sábado, 24 de novembro de 2007
Uma tradição antiga
Honra, pois temos o privilégio de ver o mesmo trabalho, que sempre foi feito, sendo atualizado.
Alguns tendem a menosprezar o trabalho feminino, mas um exame atento das Escrituras deve nos levar a outra postura. Veja, por exemplo, os evangelhos:
Lucas registra: “Depois disso Jesus ia passando pelas cidades e povoados proclamando as boas novas do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele, e também algumas mulheres ... Maria, chamada Madalena, ... Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de Herodes; Susana e muitas outras. Essas mulheres ajudavam a sustentá-los com os seus bens.“ (Lc 8.1-3 NVI)
Essas mulheres, que seguiam Jesus e seus apóstolos e “auxiliavam-nos” (o texto pode ser traduzido assim também) é o embrião das “Sociedades Auxiliadoras Femininas.
Repare que todas eram mulheres atarefadas. De Maria Madalena há pouco que falar face ao quanto já sabemos dela. De Joana, basta ver o encargo de seu marido para ter idéia de suas responsabilidades.
Sabemos pouco de Suzana (aportuguesamento da forma hebraica de açucena: a flor) que aparece apenas aqui.
Mas veja como elas estavam presentes até nas horas mais difíceis de nosso Senhor:
Mateus destaca: “Estavam ali muitas mulheres, observando de longe; eram as que vinham seguindo a Jesus desde a Galiléia, para o servirem; entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mulher de Zebedeu”.
Marcos enfatiza o auxílio que elas prestavam ao Senhor (inclusive em sua última viagem a Jerusalém): “Estavam também ali algumas mulheres, observando de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé; as quais, quando Jesus estava na Galiléia, o acompanhavam e serviam; e, além destas, muitas outras que haviam subido com ele para Jerusalém”.
Lucas nos dá a impressão de que eram muitas: “Entretanto, todos os conhecidos de Jesus e as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia permaneceram a contemplar de longe estas coisas. ... Era o dia da preparação, e começava o sábado. As mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado. Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos”.
E João, o único apóstolo que testemunhou de perto a crucificação, enfatiza: “E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena”.
Também no dia da ressurreição, quando elas iam embalsamá-lo, embora Mateus e Marcos deixem-nos a impressão de uma ou duas, Lucas fornece-nos mais detalhes: “Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado. E encontraram a pedra removida do sepulcro ... Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; também as demais que estavam com elas confirmaram estas coisas aos apóstolos”.
Há um grupo que se destaca, mas há uma quantidade muito maior que auxilia anonimamente. No primeiro texto lemos “muitas outras”. No texto da crucificação Mateus diz “muitas mulheres”. Marcos diz “e além destas, muitas outras”. E as expressões de Lucas nos trazem a certeza de que eram muitas. Releia o texto.
Entretanto, as mulheres de nossos dias, não peregrinam mais com o Senhor pela Judéia. Peregrinam por todo Brasil, e, especialmente aqui, vemos as que têm por ambiente o vale central do Rio Doce.
Não trazem comida ou vestes para o Senhor, como suas antigas colegas faziam. Porém preocupadas com a situação que vivemos, trazem suas famílias – com os dilemas e dificuldades que sofrem – e os colocam aos pés do Senhor. Ou seja: consagram-nas ao Senhor como suas antigas companheiras faziam também.
Portanto, não é de menos importância hospedar quem tem uma tarefa tão difícil e quer cumpri-la da melhor forma possível.
Por tudo isso e pela preocupação em serem relevantes ao ponto de surpreenderem com a manutenção de uma tradição tão antiga temos a obrigação de orar por elas e com elas.
Que as sementes deste congresso frutifiquem para a glória do Senhor.
sábado, 17 de novembro de 2007
A propósito da eleição de Oficiais (Parte 3)
No boletim passado resumi os pré-requisitos que Deus estabelece para quem almeja ser presbítero em sua Igreja, os quais foram registrados pelo Apóstolo Paulo em suas cartas a Tito e a Timóteo. Entretanto, suprimi as razões pelas quais eles são exigidos. Vamos destacá-las hoje.
Na carta à Tito, lemos:
“5Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: 6alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. 7Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância; 8antes, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si, 9apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem. 10Porque existem muitos insubordinados, palradores frívolos e enganadores, especialmente os da circuncisão. 11É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância” (Tt 1:5-11).
Este texto deixa claro porque os presbíteros devem ter tais qualidades e porque Tito deveria constituí-los.
Tito deveria constituí-los para “por em ordem o restante das coisas”, e devido a “existência de muitos insubordinados” que pervertiam “casas inteiras” apenas por ganância.
Isso já indica alguns aspectos da missão de um presbítero: Por em ordem e proteger a igreja de insubordinados gananciosos.
Porém, para isso ele deve ser irrepreensível como despenseiro (no original ‘ecônomo’ que significa também mordomo) de Deus e possuir uma lista de características pessoais (não arrogante, não irascível, etc.), que, pelo contexto exprime características de vida em família.
Na carta enviada a Timóteo lemos:
“2... seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; 3não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; 4e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito 5(pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); 6não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. 7Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo” (1Tm 3:2-7).
Observe que a ênfase é colocada no desempenho familiar. O texto começa exigindo que seja “marido de uma só mulher” (bom esposo) e termina exigindo que saiba criar seus “filhos sob disciplina com todo respeito” (bom pai). E argumenta: se não souber “governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus”?
Daqui já pode-se concluir que a seleção dos presbíteros deve ser feita entre os pais. A casa é o campo de prova na qual a igreja pode reconhecer se alguém é apto, ou não, a ser um presbítero conforme os critérios de Deus.
Há muitos anos atrás vi alguém defender uma candidatura com as seguintes palavras: “Indico o irmão fulano, pois todos sabem de sua importância como empresário bem sucedido que começou do zero e hoje destaca-se dentre muitos, inclusive na dedicação à igreja”.
Se ele tivesse ficado na última frase – dedicação a igreja – restaria compará-lo com sua dedicação à família. Se fosse equivalente não haveria mais o que questionar.
Entretanto, cada vez mais os valores mundanos, sejam empresariais, sejam circenses, são vistos como pré-requisitos para quem assume a liderança da igreja: deve ser bom administrador ou bom animador. Ou seja: satisfazer aos eleitores e não necessariamente a Deus, contrariando o ensino bíblico que os eleitores devem escolher o candidato que mais atenda a prescrições divinas.
*
Um segundo assunto, específico da carta a Timóteo, é o perigo a que o presbítero está sujeito: a ação do diabo. Esta pode acontecer de duas formas: levando-o a se orgulhar da posição a que foi elevado e incorrendo no mesmo erro que o diabo incorreu, ou, nas palavras de Calvino: “exposto à reprovação pública, endureça cada vez mais o coração e se entregue mais livremente à toda iniqüidade, o que equivale a colocar-se debaixo das armadilhas do demônio. Pois, que esperança resta a quem peca sem sentir vergonha?”
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Excelente obra é o presbiterato, porém de tão pesada só pode ser desempenhada na dependência total da graça de Deus.
sábado, 10 de novembro de 2007
A propósito da eleição de Oficiais (Parte 2)
Além de promover, ordenou que se fizesse. Essa foi a missão específica de Tito em Creta: "Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros...”.
Porém, veja os pré-requisitos, “... Conforme te prescrevi”: 1) Irrepreensível, 2) marido de uma só mulher, 3) que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados, 4) não arrogante, 5) não irascível, 6) não dado ao vinho, 7) nem violento, 8) nem cobiçoso de torpe ganância, 9) hospitaleiro, 10) amigo do bem, 11) sóbrio, 12) justo, 13) piedoso, 14) que tenha domínio de si e 15) apegado à palavra fiel.
Timóteo também tinha o mesmo dever com pré-requisitos semelhantes: 1) irrepreensível, 2) esposo de uma só mulher, 3) temperante, 4) sóbrio, 5) modesto, 6) hospitaleiro, 7) apto para ensinar; 8) não dado ao vinho, 9) não violento, 10) cordato, 11) inimigo de contendas, 12) não avarento; 13) que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito, 14) não seja neófito e 15) tenha bom testemunho dos de fora.
Podemos resumir os pré-requisitos em obrigações e proibições:
Obrigações:
1º. Irrepreensível aparece nas duas listas e diz respeito ao modo como vive depois da conversão.
2º. Marido de uma só mulher também aparece nas duas listas e diz respeito a uma vida casta e monogâmica.
3º. Bom pai (item 3 na lista de Tito e 13 na de Timóteo), fala do exercício da boa paternidade, bem como da boa chefia da família.
4º. Hospitaleiro aparece nas duas listas.
5°. Amigo do bem aparece na lista de Timóteo como inimigo de contendas. Diz respeito a uma atitude pacífica diante de confrontos.
6°. Sóbrio também aparece nas duas listas e significa mais do que “não bêbado”: sobriedade no falar, no vestir, no gesticular ... etc.
7º. Justo e piedoso aparecem apenas na lista de Tito, embora estejam latentes na de Timóteo. Justiça caracteriza quem sabe distinguir as diferenças e tratá-las correspondentemente, e piedade caracteriza quem quer viver de modo santo (não confunda com o derivado “ter piedade”).
8º. Domínio de si aparece em Timóteo como temperante. Embora não seja a mesma palavra grega (em Tito significa literalmente “dominar o eu” e em Timóteo “vigiar os próprios desejos”), refere-se mais ou menos a mesma atitude.
9º. Apegado a palavra fiel aparece em Timóteo como apto para ensinar. Apesar de as expressões sequer serem as mesmas, o objetivo é. Transmissão de conteúdos doutrinariamente sadios.
10º. E finalmente em Timóteo aparece modesto, cordato, e bom testemunho dos de fora.
Proibições:
1º. Arrogante (literalmente: “auto-bastante”).
2º. Irascível. Conhecemos hoje como “estourado” ou “pavio curto”.
3º. Dado ao vinho. Proibição comum às duas listas.
4º. Violento. Proibição comum às duas listas.
