sábado, 18 de março de 2006

Os bebês e os Bebês da Igreja

Para o Apóstolo João a maior alegria que tinha era “ouvir que seus filhos andavam na verdade”. Será que o mesmo ocorre a qualquer pai?

Invertendo a situação, perguntaríamos a um pai, ou a uma mãe, qual foi a maior tristeza que o filho deu? Ou, qual foi a primeira vez que o filho os entristeceu? Provavelmente perguntas assim sejam as mais difíceis de responder.

Esperamos com ansiedade nosso filho. Nos privamos de muito em favor de sua saúde ainda no ventre da mãe. Procuramos o melhor modo de trazê-lo à luz e de recebê-lo em nossa casa, que, na verdade passa a ser regida pela conveniência dele. Como dizia a música: chegou “sua majestade o nenê”.

Há porventura algo que ele necessite em seus primeiros dias que não tentemos suprir? Ou algo em nossa rotina de vida que não seja modificada por sua simples presença?

Passam-se os dias e mesmo em meio a mordidas dolorosas a mãe não lhe nega o seio. Em meio ao sono entrecortado não lhe é negado o acompanhamento e o conforto de fraldas secas.

Não sei exatamente quando, mas ainda bebê, os pais mais atentos descobrem que ele já é capaz de pequenas malandragens: As manhas de exigir colo. O choro impositor de sua vontade. O egocentrismo com que demanda a exclusividade da mãe.

Agostinho viu um gêmeo empurrando seu irmão para fora do outro seio materno da mãe que igualmente alimentava os dois.

Talvez não tenhamos pensado nisso – afinal quem de nós não gosta de ver uma criança explorando e descobrindo o mundo ao seu redor – mas, não há época em que o pecado se mostre tão ligado à nossa natureza quanto em nossas infâncias.

Talvez nem saibamos, ou nem nos lembremos, qual foi a primeira vez que nosso filho nos entristeceu. Perdoamos automaticamente. Depois de certa idade, quando os imaginamos capazes de entender o que ensinamos de bom é que nos admiramos em vê-lo preferir o que é mal. Ao vermos alguma malfeitoria pensamos: Quem foi que ensinou isso a ele? Quem o ensinou a dissimular o erro? A mentir? A xingar? A odiar?

Parece que o pecado da ira é o primeiro. Ah, antes que eu esqueça: são pecadores sim. Lindos. Engraçadinhos. Fofinhos. Mas, tão pecadores quanto nós: seus pais. Tão pecadores quanto Adão. Nasceram pecadores. Nasceram carentes da misericórdia de Deus, da graça do Senhor Jesus, da bendita iluminação do Espírito Santo.

A falta com a verdade não demora a aparecer. Chegam a se assustar quando os flagramos fazendo algo errado. Daí para frente o pecado aparece tão claro quanto o é em nós. Aliás, já passamos por todas essas fases e nossos pais viram em nós o mesmo que vemos em nossos filhos.

Porém, o Apóstolo ao dizer de sua felicidade, não estava, necessariamente, falando de crianças. Falava da Igreja.

Sabem irmãos? Nós, pastores, temos sempre sob nossos cuidados, marmanjos e bebês na fé. Os pecados dos marmanjos são apenas mais grosseiros do que os dos recém-nascidos na fé. Porém há um agravante: Enquanto um bebê não tem escolha a não ser crescer – a menos que um problema de saúde o retenha – na Igreja, nós, pastores, lutamos para que muitos deixem de ser meninos.

O Senhor já sabia disso, “pois ele mesmo concedeu ... pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos ... para que não mais sejamos como meninos”.

sábado, 11 de março de 2006

"Nos dias de sua carne" 2

Nos dias de sua carne o Senhor teve berço debaixo das condições mais humildes que um israelita podia imaginar. Mas isso foi nada perto da morte ignóbil que homem algum podia inventar: a cruz! Desprezo dos homens e maldição de Deus.

Nos dia de sua carne conviveu com todos os tipos de pessoas. Ainda menino viu o pouco que os mestres de Israel sabiam da Lei de seu Pai e mais tarde admirou-se que um deles não soubesse sequer o que era nascer de novo.

Nos dias de sua carne sentou-se à mesa com publicanos – aqueles que cobravam impostos de seus patrícios em favor dos romanos invasores do país - pecadores e pecadoras. Quando questionado respondeu com simplicidade que tinha vindo para doentes e não para os sadios.

Nos dias de sua carne teve poucos contatos com poderosos e ricos. Ainda bebê, recebeu presentes de uns que vieram de longe, mas seus pais tiveram de buscar segurança no exílio devido a outro que estava por perto.

Uma vez um deles tentou desacreditá-lo: convidou-o para comer em sua casa, mas negou-lhe as mais corriqueiras normas de hospitalidade.

Outros são mencionados como seus juizes. Condenaram-no. Apenas um levantou-se a seu favor: deu-lhe sepultura.

Nos dias de sua carne encontrou ingratos, mentirosos, ladrões, falsos amigos, prostitutas e hipócritas. Enfim: todo o catálogo de praticantes do que Deus proíbe e de não praticantes do que ele manda.

Chamou a atenção dos ingratos. Repreendeu os mentirosos. Condenou os ladrões. Tratou bem os falsos amigos. Exortou as prostitutas e verberou com ira contra os hipócritas. Orou por todos e a todos perdoou.

Nos dias de sua carne sofreu com a incredulidade. Sofreu com a zombaria. Com a difamação: ressentiu-se de ser chamado glutão e bebedor de vinho.

Sofreu também com o pouco caso com que tratavam seu Pai Celeste. Sofreu com a falta fé de quem o rodeava. E aprendeu.

Aprendeu a sofrer. Aprendeu a obedecer. Aprendeu também, na prática, o que era a natureza humana decaída: pouco diferente da natureza do próprio diabo.

Mesmo sofrendo, quando encontrava outro sofredor, tomava sobre si os sofrimentos dele: compadecia-se. Quando encontrava um desesperado dava-lhe esperanças. Não a esperança desvanecente de quem deseja, mas a esperança firme e ancorada nas promessas de que apenas aguarda.

“Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna” (Hb 5.7-9).

Agora, nos dias de sua glória, reina e conduz sua Igreja pelo vale da sombra da morte. Exaltado com um nome que está acima de qualquer outro, que à simples pronuncia dele, todos os joelhos se dobrarão.

Agora, nos dias de sua glória, intercede. Não por todos, mas por aqueles por quem morreu.

Apresenta ao Pai o verdadeiro culto, que eles são incapazes de prestar, e, às vezes, nem se preocupam fazê-lo: o sacrifício vivo e santo, o Sacrifício de Louvor que é fruto de lábios que confessam o seu Nome: aquilo que lhe é agradável: com reverência e santo temor.

Foram-se os dias de sua carne. Hoje vivemos dias, que, ligados à eternidade, onde ele está, refletem os dias de sua glória.

Hoje vivemos dias provisórios. Dias em que o mundo acumula para si a ira de Deus. Dias em que “quem é sujo suja-se mais”. Dias de expectação. Porém, dias de esperança, dias de ânsia pela glória que há de ser revelada.

Maranatha! Vem Senhor Jesus.

sábado, 4 de março de 2006

Águas de fevereiro

Dizem que as águas de março fecham o verão. Pode até ser. Se for, começaram em fevereiro.

Águas e ventos castigaram nossa ilha e nossa cidade. Folhas, galhos e árvores arrancadas pela raiz ainda podem ser vistas em nossas ruas.

Águas e ventos castigaram nossos acampamentos. O dos adultos, menos dependente de eletricidade, teve de se despedir da comida guardada na geladeira e o dos jovens, além disso, despediu-se do uso dos instrumentos elétricos.

Águas e ventos já mostraram sua fúria nos dias de nosso Senhor e impeliram seus discípulos a acordá-lo pedindo socorro. Não seria diferente em nossos dias. Muitos oraram com fervor, depois de assustados com os trovões terem se jogado debaixo das mesas.

Acabada a tempestade, a bonança, trouxe o silêncio dos grilos e dos passarinhos e, também, o frescor das folhas, o aroma da terra e a espera. Espera por um bem que nós inventamos e sem o qual dificilmente sobreviveríamos: a eletricidade.

Se, por um lado, a falta de eletricidade estimulou a conversa - normalmente silenciada pelas novelas - e a observação de um céu negro profundo em que as estrelas pareciam mais brilhantes, por outro deixou sem água quem dependia de bomba.

Aqui, não achamos lampiões que iluminassem o templo no domingo. Conseguimos comprar algumas velas, e durante o culto foi possível ver que os bancos sem adoradores e velas, estavam escuros e cheios de ausências.

Cantamos, lemos, oramos e ouvimos a Palavra do Senhor à luz de velas, que, como nós só ilumina bem o que está próximo. Recordamos também, que a luz precisa estar desimpedida para alumiar o objeto e precisa estar no alto para ser vista.

Benditas águas de fevereiro. Muitos estragos, muitas lições.

Lições que vieram sobre bons e maus, sobre justos e injustos. Lições comuns a todos que deixando de lado a raiva por Deus ter suspendido seus planos e mostrado que um pouco de sua chuva acaba com a “torre” dos mortais, perceberam seu poder destilado gota a gota, sopro a sopro.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Nós e nosso Pai celeste

Acaso esperamos o consentimento de nosso filho para gerá-lo? Ele teve alguma participação no ato que lhe deu vida? Trabalhou pelo pão enquanto estava no ventre de sua mãe? Fez algum tipo de esforço para vir à luz? Escolheu seu nome? Escolheu seu primeiro alimento?

Porém o recebemos como se ele nos tivesse escolhido. O acolhemos como o maior bem que temos. Abrimos-lhe nossos braços e nosso coração, como se ele não procedesse de nós.

Se nós, que pouco entendemos, pouco sabemos e pouquíssimo podemos, geramos uma nova vida, trazemo-la à luz, estabelecemos uma parte importantíssima de sua personalidade (o nome), o alimentamos de nós mesmos (o leite materno), quanto mais o nosso Pai celeste?


Acaso deixamos de zelar pelo bem estar de nossos filhos? Não cuidamos da saúde deles? Não procuramos livrá-los de más companhias? Não escolhemos o ambiente mais saudável em que eles possam se desenvolver intelectualmente? Não nos empenhamos por livrá-los de más influências? Seríamos maus pais se não fizéssemos isso.

