segunda-feira, 10 de março de 2008

No tempo de Deus

Ontem à noite tentei ver a lua, mas apesar do céu limpo, todo estrelado, não consegui. Por esses dias ela deve apresentar-se em quarto crescente.

À época de Jesus esse era o sinal para que o maior turno de sacerdotes começasse os preparativos para subir à Jerusalém.

Deixavam seus afazeres com parentes ou vizinhos e se preparavam para passar um mês morando nas dependências do templo, comendo apenas do que era consagrado - carne, produtos de trigo e vinho - e para uma rotina altamente elaborada e repetitiva.

Este turno era o mais ‘sanguinário’, pois além de ter de fazer tudo o que os demais turnos faziam (as ofertas contínuas, que consistiam no sacrifício de 2 cordeiros por dia, 4 aos sábados, e 2 touros, 7 cordeiros e 1 cabra às luas novas e todos numerosos sacrifícios que qualquer israelita trouxesse ao altar), lhes cabia imolar os muitos cordeiros pascais: milhares!

Entretanto não sabiam que no turno deles o verdadeiro Cordeiro Pascal seria imolado. Não no templo nem diretamente por eles, mas como realização do antítipo com que se afadigariam durante aquele mês.

Nas dependências do templo, enquanto eles examinavam os sinais de pureza, que qualificavam um cordeiro para o sacrifício, verificando atentamente seu corpo, os representantes de todo Israel, reunido o Sinédrio, presidido pelo príncipe dos sacerdotes, valendo-se de tortura, e testemunhas falsas, examinava os “sinais de culpa”, que qualificariam o verdadeiro cordeiro para a morte.

Fora do templo, em ironia ímpar, entregaram a verdadeira vítima a “gentios”, e longe do altar consagrado, a cruz consagrou os que “não eram povo” e a terra que não era santa.

Cumpriu-se então: “os reinos desse mundo tornaram-se do Senhor e do seu Cristo”.

Logo o crescente será substituído pela lua nova (a que hoje chamamos de cheia). Quando ela estiver brilhante lembre-se de que nesta noite, há muitos anos atrás o Senhor foi traído.

Traído não apenas por Judas, nem apenas pelos demais apóstolos que fugiram, mas por toda uma nação tirada “de um amortecido”, e mantida com a “mão forte e o braço estendido” do mesmo que substituiu o filho de Abrão pelo seu.

Nação que ano após ano, século após século, sacrificando tantas vítimas, estava suficientemente avisada sobre o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

Lembre-se também que sob a luz daquela lua, de certa forma o traímos também. Afinal os meus pecados, os seus e de todos aqueles a quem Deus chamou foram imputados a seu Filho e por ele fomos reconciliados com o Pai.

Essa é a boa nova!

2 comentários:

Anônimo disse...

Pastor

Muito interessante o texto da semana.

O Cordeiro de Deus foi imolado por nós e muitas, e muitas vezes, não conseguimos compreender a complexidade deste simples ato que nos trouxe a vida.

Em breve estarei chegando.

Um abraço.

Roberto e familia.

folton nogueira disse...

Estamos esperando vocês com saudades Roberto. Dê lembranças às tuas garotas.
ab
Fôlton