domingo, 4 de novembro de 2007

A propósito da eleição de Oficiais

Quando, como cidadãos, votamos em alguém para o exercício de algum cargo público, esperamos que ele se comporte, decida ou legisle de acordo com nosso ponto de vista. Afinal de contas ele é nosso representante.

Tal acontece porque vivemos, como cidadãos, em um país onde prevalece o texto constitucional: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ...”. Por definição o estado brasileiro deve ser um “espelho” da sociedade brasileira.

Os pré-requisitos para que alguém seja eleito no Brasil, são os mínimos: nacionalidade, alfabetização mínima, regularidade eleitoral, filiação partidária, e idades mínimas (35 anos para Presidente e Senador, 30 para Governador, 21 para Deputado, Prefeito e Juiz de Paz, e 18 para vereador).

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Quando, como ovelhas do rebanho de Deus, votamos em alguém, devemos esperar que ele se comporte, decida ou legisle, de acordo com o ponto de vista de Deus. Afinal de contas ele é, “lato sensu”, representante de Deus.

Tal acontece porque, vivemos, como ovelhas do Senhor, em um rebanho comprado por seu sangue. Por definição a Igreja deve ser espelho da vontade de Deus.

A priori, há tantos pré-requisitos para alguém ser eleito à algum ofício na Igreja, que é praticamente impossível encontrar alguém que atenda plenamente a todas as exigências. Curiosamente, todas essas exigências dizem respeito a sua vida familiar (mais tarde escreverei sobre esse assunto).

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Dessas observações conclui-se que:

1. O voto civil é totalmente diferente do voto na Igreja. Enquanto o voto civil expressa nosso gosto, nossa vontade, nossa ideologia, o voto na Igreja deve expressar as determinações do Senhor da Igreja.

2. O eleito para algum cargo público está preso a vontade de seus eleitores ao passo que o eleito para um ofício na Igreja está preso às ordens do Senhor da Igreja (muitas vezes contra seus eleitores).

3. Os eleitos na vida civil são representantes do povo para fazer o que lhes foi delegado pelo voto popular. Os eleitos na Igreja são representantes do povo diante de Deus. Ou seja: são, os que mais se aproximam - dentre os que se congregam naquele rebanho local – do padrão estabelecido por Deus.

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A pergunta obvia é: por que razão Deus delega as ovelhas de seu rebanho a tarefa de escolherem alguém que cumpra a vontade dele e não, necessariamente, a vontade delas?

A resposta é dupla:

1) Devido a docilidade do rebanho e sua natureza fácil de ser manipulada (como vemos ser manipulada por auto-intitulados bispos, apóstolos, profetas e que tais), Deus não permite a Igreja outro meio de escolha de seus oficiais regulares, que não o voto.

2) Para que o Rebanho seja responsabilizado, diante de Deus, por um eventual descaminho - mesmo que tenha sido seduzido por líderes maus - por não ter obedecido os critérios divinos para escolha.

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Ao votar, portanto, a ovelha está dizendo: reconheço que fulano é o que mais se aproxima do que Deus determina como padrão para tal ofício.

Tenho certeza de que aqui está a maior razão da falta de identidade das Igrejas de nossos dias: o oficial porta-se como um político pressuroso em atender as exigências de seus eleitores e não como um servo de Deus em que a maioria das ovelhas viu e atestou a existência do chamado divino para o exercício do ofício que lhe foi confiado.

sábado, 27 de outubro de 2007

A Reforma Protestante e o movimento missionário

O primeiro modelo de evangelização praticado pela Igreja apareceu depois do pentecostes, quando muitos daqueles sobre os quais o Espírito Santo havia sido derramado, voltaram para suas cidades de origem e organizaram igrejas locais: Roma, Antioquia, etc.

Um segundo modelo foi implantado através de viagens com o fim específico de anunciar o Evangelho. Paulo e Barnabé foram seus pioneiros.

A Igreja precisou esconder-se de perseguições, mas três séculos depois, Constantino, percebeu o grande número de cristãos em seu império e aderiu ao cristianismo. Isso levou ao processo de torná-la igreja oficial e favoreceu um terceiro meio: a guerra.

Em nome de se pregar o Evangelho ou cristianizar um povo, se fazia guerra e obrigava o rei deles a tornar-se cristão. Então todos os seus súditos eram obrigados ao batismo.

Não se sabe quando o estado fazia guerra para que a religião fosse disseminada ou quando a religião fornecia o propósito, e os guerreiros, para que o estado, guerreando, crescesse mais ainda pela anexação de territórios.

E assim continuou pelos tempos. Assim chegaram às Américas. Assim dizimaram povos e levaram enormes riquezas a seus países de origem. A religião justificava saques, mortes e a escravidão.

Padre Vieira dizia ser preferível ao africano ser escravo no Brasil, onde podia conhecer o evangelho, do que ficar na África onde fatalmente morreria pagão.

É claro que sempre houve também a presença de missionários abnegados, que, muitas vezes por conta própria, dirigiam-se a outros povos com o fim de anunciarem as boas novas de salvação.

Porem, poucos foram os casos em que tais missionários não acabaram logo trocados ou “auxiliados” por tropas militares.

Enquanto as Américas eram descobertas, a Reforma Protestante grassava a Europa. Com a Reforma vinha a idéia da conversão individual, e, apesar de Países serem declarados de “Fé Reformada”, tal só acontecia mediante a adesão de seu rei ou de seus governantes, muitas vezes para fugir a tirania de Roma.

Com a reforma também voltou-se a pratica do missionar com o único interesse de se divulgar o evangelho. A idéia missionária foi tão forte que a Igreja de Genebra chegou a sustentar 280 deles. Não só na Europa. Quatorze chegaram ao Brasil.

Não sou ingênuo ao ponto de dizer que a partir da Reforma Protestante o ato de missionar tornou-se impoluto. Não. De forma alguma. Muitos problemas acompanharam e ainda acompanham os missionários e as missões, e são transportados ao povo alvo daquela missão junto com a santa mensagem de Salvação que o Senhor nos mandou levar ao mundo inteiro.

O que estou tentando mostrar é que o mal de um missionar feito a partir de uma igreja imperial tornou-se, pelo menos, mais simples. Os missionários perderam a obrigação de levar também os interesses do grupo que os enviava.

Não há dúvida que o anúncio do Evangelho pressupõe um mínimo de anúncio de valores típicos da cultura na qual ele manifestou-se e da integridade da cosmovisão bíblica do que é o homem e de quem é Deus. Porém, não pode ser acompanhado de segundas intenções de dominação daquele território ou das riquezas contidas nele.

Porém, graças Deus, hoje após a Reforma Protestante a luta do missionar é levar o Evangelho, simples como ele é e como deve ser anunciado, ao homem como um todo. Os missionários após exaustivo treinamento teológico, cultural, lingüístico, sociológico – e do que necessário – visando a conseguirem distinguir cada vez mais os conteúdos humanos e divinos da santa mensagem.

As agências e organizações missionárias pesquisam e buscam informações sobre os povos e etnias, suas línguas e costumes a fim de atingir do melhor modo possível os que ainda não possuem a Bíblia em seu idioma.

A Reforma Protestante fez ressurgir o espírito missionário dos primórdios da Igreja.
Nós, como igreja local, devemos nos imbuir desse espírito e buscar do Senhor seu plano de ação missionária para a nossa igreja.

Oremos, pedindo-lhe instrução, capacitação e direção e, se necessário, correção.

Rev. Fôlton Nogueira
Rev. Marcos Agripino

sábado, 20 de outubro de 2007

Uma "fé razoável"

A mesma razão - nossa principal diferença dos animais, que, aliás, chamamos de irracionais, por serem desprovidos de razão - pode ser exercida de dois modos diferentes se considerarmos parte das informações que recebemos ou a totalidade delas.

Quando consideramos parte, nos limitamos àquilo que atinge nossos sentidos, ou que possa ser repetido, deliberadamente sob condições controladas, de qual repetição possamos extrair conclusões mesmo que não atinjam nossos sentidos.

Quando consideramos o total, levamos em conta que o mundo em que vivemos foi criado e quem o criou não está sujeito a ele. Além dos processos repetitivos, dos quais extraímos conhecimento, há possibilidades infinitas de intervenção do Criador em qualquer coisa que ele tenha criado.

Tais intervenções, como fogem da rotina de causa e efeito, são vulgarmente chamadas de milagres. Entretanto, se chamamos de milagre algo que ocorre esporadicamente, mas foi feito pelo Criador, por que não chamamos de milagres ao que ocorre dia-a-dia, e que igualmente foi feito por ele?

Semeamos três grãos. Deles nascem várias espigas com muitos grãos dos quais podemos fazer muitos pães. A essa multiplicação, que se repete, chamamos de ação natural.

Nosso Senhor, o Criador habitando conosco, tomou 5 pães e os multiplicou. Ele queimou etapas. Não semeou. Não colheu. Não os panificou. Porém os multiplicou como sempre faz. Não devemos ver a presença do Criador apenas no segundo evento. Ele está presente também no primeiro. É por causa dele que há germinação de tudo o que é plantado.

Repare bem que sobre os dois processos, podemos igualmente arrazoar, e apenas quando consideramos os dois sob uma mesma perspectiva é que aprendemos mais. Do primeiro podemos aprender o mecanismo mediante o qual as sementes se multiplicam. Do segundo podemos aprender o porque delas se multiplicarem.

Este é o limite de quem usa a razão apenas sobre parte das informações de que dispõe: jamais fica sabendo o porque!

Nosso Senhor e Mestre sempre usou a razão. Há muitos contextos em que ela aparece nitidamente. Porém, um contexto surpreendente ocorre quando ele quis incentivar seus discípulos a terem fé.

Você se lembra? Ele mandou que arrazoassem como o Criador cuida de coisas insignificantes e concluiu: se o Pai cuida dos pássaros e das flores, não cuidaria deles também?

Isaías, no Antigo Testamento, já convidava: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.” (Is 1.18)

Paulo, no Novo Testamento, pregava o evangelho assim: “Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus. Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio.” (At 17.1-3)

Assim também somos obrigados cultivar a fé daqueles que ainda estão se iniciando nela: “Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos.” (Tt 2.6).

De igual modo devemos tratar os que são maduros na fé: “Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações.” (1Pe 4.7).

Essa abordagem da fé, via razão, parece hoje em dia algo fora de propósito, pois para muitos a fé se opõe a razão. Isso não é verdade. A fé vem do entender (raciocinar, exercer a razão) as Promessas e o Poder do Criador. É impossível uma fé sadia sem o exercício da razão naquilo que o Criador revelou sobre si mesmo.

“Não pense! Creia!” É o que mais se ouve a título de Evangelho. É o que menos respeita a mensagem do Evangelho, que hoje pode ser ouvida em poucos lugares.