Porém, os exortamos a serem boas pessoas. Os repreendemos quando erram. Castigamos quando insistem no erro. Elogiamos quando acertam. Premiamos quando superam suas próprias expectativas. Seríamos maus pais se não fizéssemos isso também.

Se nós, que não sabemos onde nossa obrigação termina e onde a responsabilidade de nossos filhos começa, agimos assim - pois é o que deve ser feito - quanto mais nosso Pai celeste que a tudo entende, tudo sabe e tudo pode, fará à seus filhos?


Acaso não sabemos quando algo está acontecendo a nossos filhos só de ver o jeito deles? Pequenos, não sabíamos quando estavam doentes? Grandes, eles conseguem, de fato, esconder alguma coisa de nós? Não sabemos, ou, pelo menos, não desconfiamos de suas necessidades?

Mas, esperamos pacientemente que eles tomem a iniciativa de nos procurar. A vitória alcançada lhes será mais saborosa se puderem nos contar com detalhes. A derrota sofrida lhes será mais proveitosa se for acompanhada da humildade de nos confessar o erro e pedir ajuda.

Se nós, que conhecemos em parte, já experimentamos a sublime harmonia entre o que sabemos de nossos filhos e o que eles sabem de si e de nós, quanto mais nosso Pai celeste.


Acaso, dentro de nossos limites, não predestinamos nossos filhos desde o primeiro dia que sabemos de sua existência? Não decidimos o que comer, o que fazer, onde estudar, pensando no futuro deles? Não nos privamos para que nossos filhos tenham um futuro melhor do que nosso presente?

Entretanto, deixamos barato? Não. Absolutamente não! Se estiver fraco na escola, aulas de reforço. Se estiver com a saúde abalada, cuidados. Se for rebelde, castigo. Fazemos seu futuro como se tudo dependesse de nós. Exigimos deles como se tudo dependesse deles.

Se nós, a quem é vedado conhecer o futuro, precavidos, não esperamos os acontecimentos, pelo contrário, procuramos garantir que o futuro seja como planejamos, e, pelo bem de nossos filhos, não nos descuidamos do que eles andam fazendo, quanto mais nosso Pai celeste, para quem o futuro é tão certo como o dia de ontem.

Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Is 49.15

Você ainda acha que foi à toa que Deus usou a figura paterna para revelar-se a nós?

Você ainda acha superstição orar o Pai Nosso?
Você conhece melhor maneira de vislumbrar esses mistérios sem pensar em Deus como Pai?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

E plantou um jardim

Pacientemente o jardineiro cuida do jardim. Apara o gramado, poda as roseiras, limpa os hibiscos, enfim: mantém tudo com aspecto viçoso e cuidado.

Meio jardim, meio pomar, onde as flores das laranjeiras, mangueiras, figueiras e de outras prenunciam frutos saborosos. Em flor ou carregadas de frutos, perfumam, atraem pássaros e alegram a vista.

Ele sabe que não é o primeiro jardineiro a trabalhar ali. Sabe também que o jardim já foi muito mais bonito. Naquela época não havia espinheiros nem ervas daninhas e o primeiro jardineiro só precisava cuidar das plantas. Agora é necessário também, limpar ao redor delas, adubá-las e arrancar os parasitas. A terra também já não é boa como antes.

Tempos atrás outros jardineiros, não conseguiam fazer o que ele faz hoje. Tiravam apenas a subsistência. Mesmo assim a produção mirrada não era suficiente nem para atender as necessidade, nem para alegrar a quem via o jardim.

Nesses dias, o dono do jardim mandou alguns para um lugar fértil. Terra boa. Tanto pasto e tantas flores que parecia até que a própria terra produzia leite e mel.

Apesar de uma preparação de 40 anos no deserto, imposta pelo dono, esperando que valorizassem mais o jardim, eles logo se apaixonaram pela criação de urtigas dos vizinhos. Sentiam saudades dos cactos e não demoraram a cultivar tiriricas e carrapichos.

Não adiantava. Por mais que fossem ensinados a gostar das plantas das quais o dono gostava, eles criam ter o direito, não apenas de ter suas próprias plantações de espinhos, mas de espalhá-las pelo jardim afora. Afinal eram mais fáceis de cuidar: praticamente cresciam sozinhos.

Para recuperar seu jardim, o dono mandou muitos mensageiros que foram odiados e mortos. Por fim, mandou seu filho com objetivo de mudar o pensamento e o gosto desses jardineiros, que, para uma terra tão boa e protegida, traziam o pior que nascia nos desertos e nos locais insalubres.

Porém, quem disse que os jardineiros gostaram da idéia? - Esse local é nosso. Diziam. Vamos plantar aqui o que nossos pais já plantavam e o que nós gostamos de plantar.

Além de não ouvir o filho, resolveram se livrar dele. Afinal, não viam as coisas como o dono via. Não tinham o interesse que o dono tinha. Eram posseiros. Tinham raiva de quem tinha outros planos para aquela terra.

Zangado, o dono chamou os que eram marginalizados pelos posseiros. Mostrou-lhes seu filho. Determinou-lhes que fizessem o que ele faria.

Começaram em umas terrinhas desprezadas: às vezes massapé terrível, às vezes piçarra dura. Mas as plantas preferidas pelo dono vingaram. Cresceram. Floriram. Frutificaram.

É claro que, mesmo entre os que foram mandados pelo dono, havia quem, por costume ou por gosto, levasse sementes ruins, e o jardim que começou tão bem, está hoje cheio de ervas daninhas. Mas as boas plantas estão lá. Só é preciso cuidar delas.


Portanto, pacientemente o novo jardineiro se afadiga com prazer. Ele sabe que não está só. Muitos, como ele também conhecem o gosto do dono e sabem que o jardim não lhes pertence.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

O Deus dos cristãos

Há algum tempo atrás surgiu um movimento que visava a convivência, e, se possível, o relacionamento ecumênico entre o cristianismo o judaísmo e islamismo. O argumento principal era que essas três religiões tinham alicerces comuns: eram monoteístas e adoravam o mesmo Deus: o Deus de Abraão.

Até sobre liturgia e prática de culto, onde as diferenças são mais nítidas, foi escrito muitas coisas, tentando mostrar que as diferenças, na realidade, eram apenas aparentes.

Entretanto, como se não bastassem os acontecimentos históricos – que, via de regra, são esquecidos – os mais recentes mostram que, nada há em comum a essas três religiões.


1. O deus dos judeus não é o Deus dos cristãos. Isso pode soar estranho, especialmente por compartilharmos o Antigo testamento, mas é verdade. Os judeus recusaram a “expressão exata do ser de Deus” e fixaram-se no modo como seus estudiosos entendiam a aliança feita com Abraão. Aquele que era, ainda é, e sempre será a expressão exata do Pai, foi bem claro: “quem vê a mim vê o Pai”, “ninguém vem ao Pai senão por mim”. Nele “habita corporalmente a plenitude da divindade”.

Ou seja: O verdadeiro Deus revelou-se em Cristo. Os judeus adoram aquilo que o representou antes da “plenitude dos tempos”. Não que Deus tenha mudado. Mudamos nós! E, capazes de receber sua revelação completa, ele parou de revelar-se como fez no passado dando-se a conhecer através do seu Verbo que a tudo criou e sustenta.

Recusá-lo é recusar a Deus. Rejeitá-lo, ou fazer pouco de seu sacrifício para assumir a nossa natureza afim de dar-se completamente a ser conhecido por nós, é calcar “aos pés o Filho de Deus e profanar o sangue da aliança”.


2. O deus dos Islamitas não é o Deus dos cristãos. Isso é muito mais fácil de provar.

a. Embora tenham como ancestral a Abraão, a palavra de Deus foi clara: “Em Isaque será chamada a tua descendência”.

b. Nos primeiros anos da Igreja Deus já a alertou sobre revelações de anjos, que foi como começou o islamismo: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”. Gálatas 1.8

c. A exemplo dos judeus, eles também não reconhecem ao Único a quem o Pai deu todo poder no céu e na terra.

d. Finalmente, nesse episódio bizarro das caricaturas, a imagem de quem eles estão defendendo? Alegam que é para não haver idolatria, porém, não é exatamente isso o que está acontecendo?

O verdadeiro Deus nunca escondeu os defeitos de seus mais devotos fiéis. Abraão – conhecido como amigo de Deus, e o pai nações árabes – teve seus pecados expostos. Por que a insistência, já de muito conhecida, em não falar dos erros de Maomé? Não é ao verdadeiro Deus que o Islã adora. É a Maomé!

Nossa Igreja está vendo nesses dias a pessoa e obra de Jesus: que é a expressão exata do ser de Deus e em quem habita corporalmente a plenitude da divindade.

Não deixemos de considerar o que está sendo feito a ele, de como seu nome tem sido vilipendiado em nossos dias e no passado. Verdadeiras monstruosidades foram cometidas em seu nome e ainda são hoje. Não nos envergonhemos de seu nome, mas fujamos de todo aquele que atrai vergonha sobre ele.

Porém nos lembremos sempre: somos Cristãos. Não anunciamos a Abraão, a Maomé, ou mesmo a Adonai dos Judeus. “Nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. 1Coríntios 1.23-24.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Novamente: as cercas-vivas

Você se lembra de quando eu escrevi aqui a respeito das cercas vivas que temos em nossas casas? De como a de minha casa foi cortada pelo vizinho? De como elas são úteis para alegrar o ambiente fechado, atrair passarinhos, e dar a privacidade necessária? E, principalmente, de como elas são exemplos da graça de Deus que nos protege?

Pois bem: a minha voltou a crescer.

Hibiscos vermelhos, que impedem a visão intrometida e atraem muitos beija-flores, alegram nossas manhãs. Ainda não chegam a fazer sombra como eu gostaria - especialmente nesses últimos dias em que a inclemência do sol já é sentida bem cedo - mas já alegra a visão de quem olha pra fora.