5º. Cobiçoso de torpe ganância, que na lista de Timóteo é mais ou menos equivalente a avarento.
6º. Novo na fé (neófito).
Tais pré-requisitos, dificilmente podem ser totalmente encontrados em uma só pessoa. Uma mesma pessoa pode possuir alguns em maior quantidade e qualidade do que de outra. Porém isso não é motivo para que deixamos de escolher alguém. Devemos comparar quem almeja o ofício – lembre-se: excelente obra almeja – e escolher aquele que melhor atenda os pré-requisitos de Deus.
Tampouco é motivo para mudar os pré-requisitos estabelecidos por Deus. Tenho visto que outros pré-requisitos estão gradualmente substituindo esses. Mas isto é assunto para outro artigo.
domingo, 4 de novembro de 2007
A propósito da eleição de Oficiais
Tal acontece porque vivemos, como cidadãos, em um país onde prevalece o texto constitucional: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ...”. Por definição o estado brasileiro deve ser um “espelho” da sociedade brasileira.
Os pré-requisitos para que alguém seja eleito no Brasil, são os mínimos: nacionalidade, alfabetização mínima, regularidade eleitoral, filiação partidária, e idades mínimas (35 anos para Presidente e Senador, 30 para Governador, 21 para Deputado, Prefeito e Juiz de Paz, e 18 para vereador).
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Quando, como ovelhas do rebanho de Deus, votamos em alguém, devemos esperar que ele se comporte, decida ou legisle, de acordo com o ponto de vista de Deus. Afinal de contas ele é, “lato sensu”, representante de Deus.
Tal acontece porque, vivemos, como ovelhas do Senhor, em um rebanho comprado por seu sangue. Por definição a Igreja deve ser espelho da vontade de Deus.
A priori, há tantos pré-requisitos para alguém ser eleito à algum ofício na Igreja, que é praticamente impossível encontrar alguém que atenda plenamente a todas as exigências. Curiosamente, todas essas exigências dizem respeito a sua vida familiar (mais tarde escreverei sobre esse assunto).
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Dessas observações conclui-se que:
1. O voto civil é totalmente diferente do voto na Igreja. Enquanto o voto civil expressa nosso gosto, nossa vontade, nossa ideologia, o voto na Igreja deve expressar as determinações do Senhor da Igreja.
2. O eleito para algum cargo público está preso a vontade de seus eleitores ao passo que o eleito para um ofício na Igreja está preso às ordens do Senhor da Igreja (muitas vezes contra seus eleitores).
3. Os eleitos na vida civil são representantes do povo para fazer o que lhes foi delegado pelo voto popular. Os eleitos na Igreja são representantes do povo diante de Deus. Ou seja: são, os que mais se aproximam - dentre os que se congregam naquele rebanho local – do padrão estabelecido por Deus.
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A pergunta obvia é: por que razão Deus delega as ovelhas de seu rebanho a tarefa de escolherem alguém que cumpra a vontade dele e não, necessariamente, a vontade delas?
A resposta é dupla:
1) Devido a docilidade do rebanho e sua natureza fácil de ser manipulada (como vemos ser manipulada por auto-intitulados bispos, apóstolos, profetas e que tais), Deus não permite a Igreja outro meio de escolha de seus oficiais regulares, que não o voto.
2) Para que o Rebanho seja responsabilizado, diante de Deus, por um eventual descaminho - mesmo que tenha sido seduzido por líderes maus - por não ter obedecido os critérios divinos para escolha.
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Ao votar, portanto, a ovelha está dizendo: reconheço que fulano é o que mais se aproxima do que Deus determina como padrão para tal ofício.
Tenho certeza de que aqui está a maior razão da falta de identidade das Igrejas de nossos dias: o oficial porta-se como um político pressuroso em atender as exigências de seus eleitores e não como um servo de Deus em que a maioria das ovelhas viu e atestou a existência do chamado divino para o exercício do ofício que lhe foi confiado.
sábado, 27 de outubro de 2007
A Reforma Protestante e o movimento missionário
Um segundo modelo foi implantado através de viagens com o fim específico de anunciar o Evangelho. Paulo e Barnabé foram seus pioneiros.
A Igreja precisou esconder-se de perseguições, mas três séculos depois, Constantino, percebeu o grande número de cristãos em seu império e aderiu ao cristianismo. Isso levou ao processo de torná-la igreja oficial e favoreceu um terceiro meio: a guerra.
Em nome de se pregar o Evangelho ou cristianizar um povo, se fazia guerra e obrigava o rei deles a tornar-se cristão. Então todos os seus súditos eram obrigados ao batismo.
Não se sabe quando o estado fazia guerra para que a religião fosse disseminada ou quando a religião fornecia o propósito, e os guerreiros, para que o estado, guerreando, crescesse mais ainda pela anexação de territórios.
E assim continuou pelos tempos. Assim chegaram às Américas. Assim dizimaram povos e levaram enormes riquezas a seus países de origem. A religião justificava saques, mortes e a escravidão.
Padre Vieira dizia ser preferível ao africano ser escravo no Brasil, onde podia conhecer o evangelho, do que ficar na África onde fatalmente morreria pagão.
É claro que sempre houve também a presença de missionários abnegados, que, muitas vezes por conta própria, dirigiam-se a outros povos com o fim de anunciarem as boas novas de salvação.
Porem, poucos foram os casos em que tais missionários não acabaram logo trocados ou “auxiliados” por tropas militares.
Enquanto as Américas eram descobertas, a Reforma Protestante grassava a Europa. Com a Reforma vinha a idéia da conversão individual, e, apesar de Países serem declarados de “Fé Reformada”, tal só acontecia mediante a adesão de seu rei ou de seus governantes, muitas vezes para fugir a tirania de Roma.
Com a reforma também voltou-se a pratica do missionar com o único interesse de se divulgar o evangelho. A idéia missionária foi tão forte que a Igreja de Genebra chegou a sustentar 280 deles. Não só na Europa. Quatorze chegaram ao Brasil.
Não sou ingênuo ao ponto de dizer que a partir da Reforma Protestante o ato de missionar tornou-se impoluto. Não. De forma alguma. Muitos problemas acompanharam e ainda acompanham os missionários e as missões, e são transportados ao povo alvo daquela missão junto com a santa mensagem de Salvação que o Senhor nos mandou levar ao mundo inteiro.
O que estou tentando mostrar é que o mal de um missionar feito a partir de uma igreja imperial tornou-se, pelo menos, mais simples. Os missionários perderam a obrigação de levar também os interesses do grupo que os enviava.
Não há dúvida que o anúncio do Evangelho pressupõe um mínimo de anúncio de valores típicos da cultura na qual ele manifestou-se e da integridade da cosmovisão bíblica do que é o homem e de quem é Deus. Porém, não pode ser acompanhado de segundas intenções de dominação daquele território ou das riquezas contidas nele.
Porém, graças Deus, hoje após a Reforma Protestante a luta do missionar é levar o Evangelho, simples como ele é e como deve ser anunciado, ao homem como um todo. Os missionários após exaustivo treinamento teológico, cultural, lingüístico, sociológico – e do que necessário – visando a conseguirem distinguir cada vez mais os conteúdos humanos e divinos da santa mensagem.
As agências e organizações missionárias pesquisam e buscam informações sobre os povos e etnias, suas línguas e costumes a fim de atingir do melhor modo possível os que ainda não possuem a Bíblia em seu idioma.
A Reforma Protestante fez ressurgir o espírito missionário dos primórdios da Igreja.
Nós, como igreja local, devemos nos imbuir desse espírito e buscar do Senhor seu plano de ação missionária para a nossa igreja.
Oremos, pedindo-lhe instrução, capacitação e direção e, se necessário, correção.
Rev. Fôlton Nogueira
Rev. Marcos Agripino
sábado, 20 de outubro de 2007
Uma "fé razoável"
Quando consideramos parte, nos limitamos àquilo que atinge nossos sentidos, ou que possa ser repetido, deliberadamente sob condições controladas, de qual repetição possamos extrair conclusões mesmo que não atinjam nossos sentidos.
Quando consideramos o total, levamos em conta que o mundo em que vivemos foi criado e quem o criou não está sujeito a ele. Além dos processos repetitivos, dos quais extraímos conhecimento, há possibilidades infinitas de intervenção do Criador em qualquer coisa que ele tenha criado.
Tais intervenções, como fogem da rotina de causa e efeito, são vulgarmente chamadas de milagres. Entretanto, se chamamos de milagre algo que ocorre esporadicamente, mas foi feito pelo Criador, por que não chamamos de milagres ao que ocorre dia-a-dia, e que igualmente foi feito por ele?
Semeamos três grãos. Deles nascem várias espigas com muitos grãos dos quais podemos fazer muitos pães. A essa multiplicação, que se repete, chamamos de ação natural.
Nosso Senhor, o Criador habitando conosco, tomou 5 pães e os multiplicou. Ele queimou etapas. Não semeou. Não colheu. Não os panificou. Porém os multiplicou como sempre faz. Não devemos ver a presença do Criador apenas no segundo evento. Ele está presente também no primeiro. É por causa dele que há germinação de tudo o que é plantado.
Repare bem que sobre os dois processos, podemos igualmente arrazoar, e apenas quando consideramos os dois sob uma mesma perspectiva é que aprendemos mais. Do primeiro podemos aprender o mecanismo mediante o qual as sementes se multiplicam. Do segundo podemos aprender o porque delas se multiplicarem.
Este é o limite de quem usa a razão apenas sobre parte das informações de que dispõe: jamais fica sabendo o porque!
Nosso Senhor e Mestre sempre usou a razão. Há muitos contextos em que ela aparece nitidamente. Porém, um contexto surpreendente ocorre quando ele quis incentivar seus discípulos a terem fé.
Você se lembra? Ele mandou que arrazoassem como o Criador cuida de coisas insignificantes e concluiu: se o Pai cuida dos pássaros e das flores, não cuidaria deles também?
