quinta-feira, 21 de junho de 2007

Quando o galo canta

Dia desses alguém me lembrou da importância que o cantar do galo deveria ter para os cristãos. Eu nunca havia pensado nisso. No máximo trazia recordações da infância em que, como dizia o poeta, havia “galos, noites e quintais”.

Mas, pense bem: quantas recordações eram despertadas em Pedro sempre que ouvia um galo cantar? Pessoalmente, não creio que ele tenha se esquecido da noite em que um galo o lembrou de que estava negando o Senhor. Eu não me esqueceria. Aliás, depois que ouvi essa alusão, jamais me esquecerei da experiência de Pedro.

O canto de um galo sempre me recordará o quanto podemos ser arrogantes e presunçosos. Não foi disso que ele se lembrou?

O Senhor jamais escondeu de seus apóstolos que estava destinado a morte. Muitos viram João Batista identificá-lo como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ora, qualquer judeu sabia que isso era feito mediante a morte do cordeiro.

Além de não esconder, o Senhor, à medida que o dia se aproximava, e seus apóstolos, presumivelmente, adquiriam uma compreensão mais profunda do que estava acontecendo, repetia mais vezes o que seria morto. Entretanto em uma dessas vezes Pedro, invertendo os papéis, declarou impensadamente que estava pronto a morrer por ele.

Devia ser repreendido, e foi. Além de que repreendido viu-se, depois, qual o profeta insensato da antiguidade, ser ensinado por um animal. É ele quem deplora essa humilhante experiência (2Pe 2.15).

Mais do que uma bravata, ele ainda não compreendera qual era a verdadeira missão do Senhor.

- Jamais cantará o galo antes que me negues três vezes (Jo 13.38). Negou as três vezes e Lucas nos informa que quando ele o fazia pela terceira vez o Senhor Jesus fixou seus olhos nele.

Posso imaginar a amargura com que Pedro chorou naqueles dias. E creio que, a partir de então, sempre que ouviu um galo cantar deve ter se lembrado do olhar perscrutador do Senhor que, mesmo sofrendo, lembrava-se dele.

Hoje eu penso no quanto de nós está retratado em Pedro. Em um momento somos capazes de dizer ao Senhor que estamos dispostos a morrer por ele e no momento seguinte escutamos o galo dizendo o quanto somos fracos.

Não creio que houvesse algo importante em ser um galo. Era apenas um modo de Jesus dizer que antes de amanhecer Pedro haveria de negá-lo. O galo era uma espécie de relógio.

Porém, como ele marcou as horas para Pedro, para mim será sempre uma lembrança de que nos momentos de maior coragem posso estar negando o Senhor. Jamais esquecerei essa lição.

Um comentário:

Oliveira disse...

Caro escritor

O olhar de Jesus foi fulminante, não foi?
Tem uma música que lembrei lendo seu texto, que diz, mais ou menos assim "... Senhor, um só olhar teu já me salva...".

Interessante notar também que o galo coitado, foi soberanamente controlado por Deus no momento exato de cantar, lembra então que um Deus que controla até o cantar de galos insignificantes, pode muito bem resolver as nossas tristesas e problemas.

Um abraço