Além de bondoso, Deus é gentil. Sua bondade estende-se além do alimento que recebemos dia-a-dia e manifesta-se no ar, na água e nas demais coisas que possibilitam nossa vida. Porém sua gentileza é tão grande, que ele enche de cores nossos olhos, de música nossos ouvidos, de aromas nossas narinas, de gostos nossas bocas e de texturas nossas mãos. Não contente em bondosamente nos alimentar ele o faz com a gentileza de acrescentar ao alimento o sabor, a cor e o cheiro. Além da comunicação mútua, ele nos habilita a expressar o belo e a ouvir o que é agradável. Além de ver o que está ao nosso redor, ele mostra-nos arte nessas coisas.

Saboreamos o que comemos, nos deliciamos com as vozes suaves dos amigos e dos pássaros e vemos o verde salpicado de todas as cores possíveis.

De vez em quando, esquecemos de desfrutar desses dons maravilhosos e, como crianças mal-educadas, nos privamos da variedade de sabores, trocamos a harmonia pelo barulho, as cores pela monotonia do cimento cinza e dos muros pichados.

O mais importante é que sua bondade e sua gentileza não têm fim. Elas se renovam. As cercas vivas, mesmo depois de cortadas, voltam a crescer. Além de se renovarem, muitas vezes somos agraciados com o que não esperávamos. No meu caso, além da cerca viva voltar a crescer, nasceu uma trepadeira que logo atingiu a grade da janela e continuou subindo. Tiramos a cortina de dentro, pois ela é uma cortina natural por fora do quarto. Enquanto a cerca viva não cresce o suficiente para fazer sombra, ela faz. Suas folhas de verde profundo coam os raios solares e deixam passar a brisa fresca que vem do rio.

Mas a graça do Senhor não para de crescer. Depois de algum tempo a trepadeira deu flores. É um maracujá. Logo teremos frutos. E as flores, por sua forma e cor, e pela época de floração, já nos lembram da semana santa.

Meus irmãos, não sou membro do partido verde, muito menos milito em qualquer organização ambientalista, gosto da criação do Senhor por muitas razoes, principalmente porque ela grita para mim o quanto ele é amoroso. Não corto cercas vivas: elas nos protegem de muitas coisas e nos lembram a bondade de nosso Deus. Bondade essa que é apenas um respingo da bondade maior estampada na cruz.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

"Nos dias de sua carne" 1

“Nos dias de sua carne” nosso Senhor Jesus Cristo, experimentou, por si próprio, todas as coisas que nos afetam. Experimentou alegria da vida em família e o descrédito de seus irmãos. As dificuldades dos trabalhos manuais e a alegria de ver algo acabado. A admiração de alguns que conversaram com ele e a incredulidade daqueles que, por decisão do Pai, foram constituídos para zelar pelo que era seu.

Essa experiência trouxe o que o escritor da Carta aos Hebreus chamou de “aprendizado”, “obediência” e de “aperfeiçoamento”. Veja:

“Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” Hb 5.8-9.

Não que ele não soubesse de todas as coisas ou que fosse desobediente ou que não fosse perfeito. Porém, como Deus, ele nunca precisou obedecer. Depois de haver adquirido nossa natureza, ele aprendeu, na prática, a obedecer e isso redundou em um aperfeiçoamento, pois foi o único descendente de Adão que obedeceu ao Pai perfeitamente.

Sua obediência foi ativa, ao fazer tudo o que a lei determinava. Para ele um “i” ou um “til” (~) – sinais que habitualmente desprezamos. Aliás, costumamos desprezar muito mais do que sinais – da lei, valiam muito mais do que o céu e terra. Estes podiam passar. Aqueles não.

Ele expôs a importante doutrina da “vida eterna” baseando-se em um tempo verbal, quando disse: “antes de Abraão eu sou”. Não falou “eu era” ou “eu fui”, mas “eu sou”. Conjugando o verbo “ser” no presente, ele afrontou os judeus que reservavam presente para Deus e fez uma alusão ao seu nome impronunciável.

Mas também sua obediência foi passiva, ao suportar tudo o que o Pai determinou colocar sobre ele. Sujeitou-se à vida humana caída que depende do tempo e do espaço. Sujeitou-se aos cuidados de sua mãe, aos ensinos de seu pai, ao convívio com a descendência caída de Adão. Sujeitou-se ao “trabalho que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir”.

Finalmente sujeitou-se aos maus-tratos daqueles que deveriam glorificá-lo, ao julgamento de quem devia obedecê-lo, ao escárnio de quem deveria temê-lo.

Em tudo foi obediente. Em tudo foi aperfeiçoado. Comportou-se como Adão deveria ter feito se não tivesse se rebelado contra o próprio Deus.

Como um de nós, representou-nos perfeitamente diante do Pai que imputou-nos sua justiça. Mas também revelou-nos nossa própria desgraça: Não somos pecadores porque vivemos pecando. Ao contrário: vivemos pecando porque nascemos em pecado. É como um defeito genético. Nascemos carecendo pecar como um anencéfalo carece de um cérebro, ou um diabético de insulina.

Somente Jesus podia ser nosso “segundo Adão” e ao nascermos dele somos novas criaturas. Ainda pecamos, porque apenas nosso espírito foi regenerado. Mas virá o dia em que além de nosso espírito nossa carne também estará pronta. A redenção estará completa. A criação estará restaurada.

Vem Senhor Jesus.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

Coração sábio

Sabemos que os judeus usavam (e ainda usam) as fases da lua como base de seu calendário. Entretanto o ciclo lunar, que tem 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 2,9 segundos, leva 354 dias para perfazer o que chamam de ano, eles necessitam, a cada 3 anos, de acrescentar um mês - e, de vez em quanto, ainda acrescentam alguns dias para que as estações não deixem de corresponder a seus meses.

Este calendário se chama calendário lunar, e alguns crêem que é o único autorizado pela Bíblia já que o Salmo 104.19 diz: “Fez a lua para marcar o tempo”.

Entretanto desde antes de Cristo, já se sabia calcular o ano solar. Fincava-se uma haste no chão e marcava-se o lugar da primeira sombra ao nascer do dia. Depois marcava-se o lugar onde a sombra se esmaeceu ao final do dia. Entre as 2 marcações, a divisão era o meio dia.

Porém o mais importante é que essas marcações, ao correr do ano formavam um ângulo mais fechado indicando dias menores e um ângulo mais aberto, quando os dias eram maiores.

Contando-se os dias desde um ponto até sua repetição (por exemplo: desde quando os dias começaram a ficar menores até quando eles voltaram a ficar menores de novo), se obtém o valor aproximado de 365 dias, que é o calendário solar.

Ou seja: os 365 dias, que hoje chamamos de ano, não correspondem ao que os judeus na época de Cristo tinham como o período em que se repetia as 4 estações, e orientava a agricultura, a pecuária, e as festas religiosas. Principalmente estas, que eram contadas de acordo com a lua, precisavam cair em determinadas estações. Por exemplo: a Páscoa deveria cair antes do plantio do trigo e o Pentecostes no começo de sua colheita.

Hoje, nós acrescentamos um dia em fevereiro a cada 4 anos para compensar as 6 horas a mais que temos depois de 365 dias. Porém, na realidade, o assunto é mais complicado, pois 6 horas é um arredondamento, já que a terra gastou no ano de 2000, 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos para rodear o sol. E desde o ano que convencionamos chamar de ano 1, a velocidade da terra diminuiu cerca de 0,5 segundos por século, acumulando no ano 2000, 10 segundos de atraso. Tanto é que na virada de 2006 tivemos um ajuste de 1 segundo.

Bobagem! Diria alguém que vê pouca importância nestes valores pequenos. Porém os valores se somam: em 1582 (oitenta e dois anos após a descoberta do Brasil), o Papa Gregório XIII determinou que aquele ano, de 4 de outubro passasse diretamente para 16 de outubro, eliminando os dias 5 a 14, para realinhar o calendário com o ano solar. Observe que nestes 9 dias foi suprimido um domingo.

Esse calendário de Gregório só foi plenamente aceito na maioria dos países católicos em 1584, e nos países protestantes em 1752, após a Inglaterra ter eliminado os dias 3 a 13 de setembro para realinhar seu calendário que também era diferente.

Geralmente, quando pedimos como Moisés “ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio”, o espiritualizamos o sentido. Não há dúvida de que Moisés estava se referindo a uma vida em que os dias sejam passados debaixo da “conta” do Senhor. Porém, como haveríamos de alcançar corações sábios sem lembrar dos acontecimentos bons e ruins, e de suas respectivas lições, que nos ocorreram nos dias que recebemos de Deus?

Tanto melhor será se consideramos os anos que nossos antepassados viveram e registraram para nosso conhecimento. Se entendermos como funciona a ordem temporal de Deus e os dias que ele estabeleceu para o ritmo de nossa vida e nosso “desfrutar” de sua presença.

Você reparou que em nenhuma dessas frações de tempo (ano solar, ano lunar ou mês) há qualquer divisão natural que nos induza a observar o “Dia do Senhor” a cada período de 7 dias? Pois é: se quisermos fazer isto teremos que esquecer o “livro da natureza” e obedecer ao “Livro Sagrado”. Ou seja: “aprender a contar nossos dias para alcançarmos coração sábio”.

Gregório, e seus assessores erraram e hoje que dizemos ser o primeiro dia de 2006 anos após o nascimento de Nosso Senhor, estamos, mais ou menos a 2003 anos dele. Mais ou menos, pois nem disso temos certeza.

Vivamos, portanto, como se estivéssemos a 1 minuto de sua volta. Pois ela é certa. E nela daremos conta do que fizemos com os dias que o Senhor nos concedeu.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Vou celebrar o nascimento de meu Senhor

Vou celebrar, de fato, o nascimento de nosso Senhor.

Vou, em primeiro lugar, manter na mente a razão que o levou a encarnar-se: não haver outra solução para nós.

Vou me lembrar constantemente de que isso significa o quanto eu sou incapaz e o quanto ele me ama.