Isaías, no Antigo Testamento, já convidava: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.” (Is 1.18)
Paulo, no Novo Testamento, pregava o evangelho assim: “Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus. Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio.” (At 17.1-3)
Assim também somos obrigados cultivar a fé daqueles que ainda estão se iniciando nela: “Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos.” (Tt 2.6).
De igual modo devemos tratar os que são maduros na fé: “Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações.” (1Pe 4.7).
Essa abordagem da fé, via razão, parece hoje em dia algo fora de propósito, pois para muitos a fé se opõe a razão. Isso não é verdade. A fé vem do entender (raciocinar, exercer a razão) as Promessas e o Poder do Criador. É impossível uma fé sadia sem o exercício da razão naquilo que o Criador revelou sobre si mesmo.
“Não pense! Creia!” É o que mais se ouve a título de Evangelho. É o que menos respeita a mensagem do Evangelho, que hoje pode ser ouvida em poucos lugares.
Necessitamos viver mais comprometidamente com os valores cristãos. Necessitamos falar cada vez mais que “Deus não é Deus de confusão”. Ou como já disse a muito tempo John Stott: Crer é também pensar.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Os ímpios não são assim
Mas os ímpios não são assim: Pelo contrário, aconselham-se e seguem seus próprios “macetes”. Não apenas imitam a conduta dos pecadores como isolam quem não segue a moda que eles mesmos ditam. E com prazer assentam-se em roda para rir e contar como com esperteza saíram ganhando.
Sua satisfação é contemplar a riqueza da lei do Senhor e deleitar-se em sua doçura. À cada acontecimento, seja de dia, seja de noite, ele a compara, e dela aprende como agir em cada caso.
Mas os ímpios não são assim: Geralmente não querem saber de leis. Menos ainda da lei do Senhor. E se à cada acontecimento comparam algum tipo de lei o fazem procurando um meio de contorná-la e tirar proveito do acontecido.
Como a uma árvore plantada junto a um rio - que se mantém frondosa e na ocasião própria fica carregada de frutos - a ele todos procuram. E os que o procuram são revigorados pelo sabor de suas palavras e pelo frescor de sua companhia. Sempre há proveito naquilo em que se empenha.
Mas os ímpios não são assim: São como palha que o vento leva. Sempre inconstantes, levados por todas as dicas, imitam todos os modismos. E tão logo ouvem um falastrão gabando-se e escarnecendo de algo, mudam de opinião e seguem aquele novo vento. Nunca se pode aproveitar o que deles sai. Pelo contrário eles é que se aproveitam dos incautos que se aproximam.
Por serem como palha, os ímpios jamais resistirão ao julgamento daquele que é “fogo consumidor”. Porém finalmente compreenderão sua lei. Por serem como palha, os ímpios também não resistem as dificuldades inerentes ao ajuntamento dos justos: daqueles que se preocupam em como viver a lei do Senhor.
E, por todas essas razões o Senhor envolve-se com os justos em todos os seus caminhos ao ponto de conhecer intimamente seus passos. Mas o caminho dos ímpios não é assim: É como trilha que se perde no varrer do vento e desaparece no desprezo do Senhor.
sábado, 6 de outubro de 2007
Mães que jogam seus filhos no lixo
Eventualmente poderíamos compará-las a Joquebede que, às águas confiou seu pequeno Moisés. Mas teríamos dificuldade em manter a comparação, pois esta além de colocá-lo em um pequeno cesto que flutuava, confiou na vigilância atenta de sua filha Miriam visando a salvação do pequeno. Mas aquelas além de colocá-los em sacos de lixo esperavam ficar livres de um incômodo.
Talvez, como a aversão que Amnon sentiu por Tamar (maior do que o desejo que o levou a forçá-la), a aversão que elas sentiram pelo fruto de seus ventres passou a ser maior do que o desejo que as levara a concebê-lo.
Doença, dizem alguns. Talvez. Porém podemos dizer com certeza? Quantas doentes sentiram vontade de matar o filho que deram à luz e não o fizeram?
Há alguns anos uma jovem mãe insistiu que eu orasse com ela: “Estou endemoninhada pastor”. Insistia mais. “Não tenho paciência com minha filha, e, de vez enquanto, me pego pensando em como matar meu bebê”. E concluiu: “Tem de ser demônio”.
De nada adiantaram minhas tentativas de explicar o que era depressão pós-parto e quais seus efeitos. Ela insistia em dizer-se endemoninhada. Chegou a contar a todos da Igreja os terríveis sentimentos que escondia desde o primeiro parto, só para avisá-los que eu tinha recusado “exorcizá-la”.
A loucura dessas duas, que jogaram seus filhos no lixo, não é característica exclusiva de nossos dias. Sabemos disso pela própria Bíblia. Você está lembrado do que aconteceu quando a Síria cercou a Samaria? Releia:
Algum tempo depois, Ben-Hadade, rei da Síria, mobilizou todo o seu exército e cercou Samaria. O cerco durou tanto e causou tamanha fome que uma cabeça de jumento chegou a valer oitenta peças de prata, e uma caneca de esterco de pomba, cinco peças de prata.
Um dia, quando o rei de Israel inspecionava os muros da cidade, uma mulher gritou para ele: “Socorro, majestade!” O rei respondeu: “Se o SENHOR não a socorrer, como poderei ajudá-la?
Acaso há trigo na eira ou vinho no tanque de prensar uvas?” Contudo ele perguntou: “Qual é o problema?”
Ela respondeu: “Esta mulher me disse: ‘Vamos comer o seu filho hoje, e amanhã comeremos o meu’. Então cozinhamos o meu filho e o comemos. No dia seguinte eu disse a ela que era a vez de comermos o seu filho, mas ela o havia escondido”. Quando o rei ouviu as palavras da mulher, rasgou as próprias vestes. 2Re 6.24-30
Entretanto, esse tipo de coisa é tão desnatural que o SENHOR através do profeta Isaías pergunta: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Pode uma mulher não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? Mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria jamais” Is 49.15.
Deus não se esquece de nós!
Mas repare bem: Se nos indignamos com o que aconteceu não é o caso de nos indignarmos também contra quem faz a mesma coisa a filhos mais novos? Qual é a diferença entre matá-los depois que saem do útero e de matá-los dentro dele? Não estão igualmente vivos? Não terão por destino as águas poluídas de algum esgoto?
Pensando um pouco mais: Quem comete maior pecado? Quem, abortando, priva seu filho do “nascimento”? Quem provoca um parto e depois joga seu filho nas águas sujas de um esgoto?
Ou, ainda, quem, depois de um parto abençoado por Deus, e acompanhado com alegria pela família, expõe seu filho a um ambiente cuja poluição não é para se comparar à poluição das águas do mais pútrido esgoto, já que infecta não apenas o corpo mas o espírito da criança?
Por colostro essas crianças tiveram as águas imundas dos esgotos. Quantas por “colostro espiritual” recebem as influências mais infames do pecado?
“... se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá” (Sl 27.10). O SENHOR não se esquece de nós!
Afinal, além de nos ter feito, nos chamou à luz com dores superiores às de uma mãe. Nosso nascimento custou-lhe a separação de seu amado Filho. Nossa vida custou-lhe amaldiçoar aquele a quem eternamente gerou.
Mesmo que vivamos em uma época em que se torne comum as mães jogarem seus filhos no lixo, o SENHOR jamais nos abandonará.
sábado, 22 de setembro de 2007
O papel dos porcos na vida de oração
A fome sentida era tão intensa que as alfarrobas pareciam apetitosas, ou pelo menos a voracidade com que os porcos as comiam dava essa impressão. Mas ele não podia come-las também. O patrão pagava muito por uma porção delas.
Provavelmente a algazarra do chiqueiro lhe tenha lembrado a algazarra que os servos de seu pai faziam no galpão em que ele raramente ia.
- Que qu’eu to fazendo aqui? Na casa de meu pai até os servos tem pão com fartura e eu aqui não posso comer a comida dos porcos? Vou-me embora! Vou pedir perdão a meu pai e me vender como escravo. Pelo menos a fome eu mato.
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Geralmente, como desculpa, ouço argumentos assim: “Se Deus sabe de todas as coisas para que orar?”
Adianta muito pouco dizer: oramos porque Deus nos manda orar e pronto. Embora isso seja verdade, essa resposta nos priva de uma grande lição sobre Deus e sobre nós mesmos.
Você já parou para pensar por que razão o pai deixou seu filho sair de casa? Está lembrado? Não há sequer uma tentativa de dissuadi-lo. O filho pede sua parte na herança e, sem discutir, o pai reparte seus bens. O filho transforma tudo em dinheiro e vai para uma terra distante e o pai permaneceu calado.
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Pelo caminho de volta o filho vem ensaiando a desculpa que daria ao pai. Tinha de ser boa. Precisava prometer algo que pudesse cumprir, pois o que ele havia feito era o mesmo que considerar morto seu pai.
A distância era tão grande que ele teve tempo de preparar mais do que uma desculpa. Ele preparou uma súplica: Pequei. Não sou digno. Aceita-me como um escravo.
Se o pai não o tivesse deixado na situação de desejar comer a comida dos porcos, ele jamais faria essa oração.
Essa oração demonstra que ele aprendeu a se conhecer. Nela ele confessa que havia afrontado o pai, que havia se tornado indigno de ser seu filho e que valia menos do que um escravo.
Essa oração demonstra também que ele aprendeu a conhecer o pai, pois apesar de tê-lo afrontado ele sabia que seu pai era misericordioso. Misericordioso até com os escravos.
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O maior beneficiado com nossas orações não é Deus. Ele não precisa nem gosta de bajulação. E ao contrário do que esses doidos de plantão afirmam, ele não está carente e sequer precisa de elogios.
Nós mesmos somos os maiores beneficiados com nossas próprias orações. Uma oração sincera é produto de um coração aberto. Uma oração verdadeira só é dita por quem conhece seu próprio estado e ao mesmo tempo confia na misericórdia de Deus: o pai.
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Resta-nos pensar: “será que Deus terá de permitir que eu, na minha insensatez, chegue a situação de desejar a comida dos chiqueiros para então aprender a orar”?