Necessitamos viver mais comprometidamente com os valores cristãos. Necessitamos falar cada vez mais que “Deus não é Deus de confusão”. Ou como já disse a muito tempo John Stott: Crer é também pensar.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Os ímpios não são assim

Por ser feliz ele não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores.

Mas os ímpios não são assim: Pelo contrário, aconselham-se e seguem seus próprios “macetes”. Não apenas imitam a conduta dos pecadores como isolam quem não segue a moda que eles mesmos ditam. E com prazer assentam-se em roda para rir e contar como com esperteza saíram ganhando.


Sua satisfação é contemplar a riqueza da lei do Senhor e deleitar-se em sua doçura. À cada acontecimento, seja de dia, seja de noite, ele a compara, e dela aprende como agir em cada caso.

Mas os ímpios não são assim: Geralmente não querem saber de leis. Menos ainda da lei do Senhor. E se à cada acontecimento comparam algum tipo de lei o fazem procurando um meio de contorná-la e tirar proveito do acontecido.


Como a uma árvore plantada junto a um rio - que se mantém frondosa e na ocasião própria fica carregada de frutos - a ele todos procuram. E os que o procuram são revigorados pelo sabor de suas palavras e pelo frescor de sua companhia. Sempre há proveito naquilo em que se empenha.

Mas os ímpios não são assim: São como palha que o vento leva. Sempre inconstantes, levados por todas as dicas, imitam todos os modismos. E tão logo ouvem um falastrão gabando-se e escarnecendo de algo, mudam de opinião e seguem aquele novo vento. Nunca se pode aproveitar o que deles sai. Pelo contrário eles é que se aproveitam dos incautos que se aproximam.

Por serem como palha, os ímpios jamais resistirão ao julgamento daquele que é “fogo consumidor”. Porém finalmente compreenderão sua lei. Por serem como palha, os ímpios também não resistem as dificuldades inerentes ao ajuntamento dos justos: daqueles que se preocupam em como viver a lei do Senhor.

E, por todas essas razões o Senhor envolve-se com os justos em todos os seus caminhos ao ponto de conhecer intimamente seus passos. Mas o caminho dos ímpios não é assim: É como trilha que se perde no varrer do vento e desaparece no desprezo do Senhor.

sábado, 6 de outubro de 2007

Mães que jogam seus filhos no lixo

Em um período de mais ou menos um ano fomos estarrecidos pela notícia de duas mães que jogaram seus filhos na água. Uma em uma lagoa e outra em um verdadeiro esgoto.

Eventualmente poderíamos compará-las a Joquebede que, às águas confiou seu pequeno Moisés. Mas teríamos dificuldade em manter a comparação, pois esta além de colocá-lo em um pequeno cesto que flutuava, confiou na vigilância atenta de sua filha Miriam visando a salvação do pequeno. Mas aquelas além de colocá-los em sacos de lixo esperavam ficar livres de um incômodo.

Talvez, como a aversão que Amnon sentiu por Tamar (maior do que o desejo que o levou a forçá-la), a aversão que elas sentiram pelo fruto de seus ventres passou a ser maior do que o desejo que as levara a concebê-lo.

Doença, dizem alguns. Talvez. Porém podemos dizer com certeza? Quantas doentes sentiram vontade de matar o filho que deram à luz e não o fizeram?

Há alguns anos uma jovem mãe insistiu que eu orasse com ela: “Estou endemoninhada pastor”. Insistia mais. “Não tenho paciência com minha filha, e, de vez enquanto, me pego pensando em como matar meu bebê”. E concluiu: “Tem de ser demônio”.

De nada adiantaram minhas tentativas de explicar o que era depressão pós-parto e quais seus efeitos. Ela insistia em dizer-se endemoninhada. Chegou a contar a todos da Igreja os terríveis sentimentos que escondia desde o primeiro parto, só para avisá-los que eu tinha recusado “exorcizá-la”.

A loucura dessas duas, que jogaram seus filhos no lixo, não é característica exclusiva de nossos dias. Sabemos disso pela própria Bíblia. Você está lembrado do que aconteceu quando a Síria cercou a Samaria? Releia:

Algum tempo depois, Ben-Hadade, rei da Síria, mobilizou todo o seu exército e cercou Samaria. O cerco durou tanto e causou tamanha fome que uma cabeça de jumento chegou a valer oitenta peças de prata, e uma caneca de esterco de pomba, cinco peças de prata.

Um dia, quando o rei de Israel inspecionava os muros da cidade, uma mulher gritou para ele: “Socorro, majestade!” O rei respondeu: “Se o SENHOR não a socorrer, como poderei ajudá-la?

Acaso há trigo na eira ou vinho no tanque de prensar uvas?” Contudo ele perguntou: “Qual é o problema?”

Ela respondeu: “Esta mulher me disse: ‘Vamos comer o seu filho hoje, e amanhã comeremos o meu’. Então cozinhamos o meu filho e o comemos. No dia seguinte eu disse a ela que era a vez de comermos o seu filho, mas ela o havia escondido”. Quando o rei ouviu as palavras da mulher, rasgou as próprias vestes. 2Re 6.24-30

Entretanto, esse tipo de coisa é tão desnatural que o SENHOR através do profeta Isaías pergunta: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Pode uma mulher não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? Mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria jamais” Is 49.15.

Deus não se esquece de nós!

Mas repare bem: Se nos indignamos com o que aconteceu não é o caso de nos indignarmos também contra quem faz a mesma coisa a filhos mais novos? Qual é a diferença entre matá-los depois que saem do útero e de matá-los dentro dele? Não estão igualmente vivos? Não terão por destino as águas poluídas de algum esgoto?

Pensando um pouco mais: Quem comete maior pecado? Quem, abortando, priva seu filho do “nascimento”? Quem provoca um parto e depois joga seu filho nas águas sujas de um esgoto?

Ou, ainda, quem, depois de um parto abençoado por Deus, e acompanhado com alegria pela família, expõe seu filho a um ambiente cuja poluição não é para se comparar à poluição das águas do mais pútrido esgoto, já que infecta não apenas o corpo mas o espírito da criança?

Por colostro essas crianças tiveram as águas imundas dos esgotos. Quantas por “colostro espiritual” recebem as influências mais infames do pecado?

“... se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá” (Sl 27.10). O SENHOR não se esquece de nós!

Afinal, além de nos ter feito, nos chamou à luz com dores superiores às de uma mãe. Nosso nascimento custou-lhe a separação de seu amado Filho. Nossa vida custou-lhe amaldiçoar aquele a quem eternamente gerou.

Mesmo que vivamos em uma época em que se torne comum as mães jogarem seus filhos no lixo, o SENHOR jamais nos abandonará.

sábado, 22 de setembro de 2007

O papel dos porcos na vida de oração

Enquanto olhava os porcos comendo aquelas vagens sem sabor ele se lembrava de quando podia comer os pratos mais saborosos acompanhado das melhores companhias que o dinheiro podia atrair ou comprar.

A fome sentida era tão intensa que as alfarrobas pareciam apetitosas, ou pelo menos a voracidade com que os porcos as comiam dava essa impressão. Mas ele não podia come-las também. O patrão pagava muito por uma porção delas.
Provavelmente a algazarra do chiqueiro lhe tenha lembrado a algazarra que os servos de seu pai faziam no galpão em que ele raramente ia.

- Que qu’eu to fazendo aqui? Na casa de meu pai até os servos tem pão com fartura e eu aqui não posso comer a comida dos porcos? Vou-me embora! Vou pedir perdão a meu pai e me vender como escravo. Pelo menos a fome eu mato.

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Geralmente, como desculpa, ouço argumentos assim: “Se Deus sabe de todas as coisas para que orar?”

Adianta muito pouco dizer: oramos porque Deus nos manda orar e pronto. Embora isso seja verdade, essa resposta nos priva de uma grande lição sobre Deus e sobre nós mesmos.

Você já parou para pensar por que razão o pai deixou seu filho sair de casa? Está lembrado? Não há sequer uma tentativa de dissuadi-lo. O filho pede sua parte na herança e, sem discutir, o pai reparte seus bens. O filho transforma tudo em dinheiro e vai para uma terra distante e o pai permaneceu calado.

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Pelo caminho de volta o filho vem ensaiando a desculpa que daria ao pai. Tinha de ser boa. Precisava prometer algo que pudesse cumprir, pois o que ele havia feito era o mesmo que considerar morto seu pai.

A distância era tão grande que ele teve tempo de preparar mais do que uma desculpa. Ele preparou uma súplica: Pequei. Não sou digno. Aceita-me como um escravo.
Se o pai não o tivesse deixado na situação de desejar comer a comida dos porcos, ele jamais faria essa oração.

Essa oração demonstra que ele aprendeu a se conhecer. Nela ele confessa que havia afrontado o pai, que havia se tornado indigno de ser seu filho e que valia menos do que um escravo.

Essa oração demonstra também que ele aprendeu a conhecer o pai, pois apesar de tê-lo afrontado ele sabia que seu pai era misericordioso. Misericordioso até com os escravos.

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O maior beneficiado com nossas orações não é Deus. Ele não precisa nem gosta de bajulação. E ao contrário do que esses doidos de plantão afirmam, ele não está carente e sequer precisa de elogios.

Nós mesmos somos os maiores beneficiados com nossas próprias orações. Uma oração sincera é produto de um coração aberto. Uma oração verdadeira só é dita por quem conhece seu próprio estado e ao mesmo tempo confia na misericórdia de Deus: o pai.

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Resta-nos pensar: “será que Deus terá de permitir que eu, na minha insensatez, chegue a situação de desejar a comida dos chiqueiros para então aprender a orar”?

Não seja esse nosso destino.

sábado, 15 de setembro de 2007

No vale da sombra da morte

Ao referir-se ao vale da sombra da morte, Davi poderia estar falando de um lugar qualquer, famoso por sua periculosidade. Há quem pense que ele falava da estrada que liga Jerusalém a Jericó.

Conhecida como "Ladeira do Sangue", essa estrada era um caminho sinuoso e íngreme, que descia 1200 metros em apenas 27 quilômetros, com muitos vales estreitos de cujos lados, em cavernas escavadas, malfeitores espreitavam e emboscavam os viajantes. Foi o cenário que o Senhor usou na Parábola do Bom Samaritano.

Hoje, distante do deserto da Judéia, o vale da sombra da morte pode representar nossas aflições mais graves. Quantas vezes já passamos por esse vale ou vimos um de nossos queridos passar? Tantas vezes quantas a morte nos fez sombra.

Ao nos aproximamos desse vale, nosso primeiro sentimento ainda continua sendo o medo. Porém a visão do cajado - com que o Bom Pastor nos puxa para junto de si - e a visão de seu bordão - com que ele coloca os agressores em fuga - nos acalma.