Vou procurar, com todas as minhas forças, responder a este ato com todo o respeito e devoção que ele merece.
- Não vou trocar a alegria que brota em minha alma pela alegria efêmera da comida e da bebida.
- Não vou desejar feliz natal sem de fato querer que a pessoa a quem me dirija tenha realmente um feliz natal, nem que eu tenha de contribuir para isso.
- Não vou limitar minha contribuição a presentes, a banquetes a festas. Contribuirei com amor abnegado, com bondade, com meu desejo mais sincero e com o anúncio claro de que Jesus nasceu para que o Pai seja glorificado nas alturas e aqueles, aos quais ele quer bem, tenham paz na terra.
- Vou trocar a algazarra das festas inconseqüentes pelo sorriso sincero e pelas palavras bondosas.
- Vou trocar os gritos por cânticos de louvor e os cânticos vazios por orações gratas como chuvas de verão e intensas como lágrimas de alegria.

Vou tê-lo como o maior bem que recebi. Como aquilo que eu menos merecia. Como aquilo que não posso viver sem.

Vou depositar a seus pés meu “eu”. E depois de entregar-me. Entregarei tudo aquilo de mais caro que ele me deu: minha família, meus amigos e meu futuro.

Vou deixar de ser “rei mago de minha vida” para tornar-me seu servo alegre em dividir com ele a manjedoura em que sua mãe o deitou e a cruz em que eu o preguei.

Não me furtarei a servi-lo. Seu gosto será o meu. Suas ordens o meu prazer. Sua vontade meu deleite.

E quando chegar o final do dia de seu aniversário me lembrarei que o dia de amanhã não será menos importante. Não será diferente. Começarei tudo de novo, pois, afinal, ele não nasceu apenas em Belém ele nasceu também em meu coração.

... se fez carne

Porque as Escrituras afirmam que “o Verbo se fez carne”, alguns homens maus concluíram que o mesmo aconteceu conosco. Já existíamos antes de assumir o corpo que nossas mães nos deram.

Tecnicamente esta heresia é conhecida como “pre-existência da alma”, e se ela não é abertamente confessada hoje, podemos vê-la em muitas afirmações como: “fulano é tão bom que deveria ter ficado no céu”.

Ela também é defendida pelos que pensam que Deus criou todas as almas, e que elas esperam sua vez de entrar em um corpo. Alguns chegam mesmo a dizer que a pessoa é boa ou má, em função do que fez enquanto esperava pelo seu respectivo corpo.

Porém há também aqueles que pregam a reencarnação das almas dos que já morreram. Tais almas voltam constituindo pessoas melhores ou piores conforme foi o comportamento que tiveram na vida passada.

Isso, na realidade, não apenas nega a verdadeira mensagem do Natal, mas nega também o sacrifício de Cristo e a Graça de Deus.

Porém infelizmente já se vê tais absurdos dentro da Igreja. Afinal a quantidade de horas que se gasta com o estudo da Bíblia é muito inferior à quantidade de horas que se gasta sendo doutrinado através de programas que vão de desenhos animados infantis até novelas.

A Secretaria de Missões desses anti-cristos é equipada com as melhores mídias e com os mais eficientes comunicadores.

Porque as Escrituras afirmam que “o Verbo se fez carne”, alguns homens maus concluíram que nosso Senhor e Mestre tomou de Maria um “invólucro” de carne: apenas o corpo. A parte espiritual de Jesus era o Verbo de Deus).

Entretanto as Escrituras nos ensinam que o filho de Maria era homem perfeito. Se nós, os homens, somos constituídos de corpo e alma, foi exatamente isso o que nasceu de Maria.
Eu sei que é complicado imaginar alguém que seja corpo e alma - como todos nós somos - e ao mesmo tempo o Verbo de Deus. Porém é aí que reside o mistério das duas naturezas do Redentor.

Não entendemos, mas exatamente por não entendermos é que nossos antepassados escreveram em nossa Confissão de Fé: “As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas - a Divindade e a humanidade - foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão, composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.”

Este é o mistério do Natal: o Verbo Divino não assumiu um corpo vazio e sim a nossa natureza. O Verbo Divino nasceu!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Tipos de vida

Quando nosso Senhor e Mestre falou “eu vim para que tenham vida e vida em abundância”, ele estava falando mais do que de uma vida alegre e intensa, como interpretam aqueles que vêem as Escrituras superficialmente. Examinando-as bem, vemos que elas falam de três tipos de vida e conseqüentemente de três tipos de morte. Jesus veio nos garantir os três tipos de vida - este é o sentido mais profundo de sua declaração - e nos livrar dos 3 tipos de morte.

Adão recebeu de Deus dois tipos de vida: Vida biológica e a vida espiritual. Se tivesse resistido a tentação receberia imediatamente o terceiro: vida eterna.

A vida biológica é a que todos possuímos. Ninguém, nem mesmo os mais céticos, questiona a existência dela, mas ninguém sabe explicar o que ela é. Cada dia se descobre mais acerca dos mecanismos de seu funcionamento, mas, até hoje, não há uma definição do que ela seja.

A vida espiritual é aquela que Adão tinha antes de voltar-se contra Deus. É também a vida que todos aqueles que foram ligados ao Segundo Adão, Jesus, recebem. Ao pecar cumpriu-se em Adão: “...certamente morrereis”. Ao receber Jesus cumpre-se: “ele vos deu vida estando vós mortos em vossos delitos e pecados”. Note: recebemos vida, pois estávamos mortos.

Portanto a primeira morte foi espiritual - o pecar - e causou a segunda morte: a biológica. A primeira ressurreição também é espiritual - a conversão - e é a condição para que aconteça a segunda ressurreição: a ressurreição do corpo.

A vida eterna atingirá a todos os que morrerem biologicamente estando vivos espiritualmente. O espírito estará com Deus enquanto o corpo - representante físico da vida biológica - decompõe-se na terra. Porém, no último dia, quando o Senhor recuperar tudo o que ele mesmo fez, receberemos o que Adão teria recebido se não tivesse cometido o pecado.

Semelhantemente a morte eterna atingirá todos os que morrerem biologicamente estando mortos em seus delitos e pecados. Não se trata de extinção, mas de uma condição, pois viver e morrer eternamente é estar com Deus ou estar sem Deus por toda a eternidade.

Cristo assumiu nossa natureza, para desfazer o erro de Adão, e do mesmo modo como Deus imputou a todos os descendentes de Adão o erro dele e suas conseqüências, imputará também a nós os méritos de Cristo e suas conseqüências também.

O Natal foi o começo dessa caminhada de Cristo: “fez-se reconhecido em figura humana” até a morte e morte de cruz.

Digamos como o poeta cristão:
Cristo, eternamente honrado do seu trono se ausentou!
E entre os homens, encarnado, Deus conosco se mostrou.
Quão bondosa Divindade! Quão gloriosa Humanidade!
Salve Cristo, Emanuel, Luz do mundo, Deus fiel

sábado, 26 de novembro de 2005

O que é vida?

Definir o que é a vida, ou mais precisamente, o que é estar vivo, sempre foi uma tarefa difícil. Já os primeiros filósofos gregos, tentaram chegar a uma explicação. Houve quem dissesse que é mais fácil dizer o que é “estar morto”, porém até nisso há discordâncias.

Veja: Há algum tempo atrás bastava não respirar para ser considerado morto. Depois viu-se que era necessário esperar o coração parar de bater. Hoje basta o cérebro parar de funcionar, que, mesmo respirando ou pulsando, já se considera falecido o moribundo.

Entretanto, apesar de vital, o cérebro é apenas um órgão do corpo que a alma utiliza para comandar e para tornar comunicáveis os pensamentos que ela mesma elabora. Ou será que já reduzimos o “homem” a reações químicas e achamos que o cérebro é a origem de tudo o que somos até de nossa identidade, vontade e pensamentos? Seria o “software” cerebral aquilo que a Bíblia chama de Imagem de Deus? Ou o cérebro apenas exterioriza o que de fato somos através de nossas palavras e atos?

Essa é uma questão vital para o cristão.

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Salvo engano, Aristóteles quem primeiro registrou preocupações sobre o que é a vida. Ele imaginava três formas de vida: a vegetativa, a animal e a humana (os termos que ele usou foram outros, mas vou usar destes por amor a clareza).

Para ele a vida vegetativa seria aquela que é comum aos vegetais e pela qual o ser humano passa antes do terceiro mês da gestação. A vida animal, aquela que consiste especialmente na presença de movimentos autônomos, como é próprio de todos os animais e do ser humano após o terceiro mês de gestação. Finalmente a “vida humana” seria a que ocorre apenas aos seres humanos depois de “vindos à luz”.

Não deixa de ser provocativo pensar que talvez aqui esteja a razão para a maioria dos países que proibiram ou que ainda proíbem o aborto, o permitirem até o terceiro mês da gravidez. Afinal ainda é um vegetal. E talvez esteja aqui a razão principal da diferença entre embrião e feto, como distinguimos os não nascidos antes e depois dos três meses.

Tão difícil quanto dizer o que é vida, é dizer quando é que ela se inicia. Há uma espécie de consenso entre as múltiplas correntes cristãs que a vida é a chegada da alma, e alguns acreditam que seja quando o espermatozóide penetra o óvulo, outros preferem crer que a vida tem início na nidação - quando o já ovo “aninha-se” na parede do útero - pois a fecundação ocorre nas trompas, e, grande parte dos óvulos fecundados é expelido sem que a mulher se dê conta. Na idade média se pensava que alma “entrava” no homem ao terceiro mês (seria influência de Aristóteles?) e na mulher um mês depois.

Como aconteceu ao Autor da Vida? Os Evangelhos são sucintos. Apenas Lucas, que era médico, se preocupa em transmitir algum detalhe: “... Maria, ... conceberás e darás à luz um filho, ... Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra” Lc 1.30-35.

Temos por certo que Maria contribuiu com seu óvulo para o nascimento de Jesus, pois afinal foi assim que ele adquiriu a natureza humana.

Observe que as palavras indicam que o ato gerador ainda ia acontecer. Não vejo por que razão admitir que tal óvulo entrasse no útero de Maria para somente então ser miraculosamente fecundado ali. Para mim a vida inicia-se na fecundação ainda nas trompas. Se assim “muitas vidas são desperdiçadas”, não é de se pensar na quantidade delas que não foram “desperdiçadas no fluxo menstrual”, mas que estão em franca rebelião contra Deus?
Jesus, o autor da vida, criou o sistema mediante o qual os pais geram vida biológica. E, por amor a nós, sujeitou-se a esse sistema para, como um de nós, receber “vida biológica”. Não deixe de considerar que ele fez tudo isso para, como um de nós, vencer a morte e conduzir-nos de volta ao Pai.