Não seja esse nosso destino.
sábado, 15 de setembro de 2007
No vale da sombra da morte
Conhecida como "Ladeira do Sangue", essa estrada era um caminho sinuoso e íngreme, que descia 1200 metros em apenas 27 quilômetros, com muitos vales estreitos de cujos lados, em cavernas escavadas, malfeitores espreitavam e emboscavam os viajantes. Foi o cenário que o Senhor usou na Parábola do Bom Samaritano.
Hoje, distante do deserto da Judéia, o vale da sombra da morte pode representar nossas aflições mais graves. Quantas vezes já passamos por esse vale ou vimos um de nossos queridos passar? Tantas vezes quantas a morte nos fez sombra.
Ao nos aproximamos desse vale, nosso primeiro sentimento ainda continua sendo o medo. Porém a visão do cajado - com que o Bom Pastor nos puxa para junto de si - e a visão de seu bordão - com que ele coloca os agressores em fuga - nos acalma.
No vale da sombra da morte é que aprendemos de fato a conhecer o Bom Pastor e o que ele pode fazer. Ele nunca fica longe de nós. Mas, apenas o terror que aquele lugar nos infunde, faz com que sintamos mais vividamente sua presença protetora. Dificilmente poderíamos dizer "não temerei mal algum, porque tu estás comigo" se já não tivéssemos alguma vez em nossa vida passado por esse vale.
O vale da sombra da morte fica antes dos pastos verdes e das águas tranqüilas às quais o Bom Pastor nos leva. Ele até poderia usar outro caminho, mas o que passa por esse vale terrível faz com que valorizemos mais o destino a que somos levados.
O vale da sombra da morte torna a maior bênção que uma ovelha recebe do Bom Pastor se, como Jó, ao sair dele, ela possa dizer: “...meus olhos agora te vêem”. E, tenha certeza: o vale da sombra da morte é uma passagem obrigatória para toda ovelha do Bom Pastor. Às vezes, a passos curtos, ele nos parece longo. Às vezes o vencemos correndo. Porém, dificilmente passamos por ele apenas uma vez. Ele é o caminho rotineiro dos que precisam aprender a permanecer bem juntos do Bom Pastor.
Não nos assustemos com o vale da sombra da morte se estivermos nele agora. Ao contrário, extraiamos dele todos as lições possíveis - mesmo que fiquemos exaustos - pois, ao sairmos, encontraremos refrigério para nossas almas e uma mesa posta.
sábado, 8 de setembro de 2007
Simplicidade
Caim estava abatido. O texto bíblico diz que suas feições estavam deformadas: caídas. Afinal ele tinha se esforçado: Havia preparado o terreno. Plantara. Cuidara. Colhera. Separara e levara as primícias de seu suor. Mas sua oferta fora rejeitada! Por quê?
Por que a de seu irmão foi aceita. Ele pouco fez. Sequer teve o trabalho de carregá-la!
*
Naamã estava furioso. Havia retirado seus exércitos de Israel devido a um acordo vantajoso para a Síria e agora voltava humilde, guiado pela informação de uma menina escrava, esperando ser curado de sua lepra. Trouxera consigo uma carta de seu rei endereçada ao rei de Israel, 350 quilos de prata, 700 quilos de ouro, 10 roupas de festa e Eliseu sequer o recebeu. Enviou um mensageiro dizendo que se banhasse no Jordão.
*
Esses dois exemplos bíblicos, de muitos que poderiam ser dados, ilustram bem um sentimento comum a todos os homens: só valorizamos o que nos custa.
Pouco nos adianta hoje o ajuntamento de 2 ou 3 – ao qual o Senhor garantiu estar presente – pois nossa atenção estará sempre no ajuntamento de 3 mil.
Não nos interessa mais a oração feita no silêncio. Ela será melhor e “mais poderosa” se for feita aos berros, de preferência amplificada por enormes caixas de som.
Não nos interessa mais a oração simples. Ela terá de ser repetida, se possível muitas vezes – como elos de uma corrente – formando uma versão evangélica da novena romana. Melhor se for feita em uma língua que ninguém entenda – nem mesmo quem a falar – e melhor ainda se for muito comprida.
Não nos interessa mais as ordens claras do Senhor: “quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” Mt 6.6-7.
Não nos interessa mais a prescrição de sua Palavra: “Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras. Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias” Ec 5.1-3.
Correntes, línguas, repetições, gritaria ... o que mais? Rolar no chão? Já é feito há muito tempo!
*
Em sua fúria Naamã ameaçou voltar leproso para casa. Seus oficiais então lhe perguntaram: se fosse algo mais difícil o senhor não faria?
Acho que é isso. Agora só nos interessamos pelo o que é difícil.
Agora o que nos interessa são reuniões muito programadas. As vigílias e os jejuns. Os votos embaraçadores. A espoliação dos bens e estelionato disfarçado de piedade.
O abandonar-se nos braços do Pai, como criança nos braços de sua mãe, a confiança, apenas e tão somente, em quem ouve as orações agora consideramos pouca coisa.
É como se precisássemos dar uma ajudinha a Deus, e atrair sua presença às nossas reuniões ou despertar seu interesse em ouvir nossas orações.
Já vi orações serem comparadas a flechas, que quanto mais se estica o arco mais ela sobe, e, portanto quanto maior for o fervor com que a oração for feita maior será sua eficácia diante de Deus.
“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” Mt 6.7.
Que Deus tenha misericórdia de nós!
sábado, 1 de setembro de 2007
A Aliança e a família
Ao redor da mesa a família esperava que a criança mais nova perguntasse o que era aquilo, pois sua pergunta iniciaria um ritual familiar em que a recordação do que celebravam era tão importante quanto a confraternização em si.
Era a celebração da Páscoa.
Feita a pergunta, a mãe tirava tudo o que estava sobre a mesa, e o pai - sem a comida para distrair as atenções - passava a contar a história do povo Judeu de modo que a criança que perguntou pudesse entender.
Textos como o de Êxodo 13 ou de Deuteronômio 26 e alguns salmos, inspiraram tal rito, que visava cumprir a promessa cantada no Salmo 78:3-4: "O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a nossos filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez".
Depois de contada a história - ainda que resumidamente, mas sem esconder nenhum erro cometido pelos antepassados, e sem deixar de mostrar o quanto o Senhor tinha sido misericordioso com seu povo - as comidas eram trazidas de volta.
Com a água salgada relembravam as lágrimas derramadas no Egito e com as ervas amargas, a vida difícil e amarga que levavam lá. A geléia, quase líquida, relembrava a dificuldade da principal ocupação deles: fazer tijolos de uma terra arenosa. E os pães asmos relembravam a pressa com que saíram de lá sem tempo de esperar a fermentação a massa.
Entre uma comida e outra o vinho deveria lembrar que, daquelas dificuldades, o SENHOR os livrou. E, a cada cálice, orações de gratidão eram elevadas a Deus.
Por fim, o cordeiro mostrava que foram salvos porque uma vítima sem culpa ficou no lugar deles.
Eu nunca conseguiria, por mais que tentasse, exagerar a importância dessa celebração familiar para o povo de Deus. A família estava reunida relembrando o que Deus fez por eles desde seus antepassados. Isso os vinculava a muitas gerações anteriores: os vinculava a Moisés. Aliás, uma das frases que o pai deveria usar era: "... o SENHOR me fez, quando saí do Egito" (Ex 13.8).
Desse rito elaborado o Senhor Jesus separou o pão e o vinho e instituiu a Santa Ceia, com valor sacramental, para que a família maior - a Igreja - fosse obrigada a relembrar o passado, em sua morte, mantivesse a esperança do futuro até sua volta.
Deveríamos fazer rememorações semelhantes em nossas famílias menores. E, com esse mesmo sentimento, nossos filhos deveriam ser lembrados de seus antepassados e do que Deus lhes fez.
Porém, se já não recordamos mais do que Deus fez a nossos avós ou a nossos pais, e, até mesmo, o que ele nos fez há 10 anos atrás, como ensinaremos a nossos filhos os privilégios que eles têm como filhos da aliança?
Não é de admirar que seu ponto de referência seja o futuro. Um futuro incerto e mutável. Tão mutável quanto a moda ou as tecnologias que hoje nascem e amanhã desaparecem.
É natural esperar da geração vindoura um passo a frente da nossa. Sempre foi assim. Se dissermos que a aliança que temos com Deus é importante, mas não ligarmos para as conseqüências de desrespeitá-la, acaso nossos filhos a respeitarão também?
Uma refeição comum. Entretanto, recheada de memórias do que o SENHOR fez, e coberta por promessas daquilo que ele fará.
Não precisa ter o valor sacramental - aliás não deve pois isto é prerrogativa da refeição que tomamos na Igreja - mas precisa ser feita.
Por amor a nossas famílias precisa ser feita.
sábado, 25 de agosto de 2007
Quadro de referências
Entretanto esse não é o problema em si. O problema está nas fontes em que bebemos aquilo que repetimos. A isso chamamos de “quadro de referências”.
Quem tem por referência um conceito materialista da vida, dificilmente produzirá algo que supere esse nível. Quem foi criado em um ambiente torpe dificilmente se expressará com graça e sobriedade.
Não estou desprezando as qualidades inatas com que a Graça Comum nos afeta, muito menos a ação irresistível do Espírito Santo. Mas isso se dá a despeito do quadro de referências a que fomos expostos.
Não foi por acaso que Deus preparou a cultura em que se revelou. Tudo o que ele nos mostrou de si próprio e de seu modo de agir precisa ser compreendido dentro deste quadro de referências. Por exemplo: Ele usa a paternidade para falar de si: Chama-se de Pai. Porém não se referiu a paternidade conhecida pelos romanos, muito menos a que conhecemos hoje, mas a que era conhecida pelos judeus. Especificamente a que é retratada no Pai da parábola do Filho Pródigo.
Recentemente, do púlpito, um pregador exortava uma igreja a ser responsável, com a seguinte frase: “como disse o Homem-aranha: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Seu quadro de referências é uma história altamente ficcional, para não dizer mentira e engodo.
