quarta-feira, 31 de outubro de 2018
domingo, 21 de outubro de 2018
Marxismo Cultural (Parte 2)
O “marxismo de Marx” dizia lutar contra as desigualdades econômicas
e sociais, mas, como vimos, isso não cativou a classe operária, que, na primeira
guerra mundial, prontamente lutou por seus países contra os ideias comunistas.
Muitos
tentaram explicar isso, mas foi a explicação de Gramsci que prevaleceu. Segundo
ele, a fonte de todas as desigualdades era a família e em última análise a
religião que a sancionava.
Na família, dizia ele, o marido explora a mulher e os pais
exploram os filhos com a bênção da religião. A solução, dada por ele e seguida por seus discípulos (a grande maioria dos atuais esquerdistas) foi incentivar à rebeldia
das esposas e dos filhos.
Não é mera coincidência o aparecimento da moda unissex, do
apoio a casais homossexuais (de tantos tipos que faltam letras no alfabeto: LGBT...).
Quantos casais não foram desfeitos pela influência de uma
mídia comprometida com as ideologias feministas ou com a venda de um “amor” que
só acontece a personagens fictícios.
Os maridos foram ensinados a procurar a mulher que só existe
na imaginação deles e assim relegar suas esposas a um segundo plano. As esposas
foram ensinadas a ver que o cuidado do lar e dos filhos é de menor importância.
Muitas esposas cristãs, comprometidas com o papel bíblico de auxiliadoras da
missão do marido, acharam suas “próprias missões”.
O ataque às primeiras ordens do Criador foi certeiro: O
homossexualismo luta diretamente contra o crescer e multiplicar-se, e as “novas
famílias” lutam contra “por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a
sua mulher e os dois serão uma só carne”. Atente para “o homem e sua mulher”,
pois para eles pode muito bem ser “a mulher e seu homem ou a mulher e nada mais”.
As drogas foram de grande auxílio para que os filhos se voltassem
contra os pais: criou-se, quase que espontaneamente, a figura do ultrapassado
(quadrado, careta...) que, por si só já é algo que deve ser evitado.
O sexo passou a ser praticado sem a estabilidade proporcionada
pela família. A máxima passou a ser: “Meu corpo, minhas regras”. Não é coincidência o aparecimento de coisas
como Woodstock. Como também a maior explicitude nas telas o que antes, quando muito, era insinuado.
Tudo o que colaborar para a desestabilização da família e
para evitar sua formação segundo as normas do Criador, foi, é, e sempre será o
objetivo desse novo marxismo.
Além disso, os jovens passaram a receber modelos ruins em
idade cada vez mais tenra, e sob o pretexto de não prejudicar a carreira das
esposas, as escolas (creches) passaram a substituir a família na formação da
cosmovisão dos próprios bebês. Educar o próprio filho em casa passou a ser um
absurdo e até um crime a ser punido.
Os alunos passaram a avaliar o desempenho do professor, que
passou a ter como mais importante a missão de agradá-los do que formá-los.
Não é a toa que os modelos imitados pelos jovens não sejam seus
pais (ou os heróis do passado), mas os que estão “na ponta”. A ética ideal é a
que está para ser descoberta e não a que orientou nossos ancestrais.
Por essas e muitas outras razões, é tão importante para os
movimentos de esquerda que o governo imponha as desgraças que a famílias
brasileiras estão vendo.
sábado, 20 de outubro de 2018
Marxismo cultural
É a nova apresentação do velho comunismo. O comunismo começou
com as teses de Karl Marx, que cria que a tomada de consciência pelo operário, de
que ele era, de fato, o responsável por toda a riqueza produzida então, era a
chave para uma mudança mundial.
Era necessário que os operários se apropriassem dos meios de
produção (pela força) e implantassem a Ditadura do Proletariado onde os patrões se
tornariam operários e haveria apenas uma classe social/econômica.
Preste atenção no hino da internacional comunista: https://youtu.be/DGIb--joV_w
Destaco duas estrofes:
De pé, ó vítimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da ideia a chama já consome
Uma crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos mundo Neste,
Sejamos tudo, oh Produtores!
De pé, famélicos da terra!
Da ideia a chama já consome
Uma crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos mundo Neste,
Sejamos tudo, oh Produtores!
|
Refrão:
|
Bem-vindo a esta apresentação final,
Duma Terra sem amos} bis A Internacional. |
Messias, Deus, chefes
supremos,
Nada esperemos de nenhum!
Sejamos nós quem conquistas
A Terra-Mãe livre e comum!