Celebre o Natal como nunca você celebrou! Esqueça de tudo, mas não esqueça do amor do Senhor por você.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

A vida estava nele

Em 1791, o cientista italiano Luigi Galvani estava estudando a anatomia de uma rã. Aconteceu que ao espalhar as bandejas com os pedaços ao longo de uma mesa, ficou perto de uma Garrafa de Leyden, - uma versão mais primitiva do aparelho que deixa eriçados os cabelos de quem o toca.

As Garrafas de Leyden que se conhecia então armazenavam grandes quantidades de eletricidade e davam choques enormes.

Enquanto ele estudava os músculos da rã, ao contato com o bisturi as pernas se mexeram. Recuperado do susto ele deduziu que, de alguma forma a eletricidade da Garrafa de Leyden, tinha passado através do bisturi, e afetado os músculos da rã.

Pensou que um raio - cuja descarga elétrica é mais potente - poderia fazer o mesmo a uma distância maior. Na primeira tempestade colocou as pernas da rã penduradas com fios de cobre sobre uma grade de metal do lado de fora da janela. Mexeram-se. Porém continuaram mexendo-se mesmo sem raios. Fascinado, chamou isso de “eletricidade animal” crendo que ela residia nas pernas da rã.

Alguns meses depois, seu compatriota Alessandro Volta, iria explicar, que, neste caso, a eletricidade que fazia os músculos das pernas da rã se contraírem, vinha da união dos metais diferentes em que elas estavam presas. Entretanto ficou a idéia de que a eletricidade era a responsável pela vida, já que movimento e vida estavam associados há muito tempo.

Alguns anos depois, em 1831, foi lançado o livro de Mary Shelley: Frankenstein. Nesse livro a idéia central é a criação da vida. Narra como um cientista uniu diversas partes de cadáveres formando um ser, que, após receber forte descarga elétrica passou a viver.

Até hoje muitos cientistas defendem uma idéia semelhante: milhões de anos atrás nosso planeta era coberto por líquidos ricos em substâncias propícias ao surgimento da vida - é a isso que chamam de “sopa primordial” - que ao receberem fortes descargas elétricas de raios, produziram as primeiras bactérias, das quais todos os seres vivos evoluíram.

Mas será que a vida é apenas eletricidade?

Essa pergunta é fundamental para os cristãos, porque ao comemorar o Natal, comemoram o nascimento daquele de quem é dito: “a vida estava nele” (Jo 1.4).

O que as Escrituras nos informam é suficiente para se dizer que a vida é algo maior. Ela pode até se servir da eletricidade para movimentar a musculatura, para fazer o cérebro pensar, mas de forma alguma ela pode ser confundida com um mero movimento de elétrons, que, em última análise, é o que produz a eletricidade.

Há modos mais profundos e precisos de se encarar o assunto, mas, podemos dizer que a vida se apresenta em duas formas. A primeira e mais geral que podemos chamar “o sopro de Deus” e a segunda - característica apenas do ser humano - “a imagem de Deus”. Apenas para facilitar: a primeira é o princípio biológico, compartilhado com os outros animais, e a segunda é o princípio espiritual.

Em ambos os sentidos a vida estava em nosso Senhor. Pois “nada do que foi feito sem ele se fez” (Jo 1.3), inclusive a vida biológica. No outro sentido sabemos que ele encarnou-se - assumindo a “nossa biologia” - para restaurar em nós aquilo que nossos primeiros pais danificaram ao ponto de quase não ser mais reconhecida: a imagem de Deus.

O Natal deve sempre nos lembrar do dia em que nossa natureza foi resgatada por quem “veio para que tivéssemos vida e a tivéssemos em abundância.” (Jo 10.10).

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Doenças da alma

Por dever de ofício visito pessoas com diversos tipos de enfermidades. Algumas graves - às vezes terminais - outras nem tanto. Algumas contagiosas, outras não. Umas, fruto de descuido, outras de acidentes.

Por dever de ofício encontro almas doentes. Já vi almas em estado terminal e já vi almas que passam apenas por um período: como se fosse um resfriado.

Se há uma variedade muito grande de doenças do corpo - e parece que a cada dia surge uma nova - há também grande diversidade de doenças da alma. Como há níveis de gravidade em um caso, há também no outro.

Há doenças crônicas tanto no corpo quanto na alma, como também há casos agudos. E, já percebi que do mesmo modo que algumas doenças ficam incubadas no corpo, algumas demoram a aparecer na alma apesar de já estarem lá.

Há doenças que só se manifestam no corpo e outras que só se manifestam na alma, embora sempre que o corpo sofra, a alma fique abatida e vice-versa. Mas algumas atuam em ambos e às vezes não se pode dizer qual deles sofre mais.

Meu contato maior é com as doenças da alma. Essas desfilam diante de mim e as vejo em crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhos. Seus sintomas, sempre físicos, são secreções verbais purulentas, olhares dissimulados e inquietos, curiosidade exarcebada, irritações superficiais, ou até estados febris com agitações histéricas.

Como ocorre com as doenças físicas há também a transmissão pelo contágio. Já vi crianças terem suas almas contaminadas por seus próprios pais. Já vi adolescentes e jovens expondo-se aos agentes transmissores mais virulentos como se nadassem em rios poluídos de esgoto. Já vi adultos e velhos, que, carcomidos, deixam cair pedaços necrosados da alma enquanto passam.

O contágio nunca se dá pela ingestão. Pelo contrário ele acontece através dos sentidos - as janelas da alma - e especialmente através da palavra.

Às vezes é apenas o doente quem as sofre, às vezes atingem a família e os amigos. Outras vezes alastram-se pela Igreja e contaminam quem está mais debilitado.

Fazer um catálogo das doenças da alma não é uma tarefa fácil, mas diferentemente das físicas, que parecem não ter limite em sua etiologia, elas, que podem aparentar muitos aspectos, originam-se sempre em dez princípios bem conhecidos agrupáveis em dois grandes tipos.

Há três fatos que surpreendem a quem estuda as doenças da alma. Primeiro, poucos doentes admitem que o são, e, muitas vezes, só procuram tratamento quando, de alguma forma, as doenças da alma passam a prejudicar seus interesses materiais: seja a saúde financeira, familiar ou física (quase sempre nessa ordem).

O segundo é que poucos têm o mesmo apreço pela saúde da alma como têm pela saúde do corpo. Muitos pagam prontamente convênios, ou até mantêm alguma importância reservada para eventualidades. Escolhem casas, escolas, academias, restaurantes, e outras coisas, levando em conta a salubridade do corpo. Entretanto, quase ninguém se preocupa com a salubridade da alma. Nunca vi ninguém procurar vacinas para as doenças da alma e quando tento aplicá-las sou mais repudiado do que os agentes do Dr. Oswaldo Cruz.

E o terceiro, é que geralmente se busca cura em outros doentes. Via de regra nos doentes mais graves que não apenas podem fazer muito pouco como contaminam ainda mais a alma doente.

Por dever de ofício trato tais doentes - antigamente chamavam meu ofício de Cura d'Almas - que na maioria das vezes demandam, como condição básica, uma alimentação saudável, balanceada e rica em nutrientes para a alma debilitada e os remédios adequados a cada caso. Porém, diferentemente do que ocorre com a maioria das doenças físicas, os remédios não agem por si. Não fazem efeito sozinhos. Eles exigem a participação do doente, que quase sempre se julga sadio, não nota o perigo que corre, nem o perigo que oferece aos demais.

Como está sua alma? Já fez um check-up? Já a examinou à luz do “manual” de quem fabricou você?

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Tempos de refrigério

Enquanto o sol de rachar, que obrigara muitos pedestres a atravessar a rua procurando uma sombra, declinava no poente, um mormaço quente abafava a respiração e uma cigarra escandalosa parecia que ia explodir de tanto cantar.

O suor teimava em escorrer pelo corpo, que já tendo sido refrescado por três vezes no chuveiro frio, e prometia ser o companheiro de cama que afastaria a bem amada para a outra extremidade do colchão, encharcaria o forro e obrigaria os lençóis a ficarem no guarda-roupa.A porta da sala aberta, na esperança de canalizar qualquer brisa que entrasse pela cozinha, reforçada pelo ventilador de teto ligado em sua maior velocidade, pouca diferença fazia, pois o eventual ar que circulava era quente: parecia o sopro de um secador de cabelos.

A noite seria longa.

De repente, sem que se avisasse ou se esperasse, um relâmpago brilhou bem longe surpreendente. Não demorou muito, uma vários clarões davam certeza de tempestade.

As gotas esparsas foram apenas uma introdução, seguidas de um aguaceiro violento. Com a chuva veio o vento e aproximaram-se os raios e trovões: A cada clarão um estrondo que parecia sacudir o ambiente. Chovia torrencialmente. As ruas ficaram alagadas. Os respingos trazidos pelo vento por maior que fosse o beiral incomodava a alguns, mas satisfazia a maioria que ainda porejava suor.

Entretanto, curiosamente, o calor continuava. Não tão forte, mas estava lá. A chuva que lavava as ruas e o ar, ainda demoraria a esfriar as paredes.

Mais uma lição de nossa Ilha.

Você já reparou o quanto as Escrituras falam negativamente a respeito do calor? Ele é uma das ameaças do Senhor em Deuteronômio 28.22, e um dos flagelos divinos em Apocalipse 16.8e9. Entretanto o homem que teme ao Senhor não o receia (Jeremias 17.7e8).

Contrariamente a sombra é uma bênção prometida em Isaías 4.5e6, e de Isaías 25.4, cantamos que o Senhor é como sombra no calor.

Sua maior força, entretanto, é como metáfora da vida espiritual. O Apóstolo Pedro, em At 3.20, promete tempos de refrigério aos arrependidos e um dos cuidados do Bom Pastor é refrigerar alma de suas ovelhas.

O que é refrigério para a alma? Somente cada um pode responder a si próprio. Alguns atormentados pela dúvida serão refrigerados pela certeza. Outros com a consciência abrasada por um pecado renitente, ou por uma pré-disposição pecaminosa são refrigerados pela graça e vitória. E, ainda outros, que nas palavras de Tiago (3.6), a língua colocou em "chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno", encontrarão refrigério nas Palavras Sagradas.

