domingo, 1 de abril de 2007

As invasões de Jerusalém

Há 100 anos antes a Assíria tinha levado cativas as 11 tribos de Israel que formavam o Reino do Norte. Agora os Babilônios, que dominaram a Assíria, sitiavam Jerusalém. O cerco era total e já durava 1 ano e meio. Não fosse um aqueduto escavado na rocha já tinham capitulado.

A persistência venceu: fizeram uma brecha no muro e invadiram Jerusalém. Jeremias narrou que 7 príncipes da Babilônia entraram e sentaram-se à porta do meio.

Os homens de guerra e o Rei Zedequias fugiram à noite, mas foram alcançados. O Rei viu seus nobres serem mortos, em seguida seus filhos, e, para ficar como última imagem, furaram seus olhos e foi levado em algemas para a Babilônia.


Essa não foi a única vez que Jerusalém foi invadida. Mas, apresenta-nos um contraste notável com o que comemoramos hoje.

Diferentemente do cerco militar dos Babilônios, Jesus cercou Jerusalém de bondade. Curou, ensinou e pregou em todos os seus arredores e dentro dela. Testemunhou-lhes a vontade do Pai.

Revelou-lhes a verdadeira dimensão da lei. Criticou suas autoridades e limpou, por duas vezes, o templo em que havia de ser condenado, como condenados eram os cordeiros do sacrifício e concitou-lhes ao arrependimento.

Diferentemente dos Babilônios, não cobiçou suas riquezas, mas os encheu de oportunidades. Na verdade tornou a todos mais ricos e mais responsáveis por tesouros que sequer se deram conta de estar recebendo e muito menos entendiam a preciosidade deles: Ensinos profundos através de parábolas simples, discursos didáticos ou virulentos e milagres tão surpreendentes que um dos evangelistas registrou “hoje vimos paradoxos”.

Mas não entrou em Jerusalém pela força, muito menos em montaria de guerra. Não botou suas autoridades para fugir. Não matou seus nobres, nem cegou seu rei.

Que força poderia deter aquele que vem cumprir profecias que lhe diziam respeito? O que se pode esperar de alguém que elege um jumentinho para cavalgar até o lugar onde terríveis cavalos de guerra pisaram? Quem fugiria daquele cuja presença abalou e abalaria mais uma vez o céu e a terra? Quem seria tido por nobre diante daquele que, por possuir tudo, podia abrir mão do que quisesse desde o berço até a sepultura? Quem via nitidamente estas coisas? Já estavam cegos.

Cegos também estavam os que imaginavam que aquele homem montado em um jumentinho iria levá-los à vitória contra os invasores romanos.

A cegueira deles, entretanto foi alterada. Na sexta-feira, os que gritaram Hosana gritaram crucifica-o. Viram o próprio engano. Porém mais enganados ficaram. Mais cegos se tornaram. Sequer guardaram a imagem dos filhos sendo mortos. Gritaram: “caia seu sangue sobre nós e sobre nossos filhos”. Caiu.

Hoje, distanciados pelo tempo, vemos com clareza, mas não nos enganemos. A cegueira continua por perto.

Jesus não é nosso “chapa” e sim nosso Senhor. Chega a nós manso, mas exige nada menos que nosso coração. E aos seus pés há de se dobrar tudo o que existe.

É melhor fazermos isso hoje, para não sermos obrigados a fazer mais tarde.

Hoje, ouvindo sua voz, não endureçamos nosso coração.

Um comentário:

Oliveira disse...

Reverendo

Aos poucos estou lendo seus textos antigos.

Gosto do que o senhor escreve.
Me alimenta.

O texto em questão, quando lia, imaginei que também deveria ser rídulo um homem adulto como Jesus, montando um jumentinho.

Estes dias vi num filme um homem montando um burro e é ridículo, pois o burro é pequeno e o homem grande e assim as pernas vão quase que arrastando pelo chão... uma cena deplorável. É como um adulto andando numa bicicleta de criança...

Definitivamente não era a cena de um rei como eles esperavam.

Um abraço