No vale da sombra da morte é que aprendemos de fato a conhecer o Bom Pastor e o que ele pode fazer. Ele nunca fica longe de nós. Mas, apenas o terror que aquele lugar nos infunde, faz com que sintamos mais vividamente sua presença protetora. Dificilmente poderíamos dizer "não temerei mal algum, porque tu estás comigo" se já não tivéssemos alguma vez em nossa vida passado por esse vale.

O vale da sombra da morte fica antes dos pastos verdes e das águas tranqüilas às quais o Bom Pastor nos leva. Ele até poderia usar outro caminho, mas o que passa por esse vale terrível faz com que valorizemos mais o destino a que somos levados.

O vale da sombra da morte torna a maior bênção que uma ovelha recebe do Bom Pastor se, como Jó, ao sair dele, ela possa dizer: “...meus olhos agora te vêem”. E, tenha certeza: o vale da sombra da morte é uma passagem obrigatória para toda ovelha do Bom Pastor. Às vezes, a passos curtos, ele nos parece longo. Às vezes o vencemos correndo. Porém, dificilmente passamos por ele apenas uma vez. Ele é o caminho rotineiro dos que precisam aprender a permanecer bem juntos do Bom Pastor.

Não nos assustemos com o vale da sombra da morte se estivermos nele agora. Ao contrário, extraiamos dele todos as lições possíveis - mesmo que fiquemos exaustos - pois, ao sairmos, encontraremos refrigério para nossas almas e uma mesa posta.

sábado, 8 de setembro de 2007

Simplicidade

Caim estava abatido. O texto bíblico diz que suas feições estavam deformadas: caídas. Afinal ele tinha se esforçado: Havia preparado o terreno. Plantara. Cuidara. Colhera. Separara e levara as primícias de seu suor. Mas sua oferta fora rejeitada! Por quê?

Por que a de seu irmão foi aceita. Ele pouco fez. Sequer teve o trabalho de carregá-la!

*

Naamã estava furioso. Havia retirado seus exércitos de Israel devido a um acordo vantajoso para a Síria e agora voltava humilde, guiado pela informação de uma menina escrava, esperando ser curado de sua lepra. Trouxera consigo uma carta de seu rei endereçada ao rei de Israel, 350 quilos de prata, 700 quilos de ouro, 10 roupas de festa e Eliseu sequer o recebeu. Enviou um mensageiro dizendo que se banhasse no Jordão.

*

Esses dois exemplos bíblicos, de muitos que poderiam ser dados, ilustram bem um sentimento comum a todos os homens: só valorizamos o que nos custa.

Pouco nos adianta hoje o ajuntamento de 2 ou 3 – ao qual o Senhor garantiu estar presente – pois nossa atenção estará sempre no ajuntamento de 3 mil.

Não nos interessa mais a oração feita no silêncio. Ela será melhor e “mais poderosa” se for feita aos berros, de preferência amplificada por enormes caixas de som.

Não nos interessa mais a oração simples. Ela terá de ser repetida, se possível muitas vezes – como elos de uma corrente – formando uma versão evangélica da novena romana. Melhor se for feita em uma língua que ninguém entenda – nem mesmo quem a falar – e melhor ainda se for muito comprida.

Não nos interessa mais as ordens claras do Senhor: “quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” Mt 6.6-7.

Não nos interessa mais a prescrição de sua Palavra: “Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras. Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias” Ec 5.1-3.

Correntes, línguas, repetições, gritaria ... o que mais? Rolar no chão? Já é feito há muito tempo!

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Em sua fúria Naamã ameaçou voltar leproso para casa. Seus oficiais então lhe perguntaram: se fosse algo mais difícil o senhor não faria?

Acho que é isso. Agora só nos interessamos pelo o que é difícil.

Agora o que nos interessa são reuniões muito programadas. As vigílias e os jejuns. Os votos embaraçadores. A espoliação dos bens e estelionato disfarçado de piedade.

O abandonar-se nos braços do Pai, como criança nos braços de sua mãe, a confiança, apenas e tão somente, em quem ouve as orações agora consideramos pouca coisa.

É como se precisássemos dar uma ajudinha a Deus, e atrair sua presença às nossas reuniões ou despertar seu interesse em ouvir nossas orações.

Já vi orações serem comparadas a flechas, que quanto mais se estica o arco mais ela sobe, e, portanto quanto maior for o fervor com que a oração for feita maior será sua eficácia diante de Deus.

“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” Mt 6.7.

Que Deus tenha misericórdia de nós!

sábado, 1 de setembro de 2007

A Aliança e a família

Sobre mesa estava um cordeiro inteiro, assado no espeto. Uma cesta de pães asmos, uma travessa com ervas amargas, uma tigela com água salgada, outra com uma espécie de geléia de frutas e alguns cálices de vinho.

Ao redor da mesa a família esperava que a criança mais nova perguntasse o que era aquilo, pois sua pergunta iniciaria um ritual familiar em que a recordação do que celebravam era tão importante quanto a confraternização em si.

Era a celebração da Páscoa.

Feita a pergunta, a mãe tirava tudo o que estava sobre a mesa, e o pai - sem a comida para distrair as atenções - passava a contar a história do povo Judeu de modo que a criança que perguntou pudesse entender.

Textos como o de Êxodo 13 ou de Deuteronômio 26 e alguns salmos, inspiraram tal rito, que visava cumprir a promessa cantada no Salmo 78:3-4: "O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a nossos filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez".

Depois de contada a história - ainda que resumidamente, mas sem esconder nenhum erro cometido pelos antepassados, e sem deixar de mostrar o quanto o Senhor tinha sido misericordioso com seu povo - as comidas eram trazidas de volta.

Com a água salgada relembravam as lágrimas derramadas no Egito e com as ervas amargas, a vida difícil e amarga que levavam lá. A geléia, quase líquida, relembrava a dificuldade da principal ocupação deles: fazer tijolos de uma terra arenosa. E os pães asmos relembravam a pressa com que saíram de lá sem tempo de esperar a fermentação a massa.

Entre uma comida e outra o vinho deveria lembrar que, daquelas dificuldades, o SENHOR os livrou. E, a cada cálice, orações de gratidão eram elevadas a Deus.

Por fim, o cordeiro mostrava que foram salvos porque uma vítima sem culpa ficou no lugar deles.

Eu nunca conseguiria, por mais que tentasse, exagerar a importância dessa celebração familiar para o povo de Deus. A família estava reunida relembrando o que Deus fez por eles desde seus antepassados. Isso os vinculava a muitas gerações anteriores: os vinculava a Moisés. Aliás, uma das frases que o pai deveria usar era: "... o SENHOR me fez, quando saí do Egito" (Ex 13.8).

Desse rito elaborado o Senhor Jesus separou o pão e o vinho e instituiu a Santa Ceia, com valor sacramental, para que a família maior - a Igreja - fosse obrigada a relembrar o passado, em sua morte, mantivesse a esperança do futuro até sua volta.

Deveríamos fazer rememorações semelhantes em nossas famílias menores. E, com esse mesmo sentimento, nossos filhos deveriam ser lembrados de seus antepassados e do que Deus lhes fez.

Porém, se já não recordamos mais do que Deus fez a nossos avós ou a nossos pais, e, até mesmo, o que ele nos fez há 10 anos atrás, como ensinaremos a nossos filhos os privilégios que eles têm como filhos da aliança?

Não é de admirar que seu ponto de referência seja o futuro. Um futuro incerto e mutável. Tão mutável quanto a moda ou as tecnologias que hoje nascem e amanhã desaparecem.

É natural esperar da geração vindoura um passo a frente da nossa. Sempre foi assim. Se dissermos que a aliança que temos com Deus é importante, mas não ligarmos para as conseqüências de desrespeitá-la, acaso nossos filhos a respeitarão também?

Uma refeição comum. Entretanto, recheada de memórias do que o SENHOR fez, e coberta por promessas daquilo que ele fará.

Não precisa ter o valor sacramental - aliás não deve pois isto é prerrogativa da refeição que tomamos na Igreja - mas precisa ser feita.

Por amor a nossas famílias precisa ser feita.

sábado, 25 de agosto de 2007

Quadro de referências

Nenhum de nós está isento de um quadro de referências. Nenhum de nós pensa ou fala qualquer coisa que já não tenha sido pensada ou falada. Os estudiosos desse fenômeno dizem que nenhum de nós possui a “fala de Adão”. Ou seja: a primeira fala. Porém, nem Adão falou de si mesmo. Falou do que aprendeu do Criador.

Entretanto esse não é o problema em si. O problema está nas fontes em que bebemos aquilo que repetimos. A isso chamamos de “quadro de referências”.

Quem tem por referência um conceito materialista da vida, dificilmente produzirá algo que supere esse nível. Quem foi criado em um ambiente torpe dificilmente se expressará com graça e sobriedade.

Não estou desprezando as qualidades inatas com que a Graça Comum nos afeta, muito menos a ação irresistível do Espírito Santo. Mas isso se dá a despeito do quadro de referências a que fomos expostos.

Não foi por acaso que Deus preparou a cultura em que se revelou. Tudo o que ele nos mostrou de si próprio e de seu modo de agir precisa ser compreendido dentro deste quadro de referências. Por exemplo: Ele usa a paternidade para falar de si: Chama-se de Pai. Porém não se referiu a paternidade conhecida pelos romanos, muito menos a que conhecemos hoje, mas a que era conhecida pelos judeus. Especificamente a que é retratada no Pai da parábola do Filho Pródigo.

Recentemente, do púlpito, um pregador exortava uma igreja a ser responsável, com a seguinte frase: “como disse o Homem-aranha: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Seu quadro de referências é uma história altamente ficcional, para não dizer mentira e engodo.

Nossa Confissão de Fé nos ensina logo em seu Primeiro Capítulo: “... para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.”

Você reparou?

Primeiramente, as razões, pelas quais, Deus serviu-se da escrita: Preservação da verdade e segurança da Igreja. Em segundo lugar: os antigos modos de Deus revelar sua vontade cessaram.

Será que todos concordamos com isso? Não acredito. Minha experiência diz que poucos concordam (embora muitos tenham jurado diante de Deus e da Igreja defender esta Confissão).

Queremos ouvir, tocar e ver. Porém nunca através de um livro. Como Tomé preferimos perder a bem-aventurança de crer sem ver, mas queremos ver e pegar. E achamos que isso é nobre!

Infelizmente, o quadro de referências em que a maioria de nós foi criado e no qual vive e se expressa, privilegia tais experiências – mesmo que possam ser fraude ou engano – em detrimento da verdadeira Palavra de Deus da qual temos a segurança de ser verdadeira.

Preferimos o risco de um “cipoal de revelações” – na maioria das vezes completamente estapafúrdias, sem sentido, e até contrárias umas às outras – em detrimento da segurança do que Deus mesmo fez escrever com a promessa de ser capaz de dividir nossos pensamentos das nossas intenções e nos ensinar tanto sobre sua vontade quanto sobre nós mesmos.

