Voltamos do acampamento de carnaval com ânimo novo. Lá nos divertimos e descansamos, mas também pensamos sobre a Palavra de Deus e sobre nossas responsabilidades.
Seria difícil dizer o que falou mais ao meu coração, porém, de tão oportuna, vale a pena registrar, para os irmãos que não puderam ir, uma das palestras feita pelo Rev. Carlos del Pino, baseada no texto da grande comissão conforme foi registrado por Mateus.
Ele chamou nossa atenção para a posição em que o relato do suborno da guarda do túmulo de Jesus está colocado.
Abra sua Bíblia e veja: é o último capítulo. Nos 10 primeiros versículos Mateus conta como se deu a ressurreição de Jesus. Na última porção do capítulo Mateus narra o encontro de Jesus com os 11, e o que conhecemos como a “Grande Comissão”.
Porém, entre a ressurreição do Senhor e sua Comissão, os guardas, sem que ninguém os mande, vão avisar as autoridades judaicas que ele ressuscitara.
Esses dois anúncios da ressurreição do Senhor podem ser contrastados sob diversas formas:
1. O Anúncio da ressurreição do Senhor pelos guardas corresponde em um primeiro aspecto ao mesmo anúncio feito pelas mulheres, mas em um segundo aspecto corresponde também à mensagem central da Igreja de então: “...davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus”.
2. Ninguém ordenou que os guardas anunciassem a ressurreição do Senhor. A Igreja, porém, recebeu tal ordem, e depois da diligência inicial, foi preciso sofrer perseguição para sair mundo afora.
3. Era de se esperar que os guardas fossem anunciar a seus oficiais superiores, não às principais autoridades religiosas judaicas. Mas, isso seria uma confissão de dever não cumprido - cuja penalidade era a morte - e avisando aos mais interessados na derrota do Mestre, eles além de fazerem uma ameaça velada de tornar pública sua vitória sobre a morte, vislumbravam alguma recompensa para ficarem calados.
Duas formas de se anunciar a mesma verdade. Uma em obediência ao Senhor. Outra por “sórdida ganância”. Uma sofrendo pela verdade. Outra, esperando, firmemente a menor desculpa, para contar uma mentira.
Francamente, tenho visto com grande regularidade a “grande comissão do guardas”, mas peço a Deus, de todo coração que ele não nos deixe quietos. Pelo contrário, apesar de tantos falsos divulgadores do Evangelho, não deixemos de cumprir a verdadeira Grande Comissão do Senhor.
domingo, 25 de fevereiro de 2007
domingo, 18 de fevereiro de 2007
Inversão de valores
A morte do garoto João Hélio trouxe a tona medo, revolta, idéias sobre penalidades mais severas, mas não uma discussão sobre o papel do Estado como “Agente Vingador de Deus”.
Hoje o Estado é o que “O Legislador” determinou. Entretanto, “O Legislador” representa quem o elegeu e carrega em si seus valores ao ponto de vermos nas casas legislativas, em escala menor, tanto as mazelas como as qualidades de seus eleitores.
Temos de considerar também que “O legislador” não é um só, e sim a mistura de um número enorme de interesses, desde os mais nobres aos mais escusos, desde os mais sensatos aos mais casuísticos.
Portanto, o que ele produz reflete tanto o que ele é quanto o que seus eleitores são. E na luta para agradar “gregos e goianos”, nada mais normal do que buscar uma legislação mais neutra possível, mais isenta de valores religiosos que se consiga, pois nem todos os eleitores são religiosos e, além do mais, é melhor não ferir religião qualquer.
O problema é que todos os nossos conceitos, mesmo os que pareçam menos religiosos, são frutos de uma sociedade formada dentro de valores religiosos cristãos. E, um dos valores do cristianismo, por exemplo, é a “não vingança”.
Hoje dizemos que esta é uma das marcas de uma sociedade avançada, onde reina a justiça. Porém, é um valor cristão.
Mas infelizmente paramos aí - não vos vingueis - enquanto a instrução total é: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19).
Ou seja: Deus reivindica para si a administração da vingança. Mas, paradoxalmente, a delega ao Estado: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal”. (Rm 13.1-4).
Esse texto foi escrito quando Nero estava no poder, que conquistou através dos meios mais escusos que se possa imaginar. Porém ele “vinha de Deus”, “foi ordenado por Deus”, “era ministro de Deus” e não trazia a espada por enfeite.
Esta instrução do Novo Testamento é rejeitada porque Nero matou muitos cristãos, que fizeram o bem e não “tiveram louvor dele”. Mas isso não anula o princípio. Como governante mau ele prestou contas a Deus e seus próprios erros serão vingados por Deus em atendimento as orações dos mártires que clamam por vingança, mesmo acolhidos debaixo do trono divino (Veja Ap 6.10).
A aplicação da justiça, pura e simples – para um olho, um olho; para um dente, um dente; e para uma vida, uma vida – não é sinal de barbárie, mas de obediência a Deus. O Estado não pode eximir-se deste papel, pois é sua obrigação.
Hoje, como cidadãos modernos, não falamos mais em vingança, mesmo que Deus tenha estabelecido um vingador. E, refletindo nossa vontade “O legislador” isentou o Estado dessa obrigação: a quem Deus determinou a missão de vingador transformamos em educador.
Resultado: 1) o crime fica impune, 3) a ressocialização não ocorre, e 3) a família, que recebeu a missão de educar, as vezes, age como vingador.
Tenho consciência de que esse assunto é muito mais complexo. Porém, do mesmo modo que Deus proíbe que nos vinguemos, e nos obriga a preparar nossos filhos para viver em sociedade, proíbe ao Estado deixar impune o criminoso.
Essa morte tão bárbara nos alerta a educar melhor nossos filhos e ao Estado a não abrir mão de sua obrigação.
Hoje o Estado é o que “O Legislador” determinou. Entretanto, “O Legislador” representa quem o elegeu e carrega em si seus valores ao ponto de vermos nas casas legislativas, em escala menor, tanto as mazelas como as qualidades de seus eleitores.
Temos de considerar também que “O legislador” não é um só, e sim a mistura de um número enorme de interesses, desde os mais nobres aos mais escusos, desde os mais sensatos aos mais casuísticos.
Portanto, o que ele produz reflete tanto o que ele é quanto o que seus eleitores são. E na luta para agradar “gregos e goianos”, nada mais normal do que buscar uma legislação mais neutra possível, mais isenta de valores religiosos que se consiga, pois nem todos os eleitores são religiosos e, além do mais, é melhor não ferir religião qualquer.
O problema é que todos os nossos conceitos, mesmo os que pareçam menos religiosos, são frutos de uma sociedade formada dentro de valores religiosos cristãos. E, um dos valores do cristianismo, por exemplo, é a “não vingança”.
Hoje dizemos que esta é uma das marcas de uma sociedade avançada, onde reina a justiça. Porém, é um valor cristão.
Mas infelizmente paramos aí - não vos vingueis - enquanto a instrução total é: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.19).
Ou seja: Deus reivindica para si a administração da vingança. Mas, paradoxalmente, a delega ao Estado: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal”. (Rm 13.1-4).
Esse texto foi escrito quando Nero estava no poder, que conquistou através dos meios mais escusos que se possa imaginar. Porém ele “vinha de Deus”, “foi ordenado por Deus”, “era ministro de Deus” e não trazia a espada por enfeite.
Esta instrução do Novo Testamento é rejeitada porque Nero matou muitos cristãos, que fizeram o bem e não “tiveram louvor dele”. Mas isso não anula o princípio. Como governante mau ele prestou contas a Deus e seus próprios erros serão vingados por Deus em atendimento as orações dos mártires que clamam por vingança, mesmo acolhidos debaixo do trono divino (Veja Ap 6.10).
A aplicação da justiça, pura e simples – para um olho, um olho; para um dente, um dente; e para uma vida, uma vida – não é sinal de barbárie, mas de obediência a Deus. O Estado não pode eximir-se deste papel, pois é sua obrigação.
Hoje, como cidadãos modernos, não falamos mais em vingança, mesmo que Deus tenha estabelecido um vingador. E, refletindo nossa vontade “O legislador” isentou o Estado dessa obrigação: a quem Deus determinou a missão de vingador transformamos em educador.
Resultado: 1) o crime fica impune, 3) a ressocialização não ocorre, e 3) a família, que recebeu a missão de educar, as vezes, age como vingador.
Tenho consciência de que esse assunto é muito mais complexo. Porém, do mesmo modo que Deus proíbe que nos vinguemos, e nos obriga a preparar nossos filhos para viver em sociedade, proíbe ao Estado deixar impune o criminoso.
Essa morte tão bárbara nos alerta a educar melhor nossos filhos e ao Estado a não abrir mão de sua obrigação.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
A que compararei o Reino de Deus?
No segundo ano de seu ministério o Senhor, ensinando através de parábolas, pergunta: “A que compararei o Reino dos Céus? A que é semelhante?”
Não é uma pergunta retórica – daquelas que se faz quando se quer ouvir uma determinada resposta – e sim a dificuldade de expor realidades espirituais para quem nasceu e continua em pecado, em rebelião contra Deus.
Como haveriam de entender se os olhos estavam cegos, os ouvidos surdos e o coração endurecido? Era preciso recobrar-lhes a vista, restaurar-lhes a audição e falar-lhes ao coração. E a voz que disse “haja luz” e houve luz, passa a apresentar o que ele mesmo chamou de “mistérios do Reino”: seu Espírito Santo levará a mensagem dos ouvidos ao coração de cada ovelha de seu Rebanho: aquelas que ouvem sua voz e o seguem.
Um dos mistérios do Reino é ter aparência fraca como a semente ou como o fermento. A semente de mostarda. A menor de todas. Porém, forte bastante para brotar sozinha, sem que o semeador saiba como. Forte também para se tornar a maior de todas as hortaliças e suportar aves em seus galhos. Explicando, ele diz que a semente é a Palavra de Deus.
O fermento sempre em pitadas, no entanto leveda a tudo com que entra em contato.
Outro mistério é ser altamente desejável para os que o conhecem. Como um tesouro escondido no campo, ou como uma pérola de grande preço.
Outro mistério ainda é ser como uma rede de pesca, que a tudo pega, porém, assim como a semente, jogada nos quatro tipos de campo, só vingou em dois e só frutificou em um, assim também apenas alguns peixes são selecionados.
Aproximando-se da morte e sendo cada vez mais questionado, as parábolas, através das quais o Senhor falava do Reino dos Céus, ganham cores mais fortes. Passam a falar de perdão e recompensas no Reino.
Em uma o Reino dos Céus é comparado a um rei que resolveu ajustar as contas com seus servos. Como não podiam pagar perdoou-lhes as dívidas. Mas em seguida toma vingança do que lhe devia mais e que se recusava a perdoar uma pequena dívida de um conservo.
Noutra, compara o Reino dos Céus a um “dono de casa” que sai de madrugada, na metade da manhã, ao meio dia, na metade da tarde e ao entardecer, e contrata trabalhadores para sua vinha. Aos contratados de madrugada prometeu um denário, aos demais prometeu o que for justo. Entretanto, para o desapontamento dos primeiros que esperavam mais, ele pagou a todos igualmente.
E, por fim, as cores fortes assumem ares dramáticos quando ele passa a falar de castigo. Compara o Reino dos Céus a um rei que celebrou as bodas de seu filho, que, indignado com o pouco caso que os convidados fizeram de seu convite e do tratamento dado a seus servos que levaram o convite, enviou suas tropas, exterminou a todos e queimou-lhes a cidade.
Mas o desfecho, a última parábola, registrada por Mateus, sobre esse assunto, compara o Reino dos Céus a dez virgens, que saem para encontrarem-se com o noivo. Cinco delas, prudentemente, levam suprimento de reserva para suas lâmpadas e à meia-noite encontram-se com o noivo, enquanto as outras cinco, néscias, procuravam azeite para suas lâmpadas que se apagavam.
De tão rico o Reino dos Céus, só pode ser descrito, em seus muitos aspectos àqueles que esperam por ele. Que anseiam por ele. E mesmo para esses, o Reino é mostrado por figuras. Figuras que vão de sua formação, como a semeadura, até sua consumação: o castigo dos que desdenharam dele e o encontro dos súditos prudentes com o rei.
Semelhante a muitas coisas que conhecemos, mas diferente de outras tantas. Principalmente daquilo que gostaríamos que ele fosse. Pois, afinal, o Reino dos Céus não é uma democracia, onde os governantes são tão bons quanto seus governados e refletem suas peculiaridades e mazelas.
O Reino dos Céus, que já está presente no coração de seus súditos, ainda não se manifestou visivelmente a todos. Questão de tempo. Logo ele se manifestará.
Nos preparemos para recebê-lo.
Não é uma pergunta retórica – daquelas que se faz quando se quer ouvir uma determinada resposta – e sim a dificuldade de expor realidades espirituais para quem nasceu e continua em pecado, em rebelião contra Deus.
Como haveriam de entender se os olhos estavam cegos, os ouvidos surdos e o coração endurecido? Era preciso recobrar-lhes a vista, restaurar-lhes a audição e falar-lhes ao coração. E a voz que disse “haja luz” e houve luz, passa a apresentar o que ele mesmo chamou de “mistérios do Reino”: seu Espírito Santo levará a mensagem dos ouvidos ao coração de cada ovelha de seu Rebanho: aquelas que ouvem sua voz e o seguem.
Um dos mistérios do Reino é ter aparência fraca como a semente ou como o fermento. A semente de mostarda. A menor de todas. Porém, forte bastante para brotar sozinha, sem que o semeador saiba como. Forte também para se tornar a maior de todas as hortaliças e suportar aves em seus galhos. Explicando, ele diz que a semente é a Palavra de Deus.
O fermento sempre em pitadas, no entanto leveda a tudo com que entra em contato.
Outro mistério é ser altamente desejável para os que o conhecem. Como um tesouro escondido no campo, ou como uma pérola de grande preço.
Outro mistério ainda é ser como uma rede de pesca, que a tudo pega, porém, assim como a semente, jogada nos quatro tipos de campo, só vingou em dois e só frutificou em um, assim também apenas alguns peixes são selecionados.