Espero que a situação em que você se encontra não seja tão desesperadora. Mas se for não se esqueça: pouco adiantará a chuva mais torrencial. Ela pode até refrescar. Mas o calor continuará presente. Só o Bom Pastor refrigera a alma.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Quando eu era menino

Quando eu era menino falava o que minha imaginação ditava. Afinal não é assim que todo menino fala? Eu não era exceção.

A verdade era minha, e eu fazia com que ela servisse a meus propósitos. Fabricá-la era muito útil na hora de explicar ao professor porque não fiz o dever de casa, ou à minha mãe porque o quarto não foi arrumado.

É claro que à medida que eu crescia, dentro de minha meninice, a verdade se tornou mais fugidia. Eu havia descoberto que a fantasia é perdoada, e as vezes até admirada em idades menores. Agora era imprescindível que houvesse alguma verossimilhança: uma verdade pela metade. Fabricá-la tinha passado a ser muito arriscado. Era melhor dobrá-la. Melhor ainda se a parte fantasiosa fosse insinuada para que o outro deduzisse a mentira e eu apresentasse apenas metade da verdade.

Minha também era a “lábia”. Não era necessariamente mentira o que eu falava, mas com jeitinho eu conseguia fazer meu time. Quando o jeitinho não funcionava o “grito” era uma boa solução. Uma bronca bem dada, ou uma mancada revelada na presença de outros fazia qualquer adversário concordar comigo. As vezes uma ameaça era necessária, mas as melhores não eram as ameaças físicas, mas revelar a todos aquelas besteiras que quase todos os meninos fazem e têm vergonha. Como fazer xixi na cama.

Quando eu era menino sentia que podia dominar o mundo. Me imaginava como aqueles heróis que dominam qualquer coisa que corra, flutue ou voe. E era bom pensar que eu seria admirado como os heróis que via nos filmes ou que eu imaginava das histórias dos adultos.

Porém, só imaginava os bons feitos: fechar a boca de leões, passar pelo meio do fogo, mandar o sol parar, caminhar em cima das águas, tirar montes do meio do caminho.

Levar bronca pelo erro cometido era para os outros. Vagar pelos desertos era para aquele moleque que me perturbava na classe.

Me assustei uma vez em que leram de Paulo passando fome, frio, açoites e outras dificuldades, pois já sabia de cor como ele fugira em um cesto por uma janela de uma muralha.

Quando eu era menino pensava que tinha a fé mais forte, a família mais perfeita, os melhores amigos e a capacidade de nunca “pisar na bola”.

Pensava que todas as regras e limites eram impostos por quem queria aparecer.

Pensava que não devia respeito a essa cambada de fingidos que “se acham” os bons.

Ah, quando eu era menino ...

Quando eu era menino
falava como menino,
sentia como menino,
Pensava como menino.
Quando cheguei a ser homem,
desisti das coisas próprias de menino. 1Coríntios 13.11

sábado, 22 de outubro de 2005

Rico para com Deus

Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.

E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo:

O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus. - Lucas 12.15-21

De modo simples nosso Senhor e Mestre divide-nos conforme a riqueza que possuímos. E, certamente, nos será de grande proveito saber em que grupo ele nos classificou, e esse fazendeiro nos ajudará a entender seus critérios.

A primeira coisa que destaco é que ele já era rico, e ao tomar um rico como exemplo o Senhor está dando a seus ouvintes judeus uma lição que hoje nos escapa, pois para os judeus todos os ricos foram abençoados diretamente por Deus com a riqueza.

A segunda coisa que chama minha atenção é uma espécie de solidão. Ao receber a notícia da boa safra ele "arrazoava consigo mesmo" e decide guardá-la. Ninguém tem acesso a seu 'centro de decisões'. Sobre isso o Senhor adverte: "Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza".

O rico para consigo mesmo pode dizer à sua alma: "tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te". Mas só pode dizer isto! Ele é refém de si próprio. Seu horizonte está limitado a "muitos anos", jamais consegue sequer atinar com a eternidade.

Entretanto a sanção do Senhor vem principalmente de seu comportamento com o que recebeu a mais. E aqui há mais uma característica do que é rico para consigo mesmo: nunca, coisa alguma é suficiente.

Observe que este homem não pode ser acusado de irresponsável ou esbanjador. Pelos padrões atuais ele até que é alguém sensato: não saiu gastando nem aproveitou o "excedente de caixa" para "torrar". Foi previdente e guardou para o futuro. Neste aspecto ele pode servir de exemplo para quem não pode se conter. Porém seu erro foi achar-se o centro e não um dos muitos instrumentos de Deus. Ele perdeu a chance de ser um "cooperador" de ninguém menos que o próprio Deus. É como se ele não tivesse importância ou utilidade para qualquer outra pessoa além de si próprio. Afinal ele era rico apenas para consigo. Não para com Deus.

E você? Em qual grupo Deus o classificou? No grupo dos que são ricos para si próprios? Ou no grupo dos que vêem a riqueza como uma oportunidade de trabalhar com ele?Se pensa que, diferentemente do fazendeiro rico, mal dá para atender suas necessidades, lembre-se de outras palavras do Senhor:

Quem é fiel no pouco
também é fiel no muito;
e quem é injusto no pouco
também é injusto no muito.

Se, pois, não vos tornastes fiéis
na aplicação das riquezas de origem injusta,
quem vos confiará a verdadeira riqueza?

Se não vos tornastes fiéis
na aplicação do alheio,
quem vos dará o que é vosso?

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Reformemos a Igreja


Quando Martinho Lutero divulgou suas 95 teses o ”ambiente” já estava preparado para recebê-las. Havia uma grande revolta contra as condições impostas pelos governantes, cujo poder derivava de acordos políticos-familiares-religiosos, e já havia um sentimento de nacionalidade.

As famílias mais poderosas e com melhores alianças políticas, unidas ao poder papal, que possuía cerca de um terço das terras européias, determinavam o que queriam. A religião “legitimava” as decisões tomadas. Sob certos aspectos há grande semelhança com o que ocorre hoje em nosso país.

A descoberta chave de Lutero foi a Bíblia. Ele estava sujeito às decisões mais arbitrárias. Alguns queriam-no como professor desde que ensinasse o que lhes era útil. A Igreja o tinha como doutor de verdades ensinadas pela própria Igreja, e, se ele as questionasse recebia como resposta que foi uma “comunicação de Deus diretamente ao Papa” que estabeleceu tal dogma.

A Bíblia o libertou.

Logo ele descobriu que somente as Sagradas Escrituras são a única coisa que deve prevalecer sobre a consciência do Cristão.

E nesse aspecto a semelhança com o que ocorre no meio evangélico brasileiro é maior. Se naqueles dias havia a autoridade papal que falava em nome de Deus, hoje há revelações. Se naqueles dias havia quem se valesse da ignorância de analfabetos para esconder deles as verdades bíblicas, hoje há inescrupulosos que falseiam o sentido das Escrituras e não apenas escondem as mesmas verdades, mas deturpam a autoridade delas.

Naqueles dias havia grupos que sinceramente queriam melhorar o estado da Igreja. Entretanto, não precisavam apenas de uma “injeção de ânimo”, ou como chamamos hoje de avivamento, precisavam de uma Reforma.

E a reforma veio.

Em lugar de palavras de homens, a Bíblia tomou o centro e a preeminência. Em lugar de devaneios místicos a Bíblia passou a ser estudada. Em lugar da emoção gerada pelas grandes solenidades, a pregação sistemática da Palavra de Deus.

Precisamos hoje de outra reforma. Não sou o primeiro a declarar isso. Muitos já o fizeram antes de mim. A Bíblia está cada vez mais escondida. Cada vez mais se escuta “testemunhos”, conselhos baseados no que “aconteceu comigo”. Convites simpáticos, shows impressionantes, e coisas do gênero.

É preciso trazer a Bíblia para o centro.

Que ela afaste os “simpatizantes” e atraia os eleitos, pois ela é a porta que fecha o Reino de Deus aos impenitentes e abre aos que reconhecem a voz do Bom Pastor e vivem por ela.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Sobre o desarmamento

Nestas últimas semanas diversos irmãos me perguntaram sobre a lei do desarmamento, e alguns até me pediram que falasse sobre ela. Por muitas razões achei melhor escrever.

Quem usa a internet tem visto a enxurrada de textos a favor e contra o desarmamento. Uns se apóiam em estatísticas e condenam o uso de armas. Outros mostram o quanto essas estatísticas estão sendo torcidas.

As mídias de massa, como televisão e rádio, não cessam de repetir o slogan: “Diga não às armas e sim à vida”. Como se quem dissesse sim as armas fosse tacitamente contra a vida. Aliás, já é possível ver certo estigma lançado sobre quem é a favor da venda de armas.

Tenho visto muitos cristãos piedosos dizerem que a bíblica proíbe possuir armas. Acho até compreensível que pensem assim, pois as profecias a respeito da vida futura, falam de transformar as armas em ferramentas agrícolas. Mas, enquanto não chegar esse dia?

Afirmo que não há qualquer texto bíblico que, analisado criteriosamente, proíba ao cristão ter e usar corretamente uma arma. Aliás há muitos que, pelo exemplo ou por ordem direta, obrigam ao discípulo do Senhor a ter e saber usar.

Eu não sei o que, de fato, anima nossa época - pois a mesma tendência pode ser vista em outros países - a banir todas as armas, porém questiono a eficácia desta tendência. Não posso fazê-lo como especialista em segurança ou em qualquer área correlata, mas à luz das Sagradas Escrituras, não podemos tratar a ninguém como livre das más inclinações, o que é um pressuposto do desarmamento.

A única obrigação que as Sagradas Escrituras imputam ao Estado é o da segurança. Examine-as: A família é que deve promover instrução e saúde, diferentemente do que prega o Liberalismo e o Neoliberalismo. O Estado não pode ser onipresente como quer o socialismo e especialmente o comunismo. Entretanto, com esta lei, dentro do âmbito legítimo confiado por Deus ao Estado, ele parte da premissa que já resolveu todos os problemas de segurança e deve desarmar os cidadãos.

