sábado, 23 de junho de 2012

Jesus e as riquezas

Em seu Sermão do Monte nosso Senhor Jesus nos proibiu terminantemente de fazer quatro coisas: 1) Ajuntar tesouros sobre a terra; 2) Andar ansiosos; 3) Julgar e 4) Jogar pérolas aos porcos. Vou examinar a primeira proibição.

Ao nos proibir de ajuntar tesouros sobre a terra o Senhor se vale de cinco metáforas.

A primeira delas ocorre com o uso da palavra tesouro, no grego, ‘thesauros’, que tanto pode ser o recipiente quanto o bens guardados dentro dele. Obviamente ele está falando de coisas preciosas, que mereçam ser entesouradas, que são disputadas por ladrões.

A segunda ocorre quando ele destaca mais o local em que elas são entesouradas do que propriamente o possuí-las. Proíbe entesoura-las na terra e ordena que as entesouremos no céu. Ele parte da pressuposição de que seus discípulos sabem como tomar algo que pode ser roubado e, em vez de enterrá-lo (o cofre da época), depositá-lo no céu.

A terceira é uma explicação do por quê depositá-lo nos céu: O tesouro atrai o coração de seu dono, e é melhor que o coração seja atraído para o céu.

A quarta na realidade é uma parábola na qual os olhos são mostrados como a parte externa da alma, que, neste caso, é o mesmo que o coração atraído pelo tesouro. Os olhos denunciam exteriormente tal atração, que, se for pelo tesouro depositado na terra, será má. O mais interessante é a afirmação de que se a contaminação já chegou aos olhos/alma quão grande ela é!

A quinta também é outra parábola na qual Jesus mostra que há mais um nível a que as riquezas podem sujeitar o homem além de contaminar sua alma: podem torna-lo escravo. E neste caso elas passam a competir com Deus de tal forma que o discípulo de Jesus está impedido de servi-lo, pois ninguém pode servir a dois senhores.

Você deve ter observado que ao falar de riquezas ele usa em níveis crescentes:

Primeiro, como algo que merece ser guardado, e que desde o começo já merecia o cuidado de ser guardado no lugar certo.

Segundo, como algo que prende o coração (daí a necessidade de estar guardado no lugar certo).

Terceiro, como algo que contamina a alma a tal ponto que se faz notar nos olhos tornando-os maus. Note que isso pode acontecer até com pequenas quantias: Os trabalhadores na vinha, que ganharam o salário de apenas um dia, reclamaram da generosidade do patrão que pagou o mesmo tanto aos que trabalharam o dia todo e aos que trabalharam apenas uma hora. Observe na resposta do patrão como é destacada a maldade nos olhos: “Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?” (Mt 20.15).

Quarto, como algo que assume o senhorio sobre o homem. Aqui vale a pena observar que a palavra usada por Jesus, traduzida por riquezas, foi mamom. No Novo Testamento esta palavra é usada aqui e na Parábola do Mordomo Infiel, e em Grego é ‘mammona’. Embora alguns estudiosos creiam que ela venha do hebraico ‘matmon’, que significa ‘tesouro’, a maior probabilidade etimológica é que se derive da palavra siríaca ‘mámóna’ que significa apenas ‘riquezas’, e não se tem conhecimento de nenhum deus siríaco com esse nome.

A lição que Jesus está nos dando é que quando julgamos possuir algo, mantendo-o sob nossa posse, gerenciando-o conforme nossos interesses, essa coisa toma nosso coração, contamina nossa alma e torna-se nosso senhor (no caso, uma espécie deus). O discípulo de Jesus, ao contrário, ao possuir algo, gerencia-o de tal forma que os interesses de Deus são os que prevalecem. Como se tal coisa fosse depositada nos céus.

Para Jesus o importante não ser rico ou não, mas o uso que se faz de um centavo ou de toda a riqueza do mundo.

Um comentário:

António Jesus Batalha disse...

Olá meus queridos irmãos. Paz e graça de Jesus.
Parabéns pelo blog muito edificante. Eu acredito que; crescemos quando lemos, quando compartilhamos.
Aprendendo uns com os outros, crescemos na graça e conhecimento da Palavra.
Aproveito a oportunidade para compartilhar também meu blog. Contém ensinos, de crescimento, edificação e exortação, muitos poemas e algumas músicas tudo dentro do carisma evangélico.
Ficarei feliz por vossa visita e muito mais ainda se nos seguir.
Que Deus continue a abençoar-vos ricamente. Antonio Batalha.