Aproximando-se da morte e sendo cada vez mais questionado, as parábolas, através das quais o Senhor falava do Reino dos Céus, ganham cores mais fortes. Passam a falar de perdão e recompensas no Reino.
Em uma o Reino dos Céus é comparado a um rei que resolveu ajustar as contas com seus servos. Como não podiam pagar perdoou-lhes as dívidas. Mas em seguida toma vingança do que lhe devia mais e que se recusava a perdoar uma pequena dívida de um conservo.
Noutra, compara o Reino dos Céus a um “dono de casa” que sai de madrugada, na metade da manhã, ao meio dia, na metade da tarde e ao entardecer, e contrata trabalhadores para sua vinha. Aos contratados de madrugada prometeu um denário, aos demais prometeu o que for justo. Entretanto, para o desapontamento dos primeiros que esperavam mais, ele pagou a todos igualmente.
E, por fim, as cores fortes assumem ares dramáticos quando ele passa a falar de castigo. Compara o Reino dos Céus a um rei que celebrou as bodas de seu filho, que, indignado com o pouco caso que os convidados fizeram de seu convite e do tratamento dado a seus servos que levaram o convite, enviou suas tropas, exterminou a todos e queimou-lhes a cidade.
Mas o desfecho, a última parábola, registrada por Mateus, sobre esse assunto, compara o Reino dos Céus a dez virgens, que saem para encontrarem-se com o noivo. Cinco delas, prudentemente, levam suprimento de reserva para suas lâmpadas e à meia-noite encontram-se com o noivo, enquanto as outras cinco, néscias, procuravam azeite para suas lâmpadas que se apagavam.
De tão rico o Reino dos Céus, só pode ser descrito, em seus muitos aspectos àqueles que esperam por ele. Que anseiam por ele. E mesmo para esses, o Reino é mostrado por figuras. Figuras que vão de sua formação, como a semeadura, até sua consumação: o castigo dos que desdenharam dele e o encontro dos súditos prudentes com o rei.
Semelhante a muitas coisas que conhecemos, mas diferente de outras tantas. Principalmente daquilo que gostaríamos que ele fosse. Pois, afinal, o Reino dos Céus não é uma democracia, onde os governantes são tão bons quanto seus governados e refletem suas peculiaridades e mazelas.
O Reino dos Céus, que já está presente no coração de seus súditos, ainda não se manifestou visivelmente a todos. Questão de tempo. Logo ele se manifestará.
Nos preparemos para recebê-lo.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Obras de justiça
No boletim de domingo passado, comparando os dois sermões de nosso Senhor, precisei usar a expressão, “obras de justiça” para esclarecer as palavras do Senhor a respeito de oração, jejum e esmolas.
Os judeus conheciam justiça como conhecemos hoje. Ou seja: agir de modo igual quando diante de opções iguais e agir de modo diferente quando diante de opções diferentes. Conheciam também os diversos “níveis” em que isso ocorria.
O nível formal, equivalente ao que hoje chamaríamos de justiça comum, se dava mediante reunião dos mais velhos à porta da cidade: o local mais público, onde todos eram obrigados a passar.
Você se lembra do marido da mulher virtuosa do Livro dos Provérbios? Ele se assentava com os anciãos à porta. Isso quer dizer que ele era um dos juizes da comunidade em que vivia.
Julgavam as questões triviais e as flagrantes. Quando o caso era mais difícil enviava-se ao Sinédrio – órgão originado naqueles 70 homens que ajudavam Moisés e que condenou o Senhor à morte – que funcionava no dia-a-dia com 21 membros, mas em caso de pena capital demandava quorum sobre os setenta.
Já o nível informal era muito semelhante ao que conhecemos e exercemos hoje: pais julgando queixas de filhos, chefes de subalternos, etc.
Porém havia um aspecto, mais antigo, que também era chamado de justiça, para o qual não temos paralelo hoje. Foi a ele que o Senhor se referiu.
Para o judeu daqueles dias, o que hoje chamaríamos de exercer cidadania era o mesmo que “justiçar” a sociedade. Justiçar no sentido de torná-la mais justa, de corrigir suas injustiças. Um pouco menos abrangente do que o conceito cristão de justificação, mas já relacionado.
Essa idéia fica mais clara quando vemos o caso de Abraão: “Acaso destruirás o justo com o ímpio”? Ele pergunta ao SENHOR. Após longa barganha o SENHOR lhe declara que pouparia Sodoma e Gomorra se lá houvesse 10 justos. Parece que só havia o “justo Ló” (como é chamado por Pedro) e a destruição foi total.
Dentro do conceito judeu, portanto, as obras de 10 justos, aos olhos de Deus, valiam mais, eram mais importantes, suplantavam, do que os pecados de cidades como essas.
Muito provavelmente tenha sido nessa experiência que se estabeleceu o "Minnian", quorum necessário a qualquer reunião religiosa judaica, que foi reduzido por nosso Senhor quando declarou que estaria presente onde houvesse 2 ou 3 reunidos em seu nome.
Mas, voltando ao assunto; para o judeu, portanto, orar, jejuar e dar esmolas era algo que aumentava o “grau de justiça” de uma comunidade diante de Deus. Eram obras de justiça.
Ora, a advertência de nosso Senhor ganha outro relevo quando notamos que todos os que faziam questão de “exercer justiça” diante dos homens, na verdade estavam louvando-se a si próprios ao deixarem subentendido que Deus ainda tolerava aquele lugar devido as obras de justiça que eles praticavam. Daí a ordem para fazê-las em secreto.
Entretanto, as palavras do Senhor não são apenas para judeus. Seu sermão exprime a vontade do Pai para todos. Porém ele próprio é quem atribuirá justiça, redimindo a criação com o sacrifício de si mesmo.
Isto serve-nos de consolo, pois jamais, por mais puras que sejam nossas devoções, ou “atos de justiça” jamais justificaríamos, diante de Deus, sequer a nós mesmos, quanto mais a comunidade em que vivemos. Porém, torna-se interessante saber que, ao fazermos o que hoje chamamos de hora devocional como louvor secreto ao nosso Pai Celeste, estamos imitando o Senhor como filhos amados.
Os judeus conheciam justiça como conhecemos hoje. Ou seja: agir de modo igual quando diante de opções iguais e agir de modo diferente quando diante de opções diferentes. Conheciam também os diversos “níveis” em que isso ocorria.
O nível formal, equivalente ao que hoje chamaríamos de justiça comum, se dava mediante reunião dos mais velhos à porta da cidade: o local mais público, onde todos eram obrigados a passar.
Você se lembra do marido da mulher virtuosa do Livro dos Provérbios? Ele se assentava com os anciãos à porta. Isso quer dizer que ele era um dos juizes da comunidade em que vivia.
Julgavam as questões triviais e as flagrantes. Quando o caso era mais difícil enviava-se ao Sinédrio – órgão originado naqueles 70 homens que ajudavam Moisés e que condenou o Senhor à morte – que funcionava no dia-a-dia com 21 membros, mas em caso de pena capital demandava quorum sobre os setenta.
Já o nível informal era muito semelhante ao que conhecemos e exercemos hoje: pais julgando queixas de filhos, chefes de subalternos, etc.
Porém havia um aspecto, mais antigo, que também era chamado de justiça, para o qual não temos paralelo hoje. Foi a ele que o Senhor se referiu.
Para o judeu daqueles dias, o que hoje chamaríamos de exercer cidadania era o mesmo que “justiçar” a sociedade. Justiçar no sentido de torná-la mais justa, de corrigir suas injustiças. Um pouco menos abrangente do que o conceito cristão de justificação, mas já relacionado.
Essa idéia fica mais clara quando vemos o caso de Abraão: “Acaso destruirás o justo com o ímpio”? Ele pergunta ao SENHOR. Após longa barganha o SENHOR lhe declara que pouparia Sodoma e Gomorra se lá houvesse 10 justos. Parece que só havia o “justo Ló” (como é chamado por Pedro) e a destruição foi total.
Dentro do conceito judeu, portanto, as obras de 10 justos, aos olhos de Deus, valiam mais, eram mais importantes, suplantavam, do que os pecados de cidades como essas.
Muito provavelmente tenha sido nessa experiência que se estabeleceu o "Minnian", quorum necessário a qualquer reunião religiosa judaica, que foi reduzido por nosso Senhor quando declarou que estaria presente onde houvesse 2 ou 3 reunidos em seu nome.
Mas, voltando ao assunto; para o judeu, portanto, orar, jejuar e dar esmolas era algo que aumentava o “grau de justiça” de uma comunidade diante de Deus. Eram obras de justiça.
Ora, a advertência de nosso Senhor ganha outro relevo quando notamos que todos os que faziam questão de “exercer justiça” diante dos homens, na verdade estavam louvando-se a si próprios ao deixarem subentendido que Deus ainda tolerava aquele lugar devido as obras de justiça que eles praticavam. Daí a ordem para fazê-las em secreto.
Entretanto, as palavras do Senhor não são apenas para judeus. Seu sermão exprime a vontade do Pai para todos. Porém ele próprio é quem atribuirá justiça, redimindo a criação com o sacrifício de si mesmo.
Isto serve-nos de consolo, pois jamais, por mais puras que sejam nossas devoções, ou “atos de justiça” jamais justificaríamos, diante de Deus, sequer a nós mesmos, quanto mais a comunidade em que vivemos. Porém, torna-se interessante saber que, ao fazermos o que hoje chamamos de hora devocional como louvor secreto ao nosso Pai Celeste, estamos imitando o Senhor como filhos amados.
domingo, 28 de janeiro de 2007
Do monte ao templo
Durante seu ministério nosso Senhor encontrou-se com os mais variados tipos de pessoas, e o evangelista João disse que “não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.”
Um dia, cercado de gente, subiu para uma posição mais alta da encosta do monte em que estavam, e ali mesmo, ao ar livre, mostrou quem são os súditos de seu reino.
Primeiramente os caracterizou como bem-aventurados por serem humildes de espírito, por chorarem, serem mansos, sentirem fome e sede de justiça, serem misericordiosos, serem limpos de coração, pacificadores e perseguidos por seus “atos de justiça”. Não obstante, como o sal e a luz, influenciam sem serem influenciados.
Em segundo lugar, mostrou a que lei estão sujeitos: à que é mais estável e duradoura do que os céus e a terra e está escrita nos corações: Eles sequer pensam em matar ou adulterar ou dizer sim quando querem dizer não. E, como imitadores de Deus, fazem o bem a seus perseguidores.
Em terceiro lugar, descreveu seus “atos de justiça”: Jamais dão esmolas, oram ou jejuam para que os outros vejam. Fazem-no em segredo, e este segredo também louva a Deus.
Em quarto lugar, relacionou o que eles não fazem: não juntam tesouros sobre a terra, não andam ansiosos pela própria vida, não julgam temerariamente, nem desperdiçam os dons de Deus com quem desdenha deles.
Em quinto lugar, sucintamente, disse o que eles fazem: gastam-se em oração, preferem o caminho estreito de Deus e acautelam-se dos falsos profetas.
E, finalmente, constroem suas vidas sobre estes ensinos.
Tempos depois, no templo, próximo da morte, rodeado por muitos inimigos, ele substituiu as “bem-aventuranças” por “ais”.
Dirigindo-se aos escribas e fariseus, do mesmo modo que caracterizou seus súditos pela fronte (a fé, ou doutrina em que crêem) e pela mão direita (a ética, ou prática do dia-a-dia), passa a caracterizá-los como súditos de outro reino: o reino das trevas. Ai deles, pois:
Trocaram a bem-aventurança diante de Deus pela admiração diante dos homens. Dizem o que os outros devem fazer, mas, eles mesmos, não fazem. E, se porventura fizerem, fazem com o objetivo de “serem vistos pelos homens”, pois amam os lugares de destaque, e serem exaltados.
Tomaram nas mãos – como se pudessem – o reino de Deus. Não entram nem deixam entrar.
Exploram os carentes usando o engano das orações compridas e pomposas.
Fazem missões em países distante, mas ensinam o erro que leva duas vezes mais rápido ao inferno.
Garantem que respeitam a Deus. Entretanto desrespeitam o que é consagrado a ele.
São dizimistas fidelíssimos, mas negligenciam a justiça, a misericórdia e a fé. Coam mosquitos e engolem camelos.
Preocupam-se mais com a aparência de santidade do que com uma vida realmente santa.
Não perdem uma oportunidade de homenagear ou bajular, mesmo que isso mostre seus erros.
No monte, os que nada são aos olhos do mundo. Mas, como são cidadãos do reino de Deus, não fazem sua própria vontade. Constroem suas casas sobre a pedra.
No templo, os que recebem a admiração do povo pois sabem como enganá-los com a belas casas construídas na facilidade da areia, conforme a própria vontade.
Se não conseguem fugir do olhar penetrante de Deus como escaparão “da condenação do inferno”?
Ai deles!
Um dia, cercado de gente, subiu para uma posição mais alta da encosta do monte em que estavam, e ali mesmo, ao ar livre, mostrou quem são os súditos de seu reino.
Primeiramente os caracterizou como bem-aventurados por serem humildes de espírito, por chorarem, serem mansos, sentirem fome e sede de justiça, serem misericordiosos, serem limpos de coração, pacificadores e perseguidos por seus “atos de justiça”. Não obstante, como o sal e a luz, influenciam sem serem influenciados.
Em segundo lugar, mostrou a que lei estão sujeitos: à que é mais estável e duradoura do que os céus e a terra e está escrita nos corações: Eles sequer pensam em matar ou adulterar ou dizer sim quando querem dizer não. E, como imitadores de Deus, fazem o bem a seus perseguidores.
Em terceiro lugar, descreveu seus “atos de justiça”: Jamais dão esmolas, oram ou jejuam para que os outros vejam. Fazem-no em segredo, e este segredo também louva a Deus.
Em quarto lugar, relacionou o que eles não fazem: não juntam tesouros sobre a terra, não andam ansiosos pela própria vida, não julgam temerariamente, nem desperdiçam os dons de Deus com quem desdenha deles.