Tão profunda e atual é sua Palavra que, mais do que a lermos, nós podemos nos ler através dela, mas preferimos receber as coisas prontas e simplesmente engolir, pois outra característica de nosso quadro de referências é não pensar muito. Apenas ver e ouvir.

De todas as coisas vivas se espera algum progresso com o passar do tempo. Dos cristãos hebreus era esperado que, atendendo ao tempo decorrido, fossem mestres. Mas eles ainda se ocupavam com princípios tão básicos que se pareceriam hoje com vestibulandos que não sabem a tabuada.

O quadro de referência deles não era muito diferente do nosso.

Deus tenha misericórdia de nós.

sábado, 18 de agosto de 2007

Presumir

Presumindo que a promessa de Deus demorava, Sara tomou sua escrava e a deu a Abraão, para que, por meio dela, Abraão tivesse seu descendente. Porém, a promessa de Deus tinha sido feita à família verdadeira.

Presumindo que Moisés não voltaria do Monte Sinai, o povo convenceu Arão a fazer um bezerro de ouro ao redor do qual passaram a celebrar a saída do Egito, embora o Senhor tenha deixado claro que fora ele quem os libertou e determinado que esperassem o retorno de Moisés.

Presumindo que, aceitando o holocausto oferecido por seu pai, Deus aceitaria também o que fizessem, Nadabe e Abiú, se atreveram a chegar perante Deus e com outro fogo diferente do que Deus havia acendido no altar ao aceitar o holocausto, embora Deus tivesse deixado claras suas tarefas.

Presumindo que Samuel não chegaria antes que o povo fosse embora – pois já o esperavam há dias – Saul tomou a iniciativa de oferecer holocausto, embora Deus tivesse deixado claro que isso era função exclusiva de seus sacerdotes.

Presumindo-se dono de seu destino, o homem rico da Parábola que o Senhor disse, depois de uma boa safra, decidiu fazer novos celeiros e tranqüilizou sua alma dizendo-lhe: “tens muito em depósito: come, bebe, regala-te”, sem saber que naquela noite sua alma seria pedida.

Presumindo que o pai demoraria a morrer, e sua parte na herança não seria bem aproveitada, o irmão caçula pediu-lhe o adiantamento da partilha, sem considerar que ao gastá-la viria a desejar comer a comida dos porcos e não o permitiriam.

Presumindo que seu Senhor demoraria o “servo infiel” passou a espancar seus companheiros e a comer e a beber com ébrios, embora o Senhor lhe tivesse ordenado que vigiasse.

*

De quantos exemplos ainda precisaremos? Será que não fazemos coisas semelhantes?

Qual Sara, nunca presumimos que as promessas do Senhor carecem de nossa ajuda? Você já reparou como já chegamos a inventar novos textos bíblicos para justificar esse tipo de atitude. Você já deve ter ouvido “faça a tua parte e eu te ajudarei” ou “a bênção dá a quem pede” (sic).

Porventura, nunca adoramos bezerros de ouro ou acendemos fogo estranho diante do Senhor para agradar um povo impaciente de novidades?

Ou nunca decidimos que é melhor contribuir em outro lugar, pois “aqui, meu dinheiro está sendo mal empregado”?

Quantas vezes encontramos mais paz no saldo do extrato bancário do que na Bíblia?

Quantas vezes planejamos nossa vida como se o Senhor nunca fosse nos pedir contas de como administramos aquilo que ele nos confiou?

Dentre as muitas origens dos pecados de cada dia aqui está uma delas: Presumir.

*

Tomamos em nossas mãos as rédeas de nossas vidas, da Igreja e até do culto ao Senhor.

Curiosamente, este pecado, cada dia, é menos notado e odiado – algumas vezes chega a ser considerado virtude – por uma sociedade ávida de resultados.

Hoje, Sara seria elogiada como esposa abnegada. Já escutei sermões elogiando o amor de Sara por Abraão.

Hoje, Saul seria visto como herói. E se você examinar o caso sob a ótica moderna concluirá que ele é um bom modelo de líder: não perdeu a oportunidade ao ver o povo reunido.

Hoje, Arão seria visto como atento às necessidades do povo e preocupado com um culto relevante às massas sedentas.

Entre nós não deve ser assim, Ao contrário “portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” 1Pe 1.17-19.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Em nossos dias

Um dos grandes malefícios que o chamado “Evangelho da Prosperidade” trouxe às verdadeiras Igrejas foi a vergonha ou, pelo menos, o escrúpulo em se falar de questões financeiras.

Eu mesmo tenho grande cuidado em abordar o assunto, pois, via de regra, ele é mal entendido e, especialmente, mal praticado.

Por mal entendido, quero dizer que a Igreja muitas vezes vê a prosperidade como atestado de boa conduta. Ou seja: fulano é próspero porque ele é temente a Deus. Entretanto conheço muitos tementes a Deus que não são prósperos (materialmente falando).

Por mal praticado, quero dizer que muitos membros ainda crêem que a prosperidade é conseqüência de uma relação comercial com Deus. Ou seja: fulano é próspero porque é fiel na entrega de seus dízimos e ofertas. Entretanto conheço muitas pessoas que são fiéis na entrega de seus dízimos e ofertas e não são prósperos (materialmente falando).

Como resolver, ou entender isso?

Não podemos esquecer que a prosperidade, ou o sucesso material, é objeto dos ensinamentos bíblicos, e destaca-se na história do Povo de Deus.

Deus serviu-se da pobreza, ou da riqueza, para conduzir seu povo. Por que razão Jacó e seus filhos, os patriarcas da Antiga Aliança, foram para no Egito? Pela pobreza.

Por que razão Salomão esqueceu-se de Deus? Pela riqueza que possibilitou-lhe levar uma vida dissoluta.

Nos dias antigos era comum, e até incentivado, pedir-se a Deus prosperidade.

Se você observar a oração que Salomão faz quando o templo é dedicado, verá que grande parte dela refere-se a prosperidade. Ele fala de más colheitas, de pragas nas lavouras, de climas adversos, e pede a Deus que abençoe a todo aquele que, premido por tal situação, recorra ao Senhor desde o templo que lhe estava sendo consagrado.

Em um Salmo (144), Davi ora assim:

“Que nossos filhos sejam, na sua mocidade, como plantas viçosas, e nossas filhas, como pedras angulares, lavradas como colunas de palácio;

Que transbordem os nossos celeiros, atulhados de toda sorte de provisões;

Que os nossos rebanhos produzam a milhares e a dezenas de milhares, em nossos campos;

Que as nossas vacas andem pejadas, não lhes haja rotura, nem mau sucesso;

Nem haja gritos de lamento em nossas praças”.

Em nossos dias, embora todos dependam do fruto da terra, poucos trabalham diretamente com ele. A maioria de nós recebe o que a terra produz através do salário que ganha.

Os celeiros de nossos antepassados, são as poupanças e as “previdências” de hoje. Seus rebanhos são as mercadorias que os comerciantes vendem, ou o serviço que os profissionais liberais prestam, ou, ainda, o tempo pelo qual os operários braçais são contratados.

Mas a súplica permanece a mesma: que nada disso seja fonte de lamento. Ao contrário: fonte de bênção para nosso progresso e progresso de nossos filhos e filhas.

Portanto não é errado pedir a Deus prosperidade. Ao contrário: devemos pedir que ele abençoe as obras de nossas mãos. Errado é lutar por ela mais do que o Senhor nos permite. Errado é trocar a prosperidade da alma pela prosperidade do bolso.

Entendendo isso poderemos dizer como João disse a Gaio: “Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” (3Jo 1.2).

sábado, 4 de agosto de 2007

Idolatria e culto


Eu tinha 9 ou 10 anos quando vi, pela primeira vez, esta figura. Fiquei chocado. As feições destes homens me impressionaram, mas especialmente a de Moisés, que, tomado pela ira, castigava o povo pela idolatria.

Neste desenho Gustave Doré tenta representar Ex 32.19 quando Moisés recebeu de Deus as primeiras tábuas de pedra com os 10 mandamentos, e encontrou o povo dançando ao redor do bezerro de ouro.

Eu não sabia como combinar este tipo de atitude irada, com o que me ensinavam sobre a conduta de alguém temente a Deus. Mas o texto era claro. Moisés estava irado ao ponto de quebrar o único exemplar de algo escrito diretamente por Deus e depois determinar a morte de cerca de 3 mil homens.

Quando eu perguntava a alguém as explicações eram semelhantes: “isso era próprio do Antigo Testamento, mas agora é diferente”.

No Seminário, com melhores ferramentas de interpretação, foi que percebi a falácia dessas explicações, pois há um evento semelhante no Novo Testamento: Cristo purificando o templo.
Tal qual Moisés, Jesus irou-se também. Veja o relato de João: Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio. Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me consumirá. (Jo 2.13-17 )

O que há de comum entre os dois casos é a idolatria associada ao culto. No Sinai, impacientes com a demora de Moisés fizeram um Deus segundo bem entendiam e de acordo com sua própria idéia do que Deus era. No templo aproveitavam-se do culto estabelecido por Deus para lucrar.

São duas das muitas faces que a idolatria tem. E são as mais visíveis hoje: os que inventam cultos à seu bel-prazer e os que se aproveitam da credulidade dos que pensam adorar a Deus.
Moisés não tolerou no Sinai, nem Cristo no templo. Nos dois casos a ira santa do Senhor puniu os idolatras, ele mesmo diz: “não tolero iniqüidade associada a ajuntamento solene”

Que tal nunca nos aconteça.

sábado, 28 de julho de 2007

Atendendo ao tempo decorrido

De todas as coisas vivas se espera algum progresso com o passar do tempo. De uma planta se espera crescimento, folhagem e frutos. De um bebê se espera desenvolvimento físico e intelectual, crescimento, maturidade. Dos cristãos hebreus era esperado que, atendendo ao tempo decorrido, fossem mestres.

Curiosamente era esperado que fossem mestres nos assuntos concernentes ao sacerdócio de Jesus. Afinal tudo indica que eles tinham sido, no passado, sacerdotes no templo que tipificava o próprio Jesus. Mas eles ainda se ocupavam com princípios tão básicos que hoje se pareceriam com universitários que não sabem a tabuada.

O diagnóstico do escritor da Carta aos Hebreus era: tardios em ouvir. Mas afinal, o que é exatamente alguém tardio em ouvir?

Quando se traduz a Bíblia para qualquer idioma é necessário levar em conta que: 1) Uma só palavra pode ter muitos sentidos. 2) Muitas palavras podem ser nuances de um mesmo sentido.

1. A palavra grega “phroneō” pode ser traduzida por “pensar”, “julgar”, “prestar atenção a”, “fixar a mente em”, ou por “ter opinião”. O núcleo de significado é o mesmo, mas as nuances de significação podem nos levar longe.