A cada argumento levantado é possível levantar também um contra-argumento, menos à Palavra de Deus. Não somos chamados a ser beligerantes, mas pacíficos. Não somos chamados ao uso de armas, mas a proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz. Porém Deus nos deu responsabilidades e uma das principais é nos empenharmos pela vida, mesmo que para isso tenhamos de lançar mão de armas.

“A seguir, Jesus lhes perguntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje e sem sandálias, faltou-vos, porventura, alguma coisa? Nada, disseram eles.

Então, lhes disse: Agora, porém, quem tem bolsa, tome-a, como também o alforje; e o que não tem espada, venda a sua capa e compre uma. Pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito: Ele foi contado com os malfeitores. Porque o que a mim se refere está sendo cumprido.

Então, lhe disseram: Senhor, eis aqui duas espadas! Respondeu-lhes: Basta! - Lucas 22.35-28

Votar sim ou não é uma decisão exclusivamente sua. Não se omita, nem deixe que os demais decidam por você. Mas, por favor, não vote favor do desarmamento achando que é uma exigência bíblica, pois não é.


sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Vida nova, novos valores

Ao nos redimir, Deus nos fez parte de sua família. Fomos adotados. Ou como costumamos dizer fomos salvos. Mas isso é apenas o começo, pois alguém que foi adotado jamais tirará todo o proveito da vida com sua nova família se não se ajustar seus valores.

Um dos valores de Deus é a honestidade. Honestidade com ele, com nosso próximo e conosco mesmo. Porém não apenas uma honestidade externa, mas de propósitos de pensamentos e desejos.

Ele exige de nós um comportamento marcado pela simplicidade, pela humildade, pela clareza, e pelo que se relaciona com o que é bom e agradável.

Ao citar diversos valores as Escrituras Sagradas fazem questão de associá-los à nova vida que temos. Veja Filipenses 4.8 “...tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.

É impossível alguém desfrutar das bênçãos da nova vida sem cultivar estes valores. Mas há outros. Não há uma clara preferência, ao longo das escrituras, pelo rebanho em vez do bando? Por águas tranqüilas em contraposição a águas agitadas? Por pastos verdes em vez de fome? Pelo silêncio em vez das gritarias? Pela doçura em vez do amargor? Pela luz em vez das trevas? Pelo refrigério em vez de ardência? Pela harmonia em vez do ruído? Pela alegria em vez do choro? Por vestes brancas em vez de andrajos?

Ao falar de coisas celestiais, não se repetem “em cima” em vez de “em baixo”? Direita em vez de esquerda? Beleza em vez de feiúra? Vida em vez de morte? Mais em vez de menos? Louvores em vez de murmúrio? Bem em vez de mal? Ordem em vez de confusão? Perfumes? Águas? Árvores?

Semelhantemente ao prometer coisas desta vida aos que amam o Senhor, não se repete fartura em vez de escassez? Saúde em vez de doença. Perdão em vez de culpa? Fecundidade em vez de esterilidade? Honra em vez de zombaria? Verdade em vez de mentira? Ensino em vez de ignorância? Razão em vez de credulidade? Pratica em vez de sentimentos? Sabedoria? Sobriedade?

Tais valores permeiam o texto das Escrituras Sagradas e são básicos para se desfrutar a bênção de ser parte da família do Senhor. Não constituem condição para que alguém seja salvo, mas são marcas de quem já é salvo.

Não nos enganemos: não há lugar para a ética ou para a estética do mundo dentro do Reino de Deus.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Por uma evangelização consciente

Uma das funções mais deturpadas ao longo da história da Igreja tem sido, sem dúvida, a proclamação do evangelho.

Quando o Senhor ordenou a seus apóstolos que anunciassem as boas-novas havia certas características que desde cedo foram confundidas e que, em nossos dias, estão longe de serem praticadas.

O Senhor mandou como seus enviados, pessoas que anunciassem com sua autoridade. Não quem implorasse ou usasse de expedientes que aviltam seu Nome, degradam sua obra e desdizem sua mensagem.

Hoje nos incluímos no rol dos que receberam esta sagrada incumbência e fazemos bem, pois ela foi dada a nós também mas muitos não aceitam as restrições que o teor da mensagem impõe a seus proclamadores.

O Senhor mandou que seus enviados anunciassem “boas notícias”. Mas as boas-notícias foram logo desvirtuadas. Transformadas em convite ou em um simples anúncio como outro qualquer.

As vezes são os proclamadores que não possuem entendimento claro do que anunciam e, por isso, anunciam a solução das necessidades humanas (prosperidade, saúde, e outras). As vezes são os ouvintes que, não conhecendo as “más-notícias” (a perdição em que se encontram), não fazem a mínima idéia do valor das “boas-notícias”.

Você está lembrado do que aconteceu a Paulo em Listra? (At 14): Aquele povo ficou tão impressionado com o milagre feito por ele que foi necessário repreendê-los e chamar a atenção deles para que o verdadeiro Evangelho prevalecesse. O mesmo aconteceu em Atenas (At 17): a pregação no Areópago - verdadeira agressão aos costumes atenienses - foi uma exposição doutrinária da soberania e dos decretos de Deus, para que o evangelho não virasse mais uma das muitas novidades que tinham prazer em examinar.

Após a morte do último apóstolo, a história nos informa que o Evangelho serviu a muitos propósitos. Desde dominação política, a partir da época Constantino, até instrumento de exploração comercial.

Hoje ele é utilizado de tantas formas que fica difícil de ver o verdadeiro Evangelho. Em um mundo hedonista como o nosso, ele é manobrado para atender a um público cada vez mais ávido de diversão. Em um mundo cada vez mais comercial ele destaca as igrejas locais que possuem uma preocupação organizacional e mercadológica.

Na parábola de Jesus as aves do céu encontram abrigos nos ramos da hortaliça que representa o Reino de Deus. Hoje o mercado agarra-se aos galhos da Igreja como uma planta parasita que não apenas mina sua força, mas compromete sua própria existência.

Não deixemos de proclamar o Santo Evangelho. Aqui, ali e acolá. Mas não nos deixemos envolver pelos valores do mundo, pois
“o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente”. 1Jo 2.17

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Nossa redenção se aproxima

Olhando os escombros após a passagem do furacão, entre sujeira, árvores arrancadas, casas aos pedaços e carros jogados nos lugares mais inusitados, o que era escondido pelos esgotos veio à tona e o que era disfarçado pelos belos jardins apareceu.

Os locais outrora limpos, bem gramados e arborizados estavam pelo avesso.

Seja na televisão, ou nas fotos impressas, as imagens eram chocantes e as notícias das mortes já esperadas, por mais esperadas que fossem, ainda causavam tristeza.

Entretanto essa era apenas uma das muitas “catástrofes naturais” noticiadas nas últimas semanas. Você está lembrado dos incêndios em Portugal? Das enchentes na Alemanha? Do vendaval no Paraná?

A lista é grande.

Parece que as notícias de uma catástrofe nova nos fazem esquecer a anterior.

Parece também que os prejuízos e o número de mortos influem em nossa lembrança: de tão acostumados a notícias ruins nossa memória chegou ao ponto de só reter as piores.

Nos acostumamos tanto a ver tragédias que já fazemos um ranking delas, e chegamos a dizer: essa foi pior (menos ruim) do que a aquela.

As tragédias devem nos lembrar de muitas coisas. Primeiro, de pedir a Deus misericórdia sobre aqueles que a sofrem. Afinal, se aconteceu conforme a vontade soberana dele, é a oportunidade que ele mesmo nos dá de, condoídos daqueles que sofrem, colocarmos aos seus pés nossas súplicas, participando de seu reinar.

Segundo, de saber que nós não estamos imunes aos problemas que atingem os demais. Eles podem acontecer, e acontecem a nós também. Ou você já esqueceu da enchente?

Terceiro: saber que estamos vivendo tempos especiais. Devemos sempre ter em nossa lembrança as palavras do Senhor:

“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima”
Lucas 21:25 e 28

sábado, 10 de setembro de 2005

As casas de Jesus

Meu Senhor, o criador de todas as coisas, nos dias de sua carne não poderia ter tido outra profissão que não a de carpinteiro.

Naqueles dias o carpinteiro era uma espécie de construtor. Era quem mais trabalhava na construção de uma casa, ficava aos seus cuidados a confecção das colunas e vigas que alinhariam as paredes e receberiam o peso da cobertura. Era ele também quem fazia os marcos e as portas, e, eventualmente, alguns móveis.

Ou seja: nos dias de sua carne o Senhor fazia o que sempre fez e sempre fará: construir habitações. Afinal, não era Ele a santa Palavra dita pelo Pai, que ao ser pronunciada criou todas as coisas? Afinal, não é ele também quem disse ir preparar-nos lugar, para, quando voltar, receber-nos para si mesmo?

...

Tenho certeza de que, como carpinteiro, muitas vezes, cansado, após um dia de trabalho, ele olhou para o fruto de seu suor e ficou feliz. Lembrou-se do que já havia feito. Pensou no que haveria de fazer.

É provável, que muitas vezes, cansado, após terminar uma casa, ouviu um pedido de desconto, e, compadecido, mesmo tomando prejuízo, deu o desconto. Era de sua natureza compadecer-se. Era de sua natureza fazer casas. Era sua alegria ver moradores nas casas que construíra.

Certamente, muitas vezes, cansado, após terminar tudo, levou calote. Em casos assim, mais do que prejuízo, sentiu dor. Dor de ser enganado, dor de ver, naqueles por quem se fez carpinteiro, a mesquinhez, a fé obtusa que não é capaz de buscar coisa alguma além da casa material, que não é capaz de reconhecer a graça.

Todos esses sentimentos, o preparavam para o misto de satisfação e dor; para o grito terrível de abandono na cruz e para as palavras de satisfação: está consumado.

Ele ficou feliz em me salvar. Ele ficou feliz em salvar você! Ele sofreu com o calote que eu lhe dei. Ele sofreu com o calote que você lhe deu. Entretanto, nossa casa está pronta e aguarda por nós. E ele mesmo nos receberá com festa.

De mãos com as cicatrizes de cruz - cruz que era nossa - é que receberemos “as chaves” de nossa casa.