Para não ter protestos,
Para sair deste antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos,
Tudo o que nos diz respeito!
Nada esperemos de nenhum!
Sejamos nós quem conquistas
A Terra-Mãe livre e comum!
Para não ter protestos,
Para sair deste antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos,
Tudo o que nos diz respeito!
A ideia que o hino sintetiza é a de que os operários se
levantem contra tudo que se lhes apresenta como superior: Patrões, Messias,
Deus, chefes supremos ...
Mas, a desilusão dos comunistas foi ver que na Primeira Guerra
Mundial os operários assumiram a defesa de seus patrões contra os ideais
comunistas!
Gramsci compreendeu que a cultura e a religião foram
definitivas para a escolha dos operários, e propôs que tudo tinha de ser
invertido: os ideais comunistas, em vez de impostos pela força, tinham de ser
disseminados, com tanta intensidade e por tanto tempo até que “se tornassem
verdades divinas”. Foi isso o que aconteceu no Brasil (pra não dizer no mundo).
Segue abaixo alguns links para você que tem interesse em
compreender a situação pela qual o Brasil passa:
1) Do ponto de vista protestante:
- Uma excelente palestra do Pb.
Solano Portela no Seminário JMC: https://youtu.be/9m-lhp2PqcM
- Uma síntese feita pelo Yago
Martins: https://youtu.be/nrCiTRznn3Q
2) Do ponto de vista católico romano:
- Aulas do Pe. Paulo Ricardo: https://youtu.be/EQNSoNR_jLE
- Aula do Prof. Olavo de Carvalho: https://youtu.be/3OftHc9iF6Y
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
Por que o Cristão não deve votar em partidos de esquerda
Minha família, amigos, alunos e ovelhas estão politicamente divididos.
Há quem assuma de tal modo a defesa da esquerda, que chega a dizer que ela é o
único regime político que vive a ética bíblica.
Bem… Não é assim. A história, que nos mostra as barbaridades
cometidas pela esquerda, mas principalmente que o discurso dela é um e prática
é outra. Ou você não viu ainda a declaração: “há um modo de fazer a história e
há um modo de contar a história”.
Eu não quero fazer uma análise da “esquerda”, pois as livrarias
estão cheias de análise melhores do que eu poderia fazer. Basta procurar.
Mas quero chamar sua atenção para um fato inquestionável: A
esquerda é anticristã: O cristianismo é altamente perseguido em países de
esquerda. Isso pode ser provado agora: Vá ao site da organização Portas Abertas
e procure a “lista mundial” (https://www.portasabertas.org.br/artigo/listamundial)
e veja o mapa do mundo colorido de cinza a laranja forte, conforme a
intensidade da perseguição. Veja cada um dos países perseguidores: o que não
for muçulmano é esquerdista.
Não quero ser simplista, mas um cristão que incentive os
votos em partidos ou candidatos de esquerda está incentivando a perseguição à
Igreja.
quarta-feira, 18 de julho de 2018
Uma nota oportuna
Este blog nasceu de uma necessidade: Em 2004 recebi de uma ovelha
o boletim de uma Igreja Americana (na realidade de brasileiros que viviam nos
EUA) com uma recomendação: “não deixe de ler o artigo, pois é muito bom e o
pastor de lá se esforça muito para manter um bom nível teológico em seus
escritos”. O texto era meu! Eu o havia publicado no boletim da Igreja que eu
estava pastoreando então.
Minha indignação maior não era a falta de crédito, era ver o
texto, cheio de erros de digitação, e sem dois parágrafos importantes para uma
correta compreensão do assunto.
Minha primeira reação foi parar de escrever. Afinal, pensava
eu, sabe-se lá onde esses boletins vão parar. Mas, graças a Deus, bons amigos
me apontaram uma saída melhor. Nasceu assim este blog. Se alguém quisesse
copiar que copiasse. Além de copiar sem erros (além dos meus próprios),
eventualmente teria de explicar por que aquele texto já existia antes na
internet.
Então de 2004 até 2014, todos os textos que escrevi para o
boletim daquela e Igreja (e mais alguns outros que podiam ser interessantes)
foram transcritos no blog.
Em 2015, ano que fiquei em Belo Horizonte, dando aulas no
Seminário Presbiteriano Rev. Denoel Nicodemus Eller, escrevi poucas coisas. O
assunto das aulas era muito técnico e tomava muito tempo de preparo.
Em 2016 fui lecionar no Seminário Presbiteriano Rev. José
Manoel da Conceição em São Paulo e este blog continuou de lado, pois além dos assuntos
continuarem muito técnicos, apareceu a oportunidade de sistematizar alguns Estudos
Bíblicos feitos durante meu pastorado e concluir diversos textos.
