segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Sobre Paternidade

Hoje comemoramos o Dia dos Pais.

Geralmente dizemos que este dia serve para homenagear os pais que ainda estão conosco e aqueles de quem temos lembranças. Porém, algumas vezes exortamos mais do que os homenageamos. Mas, entre a homenagem e a exortação há muito o que pensar sobre o assunto a que este dia nos remete.

O que significa ser pai?

Nem todos os que geraram filhos merecem esse título, e, muitos que não são pais biológicos, servem de modelo paterno.

Tenho mostrado, em estudos bíblicos, sermões e sempre que posso, como a paternidade é uma figura rica de significados e verdadeira chave para se entender certas doutrinas que, pela ignorância, muitos difamam.

O que, portanto, da paternidade humana, nos remete a um melhor entendimento de quem é Deus? Em outras palavras: por que razão Deus serviu-se do que conhecemos como paternidade para falar de si mesmo?

Em primeiro lugar, sem dúvida, a procedência. Ou seja: a criatura procede do criador como o filho procede do pai. Aliás, era nesse sentido – criador – e apenas nesse sentido, que os judeus, nos dias de Jesus, criam que Deus era Pai. Deve ter sido uma grande surpresa a todos, Jesus ensinando-os a orar a Deus com a mesma palavra que uma criança dirige-se a seu pai: abba.

Desde nossas primeiras aulas da classe de catecúmenos aprendemos que Deus é nosso pai, mas não do mesmo modo que ele é Pai de Cristo, o Verbo Eterno. Cristo é eternamente gerado por Deus, a humanidade foi criada por Deus e os eleitos receberam o poder de serem chamados filhos de Deus por adoção. Só aqui temos três formas distintas de paternidade.

Não há muita dificuldade em entender como somos filhos por adoção, pois afinal estávamos longe de Deus e ele nos buscou. Também, não há muita dificuldade em entender como a criatura, nascida após seu primeiro pai haver rebelado-se contra Deus, está hoje longe dele e sem qualquer interesse de buscá-lo. Porém, é extremamente complicado entender como Cristo é eternamente gerado pelo Pai.

Há diversas formas de explicar, porém eu ainda prefiro, pela simplicidade, pensar que Cristo procede do Pai como a palavra procede de quem fala. Afinal, ele não é chamado de o Verbo de Deus? As Escrituras não dizem que sem ele nada do que foi feito se fez, e a primeira coisa não foi feita pela palavra?

De fato: nosso Senhor é a Palavra de Deus. Palavra que não volta para ele vazia, mas faz tudo o que lhe apraz. Entretanto só entendemos melhor esta Palavra - em tudo diferente da nossa, mas origem e eficácia de qualquer comunicação - se mantivermos firmes a idéia de que Deus e sua Palavra relacionam-se de tal modo que apenas o que sabemos da paternidade pode nos dar um vislumbre desse maravilhoso mistério.

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! (Romanos 11.33)

Responsabilidade inaudita! Nós, “que somos maus”, servirmos de exemplo para a atuação do Pai Celeste junto aos seus filhos. Nós, pecadores, sermos exemplos através dos quais se possa ver um pouco dos mistérios de Deus.

Nos alegremos por tão grande privilégio que o Pai Celeste nos confere. Porém, temamos ante tão grande missão.

Feliz dia dos pais!

Um comentário:

Oliveira disse...

Tenho tantas coisas a perguntar ao Senhor no céu, quando vê-lo.

Uma delas é entender melhor sobre o que é eternidade...?

Como Ele poder não ter início nem fim...?

Como Ele pode ser um em Deus e ao mesmo tempo ser filho e Deus ser pai?

PS: Só agora percebi o relógio que o senhor colocou no final do blog. Muito interessante. Estes dias estava refletindo sobre vida e morte e precisava destes números. Realmente impressionante.