Em quinto lugar, sucintamente, disse o que eles fazem: gastam-se em oração, preferem o caminho estreito de Deus e acautelam-se dos falsos profetas.
E, finalmente, constroem suas vidas sobre estes ensinos.
Tempos depois, no templo, próximo da morte, rodeado por muitos inimigos, ele substituiu as “bem-aventuranças” por “ais”.
Dirigindo-se aos escribas e fariseus, do mesmo modo que caracterizou seus súditos pela fronte (a fé, ou doutrina em que crêem) e pela mão direita (a ética, ou prática do dia-a-dia), passa a caracterizá-los como súditos de outro reino: o reino das trevas. Ai deles, pois:
Trocaram a bem-aventurança diante de Deus pela admiração diante dos homens. Dizem o que os outros devem fazer, mas, eles mesmos, não fazem. E, se porventura fizerem, fazem com o objetivo de “serem vistos pelos homens”, pois amam os lugares de destaque, e serem exaltados.
Tomaram nas mãos – como se pudessem – o reino de Deus. Não entram nem deixam entrar.
Exploram os carentes usando o engano das orações compridas e pomposas.
Fazem missões em países distante, mas ensinam o erro que leva duas vezes mais rápido ao inferno.
Garantem que respeitam a Deus. Entretanto desrespeitam o que é consagrado a ele.
São dizimistas fidelíssimos, mas negligenciam a justiça, a misericórdia e a fé. Coam mosquitos e engolem camelos.
Preocupam-se mais com a aparência de santidade do que com uma vida realmente santa.
Não perdem uma oportunidade de homenagear ou bajular, mesmo que isso mostre seus erros.
No monte, os que nada são aos olhos do mundo. Mas, como são cidadãos do reino de Deus, não fazem sua própria vontade. Constroem suas casas sobre a pedra.
No templo, os que recebem a admiração do povo pois sabem como enganá-los com a belas casas construídas na facilidade da areia, conforme a própria vontade.
Se não conseguem fugir do olhar penetrante de Deus como escaparão “da condenação do inferno”?
Ai deles!
domingo, 21 de janeiro de 2007
Continuaremos calados?
Recebi, juntamente com diversos pastores, um texto escrito pelo Pastor Batista Isaltino Gomes em que ele se mostra espantado com o "silêncio sepulcral" dos evangélicos brasileiros, frente à prisão do apóstolo e da bispa.
Ele tem razão. Estamos errados em ficar calados.
Tempos depois de fundada pelo Apóstolo Paulo, a Igreja de Éfeso recebeu do próprio Senhor, através da pena do Apóstolo João, uma carta com a reclamação: “esqueceste o teu primeiro amor” e uma ordem: "levanta-te de onde caíste, arrepende-te e volta a prática das primeiras obras". A mesma carta, continha também alguns elogios, e, dentre eles, um se destaca: “puseste a prova os que a si mesmo se declaram apóstolos e não são, e os achastes mentirosos”.
Será que nós, evangélicos brasileiros, estamos em pior situação do que a Igreja de Éfeso? Será que a um elogio como este fazemos jus?
Por que razão ficamos calados diante dos absurdos soltos em nosso meio? Vendem fronhas ungidas que garantem sonhos proféticos, o direito de se trocar de anjo da guarda, kits de beleza da rainha Ester. O que mais? Há fim nessa lista?
Não foram práticas como essas que geraram 7 malas cheias de dinheiro (afinal, em que deu isso?)? Não foram esses absurdos que levaram às práticas pelas quais, agora, o outro ministro de Deus, seu vingador, o magistrado civil, ameaça com prisão? Mas, principalmente, não foi por coisas semelhantes que nossos irmãos do Século 16 resolveram protestar?
Diriam em contrário: “Mas hoje ainda se vê em tais lugares vestígios do Evangelho de Cristo”. Também se via na igreja do século 16, não obstante nossos pais não se conformaram nem ficaram calados.
Diriam ainda: “Eu tenho amigos lá e lá estão meus filhos”. Mais uma razão para falar, pois nossos mais queridos estão sendo enganados com nossa conivência silenciosa.
Ousemos discordar. Não sejamos coniventes com o erro. Mais importante do que o evangélicos serem um grupo politicamente coeso é serem um grupo que faz a vontade daquele que o remiu com seu sangue. Toda a proteção que eventualmente a política der ao povo evangélico será nada se nos encontrarmos desprotegidos diante daquele que não tolera iniqüidade associada a ajuntamento solene.
Voltemos a simplicidade dos Evangelhos. Abandonemos essas praticas sincréticas que são verdadeiros ‘caldos de cultura’ onde prolifera toda espécie de superstição, e nos lembremos de como o Senhor nos advertiu sobre falsos profetas e falsos mestres: Eles se disfarçariam de ovelhas ao ponto de lhe jogarem na face terem feito, milagres, profecias e expulsado demônios em seu santo nome.
Fizeram. Fizeram tudo isto e muito mais: com palavras fictícias fizeram comércio do rebanho dele.
O cristianismo, desde suas origens, está umbilicalmente ligado à palavra escrita. Na antiga aliança era obrigação de cada família ter em casa um descendente de Levi a fim de ensinar-lhes a lei de Deus. Uma em doze tribos não tinha herança. Vivia entre seus irmãos para cumprir este mister. Era como se cada família possuísse um professor particular.
A ignorância é uma das maiores inimigas do povo de Deus. Alicerçado nela, inventando visões, e coisas semelhantes, é que os falsos mestres, profetas e apóstolos dominam o rebanho. Dominando, vendem-no. Vendendo-o, devoram-no.
Ele tem razão. Estamos errados em ficar calados.
Tempos depois de fundada pelo Apóstolo Paulo, a Igreja de Éfeso recebeu do próprio Senhor, através da pena do Apóstolo João, uma carta com a reclamação: “esqueceste o teu primeiro amor” e uma ordem: "levanta-te de onde caíste, arrepende-te e volta a prática das primeiras obras". A mesma carta, continha também alguns elogios, e, dentre eles, um se destaca: “puseste a prova os que a si mesmo se declaram apóstolos e não são, e os achastes mentirosos”.
Será que nós, evangélicos brasileiros, estamos em pior situação do que a Igreja de Éfeso? Será que a um elogio como este fazemos jus?
Por que razão ficamos calados diante dos absurdos soltos em nosso meio? Vendem fronhas ungidas que garantem sonhos proféticos, o direito de se trocar de anjo da guarda, kits de beleza da rainha Ester. O que mais? Há fim nessa lista?
Não foram práticas como essas que geraram 7 malas cheias de dinheiro (afinal, em que deu isso?)? Não foram esses absurdos que levaram às práticas pelas quais, agora, o outro ministro de Deus, seu vingador, o magistrado civil, ameaça com prisão? Mas, principalmente, não foi por coisas semelhantes que nossos irmãos do Século 16 resolveram protestar?
Diriam em contrário: “Mas hoje ainda se vê em tais lugares vestígios do Evangelho de Cristo”. Também se via na igreja do século 16, não obstante nossos pais não se conformaram nem ficaram calados.
Diriam ainda: “Eu tenho amigos lá e lá estão meus filhos”. Mais uma razão para falar, pois nossos mais queridos estão sendo enganados com nossa conivência silenciosa.
Ousemos discordar. Não sejamos coniventes com o erro. Mais importante do que o evangélicos serem um grupo politicamente coeso é serem um grupo que faz a vontade daquele que o remiu com seu sangue. Toda a proteção que eventualmente a política der ao povo evangélico será nada se nos encontrarmos desprotegidos diante daquele que não tolera iniqüidade associada a ajuntamento solene.
Voltemos a simplicidade dos Evangelhos. Abandonemos essas praticas sincréticas que são verdadeiros ‘caldos de cultura’ onde prolifera toda espécie de superstição, e nos lembremos de como o Senhor nos advertiu sobre falsos profetas e falsos mestres: Eles se disfarçariam de ovelhas ao ponto de lhe jogarem na face terem feito, milagres, profecias e expulsado demônios em seu santo nome.
Fizeram. Fizeram tudo isto e muito mais: com palavras fictícias fizeram comércio do rebanho dele.
O cristianismo, desde suas origens, está umbilicalmente ligado à palavra escrita. Na antiga aliança era obrigação de cada família ter em casa um descendente de Levi a fim de ensinar-lhes a lei de Deus. Uma em doze tribos não tinha herança. Vivia entre seus irmãos para cumprir este mister. Era como se cada família possuísse um professor particular.
A ignorância é uma das maiores inimigas do povo de Deus. Alicerçado nela, inventando visões, e coisas semelhantes, é que os falsos mestres, profetas e apóstolos dominam o rebanho. Dominando, vendem-no. Vendendo-o, devoram-no.
sábado, 13 de janeiro de 2007
Do deserto ao jardim
Aos 30 anos, antes de iniciar seu ministério público, nosso Senhor foi levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado.
Lá, sozinho, após quarenta dias de jejum, sofreu três investidas do Maligno. Todas visavam incutir-lhe dúvidas sobre sua natureza divina propondo satisfações peculiares à sua natureza humana.
Diferentemente de Adão que, saciado, em um jardim, sucumbiu à primeira investida com o oferecimento de uma fruta (que em si era como outra qualquer, mas que representaria muito bem sua obediência implícita às ordens do Criador), o Senhor, no deserto, faminto, venceu a todas investidas com o auxílio das Sagradas Escrituras.
Três anos depois, no Jardim do Getsêmani, apesar de ter levado consigo seus Apóstolos mais íntimos, ele estava novamente sozinho: o sono deles era mais forte. Lá ele ficou em angústia por algumas horas. Lá quem o atacou não foi o inimigo. Foi o pavor.
Esvaziado de alguns de seus atributos divinos, ele temeu a ira do Pai que breve cairia sobre si em toda intensidade. Ele sabia que teria de enfrentá-la sozinho. Afinal seria a ira do único com quem contava, do único cuja vontade lhe era mais agradável do que comida ou bebida.
No deserto, fez o que Adão deixou de fazer: obedeceu. Tornou-se na prática o segundo Adão, no qual todos aqueles que o Pai lhe deu estão representados. No Jardim fez o que homem algum poderia fazer: submeteu-se: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres (Mt 26.9)”. O Pai não o passou. Ele o sorveu até as escórias. Porém, o cálice não era dele. Era meu.
Curiosamente o escritor da Carta aos Hebreus diz que ele foi atendido. O Pai o atendeu, não suprimindo-lhe a cruz, mas dando-lhe vitória sobre ela ao ressuscitá-lo.
No deserto ou no jardim fez a vontade do Pai. No deserto fez o que Adão não conseguiu, no jardim, preparou-se para fazer, na cruz, o que era devido a todos os que o Pai lhe deu.
No deserto, fome, solidão e as três investidas do inimigo. No jardim, após a última ceia, solidão (dos que, no espírito estavam prontos, mas, na carne, eram fracos), dor, medo e pavor de, feito pecado por nós, da horrível coisa que é “cair nas mãos do Deus vivo”.
Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor (Hb 12.28e29).
Lá, sozinho, após quarenta dias de jejum, sofreu três investidas do Maligno. Todas visavam incutir-lhe dúvidas sobre sua natureza divina propondo satisfações peculiares à sua natureza humana.
Diferentemente de Adão que, saciado, em um jardim, sucumbiu à primeira investida com o oferecimento de uma fruta (que em si era como outra qualquer, mas que representaria muito bem sua obediência implícita às ordens do Criador), o Senhor, no deserto, faminto, venceu a todas investidas com o auxílio das Sagradas Escrituras.
Três anos depois, no Jardim do Getsêmani, apesar de ter levado consigo seus Apóstolos mais íntimos, ele estava novamente sozinho: o sono deles era mais forte. Lá ele ficou em angústia por algumas horas. Lá quem o atacou não foi o inimigo. Foi o pavor.
Esvaziado de alguns de seus atributos divinos, ele temeu a ira do Pai que breve cairia sobre si em toda intensidade. Ele sabia que teria de enfrentá-la sozinho. Afinal seria a ira do único com quem contava, do único cuja vontade lhe era mais agradável do que comida ou bebida.
No deserto, fez o que Adão deixou de fazer: obedeceu. Tornou-se na prática o segundo Adão, no qual todos aqueles que o Pai lhe deu estão representados. No Jardim fez o que homem algum poderia fazer: submeteu-se: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres (Mt 26.9)”. O Pai não o passou. Ele o sorveu até as escórias. Porém, o cálice não era dele. Era meu.
Curiosamente o escritor da Carta aos Hebreus diz que ele foi atendido. O Pai o atendeu, não suprimindo-lhe a cruz, mas dando-lhe vitória sobre ela ao ressuscitá-lo.
No deserto ou no jardim fez a vontade do Pai. No deserto fez o que Adão não conseguiu, no jardim, preparou-se para fazer, na cruz, o que era devido a todos os que o Pai lhe deu.
No deserto, fome, solidão e as três investidas do inimigo. No jardim, após a última ceia, solidão (dos que, no espírito estavam prontos, mas, na carne, eram fracos), dor, medo e pavor de, feito pecado por nós, da horrível coisa que é “cair nas mãos do Deus vivo”.
Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor (Hb 12.28e29).
sábado, 6 de janeiro de 2007
"Do Egito chamei meu Filho"
Há algumas coisas no Evangelho escrito por Mateus, que me impressionam. Por exemplo, os textos paralelos. O primeiro assunto que ele aborda é a genealogia de Jesus e o último é sua “grande comissão”. No primeiro está latente a idéia “desde o início até hoje” e no segundo “de hoje até a consumação dos séculos”.
Mas não para aí. O segundo assunto é o nascimento de Jesus. Mas, diferentemente de que Lucas fez, Mateus não descreve os acontecimentos. Ele apenas diz: Jesus nasceu. E o penúltimo assunto, como um reflexo em um espelho, também não detalha, mas garante: ele ressuscitou.
Mateus é o único evangelista a falar dos magos, que trouxeram presentes para testemunhar o nascimento de Jesus. Mateus é também o único evangelista a falar dos guardas que recebem suborno para não testemunharem que ele ressuscitou.
