sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Sanguessugas e lobos

Muitos brasileiros ficaram estupefatos ao saber que alguns dos que receberam sua confiança através do voto, se apropriavam de parte do valor pago por algo tão básico e necessário quanto uma ambulância.

Muitos brasileiros evangélicos ficaram mais estupefatos ainda, para não dizer indignados, quando souberam que boa parte desses espertos formavam a chamada "bancada evangélica".

Não era pra ser assim.

Tais pessoas receberam a confiança de seus eleitores exatamente afirmando que, acima de tudo, eram honestos. Nas últimas eleições, como sempre é feito, todos enfatizaram a própria honestidade, como se isso fosse o pré-requisito básico para serem eleitos e não a obrigação de todo cidadão. Enganaram seus patrícios.

No caso dos evangélicos envolvidos nisso, a falta é ainda mais grave. Além de já terem cometido a falta comum aos demais, o discurso deles, que levou muitos a lhes confiar o voto, é mais repugnante.

Primeiro, mesmo não sendo explícita, a proposta deles, ao levantarem a bandeira de evangélicos, é a de limpar, moralizar, as vezes até mesmo “santificar” o que chamam de “a política”.

Em segundo lugar, muitas vezes o Nome de Deus é vilipendiado mesmo antes da eleição ao apresentarem-se como os “escolhidos de Deus”.

Até algum tempo atrás só o primeiro grupo fazia parte do folclore político. Porém, para vergonha nossa cumpre-se no segundo grupo a palavra do Apóstolo: O nome de Deus é blasfemado por causa deles. Viraram motivo de piada (modo como o brasileiro sublima sua indignação). Agora já fazem parte do folclore político brasileiro: o “evangélico” que diz merecer o voto por ter escutado a ordem de Deus para sanear a política, mas, que na verdade, ouvem a voz do próprio bolso para ajuntar malas de dinheiro ou para superfaturar ambulâncias.

Piores do que os falsificadores de remédios, do que os adulteradores de sangue. Esses só conseguem roubar ou os bens materiais e matar o corpo. Porém essa súcia de malfeitores roubam e matam a boa fé de crentes simples e facilmente manipuláveis: dóceis quais ovelhas de um rebanho.

Além de sanguessugas, cabe muito bem neles o título de lobos.

4 comentários:

Laerte Soares Lima disse...

Achei muito interessante o vosso artigoá respeito de "Sanguessugas e lobos". Creio que Deus irá cobrar de cada um o que lhe é devido, e isto é certo, pois Deus é Justiça e Nele não há lugar para falsidade, pois Ele é a Verdade. Entretanto não creio que o senhor tenha autoridade moral para tecer juizos sobre quem quer que seja inclusive os individuos acima.

folton nogueira disse...

Laerte;

Agradeço seu comentário, entretanto a acusação que você me faz é grave. Ao acusador cabe o ônus da prova. Portanto esclareça seus motivos ou retrate-se.

Sentido com a "mordida" da ovelha que cuidei com desvelo, sou, Fôlton

Oliveira disse...

Caro Reverendo

Sei que não deveria pensar assim, mas sobre crente participar de política partidária, o meu pensamento hoje é de que não é realmente possível nem recomendável.

Seria como ser garçon na zona...
É impossível servir as bebidas sem olhar para as prostitutas...

O ambiente é totalmente contaminador, e a meu ver é praticamente impossível não se corromper.

Mas respeito quem pensa diferente.

Eu pessoalmente quando vejo um crente se dispondo a tal participação, só tenho a lamentar, dia mais dia, estará envolvido em escândalo e trazendo vergonha ao Evangelho. Neste campo não tenho a mínima ilusão.

Um abraço

folton nogueira disse...

Oliveira;
Acho que estou com você. Não acredito que saúde seja contagiosa. Doença sim. Dificilmente um são ficará no meio de doentes sem ser contagiado.

Mantenho a esperança (e trabalho par que ela se concretize) de um dia ver isto mudado.

ab
Fôlton