Um desses textos tornou-se o livro “O Escriba do Rei” e os
Estudos Bíblicos, a que me referi, receberam o nome de “Quando for ler”.
Inicialmente, o “Quando for ler” deveria ser publicado em
papel em um volume só com o título “Quando for ler a Bíblia”, mas não encontrei
nenhuma editora interessada nele e uma auto publicação estava fora de cogitação,
pois além de não ter o dinheiro suficiente para pagá-la, eu acabaria dando
todos os exemplares: nunca fui bom vendedor. Decidi então publicá-la em mídia
eletrônica, pois além de ser muito mais barato (já que não exige papel,
transporte, estoque, distribuição, loja, vendedor, etc.) era muito mais prático
para se publicar e se ler: pode ser lido em computador, tablete, ou num simples
celular.
Infelizmente, por motivos técnicos, tive de publicá-los em
uma série: Pentateuco, Livros Históricos e Livros Poéticos. Breve publicarei
Livros Proféticos, completando o Antigo Testamento, e no segundo semestre de
2018 publicarei o Novo Testamento.
Quanto ao “Escriba do rei” a história é um pouco diferente:
Ao estudar a história dos Reis de Israel, se percebe que os relatos do Livro
dos Reis e das Crônicas, discordam em pequenos pontos. Não comprometem o
assunto básico, mas deixam um leitor atento meio desconcertado. Fica mais
complicado no caso de alguns Reis. Como o Rei Ezequias, que além dos relatos
das Crônicas do Livro de Reis, recebe um relato adicional do Profeta Isaías e é
mencionado no Livro dos Provérbios de Salomão.
Como conciliar esses relatos? Como entender que o mesmo
Ezequias, que mantinha escribas recuperando o texto do Livro dos Provérbios,
precisou raspar o ouro da porta do Templo para pagar tributo aos assírios e
pouco tempo depois é repreendido por Isaías por ter mostrado seu vasto tesouro
aos emissários do Rei da Babilônia?
Resolvi escrever então um texto ficcional: Um dos escribas
de Ezquias sai escondido de Jerusalém, que estava sitiada pelos Assírios e vai
por um caminho “menos usual” à Tiro buscar um saldo de ouro que Salomão deixará
lá por ocasião da construção do Templo.
Isto não deve ter acontecido, mas me dá uma possível
explicação para o surgimento do ouro e me proporciona falar sobre Jerusalém,
sobre a geografia da Israel e sobre Tiro (importante entreposto comercial de
então e centro da mais perversa idolatria sexual que sempre perturbou Israel.
Lembre-se de que foi de lá que veio Jezabel).
Foram 20 anos de pesquisa. Li tudo o que encontrei sobre
vestimentas, remédios, comidas, etiqueta, guerra, armas, comércio, etc. Mas...
daquela época!
Coloquei, como um dos personagens da história, um
adolescente para fazer as perguntas que julguei necessárias ao enredo que
situei entre poucos dias antes da cura miraculosa do Rei Ezequias, pelo Profeta
Isaías (lembra-se da pasta de figos?) e poucos dias depois da morte do exército
assírio que sitiava Jerusalém.
Procurei escrever usando frases curtas, períodos curtos,
ações visuais e ligeiras de modo a facilitar ao máximo a leitura de um texto que,
pode ser complicado para alguns menos familiarizados.
Espero que a leitura do texto lhe traga tanto prazer quanto prazerosa
foi para mim sua escrita.
“O Escriba do Rei” e “Quando for ler” estão na Amazon: https://www.amazon.com.br/s?i=digital-text&rh=p_27%3AFolton+Nogueira&s=relevancerank&text=Folton+Nogueira
sábado, 23 de maio de 2015
A sabedoria (Parte 1)
Na Bíblia, ser sábio não é o mesmo que ser culto. A sabedoria é sempre mostrada como uma "atitude".
A seguir um belíssimo texto que enaltece (e, de certa forma, descreve) a sabedoria.
A sabedoria
1A sabedoria está clamando,
o discernimento ergue a sua voz;
2nos lugares altos, junto ao caminho, nos cruzamentos
ela se coloca;
3ao lado das portas, à entrada da cidade, portas adentro,
ela clama em alta voz:
4A vocês, homens, eu clamo;
a todos levanto a minha voz.
5Vocês, inexperientes, adquiram a prudência;
e vocês, tolos, tenham bom senso.
6Ouçam, pois tenho coisas importantes para dizer;
os meus lábios falarão do que é certo.
