sábado, 22 de agosto de 2009

Quando as circunstâncias falam mais alto do que as convicções

Esta semana vimos uma decisão de nossos governantes na qual as circunstâncias calaram as convicções. E as circunstâncias, que obrigaram tão excelentes senhores, não foram de vida ou de morte, mas apenas a manutenção do poder: para, não perderem o mando, mandaram às favas suas convicções decantadas ao longo de anos.

Para mim, que sequer sou adepto do ideário esquerdista, foi triste ver alguns desses homens, cuja imagem sempre me trouxe algum tipo de respeito, dizer que foram forçados a fazer o que lhes foi mandado.

Já vi casos semelhantes. Alguns por motivos maiores e outros por motivos menores, até risíveis.

Dentre os de motivos maiores, lembro-me de uma jovem mãe desesperada com o estado terminal de seu filho, pedindo ajuda de Deus ou do Diabo, aos gritos: - Ouviu pastor? Ouviu Siqueira? Siqueira era o presbítero que me acompanhava horrorizado. - Podem dizer ao Conselho: Faço qualquer coisa pra que meu filho não morra!

Dentre os menores, lembro-me de um ancião que passou a freqüentar um terreiro de candomblé, a fim de fazer um trabalho poderoso, para que seu inquilino, de quem ficou aborrecido, saísse do quarto e sala, sem ter de pagar multa.

Acho que não consigo fazer uma lista do que se poderia chamar “motivação maior”. Mas já possuímos em nossas leis certo abrandamento para quem rouba com fins de se alimentar, ou para quem mata em legítima defesa. E desconheço um condenado por palavras de desespero como as daquela mãe.

Sobre o ancião que passou a freqüentar o terreiro de candomblé, não o vi mais e não sei que rumo tomou, pois era meu último mês naquela igreja.

Mas, voltando ao abandono de convicções diante das circunstâncias, repare que isso está arraigado em nossa cultura. Não é isso que faz um estudante que cola na prova? Não está abandonando uma convicção (ser honesto é bom) diante da ameaça de ser reprovado?

Igualmente quem abandona o ideal da castidade, para evitar as chacotas. Ou se esquece “da mulher de sua mocidade”, como brada o profeta do Altíssimo, em busca de novos prazeres?

Não faz o mesmo o ancião encanecido por Deus, que não “dá-se ao respeito”, para ser admirado pelo espírito jovial?

Acaso é diferente a autoridade que prevarica no uso da espada, da qual é ministro sob Deus, por medo ou por outras ambições?

Diante de um quadro tão terrível, o que me mete mais medo é ver uma Igreja deixar de lado a maior de todas as convicções dos cristãos sinceros: “amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento” e, com o objetivo de arrebanhar mais fiéis, abraçar os valores do mundo.

Não seja esse nosso destino.

2 comentários:

Jorge Melhado disse...

Caro Reverendo, mais uma vez o senhor tocou num ponto de nossa realidade que tem contaminado inclusive cristãos. Penso sobre mim: quantas vezes, talvez, eu mesmo já tenha abandonado minhas convicções para "agradar" os que estão ao meu redor. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos conceda o verdadeiro dom do arrependimento.
Jorge

folton nogueira disse...

Caro Jorge;

Que Deus tenha misericórdia de nós todos.
abraços
Fôlton