Nossa Confissão de Fé nos ensina logo em seu Primeiro Capítulo: “... para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.”
Você reparou?
Primeiramente, as razões, pelas quais, Deus serviu-se da escrita: Preservação da verdade e segurança da Igreja. Em segundo lugar: os antigos modos de Deus revelar sua vontade cessaram.
Será que todos concordamos com isso? Não acredito. Minha experiência diz que poucos concordam (embora muitos tenham jurado diante de Deus e da Igreja defender esta Confissão).
Queremos ouvir, tocar e ver. Porém nunca através de um livro. Como Tomé preferimos perder a bem-aventurança de crer sem ver, mas queremos ver e pegar. E achamos que isso é nobre!
Infelizmente, o quadro de referências em que a maioria de nós foi criado e no qual vive e se expressa, privilegia tais experiências – mesmo que possam ser fraude ou engano – em detrimento da verdadeira Palavra de Deus da qual temos a segurança de ser verdadeira.
Preferimos o risco de um “cipoal de revelações” – na maioria das vezes completamente estapafúrdias, sem sentido, e até contrárias umas às outras – em detrimento da segurança do que Deus mesmo fez escrever com a promessa de ser capaz de dividir nossos pensamentos das nossas intenções e nos ensinar tanto sobre sua vontade quanto sobre nós mesmos.
Tão profunda e atual é sua Palavra que, mais do que a lermos, nós podemos nos ler através dela, mas preferimos receber as coisas prontas e simplesmente engolir, pois outra característica de nosso quadro de referências é não pensar muito. Apenas ver e ouvir.
De todas as coisas vivas se espera algum progresso com o passar do tempo. Dos cristãos hebreus era esperado que, atendendo ao tempo decorrido, fossem mestres. Mas eles ainda se ocupavam com princípios tão básicos que se pareceriam hoje com vestibulandos que não sabem a tabuada.
O quadro de referência deles não era muito diferente do nosso.
Deus tenha misericórdia de nós.
sábado, 18 de agosto de 2007
Presumir
Presumindo que Moisés não voltaria do Monte Sinai, o povo convenceu Arão a fazer um bezerro de ouro ao redor do qual passaram a celebrar a saída do Egito, embora o Senhor tenha deixado claro que fora ele quem os libertou e determinado que esperassem o retorno de Moisés.
Presumindo que, aceitando o holocausto oferecido por seu pai, Deus aceitaria também o que fizessem, Nadabe e Abiú, se atreveram a chegar perante Deus e com outro fogo diferente do que Deus havia acendido no altar ao aceitar o holocausto, embora Deus tivesse deixado claras suas tarefas.
Presumindo que Samuel não chegaria antes que o povo fosse embora – pois já o esperavam há dias – Saul tomou a iniciativa de oferecer holocausto, embora Deus tivesse deixado claro que isso era função exclusiva de seus sacerdotes.
Presumindo-se dono de seu destino, o homem rico da Parábola que o Senhor disse, depois de uma boa safra, decidiu fazer novos celeiros e tranqüilizou sua alma dizendo-lhe: “tens muito em depósito: come, bebe, regala-te”, sem saber que naquela noite sua alma seria pedida.
Presumindo que o pai demoraria a morrer, e sua parte na herança não seria bem aproveitada, o irmão caçula pediu-lhe o adiantamento da partilha, sem considerar que ao gastá-la viria a desejar comer a comida dos porcos e não o permitiriam.
Presumindo que seu Senhor demoraria o “servo infiel” passou a espancar seus companheiros e a comer e a beber com ébrios, embora o Senhor lhe tivesse ordenado que vigiasse.
*
De quantos exemplos ainda precisaremos? Será que não fazemos coisas semelhantes?
Qual Sara, nunca presumimos que as promessas do Senhor carecem de nossa ajuda? Você já reparou como já chegamos a inventar novos textos bíblicos para justificar esse tipo de atitude. Você já deve ter ouvido “faça a tua parte e eu te ajudarei” ou “a bênção dá a quem pede” (sic).
Porventura, nunca adoramos bezerros de ouro ou acendemos fogo estranho diante do Senhor para agradar um povo impaciente de novidades?
Ou nunca decidimos que é melhor contribuir em outro lugar, pois “aqui, meu dinheiro está sendo mal empregado”?
Quantas vezes encontramos mais paz no saldo do extrato bancário do que na Bíblia?
Quantas vezes planejamos nossa vida como se o Senhor nunca fosse nos pedir contas de como administramos aquilo que ele nos confiou?
Dentre as muitas origens dos pecados de cada dia aqui está uma delas: Presumir.
*
Tomamos em nossas mãos as rédeas de nossas vidas, da Igreja e até do culto ao Senhor.
Curiosamente, este pecado, cada dia, é menos notado e odiado – algumas vezes chega a ser considerado virtude – por uma sociedade ávida de resultados.
Hoje, Sara seria elogiada como esposa abnegada. Já escutei sermões elogiando o amor de Sara por Abraão.
Hoje, Saul seria visto como herói. E se você examinar o caso sob a ótica moderna concluirá que ele é um bom modelo de líder: não perdeu a oportunidade ao ver o povo reunido.
Hoje, Arão seria visto como atento às necessidades do povo e preocupado com um culto relevante às massas sedentas.
Entre nós não deve ser assim, Ao contrário “portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” 1Pe 1.17-19.
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Em nossos dias
Um dos grandes malefícios que o chamado “Evangelho da Prosperidade” trouxe às verdadeiras Igrejas foi a vergonha ou, pelo menos, o escrúpulo em se falar de questões financeiras.
Eu mesmo tenho grande cuidado em abordar o assunto, pois, via de regra, ele é mal entendido e, especialmente, mal praticado.
Por mal entendido, quero dizer que a Igreja muitas vezes vê a prosperidade como atestado de boa conduta. Ou seja: fulano é próspero porque ele é temente a Deus. Entretanto conheço muitos tementes a Deus que não são prósperos (materialmente falando).
Por mal praticado, quero dizer que muitos membros ainda crêem que a prosperidade é conseqüência de uma relação comercial com Deus. Ou seja: fulano é próspero porque é fiel na entrega de seus dízimos e ofertas. Entretanto conheço muitas pessoas que são fiéis na entrega de seus dízimos e ofertas e não são prósperos (materialmente falando).
Como resolver, ou entender isso?
Não podemos esquecer que a prosperidade, ou o sucesso material, é objeto dos ensinamentos bíblicos, e destaca-se na história do Povo de Deus.
Deus serviu-se da pobreza, ou da riqueza, para conduzir seu povo. Por que razão Jacó e seus filhos, os patriarcas da Antiga Aliança, foram para no Egito? Pela pobreza.
Por que razão Salomão esqueceu-se de Deus? Pela riqueza que possibilitou-lhe levar uma vida dissoluta.
Nos dias antigos era comum, e até incentivado, pedir-se a Deus prosperidade.
Se você observar a oração que Salomão faz quando o templo é dedicado, verá que grande parte dela refere-se a prosperidade. Ele fala de más colheitas, de pragas nas lavouras, de climas adversos, e pede a Deus que abençoe a todo aquele que, premido por tal situação, recorra ao Senhor desde o templo que lhe estava sendo consagrado.
Em um Salmo (144), Davi ora assim:
“Que nossos filhos sejam, na sua mocidade, como plantas viçosas, e nossas filhas, como pedras angulares, lavradas como colunas de palácio;
Que transbordem os nossos celeiros, atulhados de toda sorte de provisões;
Que os nossos rebanhos produzam a milhares e a dezenas de milhares, em nossos campos;
Que as nossas vacas andem pejadas, não lhes haja rotura, nem mau sucesso;
Nem haja gritos de lamento em nossas praças”.
Em nossos dias, embora todos dependam do fruto da terra, poucos trabalham diretamente com ele. A maioria de nós recebe o que a terra produz através do salário que ganha.
Os celeiros de nossos antepassados, são as poupanças e as “previdências” de hoje. Seus rebanhos são as mercadorias que os comerciantes vendem, ou o serviço que os profissionais liberais prestam, ou, ainda, o tempo pelo qual os operários braçais são contratados.
Mas a súplica permanece a mesma: que nada disso seja fonte de lamento. Ao contrário: fonte de bênção para nosso progresso e progresso de nossos filhos e filhas.
Portanto não é errado pedir a Deus prosperidade. Ao contrário: devemos pedir que ele abençoe as obras de nossas mãos. Errado é lutar por ela mais do que o Senhor nos permite. Errado é trocar a prosperidade da alma pela prosperidade do bolso.
Entendendo isso poderemos dizer como João disse a Gaio: “Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” (3Jo 1.2).
sábado, 4 de agosto de 2007
Idolatria e culto

Tal qual Moisés, Jesus irou-se também. Veja o relato de João: Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio. Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me consumirá. (Jo 2.13-17 )
Moisés não tolerou no Sinai, nem Cristo no templo. Nos dois casos a ira santa do Senhor puniu os idolatras, ele mesmo diz: “não tolero iniqüidade associada a ajuntamento solene”
sábado, 28 de julho de 2007
Atendendo ao tempo decorrido
Curiosamente era esperado que fossem mestres nos assuntos concernentes ao sacerdócio de Jesus. Afinal tudo indica que eles tinham sido, no passado, sacerdotes no templo que tipificava o próprio Jesus. Mas eles ainda se ocupavam com princípios tão básicos que hoje se pareceriam com universitários que não sabem a tabuada.
O diagnóstico do escritor da Carta aos Hebreus era: tardios em ouvir. Mas afinal, o que é exatamente alguém tardio em ouvir?
Quando se traduz a Bíblia para qualquer idioma é necessário levar em conta que: 1) Uma só palavra pode ter muitos sentidos. 2) Muitas palavras podem ser nuances de um mesmo sentido.
1. A palavra grega “phroneō” pode ser traduzida por “pensar”, “julgar”, “prestar atenção a”, “fixar a mente em”, ou por “ter opinião”. O núcleo de significado é o mesmo, mas as nuances de significação podem nos levar longe.