Aos perigos que levaram Jesus a morte Mateus contrapõe aos perigos que o levaram ao exílio no Egito. E aqui aborda-se indiretamente um assunto tão rico como resumido: “e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho” Mt 2.15.
Milhares de anos antes, por diversas causas, mas especialmente por sonhos, José, filho de Jacó, para não ser morto por seus próprios irmãos, foi vendido como escravo às caravanas que iam para o Egito. Agora, outro José, o pai de Jesus, para seu filho não ser morto por Herodes, advertido em sonhos, leva-o para o Egito.
O primeiro José vai para lá ainda jovem e morre lá depois de tornar-se o braço direito do Faraó. O segundo José volta logo que Herodes morreu. Se levou o menino com quase 2 anos o trouxe de volta aos 5 ou 6 anos.
Do primeiro José sabemos muitas coisas. Inclusive que os descendentes de seu Pai de 70 transformaram-se em, no mínimo, 1.500.000 pessoas. Peregrinaram 40 anos no deserto guiados por Moisés e tomaram posse da terra que Deus havia prometido a Abraão: o ancestral maior.
De José, pai de Jesus, nada sabemos do que aconteceu lá. Apenas que voltou sigilosamente e não pode morar em sua própria terra pois era governada por um filho de Herodes.
Toda nação de Israel, seu sofrimento no Egito, sua peregrinação no deserto, foi interpretado por Mateus como um tipo do que aconteceria ao Redentor: do Egito chamei meu filho.
A própria essência do que é a verdadeira profecia é revelada aqui. Deus não deixou que o profeta visse antecipadamente o que fatalmente aconteceria ou ele faria quando chegasse o tempo certo, mas disse antecipadamente ao profeta como é que ele construiria o futuro.
Impérios são formados e extintos, povos crescem, dominam, diminuem e desaparecem, milhões nascem e milhões morrem, nações como gotas que caem de um balde de água, ilhas são tidas como pó, a humanidade como a erva que de manhã viceja e floresce e de tarde murcha e seca. Ou seja: Passa-se o céu, passa-se a terra, mas a Palavra do Senhor permanece eternamente.
Sua Palavra encarnou-se. Tomou nossa natureza. Sendo assim o próprio mundo passa, bem como sua concupiscência, mas o que faz a vontade do Senhor permanece para sempre.
Permanece para sempre porque sua Palavra assim o diz. Aleluia!
Mas não para aí. O segundo assunto é o nascimento de Jesus. Mas, diferentemente de que Lucas fez, Mateus não descreve os acontecimentos. Ele apenas diz: Jesus nasceu. E o penúltimo assunto, como um reflexo em um espelho, também não detalha, mas garante: ele ressuscitou.
Mateus é o único evangelista a falar dos magos, que trouxeram presentes para testemunhar o nascimento de Jesus. Mateus é também o único evangelista a falar dos guardas que recebem suborno para não testemunharem que ele ressuscitou.
Aos perigos que levaram Jesus a morte Mateus contrapõe aos perigos que o levaram ao exílio no Egito. E aqui aborda-se indiretamente um assunto tão rico como resumido: “e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho” Mt 2.15.
Milhares de anos antes, por diversas causas, mas especialmente por sonhos, José, filho de Jacó, para não ser morto por seus próprios irmãos, foi vendido como escravo às caravanas que iam para o Egito. Agora, outro José, o pai de Jesus, para seu filho não ser morto por Herodes, advertido em sonhos, leva-o para o Egito.
O primeiro José vai para lá ainda jovem e morre lá depois de tornar-se o braço direito do Faraó. O segundo José volta logo que Herodes morreu. Se levou o menino com quase 2 anos o trouxe de volta aos 5 ou 6 anos.
Do primeiro José sabemos muitas coisas. Inclusive que os descendentes de seu Pai de 70 transformaram-se em, no mínimo, 1.500.000 pessoas. Peregrinaram 40 anos no deserto guiados por Moisés e tomaram posse da terra que Deus havia prometido a Abraão: o ancestral maior.
De José, pai de Jesus, nada sabemos do que aconteceu lá. Apenas que voltou sigilosamente e não pode morar em sua própria terra pois era governada por um filho de Herodes.
Toda nação de Israel, seu sofrimento no Egito, sua peregrinação no deserto, foi interpretado por Mateus como um tipo do que aconteceria ao Redentor: do Egito chamei meu filho.
A própria essência do que é a verdadeira profecia é revelada aqui. Deus não deixou que o profeta visse antecipadamente o que fatalmente aconteceria ou ele faria quando chegasse o tempo certo, mas disse antecipadamente ao profeta como é que ele construiria o futuro.
Impérios são formados e extintos, povos crescem, dominam, diminuem e desaparecem, milhões nascem e milhões morrem, nações como gotas que caem de um balde de água, ilhas são tidas como pó, a humanidade como a erva que de manhã viceja e floresce e de tarde murcha e seca. Ou seja: Passa-se o céu, passa-se a terra, mas a Palavra do Senhor permanece eternamente.
Sua Palavra encarnou-se. Tomou nossa natureza. Sendo assim o próprio mundo passa, bem como sua concupiscência, mas o que faz a vontade do Senhor permanece para sempre.
Permanece para sempre porque sua Palavra assim o diz. Aleluia!
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
Bons Princípios
No distante ano de 1978, quando fui viver em São Paulo, me assustei com a campainha do portão tocando logo cedo. Eu já estava acordado: Seu Mário, meu vizinho, havia gritado tão alto com alguém, que acordei assustado pois ele era a calma em pessoa.
Como a campainha continuava a ser tocada, saí de casa e desci os três lances de escada até o portão. Encontrei uns três ou quatro meninos falando ao mesmo tempo.
- Tio, me deseja bons princípios!
Entendi os gritos de Seu Mário, cuja casa também tinha escadas e ainda era bem cedo de 1º de janeiro de 1979.
Nunca havia sido chamado de tio – sou filho único – nem sabia o que era “desejar bons princípios”.
Inocentemente disse aos meninos: - Bons princípios!
- Não! Gritaram. - Dá um trocadinho.
- Ah! Bons princípios é a mesma coisa que um trocadinho?
- Claro! Respondeu o mais esperto – que não era o maior – como é que a gente vai começar bem sem dinheiro?
Fazia sentido. O que não fazia sentido era ter sido acordado poucas horas depois de ter ido dormir por um bando de pirralhos pedindo dinheiro. Disse que não podia dar: - Quem sabe no próximo ano.
No fundo esses garotos estavam pondo em prática algo que aprenderam em casa, e, que, querendo ou não, todos nós concordamos. Lembra-se da música? “Adeus ano velho, feliz ano novo ... muito dinheiro no bolso...”.
Hoje pedimos a Deus que nos dê mais dinheiro. E ainda que alguns não gostem de fazê-lo, não há a menor diferença entre isso e o que nossos antepassados faziam ao orar por boas safras, bom clima e por estações bem definidas (Aliás o Diretório Litúrgico de Westminster, que nossa Igreja resumiu nos Princípios de Liturgia, obrigava os pastores orar por esse assunto em todos os cultos).
Eles viviam diretamente da terra, e da terra tiravam diretamente o que ia para suas mesas.
Nós, precisamos de um intermediário: o dinheiro. Sem ele não compramos o produto da terra.
Mas, por que no começo do ano?
Tem algo a ver com a idéia de começar bem. Idéia que não é totalmente anti-bíblica, pois na Antiga Aliança consagrávamos ao SENHOR, os primogênitos e as primícias, e Deus nos ensina através do Apóstolo Paulo que “se forem santas as primícias da massa, igualmente o será a sua totalidade; se for santa a raiz, também os ramos o serão”. (Romanos 11.16)
Portanto, desejo a todos um bom princípio de ano. Não como aqueles garotos inoportunos que procuravam a caridade alheia, mas debaixo das bênçãos do Senhor.
Estou certo de que a importância de ser o começo do ano é mais simbólica do que real.
Entretanto, espero também que não fiquemos apenas com a esperança e as “boas resoluções” do primeiro dia do ano novo. Pelo contrário: trabalhemos em cada dia de 2007 buscando em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça.
Como a campainha continuava a ser tocada, saí de casa e desci os três lances de escada até o portão. Encontrei uns três ou quatro meninos falando ao mesmo tempo.
- Tio, me deseja bons princípios!
Entendi os gritos de Seu Mário, cuja casa também tinha escadas e ainda era bem cedo de 1º de janeiro de 1979.
Nunca havia sido chamado de tio – sou filho único – nem sabia o que era “desejar bons princípios”.
Inocentemente disse aos meninos: - Bons princípios!
- Não! Gritaram. - Dá um trocadinho.
- Ah! Bons princípios é a mesma coisa que um trocadinho?
- Claro! Respondeu o mais esperto – que não era o maior – como é que a gente vai começar bem sem dinheiro?
Fazia sentido. O que não fazia sentido era ter sido acordado poucas horas depois de ter ido dormir por um bando de pirralhos pedindo dinheiro. Disse que não podia dar: - Quem sabe no próximo ano.
No fundo esses garotos estavam pondo em prática algo que aprenderam em casa, e, que, querendo ou não, todos nós concordamos. Lembra-se da música? “Adeus ano velho, feliz ano novo ... muito dinheiro no bolso...”.
Hoje pedimos a Deus que nos dê mais dinheiro. E ainda que alguns não gostem de fazê-lo, não há a menor diferença entre isso e o que nossos antepassados faziam ao orar por boas safras, bom clima e por estações bem definidas (Aliás o Diretório Litúrgico de Westminster, que nossa Igreja resumiu nos Princípios de Liturgia, obrigava os pastores orar por esse assunto em todos os cultos).
Eles viviam diretamente da terra, e da terra tiravam diretamente o que ia para suas mesas.
Nós, precisamos de um intermediário: o dinheiro. Sem ele não compramos o produto da terra.
Mas, por que no começo do ano?
Tem algo a ver com a idéia de começar bem. Idéia que não é totalmente anti-bíblica, pois na Antiga Aliança consagrávamos ao SENHOR, os primogênitos e as primícias, e Deus nos ensina através do Apóstolo Paulo que “se forem santas as primícias da massa, igualmente o será a sua totalidade; se for santa a raiz, também os ramos o serão”. (Romanos 11.16)
Portanto, desejo a todos um bom princípio de ano. Não como aqueles garotos inoportunos que procuravam a caridade alheia, mas debaixo das bênçãos do Senhor.
Estou certo de que a importância de ser o começo do ano é mais simbólica do que real.
Entretanto, espero também que não fiquemos apenas com a esperança e as “boas resoluções” do primeiro dia do ano novo. Pelo contrário: trabalhemos em cada dia de 2007 buscando em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça.
domingo, 24 de dezembro de 2006
O Rei, os magos e os guardas
Sempre gostei de escutar as histórias do Elias. Apesar de nossos encontros serem tão curtos, como duas páginas, ele gostava de chamar-se peregrino. Acho que era por outro motivo.
Um dia ele me lembrou de que, quando menino soube de um grande confusão. Jerusalém ficou repentinamente alvoroçada com uma caravana que entrava.
Caravana grande, das que atravessam o deserto e alguns se destacavam como líderes: "magoi", como diziam aqueles que arranhavam a língua grega.
Eles eram descendentes dos antigos alunos de Daniel, que há séculos fora levado ainda jovem para Babilônia, onde, por ter mostrado grande sabedoria, havia sido nomeado chefe deles. Eles sabiam contar o tempo olhando o movimento das estrelas.
Esse Daniel era aquele que, adivinhando e interpretando um sonho do Rei Nabucodonozor, salvou a vida de seus companheiros e dos que já eram chamados "magoi" antes dele, e que, por tentarem enganar o rei, haviam sido condenados a morte.
Foi nessa época que Daniel profetizou quando o Messias havia de vir, e marcou nos calendários deles a época em que isso ocorreria: Uma estrela em determinado posição no céu.
Tão logo a estrela apareceu, os que ainda lembravam dessa profecia, começaram as conversas sobre o que fazer. Depois de algum tempo decidiram ir conhecer o menino e homenageá-lo com presentes. Daí a caravana.
O Elias não sabia bem quanto tempo levaram para atravessar o deserto. Mas atravessaram. E quando chegaram a Jerusalém falando que o rei dos judeus havia nascido o alvoroço se instalou. Não fazia muito tempo, Herodes, que reinava em Jerusalém, havia matado a própria mulher e um filho por suspeitar que conspiravam para tomar o trono.
Raposa velha, Herodes não demorou a saber dos próprios conselheiros onde, especificamente, as profecias diziam ser o lugar do nascimento. Ele também conhecia a profecia, mas não sua data. Belém: foi a resposta unânime.
“Vão adorá-lo e depois me digam onde é para eu ir também”. Disse Herodes aos “magoi” enquanto pensava: jogada de mestre. Depois pego todo mundo.
O Senhor Deus não permitiu que ele chegasse a tanto. Porém, todos souberam que os estrangeiros estavam mais atentos aos tempos de Deus do que os sacerdotes de sua própria casa.
Ouvi o Elias com atenção.
Eu sempre escutara falar dessa história, mas com o passar do tempo ela tinha se tornado tão fantasiosa que já se falava que apenas 3 homens haviam atravessado o deserto com tantos presentes. Três tipos de presentes. Quem sabe a confusão não tenha começado aí.
De fato. Quando o Senhor assumiu nossa natureza, estrangeiros vieram de longe atestar seu nascimento trazendo-lhe presentes. Curiosamente, quando ele ressuscitou, outros estrangeiros, que, a exemplo dos primeiros, não tiveram seus nomes registrados e sequer sabemos quantos eram, receberam bastante dinheiro para ficar calados sobre sua ressurreição.
Que ironia. Uns correm risco de vida e dão do que possuem para dizer bem alto: O Messias nasceu. Outros, com medo da morte e fascinados pelo dinheiro, calam-se diante de algo muito mais difícil – afinal que provas o menino tinha de ser o Rei do Judeus? Nenhuma. Só a estrela, que sequer foi percebida em Jerusalém, pois Herodes teve de perguntar aos "magoi" a data precisa em que ela aparecera.