7Minha boca fala a verdade,
pois a maldade causa repulsa aos meus lábios.
8Todas as minhas palavras são justas;
nenhuma delas é distorcida ou perversa.
9Para os que têm discernimento, são todas claras,
e retas para os que têm conhecimento.
10Prefiram a minha instrução à prata,
e o conhecimento ao ouro puro,
11pois a sabedoria é mais preciosa do que rubis;
nada do que vocês possam desejar compara-se a ela.
12Eu, a sabedoria, moro com a prudência,
e tenho o conhecimento que vem do bom senso.
13Temer o SENHOR é odiar o mal;
odeio o orgulho e a arrogância,
o mau comportamento e o falar perverso.
14Meu é o conselho sensato;
a mim pertencem o entendimento e o poder.
15Por meu intermédio os reis governam,
e as autoridades exercem a justiça;
16também por meu intermédio governam os nobres,
e todos os juízes da terra.
17Amo os que me amam,
e quem me procura me encontra.
18Comigo estão riquezas e honra,
prosperidade e justiça duradouras.
19Meu fruto é melhor do que o ouro, do que o ouro puro;
o que ofereço é superior à prata escolhida.
20Ando pelo caminho da retidão,
pelas veredas da justiça,
21concedendo riqueza aos que me amam
e enchendo os seus tesouros.
22O SENHOR me criou como o princípio de seu caminho,
antes das suas obras mais antigas; 23fui formada desde a eternidade,
desde o princípio, antes de existir a terra.
24Nasci quando ainda não havia abismos,
quando não existiam fontes de águas;
25antes de serem estabelecidos os montes e de existirem colinas
eu nasci.
26Ele ainda não havia feito a terra, nem os campos,
nem o pó com o qual formou o mundo.
27Quando ele estabeleceu os céus,
lá estava eu;
quando traçou o horizonte sobre a superfície do abismo,
28quando colocou as nuvens em cima e estabeleceu as fontes do abismo,
29quando determinou as fronteiras do mar
para que as águas não violassem a sua ordem,
quando marcou os limites dos alicerces da terra,
30eu estava ao seu lado, e era o seu arquiteto;
dia a dia eu era o seu prazer
e me alegrava continuamente com a sua presença.
31Eu me alegrava com o mundo que ele criou,
e a humanidade me dava alegria.
32Ouçam-me agora, meus filhos:
Como são felizes os que guardam os meus caminhos!
33Ouçam a minha instrução, e serão sábios.
Não a desprezem.
34Como é feliz o homem que me ouve,
vigiando diariamente à minha porta,
esperando junto às portas da minha casa.
35 Pois todo aquele que me encontra,
encontra a vida e recebe o favor do SENHOR.
36 Mas aquele que de mim se afasta,
a si mesmo se agride;
todos os que me odeiam
amam a morte.
sábado, 10 de janeiro de 2015
Je ne suis pas Charlie
Praticamente todo o ocidente está dizendo: Je suis
Charlie e pra falar a verdade, dá vontade de dizer também. Afinal, quem não
se comoveu com o acontecimento terrível? Porém, há o que pensar.
É tido como certo que a violência decorreu das charges publicadas
pelo semanário. Foi uma vingança. Não apenas das últimas, que me pareceram mais
ofensivas aos cristãos, mas de tantas outras que marcaram a história do jornal.
A charge deforma o assunto exagerando alguma característica
peculiar, ridicularizando uma situação, ou argumentando ad absurdum.
A charge vale-se do burlesco, da sátira, da paródia e do duplo sentido para
apresentar pessoas ou acontecimentos no limite entre o risível e o infame. Não
é incomum encontrar quem, retratado numa charge, sinta-se difamado. Aliás, foi
isso o que aconteceu com as primeiras charges, feitas no século XIX:
Governantes poderosos sentiram-se difamados e os chargistas amargaram a prisão.
É muito difícil estabelecer a "honestidade" de uma
charge. A que apresenta objetivamente uma situação ridícula poderia ser
considerada "honesta". Entretanto, a que transpira os conceitos
subjetivos do autor pode ser perfeitamente uma provocação ou mesmo uma
difamação.
As muitas inaugurações da mesma obra feita por um político
pode ser um ótimo tema para uma charge, mas mostrar o profeta dos muçulmanos
engajado em um beijo homossexual dificilmente servirá para alguma coisa além de
produzir ódio.
Salomão nos ensinou que "Pois assim como bater
o leite produz manteiga, e assim como torcer o nariz produz sangue, também
suscitar a raiva produz contenda" (Provérbios 30.33), ora é exatamente
isso que os chargistas mortos faziam.
