sábado, 6 de janeiro de 2007

"Do Egito chamei meu Filho"

Há algumas coisas no Evangelho escrito por Mateus, que me impressionam. Por exemplo, os textos paralelos. O primeiro assunto que ele aborda é a genealogia de Jesus e o último é sua “grande comissão”. No primeiro está latente a idéia “desde o início até hoje” e no segundo “de hoje até a consumação dos séculos”.

Mas não para aí. O segundo assunto é o nascimento de Jesus. Mas, diferentemente de que Lucas fez, Mateus não descreve os acontecimentos. Ele apenas diz: Jesus nasceu. E o penúltimo assunto, como um reflexo em um espelho, também não detalha, mas garante: ele ressuscitou.

Mateus é o único evangelista a falar dos magos, que trouxeram presentes para testemunhar o nascimento de Jesus. Mateus é também o único evangelista a falar dos guardas que recebem suborno para não testemunharem que ele ressuscitou.

Aos perigos que levaram Jesus a morte Mateus contrapõe aos perigos que o levaram ao exílio no Egito. E aqui aborda-se indiretamente um assunto tão rico como resumido: “e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho” Mt 2.15.

Milhares de anos antes, por diversas causas, mas especialmente por sonhos, José, filho de Jacó, para não ser morto por seus próprios irmãos, foi vendido como escravo às caravanas que iam para o Egito. Agora, outro José, o pai de Jesus, para seu filho não ser morto por Herodes, advertido em sonhos, leva-o para o Egito.

O primeiro José vai para lá ainda jovem e morre lá depois de tornar-se o braço direito do Faraó. O segundo José volta logo que Herodes morreu. Se levou o menino com quase 2 anos o trouxe de volta aos 5 ou 6 anos.

Do primeiro José sabemos muitas coisas. Inclusive que os descendentes de seu Pai de 70 transformaram-se em, no mínimo, 1.500.000 pessoas. Peregrinaram 40 anos no deserto guiados por Moisés e tomaram posse da terra que Deus havia prometido a Abraão: o ancestral maior.

De José, pai de Jesus, nada sabemos do que aconteceu lá. Apenas que voltou sigilosamente e não pode morar em sua própria terra pois era governada por um filho de Herodes.

Toda nação de Israel, seu sofrimento no Egito, sua peregrinação no deserto, foi interpretado por Mateus como um tipo do que aconteceria ao Redentor: do Egito chamei meu filho.

A própria essência do que é a verdadeira profecia é revelada aqui. Deus não deixou que o profeta visse antecipadamente o que fatalmente aconteceria ou ele faria quando chegasse o tempo certo, mas disse antecipadamente ao profeta como é que ele construiria o futuro.

Impérios são formados e extintos, povos crescem, dominam, diminuem e desaparecem, milhões nascem e milhões morrem, nações como gotas que caem de um balde de água, ilhas são tidas como pó, a humanidade como a erva que de manhã viceja e floresce e de tarde murcha e seca. Ou seja: Passa-se o céu, passa-se a terra, mas a Palavra do Senhor permanece eternamente.

Sua Palavra encarnou-se. Tomou nossa natureza. Sendo assim o próprio mundo passa, bem como sua concupiscência, mas o que faz a vontade do Senhor permanece para sempre.

Permanece para sempre porque sua Palavra assim o diz. Aleluia!

5 comentários:

Ricardo Inácio Dondoni disse...

Folton, gostaria de saber se por acaso poderia voltar a publicar o Feed Completo, pois arquivos todos no meu computador. Receio que algo tenha acontecido e o Feed voltou a ser impresso somente a tira...

Sem mais para o momento, e já agradecendo a atenção, seu leitor, Ricardo...

Um abraço... e a propósito, excelente trabalho...

Oliveira disse...

Caro Reverendo Folton

Gosto muito do paralelo que se faz entre José e Jesus.

Mas sobre este texto especificamente de ter chamado o seu Filho do Egito, quando o leio em Oséias... ... me parece tão fora de contexto.

A impressão que tenho é que Mateus está fazendo uma interpretação forçada, ou está citando um texto equivocado...

Claro que creio que não é o caso, pois a Palavra é inerrante.

Mas como se explica isto?
Existe alguma explicação?
Em Oséias fora esta parte isolada, o restante do texto está falando de outra coisa e não de Jesus.

Um abraço

folton nogueira disse...

Oliveira;

Um bom princío exegético é: Quando um escritor do Novo Testamento aplica um texto do Velho Testamento, seu real significado aparece, pois é o próprio Espírito Santo que está produzindo REVELAÇÃO sobre aquilo que já havia sido revelado.

Acho que especificamente sobre Oséias essa impressão nos vem do fato de que o livro de Oséias retrata sua própria vida (que nenhum de nós gostaria de imitar) de forma impar.

Esse é um dos mistérios que espero resolver quando estiver com ele.

ab
Fôlton

Oliveira disse...

Caro Reverendo

Dei boas risadas ao ler sua resposta...

Então não sou só eu que tenho várias questões para resolver quando me encontrar com o Senhor...

Parabéns pela sua humildade.
Me motiva a continuar estudando e crendo mesmo quando às vezes "... não há motivos para crer...".

Um grande abraço

davifeo disse...

Caro Foton, moro no leste da Africa e gostei do teu comentario.
Creio que essa profecia tenha dois aspectos.
1- Do egito chamei o meu filho relacionado com o proprio Senhor para cumprir a obra de redencao.
2- Do Egito chamei o meu Filho, relacionado com o filho Varao que ha de reger as nacoes (os vencedores)que esta sendo preparados em meia a tanta degradacao na Igreja.

Aos vencedores... diz Joao ao apresentar a degradacao da Igreja.

Posso te dizer que AFRICA (egito) eh um lugar muito especial.

Abracos