2. As palavras gregas “dogma”, “entolē”, “parangelō”, possuem o significado básico de ordem. Porém a primeira significa “ordem escrita”, “decreto” ou “decisão que deve ser cumprida”. A segunda significa primariamente um “mandamento recebido” e a última o “ato de dar ordens”, “mandar”.
A palavra grega traduzida por tardios (disermeneutos) e só ocorre esta única vez em todo o Novo Testamento. Aliás, não só no Novo Testamento, como também na Septuaginta (o Velho testamento traduzido para o grego), nem nos escritos da época. É uma palavra solitária.
Entretanto, nós conhecemos suas partes: dis+hermenêutica. O prefixo “dis” fala de algo que “não acontece” e a palavra “hermenêutica” já é conhecida em nossa língua como a capacidade de entender e interpretar algo. Ou seja eles “desentendiam”.
Então, por conta de uma certa idéia de intensificação presente no texto, traduz-se por “lerdos”, “lentos”, “negligentes”, “difíceis”, “duros”, “tardios”, etc.
Não há paralelo com 2Tm 3.7 (...que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade), pois os Hebreus já haviam entendido algo. Mas, desidiosos, estavam tão acomodados que, se tivessem aproveitado o tempo, já seriam mestres naquele assunto.
Duas coisas, entretanto, devem ser destacadas:
1) A dificuldade de expor o assunto perdido não estava no escritor, mas em seus leitores que não tinham capacidade de entendê-lo por terem se tornados “disermeneuticos”.
2) O mais triste é que, por essa irresponsabilidade, não apenas eles ficaram privados desse ensino, mas nós também.
Ora, qual não deve ser nossa responsabilidade hoje?
Se naqueles dias, em que o saber era mais estimado, aconteceu essa tragédia, o que está acontecendo hoje? O que será que nossos filhos receberão de nós?
Ávidos por diversão, entretenimento, passa-tempos, besteirol, “non sense”, o que teremos para legar a nossos filhos?
Desesperados atrás de tudo que se auto-proclama revelação divina, que tipo de “bíblia” passaremos a eles?
Voltemos ao bom senso: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa.” 1Co 15.33-34
domingo, 22 de julho de 2007
Chegou uma carta de Paulo! (Parte 2)
Os presbíteros, juntamente com Tíquico, já a haviam lido durante a semana, e alguns assuntos já eram conhecidos. Dizia-se que ele falava bastante sobre família. A expectativa era grande.
Não me lembro de tudo, é claro, mas fiquei com algumas impressões muito fortes sobre o que ouvi.
A carta parecia mais uma oração.
Cada assunto que era abordado por ele, era concluído com uma oração. A própria carta já começava com uma oração em que ele agradecia por termos sido eleitos por Deus Pai, redimidos pelo Senhor Jesus e selados pelo Espírito Santo. Só então pede pela Igreja. Mas, ainda não entendi bem o que ele quis dizer com: “iluminados os olhos do coração”.
Seu primeiro assunto é garantir que fomos reconciliados com Deus e com o povo dele mediante a obra do Senhor Jesus e nos tornamos portadores dos mistérios de Deus – eu nunca havia pensado que a Igreja era tão importante assim – e em seguida faz outra oração.
Mas acho que o assunto que mais chamou a atenção de todos foi o que ele mesmo chamou de “andar de modo digno do chamado de Deus”.
Primeiro ele expôs a importância de nossos presbíteros: eles são obrigados por Deus a lutar para que deixemos de ser crianças levados de um lado para outro por todo vento de doutrina.
Depois ele disse que devemos lutar para evitar uma vida errada e para ao mesmo tempo nos enchermos do Espírito Santo.
Achei curioso ele ensinar que ficamos cheios do Espírito Santo à medida que nos lembramos sempre das Escrituras, (nem que para isso tenhamos de cantá-las de cor) e que aprendemos a nos submeter uns aos outros.
Achei que algumas coisas que ele exige de nós, só mesmo com ajuda divina, pois é muito difícil.
Por exemplo, uma série de proibições: não furte mais; não diga coisas torpes; não entristeça o Espírito de Deus; não se ache entre vocês nem cobiça, nem pornografia, nem histórias sujas; nem conversas indecentes, brincadeiras maliciosas, não desperdicem o tempo de Deus com futilidades.
Pra falar a verdade, acho que não é apenas aqui em Éfeso que isto é difícil de ser cumprido, mas em todos os lugares.
Mas ele termina de modo incentivador: diz que está a nossa disposição uma verdadeira armadura que podemos usar para fazer frente a esses desafios e outros mais.
Que Deus nos ajude a usá-la bem.
sábado, 14 de julho de 2007
Chegou uma carta de Paulo!
O último contato que tiveram com Paulo foi quando, voltando para Jerusalém, chamou os presbíteros a se encontrarem na praia de Mileto.
Naquela ocasião ele se despedira certo de que não se encontrariam mais. Exortou a que zelassem pelo rebanho do Senhor que estava naquela cidade e apressado partiu para Jerusalém a fim de comemorar o Pentecostes lá.
Logo depois souberam que ele estava preso em Cesaréia onde aguardava julgamento e dois anos mais tarde que ele tinha sido levado Roma pois apelara para César.
Uma carta agora deveria trazer novidades interessantes.
Paulo era muito querido naquela Igreja. A primeira vez que o viram fora há mais de quinze anos, quando ele voltava apressado de uma viagem à distante Macedônia.
Cerca de três anos depois, voltando de Jerusalém, encontrou em Éfeso seus queridos Priscila e Áquila e um grupo de judeus que pouco sabiam do Evangelho além dos ensinos de João, por quem haviam sido batizados. Então deteve-se por uma estação freqüentando a sinagoga.
Procurando persuadi-los de que o Messias que esperavam já viera não chegaram a bom termo, e Paulo alugou uma escola onde a Igreja firmou-se.
Permaneceu ali por mais de dois anos, e o Evangelho chegou a diversas cidades vizinhas.
A Igreja de Éfeso se desenvolveu muito, chegando a influenciar os costumes da cidade. Os artesãos que viviam da fabricação de miniaturas do templo de Diana – a deusa da cidade – sentiram uma queda nas vendas e revoltaram-se. Houve protestos e gritaria.
Quando foram dispersos pelas autoridade Paulo achou melhor partir: diminuiria os atritos e aproveitaria para visitar as Igrejas que fundara na Macedônia.
Agora chegava uma carta dele trazida por um de seus amigos mais próximos: Tíquico. Que novidades ela traria?
Reunida a Igreja a carta foi lida. A leitura foi rápida, afinal parecia o próprio Paulo falando, mas, os ensinos, as recomendações e as ordens demandariam bastante tempo de reflexão.
Na carta notava-se a preocupação dele com os judeus que insistem em mostrar a Igreja como se fosse uma nova fase do que eles ensinam.
Pelo contrário, Paulo explica como Deus chama, por sua graça a cada um e constitui a Igreja que é o que ele chama de “Noiva de Cristo”.
Sendo a Noiva de Cristo, a família altamente valorizada por Paulo, é algo que deve ser objeto de consideração e estima.
Mas a ele não poderia esquecer de como isso acontece na prática. Então dá ordens aos esposos, aos filhos aos servos e até os líderes da Igreja recebem incumbências específicas de como devem se portar e do que devem fazer.
Termina a carta exortando todos a que levem uma vida mais conforme essa realidade tão impressionante, e que reflita de modo mais claro as implicações do chamado de Deus em Cristo.
Ainda bem que Tíquico ia ficar por uns tempos. Vamos ter muito o que conversar.
sábado, 7 de julho de 2007
Cartas
Geralmente o dividimos em Evangelhos, Livro histórico (Atos), Cartas paulinas, Cartas gerais, e Livro profético (Apocalipse). Mas, se você reparar bem, verá que com exceção de Mateus e Marcos todos os demais livros são cartas.
O Evangelho de Lucas e o Livro dos Atos dos Apóstolos formam uma unidade e a introdução de ambos revela tratar-se de cartas de Lucas à Teófilo.
O Evangelho de João, em seu final, revela ter sido escrito, após seleção de sinais, com o propósito de que o leitor venha crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que crendo tenha vida em seu nome. Ou seja: no fundo é uma espécie de carta dirigida a quem a ler.
Quando ao Apocalipse basta se lembrar de que, de início, já é dirigido, como se fosse uma “carta circular”, às Sete Igrejas da então Ásia Menor que hoje é a Turquia.
Há cartas que tratam de um assunto só, e outras que tratam de diversos assuntos. Há cartas pessoais e outras tão gerais que sequer pressupõem um determinado tipo de leitor. Porém todas foram escritas com o propósito de resolver um ou mais problemas de alguém ou de uma Igreja.
Aliás, seria mais correto dizer que todas, sem exceção, objetivam a ensinar a Igreja e a seus membros, os desdobramentos e a aplicação da Lei na dispensação do Evangelho.
Mas me chama mais atenção é o fato de que são cartas. Foram escritas.
Explico melhor.
Quando João percebeu a ameaça do Gnosticismo sobre a Igreja escreveu seu Evangelho mostrando que Jesus era tanto homem quanto Deus.
Quando Judas pensava sobre nossa comum salvação percebeu que deveria escrever algo exortando os salvos a batalharem pela fé que, de uma vez por todas, lhes havia sido dada.
Quando o Concílio de Jerusalém chegou à solução do problema que lhe foi trazido escreveu uma carta que causou conforto e crescimento às Igrejas que a receberam.
Quando Paulo ficou inteirado do que estava acontecendo na Igreja de Corinto escreveu uma carta e ao saber das reações escreveu outra.
Podemos pensar que as distâncias de então é que exigiam essa prática. Concordo. Entretanto, chamo a sua atenção para o fato de que o Cristianismo pauta-se por atribuir o significado “sim” à palavra sim e “não” à palavra não. Ou seja: não há nada que o cristão fale ou a Igreja creia que não possa ser escrito.