Em hipótese alguma quero justificar a morte deles. Os
atiradores estão totalmente errados. Porém, o que poderia se esperar de um povo
educado desde cedo a desejar morrer em guerra? O que aconteceu em 2005 na
Dinamarca, onde cerca de 50 pessoas morreram, após as charges publicadas
no Jyllands Posten, não serviu de advertência?
Ora, a decantada liberdade de expressão, tão cara as
sociedades democráticas, e mais especialmente aos irresponsáveis, nunca será
superior ao senso comum, acumulado em milênios de civilização que também nos ensina:
"quem fala o que quer, ouve o que não quer". Muito menos supera às
palavras de quem criou a humanidade: "Digo-vos que de toda palavra
frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque,
pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás
condenado" (Mateus 12.37-37).
Vivemos dias em que o errado é apenas o que contraria a lei
ou costumes bem estabelecidos. Mas, paradoxalmente hoje é quase uma obrigação
agredir os costumes. Ser rebelde tornou-se desejável e necessário a formação do
jovem, e sinal de criatividade no adulto. Portanto, hoje, o deboche, o escárnio
e a difamação, mesmo contrariando leis e costumes bem estabelecidos, procuram
abrigo sob o manto da criatividade, do humor e especialmente da "liberdade
de expressão".
Para o cristianismo, antes das leis e antes dos costumes vem
o pecado. Determinada ação, ou comportamento, mesmo não sendo ilegal, nem agredindo
qualquer costume bem ou mal estabelecido, pode ser pecado. Para o cristianismo
o pecado manifesta-se também nas palavras: faltar com a verdade, promover o
engano, difamar a Deus e o nosso próximo são pecados claramente estabelecidos
nas Sagradas Escrituras. E qualquer tipo de promoção da mentira está filiada
diretamente ao inimigo de nossas almas: "Ele [o diabo] foi
homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há
verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é
mentiroso e pai da mentira" (João 8.44).
Portanto, eu não posso dizer "Je suis Charlie".
Lamento, deploro e abomino o que aconteceu aos chargistas e a seus
companheiros, mas não posso concordar com o que eles faziam. Igualmente
reprováveis são os assassinos e espero que, os que ainda estiverem vivos, sejam
colocados sob os magistrados e paguem por seus atos.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Carta ao leitor
Caros amigos,
Estou em um processo de mudança para outra cidade, portanto ficarei alguns dias sem postar. Por favor, orem por mim. Espero voltar o mais breve possível com novidades no Blog.
Abraços
Fôlton
Estou em um processo de mudança para outra cidade, portanto ficarei alguns dias sem postar. Por favor, orem por mim. Espero voltar o mais breve possível com novidades no Blog.
Abraços
Fôlton
sábado, 29 de novembro de 2014
Despedidas
Os diversos relatos de despedidas
contidos na Bíblia, por mais pungentes que sejam, são feitos com sobriedade.
Quem de nós não sentiu, entre as linhas do texto, a dor do velho Abraão ao ser
obrigado a despedir Agar e a seu primogênito Ismael? Ou quem não surpreendeu-se
com a pronta decisão de Rebeca em acompanhar Eleazar e despedir-se de sua
família?
De fato, as despedidas são momentos
muito mais ricos do que as chegadas. Nelas, ainda que não percebamos, fazemos
uma espécie de balanço e nos preparamos para prosseguir a vida.
De tão importantes, os discursos
registrados na Bíblia por ocasião dessas despedidas foram catalogados como um
verdadeiro sub-estilo literário, onde se vê 1) a convocação dos fieis, 2)
anúncio da partida, 3) uma rememoração histórica do que Deus fez, 4) exortação
à fidelidade, 5) alertas sobre os perigos por vir, 6) promessas e palavras de
estimulo, 7) renovação de votos, 8) apresentação do sucessor e 9) oração.
Este é o esquema da despedida de
Moisés (Dt 31-33), da despedida de Josué (Js 23-24), da despedida de Samuel
(1Sm 12), da despedida de Davi (1Cr 28-29), da despedida de Paulo aos
presbíteros de Éfeso (At 20)...
Ainda que um pouco fora dessa ordem,
a segunda carta que Paulo escreveu a Timóteo também pode ser vista como um
grande discurso de despedida. Porém, o discurso de despedida por
excelência é o de Jesus conforme o registro de João (13-17).
Pois bem: depois de um período de
onze anos é hora de partir, mas não quero fazer qualquer discurso ou cerimônia
de despedida. Um adeus (onde quem fala recomenda seu ouvinte a Deus) é
suficiente.