2. As palavras gregas “dogma”, “entolē”, “parangelō”, possuem o significado básico de ordem. Porém a primeira significa “ordem escrita”, “decreto” ou “decisão que deve ser cumprida”. A segunda significa primariamente um “mandamento recebido” e a última o “ato de dar ordens”, “mandar”.

A palavra grega traduzida por tardios (disermeneutos) e só ocorre esta única vez em todo o Novo Testamento. Aliás, não só no Novo Testamento, como também na Septuaginta (o Velho testamento traduzido para o grego), nem nos escritos da época. É uma palavra solitária.

Entretanto, nós conhecemos suas partes: dis+hermenêutica. O prefixo “dis” fala de algo que “não acontece” e a palavra “hermenêutica” já é conhecida em nossa língua como a capacidade de entender e interpretar algo. Ou seja eles “desentendiam”.

Então, por conta de uma certa idéia de intensificação presente no texto, traduz-se por “lerdos”, “lentos”, “negligentes”, “difíceis”, “duros”, “tardios”, etc.

Não há paralelo com 2Tm 3.7 (...que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade), pois os Hebreus já haviam entendido algo. Mas, desidiosos, estavam tão acomodados que, se tivessem aproveitado o tempo, já seriam mestres naquele assunto.

Duas coisas, entretanto, devem ser destacadas:

1) A dificuldade de expor o assunto perdido não estava no escritor, mas em seus leitores que não tinham capacidade de entendê-lo por terem se tornados “disermeneuticos”.

2) O mais triste é que, por essa irresponsabilidade, não apenas eles ficaram privados desse ensino, mas nós também.

Ora, qual não deve ser nossa responsabilidade hoje?

Se naqueles dias, em que o saber era mais estimado, aconteceu essa tragédia, o que está acontecendo hoje? O que será que nossos filhos receberão de nós?

Ávidos por diversão, entretenimento, passa-tempos, besteirol, “non sense”, o que teremos para legar a nossos filhos?

Desesperados atrás de tudo que se auto-proclama revelação divina, que tipo de “bíblia” passaremos a eles?

Voltemos ao bom senso: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa.” 1Co 15.33-34

domingo, 22 de julho de 2007

Chegou uma carta de Paulo! (Parte 2)

Ainda era cedo, mas a escola de Tirano já estava cheia. Era comum que no Dia do Senhor, o ambiente ficasse repleto, mas hoje estava mais cheio. A notícia da carta se espalhou e desde mais cedo havia um grupo esperando pela leitura dela.

Os presbíteros, juntamente com Tíquico, já a haviam lido durante a semana, e alguns assuntos já eram conhecidos. Dizia-se que ele falava bastante sobre família. A expectativa era grande.

Não me lembro de tudo, é claro, mas fiquei com algumas impressões muito fortes sobre o que ouvi.

A carta parecia mais uma oração.

Cada assunto que era abordado por ele, era concluído com uma oração. A própria carta já começava com uma oração em que ele agradecia por termos sido eleitos por Deus Pai, redimidos pelo Senhor Jesus e selados pelo Espírito Santo. Só então pede pela Igreja. Mas, ainda não entendi bem o que ele quis dizer com: “iluminados os olhos do coração”.

Seu primeiro assunto é garantir que fomos reconciliados com Deus e com o povo dele mediante a obra do Senhor Jesus e nos tornamos portadores dos mistérios de Deus – eu nunca havia pensado que a Igreja era tão importante assim – e em seguida faz outra oração.

Mas acho que o assunto que mais chamou a atenção de todos foi o que ele mesmo chamou de “andar de modo digno do chamado de Deus”.

Primeiro ele expôs a importância de nossos presbíteros: eles são obrigados por Deus a lutar para que deixemos de ser crianças levados de um lado para outro por todo vento de doutrina.

Depois ele disse que devemos lutar para evitar uma vida errada e para ao mesmo tempo nos enchermos do Espírito Santo.

Achei curioso ele ensinar que ficamos cheios do Espírito Santo à medida que nos lembramos sempre das Escrituras, (nem que para isso tenhamos de cantá-las de cor) e que aprendemos a nos submeter uns aos outros.

Achei que algumas coisas que ele exige de nós, só mesmo com ajuda divina, pois é muito difícil.
Por exemplo, uma série de proibições: não furte mais; não diga coisas torpes; não entristeça o Espírito de Deus; não se ache entre vocês nem cobiça, nem pornografia, nem histórias sujas; nem conversas indecentes, brincadeiras maliciosas, não desperdicem o tempo de Deus com futilidades.

Pra falar a verdade, acho que não é apenas aqui em Éfeso que isto é difícil de ser cumprido, mas em todos os lugares.

Mas ele termina de modo incentivador: diz que está a nossa disposição uma verdadeira armadura que podemos usar para fazer frente a esses desafios e outros mais.

Que Deus nos ajude a usá-la bem.

sábado, 14 de julho de 2007

Chegou uma carta de Paulo!

Essa deve ter sido a notícia mais repetida na Igreja de Éfeso naqueles dias.

O último contato que tiveram com Paulo foi quando, voltando para Jerusalém, chamou os presbíteros a se encontrarem na praia de Mileto.

Naquela ocasião ele se despedira certo de que não se encontrariam mais. Exortou a que zelassem pelo rebanho do Senhor que estava naquela cidade e apressado partiu para Jerusalém a fim de comemorar o Pentecostes lá.

Logo depois souberam que ele estava preso em Cesaréia onde aguardava julgamento e dois anos mais tarde que ele tinha sido levado Roma pois apelara para César.

Uma carta agora deveria trazer novidades interessantes.

Paulo era muito querido naquela Igreja. A primeira vez que o viram fora há mais de quinze anos, quando ele voltava apressado de uma viagem à distante Macedônia.

Cerca de três anos depois, voltando de Jerusalém, encontrou em Éfeso seus queridos Priscila e Áquila e um grupo de judeus que pouco sabiam do Evangelho além dos ensinos de João, por quem haviam sido batizados. Então deteve-se por uma estação freqüentando a sinagoga.

Procurando persuadi-los de que o Messias que esperavam já viera não chegaram a bom termo, e Paulo alugou uma escola onde a Igreja firmou-se.

Permaneceu ali por mais de dois anos, e o Evangelho chegou a diversas cidades vizinhas.

A Igreja de Éfeso se desenvolveu muito, chegando a influenciar os costumes da cidade. Os artesãos que viviam da fabricação de miniaturas do templo de Diana – a deusa da cidade – sentiram uma queda nas vendas e revoltaram-se. Houve protestos e gritaria.

Quando foram dispersos pelas autoridade Paulo achou melhor partir: diminuiria os atritos e aproveitaria para visitar as Igrejas que fundara na Macedônia.

Agora chegava uma carta dele trazida por um de seus amigos mais próximos: Tíquico. Que novidades ela traria?

Reunida a Igreja a carta foi lida. A leitura foi rápida, afinal parecia o próprio Paulo falando, mas, os ensinos, as recomendações e as ordens demandariam bastante tempo de reflexão.

Na carta notava-se a preocupação dele com os judeus que insistem em mostrar a Igreja como se fosse uma nova fase do que eles ensinam.

Pelo contrário, Paulo explica como Deus chama, por sua graça a cada um e constitui a Igreja que é o que ele chama de “Noiva de Cristo”.

Sendo a Noiva de Cristo, a família altamente valorizada por Paulo, é algo que deve ser objeto de consideração e estima.

Mas a ele não poderia esquecer de como isso acontece na prática. Então dá ordens aos esposos, aos filhos aos servos e até os líderes da Igreja recebem incumbências específicas de como devem se portar e do que devem fazer.

Termina a carta exortando todos a que levem uma vida mais conforme essa realidade tão impressionante, e que reflita de modo mais claro as implicações do chamado de Deus em Cristo.

Ainda bem que Tíquico ia ficar por uns tempos. Vamos ter muito o que conversar.

sábado, 7 de julho de 2007

Cartas

Você já observou que o Novo Testamento é composto de cartas?

Geralmente o dividimos em Evangelhos, Livro histórico (Atos), Cartas paulinas, Cartas gerais, e Livro profético (Apocalipse). Mas, se você reparar bem, verá que com exceção de Mateus e Marcos todos os demais livros são cartas.

O Evangelho de Lucas e o Livro dos Atos dos Apóstolos formam uma unidade e a introdução de ambos revela tratar-se de cartas de Lucas à Teófilo.

O Evangelho de João, em seu final, revela ter sido escrito, após seleção de sinais, com o propósito de que o leitor venha crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que crendo tenha vida em seu nome. Ou seja: no fundo é uma espécie de carta dirigida a quem a ler.

Quando ao Apocalipse basta se lembrar de que, de início, já é dirigido, como se fosse uma “carta circular”, às Sete Igrejas da então Ásia Menor que hoje é a Turquia.

Há cartas que tratam de um assunto só, e outras que tratam de diversos assuntos. Há cartas pessoais e outras tão gerais que sequer pressupõem um determinado tipo de leitor. Porém todas foram escritas com o propósito de resolver um ou mais problemas de alguém ou de uma Igreja.

Aliás, seria mais correto dizer que todas, sem exceção, objetivam a ensinar a Igreja e a seus membros, os desdobramentos e a aplicação da Lei na dispensação do Evangelho.

Mas me chama mais atenção é o fato de que são cartas. Foram escritas.

Explico melhor.

Quando João percebeu a ameaça do Gnosticismo sobre a Igreja escreveu seu Evangelho mostrando que Jesus era tanto homem quanto Deus.

Quando Judas pensava sobre nossa comum salvação percebeu que deveria escrever algo exortando os salvos a batalharem pela fé que, de uma vez por todas, lhes havia sido dada.

Quando o Concílio de Jerusalém chegou à solução do problema que lhe foi trazido escreveu uma carta que causou conforto e crescimento às Igrejas que a receberam.

Quando Paulo ficou inteirado do que estava acontecendo na Igreja de Corinto escreveu uma carta e ao saber das reações escreveu outra.

Podemos pensar que as distâncias de então é que exigiam essa prática. Concordo. Entretanto, chamo a sua atenção para o fato de que o Cristianismo pauta-se por atribuir o significado “sim” à palavra sim e “não” à palavra não. Ou seja: não há nada que o cristão fale ou a Igreja creia que não possa ser escrito.

Não somos um grupo secreto. Somos o que modernamente chama-se de “transparente”. Ou, pelo menos deveríamos ser. Afinal este é o exemplo (e a ordem) que temos da Palavra de Deus.

Valorizemos mais nossa herança de clareza e sinceridade e não abandonemos nossa riqueza cultural característica de quem escreve e conseqüentemente lê.

sábado, 30 de junho de 2007

Ainda sobre o Espírito Santo

Quando, no princípio, o SENHOR, criou os céus e a terra seu Espírito participou ativamente: Pairava sobre as águas, e soprou vida no barro do qual o homem foi feito.