Porém os guardas estavam diante de um sepulcro vazio, selado com uma pedra muito grande e foram testemunhas de um evento que os deixou assombrados – como mortos – mas o vil metal, que cala a maioria dos homens, calou a deles também, e ninguém gritou: O crucificado ressuscitou!
Magos e guardas... quando me encontrar com o Elias já temos o que conversar.
* Agradeço ao Rev. Elias Medeiros sua pesquisa sobre os 'magoi'.
Um dia ele me lembrou de que, quando menino soube de um grande confusão. Jerusalém ficou repentinamente alvoroçada com uma caravana que entrava.
Caravana grande, das que atravessam o deserto e alguns se destacavam como líderes: "magoi", como diziam aqueles que arranhavam a língua grega.
Eles eram descendentes dos antigos alunos de Daniel, que há séculos fora levado ainda jovem para Babilônia, onde, por ter mostrado grande sabedoria, havia sido nomeado chefe deles. Eles sabiam contar o tempo olhando o movimento das estrelas.
Esse Daniel era aquele que, adivinhando e interpretando um sonho do Rei Nabucodonozor, salvou a vida de seus companheiros e dos que já eram chamados "magoi" antes dele, e que, por tentarem enganar o rei, haviam sido condenados a morte.
Foi nessa época que Daniel profetizou quando o Messias havia de vir, e marcou nos calendários deles a época em que isso ocorreria: Uma estrela em determinado posição no céu.
Tão logo a estrela apareceu, os que ainda lembravam dessa profecia, começaram as conversas sobre o que fazer. Depois de algum tempo decidiram ir conhecer o menino e homenageá-lo com presentes. Daí a caravana.
O Elias não sabia bem quanto tempo levaram para atravessar o deserto. Mas atravessaram. E quando chegaram a Jerusalém falando que o rei dos judeus havia nascido o alvoroço se instalou. Não fazia muito tempo, Herodes, que reinava em Jerusalém, havia matado a própria mulher e um filho por suspeitar que conspiravam para tomar o trono.
Raposa velha, Herodes não demorou a saber dos próprios conselheiros onde, especificamente, as profecias diziam ser o lugar do nascimento. Ele também conhecia a profecia, mas não sua data. Belém: foi a resposta unânime.
“Vão adorá-lo e depois me digam onde é para eu ir também”. Disse Herodes aos “magoi” enquanto pensava: jogada de mestre. Depois pego todo mundo.
O Senhor Deus não permitiu que ele chegasse a tanto. Porém, todos souberam que os estrangeiros estavam mais atentos aos tempos de Deus do que os sacerdotes de sua própria casa.
Ouvi o Elias com atenção.
Eu sempre escutara falar dessa história, mas com o passar do tempo ela tinha se tornado tão fantasiosa que já se falava que apenas 3 homens haviam atravessado o deserto com tantos presentes. Três tipos de presentes. Quem sabe a confusão não tenha começado aí.
De fato. Quando o Senhor assumiu nossa natureza, estrangeiros vieram de longe atestar seu nascimento trazendo-lhe presentes. Curiosamente, quando ele ressuscitou, outros estrangeiros, que, a exemplo dos primeiros, não tiveram seus nomes registrados e sequer sabemos quantos eram, receberam bastante dinheiro para ficar calados sobre sua ressurreição.
Que ironia. Uns correm risco de vida e dão do que possuem para dizer bem alto: O Messias nasceu. Outros, com medo da morte e fascinados pelo dinheiro, calam-se diante de algo muito mais difícil – afinal que provas o menino tinha de ser o Rei do Judeus? Nenhuma. Só a estrela, que sequer foi percebida em Jerusalém, pois Herodes teve de perguntar aos "magoi" a data precisa em que ela aparecera.
Porém os guardas estavam diante de um sepulcro vazio, selado com uma pedra muito grande e foram testemunhas de um evento que os deixou assombrados – como mortos – mas o vil metal, que cala a maioria dos homens, calou a deles também, e ninguém gritou: O crucificado ressuscitou!
Magos e guardas... quando me encontrar com o Elias já temos o que conversar.
* Agradeço ao Rev. Elias Medeiros sua pesquisa sobre os 'magoi'.
sábado, 16 de dezembro de 2006
Quando as palavras já não significam o que significavam
Com tanto para falar sobre a encarnação do Senhor e de como ele se tornou um de nós, preciso falar hoje sobre o caminho em que peregrinamos. Então, vamos lá.
Logo veio a minha mente a Carta aos Gálatas. Afinal, ali estava uma pomba (tradicional símbolo bíblico para o Espírito Santo desde o Batismo de Jesus) e, como na Bíblia, a palavra estava no singular: Fruto! Não frutos.
“Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”? Não: Ballet, Jazz, Circo, Street Dance e Dança Contemporânea. Que podem até ser frutos de um espírito amante das artes, mas nunca serão o FRUTO DO ESPÍRITO de quem assumiu nossa natureza.
Preciosismo lingüístico? Não. Alerta contra a polissemia das palavras que, fora de seu sentido, passam a servir de recursos de marketing. Bem intencionado? Pode ser. Blasfemo? Sem dúvida.
As golfadas eram acompanhadas por exclamações assim: “ô bênção”, “esse menino(a) é uma bênção”, “o sangue de Jesus tem poder”, “ah, Jeová, tem piedade”, etc.
Saí desolado: O cheiro nauseante do vômito e meus sapatos pisando nele, eram nada perto do que ecoava e repetia-se em meus ouvidos.
Perdi a paciência: “Minha senhora, pelo simples vomitado das crianças a senhora invoca o sangue de Cristo e chama de bênção aquilo que no fim a senhora queria chamar de outra coisa”?
“Melhor do que dizer palavrão”, respondeu ela.
“Mas a Senhora os disse. E disse pior. Pecou duas vezes, pois além de dizê-los ainda os fez com o nome do Senhor. Seria melhor não dizer nada. Toda criança, sob essas circunstâncias, costuma vomitar”.
Exercício explícito de “chatice”? Não. Absolutamente não: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!”
Eu não sabia o que responder – as vezes fico abestalhado diante de algumas situações – e acho que não respondi. Mas fiquei pensando em como as comunicações entre as pessoas estão se deteriorando: lança-se mão dos textos sagrados para se fazer propaganda. Reclama-se de vômito de criança chamando-o de bênção. Confunde-se a tarefa de quem Deus chamou para expor sua Palavra com a de um publicitário.
Irmãos: lançamos mão de um arado. Não olhemos para trás.
-*-
Há uma semana recebi um cartaz para colocar no mural. Azul claro, com um desenho estilizado de uma pomba no canto superior esquerdo, dá toda ênfase às palavras FRUTO DO ESPÍRITO escritas em estilo Vivaldi com letras douradas, bem rebuscadas.Logo veio a minha mente a Carta aos Gálatas. Afinal, ali estava uma pomba (tradicional símbolo bíblico para o Espírito Santo desde o Batismo de Jesus) e, como na Bíblia, a palavra estava no singular: Fruto! Não frutos.
“Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”? Não: Ballet, Jazz, Circo, Street Dance e Dança Contemporânea. Que podem até ser frutos de um espírito amante das artes, mas nunca serão o FRUTO DO ESPÍRITO de quem assumiu nossa natureza.
Preciosismo lingüístico? Não. Alerta contra a polissemia das palavras que, fora de seu sentido, passam a servir de recursos de marketing. Bem intencionado? Pode ser. Blasfemo? Sem dúvida.
-*-
Duas semanas atrás, após uma série de curvas na estrada que leva à BH, duas crianças, que brincavam alegres durante toda a viagem, ficaram repentinamente quietas. Pai experiente de duas, tratei logo de puxar minha mala para o outro lado. Não demorou muito e as golfadas de vômito vieram. Vieram acompanhadas das imprecações da avó, que até então cuidou deles com desvelo.As golfadas eram acompanhadas por exclamações assim: “ô bênção”, “esse menino(a) é uma bênção”, “o sangue de Jesus tem poder”, “ah, Jeová, tem piedade”, etc.
Saí desolado: O cheiro nauseante do vômito e meus sapatos pisando nele, eram nada perto do que ecoava e repetia-se em meus ouvidos.
Perdi a paciência: “Minha senhora, pelo simples vomitado das crianças a senhora invoca o sangue de Cristo e chama de bênção aquilo que no fim a senhora queria chamar de outra coisa”?
“Melhor do que dizer palavrão”, respondeu ela.
“Mas a Senhora os disse. E disse pior. Pecou duas vezes, pois além de dizê-los ainda os fez com o nome do Senhor. Seria melhor não dizer nada. Toda criança, sob essas circunstâncias, costuma vomitar”.
Exercício explícito de “chatice”? Não. Absolutamente não: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!”
-*-
Queremos ser mais motivados a vir às reuniões da Igreja! Dizia, do alto de sua idade, uma senhora crente, de cuja piedade já me servi muitas vezes como exemplo. Talvez saudosa das estrelinhas que ganhávamos quando criança, todas as vezes que trazíamos a revista e a Bíblia à Escola Dominical, ou, quem sabe, precisasse daquele ânimo dos comerciais “seus problemas acabaram”, que repetem à exaustão as qualidades de um produto, sempre entrecortado pelo refrão “ligue já” ou “se você ligar agora...”.Eu não sabia o que responder – as vezes fico abestalhado diante de algumas situações – e acho que não respondi. Mas fiquei pensando em como as comunicações entre as pessoas estão se deteriorando: lança-se mão dos textos sagrados para se fazer propaganda. Reclama-se de vômito de criança chamando-o de bênção. Confunde-se a tarefa de quem Deus chamou para expor sua Palavra com a de um publicitário.
-*-
Nossa peregrinação está chegando ao fim. Dizíamos “passarinhos, belas flores, querem me encantar”, mas refutávamos, “adeus terrestres esplendores”. Hoje temos de dizer que quizílias e exemplos mundanos nos impedem de ir mais rápido, de subir às montanhas da fé, de onde avistamos os muros fulgurantes da Jerusalém celeste.Irmãos: lançamos mão de um arado. Não olhemos para trás.
sábado, 9 de dezembro de 2006
Entre a Manjedoura e o Túmulo (b)
Para nascer na manjedoura nosso Senhor esvaziou-se de si mesmo. Deixou de lado, voluntariamente, alguns dos atributos que o caracterizavam como Deus - por exemplo, a onipresença - e se fez carne. Passou a compartilhar a natureza do que ele mesmo criara. Passou a sujeitar-se ao que ele mesmo estabelecera.
Para repousar no túmulo nosso Senhor abriu mão, voluntariamente, de certos atributos que caracterizam os homens - por exemplo, o apego à vida - e a si mesmo se entregou. Injusta e passivamente sofreu a aplicação do castigo que era devido àqueles que o Pai lhe deu, e, finalmente, voluntariamente, rendeu seu espírito.
Sua manjedoura, emprestada de animais domésticos, teve suas palhas forradas pelas faixas em que foi envolto, mas não o reteve por muito tempo: quarenta dias depois foi levado à casa terrestre de seu Pai, onde, contemplado por fiéis, foi apresentado. Já havia recebido em seu corpo a única marca que era permitida a um judeu.
Seu túmulo, emprestado de um homem rico, recém cavado na rocha, também foi forrado - com o lençol de linho que outro José usou para amortalhá-lo - e também não o reteve por muito tempo. Novamente, quarenta dias depois compareceu à casa do Pai. Desta vez à casa celeste. Desta vez, além da própria marca da Aliança, apresentou ao Pai todas as marcas que adquirira dos que ele mesmo representou.
Entre a manjedoura e o túmulo fez muitas coisas. Aprendeu com seu pai terrestre a arte de trabalhar a madeira, e a trabalhou. O que fez nessa época ainda saberemos, porém temos certeza de que não foi sem motivo que ficou conhecido como “construtor”.
Entre a manjedoura e o túmulo, quando completou os 30 anos necessários, chamou a si aqueles que ele mesmo quis e os treinou para completar o que ele iniciou de uma vez por todas: os fez alicerces de sua nova construção.
Entre a manjedoura e o túmulo outras madeiras e outros pregos não lhe foram instrumentos dóceis, porém eram parte importante dessa construção maior: a casa eterna: verdadeira cidade para todos aqueles por quem morreu.
Enquanto as festas deste mês de dezembro nos lembram a manjedoura, não esqueçamos que para apreciá-la precisamos entender corretamente o significado do túmulo. Ela foi apenas o início.
O brilho característico da tradição natalina será falso, supersticioso e indigno do Senhor de todas as coisas, se ele não tiver nascido em nosso coração (que pode ser tão acanhado como uma manjedoura, afinal, ele não liga pra isso) nem estivermos dispostos a dividir com ele seu túmulo: mortos com ele para o mundo, mas vivos, com ele, para Deus.
Indizível alegria! Nos alegremos muito! Afinal ele trilhou, antes de nós, o caminho entre a manjedoura e o túmulo e nesse caminho há uma cruz. Quando ela nos parecer pesada, ou o caminho se mostrar árduo, lembremos das benditas palavras: “não temerei mal algum, pois tu estás comigo. O teu bordão e o teu cajado me consolam”.
Glórias a Deus. Manjedoura que é, meu coração recebeu o Senhor!
Para repousar no túmulo nosso Senhor abriu mão, voluntariamente, de certos atributos que caracterizam os homens - por exemplo, o apego à vida - e a si mesmo se entregou. Injusta e passivamente sofreu a aplicação do castigo que era devido àqueles que o Pai lhe deu, e, finalmente, voluntariamente, rendeu seu espírito.
Sua manjedoura, emprestada de animais domésticos, teve suas palhas forradas pelas faixas em que foi envolto, mas não o reteve por muito tempo: quarenta dias depois foi levado à casa terrestre de seu Pai, onde, contemplado por fiéis, foi apresentado. Já havia recebido em seu corpo a única marca que era permitida a um judeu.
