcionais devam ser evitados. Devemos evitar, sim, os meios “anti-natais” (que visem o nascimento de um ser, mesmo que ainda seja um pequeno aglomerado de células. Porém, os meios naturais que impeçam a fecundação não são imorais, ou criminosos em si, e, usados com fim legítimo, não devem ser tolhidos.

Entretanto, como é que se luta a favor de uma conscientização clara desses problemas e ao mesmo tempo se incentiva a ingestão de pílulas cujo conteúdo é apenas papel e tinta?

Admira-me a luta em favor do bem. Espanta-me a manutenção da credulidade naquilo que não recebe qualquer apoio das Sagradas Escrituras.

Quando comemoramos 100 anos do presbiterianismo, debaixo de acusações de sermos maus brasileiros, pois não acatávamos as disposições da “igreja mãe”, contou-se muito um hino, que, dirigido ao povo brasileiro instava-se a um arrazoado. Por oportuno, transcrevo abaixo a parte da qual me lembro dele através do canto de minha mãe.


Pobre gente piedosa e sincera
Que não abre seus olhos à luz
Que confunde a massa do trigo
Com o celeste e divino Jesus.

(coro)
Oh! Não confundas a pátria terrestre
Com os fulgores da pátria da fé.
No Brasil quem com fé repele o erro
Brasileiro sincero é que é (bis).

Pobre gente que julga nas mãos
O seu Deus conduzir num andor
Não sabendo que mãos de mortais
Não manejam o céu do Senhor.

2 comentários:

Anônimo disse...

Fôlton,

Boa maneira de valorizar a Igreja Católica Romana pelo que ela está fazendo em termos sociais e censurá-la por aquilo que ela pratica em termos espirituais e que é anti-bíblico.

Valdeci Santos

Alan Kleber disse...

Fôlton,

Parabéns pelo escrito. De fato, há uma incoerência gritante entre condenar-se o aborto e incentivar-se a ingestão de "rolos de papel", como bem falou o Ludgero no Jornal do SBT.

Forte abraço,

Alan Kleber