Não somos um grupo secreto. Somos o que modernamente chama-se de “transparente”. Ou, pelo menos deveríamos ser. Afinal este é o exemplo (e a ordem) que temos da Palavra de Deus.
Valorizemos mais nossa herança de clareza e sinceridade e não abandonemos nossa riqueza cultural característica de quem escreve e conseqüentemente lê.
sábado, 30 de junho de 2007
Ainda sobre o Espírito Santo
A tudo criou e manteve desde então. Ou como diz o salmista "Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó (Sl 104.29)".
Criou, mantêm e os extingue: "Com o hálito de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem (Jó 4.9)” e “seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do SENHOR (Is 40.7)”.
Sopro, respiração e hálito traduzem a mesma palavra hebraica.
*
Após anos de preparação e amadurecimento da humanidade; após o juízo do dilúvio e de Babel; após a definição do pacto na linhagem de Abraão, o mesmo Espírito que participou e participa ativamente da formação, da manutenção e da extinção de indivíduos, participou da formação de um povo.
Primeiro deu-lhes senso familiar, depois senso pactual, e, por assim dizer, mais uma vez os tirou do barro, onde amassavam tijolos, e durante os 40 anos que peregrinou com eles no deserto deu-lhes senso de nação: povo.
Foram formados e mantidos miraculosamente. Sobre eles estabeleceu governo, e repartiu-lhes capacidades (dons) e atribuições específicas, conforme as situações exigiam.
Não apenas miraculosamente as deu, mas miraculosamente os capacitou a exercer: Bezalel, Oliabe, Sansão, Gideão, etc.
E como ocorre com tudo também foram extintos pelo hálito do SENHOR. Precisavam aprender que o mesmo Espírito, que do barro faz indivíduos e nações, também os extingue. E, soprando sobre indivíduos e nações, os chama de volta à existência.
*
Os anos se passaram e após um silêncio de 4 séculos, além da lei e da justiça aprenderam também a exercer misericórdia. Na verdade já a conheciam e sabiam como era preciosa, pois a viam estampada em cada vítima sacrificada e no resultado de cada sacrifício.
E no dia de Pentecostes fomos chamados de volta a existência. Renascemos. não como famílias, tribos ou nação, mas como povo daquele que, soprando instila seu Espírito e dá vida, ou murcha e seca a planta mais viçosa. E como aconteceu antes, nossa infância foi acompanhada de milagres. Miraculosamente fomos organizados, e até hoje somos mantidos.
Porém, essas verdades estão esquecidas, e hoje falar sobre o Espírito de Deus é tão banal que a ele atribui-se as coisas mais ridículas e deploráveis, e em seu nome se comete os mais graves absurdos.
Não haveríamos de temer e respeitar o tão sublime, do qual depende a vida e a morte, e contra quem o pecado não é perdoado?
Pensemos!
Ainda sobre o Espírito Santo
A tudo criou e manteve desde então. Ou como diz o salmista "Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó (Sl 104.29)".
Criou, mantêm e os extingue: "Com o hálito de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem (Jó 4.9)” e “seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do SENHOR (Is 40.7)”.
Sopro, respiração e hálito traduzem a mesma palavra hebraica.
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Após anos de preparação e amadurecimento da humanidade; após o juízo do dilúvio e de Babel; após a definição do pacto na linhagem de Abraão, o mesmo Espírito que participou e participa ativamente da formação, da manutenção e da extinção de indivíduos, participou da formação de um povo.
Primeiro deu-lhes senso familiar, depois senso pactual, e, por assim dizer, mais uma vez os tirou do barro, onde amassavam tijolos, e durante os 40 anos que peregrinou com eles no deserto deu-lhes senso de nação: povo.
Foram formados e mantidos miraculosamente. Sobre eles estabeleceu governo, e repartiu-lhes capacidades (dons) e atribuições específicas, conforme as situações exigiam.
Não apenas miraculosamente as deu, mas miraculosamente os capacitou a exercer: Bezalel, Oliabe, Sansão, Gideão, etc.
E como ocorre com tudo também foram extintos pelo hálito do SENHOR. Precisavam aprender que o mesmo Espírito, que do barro faz indivíduos e nações, também os extingue. E, soprando sobre indivíduos e nações, os chama de volta à existência.
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Os anos se passaram e após um silêncio de 4 séculos, além da lei e da justiça aprenderam também a exercer misericórdia. Na verdade já a conheciam e sabiam como era preciosa, pois a viam estampada em cada vítima sacrificada e no resultado de cada sacrifício.
E no dia de Pentecostes fomos chamados de volta a existência. Renascemos. não como famílias, tribos ou nação, mas como povo daquele que, soprando instila seu Espírito e dá vida, ou murcha e seca a planta mais viçosa. E como aconteceu antes, nossa infância foi acompanhada de milagres. Miraculosamente fomos organizados, e até hoje somos mantidos.
Porém, essas verdades estão esquecidas, e hoje falar sobre o Espírito de Deus é tão banal que a ele atribui-se as coisas mais ridículas e deploráveis, e em seu nome se comete os mais graves absurdos.
Não haveríamos de temer e respeitar o tão sublime, do qual depende a vida e a morte, e contra quem o pecado não é perdoado?
Pensemos!
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Quando o galo canta
Mas, pense bem: quantas recordações eram despertadas em Pedro sempre que ouvia um galo cantar? Pessoalmente, não creio que ele tenha se esquecido da noite em que um galo o lembrou de que estava negando o Senhor. Eu não me esqueceria. Aliás, depois que ouvi essa alusão, jamais me esquecerei da experiência de Pedro.
O canto de um galo sempre me recordará o quanto podemos ser arrogantes e presunçosos. Não foi disso que ele se lembrou?
O Senhor jamais escondeu de seus apóstolos que estava destinado a morte. Muitos viram João Batista identificá-lo como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ora, qualquer judeu sabia que isso era feito mediante a morte do cordeiro.
Além de não esconder, o Senhor, à medida que o dia se aproximava, e seus apóstolos, presumivelmente, adquiriam uma compreensão mais profunda do que estava acontecendo, repetia mais vezes o que seria morto. Entretanto em uma dessas vezes Pedro, invertendo os papéis, declarou impensadamente que estava pronto a morrer por ele.
Devia ser repreendido, e foi. Além de que repreendido viu-se, depois, qual o profeta insensato da antiguidade, ser ensinado por um animal. É ele quem deplora essa humilhante experiência (2Pe 2.15).
Mais do que uma bravata, ele ainda não compreendera qual era a verdadeira missão do Senhor.
- Jamais cantará o galo antes que me negues três vezes (Jo 13.38). Negou as três vezes e Lucas nos informa que quando ele o fazia pela terceira vez o Senhor Jesus fixou seus olhos nele.
Posso imaginar a amargura com que Pedro chorou naqueles dias. E creio que, a partir de então, sempre que ouviu um galo cantar deve ter se lembrado do olhar perscrutador do Senhor que, mesmo sofrendo, lembrava-se dele.
Hoje eu penso no quanto de nós está retratado em Pedro. Em um momento somos capazes de dizer ao Senhor que estamos dispostos a morrer por ele e no momento seguinte escutamos o galo dizendo o quanto somos fracos.
Não creio que houvesse algo importante em ser um galo. Era apenas um modo de Jesus dizer que antes de amanhecer Pedro haveria de negá-lo. O galo era uma espécie de relógio.
Porém, como ele marcou as horas para Pedro, para mim será sempre uma lembrança de que nos momentos de maior coragem posso estar negando o Senhor. Jamais esquecerei essa lição.
sábado, 16 de junho de 2007
Mediata e imediatamente 3/3
Vamos lá:
O fato de uma pessoa não temer, ou sequer pensar em Deus, não a faz alheia as bênçãos de Deus. Todos - até mesmo os piores criminosos - estão constantemente recebendo bênçãos e mais bênçãos de Deus. O Senhor Jesus foi muito claro ao dizer que Deus “faz nascer seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”. A isso chamamos de graça comum, já que é comum a todos indistintamente.
Porém, essa graça é muito mais abrangente do que se pensa. O que chamamos de “opinião pública” ou “senso de valores” é produto dela: Escritura fala de “uma norma de lei gravada nos corações” mediante a qual Deus haverá de julgar a todos. Ela é tão importante na manutenção da ordem social que é responsável pela existência de autoridades que são “ministros de Deus, vingadores, para castigar o que pratica o mal”.
Temos por assente que o “mercado” (ou como dizia o economista: “a mão invisível”) é o responsável pelo equilíbrio entre as necessidades de um povo e o número de portadores de aptidões naturais que as satisfaçam. Porém, na verdade, o responsável por isso é Deus; de tal modo que o lavrador, o médico, o Engenheiro, o policial, o professor, etc. desempenham funções dadas por ele através da “Graça Comum”. É isso que torna este mundo “habitável”.
Resumindo, aquele que cura o corpo, mas não se importa com o Criador dele, peca duplamente: contra quem criou o doente e contra quem o dotou de habilidade, inteligência e conhecimento para curá-la: o mesmo Deus. E aquele que é capaz de entender um idioma diferente e não expressa nele as grandezas de Deus, ou se vale dele para espalhar aquilo que desonra o Senhor, peca da mesma forma.
E assim poderíamos analisar todas as vocações humanas. Concluiríamos que são dádivas do Espírito Santo, como também o são todos os “carismas” com os quais ele atende as necessidades dos escolhidos enquanto a Graça Comum não produz pessoas capacitadas a tanto.
Portanto, Deus atende as necessidades de seu povo, e de todas as suas criaturas, mediante sua graça. E quem é o instrumento dessa graça, sendo temente a Deus, percebe-se colaborador seu e o louva por tamanha oportunidade. Quem não percebe isto e crê que tudo foi feito pela força de seu braço ou pela sua capacidade intelectual, manifesta sua rebeldia contra o Senhor, mas nem por isso deixa de ser seu instrumento. Ambos pecadores: o primeiro um pecador redimido e o segundo um pecador rebelado.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Mediata e imediatamente 2/3
Procurei também deixar claro, que, naquela ocasião, o Espírito Santo agiu imediatamente (sem meios), diferindo tão pouco do modo como ele age hoje, quanto a multiplicação dos pães, operada também imediatamente pelo Senhor, difere de sua ação em fazer a semente germinar e multiplicar-se nas espigas que produz.