Há algum tempo ressoa em meus ouvidos
as palavras de um velho professor: “mais importante do que a hora de chegar é
saber a hora de partir”. Mais cedo ou mais tarde todos nós partiremos. Se não
para ali, sem dúvida, para o além; e a despedida, que poderia ser controlada, e
com a qual se pode crescer, torna-se surpresa da qual dificilmente se extrai
algo de bom.
Que Deus nos poupe de tanto!
Levo a convicção, proveniente de uma
boa consciência, de que conduzi o rebanho do Senhor à pastos verdes e águas
tranquilas, tal como ele ordena a seus pastores.
Levo saudades daqueles com quem
dividi momentos de alegria e de dor, de nascimento e de morte, de admoestação e
de recuperação. Como deixar do lado de fora do coração os que moram nele? Como
esquecer-me dos que são as verdadeiras memórias?
As orações nos acompanharão e a
saudade será nossa testemunha diante de Deus.
Um último pedido: Não coloquem a
Palavra de Deus em segundo plano, pois ela é o único e verdadeiro alimento de
nossas almas e sob seu padrão é que prestaremos contas a Deus.
sábado, 15 de novembro de 2014
Palestinos e Judeus
Desde fúria cega das bombas lançadas por palestinos e por
judeus na guerra de algumas semanas atrás, até os ataques individuais feitos
pelos palestinos, com carros, tratores,
motocicletas, ou com o próprio corpo coberto de explosivos, revelam uma fúria impossível
de ser descritas.
Esse estado de beligerância, em que o ódio parece respingar,
não é novo. A Bíblia atesta sua antiguidade. O primeiro contato entre
palestinos e judeus é do tempo de Abraão. Os dois Abimeleques (provavelmente pai
e filho) relatados em Gênesis capítulo 20 e 26, que foram iludidos por Abraão e
Isaque, respectivamente, eram filisteus.
É bom lembrar que a palavra “palestina” se deriva da palavra
hebraica para invasor, ou divisor (a mesma que deu origem a Pelegue, filho de
Heber (Gn 10.25), que nasceu quando a terra foi repartida). A palavra tem duas
formas: uma com P, originária do hebraico (de onde vem a forma portuguesa “palestinos”)
e outra com F do árabe, que não possui o som P (de onde vem a forma ladina “filistines”
e francesa “Philistins”). Eles invadiram a região que a Bíblia chama de
filístia, vindo de Caftor (Creta). Veja o que diz o profeta Amós (9.7): “Não fiz eu
subir a Israel da terra do Egito, e de Caftor, os filisteus”?
Parece que na época do êxodo já eram belicosos, pois Moisés
registra que Deus não conduziu Israel pelo caminho mais curto, da terra dos
filisteus, para que “o povo não se arrependa, vendo a guerra, e torne ao
Egito” (Ex 13.17).
Certamente naqueles dias eles já habitavam a Faixa de Gaza,
pois o mar daquela região era conhecido como o “mar dos filisteus” (Ex 23.31) e
em Dt 2.23 encontramos: “também os
caftorins que saíram de Caftor destruíram os aveus, que habitavam em vilas até
Gaza, e habitaram no lugar deles”.
Eram descritos como povo valente, forte e alto (Dt 2.20-21)
e, quando Josué estava velho, Deus se referiu ao lugar em que viviam, como
terra “não conquistada” (Js 13.2). Diz também que os cinco príncipes filisteus
– “o de Gaza,
o de Asdode, o de Asquelom, o de Gate e o de Ecrom” (Js 13.3) –
foram deixados pelo SENHOR, para “provar a Israel” (Jz 3.1-3).
Durante os 400 anos dos juízes houve muitos enfrentamentos.
Sangar, um dos juízes, notabilizou-se em luta contra eles (Jz 3.31), mas Israel
chegou a adorar seus deuses (Jz 10.6). Quem mais se destacou na luta contra
eles foi Sansão, que, apesar de casado com uma filisteia (Jz 14.1-4), os
enfrentou: incendiou suas plantações (Jz 15.3-6) e arrancou os portões de Gaza,
a principal cidade deles (Jz 16.1). Traído por Dalila, que estava a serviço
deles, foi preso. Furaram seus olhos e o levaram, como trofeu, para o templo do
principal deus do panteão filisteu, Dagom. Lá conseguiu derribar os pilares do
templo, matando seus príncipes (Jz 16.19-30).