Seu túmulo, emprestado de um homem rico, recém cavado na rocha, também foi forrado - com o lençol de linho que outro José usou para amortalhá-lo - e também não o reteve por muito tempo. Novamente, quarenta dias depois compareceu à casa do Pai. Desta vez à casa celeste. Desta vez, além da própria marca da Aliança, apresentou ao Pai todas as marcas que adquirira dos que ele mesmo representou.
Entre a manjedoura e o túmulo fez muitas coisas. Aprendeu com seu pai terrestre a arte de trabalhar a madeira, e a trabalhou. O que fez nessa época ainda saberemos, porém temos certeza de que não foi sem motivo que ficou conhecido como “construtor”.
Entre a manjedoura e o túmulo, quando completou os 30 anos necessários, chamou a si aqueles que ele mesmo quis e os treinou para completar o que ele iniciou de uma vez por todas: os fez alicerces de sua nova construção.
Entre a manjedoura e o túmulo outras madeiras e outros pregos não lhe foram instrumentos dóceis, porém eram parte importante dessa construção maior: a casa eterna: verdadeira cidade para todos aqueles por quem morreu.
Enquanto as festas deste mês de dezembro nos lembram a manjedoura, não esqueçamos que para apreciá-la precisamos entender corretamente o significado do túmulo. Ela foi apenas o início.
O brilho característico da tradição natalina será falso, supersticioso e indigno do Senhor de todas as coisas, se ele não tiver nascido em nosso coração (que pode ser tão acanhado como uma manjedoura, afinal, ele não liga pra isso) nem estivermos dispostos a dividir com ele seu túmulo: mortos com ele para o mundo, mas vivos, com ele, para Deus.
Indizível alegria! Nos alegremos muito! Afinal ele trilhou, antes de nós, o caminho entre a manjedoura e o túmulo e nesse caminho há uma cruz. Quando ela nos parecer pesada, ou o caminho se mostrar árduo, lembremos das benditas palavras: “não temerei mal algum, pois tu estás comigo. O teu bordão e o teu cajado me consolam”.
Glórias a Deus. Manjedoura que é, meu coração recebeu o Senhor!
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
Do jardim à cidade
E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden,
na direção do Oriente,
e pôs nele o homem que havia formado.
Gênesis 2:8
na direção do Oriente,
e pôs nele o homem que havia formado.
Gênesis 2:8
O homem recebeu de Deus um jardim. Não era um matagal, pois a palavra jardim já indica certa organização das plantas, porém, com certeza carecia de cuidados.
A revolta do homem contra Deus prejudicou o jardim, pois o castigo que Deus impôs sobre ele afetou também tudo aquilo sobre o tinha recebido domínio.
Embora haja muitas definições do que seja cultura, eu ainda prefiro pensar o seguinte: um rio intacto é obra divina, já um mero canal, ou um represamento mínimo é expressão de cultura. Ou seja: produto da cultura humana é qualquer interferência na criação divina. Não limito cultura às artes (como as entendemos hoje), ou às criações intelectuais. Na obra do artesão (quem aplica a arte com os dedos ou com ferramentas que vão da enxó ao bisturi) se vê a presença de conceitos culturais.
O homem interferiu na criação divina antes do pecado ao dar nome aos animais. Porém, a maior parte de suas ações culturais aconteceu após pecar.
Lembre-se de que nos primeiros tempos a interferência humana foi tão danosa, que Deus agiu drasticamente diversas vezes: dilúvio, Babel, etc.
Não posso concordar com quem diz que a cultura é neutra, pois, manchada pelo pecado, tudo o que deriva dela traz essa mancha. Eis a razão porque o jardim confiado ao homem nunca poderá ficar de acordo com o gosto de seu dono: Deus. Porém, essa impossibilidade não exime o homem de sua obrigação: Ele TEM de cuidar do jardim de Deus. Ele TEM de lutar contra os cardos e os abrolhos.
Essa obrigação tem duas razões: a primeira é a obediência a Deus e a segunda é não esquecer que seu melhor, diante de Deus, não passa de “trapos de imundícia”.
A maior prova é que o Filho de Deus, ao assumir nossa natureza, tornou-se também um “agente cultural” como nós o somos. Porém, apesar de agir sobre um meio cultural afetado pelo pecado, ele, de si próprio, não tinha seu agir impregnado pela nossa cultura pecaminosa. Viveu como artesão. Conheceu a matéria prima, as ferramentas, os produtos que eram próprios da época, e atuou com habilidade.
Mas, você já se deu conta de que tudo o que Deus criou, quando for redimido, virá afetado pela cultura? Deus nos deu um jardim, mas no último dia receberemos uma cidade! A cidade é o aperfeiçoamento do jardim, e, como vimos o aperfeiçoamento é feito através da aplicação da cultura.
Entretanto a cidade que receberemos não é a cidade produzida por nossa cultura manchada pelo pecado, mas a produzida pelo supremo artesão. Aquele que prepara-nos lugar!
Não esqueça: é uma cidade – há bons aspectos na cultura – mas não é uma cidade qualquer. Não é feita por nós. Acaso teríamos tal capacidade? Ela não é diferente apenas em seus materiais constitutivos. Difere, acima de tudo, por sua execução. A tal ponto agrada a Deus que é chamada de Noiva.
Recebemos um jardim e não demos conta de cuidar dele, nem daremos. Vivemos na esperança de receber uma cidade. O conceito que transforma o jardim em uma cidade, por assim dizer, é nosso. Porém, não foi executado por qualquer de nós, mas pelo melhor de nós. Aquele cujas mãos jamais fizeram coisa alguma que desagradasse ao Pai. Aquele que manteve a pureza da capacidade cultural delegada ao homem e a usou para glorificar ao supremo autor de todas as coisas.
Bendito seja seu nome.
sábado, 25 de novembro de 2006
Ócio no céu
Recentemente alguém me perguntou: “lá no céu vamos ficar voando de nuvem em nuvem, com harpinhas nas mãos, fazendo nada?”
Preciso dividir a resposta. Primeiro devo chamar sua atenção para a necessidade de entendermos bem nosso destino após a morte.
O que vulgarmente chamado de “céu” é um local provisório em que as almas de todos os que morrem antes da volta do Senhor ficam aguardando a ressurreição de seus corpos: são aquelas pessoas mencionados no “quinto selo” do Apocalipse.
No último dia, na volta do Senhor, ressuscitados todos os que morreram e transformados todos os que ele encontrar vivos, iremos morar com ele em um lugar que as Escrituras chamam de: Jerusalém Celeste, Novo Céu e Nova Terra, etc.
Segundo, não há um só texto das Escrituras Sagradas que abone a idéia do “ócio celeste”, ao contrário: tanto direta como indiretamente pressupõe-se atividade.
As Escrituras são comedidas ao falar da vida futura, e, o Apóstolo Paulo, chega mesmo a mencionar a existência de coisas que, além de inefáveis, não são lícitas ao homem o referir-se a elas (2Co 12.4). Você está lembrado de que João ia escrever o que ouviu “dos trovões” e foi impedido? Ou da expressão “o que de Deus se pode conhecer...” (Rm 1.19)?
Geralmente ao lermos as Escrituras ficamos apenas com aquilo que nos agrada mais. E, é claro que, as belezas relacionadas à vida futura chamam nossa atenção. Nos lembramos facilmente de palavras como alegria, prazer, júbilo, bondade, água, fontes, festa, luz, pão, casas, mesa, vinho, justiça, graça, glória, verdade, honra, incorruptibilidade, imarcessibilidade, santidade, misericórdia. Porém, encontramos também, responsabilidade, fidelidade, competência, serviço, e, principalmente, a relação mais clara entre o servo e o Senhor.
Não ficaremos ociosos, pelo contrário, receberemos das próprias mãos do Senhor as tarefas necessárias à manutenção de seu Jardim, então restaurado e redimido.
Lembre-se: antes de nossos pais pecarem o Criador os colocara em um jardim com a incumbência de lavrar a terra - certamente o trabalho seria mais leve, pois algumas maldições conseqüentes do pecado foram a fadiga, o suor do rosto para se obter o pão e o nascimento de cardos e abrolhos - e no jardim restaurado? Não haveríamos de ter responsabilidades também?
As responsabilidades que receberemos lá serão proporcionais ao desempenho com que executamos as nossas hoje. Pense na sentença do Senhor: “Servo bom e fiel. Tu foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei”. Teremos aquilo que Adão teria se não tivesse se rebelado contra Deus.
Finalmente!
Nosso trabalho será avaliado pelo mais justo Senhor.
Não trabalharemos para o proveito de espertos.
Nosso trabalho por mais simples que vier a ser, será em cumprimento da vontade mais perfeita que existe.
Senhor! Apresse este dia!
Preciso dividir a resposta. Primeiro devo chamar sua atenção para a necessidade de entendermos bem nosso destino após a morte.
O que vulgarmente chamado de “céu” é um local provisório em que as almas de todos os que morrem antes da volta do Senhor ficam aguardando a ressurreição de seus corpos: são aquelas pessoas mencionados no “quinto selo” do Apocalipse.
No último dia, na volta do Senhor, ressuscitados todos os que morreram e transformados todos os que ele encontrar vivos, iremos morar com ele em um lugar que as Escrituras chamam de: Jerusalém Celeste, Novo Céu e Nova Terra, etc.
Segundo, não há um só texto das Escrituras Sagradas que abone a idéia do “ócio celeste”, ao contrário: tanto direta como indiretamente pressupõe-se atividade.
As Escrituras são comedidas ao falar da vida futura, e, o Apóstolo Paulo, chega mesmo a mencionar a existência de coisas que, além de inefáveis, não são lícitas ao homem o referir-se a elas (2Co 12.4). Você está lembrado de que João ia escrever o que ouviu “dos trovões” e foi impedido? Ou da expressão “o que de Deus se pode conhecer...” (Rm 1.19)?
Geralmente ao lermos as Escrituras ficamos apenas com aquilo que nos agrada mais. E, é claro que, as belezas relacionadas à vida futura chamam nossa atenção. Nos lembramos facilmente de palavras como alegria, prazer, júbilo, bondade, água, fontes, festa, luz, pão, casas, mesa, vinho, justiça, graça, glória, verdade, honra, incorruptibilidade, imarcessibilidade, santidade, misericórdia. Porém, encontramos também, responsabilidade, fidelidade, competência, serviço, e, principalmente, a relação mais clara entre o servo e o Senhor.
Não ficaremos ociosos, pelo contrário, receberemos das próprias mãos do Senhor as tarefas necessárias à manutenção de seu Jardim, então restaurado e redimido.
Lembre-se: antes de nossos pais pecarem o Criador os colocara em um jardim com a incumbência de lavrar a terra - certamente o trabalho seria mais leve, pois algumas maldições conseqüentes do pecado foram a fadiga, o suor do rosto para se obter o pão e o nascimento de cardos e abrolhos - e no jardim restaurado? Não haveríamos de ter responsabilidades também?
As responsabilidades que receberemos lá serão proporcionais ao desempenho com que executamos as nossas hoje. Pense na sentença do Senhor: “Servo bom e fiel. Tu foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei”. Teremos aquilo que Adão teria se não tivesse se rebelado contra Deus.
Finalmente!
Nosso trabalho será avaliado pelo mais justo Senhor.
Não trabalharemos para o proveito de espertos.
Nosso trabalho por mais simples que vier a ser, será em cumprimento da vontade mais perfeita que existe.
Senhor! Apresse este dia!
sábado, 18 de novembro de 2006
Conhecerei como sou conhecido
Nos anos 40 ou 50 do século passado, havia um programa de rádio em que um “pastor” respondia perguntas a respeito da Bíblia. Tirava dúvidas. Um dia ele leu uma carta cujo teor podia ser resumido na seguinte frase: “como poderei ter alegria no céu se souber que meu filho está no inferno?”
A essa pergunta, infelizmente, ele ‘sugeriu’ 4 respostas. Na realidade, apenas uma poderia ser considerada resposta, pois, com tantas, ele semeou dúvidas que, até hoje, propagam-se com tal perniciosidade que as tenho como o cumprimento de Atos 20: “...dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas”.
Como já são objeto de debate público, muito a contra gosto, repetirei as 3 aqui, na esperança de firmar a verdadeira resposta.
1ª – “Na vida futura não nos lembraremos de nada do que aconteceu nesta vida”.
2ª – “Na vida futura não nos lembraremos das coisas ruins que nos aconteceram nesta vida”.
3ª – “Na vida futura não guardaremos, entre nós, os mesmos laços de relacionamento que guardamos nesta vida”.
A primeira “resposta/dúvida” é totalmente contrária ao ensino geral das Escrituras (a analogia da fé), pois, quão fútil seria comparecermos ante o tribunal de Cristo para respondermos por algo que foi apagado de nossa memória. Lembre-se: não há condenação, mas haveremos de prestar contas daquilo que ele nos confiou. Veja:
Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. 2 Coríntios 5:10
Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Romanos 14:10
E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas. Hebreus 4:13
Compare ainda com as seguintes palavras do Senhor: “Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus”
Como saberíamos a importância de Abraão, seu filho e seu neto, ao ponto de termos por honra partir o pão com eles, se não nos lembrarmos de coisa alguma, e, conseqüentemente, deles?
A segunda parece que foi feita após se pensar nos argumentos contrários à primeira. Ou seja: nos lembraremos de Abraão e seus descendentes, mas não nos lembraremos das coisas ruins.
Porém, acaso poderíamos lembrar da fé de Abraão sem lembrar do sacrifício de Isaque? Nos lembraríamos de Jacó sem lembrar que o Senhor o amou e aborreceu a seu irmão Esaú? Eles teriam importância para nós, figurariam no capítulo 11 da carta aos Hebreus, sem as provações pelas quais passaram?
Aliás, você teria a maturidade espiritual que tem sem as dificuldades pelas quais o Senhor fez você passar?
Irmãos, será que no Reino de Deus seríamos privados de nos lembrar da Bíblia onde ninguém tem seus defeitos escondidos?
A terceira, parte da pressuposição de que na eternidade amaremos a todos igualmente, por isso, vínculos familiares, que causam perdas dolorosas, não existirão. Porém, é apenas uma tentativa de, através do que as Escrituras não dizem, resolver um problema que já foi resolvido.
