domingo, 16 de agosto de 2009

Na casa do Pai

Nos tempos do Antigo Testamento nossos pais referiam-se a Deus por diversas formas, como Senhor, Senhor dos Exércitos, Eterno, ou outros tantos nomes, Jesus o fez principalmente chamando-o de Pai. Chegou a ordenar a seus discípulos que orassem chamando-o assim. E dentre as palavras que poderia usar escolheu a que uma criança usa para chamar seu pai. Provavelmente a que ele mesmo usou com José.

Porém, é digno de nota que ele tenha se referido também à “Casa do Pai”. Duas vezes ele usa essa expressão para referir-se ao templo: aos doze anos e ao purificá-lo. Mas, também serviu-se dela para falar de realidades maiores.

Ao despedir-se dos seus, ele garantiu que na Casa do Pai havia muitas moradas e ele ia adiante deles preparar-lhes lugar.

Para o Filho Pródigo a Casa do Pai era o lugar em que os servos tinham pão com fartura. Entretanto na própria parábola o Senhor Jesus a descreve mais generosamente: era lugar de alegria.

Lá o filho era aguardado com festa e com muito mais de tudo aquilo que despendera prodigamente. Mas, repare bem na própria Parábola: na Casa do Pai há certos procedimentos que devem ser observados.

As roupas que ele levou, e as dissipou, na Casa do Pai são necessárias para cobrir a nudez que um mero pano não consegue cobrir. Por isso são providenciadas pelo próprio Pai.

Na Casa do Pai o anel e os calçados certificam reabilitação filial. Com o anel ele está credenciado a assinar pelo pai. Calçado, ele jamais será confundido com um simples trabalhador - os quais têm pão com fartura - mas fica claro que ele também é Senhor.

Na Casa do Pai vestir-se é mais do que obediência a etiqueta. Sinaliza que o filho assumiu as obrigações decorrentes da filiação, mesmo que aos olhos de muitos tais obrigações pareçam ostentação, elas existem para a glória do Dono da Casa e seus filhos se comprazem, mesmo indignos delas, em recebê-las e usá-las.

Mas na Casa do Pai, não há lugar para picuinhas entre irmãos. O irmão, mesmo mais velho, que recusa a alegrar-se com a graça e misericórdia do Pai, ofende-lhe tanto quanto aquele que o considerou morto e lhe voltou as costas.

Portanto, na Casa do Pai, há certas normas de conduta. Há um modo de se viver lá. E esse é o sentido primário de ethos: palavra grega da qual deriva-se a nossa palavra ética, que poderia ser traduzida por “conforme os costumes da casa”. No caso da família que, tanto no céu quanto na terra, toma o nome do Pai Altíssimo, a ética de sua Casa. A ética vivida por seu Filho Unigênito. Ou seja: a Ética Cristã.

Em síntese: Na Casa do Pai, o filho é motivo de alegria e festa, mas não se faz o que se quer. Quem mora na Casa do Pai tem de seguir as normas que foram estabelecidas pelo Pai. Tanto as que regulamentam o comportamento em relação a Ele próprio, quanto o comportamento em relação aos irmãos, que nela também moram.

Aqui fica clara a diferença entre a ética cristã, muito mais estreita, pois revela a vontade do Pai para com seus filhos da ética comum, que para muitos não passa de normas convenientes ao bom viver.

Na Casa do Pai há muitas moradas, mas todas são regidas pela vontade do Pai.

2 comentários:

Rev. Ricardo Rios Melo disse...

Caro Folton, Muito bom! Gostei da simplicidade com profundidade, como lhe é comum.

Tomei a liberdade de publicar no boletim da igreja com as devidas referencias.

abs,
Ricardo Rios

folton nogueira disse...

Obrigado meu irmão.

Use par a glória do Pai.

ab
Fôlton