A tudo criou e manteve desde então. Ou como diz o salmista "Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó (Sl 104.29)".


Criou, mantêm e os extingue: "Com o hálito de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem (Jó 4.9)” e “seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do SENHOR (Is 40.7)”.


Sopro, respiração e hálito traduzem a mesma palavra hebraica.


*


Após anos de preparação e amadurecimento da humanidade; após o juízo do dilúvio e de Babel; após a definição do pacto na linhagem de Abraão, o mesmo Espírito que participou e participa ativamente da formação, da manutenção e da extinção de indivíduos, participou da formação de um povo.


Primeiro deu-lhes senso familiar, depois senso pactual, e, por assim dizer, mais uma vez os tirou do barro, onde amassavam tijolos, e durante os 40 anos que peregrinou com eles no deserto deu-lhes senso de nação: povo.


Foram formados e mantidos miraculosamente. Sobre eles estabeleceu governo, e repartiu-lhes capacidades (dons) e atribuições específicas, conforme as situações exigiam.
Não apenas miraculosamente as deu, mas miraculosamente os capacitou a exercer: Bezalel, Oliabe, Sansão, Gideão, etc.


E como ocorre com tudo também foram extintos pelo hálito do SENHOR. Precisavam aprender que o mesmo Espírito, que do barro faz indivíduos e nações, também os extingue. E, soprando sobre indivíduos e nações, os chama de volta à existência.


*


Os anos se passaram e após um silêncio de 4 séculos, além da lei e da justiça aprenderam também a exercer misericórdia. Na verdade já a conheciam e sabiam como era preciosa, pois a viam estampada em cada vítima sacrificada e no resultado de cada sacrifício.


E no dia de Pentecostes fomos chamados de volta a existência. Renascemos. não como famílias, tribos ou nação, mas como povo daquele que, soprando instila seu Espírito e dá vida, ou murcha e seca a planta mais viçosa. E como aconteceu antes, nossa infância foi acompanhada de milagres. Miraculosamente fomos organizados, e até hoje somos mantidos.


Porém, essas verdades estão esquecidas, e hoje falar sobre o Espírito de Deus é tão banal que a ele atribui-se as coisas mais ridículas e deploráveis, e em seu nome se comete os mais graves absurdos.


Não haveríamos de temer e respeitar o tão sublime, do qual depende a vida e a morte, e contra quem o pecado não é perdoado?


Pensemos!

Ainda sobre o Espírito Santo

Quando, no princípio, o SENHOR, criou os céus e a terra seu Espírito participou ativamente: Pairava sobre as águas, e soprou vida no barro do qual o homem foi feito.

A tudo criou e manteve desde então. Ou como diz o salmista "Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó (Sl 104.29)".

Criou, mantêm e os extingue: "Com o hálito de Deus perecem; e com o assopro da sua ira se consomem (Jó 4.9)” e “seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do SENHOR (Is 40.7)”.

Sopro, respiração e hálito traduzem a mesma palavra hebraica.

*

Após anos de preparação e amadurecimento da humanidade; após o juízo do dilúvio e de Babel; após a definição do pacto na linhagem de Abraão, o mesmo Espírito que participou e participa ativamente da formação, da manutenção e da extinção de indivíduos, participou da formação de um povo.

Primeiro deu-lhes senso familiar, depois senso pactual, e, por assim dizer, mais uma vez os tirou do barro, onde amassavam tijolos, e durante os 40 anos que peregrinou com eles no deserto deu-lhes senso de nação: povo.

Foram formados e mantidos miraculosamente. Sobre eles estabeleceu governo, e repartiu-lhes capacidades (dons) e atribuições específicas, conforme as situações exigiam.
Não apenas miraculosamente as deu, mas miraculosamente os capacitou a exercer: Bezalel, Oliabe, Sansão, Gideão, etc.

E como ocorre com tudo também foram extintos pelo hálito do SENHOR. Precisavam aprender que o mesmo Espírito, que do barro faz indivíduos e nações, também os extingue. E, soprando sobre indivíduos e nações, os chama de volta à existência.

*

Os anos se passaram e após um silêncio de 4 séculos, além da lei e da justiça aprenderam também a exercer misericórdia. Na verdade já a conheciam e sabiam como era preciosa, pois a viam estampada em cada vítima sacrificada e no resultado de cada sacrifício.

E no dia de Pentecostes fomos chamados de volta a existência. Renascemos. não como famílias, tribos ou nação, mas como povo daquele que, soprando instila seu Espírito e dá vida, ou murcha e seca a planta mais viçosa. E como aconteceu antes, nossa infância foi acompanhada de milagres. Miraculosamente fomos organizados, e até hoje somos mantidos.

Porém, essas verdades estão esquecidas, e hoje falar sobre o Espírito de Deus é tão banal que a ele atribui-se as coisas mais ridículas e deploráveis, e em seu nome se comete os mais graves absurdos.

Não haveríamos de temer e respeitar o tão sublime, do qual depende a vida e a morte, e contra quem o pecado não é perdoado?

Pensemos!

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Quando o galo canta

Dia desses alguém me lembrou da importância que o cantar do galo deveria ter para os cristãos. Eu nunca havia pensado nisso. No máximo trazia recordações da infância em que, como dizia o poeta, havia “galos, noites e quintais”.

Mas, pense bem: quantas recordações eram despertadas em Pedro sempre que ouvia um galo cantar? Pessoalmente, não creio que ele tenha se esquecido da noite em que um galo o lembrou de que estava negando o Senhor. Eu não me esqueceria. Aliás, depois que ouvi essa alusão, jamais me esquecerei da experiência de Pedro.

O canto de um galo sempre me recordará o quanto podemos ser arrogantes e presunçosos. Não foi disso que ele se lembrou?

O Senhor jamais escondeu de seus apóstolos que estava destinado a morte. Muitos viram João Batista identificá-lo como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ora, qualquer judeu sabia que isso era feito mediante a morte do cordeiro.

Além de não esconder, o Senhor, à medida que o dia se aproximava, e seus apóstolos, presumivelmente, adquiriam uma compreensão mais profunda do que estava acontecendo, repetia mais vezes o que seria morto. Entretanto em uma dessas vezes Pedro, invertendo os papéis, declarou impensadamente que estava pronto a morrer por ele.

Devia ser repreendido, e foi. Além de que repreendido viu-se, depois, qual o profeta insensato da antiguidade, ser ensinado por um animal. É ele quem deplora essa humilhante experiência (2Pe 2.15).

Mais do que uma bravata, ele ainda não compreendera qual era a verdadeira missão do Senhor.

- Jamais cantará o galo antes que me negues três vezes (Jo 13.38). Negou as três vezes e Lucas nos informa que quando ele o fazia pela terceira vez o Senhor Jesus fixou seus olhos nele.

Posso imaginar a amargura com que Pedro chorou naqueles dias. E creio que, a partir de então, sempre que ouviu um galo cantar deve ter se lembrado do olhar perscrutador do Senhor que, mesmo sofrendo, lembrava-se dele.

Hoje eu penso no quanto de nós está retratado em Pedro. Em um momento somos capazes de dizer ao Senhor que estamos dispostos a morrer por ele e no momento seguinte escutamos o galo dizendo o quanto somos fracos.

Não creio que houvesse algo importante em ser um galo. Era apenas um modo de Jesus dizer que antes de amanhecer Pedro haveria de negá-lo. O galo era uma espécie de relógio.

Porém, como ele marcou as horas para Pedro, para mim será sempre uma lembrança de que nos momentos de maior coragem posso estar negando o Senhor. Jamais esquecerei essa lição.

sábado, 16 de junho de 2007

Mediata e imediatamente 3/3

No boletim passado escrevi: “Hoje o Espírito Santo, sob condições normais, capacita, mediante estudo e treinamento, a que as "grandezas de Deus" sejam anunciadas em diversos idiomas ou que um doente receba o tratamento adequado”. Adiantei um argumento contra meu próprio pensamento: “muitos tradutores e médicos sequer temem a Deus”, e prometi respondê-lo hoje.

Vamos lá:

O fato de uma pessoa não temer, ou sequer pensar em Deus, não a faz alheia as bênçãos de Deus. Todos - até mesmo os piores criminosos - estão constantemente recebendo bênçãos e mais bênçãos de Deus. O Senhor Jesus foi muito claro ao dizer que Deus “faz nascer seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”. A isso chamamos de graça comum, já que é comum a todos indistintamente.

Porém, essa graça é muito mais abrangente do que se pensa. O que chamamos de “opinião pública” ou “senso de valores” é produto dela: Escritura fala de “uma norma de lei gravada nos corações” mediante a qual Deus haverá de julgar a todos. Ela é tão importante na manutenção da ordem social que é responsável pela existência de autoridades que são “ministros de Deus, vingadores, para castigar o que pratica o mal”.

Temos por assente que o “mercado” (ou como dizia o economista: “a mão invisível”) é o responsável pelo equilíbrio entre as necessidades de um povo e o número de portadores de aptidões naturais que as satisfaçam. Porém, na verdade, o responsável por isso é Deus; de tal modo que o lavrador, o médico, o Engenheiro, o policial, o professor, etc. desempenham funções dadas por ele através da “Graça Comum”. É isso que torna este mundo “habitável”.

Resumindo, aquele que cura o corpo, mas não se importa com o Criador dele, peca duplamente: contra quem criou o doente e contra quem o dotou de habilidade, inteligência e conhecimento para curá-la: o mesmo Deus. E aquele que é capaz de entender um idioma diferente e não expressa nele as grandezas de Deus, ou se vale dele para espalhar aquilo que desonra o Senhor, peca da mesma forma.

E assim poderíamos analisar todas as vocações humanas. Concluiríamos que são dádivas do Espírito Santo, como também o são todos os “carismas” com os quais ele atende as necessidades dos escolhidos enquanto a Graça Comum não produz pessoas capacitadas a tanto.

Portanto, Deus atende as necessidades de seu povo, e de todas as suas criaturas, mediante sua graça. E quem é o instrumento dessa graça, sendo temente a Deus, percebe-se colaborador seu e o louva por tamanha oportunidade. Quem não percebe isto e crê que tudo foi feito pela força de seu braço ou pela sua capacidade intelectual, manifesta sua rebeldia contra o Senhor, mas nem por isso deixa de ser seu instrumento. Ambos pecadores: o primeiro um pecador redimido e o segundo um pecador rebelado.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Mediata e imediatamente 2/3

No boletim passado tentei mostrar como os idiomas manifestados pelo Espírito Santo no dia de pentecostes eram o prenúncio do que aconteceria, e, de fato, está acontecendo até o dia de hoje: as grandezas de Deus são anunciadas a todos os povos independentemente da língua que falam.

Procurei também deixar claro, que, naquela ocasião, o Espírito Santo agiu imediatamente (sem meios), diferindo tão pouco do modo como ele age hoje, quanto a multiplicação dos pães, operada também imediatamente pelo Senhor, difere de sua ação em fazer a semente germinar e multiplicar-se nas espigas que produz.

