Invertendo a situação, perguntaríamos a um pai, ou a uma mãe, qual foi a maior tristeza que o filho deu? Ou, qual foi a primeira vez que o filho os entristeceu? Provavelmente perguntas assim sejam as mais difíceis de responder.
Esperamos com ansiedade nosso filho. Nos privamos de muito em favor de sua saúde ainda no ventre da mãe. Procuramos o melhor modo de trazê-lo à luz e de recebê-lo em nossa casa, que, na verdade passa a ser regida pela conveniência dele. Como dizia a música: chegou “sua majestade o nenê”.
Há porventura algo que ele necessite em seus primeiros dias que não tentemos suprir? Ou algo em nossa rotina de vida que não seja modificada por sua simples presença?
Passam-se os dias e mesmo em meio a mordidas dolorosas a mãe não lhe nega o seio. Em meio ao sono entrecortado não lhe é negado o acompanhamento e o conforto de fraldas secas.
Não sei exatamente quando, mas ainda bebê, os pais mais atentos descobrem que ele já é capaz de pequenas malandragens: As manhas de exigir colo. O choro impositor de sua vontade. O egocentrismo com que demanda a exclusividade da mãe.
Agostinho viu um gêmeo empurrando seu irmão para fora do outro seio materno da mãe que igualmente alimentava os dois.
Talvez não tenhamos pensado nisso – afinal quem de nós não gosta de ver uma criança explorando e descobrindo o mundo ao seu redor – mas, não há época em que o pecado se mostre tão ligado à nossa natureza quanto em nossas infâncias.
Talvez nem saibamos, ou nem nos lembremos, qual foi a primeira vez que nosso filho nos entristeceu. Perdoamos automaticamente. Depois de certa idade, quando os imaginamos capazes de entender o que ensinamos de bom é que nos admiramos em vê-lo preferir o que é mal. Ao vermos alguma malfeitoria pensamos: Quem foi que ensinou isso a ele? Quem o ensinou a dissimular o erro? A mentir? A xingar? A odiar?
Parece que o pecado da ira é o primeiro. Ah, antes que eu esqueça: são pecadores sim. Lindos. Engraçadinhos. Fofinhos. Mas, tão pecadores quanto nós: seus pais. Tão pecadores quanto Adão. Nasceram pecadores. Nasceram carentes da misericórdia de Deus, da graça do Senhor Jesus, da bendita iluminação do Espírito Santo.
A falta com a verdade não demora a aparecer. Chegam a se assustar quando os flagramos fazendo algo errado. Daí para frente o pecado aparece tão claro quanto o é em nós. Aliás, já passamos por todas essas fases e nossos pais viram em nós o mesmo que vemos em nossos filhos.
Porém, o Apóstolo ao dizer de sua felicidade, não estava, necessariamente, falando de crianças. Falava da Igreja.
Sabem irmãos? Nós, pastores, temos sempre sob nossos cuidados, marmanjos e bebês na fé. Os pecados dos marmanjos são apenas mais grosseiros do que os dos recém-nascidos na fé. Porém há um agravante: Enquanto um bebê não tem escolha a não ser crescer – a menos que um problema de saúde o retenha – na Igreja, nós, pastores, lutamos para que muitos deixem de ser meninos.
O Senhor já sabia disso, “pois ele mesmo concedeu ... pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos ... para que não mais sejamos como meninos”.