Nos dias de Samuel os filisteus tomaram a Arca da Aliança e
a colocaram no templo de Dagom como despojo. Deus os castigou tanto que a enviaram
de volta. Nos dias de Saul não deram trégua.
Dominavam os arredores com armas
de ferro, o que lhes dava grande vantagem. Cerca de setenta anos depois de
Sansão apareceu o filisteu Golias, que foi morto por Davi. E alguns anos depois,
na luta contra eles, desesperado, o primeiro rei de Israel, Saul, se matou.
O segundo rei de Israel, Davi, além de vitórias sobre eles,
obteve o respeito de alguns ao ponto de serem usados como seus guardas pessoais
(veja 2Sm 8.18, 15.18,
20.7, 20.23 na versão
Almeida Corrigida que fala de Peleteus: uma derivação da palavra filisteus:
provavelmente uma tribo menor dentre eles).
Continuaram inimigos dos demais reis de Israel e de Judá.
Algumas vezes Israel os dominava (2Cr 17.11), outras vezes era vencido (Is
9.12).
O território chamado de filístia (terra dos filisteus) é
também chamado de Faixa de Gaza, tendo a cidade de Gaza por Capital, sendo que
seus limites variaram com o tempo. Gaza, de modo particular, e os filisteus, de
modo geral, foram objeto das profecias de Jeremias (47.1-7), Amós (1.6-7),
Sofonias (2.4) e Zacarias (9.5-6).
No período inter-testamentário sabemos que a cidade de Gaza foi
vencida e ocupada sucessivamente por Alexandre, o grande, por Jonatas Macabeu e
por seu irmão Simão. Por Alexandre Janeu, por Pompeu (que a submeteu à
jurisdição romana da Síria) e por Gabínius, que após destruí-la totalmente reedificou-a
em outro lugar.
A palavra filisteu(s) não aparece no Novo Testamento, mas
foi na estrada de Jerusalém a Gaza que Filipe encontrou o Eunuco de que Lucas fala
(At 8.29-40).
Apesar de grandemente danificada pelos judeus em 65 AD, Gaza
chegou a ser, décadas depois, um bispado cristão e em 634 caiu sob o domínio muçulmano.
Não encontramos em toda Bíblia uma só profecia, promessa,
bênção ou boa palavra sobre o futuro dos filisteus. Ao contrário, são muitas as
profecias sobre a ira do SENHOR e sua espada sobre eles. Porém, hoje sabemos
que em Cristo eles também serão tornados filhos de Abrão. Aí entenderemos o
significado da profecia de Isaías: “Uiva, ó porta; grita, ó cidade; tu, ó Filístia toda,
treme; porque do Norte vem fumaça, e ninguém há que se afaste das fileiras. Que
se responderá, pois, aos mensageiros dos gentios? Que o SENHOR fundou a Sião, e
nela encontram refúgio os aflitos do seu povo” (Is 14.31-32).
sábado, 8 de novembro de 2014
Os que vos presidem bem
Depois do dia de Pentecostes alguns
convertidos permaneceram em Jerusalém e muitos voltaram para suas cidades de
origem onde estabeleceram igrejas. Este deve ter sido o início de Igrejas como
a de Roma. Lucas nos informa (At 28.13-14) que encontraram “alguns irmãos” em
Putéoli (próximo a atual Nápoles) e que foram recebidos pelos crentes de Roma
na Praça de Ápio.
Até o fim do primeiro século
temos notícias de pelo menos 50 igrejas em diversas cidades desde Jerusalém a
Roma. Dentre essas, temos detalhes em Atos dos Apóstolos, das igrejas na Galácia,
Filipos, Tessalônica, Corinto e Éfeso e pelas cartas de Paulo sabemos algo das
igrejas em Colossos, Laodicéia e Creta. O Apocalipse fala das 7 igrejas na Ásia
menor.
Portanto, em cerca de 60 anos –
de 40 a
100 AD – podemos catalogar umas cinquenta igrejas diferentes, fundadas em
situações diferentes, em cidades diferentes, falando idiomas diferentes, com poucas
coisas em comum: todas dentro do império romano e todas usando um sistema de
governo semelhante.
Sobre essa primeira
característica comum, veja aqui uma análise que fiz em agosto de 2011. Quanto à segunda
característica, Lucas nos diz que a Igreja de Jerusalém tinha Apóstolos (At
8.1, 11.30, 15.1, etc.) e
presbíteros (At 15.1). Também tinha diáconos, pois os 7 homens (At 6.1-7) foram
eleitos com missão de servir às mesas.