Antes de caminharmos para algumas considerações gerais a respeito desses maravilhosos dons (Charismas) com os quais Deus agraciou a Igreja, vejamos mais uma situação: a saúde.

Dos 120 discípulos que compunham a assembléia que elegeu Matias substituto de Judas, no dia de pentecostes a Igreja chegou a cerca de 3 mil pessoas, e poucos dias depois a 5 mil. Era, portanto, natural que, por mais saudáveis que fossem, houvesse entre eles algum doente.

Sabemos muito bem que a medicina daqueles dias além de, digamos, ser pouco desenvolvida, servia, quase que exclusivamente, os mais ricos. Como então suprir um grupo em que havia até necessidade de pão?

Sabemos também que naqueles dias as doenças eram popularmente vistas muito mais como castigos divinos - ou até mesmo como "pessoas" (ou entidades dotados de algum tipo de personalidade), que deviam ser repreendidas, do que como alguma disfunção orgânica. Mais ou menos como acontece hoje com aqueles que são facilmente iludíveis por falsos tratamentos e falsos curadores.

Ora, nada mais natural que o Senhor, agindo imediatamente suprisse a necessidade de tantos em pouco tempo, e concomitantemente reafirmasse a todos seu poder sobre quaisquer coisas, até mesmo sobre as doenças, capacitando aqueles que ele mesmo queria a que, quando fosse a ocasião que mais oportuna a seus desígnios, curasse aos que também ele quisesse.

Como aconteceu com os pães, cujas sementes não foram plantadas, ou com os idiomas, cujos falantes não foram neles adestrados, alguns foram extraordinariamente capacitados a curar os enfermos que Deus quis que fossem curados. Entretanto nem todos receberam tal graça: lembre-se de que Trófimo foi deixado doente por Paulo em Éfeso.

Hoje o Espírito Santo, sob condições normais, capacita, mediante estudo e treinamento, a que as "grandezas de Deus" sejam anunciadas em diversos idiomas ou que um doente receba o tratamento adequado.

Certamente você já deve ter pensado que essa explicação não é boa, pois muitos tradutores e médicos sequer temem a Deus. Há outros inconvenientes nessa explicação, mas sobre esta falarei no próximo boletim.

Pastoral sobre o Projeto de Lei a respeito de "homofobia"

Carta Pastoral à Igreja Presbiteriana da Ilha dos Araújos

Amados irmãos;

No boletim de 13 de maio, transcrevi carta do MD. Presidente do Supremo Concílio de nossa Igreja Rev. Roberto Brasileiro, em que tornava clara a posição de nossa denominação sobre a criminalização da “homofobia” e sobre a prática do Aborto.

Tais assuntos foram trazidos à pauta por declarações do Exmo. Sr. Ministro da Saúde sobre a necessidade de se examinar a atual legislação a respeito do Aborto e por um Projeto de Lei, que, aprovado na Câmara, tramita pelo Senado.

Quero chamar-lhes a atenção, como ovelhas do Senhor, entregues aos meus cuidados pastorais, para alguns fatos, que podem afetar nossa carreira como cristãos em um país onde temos, não apenas o direito, mas também o dever de participar da elaboração das leis, no mínimo elegendo nossos legisladores, mas também fazendo-lhes conhecer a opinião que temos sobre os respectivos assuntos a que estão afetos.

O Projeto de Lei PLC 122/06, é danoso a prática da vida cristã no mínimo porque: Querendo proteger de discriminação aqueles que estão em flagrante desobediência a “lei maior” do Criador, que os fez “machos e fêmeas” - como é afirmado no Livro de Gênesis, e depois reafirmado pelo nosso Senhor e Mestre, Jesus Cristo - embaraça-lhes mais a possibilidade de deixar suas práticas condenadas pelas Escrituras Sagradas, e tolhe a missão da Igreja em diversos aspectos.

1. Embaraça-lhes
a. Ao chamar de “homofobia” a aversão que muitos - cristãos e não cristãos - sentem pela manifestação pública de “afetos homossexuais” (abraços, beijos, carícias, etc), este Projeto de Lei atribui aos heterossexuais o erro de serem preconceituosos e, conseqüentemente, exime os homossexuais de perceber a situação em que se encontram, embaraçando-lhes assim uma avaliação conforme a cosmovisão cristã da antinaturalidade de seus relacionamentos bem como de ver estes mesmos relacionamentos como atestados da ira de Deus que se derrama sobre uma sociedade que esqueceu seu Criador.

Observe o quanto a Palavra de Deus é clara sobre este ponto:
Romanos 1.18-28: 18 A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; 19 porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.

20 Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas.

Tais homens são, por isso, indesculpáveis; 21 porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. 22 Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos 23 e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.

24 Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; 25 pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!

26 Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; 27 semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.

28 E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes ...

b. Ao criminalizar o que chamam de “homofobia” criam dois pesos e duas medidas. Pois, segundo a lei, o tolhimento de qualquer “expressão de afeto homossexual” será punido. Porém, semelhante punição não será aplicada ao tolhimento das “expressões de afeto heterossexual”.

2. Tolhe a missão da Igreja
a. Nossa Igreja, que não aceita como membros heterossexuais na prática da fornicação, não poderá negá-la a homossexuais, sob o risco de punição.

b. Ensinar que a homossexualidade, mais do que pecado, já é castigo divino sobre a idolatria (como fica claro no texto bíblico transcrito acima), torna-se crime. Ora, tal ensino desdiz muito em muitas partes a Palavra de Deus, com a qual estamos comprometidos, e o púlpito fica cerceado em sua missão de luta por uma sociedade mais santa.

À luz de tudo isto, exorto aos irmãos, ovelhas do Senhor, debaixo de meus cuidados pastorais, a que escrevam ao senador em quem votaram nas últimas eleições, manifestando repúdio a esse Projeto de Lei.

Pastoralmente, do fundo de meu coração
Rev. Fôlton Nogueira



Observações úteis:

1. Onde o Projeto de Lei pode ser lido: http://www.senado.gov.br/sf/publicacoes/diarios/pdf/sf/2006/12/14122006/38854.pdf)

2. Onde encontrar o endereço do Senador em que você votou:http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp?o=1&u=*&p=*

3. Um histórico do Projeto de Lei e uma análise profunda do mesmo veja o Parecer do Dr. Paulo Fernando de Melo em 23/5/2007 em: http://movimentodeapoio.blogspot.com/2007/05/plc-1222006-brilhante-pronunciamento-do.html

4. Endereço do Senado Federal: Senado Federal - Praça dos Três Poderes - Brasília DF - CEP 70165-900 - Fone: (61)3311-4141

Também é bom conhecer:
1. Um pouco do que revela o termo “homofobia” analisado por um filósofo Católico Romano http://www.olavodecarvalho.org/semana/070523dce.html

2. Quadro geral acompanhado por uma psicóloga evangélica
http://movimentodeapoio.blogspot.com/

sábado, 2 de junho de 2007

Mediata e imediatamente 1/3

O SENHOR opera através de meios ou sem eles. No primeiro caso dizemos que ele operou mediatamente e no segundo imediatamente.

Foi assim desde o princípio. Quando do nada fez a luz, ele estava operando imediatamente.

Quando do barro fez o homem, ele estava operando mediatamente: usava o barro como meio.

O Filho, a segunda Pessoa da Trindade também agiu assim, não apenas antes de encarnar-se, quando "agente executivo" da vontade do Pai (a Palavra que não volta para ele vazia, mas faz tudo o que lhe apraz), mas também "nos dias de sua carne". Quando disse "Lázaro, vem para fora" e o defunto Lázaro obedeceu, ele agiu imediatamente. Entretanto quando aplicou lama aos olhos do cego e mandou que os lavasse no tanque de Siloé para ficar bom, ele o curou servindo-se de meios: mediatamente.

Por semelhante modo o Espírito Santo, a terceira Pessoa da Trindade, ao manifestar-se no dia de pentecostes o fez imediatamente: capacitou aos primeiros cristãos a que falassem as "grandezas de Deus" em 14 idiomas diferentes. Idiomas que não eram conhecidos deles, nos quais eles nunca se expressaram, nem foram treinados para fazê-lo. Entretanto, na mesma ocasião, considerando outro ângulo do mesmo acontecimento, os demais que ouviram a mensagem foram atingidos através de um meio, pois não ouviram diretamente do Espírito Santo, mas daqueles que ele capacitou para tanto.

O princípio é o mesmo: Deus intervém. A forma como ele procede essa intervenção pode variar.

Todos os dias vemos a semente germinar e produzir muitas outras, mas não chamamos a isso de “multiplicação dos pães” – embora, em última análise, seja – nem sequer dizemos ser algo sobrenatural, embora seja um milagre tão óbvio quanto o que o Senhor Jesus fez na Galiléia.

Parece que é sempre assim: todos os começos demandam algum tipo de ação imediata que se estabiliza depois, através de meios que se repetem, e, pelo costume, acabamos chamando-os de naturais; mesmo que saibamos o quão “sobrenaturais” sejam.

Não foi assim na criação? Não foi assim no início da Antiga Aliança? Não foi assim na aplicação da Nova Aliança no dia de pentecostes?

No início era necessária uma capacitação imediata de falantes de muitas línguas. Hoje, esse mesmo milagre é realizado, pelos que aprendem uma língua, inventam sua representação gráfica, sistematizam-na em uma gramática, traduzem para ela as histórias contadas por seus falantes, ensinam tais falantes a “ouvir” tal língua a partir dos sinais grafados e reconhecer suas histórias. E, a partir de então, “para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo”, traduzem para ela as Sagradas Escrituras, já que “aqueles antigos modos de Deus revelar sua vontade ao mundo cessaram”.

Não poderíamos dizer algo semelhante sobre as habilidades de cura? Mas isso fica para a próxima semana.

sábado, 26 de maio de 2007

Pentecostes: A presença do Bom Pastor

Ao retomar a glória que tinha junto do Pai antes que houvesse mundo, o Senhor assumiu a tarefa de interceder por nós e, como fazia antes - e fez durante os dias de sua carne - retomou também a tarefa de construtor: está preparando-nos lugar.

Porém, não nos deixou órfãos. Pelo contrário, nos enviou seu Espírito que "é sobre todos, age por meio de todos e está em todos", e, portanto, está onipresentemente conosco.

Sua natureza humana, glorificada, está à destra do Pai. Seu Espírito está conosco. E porque seu Espírito está conosco temos o conforto (cum+fortius = com força) de sua presença, lembrando-nos de tudo o que disse, fazendo-nos ver claramente sua vontade, querê-la e realizá-la.

Ele não está ocioso nos céus e tampouco nos deixou ociosos na terra: seu Espírito capacita-nos a trabalhar em prol de seu reino, dando-nos conhecimento, discernimento e disposição necessária para tanto. E o ato inicial desta tarefa aconteceu 10 dias após sua volta aos céus, no dia de Pentecostes.