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Fé, razão e emoções

Ouço dizer que a fé é o oposto da razão. Que a razão é produto da experiência, do teste, do exame, ao passo que a fé deriva-se do “desespero” diante de condições adversas, de alguma “crença irracional”, ou do obscurantismo em que algumas pessoas ainda vivem. Até que eu concordo que esse seja o tipo de fé mais visto em nossos dias. Mas, absolutamente, não é a esse tipo de fé a que a Bíblia se refere como a que caracteriza a vida do que foi justificado.

A fé da qual a Bíblia fala possui duas marcas distintas: Primeira, ser dom de Deus e a segunda é vir através do ouvir a Palavra de Deus.

Deixando mais claro: Por ser dom de Deus, a verdadeira fé não é de todos (2Ts 3.2), mas apenas de quem foi agraciado por ele. Apenas de quem foi levado por ele ao caminho apertado, que, trilhado pelos poucos que às costas levam uma cruz e seguem o Senhor, em direção a porta estreita. O pequeno rebanho a quem o Senhor agradou-se dar o Reino.

Por vir através do ato de escutar a palavra de Deus, entenda-se, não apenas o mero ato impossível ao surdo, mas o raciocínio daqueles que atenderam as exortações do Senhor, como as que ele fez através do profeta Isaías, e arrazoaram sobre a situação de seus pecados e sobre o seu perdão. Como aconteceu também aos que o Apóstolo Paulo evangelizou, chamado a considerarem o cumprimento das profecias. Semelhantemente aos que, como nos ensinou nosso Mestre e Senhor, perceberam que, se Deus cuida dos pássaros e das flores – e, como valemos mais do que pássaros e flores - cuidará de nós também.

Geralmente a maior de todas as objeções que se faz a esse tipo de raciocínio é que não há um povo que não tenha suas crenças e a noção do “religioso”. De fato: todos possuem algum tipo de fé, porém somente os salvos possuem a fé a que a Bíblia se refere.

Não podemos nos esquecer que o homem afetado pelo pecado não perdeu as qualidades com as quais Deus o dotou originalmente. Ele apenas não as usa correta ou completamente. Por exemplo, ele continua capaz de cumprir o propósito para o qual foi criado, mas não totalmente: para relacionar-se com o meio ambiente e com o próximo, ele precisa ser tutelado pela lei. Para relacionar-se com Deus ele precisa ser mediado por Jesus.

O que restou no homem após o pecado, e que foi transmitido a todos os que nasceram depois, é o tipo de fé que conduz às crendices, ao fanatismo e a todos os enganos, crimes e atrocidades, que já se fez e ainda se faz em nome de Deus.

A fé dos eleitos os convida a arrazoar sobre que Deus fez. A fé do homem sem Deus o induz a confiar no que ele mesmo pode fazer. A fé que justifica o pecador não o impede de pensar: ao contrário leva-o a entender seu estado miserável e a graça de Deus. A fé do homem sem Deus substitui o pensar pelo sentir e o torna um dependente eterno. A fé salvadora não teme o arrazoado científico, pois vê nele os rastros de Deus, e cresce com seus desafios. A fé natural não resiste o sopro da lógica.

Plantaremos figos, para colher uvas? Tampouco obteremos de nossos sentimentos, por mais puros e mais nobres que sejam, qualquer traço da fé que nos aproxima de Deus.

Semeemos sua Palavra! Sem temor, sem sofismas, sem medo de sermos tidos por antiquados. Os que a ouvirem, e a entenderem, frutificarão a 30, a 60 e a 100 por um.

sábado, 27 de agosto de 2005

Desistir?

Quando o Senhor assumiu nossa natureza, encontrou um ambiente social convulsionado. Muitos alegavam ser o Messias tão esperado - você, certamente, se lembra da lista feita por Gamaliel - e atraíam discípulos. A credulidade e a superstição eram coisas comuns. Os demônios eram culpados pelos acontecimentos ruins e a religião era fonte de grande lucro. Na verdade, eu poderia dizer, sem medo de errar, que, guardadas as diferenças intrínsecas, o ambiente social era muito parecido com o de hoje.

Hoje, como os discípulos do Senhor fizeram, pregamos o santo Evangelho e muitos gritam que eles é que são os enviados de Deus. E, como os discípulos de Jesus fizeram, muitas vezes sentimos vontade de proibi-los de pregar. Mas as palavras do Mestre, ditas aos discípulos de então, ecoam em nossos ouvidos: "não proibais".

Hoje a indignação que às vezes nos toma, leva-nos, como levou aos boanerges, a pedir autorização do Senhor para descer fogo do céu sobre os malfeitores. Mas a repreensão de Jesus volta novamente a falar mais alto.

Como pastor, vejo ovelhas que, rejeitando admoestações particulares e do púlpito, se enrolam em práticas estranhas: correntes, simpatias e coisas semelhantes. Preocupam-se apenas em resolver seus próprios problemas, aqui e agora, sem se darem conta de que, quando oram, pedem a Deus que venha o seu Reino e seja feita sua vontade.

Outras pessoas, como os atenienses evangelizados pelo Apóstolo Paulo, carecem quase que desesperadamente de novidades. Se há algo novo é isso que receberá atenção deles. Como se o Evangelho fosse fastidioso. É o doente recusando o pão saudável e gostoso. Não é o evangelho “gerado” por Deus, mas sim um “evangelho clonado”, sintetizado no laboratório das idéias sociais ou no laboratório do “eu acho”. Nunca passaram da mera letra da Bíblia - se é que já a leram - e se arrogam possuir “novas revelações”.

O que fazer? Desistir de tudo? Confesso que as vezes dá vontade. Mas novamente a palavra do Senhor fala mais alto: fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. Participa dos sofrimentos em favor do Evangelho. Permanece naquilo que aprendeste desde criança. Prega, insta (seja oportuno ou não). Corrija. Repreenda. Pois nos últimos dias a sã doutrina não será suportada, e os mestres que ensinam apenas o que os alunos querem ouvir é que serão bem-vindos e queridos.

...

Você quer participar desta luta inglória diante dos homens? Se quiser não abandone sua congregação. Não abandone a Palavra de Deus. Não lute contra o mundo com as armas do mundo. Cumpra cabalmente seu ministério. E, finalmente, ouça o que o Espírito diz às Igrejas: “sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida”.

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

A fé cristã e o ensino

As Sagradas Escrituras falam muito pouco sobre a infância de Jesus. Falam de sua circuncisão aos 8 dias de vida, sua ida para Egito aos 2 anos, sua volta de lá aos 4 ou 5 anos, quando seus pais decidiram morar em Nazaré. Depois só falam dele quando já tinha 12 anos.

Falam menos ainda sobre sua pessoa. Bem criança, falam que ele crescia em estatura e graça diante de Deus e dos homens. Porém, o destaque maior fica para sua capacidade de, pré-adolescente, já debater com os doutores da lei causando-lhes admiração.

Falam que ele era carpinteiro. Como tal deve ter construído muitas portas, vergas, esteios, coberturas, e, quem sabe, até móveis. Entretanto não foi por suas habilidades como construtor - apesar de, também, haver construído o universo - que hoje ele é lembrado.

Como carpinteiro, deve, também, ter recebido pedidos de desconto, parcelamento, atrasos de pagamento e até calotes - que foram nada se comparamos ao "calote" dado por Judas, por Pedro e pelos outros Apóstolos e por nós que lhe sobrecarregamos com nossos pecados. Embora isso seja muito destacado em sua biografia, se você examinar com calma verá que, também, não é disso que mais nos lembramos.

Ele fez muitos milagres. Não "milagres" que se expliquem pela sugestão, mas milagres reais: cegos, paralíticos e diversos deficientes de nascença voltaram a ver, a andar, às suas atividades normais. Até mortos voltaram a viver. Entretanto não há qualquer registro de alguém ter se dirigido a ele chamando-o de milagreiro.

Ele chamou a cada um dos 12 apóstolos. Chamou-os para longe de suas famílias. Chamou-os para andar, para dormir ao relento, para satisfazerem a fome com grão de trigo cru debulhado do pé. Ninguém recusou seu chamado. Entretanto ele não passou à história como líder carismático.

Ele fez muitos sermões. Sermões que hoje cada dia ganham mais relevo ao mostrarem nossas mazelas mais íntimas e ao mesmo tempo a situação do mundo. E, embora, ele não tenha passado a história como orador eloqüente, não há a menor dúvida que o título de Mestre é dele, e dele apenas. Há outros mestres. Alguns viveram antes dele e alguns, naqueles dias, já haviam descoberto coisas que só agora a humanidade compreendeu, mas nenhum ensinou o mais precioso: a vontade do pai.

Não conseguimos ler uma página inteira dos Evangelhos, sem encontrarmos alguém chamando-o: - Mestre ... Seus íntimos, identificaram-se como seus discípulos (alunos). João, que era seu primo, refere-se a si mesmo como o discípulo amado.

E, um dia, após haver lavado-lhes os pés – coisa que naqueles dias só se exigia de um servo – ele diz: “vocês me chamam de senhor e mestre. Fazem bem, por que eu o sou. Se eu, o Senhor e o Mestre ...”


Observou? Jesus não recusou esse título. Aliás, ao se despedir ele ordenou: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações ... ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”.

Os primeiros sabiam disso tão bem, que deles é dito que “perseveravam no ensino (doutrina) dos Apóstolos”, e não são poucas as vezes que encontramos o ensino como o ponto vital para a santidade da fé.

Todos os que, na história da Igreja, honraram ao Senhor, ficaram conhecidos primeiramente pelo que ensinaram. Porém, até isso, nossos dias perversos se encarregaram de inverter. Valorizamos os comunicadores de massa como nossos pais valorizaram os oradores eloqüentes. Valorizamos os bons administradores, e os que conseguem encher mais malas de dinheiro.

Pobres de nós: abandonamos os mananciais da Palavra de Deus, e cavamos cisternas rotas que não podem reter as águas. A cada dia, é necessário uma música nova. A cada show um número novo. A cada pronunciamento uma bobagem ou heresia nova. A cada pecado uma perversão nova.


Voltemos ao verdadeiro Mestre! Arrazoemos! Aprendamos dele! Acharemos descanso para nossas almas.

Bom ânimo

Hebreus 3.13 (NAA) Pelo contrário, animem uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama “hoje”, a fim de que nenhum de vocês ...