A única resposta é: Lá, na vida futura, nos lembraremos de tudo com mais clareza. Nos lembraremos dos fatos obscuros, que memorizamos conforme nosso ponto de vista, com a certeza que não é possível se ter nesta vida. Lá nosso conhecimento de todas as coisas será tal, que se cumprirá finalmente: “conhecerei como também sou conhecido”.
Então ficaremos tristes? Não! Absolutamente não! Nosso Mestre e Senhor nos declarou:
São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. Apocalipse 7.14-17
Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. Apocalipse 21.3-4
Haveria tristeza se não fosse o supremo consolo de Deus: O Consolador!
Essa é a esperança do cristão verdadeiro.
A essa pergunta, infelizmente, ele ‘sugeriu’ 4 respostas. Na realidade, apenas uma poderia ser considerada resposta, pois, com tantas, ele semeou dúvidas que, até hoje, propagam-se com tal perniciosidade que as tenho como o cumprimento de Atos 20: “...dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas”.
Como já são objeto de debate público, muito a contra gosto, repetirei as 3 aqui, na esperança de firmar a verdadeira resposta.
1ª – “Na vida futura não nos lembraremos de nada do que aconteceu nesta vida”.
2ª – “Na vida futura não nos lembraremos das coisas ruins que nos aconteceram nesta vida”.
3ª – “Na vida futura não guardaremos, entre nós, os mesmos laços de relacionamento que guardamos nesta vida”.
A primeira “resposta/dúvida” é totalmente contrária ao ensino geral das Escrituras (a analogia da fé), pois, quão fútil seria comparecermos ante o tribunal de Cristo para respondermos por algo que foi apagado de nossa memória. Lembre-se: não há condenação, mas haveremos de prestar contas daquilo que ele nos confiou. Veja:
Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. 2 Coríntios 5:10
Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Romanos 14:10
E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas. Hebreus 4:13
Compare ainda com as seguintes palavras do Senhor: “Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus”
Como saberíamos a importância de Abraão, seu filho e seu neto, ao ponto de termos por honra partir o pão com eles, se não nos lembrarmos de coisa alguma, e, conseqüentemente, deles?
A segunda parece que foi feita após se pensar nos argumentos contrários à primeira. Ou seja: nos lembraremos de Abraão e seus descendentes, mas não nos lembraremos das coisas ruins.
Porém, acaso poderíamos lembrar da fé de Abraão sem lembrar do sacrifício de Isaque? Nos lembraríamos de Jacó sem lembrar que o Senhor o amou e aborreceu a seu irmão Esaú? Eles teriam importância para nós, figurariam no capítulo 11 da carta aos Hebreus, sem as provações pelas quais passaram?
Aliás, você teria a maturidade espiritual que tem sem as dificuldades pelas quais o Senhor fez você passar?
Irmãos, será que no Reino de Deus seríamos privados de nos lembrar da Bíblia onde ninguém tem seus defeitos escondidos?
A terceira, parte da pressuposição de que na eternidade amaremos a todos igualmente, por isso, vínculos familiares, que causam perdas dolorosas, não existirão. Porém, é apenas uma tentativa de, através do que as Escrituras não dizem, resolver um problema que já foi resolvido.
A única resposta é: Lá, na vida futura, nos lembraremos de tudo com mais clareza. Nos lembraremos dos fatos obscuros, que memorizamos conforme nosso ponto de vista, com a certeza que não é possível se ter nesta vida. Lá nosso conhecimento de todas as coisas será tal, que se cumprirá finalmente: “conhecerei como também sou conhecido”.
Então ficaremos tristes? Não! Absolutamente não! Nosso Mestre e Senhor nos declarou:
São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. Apocalipse 7.14-17
Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. Apocalipse 21.3-4
Haveria tristeza se não fosse o supremo consolo de Deus: O Consolador!
Essa é a esperança do cristão verdadeiro.
sábado, 11 de novembro de 2006
Duas casas
Na casa em que moro sou acordado logo cedo pela algazarra alegre de muitos passarinhos. Pra falar a verdade, se não me obrigar a levantar, a cantiga deles, reforçada pelo cheiro das flores com primeiros raios de sol, aumentam a vontade de continuar na cama.
Na casa em que moro, nos dias mais quentes, costuma vir uma brisa do rio. Às vezes tenho de fechar a cortina por causa do sol e cortar a brisa pela metade, mas ela continua insistindo em enfunar o tecido leve e entrar pelo escritório refrescando os instantes de trabalho matinal.
Na casa em que moro, depois do almoço, o canto da rolinha “Fogo-pagou” convida a uns instantes de repouso, e fica difícil sair para as obrigações da tarde, que vai refrescando na medida que o sol desce atrás da casa vizinha.
Na casa em que moro, apesar de pernilongos e do abafamento normal das cidades cortadas por rios, as tardes são quietas. Os meninos saem da escola vizinha em tropel, mas o sol poente doura o Pico da Ibituruna.
Na casa em que moro, o cheiro das mangueiras floradas no começo da primavera e das mangas no verão entram no quarto e enquanto caem de maduras, a brisa do rio, aproveitando o silêncio da noite, traz, como se fosse um acalanto, o barulho das corredeiras.
E na casa em que morarei? Se nem olhos, nem ouvidos, nem a imaginação podem ter idéia do que me espera, que pensamentos poderei ter dela?
A casa em que morarei foi projetada pelo melhor arquiteto. Está sendo preparada pelo melhor construtor. Será adornada pelo “primeiro” jardineiro.
Se as manhãs daqui são doces e calmas, as de lá serão muito mais. Que aromas fabulosos superarão o das flores, ou o do café recém-coado? Que sabores substituirão o do pão de queijo ainda fumegante?
Se aqui a conversa com os sábios vem pela leitura, como será conversar pessoalmente com os que estarão lá?
Se as melodias daqui dependem de eletricidade e são a repetição mecânica de um som gravado, como será ouvir grandes cantores e músicos, com arte e competência, executarem na hora aquilo que a imaginação, livre dos limites, lhes proporcionará?
Se as tardes, iluminadas pelo vermelho do poente são arrebatadoras, como serão as tardes de um lugar que não necessita de Sol? Aliás, haverá tardes ou será um eterno amanhecer?
Se a brisa e o som que vem de um rio barrento, já enchem de paz e alegria a noite, como serão as brisas que virão do Rio da Vida? Como será o perfume da Árvore cujas folhas curará as nações?
Se hoje, cada manga que cai, qual relógio de parede, sem compromisso com a hora certa, faz lembrar a infância com suas aventuras e mistura as saudades do que foi com as saudades do que será, como serão as lembranças de lá? Cantamos nos lembrar das horas suaves de oração.
Certamente nos lembraremos de muito mais, e as lembranças que trouxerem lágrimas serão plenamente consoladas pela Santa Presença.
Fui plenamente convencido de que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória que há de ser revelada. Hoje, creio, que muito menos os prazeres os serão.
Na casa em que moro, nos dias mais quentes, costuma vir uma brisa do rio. Às vezes tenho de fechar a cortina por causa do sol e cortar a brisa pela metade, mas ela continua insistindo em enfunar o tecido leve e entrar pelo escritório refrescando os instantes de trabalho matinal.
Na casa em que moro, depois do almoço, o canto da rolinha “Fogo-pagou” convida a uns instantes de repouso, e fica difícil sair para as obrigações da tarde, que vai refrescando na medida que o sol desce atrás da casa vizinha.
Na casa em que moro, apesar de pernilongos e do abafamento normal das cidades cortadas por rios, as tardes são quietas. Os meninos saem da escola vizinha em tropel, mas o sol poente doura o Pico da Ibituruna.
Na casa em que moro, o cheiro das mangueiras floradas no começo da primavera e das mangas no verão entram no quarto e enquanto caem de maduras, a brisa do rio, aproveitando o silêncio da noite, traz, como se fosse um acalanto, o barulho das corredeiras.
E na casa em que morarei? Se nem olhos, nem ouvidos, nem a imaginação podem ter idéia do que me espera, que pensamentos poderei ter dela?
A casa em que morarei foi projetada pelo melhor arquiteto. Está sendo preparada pelo melhor construtor. Será adornada pelo “primeiro” jardineiro.
Se as manhãs daqui são doces e calmas, as de lá serão muito mais. Que aromas fabulosos superarão o das flores, ou o do café recém-coado? Que sabores substituirão o do pão de queijo ainda fumegante?
Se aqui a conversa com os sábios vem pela leitura, como será conversar pessoalmente com os que estarão lá?
Se as melodias daqui dependem de eletricidade e são a repetição mecânica de um som gravado, como será ouvir grandes cantores e músicos, com arte e competência, executarem na hora aquilo que a imaginação, livre dos limites, lhes proporcionará?
Se as tardes, iluminadas pelo vermelho do poente são arrebatadoras, como serão as tardes de um lugar que não necessita de Sol? Aliás, haverá tardes ou será um eterno amanhecer?
Se a brisa e o som que vem de um rio barrento, já enchem de paz e alegria a noite, como serão as brisas que virão do Rio da Vida? Como será o perfume da Árvore cujas folhas curará as nações?
Se hoje, cada manga que cai, qual relógio de parede, sem compromisso com a hora certa, faz lembrar a infância com suas aventuras e mistura as saudades do que foi com as saudades do que será, como serão as lembranças de lá? Cantamos nos lembrar das horas suaves de oração.
Certamente nos lembraremos de muito mais, e as lembranças que trouxerem lágrimas serão plenamente consoladas pela Santa Presença.
Fui plenamente convencido de que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória que há de ser revelada. Hoje, creio, que muito menos os prazeres os serão.
sábado, 4 de novembro de 2006
Você já pensou no futuro hoje?
Conta-se que a Ferrari já havia ganhado fama, quando um fazendeiro comprou uma e logo depois veio reclamar da embreagem. O próprio Enzo ouviu e o despachou dizendo que ele só entendia de embreagem de tratores. Com raiva e com vontade de fazer algo melhor, ele montou uma concorrente que, até hoje, produz artesanalmente seus carros após encomenda. Seu nome era Lamborghini.
Há algum tempo atrás um amigo muito querido, me confessou que passou uma noite insone, ansioso para pegar seu carro novo de manhã. É um excelente carro, mas não é uma Ferrari, muito menos uma Lamborghini. Fiquei pensando que se ele estivesse esperando por uma dessas ... acho que já teria feito o ofício fúnebre dele.
Na idade média houve uma coleção tão grande de relíquias, que, se juntássemos todas, provavelmente, teríamos diversas cruzes, muitos pregos, muitas túnicas, etc. Houve quem garantisse possuir um pouco do leite que alimentou o Senhor nos braços de sua mãe. Valiam muitíssimo! Tanto que se cobrava ingresso para admirá-las. A simples visita a uma delas em Roma “garantia perdão de pecados”.
Há algumas ainda hoje. A mais conhecida delas é o suposto lençol com que José de Arimatéia amortalhou nosso Senhor: o chamado Santo Sudário. Apesar da datação de seu tecido remonta à idade média, há uma igreja em sua homenagem e não há preço para ele.
Convencionou-se pensar que o Senhor, como carpinteiro fazia móveis. Talvez até os fizesse, mas a palavra que traduzimos por carpinteiro (tekton, de onde vem arquiteto) refere-se muito mais a construtor. Provavelmente ele tenha feito mais colunas, vigas, marcos de portas, madeiramento para estuque de cobertura, do que cadeiras como sugere um filme recente.
Vamos admitir que ele tenha feito pelo menos um tamborete, daqueles de três pernas. Você já imaginou o preço que isso teria hoje?
Observe: Meu amigo ansioso por seu carro, pessoas dispostas a pagar ingressos para ver um suposto pedaço da cruz e o valor que teria um eventual móvel que o Senhor tivesse fabricado. Entretanto, vivemos em um mundo cheio de coisas, “fabricadas” pelo Senhor e não damos a elas o valor que deveríamos dar.
Porém, o que eu quero mesmo é chamar sua atenção para o fato de que você vai morar em uma casa feita pelo Senhor: o verdadeiro construtor, do qual todos os demais, por mais grandiosas que tenham sido suas obras, são apenas tipos pálidos. Você anseia por esta casa? Passa noites mal dormidas esperando por ela?
Já me disseram que os carros são antecipadamente conhecidos, e as casas daqui, geralmente acompanhadas desde a planta. Mas a casa futura é um mistério, pois, ninguém voltou para descrever a sua.
Em parte é verdade. Entretanto o Senhor, que morreu, voltou e nos assegurou que não devemos temer, pois estaremos com ele. Nossa chegada lá será marcada pelas palavras “Servo bom e fiel. Tu foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor”. Logo em seguida tomaremos assento, à mesma mesa com Abraão, Isaque e Jacó, partiremos o pão juntos e beberemos um vinho que o Senhor espera para beber conosco.
Será que não é motivo para dizermos com o Apóstolo que estar com Cristo é incomparavelmente melhor?
Há algum tempo atrás um amigo muito querido, me confessou que passou uma noite insone, ansioso para pegar seu carro novo de manhã. É um excelente carro, mas não é uma Ferrari, muito menos uma Lamborghini. Fiquei pensando que se ele estivesse esperando por uma dessas ... acho que já teria feito o ofício fúnebre dele.
Na idade média houve uma coleção tão grande de relíquias, que, se juntássemos todas, provavelmente, teríamos diversas cruzes, muitos pregos, muitas túnicas, etc. Houve quem garantisse possuir um pouco do leite que alimentou o Senhor nos braços de sua mãe. Valiam muitíssimo! Tanto que se cobrava ingresso para admirá-las. A simples visita a uma delas em Roma “garantia perdão de pecados”.
Há algumas ainda hoje. A mais conhecida delas é o suposto lençol com que José de Arimatéia amortalhou nosso Senhor: o chamado Santo Sudário. Apesar da datação de seu tecido remonta à idade média, há uma igreja em sua homenagem e não há preço para ele.