O ofício de Apóstolo foi tão restrito aos Doze chamados por Jesus, quanto o
patriarcado foi restrito aos filhos de Jacó. Além dele temos apenas Matias e
Paulo (que, como os dois filhos de José, foram agregados ao patriarcado
também). Os textos em que outros são chamados apóstolos (Barnabé em At 14.14 e Tiago, o irmão do Senhor, em
Gl 1.19) são claramente lato sensu.
Seria como dizer que Moisés e Josué foram patriarcas de Israel. Só houve uma
substituição entre os doze: Judas. Quando o último apóstolo morreu considerou-se
extinta a época deles e os que ousaram identigicar-se como apóstolos foram
expostos como obreiros fraudulentos, ministros de Satanás (2Co 11.4-15) e mentirosos
(Ap 2.2).
Os presbíteros são explicitamente mencionados nas Igrejas de Listra,
Icônio e Antioquia (At 14.21-23), Éfeso (At 20.17), Creta (Tt 1.5) e nas
diversas igrejas do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia (1Pe 5.1 em
conjunto com 5.5). A palavra presbítero basicamente significa idade mais velha,
porém seu uso mais comum refere-se à maturidade. A Septuaginta (tradução grega
do Antigo Testamento) usou diversas palavras derivadas da raiz presb: velhos (Sara e Abraão), ou líderes
(os auxiliares de Moisés). No Novo Testamento (NT) refere-se aos membros do
Sinédrio, aos seres celestiais do Apocalipse, e principalmente a certos líderes
cristãos, encarregados de supervisionar e pastorear a Igreja (At 20.28, 1Pe 5.1-3, etc.).
A palavra diácono aparece 34 vezes (5 vezes na Septuaginta) com o sentido
básico de serviço (os servos no Livro de Ester, o maior no reino dos céus, os
serventes na festa de Caná, etc.) Porém, em cinco lugares ela claramente
refere-se a um ofício na Igreja (os que preenchem as qualificações dadas a
Timóteo (1Tm 3.8-10) e aquele a quem a Carta aos Filipenses foi endereçada (Fp
1.1). Os primeiros diáconos foram eleitos na Igreja de Jerusalém (At 6.1-6).
O texto bíblico menciona bispos nas Igrejas de Éfeso e FIlipos e
indiretamente na de Creta (quando Tito recebe instruções). A palavra episkopos e suas correlatas (de onde
veio nossa palavra bispo) era usada desde a Grécia clássica para designar
aquele que supervisiona, superintende, vela ou vigia por algo (Artemis vigiava
pela fidelidade dos contratos). É mais usada na Septuaginta (14 vezes) sempre com
o sentido de ter o encargo de, comandar, superintender, inspecionar, do que no
NT (5 vezes) onde significa basicamente pastorear. De todas as vezes fica a
impressão de um presbítero que tinha uma incumbência específica.
É notável que durante todo esse
tempo, em uma área com quase 5 mil quilômetros de extensão, igrejas de
nacionalidades e idiomas tão díspares,
possuíssem forma de governo tão semelhante. Não pode ter sido apenas
coincidência. Creio que a Doutrina dos Apóstolos incluía também uma alusão ao
sistema de governo do Antigo Testamento em que os presbíteros já estavam
presentes e os diáconos possuíam missão análoga à dos levitas.
Os presbíteros, que
supervisionassem bem, deveriam ser dignos de honra (ou honorários) dobrados,
especialmente os que se dedicassem ao estudo da Palavra de Deus e ao ensino
(1Tm 5.17). Deveriam ser tidos em alta conta, ter sempre um voto de confiança
diante de denúncias isoladas (mas, quando culpados, a disciplina deveria se
pública, diante de todos).
Não podemos esquecer que eles
receberam exortações pungentes sobre como exercer seus ofícios: Paulo diz que
eles deveriam ter vidas tão ilibadas ao ponto de não serem passíveis de
qualquer repreensão. Deveriam ser maridos de uma só mulher e pais de filhos
dóceis. Irrepreensíveis, também, ofício do presbiterato. Afáveis, pacíficos,
generosos, hospitaleiros, sóbrios, apegados à doutrina cristã, dispostos a
defendê-la e a promover sua aplicação. Pedro ordena-lhes atender o rebanho com
dedicação e liberalidade sem segundas intenções, especialmente financeiras. E João
diz que devem ser comprometidos com a verdade.
Todas as qualidades estão
relacionadas a cuidado e nenhuma delas a desempenho. Diferentemente de hoje, os
líderes do povo de Deus, não são executivos dirigindo uma empresa ao sucesso.
São homens santos cuidando de um rebanho que não lhes pertence.
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