sábado, 7 de julho de 2007

Cartas

Você já observou que o Novo Testamento é composto de cartas?

Geralmente o dividimos em Evangelhos, Livro histórico (Atos), Cartas paulinas, Cartas gerais, e Livro profético (Apocalipse). Mas, se você reparar bem, verá que com exceção de Mateus e Marcos todos os demais livros são cartas.

O Evangelho de Lucas e o Livro dos Atos dos Apóstolos formam uma unidade e a introdução de ambos revela tratar-se de cartas de Lucas à Teófilo.

O Evangelho de João, em seu final, revela ter sido escrito, após seleção de sinais, com o propósito de que o leitor venha crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que crendo tenha vida em seu nome. Ou seja: no fundo é uma espécie de carta dirigida a quem a ler.

Quando ao Apocalipse basta se lembrar de que, de início, já é dirigido, como se fosse uma “carta circular”, às Sete Igrejas da então Ásia Menor que hoje é a Turquia.

Há cartas que tratam de um assunto só, e outras que tratam de diversos assuntos. Há cartas pessoais e outras tão gerais que sequer pressupõem um determinado tipo de leitor. Porém todas foram escritas com o propósito de resolver um ou mais problemas de alguém ou de uma Igreja.

Aliás, seria mais correto dizer que todas, sem exceção, objetivam a ensinar a Igreja e a seus membros, os desdobramentos e a aplicação da Lei na dispensação do Evangelho.

Mas me chama mais atenção é o fato de que são cartas. Foram escritas.

Explico melhor.

Quando João percebeu a ameaça do Gnosticismo sobre a Igreja escreveu seu Evangelho mostrando que Jesus era tanto homem quanto Deus.

Quando Judas pensava sobre nossa comum salvação percebeu que deveria escrever algo exortando os salvos a batalharem pela fé que, de uma vez por todas, lhes havia sido dada.

Quando o Concílio de Jerusalém chegou à solução do problema que lhe foi trazido escreveu uma carta que causou conforto e crescimento às Igrejas que a receberam.

Quando Paulo ficou inteirado do que estava acontecendo na Igreja de Corinto escreveu uma carta e ao saber das reações escreveu outra.

Podemos pensar que as distâncias de então é que exigiam essa prática. Concordo. Entretanto, chamo a sua atenção para o fato de que o Cristianismo pauta-se por atribuir o significado “sim” à palavra sim e “não” à palavra não. Ou seja: não há nada que o cristão fale ou a Igreja creia que não possa ser escrito.

Não somos um grupo secreto. Somos o que modernamente chama-se de “transparente”. Ou, pelo menos deveríamos ser. Afinal este é o exemplo (e a ordem) que temos da Palavra de Deus.

Valorizemos mais nossa herança de clareza e sinceridade e não abandonemos nossa riqueza cultural característica de quem escreve e conseqüentemente lê.

Um comentário:

Oliveira disse...

Reverendo

Pode-se dizer que o senhor também encontrou neste "blog" uma forma e um ministério de nos escrever "cartas" e assim edificar quem as lê.

Quem o senhor menos imagina, está lendo as suas idéias, e ouvindo a sua pregação.

Muda o requinte, muda a tecnologia, mas no fundo são cartas... e é o Evangelho sendo pregado por elas.

Continue escrevendo.

Um abraço