Convencionou-se pensar que o Senhor, como carpinteiro fazia móveis. Talvez até os fizesse, mas a palavra que traduzimos por carpinteiro (tekton, de onde vem arquiteto) refere-se muito mais a construtor. Provavelmente ele tenha feito mais colunas, vigas, marcos de portas, madeiramento para estuque de cobertura, do que cadeiras como sugere um filme recente.
Vamos admitir que ele tenha feito pelo menos um tamborete, daqueles de três pernas. Você já imaginou o preço que isso teria hoje?
Observe: Meu amigo ansioso por seu carro, pessoas dispostas a pagar ingressos para ver um suposto pedaço da cruz e o valor que teria um eventual móvel que o Senhor tivesse fabricado. Entretanto, vivemos em um mundo cheio de coisas, “fabricadas” pelo Senhor e não damos a elas o valor que deveríamos dar.
Porém, o que eu quero mesmo é chamar sua atenção para o fato de que você vai morar em uma casa feita pelo Senhor: o verdadeiro construtor, do qual todos os demais, por mais grandiosas que tenham sido suas obras, são apenas tipos pálidos. Você anseia por esta casa? Passa noites mal dormidas esperando por ela?
Já me disseram que os carros são antecipadamente conhecidos, e as casas daqui, geralmente acompanhadas desde a planta. Mas a casa futura é um mistério, pois, ninguém voltou para descrever a sua.
Em parte é verdade. Entretanto o Senhor, que morreu, voltou e nos assegurou que não devemos temer, pois estaremos com ele. Nossa chegada lá será marcada pelas palavras “Servo bom e fiel. Tu foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor”. Logo em seguida tomaremos assento, à mesma mesa com Abraão, Isaque e Jacó, partiremos o pão juntos e beberemos um vinho que o Senhor espera para beber conosco.
Será que não é motivo para dizermos com o Apóstolo que estar com Cristo é incomparavelmente melhor?
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
A Reforma Protestante do Século XVI (atualizado)

Apesar de termos escolhido apenas um dia no ano para comemorar a Reforma Protestante, na verdade ela foi mais um movimento, que durou séculos, do que o acontecimento de um dia.
Sem desprezar a atitude singular de Martinho Lutero ao afixar seu documento na porta da Igreja é conveniente não esquecermos que muitos antes dele contribuíram para que a situação chegasse ao ponto que possibilitou seu gesto. Não esqueçamos, também, dos demais que lhe seguiram complementando a obra que ganhou novo impulso com o que ele fez.
Isso fica claro quando vemos “Muro da Reforma”.
Calvino, avesso a homenagens, determinou expressamente que não se lhe fizesse nenhuma após sua morte. Entretanto, no início do Século 20, a cidade de Genebra, precisando reformar o que restava dos muros da cidade antiga, resolveu, mediante consulta nacional, refazê-los como um monumento à Reforma. Porém, como falar dela sem falar de Calvino? Especialmente quando coincidia com os 400 anos de seu nascimento?
Decidiu-se por um concurso, do qual participaram 71 concorrentes. O projeto escolhido (dos arquitetos Alphonse Laverrière e Jean Taillens e dos escultores Paul Landowski e Maurice Reymond) apresentou a simbologia de um muro em cuja base está gravado o nome do Senhor Jesus - em grego IHS - Em segundo plano, em baixo relevo, a divisa de Genebra “Post Tenebras Lux” (Após Trevas, Luz). Destacando-se do muro 10 estátuas, dos mais principais Reformadores, defronte a 2 estrelas em memória a Zwinglio e a Lutero.
As estátuas estão dispostas em 3 grupos e entre as estátuas dos grupos laterais estão esculpidas, em baixo relevo, cenas de momentos importantes para a Reforma.
No grupo da esquerda: o Almirante Coligny (representando a França), William, o Pensativo, (representando os Paises Baixos) e Frederico-William (representando a Alemanha).
No grupo da direita: Roger Williams (representando a Nova Inglaterra), Oliver Cromwell (representado a Grã Bretanha) e Estêvão Bocskay (representando a Hungria).
No grupo do centro estão os que se afadigaram na Palavra e no Ensino: Farrel, Calvino, Beza e Knox. Todos portam a “Pequena Bíblia do Povo Cristão”, usada então, e estão vestindo mantos genebrinos. Como um destaque sutil Calvino está meio passo à frente dos demais e mostra um texto em sua Bíblia aberta.
Talvez este muro seja a mais completa exposição do “espírito da Reforma Protestante”:
Solidez: representada na figura de um muro de pedras, alicerçado sobre uma pedra principal na qual está esculpida o nome do Senhor Jesus.
Simplicidade: vista também nas linhas simples de um muro, no uso de “baixos relevos”, nas dimensões atípicas para um monumento e no estilo despojado das esculturas.
Coletividade: representação dos diversos lugares em que a Reforma Protestante chegou e nos diversos setores da sociedade (militares, políticos, docentes e comerciais) participantes.
Direção: unidos sob a liderança da Palavra de Deus exposta por quem nela se afadiga, a Reforma Protestante não foi um movimento acéfalo, nem apenas de leigos, mas de leigos que honravam a Palavra de Deus e procuravam entendê-la como ela é, não como fora deturpada pelos interesses pessoais de quem a usou para justificar as próprias tolices afastando-se cada vez mais da simplicidade do Evangelho.
sábado, 21 de outubro de 2006
Que dias!
No ar: Um avião pequeno, em condições ainda não muito claras, chocou-se com um grande e o derrubou causando a morte de muitos.
No mar: Um barco pequeno, em condições ainda não muito claras, chocou-se com um grande e foi afundado resultando na morte da maioria de seus passageiros.
Na terra: A Coréia do Norte, em condições ainda não muito claras, explodiu uma bomba atômica com resultados pequenos mas causando grande sobressalto no mundo.
Em nosso país: Milhões de eleitores, em condições ainda não muito claras, tendem a eleger Presidente da República, o candidato do partido mais acusado de corrupção.
Em nossa cidade: Com quase 750 endereços de Igrejas Evangélicas, 26 Presbiterianas, registra, em condições ainda não muito claras, a médias iguais ou inferiores a dos índices sociais da média do país.
Como explicar? Não sei, mas creio que o choque dos aviões e dos barcos provavelmente será atribuído a falha humana, a bomba coreana, aos últimos esforços de um regime falido que insiste em sobreviver mesmo chantageando o mundo. Já as nossas eleições não tenho a menor idéia de como explicar, como, também, não sei explicar o paradoxo de nossa cidade.
Estamos no mês em que nos lembramos da Reforma Protestante do Século 16. E, a história tem mostrado que onde a Reforma Protestante desenvolveu-se, o analfabetismo, a violência, e outros malefícios, diminuíram, ao passo que a saúde, a educação, a higiene e outros benefícios cresceram.
Desde que cheguei aqui tenho pensado muito nisso. Às vezes penso que é um reflexo da situação caótica de nosso país ou da herança cultural e religiosa que recebemos, ou do “tipo de evangelho” que está sendo pregado. Sinceramente ainda não tenho certeza. Porém continuo estudando e aprendendo.
Por exemplo: Eu sempre achei que as cigarras só cantavam com o sol a pino. Estava errado. Nos dias mais quentes da semana passada, ao entardecer, algumas disputavam quem cantava mais alto. Depois das atividades da noite, acabei dormindo no sofá e acordei às 2 da manhã com uma cigarra quase se espocando de tanto cantar.
Alguém me disse que é a fêmea chamando o macho. Outro me garantiu que é o inverso. Fêmea ou macho, tanto faz, pois, enganada pelo clarão amarelo de uma lâmpada de vapor de sódio, não conseguirá seu objetivo, já que, fora dali, reina a escuridão da noite.
Será que, como as cigarras, a luz amarela está nos enganando? Sou testemunha do enorme esforço dispendido pelas “Igrejas sérias” em levar o Santo Evangelho. Sou testemunha da boa vontade de muitos irmãos que sacrificam-se em prol do trabalho que lhes é proposto. Também sou testemunha da presença da Bíblia em quase tudo o que se vê: Nomes de lojas, de pessoas, de ruas, de bairros, de igrejas... Porém, não tenho visto a Bíblia ser pregada conforme a Fé Reformada. Talvez seja essa a explicação.
Vamos voltar aos Princípios norteadores da Reforma Protestante. Ainda há tempo. Se não para evitar desastres, mas, pelo menos, para criarmos uma sociedade mais sadia, para nossos filhos.
No mar: Um barco pequeno, em condições ainda não muito claras, chocou-se com um grande e foi afundado resultando na morte da maioria de seus passageiros.
Na terra: A Coréia do Norte, em condições ainda não muito claras, explodiu uma bomba atômica com resultados pequenos mas causando grande sobressalto no mundo.
Em nosso país: Milhões de eleitores, em condições ainda não muito claras, tendem a eleger Presidente da República, o candidato do partido mais acusado de corrupção.
Em nossa cidade: Com quase 750 endereços de Igrejas Evangélicas, 26 Presbiterianas, registra, em condições ainda não muito claras, a médias iguais ou inferiores a dos índices sociais da média do país.
Como explicar? Não sei, mas creio que o choque dos aviões e dos barcos provavelmente será atribuído a falha humana, a bomba coreana, aos últimos esforços de um regime falido que insiste em sobreviver mesmo chantageando o mundo. Já as nossas eleições não tenho a menor idéia de como explicar, como, também, não sei explicar o paradoxo de nossa cidade.
Estamos no mês em que nos lembramos da Reforma Protestante do Século 16. E, a história tem mostrado que onde a Reforma Protestante desenvolveu-se, o analfabetismo, a violência, e outros malefícios, diminuíram, ao passo que a saúde, a educação, a higiene e outros benefícios cresceram.
Desde que cheguei aqui tenho pensado muito nisso. Às vezes penso que é um reflexo da situação caótica de nosso país ou da herança cultural e religiosa que recebemos, ou do “tipo de evangelho” que está sendo pregado. Sinceramente ainda não tenho certeza. Porém continuo estudando e aprendendo.
Por exemplo: Eu sempre achei que as cigarras só cantavam com o sol a pino. Estava errado. Nos dias mais quentes da semana passada, ao entardecer, algumas disputavam quem cantava mais alto. Depois das atividades da noite, acabei dormindo no sofá e acordei às 2 da manhã com uma cigarra quase se espocando de tanto cantar.
Alguém me disse que é a fêmea chamando o macho. Outro me garantiu que é o inverso. Fêmea ou macho, tanto faz, pois, enganada pelo clarão amarelo de uma lâmpada de vapor de sódio, não conseguirá seu objetivo, já que, fora dali, reina a escuridão da noite.
Será que, como as cigarras, a luz amarela está nos enganando? Sou testemunha do enorme esforço dispendido pelas “Igrejas sérias” em levar o Santo Evangelho. Sou testemunha da boa vontade de muitos irmãos que sacrificam-se em prol do trabalho que lhes é proposto. Também sou testemunha da presença da Bíblia em quase tudo o que se vê: Nomes de lojas, de pessoas, de ruas, de bairros, de igrejas... Porém, não tenho visto a Bíblia ser pregada conforme a Fé Reformada. Talvez seja essa a explicação.
Vamos voltar aos Princípios norteadores da Reforma Protestante. Ainda há tempo. Se não para evitar desastres, mas, pelo menos, para criarmos uma sociedade mais sadia, para nossos filhos.
sábado, 14 de outubro de 2006
O Caminhão

Há algum tempo atrás esta fotografia correu o mundo pela internet, e desde que a vi, aprendi a grande lição que ela transmite.
A cena, em si, não é apenas cômica, é, também, ridícula. Afinal, o que é que eles estão fazendo? Transportando uma cabine, ou essa é a forma final da “carroça de passageiros”? Estão rindo de felicidade ou (o que é mais provável), da estranheza que atraiu a atenção do fotógrafo?
A mensagem que ela me traz, traz junto angústia e tristeza pois ilustra bem o “evangelismo” atual. Veja:
1. A Estrutura externa está reconhecível: é a cabine de um caminhão (com alguma pesquisa é possível descobrir até sua marca).
2. O motor, outrora com a potência de muitos cavalos, foi substituído por um boi, que, não fosse a expressão de resignação bovina, eu diria que não está muito feliz com todo esse peso.
3. Os antigos passageiros, acostumados a ganhar o pão carregando e descarregando foram substituídos por dois anônimos. Um dos quais brinca ao volante qual motorista de carrossel.
4. O antigo motorista também foi substituído. Agora um risonho carroceiro, sentado no lugar do motor, toca com as rédeas o vagaroso e coitado boi.
É assim o “novo evangelismo”. As vezes dá para reconhecer nele alguma forma de verdade. Por exemplo: a “cabine” que lhe deu origem. Mas, e o motor? Outrora poderoso, a quem pouco pesava essa cabine, hoje boi sofredor a transporta com dificuldade.
O potente Espírito Santo que movia mentes e corações, foi substituído por um arremedo: mistura de emoções, campanhas, engodos ... Bois!
Veja a felicidade dos passageiros. Um faz de conta que “dirige” o outro aproveita o espaço.
O “carroceiro”, de riso enigmático, diverte-se na notoriedade que vale fotografia. Sorriso da pobreza flagrada em seu aspecto cômico ou riso escarnecedor de quem se delicia na gaiatice? Não sei.
Não sei também se a alegria do “novo evangelismo” é puro entretenimento, vazão emocional, ou prazer temporário que precisa ser mantido a todo custo, para que seus membros tenham “certeza” de possuírem o Espírito Santo.
Simulacro de viatura. Triste exemplo do que a miséria pode fazer. Alerta eloqüente sobre a vida espiritual que se tenta cultivar na impropriedade de meios e que só consegue provocar risos.
Risos amargos pois não expressam satisfação. Expressam logro. Expressam o inusitado. Expressam a dor.
Como é triste ver felicidade em quem caminha no erro. Como é triste ver o erro ser imposto como o certo.
Ah, Senhor; tem piedade de teu povo! Não nos deixes trocar as tuas águas vivas por cisternas rotas. Não nos deixes trocar o poder de teu Santo Espírito pela galhofa. Desperta em nós um coração pronto a fazer tua vontade e alegrar-se em ti.
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