Antes de caminharmos para algumas considerações gerais a respeito desses maravilhosos dons (Charismas) com os quais Deus agraciou a Igreja, vejamos mais uma situação: a saúde.
Dos 120 discípulos que compunham a assembléia que elegeu Matias substituto de Judas, no dia de pentecostes a Igreja chegou a cerca de 3 mil pessoas, e poucos dias depois a 5 mil. Era, portanto, natural que, por mais saudáveis que fossem, houvesse entre eles algum doente.
Sabemos muito bem que a medicina daqueles dias além de, digamos, ser pouco desenvolvida, servia, quase que exclusivamente, os mais ricos. Como então suprir um grupo em que havia até necessidade de pão?
Sabemos também que naqueles dias as doenças eram popularmente vistas muito mais como castigos divinos - ou até mesmo como "pessoas" (ou entidades dotados de algum tipo de personalidade), que deviam ser repreendidas, do que como alguma disfunção orgânica. Mais ou menos como acontece hoje com aqueles que são facilmente iludíveis por falsos tratamentos e falsos curadores.
Ora, nada mais natural que o Senhor, agindo imediatamente suprisse a necessidade de tantos em pouco tempo, e concomitantemente reafirmasse a todos seu poder sobre quaisquer coisas, até mesmo sobre as doenças, capacitando aqueles que ele mesmo queria a que, quando fosse a ocasião que mais oportuna a seus desígnios, curasse aos que também ele quisesse.
Como aconteceu com os pães, cujas sementes não foram plantadas, ou com os idiomas, cujos falantes não foram neles adestrados, alguns foram extraordinariamente capacitados a curar os enfermos que Deus quis que fossem curados. Entretanto nem todos receberam tal graça: lembre-se de que Trófimo foi deixado doente por Paulo em Éfeso.
Hoje o Espírito Santo, sob condições normais, capacita, mediante estudo e treinamento, a que as "grandezas de Deus" sejam anunciadas em diversos idiomas ou que um doente receba o tratamento adequado.
Certamente você já deve ter pensado que essa explicação não é boa, pois muitos tradutores e médicos sequer temem a Deus. Há outros inconvenientes nessa explicação, mas sobre esta falarei no próximo boletim.
Pastoral sobre o Projeto de Lei a respeito de "homofobia"
Amados irmãos;
No boletim de 13 de maio, transcrevi carta do MD. Presidente do Supremo Concílio de nossa Igreja Rev. Roberto Brasileiro, em que tornava clara a posição de nossa denominação sobre a criminalização da “homofobia” e sobre a prática do Aborto.
Tais assuntos foram trazidos à pauta por declarações do Exmo. Sr. Ministro da Saúde sobre a necessidade de se examinar a atual legislação a respeito do Aborto e por um Projeto de Lei, que, aprovado na Câmara, tramita pelo Senado.
Quero chamar-lhes a atenção, como ovelhas do Senhor, entregues aos meus cuidados pastorais, para alguns fatos, que podem afetar nossa carreira como cristãos em um país onde temos, não apenas o direito, mas também o dever de participar da elaboração das leis, no mínimo elegendo nossos legisladores, mas também fazendo-lhes conhecer a opinião que temos sobre os respectivos assuntos a que estão afetos.
O Projeto de Lei PLC 122/06, é danoso a prática da vida cristã no mínimo porque: Querendo proteger de discriminação aqueles que estão em flagrante desobediência a “lei maior” do Criador, que os fez “machos e fêmeas” - como é afirmado no Livro de Gênesis, e depois reafirmado pelo nosso Senhor e Mestre, Jesus Cristo - embaraça-lhes mais a possibilidade de deixar suas práticas condenadas pelas Escrituras Sagradas, e tolhe a missão da Igreja em diversos aspectos.
1. Embaraça-lhes
a. Ao chamar de “homofobia” a aversão que muitos - cristãos e não cristãos - sentem pela manifestação pública de “afetos homossexuais” (abraços, beijos, carícias, etc), este Projeto de Lei atribui aos heterossexuais o erro de serem preconceituosos e, conseqüentemente, exime os homossexuais de perceber a situação em que se encontram, embaraçando-lhes assim uma avaliação conforme a cosmovisão cristã da antinaturalidade de seus relacionamentos bem como de ver estes mesmos relacionamentos como atestados da ira de Deus que se derrama sobre uma sociedade que esqueceu seu Criador.
Observe o quanto a Palavra de Deus é clara sobre este ponto:
Romanos 1.18-28: 18 A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; 19 porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.
20 Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas.
Tais homens são, por isso, indesculpáveis; 21 porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. 22 Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos 23 e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.
24 Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; 25 pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!
26 Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; 27 semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.
28 E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes ...
b. Ao criminalizar o que chamam de “homofobia” criam dois pesos e duas medidas. Pois, segundo a lei, o tolhimento de qualquer “expressão de afeto homossexual” será punido. Porém, semelhante punição não será aplicada ao tolhimento das “expressões de afeto heterossexual”.
2. Tolhe a missão da Igreja
a. Nossa Igreja, que não aceita como membros heterossexuais na prática da fornicação, não poderá negá-la a homossexuais, sob o risco de punição.
b. Ensinar que a homossexualidade, mais do que pecado, já é castigo divino sobre a idolatria (como fica claro no texto bíblico transcrito acima), torna-se crime. Ora, tal ensino desdiz muito em muitas partes a Palavra de Deus, com a qual estamos comprometidos, e o púlpito fica cerceado em sua missão de luta por uma sociedade mais santa.
À luz de tudo isto, exorto aos irmãos, ovelhas do Senhor, debaixo de meus cuidados pastorais, a que escrevam ao senador em quem votaram nas últimas eleições, manifestando repúdio a esse Projeto de Lei.
Pastoralmente, do fundo de meu coração
Rev. Fôlton Nogueira
Observações úteis:
1. Onde o Projeto de Lei pode ser lido: http://www.senado.gov.br/sf/publicacoes/diarios/pdf/sf/2006/12/14122006/38854.pdf)
2. Onde encontrar o endereço do Senador em que você votou:http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp?o=1&u=*&p=*
3. Um histórico do Projeto de Lei e uma análise profunda do mesmo veja o Parecer do Dr. Paulo Fernando de Melo em 23/5/2007 em: http://movimentodeapoio.blogspot.com/2007/05/plc-1222006-brilhante-pronunciamento-do.html
4. Endereço do Senado Federal: Senado Federal - Praça dos Três Poderes - Brasília DF - CEP 70165-900 - Fone: (61)3311-4141
Também é bom conhecer:
1. Um pouco do que revela o termo “homofobia” analisado por um filósofo Católico Romano http://www.olavodecarvalho.org/semana/070523dce.html
2. Quadro geral acompanhado por uma psicóloga evangélica
http://movimentodeapoio.blogspot.com/
sábado, 2 de junho de 2007
Mediata e imediatamente 1/3
Foi assim desde o princípio. Quando do nada fez a luz, ele estava operando imediatamente.
Quando do barro fez o homem, ele estava operando mediatamente: usava o barro como meio.
O Filho, a segunda Pessoa da Trindade também agiu assim, não apenas antes de encarnar-se, quando "agente executivo" da vontade do Pai (a Palavra que não volta para ele vazia, mas faz tudo o que lhe apraz), mas também "nos dias de sua carne". Quando disse "Lázaro, vem para fora" e o defunto Lázaro obedeceu, ele agiu imediatamente. Entretanto quando aplicou lama aos olhos do cego e mandou que os lavasse no tanque de Siloé para ficar bom, ele o curou servindo-se de meios: mediatamente.
Por semelhante modo o Espírito Santo, a terceira Pessoa da Trindade, ao manifestar-se no dia de pentecostes o fez imediatamente: capacitou aos primeiros cristãos a que falassem as "grandezas de Deus" em 14 idiomas diferentes. Idiomas que não eram conhecidos deles, nos quais eles nunca se expressaram, nem foram treinados para fazê-lo. Entretanto, na mesma ocasião, considerando outro ângulo do mesmo acontecimento, os demais que ouviram a mensagem foram atingidos através de um meio, pois não ouviram diretamente do Espírito Santo, mas daqueles que ele capacitou para tanto.
O princípio é o mesmo: Deus intervém. A forma como ele procede essa intervenção pode variar.
Todos os dias vemos a semente germinar e produzir muitas outras, mas não chamamos a isso de “multiplicação dos pães” – embora, em última análise, seja – nem sequer dizemos ser algo sobrenatural, embora seja um milagre tão óbvio quanto o que o Senhor Jesus fez na Galiléia.
Parece que é sempre assim: todos os começos demandam algum tipo de ação imediata que se estabiliza depois, através de meios que se repetem, e, pelo costume, acabamos chamando-os de naturais; mesmo que saibamos o quão “sobrenaturais” sejam.
Não foi assim na criação? Não foi assim no início da Antiga Aliança? Não foi assim na aplicação da Nova Aliança no dia de pentecostes?
No início era necessária uma capacitação imediata de falantes de muitas línguas. Hoje, esse mesmo milagre é realizado, pelos que aprendem uma língua, inventam sua representação gráfica, sistematizam-na em uma gramática, traduzem para ela as histórias contadas por seus falantes, ensinam tais falantes a “ouvir” tal língua a partir dos sinais grafados e reconhecer suas histórias. E, a partir de então, “para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo”, traduzem para ela as Sagradas Escrituras, já que “aqueles antigos modos de Deus revelar sua vontade ao mundo cessaram”.
Não poderíamos dizer algo semelhante sobre as habilidades de cura? Mas isso fica para a próxima semana.
Bom ânimo
Hebreus 3.13 (NAA) Pelo contrário, animem uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama “hoje”, a fim de que nenhum de vocês ...
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