Naqueles dias precisávamos ser convencidos de que a tarefa que ele nos dera, destinava-se mesmo a todas as nações e que tínhamos condições de realizá-la. A falta dos meios não seria obstáculo, pois ele mesmo supriria. Tudo isso ocorreu de uma só vez.

Todos eram judeus e sabiam que as manifestações do SENHOR sempre eram sinalizadas, sendo o fogo um dos principais sinais que ele usava. Foi assim no Sinai, quando o Tabernáculo foi consagrado, quando o primeiro Sumo-sacerdote (Arão) foi ungido, quando o Templo de Salomão foi dedicado, etc. Nada mais natural, portanto, que ele usasse o mesmo sinal. E usou: sobre cada um apareceu o que Lucas descreveu com as palavras: "línguas como de fogo".

Para deixar claro que a ordem que dera referia-se a todas as nações, o ato seguinte foi capacitá-los – sem quaisquer meios ordinários – a falar idiomas de outros povos. Se desde Babel eles eram um empecilho, agora não eram mais.

Para deixar claro que as condições para cumprir a missão seriam supridas o fogo atestava simbolicamente que o mesmo poder conferido aos agentes da Antiga Aliança estava sendo conferido à cada um deles. Eram, por assim dizer, novos tabernáculos em que o Senhor residiria e novos sacerdotes que conduziriam muitos ao Senhor.

O Pentecostes atesta a vitória e exaltação de Cristo, sua presença conosco, e marca o início da nova formação do povo de Deus, que não está mais adstrito a uma nação, tampouco a um lugar, muito menos a um idioma.

E sua promessa continua: “eis que estou convosco, todos os dias, até a consumação do século”.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Ascensão

Quando o Senhor encarnou-se, assumindo a natureza humana, esvaziou-se de alguns dos atributos que tinha como Deus. Era Deus conosco. Maria, esclarecida do que estava acontecendo pelo anjo Gabriel, soube que desde aquele primeiro momento estava carregando em seu ventre o Filho de Deus.

Os dias, biologicamente determinados, se completaram e Maria entregou à luz um menino. Novamente, os anjos – agora um verdadeiro exército deles – se encarregaram de esclarecer o que estava acontecendo a uns pastores que daquelas redondezas.

Durante trinta anos o Deus-conosco "aprendeu pela obediência" o que era ser descendente de Adão. Como criança foi submisso a seus pais terrenos. Como adolescente foi estudioso das coisas do Pai celeste a ponto de impressionar os terrenos. Como adulto foi construtor, como sempre foi seu Pai celeste e como aprendeu de seu pai terreno.

Trinta e três anos depois o Deus-conosco esvaziou-se ainda mais: morreu. Em vez de um útero aquecido, foi recebido por um túmulo frio. Ambos virgens. Em vez de 9 meses, três dias. Em vez de crescimento físico, espera incorruptível.

Os dias, profeticamente determinados, se completaram, e no primeiro dia da semana, saiu à luz: ressuscitou. Recebeu de volta a vida biológica da qual se esvaziara. E, como aconteceu ao nascer, anjos testemunharam sua ressurreição, esclarecendo a Madalena e a outros discípulos o que estava acontecendo.

Durante quarenta dias, aquele que aprendeu sobre o "reino dos homens" ensinou aos seus a respeito do "Reino dos céus". Então recebeu de volta tudo aquilo de que se esvaziara ao encarnar-se. E, novamente os anjos se encarregaram de explicar o que estava acontecendo enquanto ele ascendia aos céus.

A maldição imposta a Adão e a seus descendentes foi revogada através do novo Adão com novo tipo de descendência: a fé.

Os descendentes do velho Adão nasceram espiritualmente mortos fora do Paraíso de onde ele fora expulso. Os descendentes do novo Adão são aqueles que, espiritualmente ressuscitados, anseiam pela volta, e tem certeza dela, pois afinal o primeiro deles já está lá.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Adorar um homem?

O Senhor escolheu 12 homens, a quem chamou Apóstolos e lhes deu autoridade, sobre muitas coisas. Até sobre reter ou perdoar pecados. Porém, eles nunca se deixaram adorar. Ao contrário, não há uma só narrativa em que alguém tenha tentado fazer isto e eles não o impedissem.

Temos e devemos ter alegria e prazer naqueles que alcançaram maior entendimento e virtude na vida de busca pela semelhança com Cristo. Porém, adorá-los é demais. Servir-se deles, como intercessores junto ao Pai, é o mesmo que vilipendiar quem “é o único mediador entre Deus e os homens”: Jesus Cristo.

Então, baseado em qual argumento, em que silogismo, ou debaixo de qual autoridade - ou qualquer coisa semelhante - um filho de Adão, morto em "delitos e pecados", carecente da graça de Deus e da intermediação de Jesus Cristo, arroga-se a autoridade de declarar que outro filho de Adão, sujeito às mesmas fraquezas e necessidades, deve ser adorado?

A Igreja Católica Romana merece nosso aplauso pela luta aberta que trava contra a prática do aborto, em favor de uma moral sexual mais sadia.

Não podemos concordar com ela que o único papel do sexo seja a procriação, e que, portanto, todos os meios anticoncepcionais devam ser evitados. Devemos evitar, sim, os meios “anti-natais” (que visem o nascimento de um ser, mesmo que ainda seja um pequeno aglomerado de células. Porém, os meios naturais que impeçam a fecundação não são imorais, ou criminosos em si, e, usados com fim legítimo, não devem ser tolhidos.

Entretanto, como é que se luta a favor de uma conscientização clara desses problemas e ao mesmo tempo se incentiva a ingestão de pílulas cujo conteúdo é apenas papel e tinta?

Admira-me a luta em favor do bem. Espanta-me a manutenção da credulidade naquilo que não recebe qualquer apoio das Sagradas Escrituras.

Quando comemoramos 100 anos do presbiterianismo, debaixo de acusações de sermos maus brasileiros, pois não acatávamos as disposições da “igreja mãe”, contou-se muito um hino, que, dirigido ao povo brasileiro instava-se a um arrazoado. Por oportuno, transcrevo abaixo a parte da qual me lembro dele através do canto de minha mãe.


Pobre gente piedosa e sincera
Que não abre seus olhos à luz
Que confunde a massa do trigo
Com o celeste e divino Jesus.

(coro)
Oh! Não confundas a pátria terrestre
Com os fulgores da pátria da fé.
No Brasil quem com fé repele o erro
Brasileiro sincero é que é (bis).

Pobre gente que julga nas mãos
O seu Deus conduzir num andor
Não sabendo que mãos de mortais
Não manejam o céu do Senhor.

domingo, 6 de maio de 2007

Quando o Senhor nos espera na praia

Ontem, a lua já estava alta e não se refletia mais nas águas do Rio doce, mas ainda insistia em vencer a claridade das lâmpadas da rua, me lembrou dos dias narrados na Escritura em que o Senhor, depois de ressuscitado, manifestou-se diversas vezes a seus discípulos.

Sempre tive a impressão que ele só fez isso aos domingos: Às mulheres, que foram ao sepulcro com a intenção de embalsamar seu corpo, manifestou-se logo após ressuscitar. Aos dois que viajavam para Emaús, manifestou-se ainda no mesmo dia. E, João nos informa que era o mesmo dia quando ele apareceu aos demais em uma casa com as portas trancadas. Entretanto Tomé teve de esperar uma semana para vê-lo.

João, dá-nos impressão de ter passado um bom tempo até aquela manhã em que eles foram recebidos na praia pelo Senhor. Isso justificaria melhor a desolação de Pedro: “vou pescar”.
Não creio que Pedro, pescador de profissão, naquela noite estivesse interessado nos peixes, ou no lucro que a venda deles lhe daria, mas em aliviar a angústia de ter negado seu Senhor, ter sido lembrado por ele logo que ressuscitou e já tê-lo visto pelo menos duas vezes sem a liberdade de falar-lhe como falava antes.

A lua cheia de ontem me lembrou que talvez aquela noite tivesse sido assim, pois “noite de lua é boa pra pesca”.

Todos foram com Pedro. Até os que não eram pescadores de profissão: também estavam desolados e uma pescaria sempre faz bem. Mas “naquela noite nada apanharam”.

A lua cheia de ontem também me mostrou outros desolados. Não estavam em um barco no Rio Doce. Vagavam pelas ruas vindo de simulacros de igrejas que prometem todo sucesso material, amoroso e espiritual.

Tal qual aqueles pescadores, passavam a noite (ou parte dela) tentando conseguir algo. Algo que nem eles mesmos sabem o que é, mas que estão certos de reconhecer tão logo tenham.

“Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia”. Porém, nenhum peixe no barco e nenhum peixe nas redes.

Apesar de terem ido pescar apenas pela pescaria, seria bom ter pegado algo: o bom da pescaria não é a recompensa da luta com o peixe depois da espera?

Abençoados: encontram Jesus. Não bastasse, receberam dele a informação certa que os conduziu ao sucesso natural de uma pescaria, que mesmo quando é feita “para espairecer”, causa alegria se coroada de êxito.

Pedro entendeu muito bem o respeito que devia ao Senhor e vestiu-se.

Não bastasse, ao chegarem a praia foram recebidos com o calor de um braseiro, peixes sobre as brasas e pão.

O convite de quem sabe o que é passar uma noite em claro, “vinde, comei”, é completado quando o próprio Senhor lhes serviu pão e peixe.

E Pedro?

Afoito, não desfizera de seus irmãos garantindo que, mesmo se eles negassem ao Senhor, jamais o faria? “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros?”

Afoito, não levara o Senhor à parte para repreendê-lo sobre aquela história de ser morto? “Simão, filho de João, tu me amas?”

Medroso, diante de servos, não havia negado seu Senhor três vezes? “Simão, filho de João, tu me amas?”

De nada adiantou chorar amargamente. De nada adiantou, estressado, ir pescar. De nada adiantou vestir-se diante do Senhor (somos transparentes ao seu olhar). “Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo”.

Não sei se era noite de lua. Talvez fosse. Sei que era época de frio. E naquela noite diversos tipos de frio açoitaram aquele homens. O mais simples deles foi debelado com o braseiro. O outro foi debelado pelo amor e gentileza do Senhor. O pior deles, o que rasgava o coração de Pedro, somente sua Palavra o fez.

Querido irmão: não vague atrás da Palavra do Senhor por esses lugares escusos. Ela não está lá. Tire-a de sua estante. Devore-a com sofreguidão. Encha seu coração com ela. Ela iluminará seus caminhos com claridade maior que a da lua cheia e o aquecerá melhor do que um braseiro.

Bom ânimo

Hebreus 3.13 (NAA) Pelo contrário, animem uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama “hoje”, a fim de que nenhum de vocês ...